Oi pessoal, tudo bem? Estamos de volta aqui com mais um Café com Doutores, com a Dr. Bárbara, nossa neuropediatra querida.
E nem deu tempo de vocês colocarem as dúvidas. Eu já gravei outra porque eu pensei e tem muita coisa ainda para ser falado sobre esse tema fascinante que é o autismo. E agora eu queria, né, falar um pouco Abá em relação aos direitos e à necessidades que a pessoa, né, com autismo precisa e tem, né?
Então, porque a gente vê assim, eh, muitas vezes, e isso, né, você pode me corrigir, mas a pessoa com autismo, ela é considerada PCD que é pessoa com deficiência, certo? Sim. Perante a lei, ela é uma pessoa com deficiência.
Então isso implica em quê? Implica tanto em transporte, vaga de emprego, como que é? Dá uma um panorama pra gente.
Então, os direitos da dos autistas, né? Então, todo autista tem direito, por lei, a tudo que uma pessoa com outros tipos de deficiência, por exemplo, uma deficiência física, tem. Então, direito à vaga especial, eh, direito a atendimento prioritário.
Isso é muito importante, porque normalmente são crianças que têm dificuldade em esperar na fila, se desregulam, então tem direito ao atendimento prioritário, tá? E as outras pessoas têm que saber disso, porque eu tô cansada de ouvir relatos de de mãe brigando, porque não deixou o a criança com o autismo que tá ali identificada passar na frente, né? Então ela tem direito à inclusão escolar, né?
Lembrando que a inclusão escolar é um é um tema parte que a gente pode ter, mas a inclusão escolar inicialmente a gente tem de acordo com as necessidades dessa criança, né? Mas o que que seria a inclusão escolar no sentido de ela tem direito a ir pra escola? Porque tem gente que acha que não tem que estudar.
Isso é isso. Básico. Básico.
É o básico. E aí é aquela coisa, ela tem direito por lei garantido de que essa escola ofereça tudo o que é necessário para que esta criança frequente a escola. Desde uma adequação do ambiente.
Ah, ela se incomoda com muito barulho. OK. Então, em certos momentos, vamos tirar essa criança.
Ah, essa criança precisa de uma pessoa que fique com ela durante todo o período da escola. Então, ela tem direito a um acompanhante escolar, né? Para que ela consiga aprender, ela precisa de uma pessoa da parte da pedagogia, ela precisa de um auxiliar pedagógico.
Então, é fornecido um auxiliar pedagógico, né? Ah, e ela precisa de aulas de reforço. Então, ela tem direito a aulas de reforço, tudo que garanta que ela tenha os mesmos direitos, a equidade ali diante de outras crianças, né?
Na vida adulta, ela tem direito, tanto em provas assim para vestibular, tem direito a provas adaptadas, né? Tem direito a cotas específicas. Sim, a gente já tem empresas que chamamos de empresas amigos do autista, que sim, já tem programas específicos para essa população, porque a gente tem que lembrar, a gente só tá lembrando das deficiências, né?
Mas a gente não tá focando nas habilidades, gente. Se eu pegar um autista que ele ama, ele ama gerenciamento assim, eh, motores, né? e eu colocar ele dentro de uma área de engenharia, ele vai ser o melhor funcionário, entendeu?
Então, a gente só tá falando muito das deficiências. Então, ah, ele precisa disso, ele precisa daquilo, só que ele tem potencialidades que às vezes as outras pessoas não têm. E tem estudos mostrando que se eu pegar uma pessoa dessa e colocar dentro da empresa, ela vai ter ideias muito mais brilhantes que as outras pessoas não vão alcançar, né?
Então tem muitos benefícios de de de trazer essas estratégias para dentro da empresa. E aí a gente tem que falar inclusão tanto na escola quanto no clube. Então a gente anda ultimamente discutindo também políticas de inclusão dentro dos ambientes sociais, dos ambientes de lazer, né, dos ambientes esportivos.
A gente tem que lembrar que esporte é um meio maravilhoso paraa inclusão, mas paraa inclusão aconteça, precisa ter empatia e precisa ter conhecimento, né? Primeiro precisa ter empatia, mas tem que ter conhecimento técnico também. Uhum.
Eh, e é muito legal também a gente pensar nos ambientes eh médicos, né? Quando a gente fala em acesso à saúde, né? Eh, de maneira geral, ainda estamos caminhando, mas desde a adequação ao hospital, adequação ao laboratório que tá coletando exame, ao consultório médico.
E aí é exatamente por isso que que lá na clínica a gente tá pensando num ambiente realmente diferenciado, né? H, em que a gente pensou em cores, a gente pensou na em objetos que podem servir de autorregulação para essa criança enquanto tá esperando. oportunidade de comunicação alternativa, então fornecer ali eh prancha de comunicação, né, dentro do consultório, a maneira que fique mais tranquila para que essa criança consiga ser avaliada e de forma mais empática pra gente conseguir ter o olhar amplo sobre essa criança e realmente ter uma avaliação mais efetiva de toda essa família, né?
E isso é possível e a gente tá tentando trazer tudo isso pra clínica. Legal. Vai.
Então, né, o que você tá mostrando é a pessoa com autismo, ela pode se casar, ela pode trabalhar, ela pode ir pro clube, ela, né, deve, ela pode fazer, né, todas essas outras coisas que todos fazemos. Algumas vezes nós vamos precisar, muita, muitas vezes vamos precisar de adaptações que são necessárias, mas, né, a gente tem que, é, porque é difícil essa questão do rótulo, né, e quando a gente coloca um rótulo, a gente meio que tira toda a capacidade que aquela pessoa tem e a gente tem que tomar esse cuidado. Então acho que é super importante isso que você tá trazendo e a forma como você tá colocando, porque ainda estamos caminhando, né?
Ainda precisa muito ser caminhado, mas já estamos evoluindo nesse sentido, né, B? Exatamente. A gente sabe muitas vezes que uma pessoa tem autismo quando a gente encontra ela com os fones de ouvido, né?
Por quê? É ela tentando se adaptar à aquele ambiente e se preservando, respeitando aquela característica dela naquele momento. Mas muitas vezes, eh, é como você colocou, o ambiente também tem que se adaptar, não é só a pessoa com autismo, né?
a gente também tem que entrar nessa dança e o ambiente também precisa, que é o que a gente tem feito. A gente tá aí agora inaugurando a nossa unidade kids do consultório. E aí a gente fez esse ambiente justamente todo preparado, pensando na pessoa com autismo e nos outros transtornos, né, que acometem aí a área da neuropediatria, psiquiatria infantil.
Mas então fala um pouquinho pra gente assim, né? O que que seria legal para quem tem um tipo de negócio e que recebe ou que fala: "Poxa, eu me solidarizei, eu queria melhorar o que que essas pessoas podem pensar, que dicas que a gente pode dar para elas para que eles se adaptem e pensem, né, na na forma da de acolher aí essa pessoa com autismo, tá bom? Eu acho que a primeira coisa é mobilizar, né?
Então, a primeira coisa sempre vai partir da empatia, de entender que aquele outra pessoa tem dificuldades e que eu posso ajudar, né, e que tá tudo bem. Então, por exemplo, se eu tô num ambiente social, é um ambiente de clube, é um ambiente de shopping, eu posso muito bem pensar em oferecer para para esses, na verdade, consumidores que estão chegando ali um kit e esse kit contendo ali um abafador de ruídos, ã, um mapa em que essa pessoa consiga se localizar sem tanto um mapa de regulação sensorial, quanto que ele consiga se se localizar muito bem, oferecer sempre oportunidades de roteiro audiovisual, Porque a dificuldade muitas vezes está a interpretar. Então, se eu faço um roteiro audiovisual, eu tô, por exemplo, um passeio e eu tenho um roteiro audiovisual para essa pessoa, pronto, eu ajudei muito na inclusão.
A gente pode pensar em figuras de eh e e existe diversos assim assim de de como eu estou me sentindo e essa pessoa rostinhos com as emoções. Isso, exatamente. desde bot a uma cartelinha daquilo pra pessoa realmente colocar, olha aqui não dá uma prancha mínima de comunicação.
E quando eu falo em prancha, gente, é um papel mesmo impresso ali com com imagens básicas do que eu preciso ali para aquele ambiente. Então, de repente, entrar, sair, ã, sim, não, ajuda, entendeu? algumas necessidades básicas eu já posso, porque nem sempre a pessoa tá com aquela prancha ali e isso é um impempecílio para ela se comunicar.
Então tudo isso às vezes você fornecer o que a gente chama de stins, né, aquelas aqueles objetos pequenos de autorregulação, já ajuda para que essa pessoa esteja naquele ambiente eh sem nenhum problema, né? Se a gente tá num ambiente médico, né, a gente tem que pensar, eh, mas na verdade essa é uma dificuldade de todas as crianças, né? E no consultório médico já é difícil, porque ela tem aquela impressão de que vai ali, de que alguma coisa vai machucar, vou tomar uma injeção, vai doer, né?
Alguma, vai vai um remédio ruim. Então você dá uma previsibilidade para essa criança com roteiro audiovisual, com um vídeo, dizendo o que que vai acontecer ali, aonde que ela vai, o que que vai ser feito ali. Dá uma acalmada no coraçãozinho da criança e não só da criança autista, não, de toda criança, né?
dá uma previsibilidade do que que tem naquele ambiente. Olha, se você se precisar ali tem um pulfzinho que você pode sentar, né, que você pode se aninhar, tem um um ninhozinho para você se fechar caso você precise. Tem um o abafador, se você precisar, quando você sentar aqui, a você não vai sentar na cama, você vai sentar aqui e a tia vai, ah, eu vou olhar para você, esse daqui é o estetoscópio, ele não vai machucar.
Então, tudo isso são meios, tanto que a gente pode usar de comunicação, quanto de recursos tecnológicos, né? E os recursos podem ser desde arquitetura favorável, né? pontas arredondadas, pensando que essa criança pode ter pouca noção de perigo, a porta, né, de ser um um material mais resistente, porque essa criança pode bater na porta.
Então, tanto a prevenção de acidentes do ambiente, né, quanto a regulação sensorial e facilitar a comunicação sempre sendo direta e dando previsibilidade, ajuda em todos os ambientes. Isso que você falou faz sentido, porque assim, eu não sei agora você vai me dizer se é mito ou não, mas já me li, eu não lembro onde, mas dizendo que assim a pessoa com autismo, ela tem algumas vezes uma maior chance de se machucar pela consciência corporal também não ser a mesma igual uma criança sem autismo. Isso é verdade, é mito?
São as duas coisas, né? Primeiro mito que a gente tem que tirar é de que autista é agressivo, tá? autista, lembrar dentro dos critérios ali de autismo, nenhum momento a gente falou agressividade, tá?
Então essa associação de que autista é agressiva, autista bate, autista se morde, ela não é direta. Se o autista se mordeu ou se ele e de alguma forma morder ou fez uma mordida ou deu um tapa, foi porque aconteceu alguma coisa. Essas crianças, esses adultos têm muitas desregulações sensoriais, então eles realmente interpretam o mundo, recebem o mundo com informações um pouco distorcidas.
Às vezes ouve demais, às vezes vê demais, às vezes sente demais ou de menos. Então, às vezes, um simples toque para ele, aquilo pode ser um bater e do mesmo jeito ele pode ter uma hipos umação para baixo da da sensibilidade dolorosa. Então, quando essa criança começa a se desregular, começa a meio dar tilt ali, tá informação demais, eu não tô conseguindo lidar com aquilo, eh, a busca dela é para se regular sensoriamente.
E como a sensibilidade à dor é mais baixa, eu procuro a busca que eu tenho. Então, muitas vezes é a busca oral, mas a sensibilidade tátil dolorosa é menor. Então eu parto para morder, tá?
Quando você conversa com adultos, adultos, né, que ainda t esse comportamento, mas que são verbal, adultos autistas que tem ainda esse comportamento de se de se machucar ou às vezes bater a cabeça na parede, eles falam pra gente que é como se a cabeça tivesse dando um tilte e que isso dói. Isso dói. E aí eu parto e e procuro a primeira coisa e e bato na frente para que essa dor pare, né?
Então a gente tem que lembrar que quando uma criança tá desregulada, se ela tá mordendo, se ela tá, ela tá sofrendo. Eu sei que obviamente quem sente também sofre, mas ela tá sofrendo mais do que ninguém, né? Então ter esse olhar empático também para isso, para pr pra lesão, para autolesão para heterolesão, entender que isso não é o comportamento do autista, né?
Se aquilo tá acontecendo, é porque ele tá sofrendo, é porque tem alguma coisa errada que a gente pode ajudar, né? Então primeira coisa, então por isso o ambiente protegido, né? ve tomar cuidado desde da ponta da mesa e outras questões com o paciente com autismo.
E aí, ah, você até tinha comentado numa conversa nossa que então todas as pessoas que terão contato com a pessoa com autismo, elas têm que ter pelo menos uma noção, né? Eh, por isso que até o tema da campanha de conscientização deste ano é justamente levar informação, porque isso a informação gera empatia. Então, desde a moça que serve o cafezinho, a faxineira que tá ali limpando o consultório, a quem vai recebê-lo, a secretária que faz a cobrança, todos têm que ter uma noção e tem que então ser tem que ser feita uma psicoeducação para que eles entendam a respeito, né?
Isso, isso. Eu sempre o eh como eu sempre converso, essa essa essa conversa de capacitação profissional ali de quem vai atender. Quando chega um adulto no consultório, é muito comum que você ofereça: "Oi, tudo bem?
Você quer um café? Você quer uma água, posso te ajudar em alguma coisa? " Com a criança não adianta você oferecer uma água ou um café, né?
Então, a primeira coisa que eu que eu falo é assim: "Olha, não suponha que essa criança, porque ela não está olhando para você, que ela não tá prestando atenção em você e você precisa se dirigir direto à mãe. " Uhum. Vamos falar com essa criança.
Olha para ela e fala: "Oi, tudo bem? Como você tá? Pode ser que ela não te responda, mas pode ser que ela te responda, mas pode ser que ela não te responda, mas ela tenha percebido.
E se você se mostrar disponível ali, eh, mãe, você tá precisando de alguma coisa? você quer essa, você precisa de algum brinquedo pr que ajude essa criança a se a se regular, né? Então, ter esse olhar empático de que olha, eu não tô aqui para te julgar.
Primeira coisa, eu não tô aqui para te julgar. Não tem problema se ele sentar no chão, não tem problema se ele tirar o tênis, não tem problema, está tudo bem, né? Eu não estou aqui para te julgar.
Então, primeira coisa, tirar esse olhar de julgamento, né? e segundo ter esse olhar empático de que eu posso te ajudar em alguma coisa. E aí a gente traz um pouquinho mais de informações para que essas pessoas que lidam que mais especificamente com essa população tenham ali repertório, né, para para lidar melhor e acolher melhor, né?
Legal. Legal. E a gente tá conseguindo fazer isso de maneira mais dinâmica, né?
Então não tão a gente não tá fazendo de uma maneira tão formal que fique chato até, né? aulas. A gente tá fazendo quase quase que semanalmente, quinzenalmente, roda de conversas, né, com com todos os funcionários, né?
Então, a gente tá fazendo dentro da equipe médica, dentro da equipe administrativa para que todo mundo tenha esse olhar mais empático. Legal. Legal.
Bá, muito bem. Então é isso, pessoal. Se você tem autismo ou tem uma criança que tem autismo, coloca aqui nos comentários o que que já te ajudou, qual a atitude que alguém teve quando você foi em determinado lugar ou nossa, sabia que tal lugar tem isso e ele ama e ele fica tranquilo, ele adora e lá coloca aqui porque você pode estar ajudando outras pessoas também e estimulando outras que não fazem a começarem a implantar isso daí.
Então, tá bom. Nos vemos aí no próximo vídeo.