Esse aqui é o cérebro humano em escala mais ou menos aproximada. Mas a grande pergunta que fica é: onde aqui é que nós encontramos a mente? Onde está a nossa consciência?
A verdade é que não existe um conceito único e definitivo sobre a mente humana e a nossa consciência. é muito difícil definir exatamente aonde que ela está, aonde que ela fica, se, sei lá, é no nosso cérebro ou se é em alguma outra parte do nosso corpo ou de repente se é algo que transcende a matéria. E se a gente definir a mente e a consciência como algo imaterial e intangível, como uma alma, [música] por exemplo, como que isso seria replicável?
Como isso poderia ser, por exemplo, digitalizado? Pois é, um cérebro, ou melhor, uma mente só poderia ser digitalizada se a gente assumir três suposições. E a primeira delas é o fisicalismo.
Ou seja, nós devemos supor que a mente faz parte de uma estrutura física e bioquímica no seu cérebro. Então, a partir disso, nosso primeiro passo para colocar a mente de uma pessoa num computador seria compreender o cérebro dela na sua totalidade. E digamos que é agora que os nossos problemas começam de verdade, porque o nosso cérebro é extremamente complexo.
Se esse aqui é o cérebro humano em uma escala mais ou menos aproximada, então podemos destacar que esse pedacinho bem pequeno dele tem em torno de 1 mm³. E somente aqui nós já temos dezenas de milhares de neurônios. Os neurônios são células especializadas do sistema nervoso.
Eles processam e transmitem informações por meio de sinais elétricos e químicos. Eles são células especializadas bem diferentes das outras do seu corpo, porque veja bem, eles têm essa região aqui, o corpo celular, onde nós encontramos o núcleo e essas ramificações. E também ele tem esse rabinho aqui, o axônio.
Bom, basicamente é assim que é um neurônio, e ele não está sozinho. Ao seu redor nós temos vários outros tipos de células que de alguma forma dão suporte aos impulsos elétricos que passam pelos neurônios. Algumas dessas células são essas aqui que ficam grudadinhas no axônio, que atuam como um revestimento isolante que faz com que os impulsos elétricos viajem mais rápido.
E fora isso, ainda tem as células que nutrem, que protegem e regulam a atividade dos neurônios. Tudo isso aqui estão aos milhões de células, todas muito bem organizadas e encaixadas em um maquinário complexo. Tudo isso amontoado nesse pequeno pedacinho minúsculo aqui.
Pois é, a gente falou de um pedaço muito muito diminuto. Agora, se a gente falar de uma coisa mais geral do cérebro inteiro, bom, aí nesse caso as coisas ficam mais bizarras. Algo entre 90 e 150.
000 1000 é a quantidade total de fios de cabelo no couro cabeludo que fica ali por cima do seu cérebro. Porém, esse número diminui significativamente em quase um a cada três homens antes dos 30 anos. Essa é uma condição chamada de calvice, o que digamos que eu sei como é que é.
Pois é, no meu caso, eu acabei raspando e resolvi seguir o caminho do caraquismo. Mas você pode tomar um outro caminho graças a manual. A Manual é uma plataforma de saúde que facilita seu tratamento para Calvice.
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Por isso, use o seu cérebro para aproveitar tudo isso, porque afinal ele tem muitos neurônios, porque o cérebro inteiro possui cerca de 86 bilhões de neurônios. E cada um desses neurônios pode fazer conexões com milhares de outros neurônios. E essas pequenas conexões entre eles são chamadas de sinapses.
Podemos dizer que é na sinapse que é onde a magia acontece. É nela que ocorrem as trocas de sinais elétricos e químicos. Se a gente olhar para uma sinapse de perto, podemos ver que ela é a junção entre dois neurônios ou até de repente a junção entre um neurônio e outra célula, tipo um músculo, uma glândula ou qualquer outra coisa assim.
Mas o ponto aqui é que há uma transmissão de impulsos nervosos. É isso que faz, por exemplo, seu corpo sentir dor, fome, alegria, tristeza e várias outras coisas. No total, no seu cérebro, estamos falando em torno de 100 trilhões de sinapses como essa aqui, todas acontecendo simultaneamente, se conectando e atuando de formas diferentes de acordo com cada necessidade.
Ou seja, pra gente digitalizar ou duplicar uma mente humana completamente, a gente teria que replicar digitalmente não só os neurônios, mas também todas as células ao redor deles, todas as sinapses. E indo ainda mais além, devemos ir ao nível molecular, aos neurotransmissores e hormônios que regulam os impulsos nervosos. Ou seja, pensar, lembrar, sentir, decidir.
Tudo que acontece no seu cérebro, todos esses processos surgem de uma rede absurda de conexões, interações, regulações e várias outras estruturas. Tudo é muito complexo. Inclusive, talvez esse seja o objeto mais complexo do universo.
E se a gente somar tudo que nós vimos até agora, neurônios, sinapses, conexões, tudo mais, nós temos isso aqui, o que nós chamamos de conectoma. Isso aqui é um mapa detalhado de todas as conexões neurais. E bom, a princípio isso seria o suficiente pra gente conseguir digitalizar uma mente inteira.
O grande problema é que isso aqui não está completo. O conectoma, esse mapa aqui, não está 100% compreendido ainda. Ainda faltam muitas informações sobre como que cada um desses componentes que nós vimos aqui no cérebro funcionam.
Mas uma vez que a gente consiga um mapa desse realmente 100% completo, então aí a gente vai enfim poder falar que então ok, nós sabemos de tudo sobre o cérebro e o conectoma vai ser a peça chave pra gente tornar o upload da mente algo real. E pra gente conseguir recriar esse conectoma, nós precisamos de uma certa tecnologia, o que nos leva a nossa segunda suposição na escaneabilidade do cérebro. Pois é, pra gente conseguir escanear e detalhar todo o cérebro humano, a gente precisa de uma tecnologia que seja capaz de escanear tudo o que nós vimos, todos os neurônios, as sinapses, neurotransmissores, hormônios, tudo, tudo tem que ser levado em consideração se a ideia for realmente criar uma versão digital de alguém.
E isso aqui é o resultado dos nossos melhores scanners hoje em dia. Nós conseguimos escanear um cérebro humano vivo hoje, graças a um aparelho de ressonância magnética. [música] Essa é uma tecnologia não invasiva que nos permite analisar o cérebro, não só quanto à sua estrutura, mas também a sua atividade cerebral.
E foi com a ajuda dessa tecnologia que em 2015 a Universidade de Duc conseguiu gerar isso aqui. Aqui nós temos diferentes padrões de atividade cerebral que variam de acordo com as emoções sentidas pelas cobaias humanas. Por exemplo, esse é o seu cérebro contente e esse é quando você se diverte e aqui é quando você está surpreso e ainda tem o medo, a raiva, a tristeza e a neutralidade.
Pois é, isso aqui já é muito fantástico, mas apesar disso, ainda que nós tenhamos progredido muito tecnologicamente, ainda temos algumas boas barreiras para superar. Tipo, atualmente nós temos um aparelho de ressonância magnética, como esse aqui, que é capaz de escanear o cérebro numa resolução de 1 mm³. E aí o problema é que, como a gente viu, 1 mm³ aqui no cérebro já tem uma gigantesca quantidade de sinapses, neurônios, outras células, neurotransmissores, tem muita coisa aqui dentro.
E se a gente quisesse escanear a nível de proteínas e outras moléculas, nós precisaríamos de uma escala de resolução muito maior. E esse tipo de tecnologia nós simplesmente ainda não temos. Na verdade, a ressonância magnética talvez nem seja a tecnologia ideal pra gente conseguir esse nível de resolução.
E tem um motivo terrível para isso, porque se esse aqui é um ser humano dentro de um aparelho de ressonância magnética e essas aqui são as linhas de campo magnético, então a gente tá falando de um íã gigante basicamente. Pois é. E como que isso aqui gera essas imagens?
Então, quando um campo magnético e ondas de rádio atravessam o corpo humano, eles acabam interagindo com as moléculas de água em diferentes tecidos do corpo humano. E aí eles conseguem perceber pequenas variações internas dentro do corpo humano. Essas variações, então, são captadas para criar imagens tridimensionais detalhadas dos tecidos e dos órgãos.
E aí, então, qual que é o problema? é que o campo magnético que seria necessário para escanear cada neurônio, cada sinapse, cada pequena informação da mente humana iria liberar uma energia tão forte que seria o suficiente para torrar o seu cérebro. é muito grande.
Ou seja, nós precisamos de uma outra tecnologia, de uma inovação que ajude a gente a escanear o cérebro em um nível bem pequeno e detalhado, sem danificar nenhum tecido, o que até hoje é impossível. Mas claro que alguns cientistas ainda acreditam que existe uma solução no futuro, uma solução que talvez pode estar em uma tecnologia mais avançada, como a nanotecnologia. A nanotecnologia real é a ciência que estuda a manipulação da matéria em uma escala bem pequena.
Nanomáquinas como essa aqui, como um vírus, podem acabar servindo de inspiração para nós humanos. Por exemplo, daqui um tempo, a bioengenharia, de repente pode criar um vírus ou algum outro microorganismo geneticamente modificado que iriam até o seu cérebro, iriam diretamente mapear as coisas lá dentro. E por favor, não me entenda mal, isso tudo é muito especulativo e vai ver que de repente pode não ser assim que as coisas aconteçam, pode ser de outra maneira.
Mas de toda forma, já que o upload da mente é um cenário totalmente hipotético, nós vamos então assumir que eventualmente de alguma forma nós vamos entender o cérebro bem o suficiente pra gente saber o que exatamente escanear e como escanear uma tecnologia ideal que faça isso de uma forma segura. Beleza, conseguimos tudo isso. E agora, qual o próximo passo?
O próximo passo seria a nossa terceira suposição, a computabilidade, ou seja, recriar todas essas informações em um mundo digital. E para fazer isso, nós podemos pensar em algumas alternativas. Nós podemos começar, por exemplo, criando um banco de dados.
Aqui [música] teria todas as informações escaneadas de todos os neurônios, sinapses e tudo mais. Muito bem. E aí depois disso, nós iríamos precisar de um modelo computacional que organize cada uma dessas informações aqui, como elas se comportam e tudo mais.
E óbvio que isso aqui é humanamente impossível de se fazer manualmente. Então certamente a gente ia precisar de alguma inteligência artificial. A Iá, então pode criar algo fantástico, pode criar um mapa tridimensional do cérebro humano, uma posição de cada neurônio, sinapse, os hormônios, neurotransmissor e tudo mais.
E claro que isso é muito mais fácil falando do que fazendo, até porque, na verdade, o problema maior não seria nem recriar a estrutura física do cérebro no ambiente digital, mas talvez seria entender como que essa versão digital do cérebro [música] vai se comportar. Porque como falamos agora há pouco, as sinapses, as conexões entre os neurônios são diferentes. Elas se comportam de formas diferentes, elas tem tempos de reação diferentes, elas respondem ao metabolismo de formas diferentes.
E sinceramente, como que sequer isso seria transformado em dados, em zeros e uns? E como que isso aqui vai gerar no final isso daqui, uma mente digital? Isso aqui pode, na verdade, se comportar de uma maneira bem inesperada.
Nós não temos como prever. Nós não temos todas as respostas ainda. E além de tudo isso, é também preciso pensar no aspecto do poder computacional e armazenamento necessário para rodar essa mente digital.
Tipo assim, aonde que esse negócio ia ficar no mundo físico da gente? provavelmente em algum data center ou algum supercputador. E para entender o poder computacional e armazenamento necessário no mundo físico para armazenar a nossa mente digital, nós precisamos entender um pouco sobre o nosso cérebro biológico.
Bom, já que a gente não pode testar muitas coisas malucas aqui em cérebros humanos de verdade, né, seria meio complicado isso daí. Bom, uma pesquisa foi feita com humanos, mas com isso aqui. Esse é um cérebro de um rato.
Esse foi o objeto de estudo de uma pesquisa feita em 2020 pelo Instituto Hellen de Pesquisas de Cérebro. E como é que essa pesquisa funcionou? Eles primeiro pegaram um cérebro de um roedor, depois tiraram 1 mm cico desse cérebro e desse mil cic eles fatiaram em 25.
000 1 partes. Foram tantas partes que eles puderam analisar tudo que estava lá naquele milímetro cúbico. E lá naquele milímetro cúbico foram encontrados por volta de 100.
000 1 neurônios capazes de realizar quase de 1 bilhão de sinapses. E nesse negócio tão diminuto, ainda assim para guardar todas as informações desse minúsculo pedacinho, os caras não conseguiram guardar tudo aqui nisso aqui, numa HD de 10 teras. Não, na verdade esse pedacinho aqui gerou tanta informação que eles precisaram muito mais do que um HD de 10 teras.
Eles precisaram de 400 SSDs de 10 teras, ou pelo menos algo equivalente a tudo isso aqui, porque aqui a gente tá falando de 2 milhões de gigas, o que é muita grana aqui, porque o SSD tá muito caro. Agora imagina só se a gente fosse não só guardar todas as informações de 1 mm C de um cérebro de rato. Imagina só se a gente fosse armazenar a informação de todo o cérebro de um rato, ou mais ainda, se a gente armazenasse toda a informação no cérebro humano com toda a sua complexidade.
Imagina o nível de detalhe que seria muito maior. Nesse caso, a capacidade de armazenamento ficaria então numa proporção descomunal. Imagina isso aqui, um cérebro físico se transformando nisso aqui, uma ambiente digital, a gente já começa a entender um pouco mais a escala do que seria armazenar tudo isso em data centers.
Inclusive em um artigo em 2008, Sandberg e Bostron falam que nas estimativas dos pesquisadores, o cérebro humano atua um quadrilhão de operações por segundo. Imagina rodar isso daí, o que seria equivalente ao poder de processamento de uma placa de vídeo de ponta há 3 anos atrás. Isso é só considerando a capacidade do cérebro humano a nível de sinapse.
Porque assim, se a gente fosse analisar ainda mais a quantidade de informações, então a gente poderia chegar ao nível de neurotransmissores e hormônios, por exemplo. E esse valor assim poderia ser assustadoramente ainda maior. Estimativas recentes acreditam que o cérebro humano em sua totalidade requer um poder computacional de um cestilhão de operações por segundo, o que representa quase 1000 vezes o poder computacional de um supercutador top de linha em 2023.
Bom, e o que que tudo isso significa no final? Que nós estamos longe de chegar na tecnologia ideal para rodar uma cópia de uma mente digital [música] humana. Ah, e lembrando, tudo isso seria pr fazer apenas o upload de uma unicamente.
Agora imagina o que seria necessário pra gente fazer o upload de uma família inteira, de uma cidade inteira. Pois é, isso seria uma doideira. Mas vamos dizer aí que essa terceira suposição da computabilidade consiga ser atendida daqui algumas décadas ou talvez até séculos.
E aí, bom, se isso acontecer, nós iríamos conseguir fazer o upload da mente humana com sucesso, em quantidade. E não sei muito bem para que isso, porque mesmo que a gente consiga mapear o cérebro, mesmo que a gente consiga escanear, mesmo que a gente consiga rodar tudo isso, ainda assim sobra a pergunta talvez mais desconfortável de todas. Será que a gente estaria transferindo a nossa consciência para um mundo digital ou apenas criando uma cópia digital?
Porque assim, imagina só que esse aqui é você e aí você resolveu pagar para um serviço de upload de mente e aí você fez o upload da sua mente. Sua mente foi escaneada e tudo mais e agora de repente uma versão digital de você acorda em um servidor. E veja bem, essa versão aqui tem todas as suas memórias, seus traumas, suas piadas internas.
E ele realmente acredita que é você. Agora, será que ele é você? Quer dizer, enquanto seu corpo biológico tá aqui envelhecendo, respirando e um dia vai morrer, lá do outro lado nós temos uma cópia eterna e infinita, uma versão imortal de você.
Agora, será que esse upload aqui seria uma continuação de você ou será que ele seria só muito parecido? Conceitualmente falando, podemos dizer que é um pouco complicado dizer que eles são o mesmo indivíduo e o problema maior não termina no indivíduo. Imagina bilhões de mentes rodando em servidores, tudo consumindo um absurdo de energia, de água e vários outros recursos naturais.
E além disso, uma camada interessante seria a desigualdade, porque vai ver que nem todo mundo poderia pagar por um upload mental. E aí, então, quem teria, nesse caso, o direito a ter imortalidade digital? Será que esse aqui seria um privilégio máximo de um elite que cria uma espécie de casta social eterna?
E o pior, será que essas mentes digitais teriam direitos? Será que elas poderiam ser talvez desligadas de repente? caso não servissem para mais muita coisa, será que elas poderiam ser hackeadas, vendidas, copiadas?
O filósofo Nick Boston argumenta que se a gente criar mentes digitais capazes talvez de sofrer, sentir prazer e tudo mais, nós então iríamos precisar desenvolver uma ética completamente nova. Afinal, a nossa ética atual não foi pensada para silício, ela foi pensada para nós feitos de carne osso. E então regulamentar a existência de cópias digitais e quem é original, quem não é, se ela pode duplicar 1000 vezes ou não, se existe um meu original, tudo isso são coisas muito complexas que nós não temos as respostas hoje.
No fim das contas, a tecnologia começou como uma ferramenta para facilitar a nossa vida. Depois ela virtualizou a vida e num futuro pode prometer transcedê-la. Mas ao tentar escapar da morte a gente acaba esbarrando num problema muito profundo.
O de que se tudo isso for possível, se a gente poder viver indefinidamente em um mundo digital, será que nós sequer deveríamos fazer isso? Bom, talvez o upload da mente não seja apenas um problema tecnológico, talvez ele seja um espelho que nos convida a olhar sobre a nossa própria limitação e mortalidade, que nos obriga a encarar aquilo que nós sempre tentamos evitar, o limite do que é ser humano e o que realmente significa ultrapassar esse limite. E não ultrapasse um certo limite antes de minerar um asteroide.
Tem coisas que você precisa saber antes de minerar um asteroide. [música] Agora, para saber que coisas são essas, basta clicar bem aqui no maior canal de ciência do Nordeste e me siga nas minhas redes sociais para ver meus vídeos curtos. E tchau.