Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Inspira, ó Senhor, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em vós comece, para [música] vós termine tudo aquilo que fizermos por Cristo, Senhor nosso.
Amém. Santa Maria, [música] mãe de Deus, rogai por nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém. Muito bem, iniciamos com o belíssimo Evangelho da Samaritana. Nós católicos, quando lemos o Evangelho, nós sabemos que nós estávamos lá.
Quando Jesus fala com a samaritana, ele fala conosco. O evangelho inicia recordando que Jesus estava cansado, Jesus fadigado de viagem. E nós dissemos que essa é a porta de entrada.
Se nós quisermos conhecer Jesus, se nós quisermos nos colocar diante de Jesus. O próprio São Paulo na carta aos Coríntios, ele logo no início, a a comunidade, como vocês sabem, a igreja de Corinto estava dividida. Um são de Paulo, outro de Apóo, outro de Sefas, etc.
E São Paulo como argumento cabal para dizer que eles têm que voltar paraa unidade, porque aquilo que que verdadeiramente ele Paulo tinha pregado, ele disse assim: "Irmãos, quando fui até vós anunciar o mistério de Deus, não recorria à ostentação de palavra ou à sabedoria da pregação. Com efeito entre vós, não julgueis saber outra coisa, a não ser Jesus Cristo e este crucificado. Vamos parar um pouco para pensar nisso.
Aquela cena de Jesus fadigado, cansado de viagem. E São Paulo, que acabou de fundar, dar o fundamento pra igreja de Corinto. Ele disse: "Podeis ter muitos pedagogos, mas foi somente eu quem gerei vocês em Cristo.
Ele gerou essa comunidade de Corinto como entre vós não julgueis saber outra coisa. Vejam o verbo que tá aqui em grego, esse saber, existem vários verbos para saber em grego. Aqui é um verbo ligado ao ver físico.
Eu não vi outra coisa, a não ser Cristo crucificado. Eu não julguei. A única coisa que eu vi foi Jesus crucificado.
É ali que nasce a fé. É essa a fonte da graça. E nós não podemos perder isso de vista.
Muitas pessoas admiram Jesus. Muitas pessoas se dizem cristãs, mas Jesus crucificado, Jesus fraco, Jesus necessitado de nós, Jesus na sua fraqueza humana, ninguém prega, ninguém fala disso, saiu de moda, passou. Isso é uma espiritualidade barroca, dizem alguns, né?
Ah, lá antigamente, né? aqueles crucifixos, barrocos sangrando, Jesus todo [música] de lacerado. A isso, é isso aí fala de Jesus crucificado.
Nós não, nosso Jesus é ressuscitado, Jesus vitorioso, mas nós vimos que existe uma grande realidade nesse encontro de Jesus [música] com a samaritana, que Jesus que quer nos dar a graça, ele antes se apresenta, deixa eu dizer, a palavra forte, palavra feia. Mas eu vou dizer, ele antes se apresenta como desgraçado, alguém que necessita nossa graça, nosso dom. Ele bate em nossa porta e diz: "Venham".
Jesus olha pra samaritana e diz: "Dá-me de beber". Vamos nos colocar no lugar dessa samaritana. Ela ia até a fonte com a sua bilha, com o seu cântaro, né, para buscar água.
Nós podemos imaginar uma mulher alegre, uma mulher de muitos amores. Quem sabe ela ia cantando. Ela não foi àela fonte buscar Jesus.
E, no entanto, ela o encontrou. Ela não foi buscar Jesus. Aquela mulher estava muito longe de ser amiga de Deus.
Dizem os a interpretação dos padres era que ela teve seis maridos. Ela diz: "Tivesse cinco maridos. Esse que você tá agora não é o seu, é o sexto.
Jesus é encontrado agora. O sétimo é o marido perfeito. Mas vejam, esta mulher de muitos amores não foi buscar Jesus.
Deus para ela talvez fosse a última preocupação. Ela foi preocupar, se preocupar com a coisa humana, natural, simples, água. No ambiente semiárido ou desértico da Palestina, água é essencial paraa vida.
A vida em todo lugar, mas lá o pessoal nota mais a falta da água. Aqui no Brasil nós temos abundância de água. A gente, né, os brasileiros costumam usar o chuveiro, né, com toda abundância de água, ficar lá minutos e minutos debaixo do chuveiro.
É a nossa cultura da abundância de água. Não é a cultura lá de Jesus, mas essa mulher foi buscar água e encontrou lá um pedinte. Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te [música] diz dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva?
A mulher disse: "Senhor, não tem sequer com que tirar água e [música] o poço é fundo. De onde tens essa água viva? " A palavra água viva aqui pode significar duas fontes, duas coisas.
Uma fonte de água que brota é água viva. Água tem água parada, estagnada [música] e água que brota. Essa é água viva, né?
Tem lá uma fonte. Aqui é claro, Jesus está usando a palavra água viva, o típico estilo de São João também, que relata os acontecimentos de Jesus com uma capacidade teológica extraordinária. É água de vida eterna.
Ele vai ter isso claro. De onde tens esta água viva? Jesus então responde: "Todo que beber desta água daí do da do poço de Jacó tornará a ter sede?
Aquele, porém, que beber da água que eu darei, nunca mais terá sede. Mas a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna. " Aqui apareceu então que vida é essa?
Vida eterna. A vida de Deus, isso é fora do comum. Isso é fantástico.
Como é que um homem, um mendico, um homem que tá lá cansado, desprovido, que tá me pedindo um copo d'água, ele dá vida eterna, vida divina. Não é possível isso. É aqui que acontece a realidade da fé.
A mulher se sente atraída por uma solução mágica. Opa, ela não entendeu nada. É típico de São João essas essas coisas.
Jesus diz uma coisa, o interlocutor entende outra, como Nicodemos, aqueles diálogos onde o interlocutor de Jesus não entende nada. A samaritana. Jesus diz: "Eu te dou água viva que brota paraa vida eterna".
Fonte de água que brota paraa vida eterna. Ela entende o quê? Uma fonte de água que vai matar a sede dela.
Não precisa vir mais buscar água. Pronto. Resolveu o problema carnal dela, o problema da sede dela.
E Jesus como que mudando de assunto diz: "Vai buscar o teu marido". Ele não mudou de assunto. O assunto era: "Quem bebe dessa água volta ter sede.
Quem vive estes amores volta a sentir carência. A água que dá sede outra vez são esses maridos que ela arranjou. Essa é a água.
E Jesus para fazer com que ela note que ela tem tanta sede, ela busca tanta água carnal, Jesus vai e diz: "Busca teu marido". Não tenho marido. Disseste bem que não tens marido, pois tivesse cinco.
E o que tens agora, o sexto, não é teu marido. Nisto falasse a verdade. De repente caem as escamas dos olhos.
Aqui acontece o primeiro ato de fé dela. Ela começa a enxergar atrás do mendigo, do pobre, do crucificado, algo a mais. Senhor, vejo que és profeta.
Então, no fim do diálogo, ela termina falando do Messias. Jesus diz: "Sou eu que falo contigo". revelação total e ela sai e evangeliza.
Ela vai e converte uma cidade inteira. Vejam, tô fazendo aqui esse resumo desse evangelho que vocês certamente leram para nós entendermos como é que nós temos acesso [música] à graça. Em primeiro lugar, pela fé.
E é isso que Jesus fez. Ele, Jesus, quando, quando quis nos dar a graça de Deus, quando ele quis fazer com que nós participássemos da vida divina, ele não deu um curso, um tratado teológico da graça. Ele não começou com a definição de da graça que eu não dei até agora, não falei absolutamente nada.
Eu tô girando ao redor do assunto. Ele não começou com a definição escolástica. Ele começou fazendo com que as pessoas tropeçassem nele.
Pessoas que não estavam buscando Jesus, mas Jesus estava buscando essas pessoas. Então, se nós vamos fazer um retiro, a primeira coisa que nós temos que entender é que nós podemos até mesmo entrar nesse retiro meio despropositadas. Como a samaritana lá tá d'água na cabeça, lá vai Maria alegre cantante com seu cântaro indo pro poço.
Ah, precisa fazer retiro. Vamos fazer retiro. Então, tudo bem.
Não queria agora, mas marcaram agora, então vamos fazer o retiro. Mas na verdade, na verdade, não somos nós que buscamos Cristo, ele quem nos busca. E essa é a grande e primeira verdade da graça.
Adão, onde estás? É ele quem vem nos buscar. Ele quem tem ansiedade por estar conosco.
E nós, distraídos, mulher de muitos amores, nós alegres com as coisas da vida, tropeçamos nele, mas não encontramos Jesus que nos dá nada. Encontramos Jesus que nos pede. É nesse processo que então finalmente acontece a fé.
Jesus tem sede. Jesus tem sede da nossa fé. Porque a graça entra em nossas vidas se nós tivermos fé.
Vejam como vamos olhar, sair da teoria, vamos ver como Jesus fez na prática. Começou a pregar o evangelho, de repente um milagre encanada a Galileia. Daqui a pouco ele vai pra casa de Pedro e começa a curar alejados.
Antes disso, fez a pesca milagrosa, começa a curar os alejados, os cegos, os leprosos. começa a fazer milagres, cura hemorroía, ressuscita a filha de Jairo, faz coisas estrondosas e todo mundo começa a dizer: "Nossa, se ele multiplicou os pães, nós vamos mais precisar trabalhar como a samaritana. Me dá essa água, eu não tenho mais sede, cura minha doença e não preciso mais de farmácia.
As pessoas buscam Jesus, como diz o profeta Oséias, Deus nos atrai com vínculos humanos. Nós não procurávamos Deus, meio que tropeçamos nele e ele começa a fazer coisas para nós e nós ficamos empolgados. Depois que Jesus começa a fazer os milagres, que mostra a sublimidade da sua doutrina, para onde iremos nós, Senhor?
Só tu tem tens palavras de vida eterna? Aí vem o difícil. enxergar o que ele quer.
Ele não quer nos dar a água do poço de Jacó. Ele não quer nos dar o pão humano, carnal multiplicado. [música] Ele não quer encher nossas barrigas.
Ele não quer resolver nossas doenças. Ele pode até fazer isso. Ele quer, antes de tudo, a nossa fé.
Ele disse isso para ela desde o início. Era essa, era essa finalidade. Dá-me de beber.
Como ser judeu falando comigo assim? Se conhecesses e se conhecesses o dom de Deus, esse se conhecesses deveria acender uma luz. Como que eu conheço?
Eu conheço com inteligência. Qual é a virtude que ilumina a nossa inteligência? É a fé.
E o que é que é a fé? Essa é a porta de entrada pro tratado da graça. Essa é a porta de entrada paraa nossa salvação.
Essa é a porta de entrada para tudo. Enxergarmos que em Jesus Cristo e Cristo crucificado existe naquele escândalo daquele homem que precisa de minha ajuda. Deus, doador de todos os dons, fonte infinita de amor.
É ali. Nós podemos fincar isso como base sólida, como fundamento. O que quer dizer isso na prática?
Quer dizer que ele nos amou quando éramos inimigos de Deus, quando éramos mulher samaritana de muitos amores. Ele nos amou. Ele se entregou por nós.
Então aqui a gente enxerga porque é que nós precisamos para ter fé da humanidade de Cristo. Jesus crucifica as nossas expectativas. Eu espero um Deus glorioso que venha para libertar Israel.
Eu espero um Messias glorioso. Eu espero que ele venha resolver as coisas. Eu espero que Jesus venha resolver todos os nossos problemas.
físicos, econômicos, políticos, financeiros. Jesus venha e resolva tudo. E ele vem e vem mendigo.
Ele vem crucificado e diz: "Tenho sede, ele quer sua compaixão. Ele quer seu amor inicialmente. E fazendo isto, enxergar que por detrás daquele Cristo crucificado e necessitado existe, está Deus no seu amor infinito.
Deus no seu amor infinito por nós. Então, nós precisamos, para começar um retiro, precisamos disso. Precisamos enxergar o Deus escondido.
Precisamos do ato de fé. Vejam, Deus se esconde porque ele quer se revelar. Parece estranho, parece esdruço, uma coisa desajeitada.
Se ele quer se revelar, porque ele se esconde. Se ele quer dar a graça, porque ele pede. Mas é esse o caminho.
Então, Jesus, querendo que todos creiam nele, escandaliza todos e todos horrorizados diante de Jesus, crucificado, fogem. Estava tão desfigurado o homem das dores que era como alguém do qual se vira o rosto. Jesus desfigurado e feio.
Mas que absurdo é esse? Mas quando eu for elevado na cruz, atrairei todos a mim. Mas como é possível isso?
Vejam, nós precisamos começar esse retiro. E para começá-lo bem, nós precisamos primeiro quebrar, quebrar as nossas lógicas humanas para deixar Deus se revelar. Existe um problema em nós.
Nós temos um Deus domesticado em nossas cabeças. Nós, com nossa lógica humana, nós fizemos um manual e dissemos: "Olha, Deus tem que ser assim". Então, como Deus é do jeito que eu pensei no quadradinho, coloquei Deus no quadradinho, disse, ele tem que ser assim, segundo manual, o que é que acontece conosco?
Deus vem, nos visita, mas nós estávamos esperando ele em outro lugar. Então ele disse: "Que pena, você não olhou para mim". Não existe gente que mais tem mais dificuldade de rezar do que o tal do católico catequisado que se bitolou na sua catequese.
Catequese é boa. As fórmulas catequéticas são importantes. Sem fórmulas catequéticas, sem a gente ter a fé bem catequisada, não tem como rezar.
Mas depois que a gente tem as coisas bem ordenadas na cabeça, nós precisamos entender o seguinte: se você verdadeiramente quer entrar em contato com Deus na oração e quer entrar em contato com a graça de Deus, você precisa da fé. E a fé não é os seus raciocínios. Deus não visitará você conforme o manual.
Um dos meus dirigidos espirituais cometeu o terrível crime de ler a teologia perfecção cristiana do Rio Marim. Por que é que eu digo que é crime? Porque tem gente que é assim, ele vê a tá os graus de oração, tá?
Primeiro oração vocal, depois a meditação, depois oração afetiva. Ah, tem que ser aí. Aí funciona assim.
Ah, tá. Aí a pessoa transforma o cristianismo num budismo. Sabe como é o budismo?
Meditação zem. Você põe uma perna numa posição assim, você põe o braço numa posição assim. Você aprende uma técnica assim, assim, assim, assim.
Vou rezar. Hum. Repito o meu mantra e vai acontecer.
Porque eu aprendi a técnica. Começou a rezar. Tô contando uma história verdadeira.
Isso aqui não é invenção minha. Começou a rezar, começou a meditar. Funcionou consolações.
Viu a luz. Quando viu a luz, que que ele fez? Empolgou com a luz e esqueceu de Jesus.
Resultado, se cura durante anos. [roncando] A tal ponto que eu proibi a pessoa de meditar. Mas, padre, o manual diz que eu tenho que meditar.
Sim, filho, mas para você a meditação virou obsessão, neurose, doideira da sua cabeça. Você não vai para lugar nenhum desse jeito. Tá proibido meditar.
Jesus vai falar com você, mas não é possível. Tá aqui no manual, tem que ser assim, assim. Passou o tempo, lá estava ele um belo dia fazendo uma leitura espiritual despretenciosa, quando ele já tinha proibido ele de procurar a luz, tinha proibido de meditar, proibido para com essa obsessão louca.
Lá estava ele lendo um livro despretenciosamente no sofá de pé para cima e a luz veio outra vez. Se nós formos samaritanas que buscam uma água para matar a nossa sede humana, carnal, pessoal, que Jesus venha nos fazer o favorzinho. Dá-me dessa água para que não tenha mais que vir buscar água aqui.
Nossa oração nunca vai dar certo. Nós não iremos ter um contato com a graça, porque você não está buscando Jesus coisa nenhuma. Você está buscando você.
Não podemos transformar a nossa santa religião em uma obsessão religiosa. A obsessão religiosa, o que é obsessão? Obsessão é aquela capacidade que os cérebros humanos têm de ficar fixados numa coisa.
Os cuiabanos dizem incutido. Você fica fixado naquela coisa obsessivamente com a menina obsessivamente apaixonada pelo menino. Mas aquilo não é amor verdadeiro, é obsessão.
Como uma pessoa obsessivamente fixada em passar num concurso, como é que eu sei que uma coisa obsessão? quando ela começa a me tornar incapaz de viver, quando aquilo se torna um doença, porque na verdade Jesus, Deus é quem nos busca, ele é quem nos encontra. Nós só precisamos dar o passo de nos abrir a ele que pede.
Tenho sede. Tenho sede da sua fé. Credes em Deus.
Crede também em mim. Crer que naquele homem que nós vemos no Evangelho, que nós encontramos na Eucaristia, que vem nos visitar, está Deus desconcertante, Deus que quebra os esquemas dos manuais. Eu quero que vocês entendam, pelo amor de Deus, os manuais são verdadeiros.
O que está nos manuais é pura verdade. Mas você que ama a sua mãe, escreva um livro sobre a sua mãe e diga que ela está no livro. Vai funcionar?
Não, mas padre, mas o que eu escrevi no livro é verdade. Sim, é verdade. Mas mamãe é outra coisa.
Mamãe é uma pessoa, mamãe é um encontro. E as pessoas são livres e ninguém é mais livre do que Deus para se encontrar comigo onde ele quer, como ele quer, do jeito que ele quer. Claro, existe sim a experiência dos diretores espirituais.
O que tá nos manuais é a experiência adquirida de 2000 anos de diretores espirituais ensinando as pessoas a rezar e funciona. Mas nós estamos numa numa situação que eu não sei, as pessoas estão transformando a nossa santa religião num num budismo. Técnicas, gente, as técnicas funcionam.
Eu não tô não tô sendo conta, mas acontece que nós temos que entender quem é essa pessoa livre que escolheu vir até nós uma manjedoura, passando fome, frio, que escolheu vir até nós com sede no poço desse caru vir até nós crucificado. e veio nos pedir que nós saíssemos dessa busca de nós mesmos. Se você vai entrar nesse retiro para buscar a si mesma, o retiro será um fracasso.
Se você veio para o retiro com cântaros e cântaros vazios, dizendo: "Vou me reabastecer", vai ser um fracasso. Deus quer algo de nós. A mulher que encontrou Jesus, diz o evangelho de João, a mulher deixou seu cântaro e foi à cidade dizer às pessoas: "Vinde ver um homem que me disse tudo que eu fiz.
Não seria ele o Cristo? " Ela deixou o cântaro, ela parou de querer abastecer alguma coisa. Ela foi feliz da vida, lata água na cabeça, cantando, cantarolando.
Chegou lá e encontrou muito mais do que buscava. Na verdade, ela não buscava, ela foi encontrada. Então, se nós queremos encontrar a graça de Deus, a primeira coisa que nós precisamos saber é isso.
A graça de Deus está nos buscando. E quando ela nos encontra, ela pede algo, ela pede a fé. Tenho sede.
Tenho sede de sua fé. Então, o que é a fé? Poderíamos dar muitas definições de fé, mas eu vou simplesmente ler um pequeno parágrafo do Concílio Vaticano II da Verb número cinco.
Ao Deus que revela, deve-se à obediência da fé. Essa expressão obediência fidei, ela é uma expressão de São Paulo. Essa expressão está em Romanos 16:26, mas também nós podemos conferir Romanos 1: 5, segunda Coríntios 10 5 e seguintes.
Deve-se a obediência da fé. Agora vem. Olha que coisa extraordinária.
Isso aqui é o Vaticano Segundo. Que que é a fé? Pela qual fé o homem livremente se entrega todo a Deus?
Qu homo totum libere de [música] commit. Pela fé, o homem se entrega a Deus. Veja, o concílio nos surpreende porque não não pensamos que a fé seja isso.
O que é que é a fé? Vamos lá nos manuais. Deus que se revela, nós ouvimos e assentimos ao que ele nos diz.
É autoridade do Deus revelante. Ao Deus revelante, recorda o Vaticano Io, se deve à obediência da fé, porque a obediência da fé é o assentir. É verdade.
É ele quem tá falando. Deus falou, a água parou. Não é isso?
Mas ao crer nele, ao crer que ele é Deus, ele sabe, ele me ama, ele se entregou por mim, ele se fez pobre, mendigo, que bate a minha porta ao crer que Deus Deus está ali. Eu renuncio aos meus deuses inventados pela minha cabeça. Aos meus seis maridos.
Minhas irmãs, nós temos um talento para criar deuses falsos. É uma coisa maravilhosa. [música] A nossa cabecinha é uma máquina de produção de ídolos e deuses falsos.
Às vezes [música] esses deuses falsos, a gente põe uma etiqueta e cola Jesus, entendeu? Você criou um ídolo na sua cabeça, você criou um Jesus domesticado que funciona do jeitinho da sua matemática, que você pôs na cabeça, que Jesus tem que ser assim, manualzinho. Jesus só fala comigo quando eu estiver no couro fazendo a minha oração de intimidade.
Pronto. Aí. Ele tá querendo falar com você, atormentando você na roda da portaria ou atormentando você na cozinha.
Ele tá querendo falar com você, pedindo algo de você. Jesus tá querendo falar com você no calor de Cuiabá, na dor de cabeça, no inchaço dos pés, na poeira do pórtico, ou naquela pessoa incômoda que tá do seu [música] lado. E ele está há anos querendo falar com você.
Mas como o manual diz que ele se só vai falar no couro quando eu estiver fazendo minha oração de intimidade divina, ele olha para você, toda vez que ele visita, ele pede: "Dá-me de bebê". Mas você não tem fé para vê-lo? E por isso a oração no coro não funciona, porque se eu não enxergá-lo nas contrariedades da vida, se não enxergar que ele crucifica as minhas expectativas, se não enxergar que ele é um Deus surpreendente, se não enxergar que eu tenho que jogar fora no lixo esse Deus domesticado que eu coloquei aprisionado nas páginas e um manual, porque Jesus tem que fazer assim.
Se eu não tiver essa liberdade interior de enxergar Jesus, que ele pode me falar no ofício humilde, no banheiro, em qualquer lugar. Ele é livre para ser mendigo e de dizer: "Cres em mim? Crê que eu necessito de ti?
" Mas nós diremos, mas Senhor, tanta gente melhor? Não, não é crível, não é aceitável que Deus precise de mim. É absurdo.
Mas que mau gosto! Tanta esposa para Jesus escolher. Vai escolher essa mulherzinha molambenta.
Tanta coisa boa para Jesus escolher. Quem que ele vai escolher? Mas que mau gosto!
E ele, no entanto, diz: "Tu és minha, tu és meu, eu te quero, eu te escolhi. Teus pais não te escolheram e não te quiseram. Não te planejaram.
E no entanto, desde toda a eternidade, eu disse: "Tu és minha, eu te quis". E é incrível, mas é o que nos pede a fé. Deus necessita de mim, quer ser amado por mim.
Ele me ama a tal ponto que ele quer ser amado por mim. Este é o limite absurdo do amor de Deus. Deus me ama tanto que ele quer ser amado por mim.
Deus não nos amaria se não pedisse algo de nós. Concílio nos diz: "Pela fé, o homem se entrega todo a Deus". Ou seja, eu renuncio aos meus deuses.
Eu renuncio à aquilo que eu coloquei no lugar de Deus. Eu vou e vendo tudo alegremente para conquistar o tesouro. Pela fé, homootum libere livremente de commit se entrega a Deus.
Entregar-me a ele, mas ele não precisa de mim. Ele quer precisar, ele se faz mendigo de você. Ele quer que você o ame.
Creia nisso. Mas, padre, Deus é amor. Deus é amor infinito.
O que posso eu dar a ele? Dê a ele o que ele já deu a você, o que você é, o que tens que não recebestes, o que tens que não recebeste? Esse é o passo primeiro da fé.
Ele me ama. E o que quer dizer ele me ama? Para as crianças mimadas do século XX, que vivem com um celular, hipnotizadas diante de uma tela o dia inteiro.
Ele me ama, significa ele faz tudo que eu quero. No mundo de verdade. Ele me ama.
Significa: "Eu queria tanto que tu me amaste. Se tu me amasses, se conhecesses o dom de Deus". Porque nós iremos ver quando nós explorarmos mais o conceito de graça, que a graça é participar da natureza divina.
Se Deus é amor, a graça suprema é você amar. Então, comecemos por aí. Comecemos com essa renúncia, uma renúncia cabal, uma renúncia total deuses domesticados que nós criamos.
Jesus, vejam, eu não estou absolutamente negando as fórmulas do catecismo, as definições dogmáticas dos concílios, os ensinamentos dos santos padres e doutores da igreja. Tudo isto é verdade. Creio em tudo o que creio e ensina a Santa Igreja Católica.
E nesta fé eu quero viver e morrer. Mas eu também creio que eu não penetrei profundamente todas essas verdades, a ponto de que eu às vezes fico fixado e enjaulado num conceito de Deus que eu mesmo criei, num Jesus que tem que me obedecer como criança caprichosa que sou. E no entanto ele quebra as minhas expectativas.
Eu espero um Deus glorioso que venha libertar Israel. Ele se torna um Deus padecente do qual eu devo me compadecer. Aquele que nos liberta está aprisionado na masmorra dos sumos sacerdotes.
Aquele que nos liberta está manietado diante de Pilatos, preso à coluna, açoitado pelos soldados. Obrigado a carregar a cruz, pregado com pregos, ele liberta, entanto, parece o menos livre de todos. Aquele que liberta é o escravo de todos.
Ach, calhado, maltratado, ofendido. Aquele que liberta, aquele que dá vida morre na cruz. Aquele que é o dom, dá-me de beber.
Aquele que sei que eu serei salvo se ele me ama e porque ele me ama, diz: "Até quando tardarás em me amar? Eu preciso do teu amor. É incrível.
É incrível. Mas ele precisa do meu amor. Padre, isso é absurdo.
Deus não precisa de nada. Pois é. Mas ele se revela assim: baixa a cabeça e crê.
E se você fizer esse passo, se você der o passo da fé, prestando ao Deus revelante plena adesão de intelecto e de vontade, diz o Vaticano Io, tô lendo o Vaticano II, mas ele cita o Vaticano primeiro, dando voluntário assentimento à verdade que foi revelada. Para que preste-se essa fé, exigem-se a graça preveniente, adulvante de Deus e o auxílios internos do Espírito Santo que move o coração e converte a Deus, abre os olhos da mente e dá citação do concílio de Orange. a todos suavidade no consentir e no crer na verdade.
O que Deus pode, o que Deus pede de nós, essa fé parece uma fé impossível de alcançar. Mas uma vez que nós nos abrimos a esse dom que é a fé, essa graça que é a fé, essa graça que vem para nos dar a fé, o Espírito Santo que vem para nos dar a fé, quando nós nos abrimos ao Espírito Santo que vem a fé, na fé, nós então sentimos, fazemos a experiência da suavidade no consentir e no crer na verdade. suavitem inendo et credendo veritati è suave gostos.
Então essas primeiras pregações são preparatórias. Estamos entrando em retiro. É um gerúndime.
Vocês sabem já por experiência própria que não é muito fácil ir desligando os motores, fechando as janelas e se recolhendo. A graça e o dom do recolhimento é uma graça que é dada por Deus, mas nós temos que cooperar. Então, colocar essas a nossa percepção interior bem [música] atenta a Deus que se revela em tudo, que fala conosco, que pode no falar, nos falar a qualquer momento.
Eu me lembro de um retiro que eu fiz, onde o momento de mais graça e oração aconteceu durante o almoço. Graças a Deus era retiro de silêncio e o refeitório estava todo em silêncio. Mas a maior graça aconteceu no refeitório, no almoço.
Então, vamos deixar Deus nos falar ao coração. Vamos deixar que ele seja Deus. Deus é Deus e ele vem e vem como ele quer.
E como nós conhecemos o estilo de Jesus, ele vem nos lugares mais inopinados, mais inusitados, mais inesperados. Ele é Deus surpreendente. A mulher de muitos amores foi ao poço de Sicar buscando água.
Ela não buscava Jesus, mas Jesus esperava por ela. Desde toda a eternidade. Aquele momento estava marcado, aquele encontro.
desde toda a eternidade, a graça que toca a alma se nós nos abrirmos para a fé. fé. A fé que é que é capaz de ver o invisível, a presença dele que diz: "Dá-me de beber".
Ele quer a nossa fé. Ele tem sede da nossa fé. Tenho sede.
Então, peçamos a Virgem Santíssima. que teve a maior fé de todas as criaturas, a Virgem da Fé que nos conceda a graça de uma fé recolhida, atenta para as moções da graça de Deus, ali onde Jesus se faz mendigo e pedinte, dizendo dizendo: "Dá-me de beber". Deus abençoe vocês.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.