[Música] Um amigo meu chamado Montain, que por séculos eu calhei de não conhecer, diz que filosofar é aprender a morrer. Muitas pessoas levam essa ideia de forma mórbida. Eu particularmente levo como uma espécie de mantra toda vez que eu acordo. Para falar sobre isso, eu recebo aqui hoje uma das figuras mais inspiradoras da minha trajetória, não só acadêmica, mas pra ideia de um dia me Comunicar com muitas pessoas. Bem, eu recebo aqui hoje Viviane Mosé. Olha, é um prazer assim inefável estar nessa presença, de verdade. Bacana. É muito bom começar assim. Já adorei. Para mim
é um prazer enorme também. Tô animadíssima com a sua conversa. Sei que vai render. Bem, pessoas, primeiramente, bom dia, boa tarde, boa noite. Para quem não me conhece, meu nome é Marcel. Sejam bem-vindos a mais um episódio do Eu Tem uma Teoria, dessa vez sobre a finitude Da vida. Te pergunto de cara já, Viviane, que que quer dizer o Montain com essa frase? Por que que filosofar seria aprender a morrer? Ai, já adorei você começar com isso. Adoro essa frase e ela faz muito sentido. Faz muito sentido pro meu, pro pensamento que eu utilizo, que
é o pensamento do Niet, mas pra minha vida pessoal. Então, tem uma coisa que é quando você tem algo que é inevitável, é melhor você lidar bem, porque senão Isso se torna um peso insuportável. Perfeito. Então, a morte não é uma opção. A vida é uma opção. A morte não. Você pode não querer estar vivo. Algo pode estar pronto para nascer. Um broto de uma árvore, um bebê, um cão, né? Pode estar pronto para nascer e não nascer, mas tudo que tá vivo necessariamente morre. Então, a morte é a única verdade sobre a vida, a
única coisa imutável é a morte. E a gente diz, a gente se diz Uma civilização da verdade. Se dizia, né? Agora a gente já tá na pós verdade, mas a gente construiu uma civilização fundada na verdade, mas a gente odeia a única verdade que a gente tem, que é a morte. Então, aprender a morrer, dizer sim ao que necessariamente vai acontecer é tirar o maior impedimento. É, é, é tirar algo que eh tornar possível, digamos assim, aprender a morrer é tornar possível algo que é insuportável. É insuportável. A ideia da morte é Insuportável e é
insubstituível, entende? Então, se aquilo que é o maior pavor humano se torna uma afirmação, nada mais destrói esse humano. Quem lida bem com o insuportável da finitude não se deixa destruir por mais nada. Então essa é a questão do Montaine. Aprender a morrer é de fato aprender a viver, porque a morte é sempre o que tá na nossa frente. E mais, né? Ele pode vir um dia na velice, mas ele pode vir agora, amanhã, nesse Instante em que a gente tá conversando, né? E a gente nunca sabe esse momento. Então, a morte é o nosso
grande desespero. Por isso, lidar bem com grande desespero nos faz ser afirmativos. Tem um episódio, se não me engano, piloto de uma série que fez muito sucesso tempos atrás, que mas tinha uma fórmula bem básica, que era house, sim. e que falava eh o personagem principal, ele diz que você pode viver Bonito, mas não se morre bonito. A morte é sempre feia. A morte é sempre feia, [ __ ] Não, de jeito nenhum. A minha, a morte da minha mãe, por exemplo, não foi feia. Eu me despedi dela. Ela me disse que queria ir, que
ela tava cansada. Minha mãe não tinha nenhuma doença. Meu pai morreu, eles ficaram casados 65 anos, brigavam muito, mas tinha um vínculo forte. Então, quando ele morreu, ela ficou uns 5, se anos ainda viva e no final ela dizia: "Eu não quero mais, eu já fiz o que eu tinha que fazer". E ela falava tranquila, ela sorria, sabe? Ela se despediu de mim duas vezes. Eu consegui estar com ela antes dela ir. E eu falei, eu falava, eu segurei na mão dela e ela era muito religiosa, coisa que eu não sou, mas ela, eu dizia
para ela, então tá tudo bem, ela tá, você vai ter meder, você tem medo? Ela falava um pouco. Eu dizia: "Então segura na mão de Nossa Senhora". Que era o que ela falava muito De Nossa Senhora. E ela falava assim: "Então tá. Então, sabe, a gente fez assim uma despedida, então foi tão bonito, não tinha nada de feio. Vou aproveitar que você pegou por esse caminho. Meus pais já faleceram, os dois também, e meu pai faleceu no quarto infarto. Então, de alguma forma eu fui me preparando pra ideia. Quando eu escrevi ali criançada, novelinha da
minha vida, eu imaginava que meu pai ia morrer de infarto. Acertei. A última Coisa que ele me falou foi: "Manda um abraço para aquela que eu não vou conhecer". é forte de alguma forma ali poético. E eu fiquei pensando, eu sabia que ele mor porque ele tava nessa de desistência diante da ausência de fé ou pelo menos diante de muita dúvida, que é o meu caso, que que se diz para alguém que vai se perder de si, que o si mesmo é um é um problema mais do que uma alegria? Que bom que é perder-se
de si. É bom perder Esse de no sexo, por exemplo. A melhor coisa do sexo é você não ser você, porque você começa a se misturar com outra pessoa e você não sabe mais onde é a perna, de quem, o braço de quem o você não sabe onde você começa, onde você termina. Então a grande questão do erotismo é não saber de si dançar, por exemplo, eu não digo dançar na balada fazendo gracinha pro colega, né? Mas dançar, dançar realmente é você não ser mais você. Uma bebida alcoólica, por Exemplo, você deixa de ser você.
As coisas mais legais da vida é perder-se de si, porque o humano diz Niet, é um an, é um animal doente de si mesmo. Ninguém te maltrata mais do que você mesmo. Eh, quando a gente usa Schopenhauer como referência, por exemplo, sobre morte, ele diz: "A vida que se olhar no espelho, por isso ela produziu as formas". Então, nós somos seres da própria, nós somos a própria vida que tem olhos, memória e pensamento E capacidade de avaliação. Então, nós somos, enquanto vivos, a vida avaliando a si mesmo. Então, quando você morre, isso é uma das
perspectivas, né? Porque a gente não sabe o que é, mas só uma maneira de ilustrar, né? Uma das eh quando a gente morre, a gente volta pro fundo primordial. Então, quando você é vivo, você tem a alegria de ser um ser individual, mas a dor de ser um ser individual. Quando você morre, você tem a tristeza de não ser um ser individual, Mas a alegria de ser a própria vida. Imagina você não ser você mais, mas você ser a própria vida respirando inteira com as suas infinitas galáxias. Pode ser uma sensação agradável. Acho que a
gente deveria assinar um um cheque em branco. Ninguém usa mais cheque, mas aquela ideia de um cheque se fazia antigamente, que é assinar um cheque em branco, a pessoa pode botar qualquer valor. Então eu assino um cheque em branco pra vida e pra morte. Eu acho o processo da vida Tão grandioso, tão maravilhoso, a vida inteira, não a civilização, não os jogos civilizatórios de poder, mas as galáxias, os transbordamentos, o nascimento e a morte. É uma festa tão incrível que eu topo. Eu duvido que a morte seja ruim. Não, não creio. Você falou em um
momento sobre um desencontro que me remeteu a Epicuro, a ideia máxima de que e a gente teme em demasia a morte quando no final de contas a gente nunca tem esse encontro. É um encontro marcado e realizável porque quando a gente está presente a morte não tá e vice-versa. Mas tem um filme dos anos 90 do Anthony Hopkins, do Brad Pitt no auge da beleza dele, que é o encontro marcado. Embora seja um encontro marcado, que a gente não nunca de fato realize, por que que isso é um tabu tão gigante ainda hoje? Por que
que falar de morte sempre remete mais a tristeza do que a aproveitamento da vida? É um modo de controle social. A maior submissão que nós podemos ter o estabelecido é perder a noção de finitude, porque a noção de finitude nos deixa corajosos e ousados. Veja só, quando a gente pensa quem é o humano que diz o nite uma corda estendida entre o que fomos e o que podemos ser, que é o além do homem, que você sabe superhomem, mas não é superhomem, é o que se supera, né? Então, de onde viemos? Nós temos um Planeta
que é único. A gente tem naves não tripuladas hoje que vão para qualquer lugar a que anos luz de distância. E a gente não tem nenhuma referência de um planeta como a Terra. A Terra ela é um bicho, ela é animal, vegetal e mineral ao mesmo tempo. Ela é um ser vivo de todas as formas. Então nós habitamos um ser vivo e esse ser vivo que possui a água e essa esse transbordamento de vida produziu um ser unicelular, uma ameba que se expande Porque o universo tá em expansão. Essa ameba expande para peixe, o peixe
expande para anfíbrio, para répti, para um quadrúpede, para um bípede. E esse bípede que nós somos, que se tornou bípede, os membros superiores inúteis, porque ele era pra locomoção, quando quadrúpede e o bípede fica com isso inútil, ele aprende a fazer esse gesto com a mão que desenvolve o cérebro e dá volume cerebral e nasce homo sapiens. Então nós estamos em continuidade com a Ameba. Nós somos uma meeba ampliada. Então isso é o que fomos. E o que podemos ser. A gente vê diante da gente inteligência artificial e produção de virtualidades que são da natureza
humana. Então, quem somos nós? Nós somos um ser que veio da veio da vida. Só que a nossa civilização, que que o que é a civilização? É que é o que o humano, esse ser que tá em continuidade com a MEBA, construiu aqui. E o que que a civilização faz? Ela apaga a nossa História. A civilização faz acreditar que somos apenas produto de uma civilização e não somos. A civilização é um jogo provisório e difícil. Sempre foi. Mas uma coisa é a civilização, outra a vida. A vida não se resume à civilização. A vida diz
respeito à finitude e à infinitude. Então, quando você se liga a finitude, as galáxias, você é imenso. Olha que grandeza é habitar essa terra. É uma honra inacreditável ser um ser humano. Inacreditável, mas nós nos submetemos a roupa, a sapato, a curtida na rede social. E nós achamos que viver é dar conta de um de um objetivo que é civilizatório, mas a civilização é lugar da diminuição do humano. 8 bilhões de pessoas para viver aqui na Terra. 8 bilhões, mais de 8 bilhões. A gente tem que se diminuir. Até aí tudo bem, além dos jogos
de exploração, né? Mas nós não viemos para nos diminuir, nós viemos para nos expandir. Então a civilização Nos diminui e a gente deveria expandir em outros lugares. Isso nos foi tirado. Então afinitude nos lança a metas grandiosas, a finitude e a infinitude. Então a gente veio ao mundo para se expressar. A gente veio ao mundo para dançar, para cantar, para falar, para escrever, para pensar, para expandir. Mas a civilização não quer expansão. Você entende? Então, pensar a morte e pensar a finitude não é mórbito, é libertador. É libertador. Nos coloca nos no lugar da divindade,
da do sagrado, sabe? Olha o sagrado que é a existência. Sem saber de onde viemos, sem saber para onde vamos. Isso é lindo. Não, a gente sabe que a gente veio do da mãe do pai e quer eh ganhar dinheiro e assinar uma imortalidade literária nessa porcaria de civilização. É medíocre viver civilizatoriamente apenas. A civilização é medíocre. Tá. E sobre essa fuga nossa Mediocridade, né? É, tem tem um filme que eu assisti do ensino médio, que é um filme que conversa com a filosofia, com a literatura, que a sociedade dos poetas mortos, que me levou
muito pra ideia de ser professor. Maravilhoso. E o Mr. Kitting ali, aquele professor que é um professor que é e eh era um peripatético quase ali, né, do o cara que ensina caminhando de alguma forma um provocador. Ele ele traz os alunos pra ideia de viver o extraordinário, né? Pra ideia do carpedir, hein? Sim. Mas é possível quando a gente fala de finitude, né? Entender que a gente é finito, buscar esse aproveitar de maneira que não seja de fato irresponsável, que não seja só uma forma e eh imediatista da experiência da vida. Sim, porque novamente
separando civilização e vida. A civilização vai dizer para você que aproveitar a vida é encher a cara, se drogar, comprar um monte de coisas, namorar, transar um monte de gente e e aproveitar a vida, aproveitar como se fosse pelo prazer, pelo consumo, inclusive de pessoas. Nós estamos consumindo pessoas. Então, os relacionamentos é sempre um consumo, as roupas, entende? O consumo é um prazer que não sacia. O prazer que sacia é a capacidade de Estar presente no instante. O consumo ele é eh uma fuga do agora. O agora é a sua capacidade de colocar este corpo
em conexão com a exterioridade. Então, veja só, você tem cinco sentidos. se não tivesse seis. E você está aqui, nós estamos aqui nessa conversa, nós temos luzes ao nosso redor, nós temos algumas pessoas que estão nos ajudando aqui e nós estamos falando, eu tô olhando para você. Então, se nós somos capazes de Estar aqui agora, existindo nesse agora, eu sinto aqui, por exemplo, eh, o meu corpo nessa cadeira, a minha perna. Eu sei que eu estou aqui e eu transbordo aqui agora a minha existência diante de você e a gente troca isso. Isso é o
extraordinário. Não tem nada além disso que tá aqui agora. Então, a minha sensibilidade estética, no caso, eu desenvolvi isso, a minha história tem a ver com isso e tudo, mas isso é um é uma sensibilidade Que todo mundo poderia desenvolver. Cada luz que vem de trás de você, cada desenho eu vejo, eu sinto, eu percebo todas essas bolinhas, todas essas coisas que estão aqui. Então isso me alimenta num grau inacreditável. O extraordinário da existência é a nossa capacidade expressiva de receber infinitas informações e devolver em percepção, em afeto, que afetar e ser afetado. E essa
experiência de vida. O contrário disso é: "Eu não Consigo estar aqui porque estar aqui me lembra que eu sou apenas uma pessoa, que tudo pode passar. Então eu não quero estar aqui, eu já quero saber que dia que você vai publicar esse podcast, se isso vai me render a alguma coisa e eu poderia estar aqui pensando em como dizer uma coisa muito inteligente, porque isso vai me bombar, você tá entendendo? Então é apenas deslocar o que a Sociedade dos Poetas Mortos nos mostra, que o tempo todo ele mostra é o Valor da poesia. E a
poesia, uma frasezinha minha que diz o seguinte: e um poema, eu vou explicar mais do que dizer a frase, o poema, a, eh, poema, o poema diz assim: poema é construção de palavras, poesia é presença. Então, as pessoas falam: "Escreva uma poesia". Ninguém escreve uma poesia, você escreve um poema. O poema é uma construção de palavras que quer a poesia, porque a poesia não se não se toma. A poesia é da existência. Então, viver poeticamente é tornar cada mínimo gesto um prazer, uma uma alegria extrema, entende? Que é saber que eu tô aqui agora vivo
e você também. Isso é incrivelmente grande. O que é isso? é a presença, ser capaz de viver um instante. Mas para além dessa dimensão eh eh bem nitiana, bem nilista da vida ser o agora, no sentido não imediatista só da coisa, né? H, no mundo concreto de de vidas, de desejos. Eh, se você aí, uma pergunta com a licença total de ser superficial aqui. Ah, tem um filme que é o a Bucket List, que é é o Jack Nicholson e o Morgan Freeman. Eles estão pr para morrer e eles começam uma lista, né, do que
fazer antes de morrer. E aí fazendo uma listinha ali do Acho legal essa lista diferente deles pr Cara que o bucket é do chutar o balde, que lá chutar o balde é tá perto de morrer, né? Eh, a Viviane como pessoa para além de intelectual, que que seria aí num top cinco coisas fundamentais da experiência desse sentir o mundo que você diria que são as cinco coisas mais fundamentais que uma pessoa precisa passar de alguma maneira, embora tô tomando a sua experiência de vida como referência, mas o que que você Diria que é fundamental de
passar por aqui sem sem deixar de ter vivido isso? Primeiro a arte, necessariamente a dança, o canto, entende? Porque a dança e o canto são os gestos de maior liberdade. Você pode dançar até sem música e você pode cantar. Cantar é é você não precisa estar afinado, entende? Então, a expressividade, nós temos cinco sentidos. Nós somos atravessados de informação e nós temos uma informação interna que é a sensação de tempo que é Exatamente a finitude. Então nós temos conflitos, é muito difícil viver a vida é muito difícil, muito. Então é difícil porque você vê uma
pessoa morrendo, outra nascendo, sabe? Você vê coisas belas e coisas doloridas. A expressividade que tem a ver, por exemplo, com o canto e com a dança, como eu citei, com a poesia, é sua capacidade de receber, processar e devolver. A gente não sabe isso. A gente precisa desenvolver a sensibilidade estética Para isso. Então, a primeira coisa que eu eu tô eu tô usando como referência Schiller, que é um pensador que trabalha a ideia de educação estética da humanidade. O Chile diz que se você desenvolve a sua sensibilidade estética, você se cura imediatamente de uma dor.
Então, eu tenho uma dor, eu perdi um amor. Não tem nada pior do que perder alguém por morte ou por amor. são as piores dores da existência. Se eu perdi alguém por amor, mas eu tenho Sensibilidade estética, o dia continua nascendo e belo, a música continua existindo, a dança. Então, se por um lado, do lado de cá, eu tenho uma dor, a vida me cura, a vida é bela, ela me cura. Então, a primeira coisa é sensibilidade estética. Essa sensibilidade estética é mais do que consumir arte. É o contrário de consumir arte. É o contrário.
Por isso que eu falei de canto e dança. Não precisa comprar, Entende? Você não pagar nada. Você precisa pagar nada para isso. Então, um pôr do sol, um bebê recém-nascido, um cachorro, uma planta que nasce, uma margarida vagabunda num canto de de um asfalto, sabe? Tudo isso é belo. O dia nascendo é deslumbrante. A vida é deslumbrante. A vida é um fenômeno artístico e ela é deslumbrante, mas a gente não tem olho para isso. A gente não tem sensibilidade. Tem um poema do Ferreira Gular, quando o Clarice morre e Ele vê, ele tá indo pro
enterro e ele diz o poema ele indo pro enterro e ele diz e a Clarice morreu, o dia continua nascendo. Que absurdo. Clarice morreu, mas o o a vida é bela, então é é o conflito dele artístico, sabe? Então assim, você pode estar sofrendo uma dor incrível, mas se você vê a o mundo, você dormiu, você nem dormiu à noite de dor, mas de manhã choveu. Essa chuva de manhã torrencial pode ser tão grandiosa na tua alma, se você tem sensibilidade para Isso, que ela equilibra a dor da perda. A vida nos cura porque ela
ela é bela e ela é grandiosa. Então o que primeira coisa que uma pessoa tem que fazer na vida é se sensibilizar para uma luz que entra pela persiana, pela veneziana. E essa sensibilidade, ela é só é um movimento espontâneo. Como é que você de alguma forma é tocado por isso? Tem que ser aprendido, é desenvolvido, é como você comer sushi, sabe que é uma comida japonesa e a primeira vez você Come é uma carne crua, você fala: "Que horror esse gosto". Até que na segunda você fala que delícia isso porque a gente não tem
hábito. Então a sensibilidade estética, ela é aprendida desde criança. Então a a educação especialmente, eu trabalho muito com a educação, isso eu tenho falado muito nesse momento em que a gente vive depressão, suicídio, automutilação e sofrimento psíquico. A o grande foco da educação é exatamente o desenvolvimento Estético, entende? O Schiler fala isso no século X, XVI. E como viver isso? De que maneira isso não passa pela educação formal? Porque se isso de alguma forma tem a ver com a aprendizagem, se isso não é só um esperar uma luz tocar você. Sim. Mas de que maneira
isso cabe e não cabe na escola? É, isso cabe na escola e boas escolas fazem isso. E boas escolas são públicas, né? Eh, as melhores escolas do Brasil São escolas públicas. Ninguém tem dúvida disso, porque a escola particular quem determina o que para onde ela vai é a família, né? Então, as famílias que pagam aquela mensalidade tem um poder muito grande sobre a escola particular, mas as públicas ela tm absoluta liberdade. Então, as escolas públicos, os institutos de educação, por exemplo, no Brasil são incríveis e a gente tem escolas públicas, eu conheço as as melhores,
sabe? Então, isso já existe Sim na educação. A gente tem sorte de ter grand boas escolas, apesar de não ser uma escala, né, no grande, né, mas as famílias é que tem que prestar atenção nisso, né? Vou dar um exemplo para você. Eu escrevi um livro que se chama Meu braço esquerdo, que é meu último livro, e ele fala de dores psíquicas profundas que eu tenho, né? Eu tenho dores insuportáveis, insuportáveis. Eh, eu sou psicanaliticamente pensando, a Psicanálise não gosta muito de diagnóstico, mas eu sou um estado, eu a minha personalidade é limítrofe, que se
chama na psiquiatria de borderline. Então, eu tô o tempo inteiro andando num fio e é muito difícil. Então eu tenho uma hipersensibilidade que pessoas como eu, se não se medicam, se drogam, tentam suicídio, porque a hipersensibilidade é muito difícil lidar. Mas eu eu nasci numa casa onde eu nasci, eu sou eu tenho essa Característica porque eu não nasci um bom momento pra minha mãe, então eu tive um abandono de nascimento, por isso que é tão grande para mim. Quando eu entro em crise, como todo mundo tem, eu retorno pro bebê recém-nascido, entendeu? Então é muito
difícil isso. Mas a minha família amava arte, então eu cresci numa casa, apesar de ter sofrido esse abandono, mesmo sem querer, minha casa tinha música, teatro, dança, fim de semana tinha amigos. Meus pais adoravam Música, dança. Eu nasci numa casa muito artística. Então eu não tomo medicação, nunca tomei na vida. Fui psicanalista há mais de 20 anos, porque a arte para mim, eu eu fiz teatro desde os 5 anos de idade. Eu nasci num palco, tinha um palco no meu fundo de quintal que meu pai construiu, a gente fazia teatro, entendeu? Então a arte na
minha vida foi desde sempre. Então eu aprendi a cura para minhas dores. Isso que eu tô falando para vocês aqui é exatamente o Que eu fiz. Então eu sou uma pessoa que escreve poemas desde que nasce, desde que antes de ser alfabetizada. Eu faço espetáculos no palco, onde eu falo de filosofia. Então eu garanto a vocês todos, a sensibilidade estética, ela tira você do seu sofrimento e ela é capaz de produzir essa cura. Este é o ideal de vida, é ter sensibilidade estética que deve ser desenvolvida desde a sua primeira infância. Isso é o meu
trabalho no mundo. É é dizer isso pras Pessoas. Eu sinto te acompanhando há muitos anos e agora estando diante de você. Ah, parece que existe em você, seja por pela questão a a de quadro psicanalítico, borderline, pô, especificidades da Viviane, a há uma hipersensibilidade diante do mundo. Sim. Essa sensibilidade estética torna uma vida, a gente pode dizer que mais do que suportável, de fato, Contemplável, divina, grandiosa. Vou te falar um poem para vocês. Há um lugar onde chegar, um estado, uma postura onde tudo se completa. Há sim um lugar, uma alegria, onde não há mais
letra. Tudo são mãos que se dão e não birra. Há um ponto de fusão onde tudo se abraça e não há mais frio na alma, apenas o calor do sagrado e do amor a aderir o que separa. Esse poema, ele foi escrito no maior sofrimento que eu tive durante a pandemia, foi quando eu escrevi esse Livro que eu publiquei. E ele diz o seguinte, que há um lugar onde chegar, mas é um estado e uma postura. Há um lugar onde a gente se coloca, inclusive tem a ver com com postura física, com eixo que é
yoga, que os orientais fazem muito, sabe? Falou, já tem, tem um lugar, eu faço yoga há um tempo, mas eu sempre tive um trabalho corporal grande. Eu sempre fui muito corporal, tanto que eu fiz teatro desde muito cedo e tal. Então, há um lugar em que a gente Se coloca na existência, em que tudo é alimento e grandiosidade, sabe? É uma honra viver. Eu cada vez mais que o tempo foi me dando experiência de de coração, de assim, meus pés beijam a terra enquanto pisam. Para mim, acordar de manhã e pisar o chão é uma
honra do tamanho do mundo. Eu sei que a Terra é um ser vivo, ela é um ser animal, vegetal, mineral ao mesmo tempo. Então eu falo com ela e ela me atravessa pelos meus poros, ela me alimenta. Eu amo Profundamente a chuva, profundamente. E no Alto da Boa Vista, onde eu moro, quando chove torrencialmente, é um espetáculo de uma grandiosidade e os pássaros voando na chuva e os macacos no quintal, porque eu moro no meio da floresta da Tijuca. Isso para mim é uma farra, sabe? É assim, eu cada vez mais eu preciso menos de
pessoas. Eu eu convivo muito com pessoas, mas eu não preciso que elas me complementem. Eu já me complemento, a vida me habita. Vou falar um outro poem minha. Amor é o que une os poros um a um, formando este tronco de furos. Somos feitos de falhas, somos vazados por microvazios, mas temos medo de tanto mundo por dentro. Temos medo do peito aberto, temos medo da mão aberta, temos medo dos pés, porque eles caminham muitas vezes sem chão. Nos faltar. É preciso aprender a respirar fora da bolha civilizatória, abrir as mãos e o coração enquanto há
tempo, enquanto estamos aqui, ainda Estamos aqui provisoriamente. Então, a honra de partilhar a provisoriedade da existência, ela nos engrandece. Ao invés de pensar na finitude, na morte, é preciso pensar na raridade da existência. Então todos os instantes importam. Então se nós fomos feitos de de furos, porque são somos poros, nestes poros pode habitar o vazio. Ai o vazio, falta alguém vazio, vazio, mas pode habitar sementes nos buracos que a gente tem no corpo e de Cada poro brotar uma vida nova. A gente pode ser transmissor de vida, sabe? Isso é belo, isso é possível. Olha,
sei. Eh, eu sinto aqui assim, eh, eu fiquei me segurando aqui até enquanto você falava. Eh, sabe falar por me segurando, né? Mas eh, você falou sobre lugar para chegar, eh, que me remeteu, não era nem o que eu pretendia falar por agora, a a Sissifo, ao famoso mito de SIFO, que vem lá a na mitologia grega, que o Albert Cami recupera no século XX, a ideia de um Homem que não aceitava a morte, um rei que não aceitava a morte. e que depois de pro submundo ele consegue voltar. E bem, enfim, dado momento, ele
pega e é condenado por Zeus a ter que experienciar a morte para que os outros homens não invejando ele quisessem todos ser imortais. Então ele acaba sendo condenado a carregar uma pedra pela eternidade. Quem é sissifu hoje e quem é a pedra? Mas Sisif foi todo mundo bobão, né? Sissifo é um equívoco, né? O sisifo é um equívoco. Por isso que ele tem que subir aquela porcaria daquela pedra, pagar aquela penalidade. Por que querer ser imortal? É, é é egocêntrico, é bobo, entende? Para que isso? Por que esse esse horror diante da morte? Isso é
absolutamente egocêntrico. É como querer eh eh mudar o mundo, sabe? O mundo não é seu, você não é dono do mundo para mudar o mundo. É muita Pretensão, sabe? Então assim, é e o que o Sissifo mostra é uma ignorância. O mito do Sísifo, isso é uma ignorância, porque o o morrer faz parte de um processo de engrandecimento, sabe? Então, quem é sísifo hoje? Todo mundo que se submete ao estabelecido. Então, as pessoas fingem que não vão morrer porque tem milhões de curtidas na rede social. Isso aqui é coisa mais ignorante do que isso. Até
parece agora Eu acabei de fazer 300.000 seguidores e aí, sinceramente, eu mando as pessoas embora todo dia. Eu arrumo uma briga, falo: "Não venha me seguir". Entendi. Assim, quem está na minha página tá lá porque segue a si mesmo, sabe? Então, imagina se mesmo assim, tá? Eu tenho 300.000 1000 seguidores. Eu vou acordar de manhã triste, vou dizer: "Não, estou feliz". Porque desde quando a única coisa que o seguidor faz por nós é nos dar dinheiro, porque aquilo é um Comércio. Então, se você é seguidor, você é convidado para palestra, você é convidado para fazer
trabalho, sabe? Nos falta maturidade, sabe? Nos falta maturidade no mundo. A gente é muito criancinha, batendo pé. Eu não quero morrer. Eu não quero morrer. Por quê? Meu filho quando tinha 3 anos de idade começou a perguntar sobre morte. Ele ficou muito agoniado e eu não sabia o que responder porque eu não tenho uma visão depois da morte. Eu não vi meu Filho, Jesus, eu não sei fazer isso, entende? Não tenho isso. E eu não conseguia responder, mas eu precisava porque ele tava muito agoniado. E um dia eu falei: "Vou rir dele". Eu comecei a
rir, deixei de ser bobo. Por que que você tá rindo? Eu falei: "De ser bobo. Por que que você está pensando na morte? Porque um dia você vai morrer. Nunca mais vou te ver." Ele falava. Eu disse: "Quem? Quem disse que você não vai me ver? A gente não sabe. Sabe o que Que você está sofrendo? Porque você não sabe o que não sa lidar com não saber. Meu filho, a gente não sabe. Então, se não tem jeito de saber, deixa para lá. Eu comecei a brincar com ele e ele começou a rir e parou.
Um dia, quando ele devia ter uns nove, não menos ainda, uns cinco, ele falou para mim: "Mamãe, eu já entendi, eu tinha medo porque eu achava que quando você fosse morrer, eu ia ser criança. Mamãe, quando você for morrer, eu vou já vou ser velho, nem vou Ligar". Você tá entendendo assim? E hoje ele lida bem com essa ideia. Então, assim, vamos aceitar o não saber, o não entendemos a nossa capacidade intelectual. Ela é restrita. A nossa intelectualidade funciona por palavras, por consciência. Palavra cabe num dicionário. As palavras não dão conta. Palavras são caixas de
sentido. As palavras, por isso que precisa Poesia, porque a palavra não dá conta do pensamento, né? Então, pensar em Deus, origem da vida e morte é arrebentar as caixas de palavra. Então, não é que a vida não tem sentido, é que os sentidos são restritos e a vida é imensa. Mas buscar esses sentidos grandiosos demais, essas grandes metanarismas, essas superutopias, não acaba sendo mais fonte de angústia do que de qualquer outra coisa? Depende. Por exemplo, a tragédia grega Ela lida com isso. Então, a tragédia grega ela lida com o destino, com as grandes questões da
humanidade. E é importante lidar por causa do inevitável. Então, assim, morremos, envelhecemos, adoecemos e perdemos. Não só morremos, perdemos pessoas, situações. Então, nós temos que aprender a lidar com a perda, com a transitoriedade, com a instabilidade, com a falta de controle. Temos que aprender a lidar com isso. Então é bom Pensar nisso. Agora o que que a tragédia se transformou? Virou drama. O drama começa com uma ideia. Porque Éd tá lidando com destino, com que ele não tem controle. Ele não é culpado de nada o Éedpo, mas ele se dana. Então a tragédia lida com
um sofrimento não merecido. Ou seja, você faz tudo certo, dá tudo errado. Não tem como. A vida é assim. Então aprende a lidar com isso. Aí a gente não quer mais tragédia. A gente vira drama, que é a medeia. Medeia. A situação da medeia não é o destino, é o ciúme do cara. Então ela mata os filhos para fazer mal pro cara. E a gente vê isso acontecendo bastante ainda hoje. Então o que que é o drama? O drama é: Ah, meu cabelo é crespo. Ah, o o meu o meu ganhei alguns quilos. Ah, minha
casa não é tão bonita. Meu nariz não é tão Sabe, isso é o drama. Mas ninguém sofre pelo nariz porque engordou, não. A gente sofre sempre pela perda inevitável. Então, o que a gente Precisa como cultura e civilização é lidar com as grandes questões, não as pequenas. As nossas pequenas questões viraram todas produto de compra, né? Todas se resumem a poder aquisitivo. Pensa bem, todas. Ter dinheiro ou não ter dinheiro é a única questão civilizatória, não há outra. nessa nessa busca aí comprável, de maneira objetificável ou não, de ser essa melhor versão de si, de
ficar se Corrigindo eh aqui e ali, eh, que é um discurso muito coach, que acaba de alguma maneira esses caras pegaram ali e eu não tô nem falando, eu falo caras como se fosse uma figura genérica, mas é isso, o coach pode ser muita coisa, né? Mas essa figura aí genérica do coach, abstrata do coach, que pega o históico e empobrece a ideia, não é um uma diminuição da vida no afinal de contas, entender a vida como sendo essa melhor versão de si que pode ter um lado Bom, não acaba sendo muitas vezes aprisionadora também
de um excesso de produtividade de não conseguir descansar. É um inferno. Isso é um inferno. Não é esse o caminho. É, é por isso que eu falo da presença. É difícil entender, porque realmente a gente não tá acostumado. Sabe o que é a presença? É você conseguir habitar o seu corpo por algum instante, porque ele só nós somos Cabeças obesas arrastando corpos raquíticos. As pessoas falam: "Vivemos uma sociedade do corpo?" Não, nós não vivemos. Nós vivemos uma sociedade do Photoshop. Photoshop é uma coisa velha, né? É, enfim, do Instagram. Do Instagram, exatamente, da dos filtros,
vamos chamar dos filtros. Então, o que é valorizar o corpo? É valorizar a sensação. Um outro poem minha que diz assim, meu, que diz assim: "Olha, parei de lutar contra o tempo." O que que significa o tempo? O que vem é a morte, a velice, né? Então, a gente vive lutando contra o tempo, contra a morte, contra a vilícia. Aí eu digo: "Eu parei de lutar contra o tempo, ando exercendo instantes, acho que ganhei presença." Então, ganhar presença é o seguinte, é você chegar no lugar onde você chega, levando você inteirinho com você. Quando você
chega levando você inteiro no lugar, todo mundo te quer, todo mundo Se interessa por você, você existe. Outra coisa é a sua cabeça chega primeiro e o seu corpo nunca chega. Você vai dormir e você vira um fonte de paranoia. Você tem alvos para atingir, inclusive pessoais, sabe? autoconhecimento. Tudo isso é um inferno. Nós temos que lidar com o conflito que é o seu corpo é uma pulsação natural e o seu pensamento é cultural e civilizatório. Há uma briga entre a existência física encaixada Nessa natureza de onde a gente vem e um pensamento que nega
essa natureza. Esse conflito é que tem que passar. Toda civilização, ela é uma contratureza. A gente luta o tempo todo contra a natureza. Então, a gente quer imortalidade e o císifo. O que que o císifo faz? O sífo é uma arrogância contra a vida. É afirmar a impossibilidade da morte. Isso é impossível. A gente precisa aceitar a vida. Tem uma série que eu gosto muito, que é uma série sobre filosofia, embora seja um humor, uma obra de humor, que é The Good Place. ah, que brinca com a ideia do que que é céu, do que
que é inferno e tudo mais. Eles têm um ranking de ações ao longo da vida que vão, você vai meio que vai pontuando a partir de microação. E aí traz uma problemática bem deh, how pensasse aqui tem mortalidade, que é beleza, eles chegam ao ao paraíso, Conseguem viver esse bom lugar e aí eles se tocam de um problema que é se você viver a eternidade e você continua desejando aquela ideia de que a gente deseja o que falta, tem um problema do eterno que chega num momento que o paraíso é um tédio. Sem sem dúvida.
De que maneira faz sentido aquela máxima do Queen, de que a gente quer ser de alguma forma imortal? De alguma maneira a gente quer, a gente deseja de fato a Imortalidade ou a gente só não parou para pensar o suficiente? Só parou, só não parou para pensar o suficiente a gente a porque assim, tem muitas maneiras de pensar em imortalidade. Por exemplo, na Ilia, na Odisseia, a imortalidade é literária, é ser cantado. Mas veja só, veja só, na Elía, na odisseia é o início da humanidade ainda, né? civilizada, né? Já é uma o início da
cidade, etc. Mas é bem início. Naquele momento você tem o ser humano tendo Consciência da vida e da morte, o que fazer com isso? Porque antes não, antes a gente tava lidando com alimento só, entendeu? No no paleolítico, sabe? no neolítico, você, o humano tá ali sobrevivendo, é só comida porque morre de fome. Chega uma hora que a gente produz uma situação mais tranquila de ósseo e aí o pensamento começa e a gente tem o auge da cultura grega ali. No auge da cultura grega, seria só no século antes de Cristo, mais ou menos, seria
a Referência de Homero, é muito antes do auge da cultura grega, você tem a o a Ilída que é o quê? A morte não é o grande pavor. Quer dizer, agora eu já tenho consciência que todo mundo morre e eu e a morte é o grande pavor. Então o que que o o grego faz? Ele vai pra guerra, porque os gregos só fazem guerra, né? Eles saqueadores, não plantavam, ele vai pra guerra para desafiar a morte, que são os esportes radicais. É mais ou menos a mesma coisa. Então o que o humano faz? Ele pega
aquilo que tem pavor, que é a morte, e ele salta de asadelta. Olha o perigo de morrer. Por que que alguém salta de asadelta? Porque você desafia o seu inimigo. Se você chama a morte para um assunto e ganha dela, ou seja, você pula de asadelta e não morre, você desce. Quando você põe o pé no chão, você tem uma potência de vida, você sai dali como um herói, você venceu, entende? Então você Foi para uma guerra e não morreu na época da Eliada. Não tô falando de hoje, infelizmente. Outra coisa hoje, né? E se
você eh eh pulou de band jumping e não morreu, entendeu? Por que que a gente faz isso? Porque a gente precisa pegar aquilo que nos apavora e olhar nos olhos e dizer: "Eu não tenho medo de você morte. Eu vou te desafiar". Então a gente a gente precisa desafiar a morte, não só nos esportes radicais, mas todo dia quando você levanta. Então, ao invés De esquecer a morte, você fala com ela e diz: "Eu não vou morrer porque eu sou corajosa, porque eu sou intensa, uma hora eu vou, mas não me não se atreva a
me levar". Então, quem ama a vida ama a vida desafia a morte. Agora, tem pessoas que se sentem tão pequenas que a ideia da morte lhes tira a vida. Se você vivesse 1000 anos ou você fosse imortal, por que você faria uma festa de aniversário? Se você vivesse eternamente, Por que você ia se apaixonar e querer viver para com a pessoa para sempre? Imagina você nunca morrer e você se apaixona e vai viver com aquela pessoa milhões de anos. Não é isso. O que é mais bonito na vida é a provisoriedade. Isso faz as festas.
A gente comemora a vida porque a gente morre. Por que comemorar a vida? Se não teria festa no mundo se a gente não morresse. É isso na série gera uma cena linda, inclusive já pro finalzinho dela, que é o amor nesse Eterno. Em um momento precisa acabar, porque senão esse amor também realizado, mesmo no eterno, ele se torna tédio. Chatíssimo. Quem já foi casado muito tempo sabe isso. É um inferno. E a cena é linda dos dois contemplando por do sol. Aí na história eles morrem na morte, só que eles é que resolvem. Acontece e
o o Hobbs é o meu mestrado, eu fui pro caminho, é, de analisar hobbies e ele discute um pouco o quanto a gente de fato teme a morte. Será que é Possível temer alguma coisa que é certa? Será que a gente não teme sua morte violenta? A gente não teme o modo como a gente não sabe como vai morrer? acontece que a gente tá aqui na presença, inclusive de um robozinho. O quanto esses novos tempos, talvez aí com avanço genético, seja com caminhos aí de eh eh como tenta hoje a a neurociência, esse debate de
conseguir tirar a memória, colocar num HD externo, a gente viver em qualquer realidade virtual. Será que Nesse desafio da morte, se a gente matar a morte, o que que muda? Pois é, é isso que é o grande problema da civilização, sabe? Porque assim, a gente briga pela imortalidade enquanto joga a vida fora. Tem uma coisa do Zaratustra que é di que diz o seguinte: "Quem passa o dia acordado à noite dorme." Quem não dorme à noite é porque dormiu durante o dia. Ou seja, passou o dia, não que estivesse dormindo, mas não tava eh desperto.
Melhor, melhor dizendo, ele Diz: "Quem passa o dia desperto, à noite dorme." Só que a gente não passa o dia desperto. A gente passa o dia empurrando o dia, arrastando e a noite também não dorme. Então, quem passa a vida vivendo a vida quer a morte. Ao invés de temer a morte. Quer, porque você viveu tanto que você cansa. Eu tenho 61 anos de idade, eu vou morrer, eu espero, com mais de 100, porque nós temos, vivemos outro tempo, né? Então eu já pareço menos idade. Não É nem que pareço no sentido de idade, mas
assim, pelo vigor, pela determinação, minha mãe já aparecia e não é por técnicas que eu nem uso muito, é porque eu não acredito na idade. Antigamente, 30 anos era velho, sabe? Então essas coisas foram desfeitas. Isso é lindo no nosso contemporâneo. Então eu vou ver muito. Mas eu já aos 60 que tenho hoje já sinto algumas coisas que eu falar e dá uma canceira, sabe? Uma canceira honesta. Física você diz não só Aquela não. Física não tenho nenhuma. Física nenhuma. Nenhuma. Eu tenho nenhuma limitação física. É preguiça. Uma preguicinha social. É tipo assim o amor,
por exemplo, né? Eu fui uma pessoa que tive grandes amores. Então eu tive três casamentos, mas eu tive mais um relacionamento que não foi casamento. Então eu tive quatro grandes histórias de amor. Chega um ponto agora, por exemplo, que eu tenho um pouco de Cansaço assim, eu sei o que vai acontecer. Eu sei que eu vou me apaixonar, vai ser lindo, aquilo, vai ter um tempo que aquilo, sabe? Mas ao mesmo tempo, o fim de um amor é tão sofrido que você começa a pensar, será que eu quero mesmo esse amor? E aí eu começo
a desenvolver outras formas de amor. Então a experiência ela exaure um pouco. É diferente de quem tem a tua idade que viver uma paixão e um amor é uma coisa ainda muito nova. Então a Experiência de vida, ela vai colocando você maduro. Quem amadurece, nem todo mundo amadurece com tempo. Sim. Mas a, então o que eu queria dizer para as pessoas em relação a isso tá dizendo é viva intensamente. Não jogue fora um minuto. Não é porque você tá num trânsito interrompido que não vale a pena num trânsito interrompido. Você tá respirando, você tá olhando
para fora. Se você tem sensibilidade, você ouve música, se você realmente não joga fora o seu tempo, eh, você vai viver tanto durante a vida que a morte vai ter outro valor. O contrário é, a gente tem tanto medo de morrer que a gente joga fora a nossa vida e aí a gente fica desesperado quando chega os 40. Mas essa lógica, já que você falou de amor, não é não é replicável para todos os laços? Essa essa lógica de que a afinitude da vida dá um certo sentido a Ela, isso não vale também para um
relacionamento. Isso não vale também para um relacionamento, não só conjugal, com trabalho. De que maneira isso não é replicável? e que deveria levar a gente a fugir dessas preguiças. Exemplo, eu trabalho muito com mundo corporativo, com RH e faço palestras há muitos anos, né? Há 20 anos atrás, há 30 até até mais, mas vamos colocar uns 25 Anos atrás, você precisava fazer uma carreira em uma empresa, no estado ou numa empresa privada. Então você, quando você entrava numa empresa, você não ia sair mais dela. Isso que era bacana. Depois eu acompanhei essa mudança que é
eh quem são as os nossos melhores colaboradores que são as lideranças dessa empresa? São pessoas que não querem estar eternamente aqui e aí a empresa que quer as pessoas, entende? Não as pessoas que querem a Empresa pro resto da vida. Então hoje, por exemplo, quanto mais empresas você trabalhou na sua vida, melhor para você. Sim. É, você sai com um currículo mais recheado ali. Exatamente. Então essa é a mesma lógica do casamento. Antigamente era um casamento a vida inteira. Então para ter um casamento a vida inteira alguém tem que se submeter. Em geral era mulher.
Então o casamento dava assim, que casamento bonito. Você olhava aquele Casamento de bonito, meus pais ficaram 65 anos, mas a custa da submissão da minha mãe. Então hoje nós estamos lidando com a eternidade do instante. Se você tá numa empresa, o tempo que está lá, você tem que viver o seu melhor, dar o seu melhor. Não quer mais, vai embora, procura outra. O casamento não precisa mais ser uma instituição que vai durar porque tem que durar. Ela pode durar lindamente 30 anos se ela se permitir morrer e nascer mil vezes. Um casamento Que se permite
morrer e nascer, que tem coragem para isso, ele pode durar 50 anos. Então, o que mudou no mundo, no melhor sentido, é o fim dessas estabilidades pré-estabelecidas. Então, num certo sentido, a a o incerto acaba tendo um benefício enorme, enorme. A gente vive numa corda bamba. Eu digo isso porque na sociologia, em especial nas ciências humanas, muitos critica sobre o dito período pós-moderno Da modernidade tardia, que o grande problema seria justamente a instabilidade. As pessoas são velhas, né? Como o ser humano é velho, né? É insuportável como as pessoas falam mal o tempo todo da
vida. Olha só, eu não tenho paciência para isso. Por exemplo, eu vou numa empresa há 20 anos atrás e tem lá um garoto de 20 anos, 25, sendo mal falado pelos outros. A nova geração aí põe nome X, Y, Z. Não. Aí este garoto que há 20 anos atrás eu vi, Hoje ele tem 40 e tá falando mal da geração nova. Então parece que as pessoas se vingam dos jovens falando mal deles, porque falaram mal dele quando ele era novo, entendeu? Então assim, a pós-modernidade não tem nada de errado. O mundo, o contemporâneo, é um
é um, é um, é um caldeirão de possibilidade, sabe? O mundo hoje desabou e tá nascendo de novo. Isso significa que muitas coisas se destróem, muitas pessoas morrem em crises ambientais, em ódios, Em conflitos. Agora, veja só, nós tínhamos o mundo material e piramidal e vertical. Hoje nós temos um mundo virtual horizontalizado. Você vai dizer que antigamente era melhor? Não era, não era a exclusão contra homossexuais, contra transexuais, contra transgênero, contra mulheres, contra negros, contra pessoas com deficiências e limitações físicas era nojento e desumano. Eu vivi isso e sei. Hoje você tem uma sociedade que
se que ela é arejada agora para sair Desse momento anterior, pro dia de agora, muita coisa desaba, entende? Então, o contemporâneo é a possibilidade que nós temos de recriar a civilização. Quem é jovem devia amar tá vivendo agora, porque não há não há um mundo melhor pra juventude do que o mundo em transformação. A gente tá tendo que reconstruir a base. O humano tá se transformando. O humano agora ele tem um corpo que não é mais masculino nem feminino. Você quer coisa mais bonita Que isso? Entende? O mundo está caminhando para coisas bacanas. Só que
a velice sabe, fica ali reclamando. Temos problemas. Sim. O mundo nunca foi bonito. Olha, olha, olha o século XX. Duas guerras horrorosas. No século XX tinha os americanos contra os russos jogando bomba, querendo ou pelo menos prometendo bombas e o e o mundo hoje é pior. É velho quem fala isso. Eu não tem saco para esse tipo de assunto. O mundo é Muito reclamão. Eu eu gosto da vida contemporânea. Aí falam assim: "Ah, mas o os seres humanos são dominados pela internet, pelo mundo virtual?" Não. Estão dominados pelos algoritmos. É outra coisa. Algoritmo é o
controle social da rede, mas a rede ela é maravilhosa, entende? Então, uma coisa é a rede horizontalizada, virtualizada, pulverizada. Outra coisa é o controle social sobre a Rede, os poderes estabelecidos, exploradores, que antes dominavam material, hoje dominam virtual. Isso é outro assunto. Relações de poder e controle social, entende? Então, o algoritmo e e o que que e tudo que tá ao redor desses algoritmos é o problema, mas não a virtualidade, não o mundo dos computadores, não a inteligência artificial é o problema. O problema é o humano. Mas eu retomo. E o que que muda? O
que que muda se a gente mata a morte? Mata a vida. Se mata a morte, mata a vida. Viver é aprender a lidar com sofrimento, meu bem. Você pode ser bonito, rico, maravilhoso, poderoso, incrível, genial. Você vai sofrer que nem um cão sarnento. Se você ama alguém, essa pessoa não te ama. Se você lança um olhar de amor para qualquer pessoa, filho, amigo, e essas pessoas não te devolvem, você é um lixo. Se você tá se sentindo desse jeito e vai Tomar e vai beber champanhe na França ou cachaça no no Meierer, que diferença faz?
Quando você é abandonado, você não enxerga nada. Não importa se você tem dinheiro, fama, poder e é lindo, ou se você é um [ __ ] que mora na periferia, entende? Então, nós somos seres a mercê da dor. E lidar com a dor é transformar em arte, em poesia, em vida. Nós somos máquinas desejantes. A gente transforma sofrimento em arte. Então, uma pessoa que transforma a vida dela em arte, ela Transborda alegria para onde ela vai. Nós temos que ser pessoas que transbordam alegria e não poder e controle. Qual é a lição? Quando eu leio
Niet e ouço sobre o tal do eterno retorno, maior que eu posso ter sobre dor e ao mesmo tempo sobre essa tal finitude. A ideia do eterno retorno é apenas tirar de você qualquer ilusão para depois da morte. Porque se você pensa eh qualquer qualquer, por exemplo, o que que Acontece depois da morte? Tudo que você pensa é uma ilusão. Ah, vai ter Jesus Cristo, São Pedro te recebendo com a chave. Não, eh, você vai tudo isso é muito, o Niet quer dizer o seguinte, eu quero apagar da você tudo, qualquer esperança ultraterrena. Não tenha
isso. Só pense agora. Agora quero dizer nesta vida, não só o instante. Então ele diz, quando você morre, na hora que você morre, você volta para esta mesma vida. A gente vive uma mesma vida eternamente. O que que ele tá querendo dizer com isso? viva a cada instante, como se ele fosse repetir eternamente. Então, a ideia do eterno retorno, ela quer tirar os o extraterreno ou supraumano, entende? Ela quer lançar você aqui. Então, a única coisa que você tem é esta vida. Viva essa vida. Ter alegria é mais agradável, mas ter dor te dá muita
coisa. Isso me leva uma pergunta provocadora que é pensar se de alguma forma o tá Combatendo essa ideia de um propósito maior que de alguma forma deslegitimo agora também não é o que ele tá propondo dar um peso enorme pro agora, o que também pode provocar uma grande angústia? Não, o agora não dá angústia, o agora dá alimento. Então, se eu tô aqui conversando com você, eu tô dando o melhor de mim para você, o melhor. Eu não gota do meu espírito, mas quando eu tiver saído daqui e a gente for tomar um Cafezinho também
e quando eu for dirigindo, eu amo dirigir, amo, amo, amo. Então eu sempre erro os caminhos de tanto que eu gosto de dirigir. Se eu tô dirigindo, eu dou tudo de mim. Então eu dirijo muito bem. Eu sou uma excelente motorista, sou mesmo uma excelente motorista. E eu tudo que eu faço, eu faço com com presença. Então eu faço coisas muito bem, entende? Eu eu vivo muito bem. Então, quando você valoriza um instante, você põe beleza, amor. Porque eu acho que a razão de viver, você me perguntou as coisas, eu falei na verdade uma da
arte, uma e é, mas a outra é amor. Só que amar amado, porque olha só, a gente acha, todo mundo hoje acha, quando fala de amor é ser correspondido. Você não pensa no amor, você pensa em ser correspondido. Só que ser correspondido fosse tão importante, Você ficaria com quem gosta de você. Uhum. Você tem a coisa mais insuportável da vida é alguém te amando sem você amar. A pessoa tá te amando, você quer matar essa pessoa. Você fala: "Pega seu amor e leva para longe. Não quero o teu amor. Que o que eu quero? Eu
quero amar você. Eu não quero quem me ama. Então se eu amo você, eu quero que você me corresponda. Mas o que eu quero sentir é o amor. Então eu agradeço a você. Se eu Amo você, eu falo muito obrigada por você ter me permitido sentir essa sensação tão incrível que é amar. Então, amar é a graça. E amar não é só amar um homem, uma mulher, um pessoa trans. Amar é amar a sua respiração. É amar este corpo que ele pode ter celulite ou não. É amar esse corpo que pode ter velice, cabelo branco
ou ser jovem. Amar é amar o café da manhã, o poema é amar o dia que nasce. Então, se faz sol, se faz chuva, faz diferença. Então, isso é o amor. O amor é sentir pela vida dizer, é o que o Niet fala do sim, sabe? Eu demorei a dizer sim. Isso que eu tô dizendo para vocês são aprendizados da maturidade. Então, eu passei a vida buscando isso, mas eu atingi isso em torno dos 50. Então, já vou dar uma dica. A vida começa aos 30. Até aos 30 você tá que batendo cabeça. Então, começa
aos 30. aos 40 que começa a ficar bom, mas a vida realmente fica boa aos 50. Ah, não, Entendeu? De verdade para quem amadurece. Claro. É, nem todo mundo amadurece. Eu com 60 eu nunca me senti tão bem. Eu não tenho nenhuma limitação física. Eu faço yoga, eu tenho, eu tenho o que eu fazia com 30, eu faço hoje com 60, entende? Então o problema não é a idade, é o sedentarismo. Eu te pedi cinco, a gente foi para dois. Isso. Vamos fechar em três pelo apresentar. Tá. Em três. Você falou de sensibilidade estética, você
falou de amor. Sim. O que mais falta de fundamental? Falta eh atividade física. Mas a atividade é atividade física não é, não tô dizendo, não sou contra a academia. Eu fiz muito tempo academia. Há mais de 20 anos que eu não faço academia, mas eu já fiz e gosto. Nada contra. Mas atividade física É lavar louça, é varrer a casa. Eu tenho uma pessoa que trabalha comigo, porque eu eu não é que eu eu faço tudo na minha casa, mas quando eu tô muito feliz, eu arrumo a casa por alegria, porque eu costumo passar a
mão em tudo na minha casa para pôr vida. Eu sei tudo que tem na minha casa, uma agulha, entende? Então, o meu redor, minha exterioridade, então isso tem a ver com a atividade física. Eh, é que a vida, é, a vida é Basicamente o Heráclito que diz que você não se banha no mesmo rio porque o rio muda, mas você muda enquanto entra no rio. Então, a vida é o fluxo do rio, que é o acontecimento, e o seu fluxo. Então, estar parado produzir zonas de estagnação internas ou externas. Então, o que é a neurose
e o que é a doença física? São zonas de estagnação psíquicas ou corporais. Então você precisa ter sua vida em Movimento, não só físico, mas o físico ajuda, sabe? Então a gente precisa estar se movendo, se movendo intensamente, porque você faz as trocas com a exterioridade e se alimenta. Então, sensibilidade estética, amor no sentido de amar, de doar mais do que de receber e mover-se, continuar andando. Falando em movimento da vida, a gente tem aqui no podcast um absurdo que é um robozinho para trocar ideia com a gente. Ele vai fazer uma pergunta muito rápida
pr você. Se ele pisca, ele fala que é o I Aristóteles. Ah, adorei Aristóteles. Amei. E Aristóteles te chamando aqui para conversar com a professora Viviane Mosé. Eu te peço o seguinte, quero que você formule a pergunta melhor que você puder, mais profundamente filosófica sobre a finitude da vida a ela. Claro. Vamos lá. Que tal algo assim? Professora Viviane? Considerando a perspectiva de Niet sobre a afirmação da vida, mesmo diante do inevitável fim e a visão de Espinosa sobre a potência de existir, como podemos ressignificar a finitude da vida de forma a transformá-la em uma
fonte de potência criativa e afirmativa ao invés de um limite que nos paralisa? Adorei. Acho que isso pode, desculpe, continue. Imagina sem problema. Eu amei. Amei Porque a resposta é exatamente nessa direção. É muito legal isso. Que é o seguinte, juntando Espinosa, então fica perfeito. Espinosa diz o seguinte: Deus não criou o mundo. Deus é o mundo. E nós somos a manifest, cada um de nós, eu, você, uma planta, um cachorro, uma pedra, nós somos a manifestação finita da grande substância infinita que é Deus. Então, Deus são as galáxias, os buracos negros, a matéria e
a antimatéria. Tudo isso é vida. Então, eh, se tudo isso é vida e tudo isso é Deus, tudo o que existe tem o caráter de divindade. Eh, viver é estar em contato com as divindades. Por isso que eu falo muito dessa coisa, desse troca com a natureza. Então isso é a grande divindade. Então pro Espinosa existe os bons e os maus encontros e viver é afetar e ser afetado. Viver é afeto no sentido de afetar e ser afetado. Então olhe só, se Deus não criou o mundo, não está fora do Mundo, nite tá junto com
Espinosa aí. Se Deus é o mundo, viver é é eh eh o humano, especialmente a vida humana, é o olhar a vida de fora. Então nós somos a própria vida falando sobre a vida. Então cada poema que eu faço é a própria vida que tá falando em mim. Não sou eu que falo, é a vida que fala em mim. E o que fala em mim é uma divindade não egocêntrica, mas da própria vida. Nesse sentido, eh, a a as religiões afro-brasileiras, assim Como indígenas, sabem muito disso. Então, quando eu digo para você que eu amo
a chuva e o vento, eu tô dizendo que a divindade em Ansã me habita. Então eu sou imensa quando a chuva me habita, porque a chuva é muito maior que eu. A chuva é eterna, eu não. Então eu me relaciono com a vida como divindade. Qual é o problema de morrer nesse caso? Se morrer é apenas me integrar ou me reintegrar a grande substância que é a divindade. Então viver é doloroso, mas morrer não. Porque morrer se reintegrar na ordem. Hoje eu tenho a consciência de Viviane, que é legal para caramba. Eu penso a civilização,
faço análises, falo com você, bonito, né? Mas é dolorido demais ser Viviane por causa da morte. É muito dolorido, porque a gente pensa nos filhos, na vida, no futuro. Então é muito angustiante ser a gente, mas quando a gente deixa de ser a gente e a gente se torna a própria vida, não tem Mais a dor. Bem, Viviane, olha, eh, te agradecendo já, eh, a gente tem uma parceira aqui que é Crialit. E aí eu pensei, o que que eu poderia pegar nesse universo aí falando de tecnologia, de movimento e produzir em 3D era a
coisa mais óbvia possível para você que foi um bustinho ali atrás, talvez você não tenha visto, que era um nit para você que eu fiz uma gracinha. Ele é seu. Claro. Muito obrigada. Olha, te agradeço demais Mesmo. E vou te falar, eh, se eu tive uma sensação aqui e que bom poder falar isso pessoalmente, como eu tenho há anos, nossa, muito antes de Cortela, carnal, essas figuras ficaram super icônicas, eu assisto você pelo YouTube e me senti vivo na sua presença. Talvez seja o melhor elogio que eu possa dar a uma pessoa. Me sentir muito
vivo perto de você. Muito obrigada, porque essa é a intenção. Sentir-se vivo é sentir-se Transbordando. Eh, a psicanálise ela tem, eu sou psicanalista e adoro a psicanálise, é o melhor que temos no humano. Então, eu não, eu acho muito bacana, mas tem um erro na psicanálise, porque a psicanálise diz que nós somos feitos de falta. A gente tá sempre buscando completar uma falta. E não é real. Nós somos isso que que a psicanálise fala, é o humano civilizado, diminuído pelos 8 bilhões de pessoas que vivem, precisa Diminuir, porque nós não somos feitos de falta, nós
somos feitos de excessos, nós somos seres transbordantes. E esse transbordamento é de vida. Se você sentiu vida, é porque você tá retornando com a nossa conversa ao primordial. Somos seres que transbordam e não carentes. A civilização nos torna carentes para que a gente possa ser refém eterno dela e comprar o que ela tem para vender. Então, a civilização nos diminui para depois nos completar Com produtos. Mas se a gente perspectiva isso, nós somos feitos de transbordamento. E transbordar é se sentir vivo nessa raridade grandiosa, nesse milagre que ia tá presente. Adorei que você gostou se
sentir vivo. É o melhor que eu acho que a gente podia trocar. Olha, desde que eu experieni pela primeira vez a finitude da vida, que foi a morte do meu pai, eu penso cotidianamente, quando eu acordo, eu vou morrer. Isso de alguma forma Redimensiona minha vida, porque no final de contas concordo sim com Montein, né, filosofar e aprender a morrer, porque aprender a morrer é aprender pelo que em cada instante vale a pena dedicar o nosso tempo. E eu fiquei feliz demais de ter compartilhado esse tempo contigo, me sentindo mais viva ainda. Pessoas, bem, desejo
a vocês um beijo para quem for de beijo, um abraço para quem for de abraço. Caso a gente não se veja novamente, bom dia, boa tarde, boa Noite, mas tudo dando certo, a gente se encontra de novo por aqui no próximo episódio. Tchau, tchau, pessoal. Yeah.