[Aplausos] [Música] bom dia a todos e todas Ela é professora de história do departamento de história e do programa de pós--graduação da Universidade Federal da Bahia pesquisadora de produtividade do CNPQ orienta pesquisa sobre emancipação Abolição racialização pós Abolição no Brasil coordenou entre 2016 e 18 o programa de pós-graduação história da UFPA e é mestre em história pela Universidade Federal da Bahia sobre orientação do nosso querido João José Reis e Doutor em história pela Universidade Estadual de Campinas eh foi visitante em várias várias instituições importantes eh da da do dos Estados Unidos e da Europa por
exemplo fez a modalidade estágio Senior no Latin American studies in Harvard com bolsa da Caps foi contemplada com bolsa do Tinker visiting professor na universidade de Chicago e bolsa da F bright com a qual ocupou a cátedra rut Cardoso na georgetown University recentemente dentre as suas principais publicações estão algazarra nas ruas o jogo da dissimulação abolição e cidadania negra do Brasil que saiu pela companhia das letras e em coautoria com o Walter Fraga uma história do negro no Brasil e Uma História da Cultura afro-brasileira a gente vai falar mais detidamente sobre esses livros né que
Receberam muitas eh muitas premiações inclusive e recentemente com Gabriela Sampaio publicou de que lado você samba raça política e ciência na Bahia do pós eh Abolição pesquisadora refinada seu trabalho acadêmico e sua escrita são profundamente Marcados pelo seu lugar do mundo como mulher como mulher negra como mulher negra nordestina eh vlam Mira seja muito bem-vinda muito obrigado por eh aceitar esse convite para falar pra gente sobre as suas experiências como Escritora historiadora eh renomada só eu que eu tenho que agradecer J pela primeiro pela iniciativa fantástica né de oferecer mais uma oportunidade paraa gente falar
para grande público para alunos de outras universidades que não sejam a a a Universidade Federal da Bahia é uma uma honra poder fazer isso que é o o principal do nosso trabalho né que é o cmic do nosso trabalho eh que seminar o que que a gente pesquisa o que que a Gente ensina o que que a gente aprende na no nosso Ofício maravilha vamir Muito obrigado assim realmente é um prazer porque além de tudo ser uma uma uma companheira de estrada a gente tem feito muitas coisas juntas sobretudo nos últimos anos então eu vou
falar um pouquinho sobre a sua produção e a partir dela a gente vai trocando figurinhas flamir você e o Walter aceitaram o desafio e de responder um edital da Fundação Cultural Palmares de Submissão de projetos para produção de material paradidático Mas isso foi muito além ganhou vida próprio virou um material importante de divulgação né que é uma história do do negro dos negro Brasil num artigo eh na Revista Ciência Hoje vocês afirmam que o primeiro desafio que vocês enfrentaram foi de traduzir as leituras historiográficas de vocês de uma linguagem apropriada ao público Esse é um
dilema para todos que se propõem né Escrever para um público não especializado né Nós de formação acadêmica que usamos sair da zona de conforto entre aspas né Eh como que vocês fizeram essa adequação da linguagem né como é que vocês enfrentaram esse desafio essa que você estabeleceram um roteiro né mesclando cronologia e os temas e tal de modo a resgatar o protagonismo e dos africanos dos afr descendentes eh na história do país né Então quais as dificuldades que Vocês enfrentaram eh nessa produção sei que vinha de uma carreira acadêmica bem eh Hardcore né bem e
eh de produção científica acadêmica e tal e de repente se lançou nessa aventura né não propriamente Uma Aventura mas nesse desafio né Então quais os maiores obstáculos que vocês enfrentaram de pesquisa e de escrita dessa obra olha eh eu acho que a gente tava no meio de uma de uma conjuntura assim como a de hoje bastante promissora Sabe Aquela coisa de se dar conta de que tá no lugar certo na hora certa eu acho que foi isso que nos motivou acima de tudo tanto eu quanto Walter tínhamos ah defendido há pouco tempo a as nossas
teses do outro lado e todo mundo sabe quando você termina a tese tudo que você deseja vai passar um bom tempo longe da tela do computador né essa coisa de que ah o meu amor ir restrito a escrita vai me levar a escrever todos os dias não é bem assim escrever dói já já dizia clar Inspector e se se doia em clar insecto imag para nós né Então a primeira motivação foi essa de perceber a importância de assumir esse esse desafio eu acho que no meu caso eu tinha uma já uma uma experiência boa como
professora de metodologia do ensino de história e isso me fazia ir com frequência nas escolas acompanhar a Organização das atividades didáticas dos meus alunos ler muito livro didático ah e nesse movimento também criticar muita Coisa que era construída no livro didático e também me surpreender com algumas abordagens que já surgiam renovando a produção historiográfica do material didático didático e quando veio o edital a gente foi eh o estado a participar Considerando que as nossas pesquisas da minha dealta eh também estavam emem meio a uma era um momento que se tava se produzindo muito sobre eh
se construindo muito o debate sobre o que que seria o pós-abolição a Importância da questão racial paraa gente entender a a dinâmica histórica a própria ideia de se imaginar as as interrelações entre raça classe e gênero tinha a obra fantástica já de EB Matos eh inspirando muita gente tinha já a produção do João José Reis e tinha também uma uma geração de historiadores negros que se formavam E se tornavam também referências disso então a a presença do Flávio Gomes foi fundamental para Mim porque a produção do Flávio ainda que não fosse o mesmo peto de
pesquisa eh tratava do mesmo conjunto teórico metodológico né A minha colega Lucilene reginald Ah já tinha uma uma uma geração historiadores negros que se colocavam dispostos a encarar essa tarefa então ah o Álvaro né também já tinha escrito a tese dele sobre sobre os marirosa a revolta dos marirosa então ah eu acho que a gente assumiu o Compromisso de tentar traduzir isso para um grande público o maior a maior dificuldade foi eh conseguir construir uma uma lógica uma estruturação do livro que que por um lado eh respeitasse o compasso da historiografia então tem alguns temas
em que já tínhamos mais avanço nas pesquisas como no caso Os Clássicos né as revoltas escravas a constituição do Estado Nacional e e tinha outros temas em que a historiografia apenas começava A a apresentar algumas algumas questões como no caso por exemplo dos abolicionistas negros por muito tempo Ah nós lemos talvez você também a gente leu o o André bolsa sem se dar conta de que se tratava de um abolicionista negro e que isso dizia respeito a uma forma de ah projetar a forma tem uma expectativa sobre o projeto Nacional Republicano diferente daquilo que tava
sendo colocado por outros oposicionistas entãoo que o mais difícil foi tentar Equilibrar não sei se a gente conseguiu isso com sucesso ah os temas em que já havia uma uma tradução historiográfica bastante significativa Porque nós não pesquisamos sobre todos aqueles temas evidentemente e os temas em que a historiografia apenas começava a a apresentar os seus os seus resultados né então eh eh eu acho que esse é o livro que vai est sempre aberto né porque eh ele precisa est o tempo inteiro dialogando com que se produz hoje hoje Temos um número muito grande de trabalhos
eh que tratam sobre os temas da presença e Prat unismo negro e das populações indígenas na história do Brasil Você tocou agora num ponto muito interessante Lembrando que se trata de uma obra de síntese de alguma maneira né E que numa obra de síntese que Abarca um longo período mesmo que elas tem um tema um eixo central a gente sempre lida eh com oer alo que não é da nossa própria pesquisa né e e a gente tem que confiar Eu eu escrevi um livro de síntese recentemente você conhece né o Brasil em projetos e e
a gente tem que ter essa né Essa confiança no em outros trabalhos e arriscar eh como que foi produzir uma síntese nesse momento da carreira que era o momento Inicial né você tinha acabado de defender um um doutorado e deve ter sido um desafio uma né gerado uma insegurança muito grande não pois é assim como no seu livro né a gente precisa ter essa esse exercício de Saber navegar na historiografia né e eu acho que é um exercício Fundamental e que é é algo que os nossos alunos é uma demanda que os nossos alunos precisam
ter né Como interpretar A historiografia então não só interpretar o que os livros nos dizem mas como está sendo dito nos livros né isso é o talvez o a sofisticação do nosso Ofício e é uma uma é parte importante do nosso fazer como Historiador historiadores especialmente No momento em que hoje a a as notícias falsas as fake News eh as narrativas todas podem ser divulgadas muito francamente muito de maneira facilmente né nas redes sociais e tal mas eu acho que ah primeiro isso que você falou a gente precisa confiar e por outro lado também precisa
ser Então esse eu acho que é um dos grandes desafios nossos que fica nessa nesse nesse espaço eh na interseção entre o os critérios Que a gente tem na na academia na universidade e aquilo que é demandado por o mercado editorial né para uma produção de obas síntese pro cente público como que por exemplo a gente dá os créditos então a gente tá acostumado a colocar longuíssima notas de rapé em que você eh tem uma atitude ética né respeitosa de mostrar de onde que vem aquele argumento aquela ideia Aquela fonte E isso de certa maneira
também nos nos exenta né de certas interpretações di ass Olha isso aqui não é bem o meu tema eu tô trazendo para vocês o que se interpreta sobre isso mas se quer discutir com o autor vai lá procura lá o autor que ele vai te dar isso então é o grande desafio era era esse né como fazer com que a a informação conhecimento que é produzido nas universidades que é produzido em geral a eh financiado com dinheiro público a Maioria de nós fomos mestrandos e doutorandos pagos com bolsas da das instituições de pesquisa brasileiras e
públicas ah em geral são os professores de universidades públicas sejam elas federais ou estaduais e ao mesmo tempo eh tem uma atitude ética de garantir a autoria daquilo né a gente bem sabe o o quão é difícil produzir o trabalho original e a importância de ver a o reconhecimento desse seu trabalho então eu acho que esse é o principal desafio Como talvez a gente essa seja uma questão paraa gente pensar depois né de como que a gente se livra das notas de rodapé das pesadas referências e ainda assim mantendo os créditos necessários a produção a
Leia é isso é uma artesania eh muito complexa muito sofisticada né mas o sucesso do teu livro e e algum de outros livros de cíes mostram como que esses eh esse formato né é importante paraa divulgação e também paraa formação dos nossos estudantes porque muitas Vezes a gente chega né nesse ritmo Aloprado da Universidade montra cursos com artigos super especializados e e forma aquele mosaico Aquela coisa né uma obra de síntese coloca um rumo pro pro estudante n fal Olha tem uma visão geral depois aprofunda então o sucesso do teu livro mostra muito isso né
do seu livro do Walter vamos continuar um pouquinho nessa nessa pegada né nesse mesmo artigo que Eu mencionei na Revista História Hoje né o e e vocês eh eh externaram essa experiência né um relato de de experiência de escrita os dilemas de dois autores frente a uma história do negro Brasil vocês questionam o conceito de história oficial né a partir da inquietação que vocês sentiram de repente eh ao se tornarem referências do mercado de didáticos de vocês mesmos virarem história oficial né então nessa polifonia contestatória eh que a gente tem hoje né a expressão história
oficial Aind aa se sustenta algum algum sentido né Para nós paraa produção contemporânea né Isso é uma questão a outra é que é plausível a gente afirmar né dentro desses nichos temáticos super especializados que a gente tem né como das relações étnicos raciais do movimento negro do feminismo dos estudos queer não haveria também ali uma disputa discursiva e de poder ferrenha né Eh de onde os discursos tendem a tentar se firmar sobre outros como uma história Oficial para além do Círculo eh consagrado do conceito relativo ao estado é boa pergunta excelente acho que a gente
ia ter que escrever mais um livro para para debater sobre isso eh eu acho que o conceito de história oficial eh no tempo que vivemos ele realmente Talvez esteja sendo implodido né porque há tantas possibilidades de divulgação do conhecimento histórico há tantas fontes como você mesmo diz de produção de interpretações sobre o passado e nem Sempre a aquilo que tá mais eh Digamos que ajustado com a interpretação que de história oficial que virou sinônimo de de interpretação conservadora aliada de uma narrativa do estado nem sempre é produzida por nós historiadores profissionais né Eh em muitos
momentos a gente pode encontrar certas interpretações sobre o passado e consequentemente sobre a dinâmica histórica sobre os sujeitos históricos sobre os contextos Eh muito conservadoras e aliadas à manutenção da ordem e da lógica ah do capitalismo e do estado que são melhor disseminadas inclusive por meio de por meio de outros autores como jornalistas por exemplo né então eu acho que a ideia de história oficial ela realmente não não dá conta mais eh da da profusão né da polifonia que você falou é um ótimo tempo para discutir isso tá polifonia de de leituras de interpretações sobre
o que que é o passado histórico a dinâmica Histórica eh eu acho que disputas no campo elas sempre existem Eu costumo falar PR os alunos que ah um campo em que a disputa não existe mais ele começou a começou a chorar mal acabar né Daqui a pouco vi no cadáver né porque porque a história se interessa pelo que tá vivo né é uma é um engano horroroso alguém que imagina que históriador se interessa pela pelo que está morto pelo que já foi a gente se interessa pelo que Estava vivo no passado e a gente se
interessa pelos debates que continuam sendo eh fortes continuam sendo vibrantes continuam existindo né então a a disputa nos campos na verdade é um sintoma de de vitalidade precisa existir eh eu acho que uma das nossas funções como como acadêmicos com professores professoras é mostrar que é possível se debater sobre determinado tema Ah e nesse exercício de de de debate aprofundar pesquisa Aprofundar argumentos ah conhecer melhor suas fontes ler melhor outros autores que não são aqueles exatamente com que você dialoga nas suas pesquisas e para chegar nesses debates bem bem mido né Bem bem instruído bem
instruída e e isso faz bem para todo mundo eu acho que a gente tem um papel muito importante de mostrar que debate é bom debater é bom discordar é bom desde que você tenha princípios em relação a isso desde que você tenha Argumentos em relação a isso quant tá todo mundo eh Há um consenso né aquilo que vira um paradigma eh incontornável eh vai nos levar a a um desinteresse por algo Então é bom que acha um debate sobre a esse campo de discussão sobre a presença ah a o protagonismo as ações das populações negas
das populações indígenas no campo da história enquanto isso tiver existindo é sinal de que a gente ainda tem o que dizer eu acho exatamente Eh bom vamos vamos aprofundar um pouquinho então isso aí por um outro aspecto eh como bons unicistas né você e e o Walter elegeram a categoria trabalho como verte vertebral da narrativa Lembrando que uma das faces mais perversas do racismo construído no país é a da negação da descendência africana né porque descendência escrava Então essa perspectiva já mudou em alguma medida a gente pode dizer que a lei de 2000 de 2003
né que depois modificada em 2008 já produziu efeitos significativos nesses últimos eh 20 anos né O que que falta avançar né Outro ponto forte da tua obra é a reiteração do entendimento de que protagonismo não se confunde com exclusivismo né E que é fundamental se considerar as relações conflituosas as interações de classe aí quase quase aqui uma proposta e de totalidade né da complexidade do do do ser histórico do ser social queria que você desenvolvesse um pouquinho isso sim sim eu acho que Você tá tá tá nos propondo uma reflexão que é bastante útil hoje
na na historiografia né Eh eu acho que temos uma história que mudou bastante né e que não só mudou de perspectiva em suas perspectivas mas que também ah cresceu muito nos últimos nas últimas décadas ah falando sobre a a isso que a gente chama de protagonismo dessas populações negras mas não só isso sobre a força que essas populações têm no processo de de construção dos da da própria dinâmica Histórica eh eu acho que a gente hoje com certeza se tivéssemos que fazer uma segunda edição de uma história do negro no Brasil uma história da cultura
alo brasileira teríamos pilhas e pilhas de outros livros para ali tem hoje uma produção significativa né Eh por exemplo a a gente teve um esforço muito grande de falar sobre regiões que não eram exatamente as reuniões as regiões que a Gente pesquisa né então não dá para falar sobre culturas afro-brasileira falando só de Bahia do Rio de Janeiro ou de São Paulo né você tem que considerar uma vasta eh presença uma vasta coleção de fatos concatenados que vão acontecer no su do Brasil ao norte do Brasil que dizem respeito também a essa temática e na
época a gente tinha certa dificuldade para encontrar esses títulos e para não só para encontrar os títulos mas para Eh articulá-los com as temáticas que nós já conhecíamos né Então tinha alguns títulos como por exemplo falar das a um tema que você conhece muito as voltas agenciais por exemplo Então você consegue porque já tem uma historiografia clássica que trata sobre isso mas por exemplo o que que acontecia em termos de revoltas escravas no sul do Brasil ah durante Enquanto aqui aconteciam as grandes revoltas dos Malês E tal o que que acontecia a as grandes revoltas
articulação do movimento abolicionista enquanto o movimento abolicionista se articulava no Rio de Janeiro em São Paulo veja que até sobre o Maranhão sobre o movimento abolicionista no Maranhão conhecíamos pouco hoje a gente tem uma produção muito importante né o Mateus Professor Don Camp produz muito sobre isso tem uma série de títulos novos eh A esse respeito Então eu acho que ah o o é evidente que há hoje uma historiografia muito mais eh intensa muito mais articulada eh e muito mais eh não só numericamente maior Mas também eu acho que qualitativamente maior Porque já já discutiu
a partir das bases que estavam send dadas de outros autores né então tem textos muito originais trabalhos muito originais você pega por exemplo o Que o o a Fernanda Oliveira fez para discutir sobre o su se pega eu corro o risco de deixar de fora alguns todos não quero aqui fazer um um exaustivo levantamento bibliográfico porque com certeza não m d conta de todos os autores e eu acho que os os principais desafios agora ehba é a gente realmente conseguir fazer refazer essas sínteses O que diz respeito a essa questão racial quando a gente tá
falando por exemplo nos Desdobramentos da guerra do Paraguai ao Norte do Brasil Então eu acho que não sei se a gente dá conta desse é sempre um um desejo totalitário né mas precisa ser sempre um desejo um desejo inalcançável a gente precisa ter sempre consciência da nossa incompetência para dar conta dessa totalidade porque a ela a gente precisa persegui-la mas ao Mesmo tempo a gente precisa entender que não é possível ah resolvê-la n então é eu acho que hoje seria um desafio imenso criar um outro livro de síntese a partir dessas temáticas talvez a gente
tivesse que criar temas separados e discutir a partir desses temas umaa coleção inteira para discutir sobre isso e inclusive debatendo com autores que estariam em outras em outros em outros Campos como por exemplo A os autores que estão na na no debate sobre história das ideias como você com autores que estão no campo da história da política né então não se trata mais algo que que diz respeito apenas à pesquisadores e pesquisadoras que discutem sobre os processos cravidão sobre Abolição pós-abolição ou a trajetória das populações negras eu acho que a gente tá no momento avançamos
muito estamos num momento muito importante de conseguir entender como Construir uma historiografia brasileira em que a a agência sendo bem eh eh an a agência das populações negras das populações indígenas e aí o protagonismo não quera dizer a construção de uma história heróica é eu tenho brincado muito com os alunos dizendo para eles que quem faz quem constrói heróis e e heroínas desumanizando os se jeitos históricos é a barva acho que a gente faz história e fazer história significa dizer falar sobre a complexidade humana Que passa pelas contradições pelas incertezas pelos acertos pela coragem ah
pela leitura dos contextos pela leitura das possibilidades eh pelos recuros né então eu acho que o nosso desafio é humanizar a os personagens do passado porque isso nos ensina a o nosso lugar também as nossas tarefas né Eu acho que isso é muito importante pros nossos alunos especialmente os alunos da Escola Básica Você tocou num ponto central e talvez já tenha dado sinalizado o Caminho né Eh eh a síntese se coloca como um um um Horizonte utópico né Que Você persegue mas nunca vai atingir E hoje é uma empresa que vai ser muito difícil nesse
campo para uma pessoa ou duas pessoas fazerem sozinho então pronto lança a ideia da coleção você coordena e chama o pessoal para eh organizar a ideia de de uma coleção por exemplo é uma coisa bacana inclusive porque eh como você bem colocou a gente já tem material né existe uma vasta Produção que se acumulou e que já Tá exigindo um novo esforço eh de síntese né mas vamos avançar mais um pouquinho eh já se foi o tempo em que a história dos africanos dos seus descendentes como você eh sinalizou na na tua fala anterior se
restringia a imagem de força de trabalho no sistema produtivo e também só de luta e eh de maneira heróica e tal né o livro de vocês contribuiu muito né paraa superação e dessa imagem e a ênfase no protagonismo Numa perspectiva nunca exclusiva né no do negro na história do Brasil e a estratégia no livro foi enfatizar as práticas e tradições culturais onde a luta do povo negro vem à tona né Essa foi uma estratégia deliberada da construção da obra né embora com um olhar sensível aos aspectos Cult luris O livro é fortemente lastreado na história
social eu tô correto nessa observação é é sinal de que a gente a gente conseguiu o que a gente queria sim sim fortemente Agora veja eh aquele exercício que a gente sempre faz para entender as coisas né esse livro vem no momento em que a comunidade Negra eh estava muito afinada estava em um diálogo muito intenso com as propostas do do do do governo federal e é esse foi um edital né o primeiro o ponto de partida para isso tudo a história do negro no Brasil eh foi um edital que partiu da fundação pal mares
que naquela época era Dirigida por um professor né o professor patan Castro e um professor negro Historiador e havia realmente uma era um momento político em que havia uma força muito grande do movimento negro no sentido de fazer valer Principalmente as políticas de inclusão racial as políticas de cota e tal então o livro Ele veio embrulhado ele veio mergulhado nessas demandas sociais eh nessa nesse plano que foi colocado de uma maneira muito enfática pelo Ministério da Cultura na época de não só da visibilidade a essas lutas mas fornecer Aos aos professores e aos alunos da
Educação básica Ah um conjunto de de interpretações historiográficas que os mun iniciasse para trabalho docente né Para entender como que aplica como é que a gente vai aplicar essa lei em que é preciso discutir sobre cultura e história afro-brasileira nessas nessas escolas hoje já tem uma produção ah imensa em torno disso mas naquele Momento era muito inaugural tem uma coisa J que depois eh Provavelmente você vai me perguntar aí mas eu vou me antecipar tem uma coisa que eu acho muito sintomática em relação a esse movimento da historiografia eh e do mercado editorial é que
o primeiro livro se chama uma história do negro no Brasil e eu me lembro eh deha um debate longuíssimo que tivemos com o professor batão Castro com o professor João Jé Reis eu e Walter Fraga sobre Qual deveria ser o nome do livro né E já havia naquele momento um debate muito grande sobre somos afro-brasileiros a gente conta uma história afro-brasileira a gente conta uma história do negro essas denominações elas não são aleatórias né Elas estavam no cerne de um debate que passava pelos movimentos sociais mas também passava no no campo das ciências humanas sobre
h de quem estamos falando a gente tá Falando sobre os africanos e seus descendentes do Brasil a gente tá falando desse negro que levava uma dimensão mais diaspórica ah a gente tá falando sobre esse sujeito que é mais contemporâneo que são as populações negras ou a gente tá falando desse sujeito que é marcado pela sua condição né de de escravização no Brasil e e vi tinha um debate muito intenso sobre isso e acabou ficando a história do negro no Brasil mas veja que com Quando eh Nós escrevemos eu volta uma história da Cultura afro-brasileira a
hava a gente mudou a A nomenclatura porque aí havia uma demanda da editora para dar conta daquilo que era dado daquilo que estava denominado na legislação eh que aprovou as cotas E lá se fala sobre história e cultura afro-brasileira eh esse é um é um debate muito bom pra gente pensar como que a a a historiografia vai Sabe aquela coisa De eh andar pro Carro trocando pinu a acho a gente faz isso o tempo inteiro né a gente tá vend no céo do debate essa não era uma discussão só não era uma discussão só dos
nomes mas era uma discussão conceitual e sendo conceitual er uma discussão sobre um próprio um próprio Locus de de de análise e e ao mesmo tempo tinha uma uma uma demanda que era dada pelo mercado de então enquanto que a fundação Palmares Porque não não precisava se se submeter ao que estava colocado no mercado editorial assumiu a discussão sobre a história do negro a o livro que nós publicamos pela moderna em seja muito eh colado né Muito resultado também uma outra síntese da síntese que tínhamos feito para para uma história do negro ele se chamam
história da cultura brasileira porque era sim que isso era lido não só na legislação mas também no debate no campo da educação né Eh eu Acho que hoje eh eu ex Eu Eu mudaria eu falaria sobre a história das populações negras e no Brasil né pluralizando Essas populações mas eh abandonando o essa denominação do Alfa brasileiro perfeito bom já que você puxou vamos aprofundar ele né então nos primeiros Capítulos do da história do negro no Brasil vocês remontam a história da África né o tema e do tema sensível da escravidão entre os povos africanos já
naquele momento vocês Assumiram desafio de evitar a ideia da África mítica né como Paraíso negro corrompido pela Tiraria europeia como é que foi discorrer sobre a África pré-colonial né que material vocês eh eh Us Aram né que fonte vocês correram e como é que foi o debate dentro dos movimentos em relação a a esse tema que é tão sensível né Depois eu vou falar do outro livro que você puxou então Eh Esse é um dos pontos delicados né ah mas sabe aquela coisa tenho eu tenho falado muito Isso pros alunos sabe aquela coisa do do
Juramento que a gente faz lá no dia da graduação a gente só tá ali um tanto preocupado com as fotos né com o vestido com os colegas com a festa mas ao longo do tempo a gente começa também se dar conta da importância daquele juramento né Eh que não é só um um um um ritual não é um ritual sem important também é uma é uma uma reafirmação do campo profissional do qual fazemos parte né do compromisso profissional e do qual Fazemos parte sem que isso signifique abrir mão das suas do seus ideais da da
do seu da sua militância eu sou uma militante movimento negro Ah Nunca vou abrir mão disso pela minha própria condição de existência e também por conta de de Viver num país em que a desigualdade racial afeta tão fortemente a sociedade brasileira eh mas ainda assim eu sou uma historiadora profissional e eu acho que eu e Walter a gente assumiu que o nosso papel era de Historiadores formados não bem formados como fomos né pela Universidade Federal da Bahia pela Universidade estadal de Campinas que nós tínhamos o a obrigação de colocar esse debate de uma maneira mais
sofisticada fugindo daqueles dos chavões em que se constróem bandidos ocos né para recorrer mais a a a essa imagem hollywoodiana lé dos do que todos nós eh uma parte de nós Talvez uma de nós assistia no s na sessão da tarde em que aparecia sempre os os heróis negros Os africanos na os Heros brancos os africanos na selva ou a os os espinos de F Oeste que os índios eram sempre os os guões né então não se tratava de inverter essa lógica né se colocar a mudar de posição no tabuleiro né de damas que nesse
caso era era muito muito mais simples do que o tendo de chadrez e de pensar sobre ah interesses políticos sobre habilidades eh eh estratégias de guerra sobre como as populações africanas enfrentaram Aquilo que foi o maior fragelo pro continente Africano que foi foram a a forma como as populações europeias chegaram lá não se trata de eh de modo algum eh eh de uir ou subsumir com a violência da presencia europeia ainda hoje né no no continente europeu mas de pensar sobre jogos de poder sobre relações eh garantir com que com que esses sujeitos ah vários
deles não só os os imperadores ou os chefes da guerra mas também as Populações em geral no continente africano elas também estavam lendo com seu mundo estavam interpretando seu próprio mundo e se posicionando de acordo com seus interesses que eram interesses políticos que eram interesses culturais que eram a interesses eh religiosos né então acho que humanizar esses sujeitos é algo que nós historiadores temos que ter sempre então não significa dizer construir um julgamento sobre o que é que foi o Escravismo na África antes da antes da chegada dos portugueses né o que que era a
que n nem era escrav né o escravismo só se constitui a partir do tráfico mas eh as práticas de escravização na África elas não significam uma o primeiro passo a antala como em muitos momentos se colocou para o que seria inex orasa que era o tráfico Atlântico Mas isso não significa dizer que a escravização na África não aconteceu e a gente pode explicar isso a gente pode explicar isso A partir das referências bibliográficas que são dadas em inclusive pela historiografia produzida no continente africano naquela época tava sendo divulgado bastante né também por iniciativa da fundação
Palmares a história da África né aquelas coleções incríveis né a gente leu aquela coleção unisco né tentando eh eh beber da Fronte né tentando eh entender qual era a perspectiva tá sendo Colocada ali é uma coleção que eu acho que até hoje ela é inspiradora ela deveria continuar sendo lida e debatida inclusive na Educação Básica eh e Ah e aí a gente vai entendendo que há sim maneiras de tratar de de temas que a primeira vista parecem espinhosos mas na verdade eles são fundamentais para que a gente entenda que a gente tá falando de homens
e de mulheres de um outro espaço de um outro tempo de um outro contexto e com demandas diferentes De nós aquela essa metáfora de que est hisória é preparar as malas né para embarcar num outro idioma num outro contexto é ela é é linda demais a gente sempre eh precisa ter ela com clareza na hora que a gente vai discutir é uma outra é uma outra construção de subjetividade inclusive que aquelas populações tinham né Elas nem eram africanas de fato ningém se reconhecia como africana naqueles contextos né Isso já é um termo que a gente
atribui Eh posteriormente aquelas aquelas populações eram populações que se reconheciam pelo pela maneira como estavam submetidas ou organizadas no reino ou ou eram populações nômades é só se tornaram africanas ah depois com a presença europeia com a o Dio Atlântico Então esse foi um desafio mas tenho que lhe dizer que o desafio era contradiz isso num texto que pudesse ser entendido Proc público a sofisticação desse movimento das populações africanas Traduzir essa sofisticação num num texto que pudesse ser lido pelos pelas populações eh mas foi muito mais o trabalho de traduzir isso do que algum tipo
de dúvida em relação ao que iríamos contar a a gente não tava interessado a gente continua sem estar interessado em contar uma história mítica os mitos são importantes né já já dizia Miss White ah os mitos são importantes mas eh o nosso Ofício né eles ele exige outras outras referências a gente é da história social R que vai para que lê os documentos é o o e os mitos estão aí para ser derrubados né basicamente bom vamos puxar então o o aspecto da cultura eh atravessa todo o livro Uma História do negro do Brasil né
mas tem um capítulo né cultura Negra Cultura Nacional samba carnaval capoeira e candomblé eh e parece que que esse capítulo ficou pequeno para conter essa imensa herança né esse legado né E aí em 2009 você e o Walter lança outro livro De divulgação também premiadíssimo uma história da cultura afro-brasileira eh que você já mencionou a mudança do da pegada no título né saiu pela moderna também como paradidático que também se tornou um livro de divulgação né Eh eh como é que foi escrita desse livro né então um aspecto Central me parece é que o combustível
dos negros e das negras na luta contra a opressão escravista e contra o racismo vem da Cultura né Muito vem da cultura e gera Cultura né Eh Então fala para nós um pouco também sobre isso sobre a repercussão do livro sobre eh Por que que você tira essa necessidade de eh eh eh aprimorar o foco né e e centrar mais na cultura Veja a gente foi surpreendido com a a repercussão da história do negro no Brasil é óbvio que a gente sabia que havia uma demanda muito grande em relação a isso por conta da força
da Lei por conta da pressão dos movimentos sociais do movimento negro mas como Surpreendidos com a a com as a a demanda né de um um livro chamado uma história da cultura brasileira porque a gente se deu conta de que tinha uma outra fatia para a qual a gente não tava muito atento das escolas eh particulares que também eh pretendia também almejava discutir sobre essa temática então não só porque a legislação assim o o colocaba né uma discussão sobre a história da cultura e Da história afro-brasileira africana e afro-brasileira não era a lei não dizia
respeito só as redes públicas mas também é o ensino eh das escolas privadas mas eh a percepção que a gente teve foi de que não era só por conta da determinação legal havia de fato uma busca dessas desse público Ah para uma para entender qual é o peso disso já que a antiga chave né que explicava tudo isso que é a chave da democracia racial a popularização de uma literatura digamos Mais Jorge amadana né que de certa maneira é um clichê mas não tem como fugir adoci cava um tanto né Essa essa presença trazia sempre
uma ideia de que foi terrível a escravidão foi um fragelo mas olha o que nos tornamos né de certa maneira Ah assumia que houve um dano houve uma violência mas o resultado disso teria sido uma um mais do que a integração uma uma alquimia racial que teria singularizado O Brasil então essa ideia que ainda circula né ainda tá presente na cultura nacional Ah eu acho que ela não existe mais nas histórias que a gente produz mas ela ainda eh permeia ela ainda constitui corre nas veias do que a gente imagina do que que seja a
cultura nacional eh havia uma demanda muito grande para algo que se que que dialogasse ou que se criasse uma outra Interpretação para isso deixando de lado essa leitura benevolente com com os Escravistas e sem que isso incorr numa numa história de mocinhos e bandidos né numa leitura muito muito Rasa muito fitines ca ah sobre o assunto muito novelesca sobre o assunto e essa foi uma uma boa eh provocação E aí a saída que a gente via para isso foi a partir do que nós nos incomodava então por exemplo a ideia principalmente eh estando na Bahia
né a ideia de que a cultura brasileira e Mais especificamente a cultura baiana sendo Negra é o grande berço da da cultura nacional e isso tudo é algo que só se celebra só se esteja então que coisa maravilhosa comer a carajé que coisa fantástica as mulheres andarem vestidas de baiana ah nas ruas que coisa incrível a aula das baianas na nas escolas de samba que coisa impressionante as de aatas no Rio de Janeiro a presença a capoeira os candomblés no sul do Brasil essa essa celebração às vezes em muitos momentos a crítica ela não Colabora
para que por um lado a gente atenda Uma demanda antirracista e por outro lado eh colado com isso né concomitantemente a gente eh sofistique a historiografia Então essa essa celebração né esse festejamento sem crítica ele não dá conta do que a gente precisa né nem em termos de militância nem em termos profissionais então a por isso a cultura foi o o nosso ponto de partida porque a Gente sabia o que queria criticar a gente queria dizer que olha são incríveis as religiões Maí africana ter sobrevivido mas olha o que elas sobreviveram Olha foi é incrível
que tenhamos uma uma diversidade tão grande ah de de eh práticas culturais fundadas em tradições em grupos africanos mas olha como isso se constituiu não há não foi não foi T passivamente nós que his que somos historiadores a gente gosta das crises das tensões né gente a gente Gosta do dos ambientes belicosos né a gente gosta de de mexer num no nos campos de batalha e aí eh ao invés de contar né a gente espera ter contado uma história que não seja uma história tão afável mas ao mesmo tempo uma história que não não desqualifica
essas essas práticas culturais eu acho que esse esse movimento é um movimento difícil porque há sempre uma uma demanda de algo mais Eh diluído Ah que não seja bélico que não seja eh que não põe as fraturas que não mostre as nossas dores que não mostre as nossas as nossas feridas né as feridas do país as feridas que esse país constituiu mas isso é eh mais uma vez não tem como o historiador é aquele que tem como desafio abrir as as tampas também dos boeiros né eh não só fazer os desfiles sobre asfalto sim sem
dúvida eh eh essa visão eh eh que é muito para Fora também né para para para vender a imagem externa né da dessa coisa da da harmonia é meio eh folclorizar né o e esse legado cultural né então você olha mostrar como isso se constitui tá aí hoje implica eh eh vê os momentos de repressão de violência de resistência e tudo mais a gente vê que não é inclusive porque não é uma coisa que acabou né basta lembrar do dos terreiros que estão sendo destruídos por exemplo no Rio de Janeiro pelos eh traficantes eh Evangélicos
né então é é é é uma uma luta que continua em marcha né Eh vamos mas vamos mudar um pouquinho o o o o o olhar para falar de um de um livrinho muito bonito né O que há da África em nós e aí a gente vai tocar num outro né aonde você e o Walter miram num público mais específico né no público infantil é um livro belíssimo um objeto lindo ilustrado pelo eh Pablo meer né Eh claro que o teu público eh São desse livro são principalmente as crianças os jovens Afrodescendentes e aqui faz
o gancho com que você já tava falando né quando escreveu o sobre a cultura afro--brasileira mas esse nós para quem você escreve é maior do que o do que as pessoas negras né E essa esse é o próprio sentido de você escrever né você não tá escrevendo para um nicho não é isso e e e também assim porque há muito da África em cada um de nós não negros inclusive né nós ler os afrodescendentes ou não então eu Queria que você falasse um pouquinho sobre essas observações sobre esse livro Ah esse a lembrança desse livro
é sempre muito carinhosa muito afetuosa né Eh Esse livro foi escrito quando minha filha tava B eh e valta também tinha uma uma uma fílio pequena nessa época e a gente nossas filhas entrando na escola e a gente pensando no que que elas vão aprender né eh como como que a gente nós somos professores e discutimos esses Temas que que a gente gostaria que fosse apresentado E aí conversando com outras mães e pais também veio a ideia de fazer esse livro foi um atin é muito grande porque eu acho que não tem nada mais difícil
do que escrever pública infantil eu acho que acho de todos os livros se alguém me dissesse assim qual é aquele livro que você ia pensar mil vezes se escreveria de novo é que é de África em nós porque eh o a a tensão é entre noss piegas né a Gente não quer contar não quer fazer conto de fadas que são fantásticos para universo infantil mas não não é isso que a gente sabe fazer então mas por outro lado eh conseguir trazer um cativar esse Pequeno Leitor né Eh que é extremamente exigente que abandona Ah o
texto na segunda linha se ele acha que aquela história não vai não vai ser interessante se não tem nada que o leve a ler uma palavra depois da outra né Eu Não sei se a gente conseguiu isso com esse livro porque é muito difícil você conseguir construir o contexto eu acho que hoje com as mídias digitais ainda mais talvez fosse mais interessante fazer uma animação com esse livro e e para para esse essa faixa e E aí a ideia era apresentar esse esse para esse público e um público que não é só um público negro
exatamente sobre qual é o a importância dessa dessa África na Constituição das sociedades ocidentais né então o nós somos todos nós mas o Nós também é aquilo que amarra eh é aquilo que precisa ser desatado né aquilo que vai e as pontas então era uma era a ideia de fazer com que aqueles os alunos tanto os alunos eh negros como os alunos não negros eles conseguissem perceber a importância do continente africano na Constituição da cultura ocidental da Constituição da história ocidental né então e da História brasileira né Eh não é preciso ser negro né para
reconhecer que existe um leite que foi Central na formação da sociedade brasileiro e costuma ser continua a ser Central na Constituição da cultura brasileira Então eu acho que a gente tem eh J de dois dois caminhos que tem duas estradas que são diferentes mas que foram se picando a o tempo inteiro uma é de construção de uma de um alto reconhecimento das Comunidades negras e Das Comunidades indígenas do seu da sua relevância e do seu protagonismo nas na construção da dessa sociedade da construção da sociedade brasileira e um outro caminho que vai se se entrelaçando
com esse é de convencer a sociedade brasileira e eu tô falando não só da população negra indígena Mas também da população que não é a população Branca a o estado brasileiro As instituições BR brasileiras né de entender sobre a centralidade dessas dessas populações e Das e do continente africano tanto em termos de produção tecnológica quanto em termos de produção Portugal quanto em termos de construções literárias ah a importância disso para que nós nos eh nos encontremos para para entender o que somos como sociedade brasileira Então eu acho que essas duas estralas elas precisam ser padas
e sabe e talvez são duas Canoas né a gente tem que se equilibrar com o pé em cada uma delas Em alguns momentos eh Fazendo com que elas se encontrem eem outros momentos entendendo que elas precisam A portaminas Diferentes né mas eu acho que esse é um Desafio eh que não é só das populações negras dos escritores negros dos historiadores e historiadoras negras né a luta antirracista é algo que tem que ser assumido por todos nós sendo negros ou não né negras ou não porque se trata do do projeto nacional que a gente temo o
que que a gente quer para esse país Então eu agora mesmo tava lendo você me desculpa o a mudança rapidinha só eu volto já pro ter a a o edital a Pedidas de nascimento celebrando a retomada do programa né aidas do Nascimento e pensando nossa Eh vamos aí eh a gente precisa realmente seguir né por essas por essas poresses caminhos a medida de nascimento que que que é lógico que dentro da academia e dentro dos movimentos sociais referência fundamental né do teatro negro no Brasil Da luta Senador etc e tal mas que a população brasileira
como um todo desconhece essa figura né então eh eh e importante você falou a gente tá de novo Num cenário diferente a gente tem que aproveitar essa oportunidade para dar voz né a esses essas pessoas que eh vem travando essa luta antirracista há tanto tempo eu queria já que você puxou o fio para fora eu vou puxar também eh na semana passada o presidente da suprema Corte dos Estados Unidos né o juiz Claris Thomas que é um juiz negro votou pelo fim do programa de cotas raciais das Universidades né essa decisão an ou direito dos
estudantes negros e latinos a ingressarem no ensino superior a partir do critério de raça né como tava estabelecido desde 1971 eh qual que você acha que pode ser o impacto dessa decisão na política educacional brasileira você acha que isso pode eh provocar um debate e e haver algum retrocesso ou a gente tá num outro Cenário que eh em que isso pode ser eh bloqueado de alguma maneira eu acho que que o a sociedade brasileira sociedade estadunidense elas elas são muito embora tenhamos em comum eh não só o passado escravista mas a forte desigualdade racial somos
sociedades muito diferentes né Eu tive dois momentos duas universidades do F nos Estados Unidos no ano passado e foi Foi incrível porque sempre que a gente viaja a gente vai entendendo como que é possível Ah que Duas sociedades que construíram né que foram se constituíram a partir de um de um legado eh escravista como que elas eh dão conta resolvem ou tensionam as suas questões eh de maneiras diferentes Eu acho que o que é fundamental o debate sobre sobre as cotas sobre as políticas radas são bem-vindas eu acho que elas tinham que continuar sendo feitas
o tempo inteiro Não no sentido de eh de imaginar que elas vão ser extintas Ou ou algo assim mas no sentido de que elas precisam ser o tempo todos tempo todo avaliadas né e o tempo inteiro eh pensadas eh em termos do que que isso significa pro desenvolvimento emocional eh eu tenho dito J que as cotas elas deixaram de ser algo que pode ser pensado apenas na chave da reparação e precisam ser pessoal das na da valorização das Universidades públicas eh eu desafio qualquer área que diga que a a presença de pesquisadores e Pesquisadoras nas
não qualificou ainda mais a a produção eh científica Então se a gente consegue ver por exemplo hoje uma um número muito maior dessas personalidades regras Ah no cenário político se deve também a uma presença cada vez maior de pesquisadores leiros e leiras nas universidades ontem eu tive uma experiência muito boa eu fui fazer uma uma conferência na promovida pela Secretaria Municipal de cura aqui e antes da da minha da minha fala a gente Teve uma uma apresentação e um um um debate com as com lideranças indígenas com os jovens indígenas né eles me deram um
dado inclusive que eu nem sabia de que Salvador é a terceira cidade o terceiro centro Urbano em termos populacionais de populações indígenas né Eh e a gente percebe o quanto essa população em día que ainda é menos representativa na das Universidades à medida que elas chegam como elas vão impactar o que sabendo sobre o próprio Brasil vão construir outras interpretações outras luras da mesma maneira que a presença de historiadores e historiadoras negras está promovendo uma maior qualificação pres exemplo do nosso campo da de história tem temáticas que chamis poderiam ser pensadas Se não fossem pensadas
a partir da presença né desses historiadores historiadoras negras especialmente esses de nova geração então eu acho que ah esse essa decisão que aconteceu nos Estados Unidos ela não diz respeito ao que acontece na sociedade brasileira nas universidades brasileiras porque eu sinto as cotas se significa freiar um processo crescente um ento crescente de qualificação da área de ciência né então Eh na semana passada eh eu vi também uma uma por conta do P Centenário da Independência a a agenda eh baiana tá ainda mais movimentada e houve a entrega de comandas pelo governo do estado a vários
grupos e uma das das Profissionais quece dessa comanda foi uma uma uma médica que Negra né que trabalhou na equipe na primeira equipe que rapidamente se envolveu no mapeamento do do do covid né do vírus do covid na sociedade aqui na sociedade de de Medicina né então a gente vê que eh não se trata de concessão então se a ideia é que essa concessão já foi suficiente não ela não não dá conta mais do que que tem acontecido eh se trata de pensar sobre o Incremento do desenvolvimento da ciência das Universidades né Eh eu eu
me lembro sempre que quando pac Obama esteve aqui ele foi no Rio de Janeiro viu uma favela no Rio de Janeiro e ele disse ah o algo Tero aquele que vai descobrir a ou aquela que vai descobrir a cura do do câncer pode estar morado nessa favela agora e isso teve uma repercussão nos jornais eh foram escritos editoriais falando sobre isso e eu fiquei chocada pensando Qual é a Surpresa Sem dúvida é a a a a capacidade inventiva a capacidade eh criativa o potencial de desenvolvimento de habilidade científica ela tá colocada em todos os lugares
dúvida né então eh não investir na presença dessa massa né da Juventude Negra eh e da Juventude indígena nas nas universidades significa abrir mão de potenciais abrir mão da potência que é essa juventude na produção de da ciência Então eu acho que a gente tá em em em Compassos diferentes aqui nos Estados Unidos eu não tenho a menor dúvida de que as cotas continuam sendo fundamentais né para que as nossas universidades se qualifique ainda mais a população negra qualifica a Universidade Brasileira Eu concordo em gênero número e grau né A minha pergunta foi no sentido
de que eh a nossa luta que é uma luta política né Ela é cotidiana e as elites retrógradas que tão brasileiras que tão eh eh inclusive dentro do do Próprio aparelho de estado Apesar né sobretudo no legislativo eh eh usam muito esse discurso né do que acontece nos Estados Unidos como exemplo e tal e isso pode ser usado na luta por essa direita que não tá morta né a luta é a vigilância é é é contínua mas eu concordo com o gêmeo número igal com você que que a do do benefício paraa sociedade IMP particular
paraa Universidade do ingresso massivo das pessoas de diferentes matrizes indígenas E afrodescendentes na universidade que isso se perpetue né Tem uma entrevista que você deu ao 451 da Folha em que você afirma E aí eu tô usando as suas palavras que a forja do passado não diz respeito apenas ao passado mas inform forma uma visão do presente e um desejo de futuro dada a sua experiência de pesquisadora reconhecida de escritora de militante qual futuro Você persegue pro para si e pro país né E qual futuro você entrevê né você a gente poderia dizer Que você
é uma otimista ou uma Essa é a questão colocada essa pergunta é mais difícil gente a gente a gente é bom falando sobre o passado e o presente sobre o futuro é sempre um risco Amom A tá falando na verdade de esperança né ah eh eu bom para mim eu espero me meu meus desejos são bem simples eu espero ter tempo para escrever meu livro novo que tá no meio eu só espero conseguir terminar meu Livro ah que para mim é vai ser um uma grande Vitória porque todos nós eh temos agendas muito sobrecarregadas né
A vida de um de um professor eh seja do ensino médio seja um professor na universidade no Brasil é é uma carga horária Inacreditável né Tem eh não só eu mas vários colegas e coas tem Tem trabalhado de domingo a domingo para conseguir dar conta das várias demandas que estão com e e é é Ô mas quanto Mais boas notícias nos chegam mais trabalho a gente tem quanto mais editais quanto mais possibilidades de criar mobilidade estudantes negros e negras mais mais trabalho a gente tem então a minha esperança é meu desejo é esse agora país
eu acho que a gente Cia numa direção que é é a direção que a gente já conhece e entender o passado sabe eh estudando o passado de de avanços e de recursos de atualização De lutas né de construição de novas de novas lideranças né de Constituição de outros paradigmas eu acho que tem algo que tá colocado falando aí especificar sobre a discussão sobre igualdade racial que tem certas questões que não tem recur n eu acho que tem uma geração que nós estamos formando mas que também estão sendo formadas eh outros espaços no movimento hip hop
nas nas religiões de matriz africana nos nos cursinhos preparado para vestibular pro Enem né Nos ah nos grupos musicais nas nas nas várias eh formas de de agremiações e sociedades que estão sendo constituídas hoje pela Juventude Negra Que hã sabem muito mais do que nós né do que o que não pode abrir mão mais o que não é aceitável eh eh isso eu acho que uma um indício disso um sinal disso é o crescente número de denúncias sobre racismo então certas coisas que a gente não Lia ou tinha que convercer muito e Argumentar muito para
mostrar que era racismo hoje já são facilmente ficá eh eu me lembro que quando minha filha era pequena isso também e justificou aquele livro O que a de África em nós eh tá começando do ou 13 anos de idade a gente quer né trabalhar aqueles livrinhos com a criança eu fui numa numa livraria naquela naquela coisa uma tarde de sábado sábado você sai feliz vai comprar um vai tomar um sorvete com a criança pequena segurando pela mão um dia de sol Na Bahia e você entra na livraria que felicidade apresentar minha filha os livros e
eh olhando a pratileira de livros sobre sobre África eu achei um livrinho que que era que o título era bichinhos da selva e comecei a folar o livro aí na primeira página disse quem é o rei da selva o leão Ah o na segunda página Qual é o animal mais mais alto que o animal que come as folhas no alto a girafa Ah um um animal que pula tinha vários Animais e aí no final as últimas páginas era Ah o animal que pula de galho é macaco e a última página o animal da África Ah
era uma representação de uma família negra no no livro que horror aquilo inclusive com uma imagem entre macaco e as a família negra africana bastante similar né aquilo foi chocante chocante para mim que hora n e eu voltei para casa eu fui falar com o gerente do do da livraria é o livro da Editora da Leitura a gente entrou na época com uma uma representação do Ministério Público a neit se comprometeu a retirar o livro retirou a parte ontem ainda foi eh ficou circulando na nas livrarias e a gente foi falar com o gerente eu
fui falar com o gerente da da livraria ele disse mas não existem pessoas no continente africano e eles também não são animais Nós não somos animais Nossa eu fiquei olhando para ele assim sem sem sabe que você perde a chave da argumentação E aí Saí de lá indignada cheguei em casa pensei de Noal ter que voltar lá e comprar esse voltei comprei o lío e a gente falou com a editor da Leitura que também não viu nada demais que hor daquilo a editora se falou com o com a autora do livro que também não viu
nada demais aquilo e eu fiquei pensando em toda a cadeia de produção de um livro que sai desde a a escrivania né a mesa de quem eh produz o texto o desenhista o revisor a revisora Ah quem é dita quem Publica quem vende Quem compra né Toda uma cadeia que porque esse livro passou sem que ninguém tivesse se dado conta com racista é aquele livro né então eu acho que isso hoje seria inimaginável Ah porque com certeza já no primeiro momento pelo menos a gente espera aí olha aí o meu otimismo eh a gente espera
que isso já fosse percebido aquilo Já fosse quadrante que não se permitisse que esse tipo de leitura pudesse passar e E então eu acho que a gente avança no Sentido de de demonstrar a importância de construir igualdade com atenção né em muitos momentos a vai haver eh conflitos né alguém vai dizer olha isso tá sendo racista alguém vai dizer não não eu não quis ser racista isso é parte isso é parte desse movimento né não não dá para imaginar que uma ruptura a tal qual a gente deseja com um paradigma de estruturação de uma sociedade
desde sempre sustentada na lógica racista Vai Se romper a no Instalar de dentes S faz se Romer sempre amistosamente né Eh é é é importante voltando a discussão sobre important do debate é importante o debate é importante que se discuta sobre o que que é antirracismo sobre o que que é branquitude da maneira como isso molda as nossas relações as nossas atitudes as nossas formas de ensinar as nossas formas de estar no mundo para que a gente de fato construa uma sociedade mais igual né então eu sou otimista Nesse sentido eu acho que as novas
gerações avançam né nesse sentido inclusive com uma uma maior ah alianças com com instituições e com eh grupos e com pessoas brancas na luta antirracista essa também é uma luta que precisa ser assumida por esses gregos perfeito Pô a gente já falou aqui mais de uma hora o papo é é é infinito né a gente ficaria dias então eu não vou eh te sobrecarregar e eu eu já te passo a palavra para você Eh se despedir e tal mas uma última questão é o que mais você pretende você tem no horizonte de escrita para grandes
públicos né E que que é esse livro né Quais os projetos futuros seus esse livro que você quer precisa acabar e os editais não deixam né o que que vem por aí da Vlamir é então Eh esse livro é o livro que eu tô tô sonhando em andar com eles né é um livro em que eu tô discutindo três personagens Eh negros importantes o teodor são pao já publiquei alguns artigos sobre ele o Manuel Quirino que também tem alguma coisa que eu já publiquei sobre ele e o José do Patrocínio eles são três homens e
aí a questão de fundamental pensando sobre a o protagonismo masculino né que tá colocado numa sociedade na crise do escravismo nos primeiros anos da República eles são contemporâneos mas tiveram atuações Estratégias formas de agir ã proj e dilemas diferentes o meu grande o grande ponto de partida desse livro é mostrar como esses homens sendo negros eram diferentes n a ideia de que há um a negro né que não é de fato de modo nenhum uma conção minha já já outros autores né de pensar como essa essa condição racial por um lado ela uniformiza né ela
racialização subjetiva de individual mas Tem a ver com as estratégias possíveis naquele tempo então você tem por exemplo o José do Patrocínio e Manuel Quirino que são grandes abolicionistas e vão atuar eh na frente né do do morent abolicionista aí você tem o teodor sampai que era eh muito próximo a partir do conservador que vai defender por exemplo que a abolição deveria acontecer a pouco a pouco por conta da lei de 71 então assim eh a o Que me entusiasma é entender que eles são diferentes né e send diferentes eles estão sendo atravessados por uma
mesma questão mas eles vão construir as suas trajetórias profissionais e as suas formas de atuação daquela sociedade de maneiras diferentes acho que isso nos ajuda a todos nós a pensar sobre as estratégias possíveis em momentos de ruptura de mudança de grande mudança política Como é o final do século XIX com filé com fil da escreve del tal Então é esse o meu o meu principal objetivo é Eu durmo e acordo pensando nesse livro e é muito algumas semanas eu não consigo sentar para escrever uma única linha eh em relação ao ao grande público eh não
tenho nenhum projeto sobre isso agora mas eh eu acho que o o esse tipo de iniciativa por exemplo que você tá fazendo com esse podcast né com essa poção eh esse tem se se disseminar muito e que eu posso colaborar não não só elaborando construindo isso mas Dialogando com os colegas participando dessas atividades né participando desses podcasts eu acho que eh dá para fazer isso sem sem est assinando sem uma autoria né na capa dos livros né Não não é essa essa demanda que da autoria ela não é não é cal para mim então eu
tô bem em relação a isso não muitos assuntos a serem tratados eu nem como a questão era escrita da história eu nem trouxe o problema das múltiplas plataformas que a gente tem Hoje digitais etc que são outras formas eficientes de comunicação talvez até mais eficientes hoje do que da escrita mas fica para um próximo debate querida glamira kerque muito obrigado por sua presença sempre eh iluminadora e e com questões super eh pertinentes para nós beijo no coração nos vemos S Eu que agradeço agradeço e te parabenizo por essa iniciativa te parabenizo pela pela pela disposição
em levar o que a gente produz nas nossas Universidades nas nossas pesquisas para um grande público isso é é o nosso papel social é o nosso papel político então Muitíssimo [Música] obrigada l [Música]