Aemar dos trabadores você está ouvindo o história [Música] FM salve ouvintes do história FM bem-vindos a mais um episódio do podcast leit obriga história eu sou Rod e Hoje vamos falar sobre cavalaria medieval para falar sobre esse assunto um velho conhecido de vocês pelo menos aqueles de vocês que já ouvem o história FM há muito tempo Rodrigo Prates de Andrade a Quem eu passo a palavra para se apresentar para vocês Bom dia boa tarde e boa noite ouvintes do storri FM mais uma vez estou aqui presente com vocês eu sou quase a ano Furtado do
stor FM não é mentira bom mas para quem não me conhece eu sou doutorando em história na Universidade Federal de Santa Catarina me graduei e fiz mestrado nessa mesma Universidade sou especialista em História medieval também sou professor de história medieval na Universidade Federal da Bahia e tô aqui para vocês mais uma vez pra gente conversar sobre esse tema que é tão interessante que a idade média Então é isso vamos falar sobre cavalaria medieval depois dos comerciais [Música] [Aplausos] e o Episódio de hoje é patrocinado e sim a gente tem que comemorar porque não é todo
dia que a gente recebe Patrocínio aqui no hisor FM E eu fico muito feliz de Despertar a confiança em empresas que querem divulgar conhecimento e nesse caso eu tô falando da editora Harper Collins que procurou história FM para divulgar o livro reformadoras mulheres que influenciaram a reforma protestante escrito por rud Salviano Almeida e Jaqueline Souza Pinheiro e esse livro se dispõe a falar sobre o quê sobre mulheres que tiveram algum papel nas reformas protestantes e nesse ponto você Deve estar se perguntando ué mas você não lançou um um episódio sobre reforma protestante Faz poucos meses
eu não lembro de vocês terem falado sobre essas mulheres e de fato nós não falamos justamente porque a história dessas mulheres acaba ficando em segundo plano ficando esquecida e eu admito minha ignorância eu não conhecia essas personagens históricas e quando eu fui ler sobre o assunto para bolar o roteiro daquele Episódio Eu também não encontrei Os nomes dessas mulheres e a proposta da rut e da Jaqueline é justamente escrever sobre elas para mostrar que por trás dessas figuras masculinas como o Lutero por exemplo haviam mulheres que estavam fazendo sua parte que estavam trabalhando para fazer
essas reformas acontecerem então a proposta do livro é justamente resgatar essas personagens históricas de um esquecimento que infelizmente eu acabei contribuindo porque eu também não conhecia essa História então a harer col me procurou para anunciar esse livro para vocês e vocês que são ouvintes do storia FM tem desconto isso mesmo vocês terão desconto na compra desse livro Bastando que vocês Sigam as minhas instruções agora Primeiro vai ter um link na descrição desse Episódio algumas plataformas de Podcast convertem o link aparece o link ali para você clicar outras não mas eu vou fazer o link do
jeito mais simples possível para que você possa digitar no Navegador do seu celular ou coisa do tipo mas você Também vai encontrar esse link no meu Twitter @fm comfm maiúsculo ou @ obrigahistória noos dois perfis você vai encontrar esse link e eu também vou colocar ele em um Stories no Instagram que é @ obrigahistória aí esse link vai te levar pro site do submarino E aí nesse link lembrando tem que ser nesse link aqui você vai colocar o cupom reformadoras 15 e aí com esse cupom você ganha 15% de desconto na compra do livro Reformadoras
A Putz dá muito trabalho Eu acho que eu vou comprar na Amazon vou comprar na livraria aqui do Bairro não tem problema o importante é que vocês possam adquirir a obra conhecer essa história ampliar o seu conhecimento sobre esse assunto mas se você quiser o desconto exclusivo as instruções são essas e se vocês lerem esse livro se vocês comprarem lerem esse livro comenta lá no Twitch do link da promoção O que que você achou da obra Compartilha aí Com seus amigos enfim vamos levar essa história adiante né infelizmente a proposta do Patrocínio acabou chegando um
pouquinho tarde porque se tivesse chegado antes eu gostaria de ter incorporado isso aqui ao episódio né Eu acho que teria enriquecido a experiência mas já que não foi possível pelo menos estamos aqui divulgando o livro [Aplausos] [Música] reformadoras e por enquanto é isso como Eu já avisei lá no comecinho do mês eu tô de férias nesse momento então eu não tô lendo o nome de apoiadores e tal mas no dia 15 de Novembro sai um episódio sobre Proclamação da República E lá eu vou voltar a ler os nomes dos nossos apoiadores E apoiadoras que nos
apoiaram nesse mês de outubro e no começo de novembro se você quer nos apoiar e manter esse podcast no ar é só acessar apoia.se bar obriga hisória e colaborar com qualquer valor a partir de r$ 2 com R 5 por mês ou mais você recebe os Episódios com antecedência que no momento não estão sendo postados mas voltarão a ser postados com antecedência em novembro agora chega de papo e vamos para Episódio [Música] bom o uso da montaria para combate é um negócio que atravessa toda a história né não é uma coisa que se resume à
Idade Média mas quando a gente fala em cavalaria medieval a gente tá falando Especialmente de um fenômeno europeu né com uma cultura própria um sentido até de classe específico né então pra gente começar definindo do que que a gente está falando certinho né com a pegada mais acadêmica mesmo Do que que a gente tá falando quando fala em cavalaria medieval então iis quando a gente fala de unidades montadas eu sempre falo pros meus alunos que unidade montada tem basicamente em qualquer civilização reino o estado da antiguidade a idade Média e perdura até a modernidade a
gente vê cavalaria na modernidade também a gente percebe o seu uso então enquanto unidade militar ela não é exclusiva da Europa né Eu acho Como já falou é importante salientar mas o que a gente chama de cavalaria medieval mais do que uma unidade militar mas sem perder essa característica militar que obviamente é importante ela vai se caracterizar como um grupo social que vai ser regido por um determinado Código de Conduta eu acho Que essa é a chave pra gente pensar o que vai distinguir a cavalaria medieval enquanto grupo de outras unidades militares montadas né E
como a gente tem que colocar assim acho que é importante quando a gente pensa nessa cavalaria enquanto um código de conduta essa unidade militar que também é um grupo a gente tem que lembrar a gente tem que voltar para algumas coisas que muitas vezes a gente aprende até na escola né A primeira coisa delas é pensar que esse Código de conduta o Cavaleiro como protetor aquela coisa que inclusive tá no nosso Imaginário eu acho que até vale a pena a gente discutir isso mais pra frente é pensar como essa figura do cavaleiro enquanto defensor é
muito devedora da ideia de uma espécie de configuração ideológica bem característica da crien cdade Latina que é como vocês ouvintes podem lembrar que é a ideia de que a o período medieval essa ideia de média Cristã ela Funcionava como uma sociedade trifuncional era uma sociedade de três ordens a gente lembra né aquele clássico discurso do bispo al de Baron de laon uns oram outros combatem outros trabalham ou seja aqui nisso a gente pode observar como é por mais que a gente saiba que isso é uma vamos dizer um exagero sobre a sociedade que a sociedade
é muito mais complexa que isso é muito mais uma construção ideológica uma visão ideológica sobre a sociedade Do queal que é outra coisa mas o que nos importa é que é pensar que essa ideologia trifuncional ela vai delegar funções para Essa sociedade e vai dizer que é função de um determinado grupo social combater E aí eu acho que é interessante a gente até eu trouxe aqui uma fonte para apresentar para vocês que é uma fonte do século XI ou seja bem depois do discurso do dearon de laon que é do final do século X que
é uma fonte do Afonso x de Castela que é um Documento jurídico conhecido como sete partidas aí a segunda partida dessa sete é dedicada Sobre a cavalaria E aí é interessante que tem uma situação que eu acho que designa e ela retoma algumas coisas que a gente tem discutido aqui com vocês abre aspas mas na Espanha chamam de Cavalaria não porque andam cavalgando em cavalos mas porque assim como os que andam a cavalo vão mais honradamente que em outro animal Além de que os escolhidos para serem Cavaleiros São mais honrados que todos os outros defensores
fecha aspas só para explicar quando o Afonso x ele traz de novo essa ideia das três ordens só que ele chama aqueles que combatem enquanto defensores ou seja ele já designa mais do que dizer que combate que tem um grupo social uma unidade específica para combater Ela tá dizendo que é para defender esse valor do cavaleiro como a figura do Defensor então a gente vê que aquilo que vai definir a a cavalaria ele mesmo fala não É porque ele anda cavalgando e talvez na penísula B que isso seja mais interessante porque acho que a gente
pode falar isso mais tarde a gente tem justamente Cavaleiros que não são nobres que não estão Unidos nesse código de Cavalaria nesse código social de Conduta que é mais em si uma unidade militar então ele tá designando um grupo social específico que são esses Cavaleiros E aí eu queria te perguntar quando é que surge afinal de contas essa tal Cavalaria medieval que momento histórico que a gente pode falar em que essa cavalaria na forma como ela é pensada e tal quando a gente fala nessa tal cavalaria medieval Quando é que o negócio começa a engrenar
mesmo então essa é uma questão que é é muito importante e ela com tal como quase qualquer questão na história ela é ao mesmo tempo controversa e ela é assim porque ela envolve algumas questões tanto geográficas quanto cronológicas o Primeiro aspecto que a gente tem que se alentar nisso para pensar is o surgimento da cavalaria é dizer que durante muitos anos os historiadores eles viam na cavalaria até por uma questão de nomenclatura uma espécie de continuação ou mesmo devedora de um grupo social Romano uma classe social ou homônima Ou seja que os chamados Cavaleiros só
que a gente vai ver que na prática Os Cavaleiros Romanos essa classe social não tinha uma relação com O que a gente chama de cavalaria medieval tem um Historiador francês que eu inclusive vou indicar ele como Leitura para mais tarde pra gente que é o Dominique barteli e ele vai apontar justamente como é que a cavalaria principalmente aquela cavalaria que a gente chama de clássica aquela imagem do cavaleiro que a gente tem que vai se constituir principalmente a partir do século XII é fruto do que ele chama de a abre aspas senso aristocrático da Honra
E esse senso aristocrático da honra ele tá presente nas tradições sociais francas ou seja ele tá dizendo que a cavalaria essa cavalaria clássica é fruto de uma sociedade Franca Só que essa hipótese tal como basicamente toda hipótese ela tem seus problemas ela recai em alguns lugares comuns Principalmente um lugar comum da historiografia francesa quer enxergar a França como uma espécie de centro exportador de costumes assim acho que a Gente já viu isso em outros lugares que é a ideia de que ah algo nasce na França e é exportado para outros países outros lugares vão começar
a copiá-lo O problema é que que ele chama de sência aristocrático Será que ele não pode ser encontrado em outras sociedades não é por exemplo assim eu penso isso por exemplo a gente não pode encontrar esse senso de honra que me parece muito mais vinculado ao que a gente ent chaparia entre aspas muitas aspas nisso de Sociedades tradicionais do que simplesmente cidade Franca por exemplo vamos ficar entre os povos que a gente chama de entre aspas bárbaros Será que a gente não pode encontrar isso nos visigodos por exemplo talvez e mesmo que a gente Considere
a importação dessa cavaleira vamos dizer que esse ideal cavales vai ser importado por outros lugares Vamos pensar a península ibérica por exemplo ela importa esse ideal cavalares o que a gente tem que entender É que essa importação ela vai se dá a partir de uma determinada perspectiva cultural e o que que isso quer dizer quando a gente traz esse tipo de importação é a ideia de que eu só importo aquilo que me interessa e que faz sentido para minha sociedade fazia sentido para uma sociedade goda por exemplo importar no caso não mais goda Porque a
gente já tá falando do século X né vale a pena retomar o episódio sobre reconquista para identificar que reinos A gente tá falando mas para aquelas sociedades ibéricas importarem um valor aristocrático de honra cavaleiresca sociedades eram sociedades de honra Então a gente tem que ter essa noção são de fato mesmo isso são muitas perguntas não é um tema quando a gente pensa no surgimento da cavalaria é um tema muito complexo que isso vale para muitas pesquisas futuras inclusive ouvintes que queiram se interessar por esse tema que queiram seguir é um caminho aberto ainda Hoje mas
eu acho que seguindo ainda pra gente pensar como surgu a cavalaria de fato a gente tem que pensar em algumas coisas como quase tudo na história e é quase tudo na história mesmo tem muito debate sobre isso e não há necessariamente um consenso a gente vai ver que por exemplo tem muito autor que é favorável ao uma tese que eles chamam de tese mutacionista no qual eles vão afirmar que a partir do ano 1000 vai surgir uma nova classe social que a Gente entende o o nome dessa classe social seriam oiles né a milícia que
em latim antigo significava soldado mas que se a gente for olhar a partir do século X significaria essa nova classe social que a gente comummente chama de Cavaleiros e aqui isso até interessante já trazer esse ponto eu trabalhei na minha dissertação de Mestrado com duas documentações que uma era uma tradução da outra uma versão em latim do século X que é a gesta comon barkin Nenum uma versão em Catalão medieval que é a gesta das contas de Barcelona e Reis darago a segunda em Catalão é uma tradução da primeira mas ela se dá no século
XIII dá mais ou menos uns 70 anos depois e é interessante mostrar como também a gente vê uma transformação social até no próprio vocabulário no século X esses Cavaleiros especialmente um cavaleiro que aparece na estral dessa genealogia é designado como Miles tá lá em latim a palavra Miles anos depois Nessa versão em Catalão a gente já vai compreender que esse mes é traduzido como cavaleir Ou seja a gente já tem nesse processo de um século se ainda havia no século XII alguma dúvida de que esse Miles era designado como um cavaleiro como um vassalo como
alguém importante para aquela sociedade no século XI ele definitivamente já é o Cavaleiro Mas voltando aqui quando eu falei que era um debate muito importante para pensar esse surgimento da cavalaria E eu falei que a gente tem uma primeira tese que é essa tese mutacionista a gente tem uma outra tese e um dos autores que encabeçam essa outra tese por exemplo é o Dominique balem o qual eu já falei antes qual eu já me designei antes que ele vai apontar que o que a gente identifica como o germe da cavalaria mais do que observado só
no século X a gente já pode ver ele no período Carolino ele vai dizer por exemplo que o próprio termo milles que Na maior parte dos documentos ele significava uma ideia de vassal didade isso pode apontar que no período carolingio mes já não era simplesmente um soldado mas um cavaleiro E aí o que a gente vê também é que nesse período carolingio pensando em termos militares e e sociais porque não tá separado isso o soldado de Infantaria ele vai virar quase uma figura obsoleta tem um Historiador que eu gosto muito que é o Bruno de
mesil ele tem um capítulo num Livro que eu também indico bastante que é o história da virilidade é uma série de volumes que passa da antiguidade ao mundo contemporâneo e no no volume específico no qual vai discutir o período medieval ele vai afirmar que a figura desse Guerreiro montado ela vai se afirmar isso no período Carolino ela vai se afirmar como um ideal masculino e que esse mesmo ideal ele não podia ser alcançado por todos e por dois motivos inclusive muito simples O primeiro é que Nem todo mundo teria tempo para treinar para ser esse
soldado de Elite a gente tem que pensar que demanda muito tempo ou seja um Vamos pensar que um camponês que tenha que arar a terra todos os dias não vai ter tempo para ter esse treinamento de Elite né que configuraria essa cavalaria e ao mesmo tempo uma outra questão que envolvia e já é marcava esse processo de distinção social importante pro surgimento da cavalaria é o custo do material para ser Esse guerreiro montado a gente vai pensar que um cavalo não era barato mesmo que a gente for pensar nesse período Carolin a gente ainda não
tem armaduras tão caras quantas que a gente vai ter nos séculos seguintes mas a gente já tem mesmo uma loriga uma roupa de couro batido é muito cara uma espada é cara manter todos esses equipamentos pra guerra são caros então não era qualquer pessoa então aqui a gente já afirma um processo de disão social que Tá marcado no surgimento dessa cavalaria no próprio período Carolino mas assim pensando ainda na questão de classe e tal qual é a diferença entre ser um cavaleiro e ser um Nobre tem diferença Então parece que eu tô sendo meio repetitivo
aqui mas eu falo que assim todas as questões são problemáticas nessa talvez seja um pouco menos problemática que as outras mas a gente tem que entender que ela é uma questão que tem respostas diferentes para Temporalidades diferentes Então se a gente for observar nos primeiros séculos essa diferença vai ser mais clara porque se a gente observar a origem social desses Cavaleiros por mais que a gente saiba que não camponês tem tempo e dinheiro para virar esse Cavaleiro a gente também sabe que um membro da alta nobreza não é um cavaleiro o que a gente encontra
mais ou menos claro é que esses Cavaleiros nos primeiros séculos eram membros de uma baixa nobreza muitas Vezes até segundo terceiro filho ou até mesmo fora da nobreza um camponês que tivesse um pouco mais de terras dependendo tivesse um pouco mais de herança pudesse guardar um pouco de seu tempo então às vezes mesmo próprio camponês desse período poderia se transformar nessa figura do cavaleiro né quando a gente chama de Cavalaria de ordem a gente não tem ninguém pedindo carteirinha né não tem que se inscrever no sindicato dos Cavaleiros não rola Isso mas e o que
que é interessante quando a gente aponta isso a gente já sabe que não eram membros da alta nobreza não eram camponês base mas o que a gente pode identificar que são membros de uma baixa nobreza ou até mesmo de uma de fora da nobreza com um pouco mais de dinheiro e tempo só que que é interessante é que a gente vai apontar tá beleza a gente sabe mais ou menos o que que é o Cavaleiro agora o que que era um aristocrata o que que era nobreza Nesse período tem um Historiador que eu também gosto
muito que o Chris wickham ele tem um livro que recentemente foi traduzido por português que é o legado de Roma e ele vai afirmar que no final do período Carolino e no início do que a gente vai comummente chamar de período feudal o que caracterizaria esses nobres seriam três características principais Primeiro as vestimentas e quando a gente tá falando de vestimenta são roupas caras às vezes de seda com algumas Placas de metal habilidade militar e a caça então seriam essas três características que distinguiram nobres e não nobres se a gente tirar as vestimentas e talvez
assim quando eu tô dizendo tirar talvez é nem uma coisa que a gente pode ter tanta certeza pensando para esse período o que que caracterizaria o Nobre e o Cavaleiro em si não seria lá muito diferente o que que a gente pode supor são algumas hipóteses que a gente pode traçar é que Ou a cavalaria vai tentar inicialmente copiar os padrões de comportamento da nobreza plausível ou esses padrões seriam simplesmente comungados pelos dois grupos a considerar se a gente for pensando aqui pro período Carolino que os dois teriam a venda dessa herança Franca né então
a gente pode dizer que as duas hipóteses elas são plausíveis a gente não pode firmar Com certeza assim bater o martelo e dizer é um ou é outro mas são coisas que a gente pode pensar e Refletir sobre saindo desses primeiros séculos a gente vai observar o quê que a que se a gente for avançar no período medieval a gente já não vai conseguir mais diferenciar muito bem o que que é um cavaleiro e o que que é um Nobre porque o que acontece principalmente a partir dos séculos 12 13 14 é que toda a
nobreza seja ela baixa nobreza ou alta nobreza ela vai se espelhar e vai incorporar os padrões de comportamento que são vinculados ao que a gente chama De Cavalaria Então se a gente for perto de séculos 12 e 13 você não vai encontrar a diferença entre o que é um Nobre e o que é um cavaleiro você pode até talvez ver que aqueles que talvez identifiquem única e exclusivamente como Cavaleiros não compõe a alta nobreza mas alguém que seja da alta nobreza seja um Conde ou mesmo um rei vai comungar dos mesmos valores vai seguir as
mesmas práticas que um cavaleiro ou que se esperaria de um Cavaleiro você está ouvindo o história [Música] [Aplausos] [Música] FM bom Eu imagino que a cavalaria tem particularidades culturais particularidades de classe bem específicas né que existe uma cultura cavalheiresca digamos assim eu queria saber o que que você considera que são essas particularidades cavalheiresca e como é que elas vão mudando com o passar Do tempo porque afinal de contas quando a gente fala em Idade Média né se a gente pegar esse recorte tradicional que as pessoas falam de idade média são praticamente 1000 anos então é
é muito tempo para muita coisa mudar então o que que a gente falaria dessas particularidades é então você falou dos 1 anos não é à toa que em alguns cursos de graduação a gente já vê essa disciplina são ao menos duas disciplinas né medieval um e medieval dois que Afinal é muita coisa pra gente discutir e às vezes eu brinco que é interessante por exemplo ex você faz uma disciplina sobre igreja como se assim a igreja fosse a mesma coisa do final da antiguidade até o final da idade média as coisas são muito mais complexas
e se transformam de década para década Mas voltando paraa cavalaria o que que definiria essa Cultura cavalares né Eu acho que a gente já falou um pouquinho já deu um pouco das bases no final do Bloco anterior quando a gente falou de alguns padrões de comportamento né a gente falou essa questão da habilidade militar óbvio que um cavaleiro tem que ser é um bom Guerreiro né Eu acho que isso talvez seja uma característica quase que óbvia mas a gente tem a caça também é muito importante a questão das vestimentas E aí que é importante que
isso também já foi falado que vão ser justamente esses padrões de comportamento que vão culminar em Códigos de Conduta que vão formar o que a gente chama de Cavalaria a gente não existe cavalaria sem essa cultura cavalares e aí aqui eu trago uma coisa que eu acho que é é importante a gente retomar um jeito interessante do Bert Alem expressar O que define essa cavalaria é que a cavalaria medieval cavalaria medieval gosta duas coisas um de se mostrar e dois de ficcionar o Cavaleiro basicamente seria o cara top no tinder que dá uma mada nas
coisas e Tirando a brincadeira o que que isso quer dizer o que que gosta de se mostrar e o que que é ficcionar uma coisa que tá bastante no Imaginário das pessoas é eu vou tomar aqui como um exemplo são os torneios medievais tá lá no nosso Imaginário seja em filme e séries a ideia do torneio medieval ela tá mais ou menos caracterizada no nosso Imaginário Vale lembrar que os torneios medievais principalmente no que a gente vai chamar de alta idade média e mesmo depois Idade Média Central são menos parecidos com o que a gente
vê nos filmes a gente vê no filme normalmente é aquela cerquinha no meio um cavaleiro em cada lado os dois se encontram para tentar quebrar lança um do outro é muito arrumadinho e os torneios medievais não eram tipo o coração de Cavaleiro eu quero falar sobre o coração de cavaleiro depois mas tá a gente volta Nesse mais sagem é que eu acho que ele vale a pena Sera retomado mas assim é muito arrobadinho E Por que que eu digo isso eu vou indicar alguns livros dele o grande autor sobre cavalaria apesar de algumas características dele
estarem um pouco ultrapassadas eu acho que alguns livros dele são muito importantes e mais do que isso os livros dele são de fáil acesso tanto por encontrar na internet quanto de fáil acesso pro público em comum porque esse autor que eu vou falar é o Jorge B ele tem uma série de livros que foram feitas pro público em geral também São de daquelas grandes coleções francesas que são para Barra academia a versão de história pública que eles tinam no final do Século XX e eles são de fácil acesso de leitura são livros com poucas notas
de rodapé mais notas de fim eu sei que a gente odeia nota de fim mas são poucas notas mesmo assim é um livro que é feito pro público e num desses livros que é o que é o livro Guilherme Marechal ou o melhor Cavaleiro do mundo e eu vou retomar um pouco desse Arem mais pra frente o Jorge de B ele vai apontar como esses torneios eles funcionavam como testes da prática militar e esses torneios eram muito mais coletivos do que individuais por exemplo um grupo de cavaleiros tinha que vencer outro grupo de cavaleiros aí
envolvia O Sequestro de um outro Cavaleiro num Grande campo esses torneios não tem nada de limpo e com uma arquibancada e isso é claro obviamente a gente tá falando de torneios que vão existir principalmente Na alta idade média e da idade Méia C e tal se a gente for mais pro final da Idade Média a gente vai encontrar esses torneios mais próximos do que a gente tem no nosso Imaginário mas nesse momento não os torneios eles estavam muito considerados como um treinamento Só que mais do que treinamento porque isso também é importante esses torneios eram
uma forma de demonstração social nada era mais e interessante para um cavaleiro do que ganhar um torneio ou Mesmo se mostrar nesse torneio ele ganhava sua fama obviamente uma batalha era mais importante mas se sair bem num torneio era importante pra Construção da fama de um cavaleiro e para esses Cavaleiros era muito importante então a gente vê por exemplo como nesses torneios vão exercer esse papel uma outra coisa que a gente pode pensar no que vai caracterizar essa cultura cavaleiresca é como também vai se desenvolver nessa cultura Pouco a Pouco Uma ideia de uma cortesia
Ou seja que o Cavaleiro ele não pode ser só tiro porrado e bomba versão medieval não é só flecha catapulta e Espada ele tem que ter uma virtude que é muito veiculada Entre esses Cavaleiros seria por exemplo a virtude da temperança que eu não posso ser explosivo eu tenho que ser calmo eu tenho que ponderar então começa a aparecer por exemplo trabalhei já com esse tipo de documentação que mostra se a gente for observar no século 12 a Gente já vai ver ah o Cavaleiro ele é importante porque ele é forte porque ele luta bem
porque é habilidoso ele sabe caçar eu tem um um Conde que eu gosto de de como ele é conhecido né é o Raimundo berengario Raimundo berengario foi um homem doce Largo e bom de armas e até interessante a gente pensar o que que significam esses adjetivos né o último deles é o mais plausível que a gente espera de um Nobre Cavaleiro ser bom de armas o segundo deles largo não tem nada A ver com largura é importante salientar Esse aspecto Largo aqui tem a ver com a largueza o que que é largueza é uma virtude
muito típica dessa nobreza que é a ideia de que eu não posso guardar dinheiro eu tenho que esbanjar ele é basicamente esses nobres têm que ser Reis dos camarotes são os nobres do camarote tem que gastar o dinheiro porque assim por exemplo num torneio tu ganha dinheiro no torneio mas tu não pode acumular esse dinheiro tu tem que Gastar esse dinheiro e aqui a gente não tá falando de calidade Cristã qualidade Cristã também é importante mas aqui a gente tá falando de fazer uma festa um banquete organizar um outro torneio todas essas características são importantes
para cavalaria né essa largueza também tá muito relacionada ao se mostrar e aqui é interessante também para salientar Esse aspecto que a largueza também funciona como um meio de distinguir os cavaleiros e os nobres de Grupos sociais como os Mercadores por exemplo que aí os Mercadores estão Associados à ideia de que eu vou pegar o dinheiro e guardar o dinheiro não nós nobres e Cavaleiros pegamos o dinheiro e gastamos o dinheiro então Isso também funciona como meio deção social voltando pro Raimundo berengário a gente já discutiu que ele é bom de armas porque é um
valor esperado a largueza a gente também já explicou mas o que que é essa docilidade dele O que que significa ele Ser doce aqui a gente já tá falando de um Nobre Cavaleiro que tem que ser Cortez ele tem que ser calmo ele tem que ser doce ele não pode ser simplesmente explosivo então a gente vê como vai se configurar nessa cultura cavalares essa necessidade de não ser só violento a gente já vê um pouco se desenvolvendo essa questão da cortesia que vai ser principalmente a partir do século X e o que que a gente
pode falar sobre a como é que eu posso dizer a domesticação da Cavalaria não em termos de domesticar o cavalo o animal em si mas domesticação dessa classe mesmo né de como é que as coisas vão se padronizando digamos assim é então é é interessante falar isso porque a domesticação da cavalaria é sempre um termo que a gente tem que usar entre aspas porque não vai ninguém lá pede pro cavaleiro fazer uma coisa e depois dá um biscoitinho da boca dele não a gente não tá falando desse tipo de domesticação e essa domesticação como eu
Falei agora ela é muito muito problemática por uma série de aspectos em geral quando a gente fala de domesticação da cavalaria a gente tá falando de uma ideia de que primeiro da igreja querendo apaziguar cavalaria Mas aí o que que a gente tem que falar primeiro que a historiografia quando vai construir essa ideia da domesticação ela também falava que esse período pós Carolino início do que a gente vai caracterizar como era feudal é um Período quees alguns autores até chamam de anarquia feudal é guerra para tudo que é lado é aquela até aquela imagem clássica
do Monte Python que tá lá o jornalista andando de um lado e aparece um cavaleiro e corta a cabeça dele essa ideia da idade média como uma idade da violência e aí sugeria a igreja para apaziguar e controlar o Cavaleiro E aí cristianiza esse Bárbaro Cavaleiro Então isso é uma consolidação da historiografia que já há muitos anos se Debate e se sabe que não que não é por esses caminhos mas eu acho o que que a gente pode demonstrar como é que funcionaria mais menos entre aspas tomando muito cuidado pra gente falar isso quais são
alguns aspectos que circundar essa domesticação da cavalaria a primeira que vai aparecer em alguns livros é como a igreja a partir de encontros conciliares vai estabelecer o que se chama tanto de trégua de Deus como paaz de Deus as duas em si são um Pouco parecidas e a ideia por trás é que é basicamente controlar a violência controlar os dias aos quais você poderia atacar ah por ex não se pode combater nos domingos não se pode atacar terras eclesiásticas eu sempre lembro daquele vídeo do Porta dos Fundos né que é o ma OMC Ah é
me roubaram e aí ele aparece com a lei do não roubarás é basicamente assim a igreja falando ó gente não pode atacar Terra eclesiástica aí é pecado atacar terra eclesiástica e assim a Gente fala isso mas uma das Linhas historiográficas recentes recente até já alguns anos inclusive aponta justamente para isso que essa esse caráter essa visão negativa da cavalaria e a promulgação da Paz de Deus e trégua de Deus tá muito mais relacionado com a intenção dessas igrejas vão pensar não como igreja uma coisa centralizada nesse momento mas como vão tentar aumentar ou mesmo proteger
os seus territórios eclesiásticos né tá menos a ver com a Violência e com a proteção desses camponeses que sofrem na mão dos Cavaleiros né que é num discurso comum então a domesticação de Cavalaria tá nesse momento em que a gente diz qua dias que pode exercer violência em que lugares já se começa a cristianizar a figura do cavaleiro há um processo em que esse Mundo Cristão começa já a entrar até na própria questão do ritual cavalares isso aqui é importante uma coisa que até então fazendo um Parênteses eu não tinha discutido que é sobre o
rito de adubamento né O que a gente chama do rito cavalares O que é aquela imagem clássica batendo a espada nos ombros e da cabeça e a pessoa se levanta como Cavaleiro A grande questão é que a gente não tem um ritual específico ele não aparece na documentação Ah é só esse modo a gente vê em alguns momentos espargos documentos ritos diferentes então só para deixar claro havia um ritual para Entrar na cavalaria mas é muito complexo afirmar Quais são os o passo a passo desse ritual né Mas voltando aqui pra domesticação da cavalaria uma
outra coisa que aparece vinculada a domesticação da cavalaria é a ideia de uma literatura cavalares e para falar dessa literatura cavaleiresca a gente tem que apontar uma coisa que é importante o que acontece na historiografia ela vai distinguir dois tipos de cavaleiros Os Cavaleiros ideais Que são os cavaleiros que aparecem né nessa literatura cavaleiresca que a gente vai pensar em Artur todo o ciclo arturiano a gente vai pensar na canção de rolando a gente vai pensar no Cantar do mil sed Então essa Literatura cavaleiresca e aqui estaria o Cavaleiro ideal e aí a gente tem
cavalaria real que é o Cavaleiro sujo que vai aparecer as crônicas é onde tem a violência Onde tem um cavaleiro mais pragmático E aí o que que é importante a gente dizer que Primeiro há uma série de problemas Quando a gente distingue o Cavaleiro ideal do cavaleiro real primeiro que a gente pressupõe um caráter de realidade nessas crônicas que para quem já viu o episódio sobre reconquista Lembra que eu falei que uma mesma crônica que fala sobre seus Cavaleiros também fala F sobre dragão invocado por necromantes muçulmanos Então a gente tem sempre que ponderar sobre
esse critério de realidade que às vezes a gente dá paraas Crônicas medievais segundo aspecto é que a gente esquece que mesmo dentro dessa literatura cavaleiresca a gente vai encontrar os cavaleiros que não são ideais também a gente vai encontrar o Cavaleiro violento a gente vai encontrar o Cavaleiro que reza muito o Cavaleiro que reza pouco o Cavaleiro que se entrega aos seus desejos carnais o Cavaleiro que faz a sua vingança então mesmo dentro dessa literatura cavaleiresca a gente tem múltiplos Cavaleiros só que dentro dessa literatura a gente pressupõe também os exemplos ou seja do ciclo
arturiano há determinados exemplos de cavaleiro mesmo os exemplos negativos mas que é justamente para ensinar para mostrar Ah o Cavaleiro deve se portar assim Cavaleiro deve se portar desse modo Mas isso é uma coisa que eu gosto de falar não caindo nessa oposição entre Cavaleiro ideal e Cavaleiro real só uma uma coisa que eu já conheci o alguns Anos eu falo isso para ele há bastante tempo e a gente concorda nisso que é se tem uma placa não pise na grama é porque as pessoas pisam na grama se eu falo que um cavaleiro não deve
sair cortando cabeça de amiguinho é porque existem Cavaleiros cortando cabeça de amiguinho é o famoso se tem placa tem história é então quer coisa mais normal todo mundo aqui já andou numa cidade viu uma praça tem o não na grama aí tu olha pra grama tem um monte de caminho amassado com a Grama meio amarelada de gente pisando é isso que a gente faz nesse momento a gente observa Justamente que se existia essa literatura que dava exemplos de como seria se um cavaleiro deveria se portar a gente tem pressupor que de fato que os cavaleiros
muitas vezes não se comportavam assim e a gente tem uma série de Isso parece também e muito nas crônicas mais uma vez não tentando recair naquela oposição entre Cavaleiro ideal e Cavaleiro real os cavaleiros os Tidos como violentos por exemplo a gente tem uma ideia de nossa Cavaleiro tem que ser bondoso não Cavaleiro vai ser na guerra o Cavaleiro vai ser honrado Gente vou citar aqui dois exemplos do reino de Aragão que é um reino que eu trabalhei bastante tempo primeiro jaim primeiro de Aragão Cavaleiro vai lá tá num cerco há uma resistência desse cerco
era um conflito contra muçulmanos e os muçulmanos perdem essa resistência ainda no cerco o jaim vai lá manda cortar a Cabeça desses muçulmanos que resistiram e perderam coloca em catapultas e arremessa dentro da cidade vocês acham isso honrado e o Jaime primeiro era um cavaleiro que na autobiografia dele ele se definia como um rei extremamente cavaleiresca era o Cavaleiro tem alguns historiadores falam que ele o Ricardo o coração de leão por exemplo são os últimos grandes Reis cavaleiros da idade média um outro exemplo que a gente pode dar é o filho dele o Pedro I
de Aragão Aragão entra em guerra contra a França a França chega inv de atravessa os Pirineus e invad o reino de Aragão mas acaba por uma doença que acaba circulando entre os cavalos o rei francês morre no conflito eles acabam tendo que ir embora abandonar a guerra que que o Pedro io faz ataca a retaguarda quando eles estavam indo embora o que que tem de hrado nisso então a gente vê que na prática quando a gente olha pra prática a gente vê que Esses Cavaleiros são muito mais pragmáticos do que a gente imagina que tá
no nosso Imaginário e muito mais pragmáticos que aparecem na literatura não que esses caval caleiros pragmáticos não existam eles estão lá mas essa literatura vai promulgar determinados exemplos e aqui também uma coisa interessante a gente fala de domesticação de Cavalaria e esse termo de fato ele pressupõe essa ideia de que vai lá a igreja ou o trovador que Escreve essa canção de um cavaleiro parece que ele vai lá e dá um biscoitinho pro cavaleiro se o Cavaleiro se comporta só que o Cavaleiro não é isso isso que é importante esses exemplos a cavalaria vai incorporar
esses exemplos porque os cavaleiros querem incorporar esses exemplos porque faz sentido para eles incorporarem isso isso é uma coisa que a gente tem que sal lend a cavalaria não é domesticada por uma força exterior ela quer incorporar Esses aspectos ela quer seguir esses exemplos porque mais uma vez esses exemplos estão fundados numa sociedade são vistos obviamente como positivos e retomo o que o bartal aponta duas coisas que os cavaleiros gostam de fazer ficcionar e se mostrar essa literatura cavales ca esses exemplos esse porte do cavaleiro mais dócil é importante pra própria figura dessa cavalaria esses
Cavaleiros querem isso E aí aproveitando que a gente tá falando de Cavalaria e Tal queria te perguntar uma coisa quando a galera fala em cavalaria tem o pessoal que pensa nessa cavalaria que a gente tem falado até agora coisa do torneio lembra dos filmes e tal mas tem uma parcela do pessoal que lembra de cruzadas né E aí eu queria te perguntar se existe uma diferença dessa Cavalaria do do dia a dia entre aspas né mais corriqueira da dessa Europa central da cavalaria que vai pro Oriente Médio que vai pras cruzadas tem diferença é o
o Cavaleiro o Cavaleiro medival é o Cavaleiro proletário né então a cavalaria de cruzada é cavalaria diferenciada mas piadinhas à parte eu acho que essa questão é interessante e para essa questão para pensar essa distinção entre os cavaleiros corriqueiros aos cavaleiros cruzados a gente pode trazer um documento de um cisterciense muito conhecido que é o Bernardo de Claraval e o documento específico é o Traduzindo para o nosso português é o louvor da nova cavalaria E aí o que que o Bernardo de Claraval chama essa de Nova cavalaria ele tá falando dos Cavaleiros que estão se
estacionando em Jerusalém e tão adquirindo dessa postura mais de monge mais monástica associando essa figura bélica e ele tá falando desses Cavaleiros que estão estacionados no templo de Jerusalém ao leit tor é e o ouvinte a gente tá falando de um documento especificamente falando sobre A ordem do templo né ou seja sobre os templários E aí o que que é interessante nesse documento ele vai se dizer é que quando a gente tá falando de um louvor a nova cavalaria obviamente eu tô dizendo que se existe uma nova cavalaria existe uma velha cavalaria e por mais
que ele não use o termo velha cavalaria ele vai distinguir entre dois tipos de cavaleiros o que a gente chama de Miles crist que é o Cavaleiro de Cristo no caso específico ao qual o Bernardo de Claraval se volta são esses Cavaleiros Templários e os o milise secular que é o Cavaleiro do século o Cavaleiro secular o Cavaleiro mundano o que que ele mostra assim isso é é muito interessante e ele vai dizer por exemplo como esses Cavaleiros mundanos eles guerreiam entre si eles se portam mal como esse Cavaleiro mundano quando ele luta ele arrisca
não só o seu corpo mas também a sua alma porque no momento que ele brande a espada dele ele não tá só Arriscando ele morrer fisicamente o corpo mas como ele vai ele mata sem uma boa intenção e há toda uma discussão nesse documento o Bernardo ele aponta que mesmo que seja para autodefesa no momento que ele vai tentar se defender sem ter uma boa intenção ele já arriscou a alma dele já a alma dele morre e ele vai mostrar como esses Cavaleiros mundanos são só designados da Nação e ele vai mostrar igualmente assim para
contrapor que esse Miles crist esse Cavaleiro de Cristo Ele mesmo que o corpo dele se arrisque na na guerra afinal ele tá lutando a alma dele tá protegida porque ele vai lutar Em Nome de Deus então mesmo que ele mate alguém ele não é nem Perdoado porque a própria ação dele já é uma obra divina Então esse milis crist ele tá salvo em sua essência e aí o que que é interessante eu acho isso muito legal trazer o que que o Bernardo de Claraval assume como comportamentos positivos do milis crist O milis crist não gasta
seu dinheiro com vestimentas caras o mes crist ele corta seu cabelo e corta a barba ele não perde seu tempo em torneios não perde seu tempo em caçadas ou seja tudo que ele tá falando que o o Miles crist não faz é justamente o que caracteriza a cavalaria é o que vai configurar O que que a gente já eh discutiu aqui no nas perguntas anteriores o que vai configurar esse Cavaleiro então só a partir desse documento a gente pode ver como as Cruzadas elas são importantes pra gente pensar essa cavalaria primeiro que a gente já
vai ver que a guerra que se exerce ela aparece como uma forma de alcançar a salvação então a gente já vê que esse tipo de possibilidade que já com a própria promulgação das Cruzadas já aparece a gente vê algumas coisas anteriores mas que a gente pode discutir em outro podcast mas também nesse documento a gente vê como já há o que muito relacionado à pergunta anterior Essas tentativas de entre aspas domesticar a cavalaria eu digo que Cavaleiro não pode participar de torneios digo que o Cavaleiro não pode caçar eu digo que o Cavaleiro não deve
perder tempo com armaduras douradas ele deve só se vestir deve est com cabelo cortado a barba feita Então vou designar como é que que um cavaleiro deve se comportar bem justamente indo contra o que tá na base da cultura cavaler esca né que a Caçada o torneio é o se mostrar Né Então o texto do Bernardo de Claraval ele nos traz essa possibilidade de justamente pensar como é que a cavalaria vai ser pensada nesse universo Cristão mais monástico né E aí eu queria te perguntar uma coisa um pouco mais eu não sei se eu posso
dizer mais material porque não é como se tudo que a gente tivesse falado até agora não não tivesse base na realidade mas a gente tá discutindo muito conceito tal e aí eu queria te perguntar se tu pode mencionar Alguns Cavaleiros específicos do período medieval sujeitos históricos que por algum motivo se tornaram conhecidos ou aparecem nas fontes e são lembrados e citados até hoje né então eu acho que tem alguns personagens que a gente pode pensar especificamente Eu acho que o primeiro deles ao R tem que ser o Guilherme Marechal e não porque ele é chamado
de o melhor Cavaleiro do mundo apesar de este ser um dos epítetos que dão a ele né o melhor Cavaleiro Obviamente num contexto em que ele circula né que é o contexto Anglo francês o próprio Guilherme Marechal né que ele é um cavaleiro importante no reino da Inglaterra participa da educação R ele aparece nos torneios nesse livro é um livro que eu particularmente indico muito ele mostra como esses Cavaleiros não são principalmente esses que vão figurar em grandes nomes em geral não são isso uma importante não são primogênitos de Grandes famílias de um modo Ger
a gente tá falando às vezes de segundo terceiro quarto filho Aquele filho que assim não serve nem pra igreja sabe deu uma idade já filho tu vai ter que sair e vai ter que fazer tua vida aí esses Cavaleiros né vão vão tentar suas formas de ensão social ou mesmo formas de se manter vivos né e justamente são os personagens que a gente conhece são personagens que advém de uma baixa nobreza e que alcançam uma certa notoriedade e de uma De certa forma também alcançam uma assão social que é interessante que normalmente a gente pensa
a idade média como socialmente estagnada assim ah você não pode acender socialmente a gente vai ver que não era possível obviamente a gente tá falando de uma ascensão social dentro da própria nobreza a gente tem o caso do Guilherme Marechal na Inglaterra um outro caso também que vale a pena retomar aqui é o caso do meu personagem Favorito totalmente das séries que é o Lcd l o Rodrigo Dias e vivar que ele era membro de uma baixa nobreza era então ele e ele vai ser tornar conhecido a partir dos seus feitos militares a gente tem
um caso parecido em Portugal é um personagem que dá para chamar assim obviamente tal qual o Guilherme Marechal Lembrando que Guilherme Marechal é o William Marshall sei que o William Marshall parece muito mais legal que Guilherme Marechal mas a portugues and o nome é esse e similar também com El Sid Que é o Geraldo sem pavor que era um líder de um bando português que tomava castelos muçulmanos também um cavaleiro que é atacava a noite e ele era uma espécie de lenda que circulava Mas a gente não sabe necessariamente ser é lenda Mas isso é
importante que por exemplo a gente fala do El Sid obviamente a gente tem documentação que prova a existência do El Sid mas ao mesmo tempo o que a gente mais conhece do El Sid é uma canção posterior feita Sobre ele que é o cantar de m Sid o mesmo Vale pro Willian Marshall a gente sabe da existência do Will Marshall mas um dos grandes documentos que pelo qual a gente vai conhecer ele é uma biografia encomendada pelo filho do William Marshall então esses Cavaleiros Vamos colocar esses Cavaleiros reais né que a gente conhece os nomes
a gente conhece os feitos que envolvem torneios normalmente esses Cavaleiros são personagens que circundam o rei ou pelo Menos alguém importante esse personagem que a gente conhece então esses Cavaleiros reais as histórias deles também estão permeadas por um caráter lendário assim então essas coisas se misturam bastante mas assim ó pensando aqui eu acho que são esses alguns personagens Como Ricardo Coração de Leão acho que o Ricardo que é uma figura rég né é um cavaleiro tem aquela quase um topos que basicamente quando a gente fala de cruzadas a gente tem essa ideia Desse encontro Pacífico
entre o Ricardo o coração de leão e o Saladino né aquela coisa honrada do cavaleiro então isso também o Ricardo é importante é um cavaleiro que figura bastante no nosso Imaginário e a gente vai ter outros na França na na península ibric que às vezes a gente acaba esquecendo mas ex é importante salientar essa estrutura cavalor esca na península e eu acho que é interessante a gente mencionar também que assim quando a gente vai estudar História e isso é uma coisa comum até para entusiastas de história nem tô falando de gente que faz graduação nem
nada mas quando a gente vai ler sobre história e tal a gente começa a encontrar histórias de personagens históricos que a gente acha fascinantes e que a gente nunca tinha ouvido falar e eu acho que é interessante lembrar disso porque porque talvez muitos Cavaleiros no período medieval tenham tido trajetórias de vida fantásticas Fascinantes que são histórias assim que se fosse possível descobrir seriam engajante Mas a gente não fica sabendo então querendo ou não o que sobrevive dessa época muitas vezes desrespeito a quem pôde quem teve a capacidade de deixar registro sobre si ou quem teve
o privilégio de alguém querer registrar algo sobre eles né seja ficcional ou não então a gente tem que levar em consideração isso né muitas histórias se perderam e muitas das que sobrevivem Sobrevivem também porque alguém quis que sobrevivesse não apenas porque eram fantásticas em mesmas né e icles é muito legal tu ter falado isso porque isso é igualmente um desejo desses Cavaleiros esses Cavaleiros querem ser lembrados eles fazem de tudo quando a gente fala que quando balem e e o ratom ISO que os cavaleiros gostam de se mostrar eles não querem se mostrar só paraas
pessoas que estão vivas eles querem se mostrar pras pessoas que virão depois e isso é uma Coisa que a gente tem que pensar né nessa cultura cavaleiresca então por exemplo normalmente em crônicas quando a gente fala de a um cerco E aí a gente tem a tomada de uma cidade por exemplo tomada de um castelo é muito comum a gente nomear os primeiros que entram numa Muralha é muito comum e isso é tido com uma qualidade Olha como eles são Corajosos Olha como eles fizeram isso Às vezes tem Cavaleiros que eles nunca apareceram antes só
apareceram nomeados A Nuno Rodriguez lutou bem no cerco de Bad Ross nunca mais vai falar daquele Nuno Rodriguez mas ele apareceu ali naquele momento porque ele lutou bem naquele cerco às vezes também aparece por tal Cavaleiro Dom I lutou bem na na batalha do alentejo então isso aparece bastante então esses Cavaleiros também gostariam de ser lembrados eles se exercitam para serem lembrados isso é uma coisa bem importante que a gente tem que salientar quando a gente fala da [Música] cavalaria se você quiser colaborar com o história FM você você pode fazer isso via pix usando
a chave leitura obrigahistória @gmail.com e assim você colabora para manter esse projeto Educacional gratuito no [Música] ar bom E quando é que essa cavalaria começou a perder o poder como é que ela foi se desfazendo como é que ela foi Mudando não digo desfazer porque a cavalaria continua ser usada como unidade militar né mas essa ideia de cavalaria que a gente discutiu até agora como é que isso vai se dissolvendo digamos assim então a gente pode quando a gente fala dessa crise da cavalaria a gente pode pensar ela de dois modos a primeira delas a
gente pode pensar numa crise Militar da cavalaria e o que que é essa crise Militar da cavalaria se a gente for pensar no nos séculos 12 1 o Jorge Dub também tem um livro muito legal sobre isso que eu também vou indicar que a batalha de bouvine o que que ele fala ele mostra como nessas guerras de um modo geral nobres não morriam por dois motivos um o próprio equipamento deles e o treinamento né é fazia com que eles fossem bons e fosse um pouquinho mais difícil deles morrerem em Batalha dois porque não era vantajoso
matar um outro NOB em batalha numa guerra ou mesmo Num simples conflito era Muito mais interessante eu raptar esse Nobre sequestrar Um nobre ou um cavaleiro para que eu pudesse às vezes negociar uma paz ganhar o resgate sequestrar Cavaleiro para dar Resgate assim era terça-feira o pessoal acha que sequestro relâmpago foi inventado no Brasil não pessoal na Idade Média já fazia isso uma prática até relativamente comum então valia muito mais a pena manter um não matar um cavaleiro simplesmente é abater ele vener ele em Batalha do que matar ele isso tá interessante que o Jobin
mostra como essas Fontes que vão narrar a batalha de bovini no século XI Os Mercenários que não teriam muito essa característica justamente porque muitos deles não seriam nobres o que na verdade a gente vê que muitos deles na verdade compõe uma baixa nobreza eles eram aqueles quarto quinto filho de um Nobre como eles não ligavam muito para essas práticas e acabavam matando nobres aí Por isso que esses Mercenários são pessoas más E aí o que a gente vai ver é que se n nos séculos 12 e 1 a cavalaria não morria tanto e quem na
prática morrer em batalha era Infantaria a gente tem algumas mudanças no século X uma das primeiros sinais dessa mudança a gente vai ver logo assim nos primeiros anos do século XIV que é na batalha de courtrai talvez eu esteve falando cra errado que eu não sei francês que ela foi travada em 1302 entre a França e a cidade de Flandres se a gente for pensar o que era a composição do exército a França ganharia fácil porque seria uma vitória muito rápida da cavalaria francesa principalmente se a gente considerar que as milícias flamengas flamencas elas possuem
só uma pequena cavalaria assim eram bem poucos Cavaleiros e a maioria do exército era formada por soldados a pé só que o que acontece é que essas milícias de Flandres Qual foi a estratégia militar deles essas tropas Elas se colocaram de costas pro Rio Curuá e elas vão formar uma espécie de uma formação de ouriço que eles utilizam uma arma que se chama Golden Dag que é parecido como uma lança não é uma mistura de clava E lança e a partir dessa posição eles eles vão impor uma derrota a cavalaria francesa que aí Lembrando que
a cavalaria principalmente francesa era caracterizada por uma carga pesada e aí a gente sempre lembra dos Ingleses Mas eles tiveram essa primeira Derrota no início do século XIV frente à melícia flamenca uma outra derrota também para essa unidade militar E aí lembrando voltar para essa batalha de curá ela também é caracterizada por um massacre de Nobres então Os Cavaleiros eles não foram só derrotados eles morreram milicianos mataram muitos nobres e muitos C caleiros uma outra batalha que é importante pra gente pensar dessa crise Militar da cavalaria é a batalha de benck Burn é um filme
que A gente até pode recomendar Em outro momento mas quando a gente pensa na guerra entre Escócia e Inglaterra a gente normalmente lembra do Coração Valente mas um filme lançado pela Netflix que é Law King ele demonstra bem esse conflito entre Escócia mostrando um papel importante do Robert Bruce e o Robert Bruce ele vai travar uma batalha contra os ingleses que é essa batalha de benb e nessa essa batalha ele vai justamente usar essa característica de Usar uma Infantaria contra uma cavalaria E aí vai usar o terreno a lama vai usar picas de madeira no
chão vai usar todo esse Arsenal para lutar contra cavaleria e vai derrotar a cavalaria com essas táticas e até alguns historiadores apontam que essa derrota em Burn que vai meio que entre aspas ensinar os ingleses a lutar não usar só a cavalaria E aí o uma outra batalha que também é importante pra gente pensar essa crise Militar da cavalaria é a batalha de Cresser no qual os ingleses justamente vão derrotar os franceses né então a gente tem a mais ou menos essas três batalhas todas no século XIV a batalha de cortu em 1302 a batalha
de benck Burn em 1314 e a Batalha de cressi em 1346 Então essas três batalhas elas nos ajudam a pensar essa crise Militar da cavalaria E aí assim mais uma vez a gente sabe que a cavalaria não é única e exclusivamente uma unidade militar mas Quando ela já começa a ter uma decadência num dos seus principais aspectos que é a guerra isso vai influir socialmente sobre ela e isso aparece por exemplo se a gente for observar na península ibérica mas por motivos diferentes o que que acontece na península ibérica para quem viu o nosso Episódio
sobre a reconquista a gente sabe que no século XIV a gente basicamente não tem mais operações militares de conquista de aquisição de Territórios contra os muçulmanos o que acontece esses nobres e Cavaleiros tinham boa parte do seu ganho não só na conquista das terras mas em saques e pilhagens que eles faziam na região no momento que não tem mais território muçulmano para se aquiar e pilhar por mais que a gente tenha Granada diminui muito esse tipo de operação essa cavalaria deixa de lucrar né Deixa de ter seus ganhos e ao mesmo tempo a gente vê
um fortalecimento de outras classes Sociais como os Mercadores Comerciantes Pensando principalmente na penísula ibérica tanto a faixa Litorânea pro Atlântico quanto pro Mediterrâneo circula bastante mercadoria Tem bastante Comércio e aí o que que acontece os reis começam a favorecer esses vilões esses Mercadores e alguns viram até Cavaleiros a gente como a gente apontou né a gente tem a cavalaria vilã que são esses cavaleiros de cidades um fenômeno muito comum na península ibérica e aí tem um Documento que eu particularmente gosto bastante que é um filósofo Catalão o Raimundo lulo ou em Catalão o Ramon lulo
que eles escreve um um livro assim que quem tem interesse sobre cavalaria já tem ouvido falar que é o livro da ordem de Cavalaria é um livrinho curto fácil de achar também em cebo não é muito difícil acho que talvez até na internet dê para achar Por que que trazer o livro da ordem de Cavalaria ele tenta o Raimundo lúlio mostrar isso pensando que O rundo lúlio escreve isso eu não lembro agora se a final do 13 ou início do 14 na verdade mas é nesse contexto que ele vai demonstrar como o Cavaleiro deve ser
Nobre O Cavaleiro deve ser essa figura montada a cavalo que tem uma ideologia própria isso funciona justamente como um modo de dizer aqui o Cavaleiro é isso O Cavaleiro Deve ser esse Nobre porque senão a gente vai cair no mundo errado então a configuração a a própria ideia de definir o que é Cavaleiro que é o que O Raimundo lúlio Faz tá muito relacionado ao fato de que a gente vê um surgimento de uma outra cavalaria e a própria nobreza cavalaria ibérica mais clássica tava em crise Então se a gente for observar o século XIV
é um um século no qual essa cavalaria começa a entrar em crise Só que mais uma vez ela começa a entrar em crise mas não necessariamente Ela desaparece né a cavalaria ela é algo importante tanto militarmente por muito tempo quanto Culturalmente Talvez assim alguns autores vão apontar que assim a gente pode dizer que a cavalaria acaba com Dunk shot vamos dizer assim e não que eu necessariamente Concorde com isso mas é que a ideia é que o donk shot começa sátira final da cavalaria tem aquela cena que o donk shot queima vários livros de Cavalaria
eu acho que ele salva só quatro Então vamos pensar que o donk shot seria o final da cavalaria então a gente tá falando que a cavalaria Acaba só no período moderno mas se a gente fosse traçar um período de crise tanto social cultural quanto militarmente seria o século XIV eh marcado por essas batalhas Mas também como essão social de outros grupos sociais a cavalaria medieval é um tema que passou a ser muito romantizado especialmente a partir do século XIX na verdade idade de média como um todo ela ganha um verniz de romantização a partir do
século XIX né E isso influencia e a Forma como as pessoas olham pra cavalaria hoje E aí eu queria pedir para tu comentar um pouco sobre isso né quais os efeitos dessa romantização exatamente que romantização é essa que começa a ser aplicada no período contemporâneo à Idade Média é então eu acho que essa pergunta ela é talvez até um pouco Auto explicativa mas a gente Ela merece um certo carinho que quando tu fala né que a própria Idade Média romantizada mas a gente tem que pensar que um século antes No século XVII a idade média
era um grande vilão e o grande trovador dessa vilania medieval foram os iluministas e foi a revolução francesa né fosse pelo caráter principalmente na verdade o caráter anticlerical E também o caráter antin nobiliárquico e antimonárquico né essas três características então a Idade Média a idade média onde nobres e Reis controlam tudo onde a igreja é centralizada e controla tudo então essas características são muito princialmente Porque a gente chama de idade das Trevas né E aí Um século depois a gente vê uma idade média que se romantiza que é a idade média um berço de nações
e uma das coisas senão a mais romantizada no século XIX quando a gente fala de uma romantização da idade média é justamente a figura do cavaleiro E aí o que que acontece lembra que a gente falou sobre essa literatura cavaleiresca que surge no século Xii que tem os exemplos de Cavaleiros e a gente pode ter até obras Posteriores como tiran L Blanc obras do ciclo arturiano Então a gente tem muitas obras de literatura cavalares o que acontece que essa romantização da cavalaria que acontece no século XIX ela mais ou menos parece que ela pega esses
exemplos e generaliza eles como o Cavaleiro é isso então a gente tem no momento a ideia do cavaleiro que entrega Rosas do cavaleiro delicado Cavaleiro que luta contra seus inimigos de uma maneira honrada alguma dessas Características existiam na Idade Média mas o que acontece nesse período de romantização é que ele é generalizado e e ele ganha quase que um critério de verdade nisso Os Cavaleiros são isso a gente tem isso por exemplo na própria cultura portuguesa essa de Queiros ele tem conto sobre cavalaria numa perspectiva já de uma literatura romântica e isso acaba criando um
problema que a gente vê o Cavaleiro de uma maneira bondosa a gente vê o Cavaleiro como alguém honrado e não caindo em polarizações em julgamentos na história que eu acho que isso a gente pode discutir também claro mas mas isso cria situações por exemplo é a gente vai ver e às vezes acontece em grupos de recriação histórica que vão apontar ó o Cavaleiro ideal o Cavaleiro é isso O Cavaleiro é aquilo sabendo que na prática a cavalaria é um fenômeno muito mais complexo a gente pode ter encontrar mesmo seja naquele o Cavaleiro ideal ou O
Cavaleiro real a gente pode encontrar esses Cavaleiros honrados esses Cavaleiros dóceis esses homens doces largos e bons de a gente pode encontrar mas a gente também encontra uma cavalaria violenta a gente encontra Cavaleiros vingativos então a cavalaria é muito multifacetada então quando a gente acaba e assim eu não tô criticando o romantismo do século XIX aqui o que a gente tem que perceber mostrar que essa imagem do século XIX fazia sentido pro Século XIX e eles são Cavaleiros do século XIX essa romantização do século XIX fala para e sobre o século XIX Ela não tá
falando Sobre a cavalaria medieval ou ao menos se fala o que seria uma das características da cavalaria e como a cavalaria medieval é um tema que chama atenção de quem curte temas medievais e tal ela acaba sendo representada com bastante frequência no cinema né Tem muito filme e muita série também muito jogo de videogame n as Mídias em geral né E aí eu queria te pedir para você citar alguns exemplos de onde a cavalaria medieval é bem representada e quais os exemplos que você acha que mais atrapalham do que ajudam a entender como é que
ela funcionava eu vou começar pelos ruins o primeiro a gente já citou aqui é coração de cavaleiro né é isso tava até esquecendo é que coração é um nome muito comum para filme medieval eu não sei o nome original do filme na verdade mas no Brasil saiu como coração de cavaleiro mesmo é o do do hit Ledger lá é então tem gente que defende esse filme que vê o caráter lúdico desse filme Mas eu particularmente acho que às vezes por mais que às vees o pessoal até brinca né que ele filme juntou o visão o
Coringa e o rei Robert do Game of Thrones mas gente tem uma armadura da Nike é da Nike ou da didas agora nem lembro eu não lembro também mas é alguma marca dessas eu acho que é da Nike porque tinha o Simbolozinho da Nike tem uma armadura da Nike o pessoal toca Queen sabe além desses aspectos ele acaba figurando esse Cavaleiro quase como um caráter ideal ele também mostra um personagem que ele treina um pouco e ele chega no nível de um cavaleiro gente a gente tá falando de um grupo social que eles treinam em
combate desde jovens desde crianças então aquele filme ao meu ver por mais que tenha gente que defenda ele mais atrapalha do que ajuda outro filme que Ele é muito ruim e esse filme realmente ele atrapalha muito porque ele é muito realista assim no sentido de os figurinos são bem feitos essas coisas ele dá uma impressão de realidade que às vezes pode ser perigosa que é o cruzada do Ridley Scott E por que que ele é ruim porque aquele filme tá falando tal qual o romantismo do século XIX traçava a cavalaria não falando sobre a idade
média Mas falando sobre o século XIX o filme do Ridley Scott pega essa Cavalaria e tá falando sobre uns problemas do Século XXI aquele filme é uma resposta à guerra do Afeganistão e do Iraque é é perceptível isso essa relação entre queos muçulmanos o o Cavaleiro que vai tentar achar um caminho de paz entre cristãos e muçulmanos Então esse é um filme que eu particularmente acho o figurino lindo isso não dá para falar mal desse filme o figurino é lindo mas aí assim ah Rodrigo que filmes de cavaleiro você acha bom um Assim que vamos
pensar a guerra Eu recomendo muito esse filme recente sobre a guerra entre Escócia e a Inglaterra que é o ausl King né Eu acho que tá como em português tá o legítimo rei tem na Netflix ele é um filme da Netflix então eu particularmente eu recomendo muito esse filme eu acho que el ele é um bom filme sobre Cavaleiro saindo desse filme filme eu me lembro de um estador River Macedo José River Macedo ele falando o que às vezes os filmes de fantasia sobre A idade média acabam falando melhor da idade média do que os
filmes que se propõem a de fato representar a idade média como algo real Eu particularmente gosto de enumerar alguns filmes e algumas séries sobre isso um filme esse filme Talvez seja mais um amor infantil e que tá relacionado ao meu amor sobre Idade Média muito sobre esse filme que é o Coração de Dragão ué pera aí o filme de dragão é bom PR entender a cavalaria medieval ele é porque aquele filme tá Falando sobre o ideal de cavaleiro ele é muito bom pra gente pensar o que que é esse ideal de Cavalaria e ao mesmo
tempo ele mostra essas cavalarias negativas esses Cavaleiros violentos esses maus Cavaleiros Então esse filme Eu particularmente eu gosto muito dele para pensar o que que essa cavalaria esse desejo de ser lembrado que é algo muito importante para essa cavalaria algo parece muito no filme e assim não é sempre que a gente vê o Miguel Falabela Dublando um dragão então É mas ó gente só para ressaltar né para enfatizar isso aqui o Rodrigo tá falando que ele é bom para entender cavalaria mas assim sem o dragão tá o próprio dragão é uma metáfora de um cavaleiro
aquele filme Eu acho que assim ele nos ajuda a pensar um pouco sobre talvez na minha leitura eu acho que na verdade eu acho que é o melhor filme para pensar um ideal de cavaleria o ideal o que que seria o ideal do cavaleiro tá nesse filme um Outro material que é fantasioso e também ajuda muito a pensar o que é cavalaria é é Game of Thrones Game of Thrones talvez tenha as melhores figurações de cavaleiro que eu já vi na minha vida porque mostra personagens complexos Cavaleiros que são honrados Cavaleiros que são desonrados que
cometem as maiores atrocidades então esses Cavaleiros são complexos o Game of Thrones tira essa ideia do cavaleiro bondoso também do cavaleiro honrado do Cavaleiro que só protege então ele dá essa complexidade também E aí falando assim de um um outro material que é o recomendo bastante e eu falo bastante disso e acho que eu até falei no outro Episódio é sobre a série do elsd eu acho que a série do elsd na na Amazon ela talvez seja uma das melhores coisas assim para quem estuda a história da Península Ibérica medieval é a coisa mais linda
do universo Eu brinco assim não é tipo IES que estuda e gosta de Segunda guerra que assim beleza tem material para ele de Monte todo ano sai o filme ou material decente de segunda guerra agora me pergunta Quantas coisas aparecem sobre perí aqui medieval meia dúzia quando chega isso então para lei dessa paixão por elsd eu acho que ele dá essa imagem do cavaleiro essa busca por aparece a ideia de assão social aparece a questão desse processo né de a primeiro pessoa é um parem depois um Escudeiro um cavaleiro Então eu acho que Essa série
ajuda bastante a pensar o que que é essa cavalaria né Eu acho que assim no Mais acho que de filmes e séries seriam ises sempre sai alguma coisa nova vale sempre muito a pena tá Atento material que isso ajuda as pessoas a imaginarem o que era Idade Média Eu acho que cabe a gente às vezes como professor especialista no tema tentar trabalhar com essa imaginação construída para ajudar a construir outras imagens sobre a idade média é Muito mais fácil eu falar sobre um cavaleiro medieval porque os ouvintes já ouviram e viram muita coisa sobre cavalaria
medieval então é mais fácil imaginar eu mesmo que eu tenha que desembaralhar um baralho esse baralho já existe já tá na imagem do ouvinte [Música] [Música] recomendações de leitura para quem se interessou pelo tema ouviu o podcast gostou mais do que esperava e pensou Putz eu quero ler sobre isso eu quero ler livro de história sobre isso então o que que você recomendaria um dois no máximo três livros para quem tá começando então eu vou indicar exatamente Três livros primeiro para pensar a origem da cavalaria o livro a cavalaria Dominique barteli é um livro que
foi recentemente recentemente acho que na verdade já faz uns 10 anos e ele foi traduzido já faz uns 10 anos aqui no no Brasil pro português pelo editor Unicamp Vale bastante a pena a leitura o Dominic Berlin é um grande especialista no tema e ele vai trazer muitas discussões que a gente apontou aqui principalmente no primeiro bloco mas que vale muito a pena leitura ele é um baita de um Calhamaço ele é voltado para um público acadêmico especialista mas eu acho que vale a pena a leitura para quem se interessar pelo tema pensando em outros
dois livros que ao meu ver eles são menores mais fácil de encontrá-los Pela internet acho que em cebos também não deve ser muito difícil são dois livros do George dobi o primeiro deles é um livro que trabalha com um personagem biográfica eu acho que para quem lembra do episódio sobre o z anal por exemplo vi que a o z anal tinha esse problema com história de sujeitos né biográficos e história aconteciment né história dos acontecimentos O Jorge dob vai lá e pega e faz as duas coisas que é com o livro O Guilherme Marechal o
melhor Cavaleiro do Mundo que é um livro brilhante para mim um dos melhores livros do Dubi e no qual ele vai discutir esse sujeito e a ideia de memória de Cavalaria que se estabelece ali é um livro muito interessante vale muito a pena a leitura pensa muito bem essa cultura cavaleiresca e aí um o terceiro livro também do Dubi que eu indico é o domingo de bolvin eu brc o meu livro de História medieval que é o meu é o grande livro para pensar a cavalaria e a guerra no Século XIII então ele também ajuda
vai ajudar o ouvinte a se interessar sobre isso esses dois livros do Be eles estão em projetos que são voltados pro público em geral então é uma leitura muito mais tranquila principalmente para quem não é Historiador ou Historiador né vai ajudar bastante assim quem tiver interesse na área seguir esses dois caminhos como eu falei já no início do podcast esse livro tem algumas coisas que talvez fossem desatualizadas que a historiografia já Complexificou mais mas mas mesmo assim ele é muito bom para dar uma boa base para quem tiver interesse Então é isso gostaria de fazer
alguma consideração final Olha eu acho que assim a cavalaria é um fenômeno complexo a gente viu algumas características assim mais básicas mas e eu acho que vale a pena a leitura e vale a pena a gente discutir a cavalaria por mais que pareçam tanto quanto tradicional justamente por ser tradicional justamente por ser uma Figura que tá no nosso Imaginário a gente desmistificar certas Car características a gente tentar compreender o que que é esse grupo social ele é muito importante pra gente que estuda história né então é isso muito obrigado por terem ouvido esse episódio até
o final compartilhem ele por aí se você for professor fica à vontade para usar ele nas suas aulas e não se esqueçam que o história FM e todos os podcasts produzidos pela Leitura obriga história são financiados pela nossa campanha em apoia.se bar obriga história e peço a você se você tiver condições que colabore com o nosso podcast também então é isso Muito obrigado e até a [Música] próxima este podcast foi financiado por nossos colaboradores no apoia-se acesse apoia.se bar obriga a história e contribua para manter estee projeto Educacional gratuito no ar