Bonjorno, bonjorno! Tudo bem, gente? Sejam bem-vindos!
Baita prazer falar com vocês. Mais um dia de meditação estóica, hoje, dia 18 de fevereiro, com a meditação intitulada "Prepare-se para a Tempestade". Prepare-se para a porrada: a vida dá cada porrada na gente, e a gente tem que estar preparado para isso.
Ah, eu não queria. Sinto muito, meu amigo, você nasceu assim. Cabe a você suportar e lidar com isso da melhor maneira possível.
Meditação de Epicteto, que cito imediatamente: "Este é o verdadeiro atleta: a pessoa que treina rigorosamente contra as falsas impressões. Permanece firme. " Tu, que sofres, não sejas sequestrado por tuas impressões.
De novo, a ideia de treinar para lidar com aquilo que nós pensamos sobre as coisas. O modo como nós lidamos com as coisas é muito mais importante do que as próprias coisas. O modo como nós lidamos com o sofrimento, o modo como lidamos com a morte, o modo como lidamos com a doença, o modo como lidamos com uma dificuldade financeira, o modo como lidamos com um que está em crise e assim por diante.
Treina as tuas impressões, permanece firme. Não sejas sequestrado por tuas impressões. A luta é grande, a tarefa é divina.
O poder de se controlar te dá uma coisa: eu gosto muito de avião. Na minha família, aqui no interior de Minas Gerais, meu avô paterno e dois dos meus tios paternos, mais especificamente um tio paterno meu, tinham um ultraleve. Hangar tudo bonitinho no aeroporto aqui perto de Uberlândia.
Todo final de semana a gente ia para lá e eu, muito cedo ainda, comecei a treinar a pilotar com meu tio e tal. A gente voava muito e o moleque ainda, né? Falava assim: "Olha, pilota aí e tal", decola.
E existe um treino entre os pilotos de ultraleves, aviões pequenos, para dar moral pro piloto, para ele dominar a máquina que é voar baixo sobre a pista à baixa altitude sem tocar a pista e sair do outro lado. Para você dominar o controle, sentir como é que o clima age sobre o aparelho. Então a gente falava assim para dar moral pro piloto: "É isso, é treino".
É treino na vida assim, você trabalhar as suas impressões para ganhar moral sobre as coisas da vida, para ganhar peso sobre as coisas da vida, sobre voar a pista. E não é qualquer ventinho que te leva para lá e para cá, porque você traz logo o manche para o lado contrário. Na hora que ele te joga para baixo, você já traz o manche para cima, para ele não te tirar da posição na qual você deve estar: de estabilidade, de controle.
A tarefa é divina para ganhar mestria, para ser mestre da situação. Para ser mestre da situação, ainda na metáfora aérea: você já viu piloto passando por tempestade? Não sei como os caras falam como se tivessem assando um pão de queijo.
"Atenção, vamos precisar de arremeter, velocidade tal. . .
". Não sei o que tal, e vai dando aqueles comandos. Assim, fala: "Esse cara tá tomando um cafezinho!
". Não, ele tá pilotando uma máquina com 300 pessoas, mas ele tá tão treinado naquilo que aquilo para ele é só cotidiano. "Ah, vai ter que arremeter aqui debaixo de uma tempestade?
Ok, arremeter! ". Você ganha maestria, você ganha liberdade, você ganha felicidade, e você ganha tranquilidade quando se torna mestre nesse sentido.
Os nossos autores comentam, e Epicteto também usou a metáfora de uma tempestade. Eu já comentei sobre essa metáfora aqui, dizendo que nossas impressões não são diferentes das condições climáticas extremas que podem nos apanhar em cheio. A gente tá vendo muito isso agora, né?
Uma situação climática conflagrada no mundo inteiro. Quando ficamos nervosos ou apaixonados por uma questão, podemos compreender isso: a vida é isso. A vida, em algum momento, é a tribulação, é tempestade, é chuva inesperada, é mar proceloso, mar agitado.
Mas pensemos no papel das condições meteorológicas. Nos tempos modernos, hoje temos meteorologistas especialistas que prevêem padrões de tempestades de maneira muito precisa. Hoje, só estamos desprotegidos contra um furacão se nos recusarmos a nos preparar ou a dar ouvidos aos alertas.
O problema não é se estamos hoje suficientemente preparados ou não. Nem interessa quando nós não estamos preparados. Também, no sentido tecnológico, não.
Nós temos que trazer o controle para dentro de casa. O mundo, eu não domino lá fora; eu domino as coisas aqui dentro. Se a vida é a tribulação, eu já fiz uma meditação aqui que a gente não sai correndo atrás de problemas, mas quando eles chegam, é o modo como nós vamos lidar com eles.
Nós somos o barco. Cuide do barco! Nós somos o avião.
Cuide do avião! O resto lá fora a gente não controla, a gente não domina. Eu li outro dia numa reportagem que uma das linhas aéreas mais turbulentas do mundo hoje passa por cima do Chile, pertinho aqui de nós, por causa dos Andes.
Os Andes criam correntes aéreas muito agressivas, que agitam o avião, provocam tempestades, provocam muita turbulência. É a linha aérea mais turbulenta em termos estatísticos, é dentro do Chile, atravessando o Chile. Mas a gente que sai daqui e vai para lá, tem um determinado momento do voo que já entra um áudio automático no avião assim: "Estamos sobrevoando a Cordilheira dos Andes.
Não levante da sua poltrona, amarrem o cinto de segurança, e vai sacudir". A tendência estatística é que vai sacudir às vezes muito. Quantas centenas, milhares de voos são feitos para lá o tempo inteiro e você não tem notícia: "Ah, caiu!
" Não, porque atingiu o domínio da máquina. Você controlou o avião. Lá fora, que se debata, não vai cair.
Turbulência não vai derrubar o avião porque ele foi trabalhado para suportar tempestades. A turbulência pode não te derrubar se você tiver. .
. Suficientemente trabalhado para isso, se não temos um plano, se nunca aprendemos como instalar as janelas protetoras, ficaremos à mercê desses eventos externos e internos. Não fique à mercê desses eventos; controle-os nas suas possibilidades.
Ainda somos seres humanos insignificantes comparados com ventos de 160 km/h, mas temos a vantagem de sermos capazes de nos preparar, de podermos enfrentá-los de uma nova maneira. A vida vai tocar vento forte mais cedo ou mais tarde, meu amigo; vai tocar vento forte. E aí, você construiu a sua casinha de palha, de madeira ou de alvenaria?
Para construir a sua casinha, você tem controle, não é isso? O resto, a natureza do vento, das tempestades, isso daí não dá para mexer muito; não está sob nosso controle individual, pelo menos. Curtam, comentem, e a gente se encontra aqui amanhã.
Beijão, juízo! Tenha um bom dia.