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Eu sou Joel Gracioso, sou Doutor em Filosofia e também estudo várias áreas da Teologia, principalmente Teologia Fundamental e Teologia Patrística. Eu gostaria de hoje, então, começar as minhas meditações quaresmais. Durante essa Quaresma, toda sexta-feira, às 12:30, será disponibilizado um vídeo aqui no meu canal do YouTube, justamente para a gente refletir e se preparar cada vez melhor para a Santa Páscoa, fazendo uma boa Quaresma.
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Isso ajuda muito o nosso trabalho e as nossas reflexões e meditações quaresmais. Esse ano, eu pretendo fazer a partir desse livro aqui do Joseph Tiss, "A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas". É um livro muito interessante.
José era um missionário, né, de São Francisco de Sales. São Francisco de Sales foi um grande Doutor da Igreja, como nós sabemos, e esse livro trata de um tema, de uma questão que de fato é muito importante para cada um de nós. A maioria das pessoas que acabam voltando para a Igreja, buscando a Deus, aceitando Cristo na sua vida, acaba em determinado momento, muitas vezes, desanimando.
O desânimo muitas vezes toma conta do nosso coração, o desejo de desistir, de abandonar tudo, porque vai vindo aquela ideia de que eu não consigo vencer os meus vícios, as minhas paixões desordenadas, as minhas faltas, enfim, os meus pecados, sejam leves ou graves. E repito, nós vamos acabando tendo esse desejo de desistir, né, de não lutar mais pela perfeição, de não buscar mais a santidade, de não colaborar mais com a graça de Deus. Então, a grande questão é como que nós devemos analisar e compreender a questão das nossas quedas, das nossas faltas, dos nossos pecados.
Por que isso ocorre? Como devemos lidar com tudo isso? Qual é o tipo de postura ou de atitude que nós devemos ter, que nós devemos tomar perante essa situação?
Então, esse livro é dividido em duas partes. Na primeira parte, o Joseph procura justamente nos levar a compreender melhor por que nós não devemos nos surpreender com as nossas faltas, por que não devemos nos perturbar, enfim, por que não devemos desanimar. Então, na primeira parte, ele procura mostrar os elementos nos quais nós devemos nos basear para poder, justamente, conseguir superar essa coisa de não ficar surpreso com os próprios erros e pecados, muito menos perturbado e muito menos desanimado.
Depois, na segunda parte do livro, ele procura mostrar como, do ponto de vista não só teórico, mas prático, nós devemos saber aproveitar as nossas faltas em vários aspectos, vários sentidos. Ele vai nos mostrando que, dependendo de fato da postura, da atitude, da disposição que nós temos perante as nossas faltas, nossos pecados — apesar, evidentemente, do pecado, que é uma ofensa contra Deus — nós podemos tirar algum proveito, nós podemos aprender alguma coisa. Nós podemos ter, né, evidentemente, com toda a graça de Deus e misericórdia de Deus nos ajudando, nós podemos tirar algum proveito e algum tipo de crescimento para nossa vida espiritual, para nossa aproximação com Deus, portanto, para o caminho da perfeição.
Então, são sobre essas coisas que eu pretendo meditar aqui durante essas semanas. Toda sexta-feira, como eu disse, às 12:30. Hoje, eu gostaria de me prender mais ao capítulo um.
No capítulo primeiro, da primeira parte, ele fala justamente isso: que nós não devemos nos surpreender com as nossas faltas. A primeira coisa que ele chama a atenção é que, de fato, o homem decaído, ou seja, a realidade humana após o pecado original, após o pecado de Adão, não consegue se habituar, se acostumar com suas próprias faltas, ou seja, a maioria das pessoas não consegue se habituar, se acostumar com essas faltas, né, com os próprios pecados. Ele, de fato, procura mostrar que isso, por um lado, é uma honra, mas também pode se tornar um grande tormento.
É uma honra por quê? Porque, de fato, a gente não tem que se conformar com o pecado. Nós não temos que simplesmente achar que temos o direito de pecar; não!
Nós não temos o direito de pecar, nós não temos o direito de ofender a Deus! Portanto, por um lado, de uma certa maneira, é uma honra a gente não se acostumar com as nossas faltas, com os nossos pecados. Mas, por outro lado, isso pode virar uma grande perturbação e um grande tormento na nossa vida.
Por quê? Porque aí, toda vez que eu caio em pecado, toda vez que eu caio em uma falta, toda vez que eu tenho alguma queda, eu fico profundamente atormentado, e aquilo pode acabar me levando a me afastar cada vez mais de Deus e entrar no caminho da perdição. Ou seja, a grande questão aqui, segundo o José Tiss, e ele vai discorrer todo o livro dele, o pensamento dele, a partir do pensamento de São Francisco de Sales, citando vários trechos de diversas obras de São Francisco de Sales, mostrando que, repito, por um lado, é uma honra a gente não se acostumar, mas, por outro lado, também temos que tomar cuidado para isso não virar um tormento.
Então, o que ele coloca é que, de fato, o ser humano conserva em si uma certa lembrança, um certo sentimento da sua nobreza original, da sua inocência original. Isso é bom, ou seja, aquela coisa de que, dentro do plano original de Deus, Deus nos deu uma natureza íntegra. Deus nos criou numa situação de ordem, de inocência original, e o ser humano vivia, né, lá no Paraíso em harmonia com Deus.
Mesmo com o restante da criação, etc. Então, essa ideia de que o ser humano traz em si uma certa lembrança e sentimento dessa sua nobreza, desse seu estado original, dessa sua inocência original. Por isso, o ser humano muitas vezes vê que, quando peca, é aquela coisa, né?
"Eu não deveria fazer isso. " E, portanto, ele tem essa ojeriza do pecado. Então, por isso que é uma honra não se acostumar com o pecado e continuar lutando contra ele.
Mas, por outro lado, isso pode levar a um tormento. Por quê? Porque, ao mesmo tempo que nós temos esse sentimento, né?
Essa lembrança do estado original, nós não podemos esquecer a nossa real e verdadeira condição, ou seja, somos filhos de Adão. A realidade do pecado original é uma coisa extremamente intensa. Então, nesse primeiro momento do capítulo 1, ele procura mostrar justamente isso, lembrando frases de São Francisco de Assis, né?
Que a miséria humana é algo real, né? Ou seja, na medida em que Adão pecou, na medida em que houve o pecado original, o ser humano perdeu vários dons, né? Os pré-naturais que tinham lá no Paraíso.
O ser humano perdeu aquilo. A natureza humana foi ferida, virou uma natureza enferma. A nossa inteligência, a nossa vontade, a nossa sensibilidade foram atingidas por tudo isso.
Então, toda essa miserabilidade humana se tornou intensa. Então, o ser humano, a partir do pecado original, não é apenas uma criatura com limitações, né? Próprias de uma criatura.
Não, ele passa a ter uma inclinação para o mal, que é toda essa questão da concupiscência. Ele passa a ter uma natureza ferida; determinados princípios de desordem mexem com essa natureza. E, mesmo depois do batismo, essa inclinação para o mal continua.
Então, ele faz questão de lembrar isso. Ou seja, ter esse sentimento nobre da inocência original não é errado, mas nós não podemos esquecer a nossa real condição. Ou seja, a natureza humana, após o pecado de Adão, continua sendo a mesma.
Ou seja, a natureza humana, enquanto natureza humana, no sentido metafísico, continua a mesma. Porém, a situação, a condição, a realidade do ser humano é outra. A natureza humana, após o pecado original, é uma natureza enferma, é uma natureza ferida, né?
Essa é a grande questão. Então, nós não podemos esquecer isso. Esse é o ponto central desse capítulo.
Se nós esquecemos isso, isso é um grande problema. Então, muitas vezes o que ocorre, segundo o autor, é que o problema é que muitas vezes o desânimo entra no nosso coração. A gente peca, cai, comete uma falta e vamos ficando desanimados.
Mas a pergunta que tem que ser feita é: por que o desânimo entrou no teu coração? Por que o desânimo entrou na tua alma? Porque, né?
Ou seja, o desânimo pode te levar, sim, à perdição, a desistir de Deus, né? Então, o desânimo pode te levar à perdição. Mas, por que o desânimo entrou no coração?
Ou em que momento ele entra no coração? Quando você fica espantado com o seu próprio pecado, com a sua própria falta. Ou seja, o desânimo só entra na tua alma se você abrir a porta, né?
E qual é essa porta? Essa porta se abre como? Pelo espanto, pelo fato de você ficar espantado, né?
Com o seu pecado, com a sua falta, com a sua queda. Então, se o espanto segue ao pecado, você está abrindo a alma para que o desânimo entre. E, conforme ele vai entrando, ele vai, de fato, tirando toda a sua força e pode te levar à perdição, à condenação.
Por isso que, para você, que cometeu uma falta, um pecado, teve uma queda, o desânimo não deve entrar no seu coração, na sua alma. Você não pode ficar espantado, chocado com os seus defeitos, com os seus pecados, com as suas faltas. E, para você não ficar espantado com isso, você não pode esquecer realmente quem é você, quem você é.
Você é filho de Adão, você tem uma natureza humana ferida. A cura disso começou, evidentemente, com o santo batismo, com os sacramentos que você recebeu na sua vida. Mas essa luta vai perdurar até o final.
E, aí, nesse capítulo 1, ele vai chamar a atenção de algumas coisas para complementar esse elemento central. Então, ele coloca que somente a partir de um privilégio muito especial é que, de fato, é possível evitar até os pecados leves. Então, as nossas pequenas imperfeições, os pecados leves, estão presentes ali.
Ou seja, não é que a gente tem o direito de pecar. Mas, mesmo depois do batismo, a inclinação para o pecado continua; a concupiscência continua, então a luta continua. Então, o que acontece?
Não é que a gente tem o direito de pecar, mas a possibilidade de pecar. Essa possibilidade do pecado sempre vai pairar sobre a sua cabeça, sobre a minha cabeça. Se nós vamos pecar de fato, eu não sei.
Aí, vai depender de outras coisas: das nossas escolhas, da nossa abertura à graça, da nossa colaboração com a graça. Mas a possibilidade do pecado sempre existe; sempre vai existir. E essa luta só vai terminar no dia em que estivermos no caixão.
Essa é a verdade. Então, por isso, você não pode esquecer que você é filho de Adão, você é fraco, você é pecador. E, por isso, a possibilidade de não pecar, né?
Você não só tem que se preocupar com a questão do pecado grave, mas também do pecado leve. Para você chegar ao ponto de não cometer nem pecado leve, só a partir de uma graça muito especial, de um privilégio especial como o da Virgem Maria, como ele cita no texto. Né?
Porque, de fato, a nossa natureza foi profundamente ferida e, mesmo depois do batismo, essa inclinação continua. Além disso, uma outra coisa que. .
. Ele vai colocar: é que os progressos são lentos, né? Ou seja, na medida em que a gente vai aceitando Deus na nossa vida, voltando para a santa Igreja, a gente vai crescendo, a gente vai progredindo.
Mas tudo isso é com muita calma, né? A gente vai vencendo os nossos vícios e paixões desordenadas aos poucos. E, nesse progresso gradativo, lento, muitas vezes o que acontece é que tudo isso é interceptado por uma queda.
Eu vou caminhando, eu vou crescendo e, de repente, caio. O que eu tenho que fazer? Levantar-me, arrepender-me, começar tudo de novo, pedir perdão a Deus, né?
Então, é muito raro ter um progresso contínuo sem queda. A pessoa vai crescendo, vai caminhando, vai amadurecendo, e de repente vem ali uma queda, principalmente no que diz respeito aos pecados leves, às pequenas imperfeições, né? Da mesma forma, também, ele coloca que, da mesma maneira que as doenças do corpo, as doenças da alma, as doenças do coração, elas acabam vindo rápido, elas vêm correndo, mas para ir embora, para se desvencilhar delas, é um processo muito lento, né?
Ele diz que as doenças do coração, tanto como as do corpo, vêm a galope, em corrida, mas se vão a pé e a passos lentos. Então, quer dizer, não é de uma hora para outra que nós vamos conseguir nos libertar dos nossos vícios, pecados, faltas, ofensas, perfeições, etc. , defeitos que realmente ofendem a Deus.
E, por fim, ele termina colocando algumas coisas muito interessantes nesse capítulo, mostrando que o santo não é simplesmente aquele que é menos imperfeito, né? Aquele que tem menos imperfeições. Não!
Santo ele é aquele que é mais intenso, ele é aquele que é mais corajoso, ele é aquele que busca Deus mais intensamente, se lança mais intensamente. Então, na medida em que ele se lança mais intensamente, busca intensamente, é corajoso, enfrenta, ele acaba se arriscando mais. E, portanto, o santo é aquele que tem justamente a coragem de fazer isso e não aquele que se solola, calcula tudo, quer ter segurança de tudo, se fica ali, só põe o pé onde tem plena segurança.
Ou seja, não! O santo é corajoso, ele confia em Deus e ele vai indo. Isso é o lado bom, mas é óbvio que ao fazer isso ele corre mais riscos.
Então, não é questão de você ter menos imperfeições; a questão é você ter a coragem de buscar a santidade, de confiar em Deus, de se lançar, de arriscar. Não de ser imprudente, não é isso, mas de ter essa coragem e de não ficar ali, né, limitando as coisas, só fazendo aquelas coisinhas bem pequenininhas que você tem total controle. Não!
É ser prudente, mas, ao mesmo tempo, confiar em Deus, se lançar, ser corajoso. E, é lógico, que quem faz isso acaba correndo mais riscos, né? Mas nós precisamos ter clareza de que o amor e a misericórdia de Deus são muito maiores, muito maiores que tudo isso.
E, portanto, Deus de fato sempre está disposto a nos perdoar, seja em relação a pecados leves ou pecados graves, né? Então, não só os leves; ele também deixa bem claro que tudo isso que ele está falando também diz respeito aos pecados mortais, aos pecados graves que roubam a graça de Deus na nossa vida. Mas, portanto, o que é importante é nós termos essa clareza: cometeu um pecado, houve uma queda, né?
Caiu, houve uma falta, ofendeu a Deus. Não se espante, não fique ali namorando o seu pecado, não fique contemplando a ele espantado. Aí, como eu fui capaz de fazer isso?
Não! Caiu, ofendeu a Deus, tenha a devida humildade de reconhecer que pecou, se arrependa dos seus pecados, levante-se, peça perdão e comece tudo de novo. Ou seja, você não deve se espantar com o seu pecado, com a sua queda.
Justamente se você tem consciência de que você é miserável e filho de Adão. Então, como São Paulo diz na carta aos Romanos, não tenha um conceito muito elevado de você mesmo e não esqueça quem você é. Você veio do pó e vai voltar ao pó, e nós vamos para o céu em primeiro lugar porque Deus é bom.
E é baseado nisso, que a gente vai, aos poucos, se tornando melhor. Então, não se espante. Agora, não se espantar com o seu pecado não quer dizer concordar com ele, não quer dizer se acomodar, né?
Ou seja, não se espantar quer dizer que, por um lado, aquilo não vai te chamar a atenção, te admirar. Por quê? Porque você sabe que você é miserável e é capaz de fazer aquilo, até coisa pior, infelizmente.
Mas, ao mesmo tempo, você renova o seu ódio ao pecado, você detesta o pecado e, portanto, se arrepende, procura repará-lo e começa tudo de novo. Nós acolhemos e temos misericórdia do pecador, como Deus tem misericórdia do pecador, mas condenamos o pecado. Então, toda vez que cair, condene o pecado, repare o pecado, mas não se espante com ele.
E, portanto, a verdadeira atitude e disposição que temos que tomar conta do nosso coração não é o espanto, porque se for o espanto, vai entrar o desânimo. E aí você vai ficar cada vez mais cabisbaixo, desanimado e vai acabar desistindo, não lutando mais. Mas se você tiver a disposição e a atitude correta, que é reconhecer que você é fraco, reconhecer a sua miséria, condenar e rejeitar o pecado e procurar repará-lo, você vai ter um conhecimento mais profundo da sua miséria, da sua baixeza, da sua pequenez, e isso vai te ajudar a ir alcançando cada vez mais a humildade.
É isso que ele nos convida a pensar no capítulo primeiro. Então, que durante essa semana você possa ler esse capítulo ou meditar sobre tudo isso que nós falamos aqui. Reze, leve isso para a sua oração.
Que Deus te abençoe muito e que você tenha uma santa Quaresma! Que essa primeira meditação lhe ajude bastante! Se você não se inscreveu ainda no meu canal, se inscreva, compartilhe esse vídeo, deixe seu comentário, né?
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Na próxima semana, nós voltamos ao normal. No nosso canal, às terças-feiras, vamos ter vídeo sobre a Bíblia; quinta-feira, filosofia e cultura continua, né? E nas sextas-feiras, durante a quaresma, essas meditações.
Um forte abraço! Que Deus te abençoe e iG, ok?