e esse episódio faz parte de uma série se você não viu os episódios anteriores recomendo que ouça para uma melhor experiência de continuidade [Música] e ele pode me apresentado b9. com. br [Música] e era impossível não notar aquele monumento de guerra parado como uma pedra ao lado da Ilha Fiscal o encouraçado Minas Gerais estava ali desde às 13horas para se render ao governo federal foram longos cinco dias de rebelião dos Marinheiros que depois de uma negociação complicada chegava ao fim durante todos esses dias os jornais alimentaram suas colunas com depoimentos de Oficiais Sobreviventes discursos políticos e o relato em primeira pessoa do deputado José Carlos de Carvalho mas faltava ainda uma parte importante dessa história o relato dos próprios marinheiros e o encontro Minas Gerais esperava a chegada de um novo Comandante um sujeito de paletó gravata e chapéu Panamá entrava com cuidado dentro do bote que levaria ele porque centro dos acontecimentos Seu nome é Augusto Malta e ele traz consigo uma câmera de fole operada com chapa de metal a base de gelatina bastante sensível à luz seu papel ali é registrar o momento em que um simples marinheiro negro entregaria por um oficial Comandante a liderança do maior símbolo de grandeza e orgulho da Nação o encouraçado Minas Gerais lá no cais os curiosos se acotovelavam usando binóculos para saber exatamente o que se passava a bordo dos navios vendidos o povo do Rio de Janeiro queria saber um pouco mais sobre o homem que Manteve a cidade sob a mira de um canhão e o governo de Hermes da Fonseca De Joelhos e eles queriam nomes histórias queriam saber como era o rosto do Almirante negro e o Augusto Malta daria isso para eles e depois de ler o decreto de anistia João Cândido tirou o lenço vermelho do pescoço e pôs no bolso é aquele tinha sido um símbolo de sua liderança entre os marinheiros em revolta por cinco dias atuou como Almirante negro da Esquadra reclamante mas confiem oficial da Revolta talvez tenha pensado que pudesse voltar a ter uma vida comum enquanto tudo isso acontecia Augusto Malta estava bem posicionado e garantiu as primeiras fotografias de João Cândido e seus amigos e o rosto do Almirante negro estampou a capa dos principais jornais e revistas da República em um homem mulher ou criança deixaria de conhecer o rosto do negro que desafiou os poderosos do Brasil aquele era o início de sua desgraça Olá meu nome é Tiago André e esse aqui é o história preta você tá ouvindo a temporada Cisne Negro Episódio 5 Ilha das Cobras e os jornais do dia seguinte a rendição saíram recheado de fotografias inéditas de quase todos os líderes e do grupo de marinheiros envolvidos na revolta inclusive quase todas as fotos que temos sobre a Revolta dos Marinheiros de 1910 foram tiradas nesse dia 27 de novembro pelo Augusto Malta na revista careta saiu um rosto em Close Up de Gregório Nascimento e João Cândido marinheiro de primeira classe que comandaram respectivamente os encouraçados São Paulo e Minas Gerais junto com a greve Lino Francisco de Assis Martins uma negra foram creditados como líderes da Revolta que abalou o país junto da fama repentina Vieram também as críticas o jornal O país talvez tenha sido um dos detratores mais contundentes da Revolta dos Marinheiros e em seus editoriais deixavam Evidente o racismo ao defender com naturalidade que os castigos físicos apesar de desumanos se faziam necessários para o controle social a assassinar oficiais se a postagem navio de guerra disparar canhões contra a cidade parecia ser absolutamente desproporcional nas penas do editorialista do jornal a chibata aparecia mais umas palmadinhas corretivas e não tortura física que remontavam os tempos da escravidão positivo de comportamento disciplinar Esse é Álvaro Nascimento Doutora em História e profundo pesquisador da Revolta dos Marinheiros de 1910 ouvir o corpo alho pagar pelos pelos pelas faltas disciplinares pela falta de educação o boi diversos problemas que o indivíduo possa cumprir era perfeitamente aceitável numa sociedade com raiz e judaico-cristãs como a nossa punitiva como a nossa a existência de castigos físicos desde que não fossem cruéis cruéis aqui entre muitas Artes na Marinha do exército nas Forças Armadas em salas nos manicômios dentro das casas sobre as empregadas domésticas não era uma sociedade que aceitava tranquilamente de correção do indivíduo e essa correção não se daria por educação não se daria por no caso dos peão criminosos somente pela penitenciária na pela pela subtração da liberdade Mas passava pela marca no corpo a partir do Decreto de anistia o projeto dos Marinheiros ficou resumido apenas a chibata EA partir apenas da Chibata os jornais passaram a diminuir a necessidade de uma revolta daquela proporção a mensagem passada era simples a correção através do castigo do corpo é um valor social fundante do Brasil seus marinheiros questionam isso estão questionando a própria ordem social vigente e isso era um absurdo na visão dos editorialistas dos jornais e E aí é isso fica cristalino com a charge que estampou a capa da revista careta que saiu em dezembro daquele ano o desenho traz um João Cândido em posição de poder ir vestindo o uniforme branco dos oficiais superiores mas seu rosto tem feições animalescas orelhas enormes lábios grandes e vermelhos e pálpebras inchadas que cobram os olhos quase totalmente atrás dele vestindo roupas de marinheiros estão dois homens brancos de cabelos loiros em posição de respeito prestando continência enquanto os marinheiros brancos estão descalços João Cândido tem sapatos brancos em seus pés deformados no rodapé da imagem tá o título da charge a disciplina do Futuro é por meio do contraste da oposição simbólica entre o preto e branco oficial e marinheiro pés descalços e calçados deixam em evidência suposta inversão de valores em curso no país na verdade aquele desenho não se Parecia em nada com João Cândido Era só mais uma caricatura de estereótipos raciais construídos ao longo de décadas aquele era um exercício de imaginação Imagina só se pessoas negras tratassem os brancos como os brancos tratam os negros e esse era o maior medo da Elite nacional e na verdade esse é um medo antigo que remonta o século 19 e tem origem na Revolução que aconteceu na Ilha de São Domingos no território que hoje chamamos gente negros escravizados e Livres Se insurgiram contra a população branca da Ilha que era minoria e executou quase todos e expulsou o restante o resultado foi a primeira república liderada por eles escravizadas das Américas o medo de um novo Haiti foi o motor do aparato repressivo contra a população negra no Brasil quando marinheiros negros ameaçam a ordem social matando oficiais de brancos no processo aquele velho medo de um novo Haiti retorna com força por isso a elite começa a reagir e [Música] e no dia seguinte João Cândido Smart dois mil marinheiros voltaram ao trabalho normalmente o decreto de anistia fazer deles tão inocente Quanto qualquer outro cidadão e o recurso jurídico visava trazer normalidade e restabelecer a ordem social sem que armada entrasse num ciclo interminável de revanchismo Mas você pode imaginar como foi para os oficiais retornarem para os navios rebelados Como olhar no olho do Marinheiro que esfaqueou seu colega de turma Como restabelecer A Hierarquia depois que o marinheiro chamado chaminé Mizuno cadáver de um capitão-de-mar-e-guerra Eu imagino o gosto amargo na boca dos oficiais ao ver o rosto negro de João Cândido aquele que foi chamado de Almirante por cinco dias voltando normalmente ao Minas Gerais e a mistura de medo raiva insatisfação fez com que muitos oficiais que hoje tá sem a possibilidade de deixar o serviço militar isso caiu como uma bomba no colo do ministro da Marinha e do Presidente da República a permanência daqueles marinheiros virou um problema nas Forças Armadas e a solução vir em forma de traição e os editoriais dos jornais ligados ao governo dava indícios de que uma conspiração contra os marinheiros estava em curso desconfiados de que o decreto de anistia estava sob risco o comitê de marinheiro e se reuniu e foi até a casa dos senadores Rui Barbosa e Pinheiro Machado mas foram solenemente ignorados a bordo do Minas Gerais João Cândido tentou reunir as lideranças mas já era tarde a maioria deles foram transferidos para outros navios e para quartéis em terra ele num misto de ingenuidade autoproteção ignorou os sinais e resolveu acreditar que as instituições republicanas iriam garantir o seu direito jogando amava amava amava demais muitos alimentos agora eu também amava aquele não ficar cerveja pronto lá são Negra nessa época emprego era difícil de conseguir por o João Cândido disse mais de uma vez que tudo que tinha na vida conseguiu por meio da Marinha aprender uma profissão viajou o mundo ficou esperto para a vida seu desejo sempre foi fazer a Marinha um lugar melhor para os marinheiros no seu acordo com o Brasil em troca de dignidade prometeu fidelidade irrestrita e esse foi o seu maior erro em apenas um dia depois do Decreto de anistia votada pelos senadores Hermes da Fonseca o presidente baixou o decreto nº 8423 aba o seguinte atendendo ao cliente boas o ministro da Marinha resolve autorizar a baixa por exclusão das praças do corpo de marinheiros nacionais cuja permanência no serviço se torna Inconveniente a disciplina era ordem de Caça às Bruxas os mais de dois mil marinheiros envolvidos na revolta estava sob risco de expulsão da Marinha de guerra e ele sabia no seu potencial de organização tinham consciência de classe e poderiam reagir mas antes do Decreto vinha público Os oficiais fizeram sua jogada mandaram desarmar os canhões de todos os navios impossibilitando uma retomada de poder e a exclusão começou a acontecer aos poucos alcançando centenas de cada vez João Cândido Gregório do Nascimento e Mão Negra foram poupados na primeira leva de exclusão estavam famosos expulsar eles de cara Poderia chamar atenção para o crime que estava acontecendo marinheiros anistiados estavam sendo punidos o desespero tomou conta das tropas e muitos deles começaram a fugir dos navios quartéis e até da cidade prevendo o pior André Avelino um dos líderes do comitê de marinheiros fugiu para o norte do país muitos decidiram ficar e resistir da Conspiração dentre eles João Cândido E aí e vocês pediram muito e acabaram de chegar na nossa loja as camisetas e produtos de João Cândido EA Revolta da Chibata são estampas exclusivas que ilustram momentos importantes da temporada Cisne Negro acesse loja.
História preta. com. br para garantir a sua Lembrando que apoiadores recebem um cupom de 10 porcento de desconto em toda a loja acesse loja.
História preta. com. br e Vista nossa história [Música] o clima era de tensão marcado pela desconfiança e insegurança entre oficiais e praças o rancor o medo e indignação enche o peito de todos os tripulantes dos navios fundeados na Baía de Guanabara parecia que algo estava prestes a acontecer de cá ou de lá correu o boato de que Oficiais do Exército estavam tramando com vida marinha de invadir os navios e vingar de morte do dia vinte e dois de novembro do outro lado da correia notícia de Juara em euros estavam preparando um novo levante nos navios mas agora com apoio dos Fuzileiros Navais o caso você não saiba a Marinha do Brasil é subdividido em dois quadros principais o corpo da armada que opera os navios e o corpo de fuzileiros navais esses últimos eram combatentes de Infantaria muito próximo da atividade dos Soldados do exército mas com uma diferença crucial eram também homens do mar a união dos praças desses dois quadros causavam medo profundo nas entranhas da oficialidade no dia dois de dezembro A polícia prendeu oito marinheiros um soldado fuzileiro naval em uma casa na Rua do Lavradio sobre acusação de estar em conspirando uma nova revolta no dia quatro foram presos 22 marinheiros que estavam reunidos em uma casa em Piedade também suspeitos de planejar um levante e o relato policial dizia que estariam envolvidos além dos navios os Fuzileiros do batalhão naval sediado no local chamado Ilha das Cobras [Música] e hoje A Ilha das Cobras abrigo Arsenal de Marinha o hospital central da Marinha e outros quartéis fica ali do lado da ilha fiscal na Baía de Guanabara o próximo ao Museu do amanhã até hoje é sede da companhia de polícia do batalhão naval e do presídio da Marinha criado nos anos 60 servindo de cárcere para os presos políticos da ditadura militar foi Palco para muitos momentos históricos e Serviu de prisão para Joaquim José da Silva Xavier o Tiradentes nesse lugar marcado pela dor comessaria reação dos subalternos contra a traição dos oficiais e a revolta dos Marinheiros já tinha terminada como o capitão-tenente chegou no pé do ouvido do cabo piaba e fez um convite peculiar queria que ele participasse de uma abordagem contra os Marinheiros do encouraçado Minas Gerais os dois eram fuzileiros navais lotados no batalhão naval da Ilha das Cobras o cabo piaba ficou alarmado com o convite oficial que garantiu a ele que não estava sozinho que é mais ou menos 100 mil militares do exército e da Marinha vindos do Estado de Minas Gerais e São Paulo para dar uma lição Severa nos marinheiros que tinham assassinado Os oficiais no dia vinte e dois de novembro durante a revolta é aquele convite do Capitão para um cabo tinha sua razão piaba aqui na verdade se chamava Jesuíno ela um dos praças com mais tempo de Batalhão naval um elo importante entre os oficiais e os soldados o ataque seria contra os marinheiros e Os oficiais sabiam que precisaria convencer os soldados de mesma posição hierárquica dos marujos que aquilo tudo era uma boa ideia piaba não deu resposta e foi procurar o seu amigo de Batalhão soldado Calisto para dividir aquele boato que tava rolando no quartel Calisto confirmou a história em relator que o tenente errado amante secretário do batalhão tinha dito para ele que estavam se preparando para invadir o Minas Gerais e de Goulart os marinheiros que covardemente assassinaram o comandante do navio e mais na Serralheria ele tinha confirmado que havia um pedido para afiar as espadas que seriam utilizadas na incursão com esse disse-me-disse foi ganhando volume e se espalhou entre os praças chegando até os navios Os oficiais estavam preparando o ataque mas o cabo piaba iria tentar impedir [Música] e em conluio com os Marinheiros do Cruzador Rio Grande do Sul e Soldados do batalhão naval tentaram alertar João Cândido e outros líderes dos Marinheiros Eles mandaram bilhetes escondidos perguntando se devia continuar a revolta de Vinte e Dois de Novembro já que ele estavam sendo traídos e o decreto de anistia de respeitado o que estava em terra sabia que uma revolta só tem a sucessos dos grandes na Vivo Minas Gerais do São Paulo estavam estivesse dominados lá pelos marinheiros que eram os navios mais poderosos do mundo mas os bilhetes nunca tiveram resposta os marinheiros 22 Novembro eles preferem acreditar que a situação vai ser resolvida Mas prefere acreditar na listinha de que concedida pelo Senado Federal e sabe o que é que ele vai mudar a explicam quieto tá eles acabam não se unido ao movimento que já tá você organizando a Ilha das Cobras Então o que acontece é a Ilha das Cobras o tanto fazer mas rapaz quanto mais não só Vamos lavar as coisas novas e maridos que estão entre os pobres eles vão se levantar e no dia nove de dezembro de 1910 mesmo sem resposta dos Marinheiros o cabo piaba reunir os soldados do batalhão naval para impedir o possível ataque dos oficiais ao toque de corneta todos os praças do quartel avançaram para o Paiol e guarnecendo os seus armamentos alguns deles correram para a estação rádio e quais giram telegrafista para que enviasse uma mensagem os Marinheiros do Minas e do São Paulo para que delícia hein o Levante e ele gravar um também para o Palácio do Catete sede da presidência para deixar claro que não era um levante contra o governo mas sim contra os maus oficiais que estavam tentando sabotar neste dos Marinheiros e se vingar ao Fio da Espada o Catete respondeu mas não com palavras posicionou canhões estrategicamente e começou um Cruel bombardeio contra a Ilha das Cobras e E aí é diferente dos Rebeldes de Novembro os do batalhão naval não podia se mover ir era um alvo fixo e vulnerável os navios da Marinha também foram acionados e passaram a bombardear o Batalhão junto com os canhões do exército posicionado nas praias e no Mosteiro de São Bento no Minas Gerais o novo Comandante talvez temendo por sua vida abandonou o navio deixar a mercê dos Marinheiros João Cândido mais uma vez assumiu o comando do gigante encouraçado que dessa vez que tava completamente desarmado o Almirante negro conduzir o navio para longe do teatro de guerra para que não houvesse danos ao navio e nem a sua tripulação e passou um rádio para o ministro da Marinha deixando claro que os marinheiros de Novembro não estavam envolvidos naquele levante estavam comprometidos contratado de anistia afirmado 13 dias antes não sabia se ia para frente ou se a voltar o que que tava acontecendo porque o medo de ser desligado a o mesmo você sofrer represálias é imenso alimentos aquela sem poder resistir aos ataques o Batalhão naval da Ilha das Cobras se rendeu e a notícia era de que os 600 soldados envolvidos apenas 60 ainda estavam vivos com verdadeiro massacre promovido pelo Governo Federal o presidente Senhor da situação mesmo com rendição dos revoltosos permaneceu bombardeando a ilha sem piedade ele tinha um plano mais elaborado e aquele Episódio serviria os seus propósitos obscuros e oferecendo combate permanente contando com opinião pública a seu favor Marechal Hermes conseguiu o que queria do congresso nacional o Brasil entrou em estado de sítio e aquilo era uma farsa montada para pegar João Cândido e os seus amigos o mesmo sem se envolver no segundo Levante e deixando bem clara a sua posição os marinheiros de Novembro foram acusados de estar envolvido no levante de dezembro e toda aquela situação que o Batalhão naval da Ilha das Cobras fez parecer que os marinheiros tinham rompido com acordo firmado no decreto de anistia e com o país em estado de sítio Hermes da Fonseca tava livre para mandar prender excluir deportar e processar todos os acusados de causar a desordem da República o João Cândido foi preso logo que pus os pés em terra estava sendo acusado de assumir o comando do Minas Gerais sem autorização além dele foram presos centenas de marinheiros numa operação conjunta que envolveu o exército a polícia e os bombeiros tudo isso já na manhã do dia onze de dezembro a partir daí começou o massacre um dos episódios mais hediondos da nossa história cerca de 600 pessoas foram detidas na prisão sem o devido processo legal entre eles marinheiros e civis arrebanhados nas ruas sob acusação de rebelião desses 491 foram jogados no porão de um navio cargueiro chamado satélite O Navio Fantasma monstruoso que é um capítulo à parte nessa história mas ajuda a entender o espírito daquele dias E essas pessoas foram postas ali destinada ao norte do país para trabalhar como escravizadas nos seringais da Amazônia mas alguns deles nunca chegaram o segundo relatório de viagem do comandante eles partiram conduzindo 105 marinheiros envolvidos na revolta de Novembro 292 vagabundo 44 mulheres e 50 praças do exército E aproveitando aquele momento peculiar a polícia a Marinha eo exército aproveitaram para fazer a limpa na cidade exorcizando todo tipo de gente indesejada da Nação porém Antes de chegarem no destino os marinheiros foram fuzilados sob acusação de estar em tramando uma rebelião a borga um pouco antes da execução três deles tentaram escapar pulando na água um deles era o marinheiro chaminé aquele que me enviou no Cadáver do comandante do Minas dificilmente ele tenha sobrevivido Já que no momento da fuga para o mar estava com os pés e mãos amarrados e pela natureza da execução Tudo indica que já estavam Marcados para Morrer e jamais chegariam no seringais aquele era o cargueiro da morte João Cândido defendido por alguns senadores de oposição e amado pelo povo simples do Rio de Janeiro por muito pouco não foi mais uma vítima do satélite fuzilar aquele homem naquele momento poderia ter sido maior ato de estupidez daquele governo e como não poderiam fugir lá decidiram fazer ele sofrer é as cabeças da revolta de Novembro foram todos presos no Quartel General do Exército na Praça da República a Mão Negra foi separado de João Cândido e jogado numa cela qualquer Gregório do nascimento do encouraçado São Paulo foi detido no cubículo úmido e sem iluminação que mal dava para ficar de pé antes de qualquer julgamento formal dos amotinados a Marinha decidiu punir quase todos com prisões arbitrárias e outros com fuzilamentos Marcelino Rodrigues o marinheiro que recebeu as 250 chibatadas numa entrevista para o jornal O Globo relatou um pouco daqueles dias não mesmo assistir o assassinato do cabo Medeiros fuzilado por ordem do Marechal Hermes depois do Realengo vi tombar em Canuto Zacarias e Marinho sobre a carga do fuzil João Cândido tava preso no cúbico no primeiro Regimento de Infantaria do exército quando descobri um amigo de infância preso no mesmo lugar e ele disse que foi detido Por que protestava exaltando a revolta dos Marinheiros em frente ao Diário de Notícias de tanto apanhar esse amigo de João Cândido teve um olho vazado e várias fraturas na costela sem o atendimento médico morreu sozinho naquele Calabouço escuro talvez nesse momento João Cândido tenha sentido medo a todos os companheiros já tinham tombado mas por algum motivo Ele ainda permanecia de pé foi quando chegou a ordem de tirar ele de lá não ficaria mais sobre a custódia do exército seria a partir de agora um prisioneiro na marinha e o destino decidiu rir da cara do Almirante negro quando ele descobriu que sua nova prisão ficava um buraco feito na rocha no presídio da Ilha das Cobras E aí [Música] E aí E aí e no dia vinte e dois de Dezembro João Cândido chegou no batalhão naval escutado por uma tropa do exército com ele havia mais 17 prisioneiros marinheiros e Fuzileiros Navais e do quartel-general da Marinha foi expedido Ofício recomendando que fossem presos numa prisão segura e separados dos demais por serem elementos perigosos e as células estão todas super lotadas sobrava apenas uma a de número 5 chamada de prisão solitária essas ela era remanescente do período colonial ficava encravada nas pedras da Ilha como se fosse uma Gruta e por isso não tinha entrada de luz natural e nem circulação de ar a entrada era fechada com grade e tinha tapume de madeira grossa para impedir que os prisioneiros fossem vistos e ouvidos Nesse Lugar João Cândido passarinho os seus piores dias [Música] acelera minúscula iluminava a água por todos os lados o calor de dezembro no Rio de Janeiro era insuportável ali dentro e a umidade a pouca circulação de ar fazendo aquele lugar a ante-sala do inferno durante aqueles dias foram alimentados apenas com pão velho e água Os Iluminados apenas por uma luz fraca de um candeeiro a óleo João Cândido vi um colega matar a sede bebendo a própria urina é o lugar não tinha banheiro eles faziam suas necessidades e um barril de tão cheio pulou e surgiu de dejetos quase todo o piso da prisão sob a desculpa de desinfetar a cela os carcereiros jogaram água misturada com cal virgem por debaixo da porta o calor insuportável fez a água evaporar está na apenas o cal a nuvem de poeira foi suspensa no ar aos poucos entrando com facilidade nos pulmões dos prisioneiros sentindo a respiração quente da Morte decidiram ficar quieto mas o calor era sufocante então silêncio virou gritos de Socorro era alta madrugada do dia vinte e cinco de dezembro quando o carcereiro ouviu os gritos abafados vindos da solitária a informação chegou no Comandante que tava com a chave da cela mas não dormia no quartel era noite de natal e ele tava perguntando no clube na E aí [Música] e desesperados os 18 tentaram arrebentar as grades com as próprias mãos nuvens de cal suspenderam no ar silenciosamente sufocando os marinheiros na escuridão profunda e úmida os gemidos foram aos poucos desaparecendo até se tornar um profundo silêncio e naquele inferno o governo jogou 18 brasileiros que acreditaram cegamente na justiça desse país 18 brasileiros com direitos garantidos pela constituição e anistiados pelo Senado Federal 18 brasileiros Deixados Para Morrer e as 8 horas da manhã do dia vinte e seis de dezembro mais de um dia depois do início da Agonia as grades das celas foram abertas e o cheiro de morte invadiu o ar fresco da manhã e lá dentro um dos cantos das ela estavam empilhados os 16 corpos dos Marinheiros que morreram sufocados pelo carro um do outro apenas dois Sobreviventes um deles João Cândido Felisberto o Almirante negro aquele era o primeiro do resto dos seus dias E aí [Música] E aí bom esse podcast é uma produção história Preto considere nos apoiarem apoia.
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