Oi Oi gente meu nome é Denis petuco sociólogo trabalhador da Escola Politécnica de saúde Joaquim Venâncio aqui da Fundação Oswaldo Cruz e já alguns anos pelo menos vezes do início desse século vem trabalhando com o tema do Cuidado em saúde para pessoas que usam atrás drogas sobretudo a partir da Perspectiva da redução de danos e a sobre isso que eu quero conversar com vocês aqui acho que sair da gente podia dizer lembrar pelo menos uma coisa que sempre se diz né que o tema do tema das drogas e tema do Cuidado em saúde para pessoas
que usam drogas não tem uma excelente complexo mas até aí nada de novo essa certamente uma frase que você já deve ter ouvido Oi gente vezes então vamos tentar destrinchar um pouco isso e tenta explicar porque afinal de contas esse tema é extremamente completo o campo da saúde por exemplo ele só vai começar a se interessar por esses temas alinhar o século 19 inicialmente preocupado com a questão do uso abusivo de álcool e nesse período do século 19 em que vai começar aparecer os primeiros cientistas que vão começar a trabalhar em uma concepção de uso
de álcool como um problema de saúde as outras drogas como maconha cocaína heroína o interesse da Saúde só vai aparecer mais tarde já no início do século 20 e esses pensadores da saúde que trabalhavam com esse tema Eles faziam isso a partir de uma concepção onde a preocupação menor era a saúde dos indivíduos EA preocupação maior era com que eles se identificavam como uma saúde da raça humana então preocupação desses pensadores a saúde era menos cuidar das pessoas e mais trabalhando os sentidos Oi Renata da face da terra o álcool e as outras drogas porque
essas substâncias compõem uma linha um conjunto de práticas e de problemas que seriam prejudiciais para a saúde e até mesmo pra pureza da raça humana nesse sentido como objetivo Central não era menos cuidado sujeito em mais eliminar substâncias o que que esses pensadores da Saúde Assis trabalhadores da Saúde da época começam a fazer eles começam a solicitar o apoio no campo da Segurança Pública a ideia de um modo geral é que as drogas tanto o uso quanto à comercialização das drogas que o álcool também enfim eles deveriam ser proibidos por lei e as pessoas que
influenciam esse essas 2 seja através do consumo do Comércio deveriam ser penalizados deveriam ser presos no então é aí nesse mesmo ele por volta do início do século 20 que começa a surgir então no mundo essa ideia de que o tema das drogas seriam tema da Saúde da segurança e a partir das ideias da proibição seja que era preciso eliminar da face da terra substâncias a partir de uma estratégia de proibição e de criminalização tornar as pessoas que se envolvem com drogas pessoas consideradas criminosas A partir dessa estratégia da preguiça e da criminalização o uso
de drogas aumentou muito e as próprias drogas com em todo não apenas a quantidade delas mas também a sua variedade Além disso uma série de outros problemas que antes não existiam começaram a surgir nos Estados Unidos Por exemplo uma estratégia apresentada foi a da proibição do álcool através da conhecida lei seca o resultado da lei seca não foi a diminuição do consumo de álcool muito antes encontrar o consumo aumentou drasticamente EA qualidade das bebidas consumidas diminuiu muito além disso uma outra programática que não existia antes só que existia de módulo fraco foi a o surgimento
da própria máfia nem realmente falando a gente se vê o também como um efeito e essa estratégia da proibição como forma de controle o surgimento de uma infinidade de redes criminosas que controlam o comércio de drogas em nível Mundial eles extremamente violentas o tráfico de drogas era uma questão que não existia antes dessa estratégia da proibição do tráfico como a gente conhece hoje né e no Brasil a gente vê essa estratégia da proibição das drogas a desde o seu início fortemente articulada com o racismo estrutural da sociedade brasileira né a gente vê a uma quantidade
muito grande de jovens negros e pobres moradores das periferias das grandes capitais brasileiras criminalizados encarcerados por conta da lei de drogas no Brasil hoje trinta por cento da população carcerária masculina brasileira é formada por pessoas que infringiram algum artigo da lei de drogas e na população carcerária feminina esse problema ainda mais há cerca de sessenta e dois por cento das mulheres presas no Brasil estão presas por conta da lei de drogas então que a gente vê aqui essa estratégia de controlar um problema das drogas é parte de uma estratégia de proibição de criminalização não só
ela não alcançou o objetivo que ela desejava que era diminuir o uso de drogas ou fazer desaparecer essas substâncias do planeta uma Além disso essa estratégia ela trouxe consigo uma série de entes de outros problemas que antes dela não existia mas não foi só isso a estratégia da proibição ela também produziu efeitos no próprio Campo da Saúde essa ideia de que seria possível melhorar a vida das pessoas a partir de uma estratégia de proibição que faria desaparecer as drogas ou desapareceu usos Na verdade o que ela fez na prática foi piorar imensamente a qualidade de
vida das pessoas que fazem uso de drogas apreensão Além do mais ela também introduziu intensos efeitos a sessão de produção de preconceito as pessoas envolvidas com o uso de drogas hoje assim consideradas não apenas pessoas com problemas de saúde mas são consideradas como pessoas envolvidas com o crime isso traz uma carga de estigma de preconceito que atinge fortemente a qualidade de vida das pessoas além disso também importante que se diga que a proibição ela produce a imensas Barreiras de acesso para que essas pessoas consigam chegar no serviço de saúde ou mesmo chegando para que elas
consigam falar sobre isso afinal de contas admitir que você faz uso de drogas sobretudo as drogas proibidas é admitiu o crime e as pessoas elas têm muito medo de fazer isso né como se não bastasse também a todo o surgimento de um conjunto de práticas de cuidado em saúde que estão associadas as ideias da proibição e que tiveram e ainda têm não espere se isso ainda hoje que tem como mote como estratégia central a produção da culpa o que não se percebe é tanto é que a produção da culpa ao invés de diminuir o uso
de drogas uma pessoa pode fazer exatamente contrário a culpa por 12 dor e para dor a gente precisa de acharem estesia tem muitas vezes essa produção de culpa acaba ensejando o uso de drogas ainda mais intenso ainda mais prejudicial ainda mais diz Cuidado se na estratégia da proibição o campo da Saúde pediu ajuda para segurança pública quando a gente pensa numa estratégia de cuidado pautada nos direitos humanos na cidadania eo respeito aos sujeitos a gente também vai pedir ajuda para outras áreas de conhecimento para outros Campos de produção de de políticas públicas a gente vai
precisar fortemente pedir ajuda para o campo do Desenvolvimento Social da Assistência Social da cultura da Educação do trabalho da moradia dos Direitos Humanos Enfim tudo isso torna esse tema do Cuidado em saúde para as pessoas que usam atrás grossas em tipo não apenas um tema complexo mas um tipo de trabalho muito complexo é para as ideias que a gente vai tentar caminhar no sentido de construir um modo de cuidar das pessoas motos de cuidar das pessoas que que rompam qualquer antiga ideia do foco na abstinência e do foco na pregação e na criminalização das pessoas
na construção de estratégias diferenciadas de cuidar em saúde para pessoas que fazem uso de álcool Outras Drogas e conselho extremamente importante foi e segue sendo um conceito de redução de danos a redução de danos ela tem toda uma história no campo da Saúde ela nasce na Inglaterra nos anos 20 no contexto do problemas com uso de morfina para pessoas que estão voltando a Primeira Guerra Mundial e depois ela Ressurge na Holanda no finalzinho dos anos 70 no contexto Jardim enfrentamento das epidemias de AIDS e também de a partir de cereais E é desse modo que
ela acaba chegando no Brasil no finalzinho dos anos 80 cidade de Santos que na época era considerada a capital da AIDS no Brasil e hoje a redução de danos com a qual a gente trabalha no Brasil ela é tanto ou ela pode ser entendida tanto com uma boa como uma das abordagens psicossociais que a gente tem no Nosso repertório de práticas como também e e na verdade não diferenciado da ideia de uma abordagem psicossocial como uma abordagem extremamente abrangente que vai articular uma em uns a variedade de políticas públicas a gente tem alguns exemplos por
exemplo um dos mais conhecidos se tornou o problema braços abertos na cidade de São Paulo quer um programa cuja porta de entrada não era nem mesmo as políticas de saúde as pessoas elas ingressavam no programa A partir de ofertas de trabalho renda e moradia na pessoas que fazem uso de crack lá na região que ficou conhecida como Cracolândia né e apenas depois de serem acolhidos com essas ofertas de trabalho de moradia de ainda apenas depois disso aquelas passarinho passavam acessar também de serviços saúde serviços SA eu já caí viagens também serviços da Assistência Social então
o conceito da redução de danos a ideia de redução de danos que nasceu lá como uma prática específica para enfrentamento da epidemia hoje articula uma série de ideias em uma série de práticas são extremamente complexas e abrangentes que poderiam ser consideradas como exemplo muito bem acabado daquilo que a gente vai chamar de princípio da integralidade além disso a redução de danos encontro conceito Ela acabou ultrapassando em muito o campo da saúde e acaba influenciando uma série de movimentos uma série de articulações para produção não apenas de práticas de cuidado inovadoras mas inclusive para inspirar políticas
de drogas diferenciados a partir de políticas mais compreensivos que não criminalismo e Respeito uma cidadania das pessoas que fazem uso de álcool e drogas essa estratégia por mais que a gente pense que isso significa a liberação que vai fazer o uso de drogas cresceu enormemente que vai transformar o planeta em causa tudo mais porque a gente vê na prática é que os países que tenha avançado nesse sentido no sentido de ter uma política que não criminaliza que na verdade uso de drogas não cresceu EA qualidade de vida das pessoas que fazem uso de drogas essa
sim cresceu enormemente e essas pessoas hoje hoje vivem muito mais qualidade com muito mais dignidade o caminho portanto para gente construir uma política pública que seja capaz de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que usam álcool e Outras Drogas na passa por enfraquecer os elos que unem saúde e segurança pública e fortalecer as articulações entre o campo da saúde e Campos como da Assistência Social de Desenvolvimento Social da geração de trabalho e renda dos Direitos Humanos de moradia e da cultura da educação passa muita fortemente por aí É desse modo que
a gente vai construir conseguir construir um ambiente que seja mais capaz de produzir melhorias na qualidade de vida dessas pessoas e é importante também a gente entender uma coisa que dignidade cidadania não podem ser consideradas como prêmios a serem oferecidas as pessoas depois que elas abandonam o uso de drogas que na verdade cidadania e dignidade que devem ser entendidos como direitos que devem ser colocados no início de qualquer processo de cuidado em saúde dirigido às pessoas que usam álcool e Outras Drogas e no final dessa conversa daí é para trazer uma sugestão de algo que
possa talvez inspirar as práticas de vocês no cotidiano eu poderia trazer como sugestão de certo modo no resgate de um passado não muito antigo mas extremamente glorioso do que tem já as experiências brasileiras como cuidar em saúde para pessoas que usam álcool e Outras Drogas a inspiradas pelo Paradinho da redução de danos bem no que tange a redução de danos o ministério incentivou a criação de pessoas que tinha experiência com o uso de drogas porque assim seria muito mais fácil chegar perto dessas pessoas e realizar ações porque essas pessoas sabiam onde encontrar né esses usuários
essas pessoas com experiência nos de drogas sabiam onde encontrar os seus pares sabiam que língua falar sabiam como chegar de um modo mais cuidadoso isso é muito parecido com aquilo que o Antonio não sete lá no livro Clínica peripatética ele vai chamar de e essa Clínica peripatética tem uma clínica um cuidado em saúde que é feito no território junto das pessoas perto de onde elas estão não é necessário ser uma pessoa com o uso de drogas experiência para desenvolver isso esse tipo de atividade pode ser desenvolvido por qualquer tipo de trabalhador de saúde que tem
conexão como territórios agentes comunitários de saúde de certo modo já fazem isso pelo Brasil afora com muita qualidade então talvez uma a gente tenta me Claro impossível não falar né uma experiência inclusive que é a de algum modo uma herdeira dessa tradição dessa experiência de base territorial da relação de dança que são os próprios consultórios na rua que fazem isso também pelo Brasil a fora né então acho que uma recomendação final acho que seria essa voltar essa tradição brasileira da redução de danos buscar inspiração nesses grandes redutores de danos como o Domiciano Siqueira que trabalhou
em vários estados do Brasil como marco manso e segue trabalhando aí na Bahia já há duas décadas praticamente primeiros anos do ônibus Enfim uma série de redutores e redutores de danos não é a Fátima Machado lá do Rio Grande do Sul enfim redutoras e redutores de danos que contra tudo e contra todos os construíram uma nova ética de cuidado em saúde um novo jeito de cuidar da saúde das pessoas que usam drogas de modo acolhedor de modo cuidadoso de modo respeitoso de modo dialógico respeitando os tempos respeitando as possibilidades dos desejos dessas pessoas E aí
[Música] E aí E aí