O mito da caverna de Platão. Por que que você provavelmente vive numa bolha e nem percebe? Você já parou para pensar que talvez, só talvez, tudo que você acredita ser realada na parede? Não, eu não tô falando de Matrix. Embora os irmãos Wakovski tenham basicamente roubado essa ideia de um cara que morreu há mais de 2000 [música] anos. Eu tô falando de Platão e do mito da caverna dele, uma das ideias mais Fodidas da filosofia ocidental e que spoiler descreve exatamente como você vive hoje. Imagina o seguinte, tem um grupo de pessoas acorrentadas numa caverna
desde que nasceram. Elas só conseguem olhar pra frente, para uma parede de pedra. Atrás delas tem uma fogueira. Entre a fogueira e as pessoas acorrentadas, outros caras passam carregando objetos e as sombras desses objetos são projetadas na parede. Aí as pessoas acorrentadas vem essas sombras e Pensam: "Cara, isso aqui é a realidade". Elas dão nome às sombras, criam história sobre elas, discutem qual sombra é melhor. Para elas, as sombras são o mundo. Agora vem a parte interessante. E se alguém soltasse uma dessas pessoas? E se ela se virasse, visse a fogueira, os objetos reais, e
percebesse que passou a vida inteira olhando para as sombras, a primeira reação não seria iluminação mística, seria uma confusão total, dor nos olhos acostumados com a escuridão e, Provavelmente, raiva. Mas que [ __ ] é essa? Eu tava feliz lá olhando minhas sombras, cara. Mas espera, fica melhor. [música] Digamos que essa pessoa seja arrastada para fora da caverna. Luz do sol na cara, mundo real, árvores, céu, outras pessoas de verdade. No começo, ela não aguenta, quer voltar correndo paraa caverna, mas aos poucos os olhos se ajustam. Ela vê a realidade pela primeira vez e aí
vem o plot twist. Ela volta pra caverna para contar pros Amigos. Pessoal, vocês não vão acreditar, mas essas sombras são uma mentira. Tem um mundo inteiro lá fora. E sabe o que que acontece? Os acorrentados riem dela. Chamam ela de louca. Dizem que ela estragou a visão lá no sol e agora tá delirando. Se ela insiste muito, talvez até a matem, porque ninguém gosta de ter sua realidade questionada, especialmente quando tá confortável nela. Platão não estava escrevendo ficção científica, ele tava Descrevendo você, eu, todo mundo. A caverna é a sua bolha informacional. A sombra são
suas crenças herdadas, seus preconceitos [música] não examinados. O fe do Instagram que te mostra só o que você quer ver. A fogueira pode ser a mídia, pode ser sua família, pode ser o algoritmo do TikTok. Qualquer coisa que protege uma visão distorcida da realidade, te convença de que é a única verdade. Você acha que pensa por conta própria? Pensa de novo. [música] Quantas das suas opiniões são realmente sua? Quantas você só herdou porque nasceu num lugar específico, numa família específica, numa bolha ideológica específica? Se você tivesse nascido no Irã em vez do Brasil, será que
ainda acreditaria nas mesmas coisas? Óbvio que não, mas aqui tá você defendendo com unhas e dentes ideias que provavelmente são só sombras projetadas por gente que você nem conhece. Pensa no Cara que passa o dia inteiro consumindo notícias de um único portal porque é o único que fala a verdade. Ele não percebe que está olhando pra parede da caverna ou na pessoa que nunca saiu da cidade natal e tem certezas absoluta de que o povo daqui é diferente, é melhor sombras. Ou talvez pensa no seu tio do churrasco, que tem opinião formada sobre economia, política
externa e vacinas, mas nunca leu um livro sobre nenhum desses assuntos na vida. Sombras também. A questão é, se você fosse libertado das correntes agora, você iria querer sair da caverna? Porque, vamos ser honestos, é confortável lá dentro. Você conhece a sombra, sabe o nome dela, sabe como reagir. Lá fora, com incerteza, com tradição, complexidade, lá fora você vai ter que admitir que estava errado sobre um monte de coisa. Lá fora dói. E aqui entra o lance mais cruel de Platão. Mesmo que você saia da caverna, mesmo que veja o sol, você não vai conseguir
Convencer os outros. Tenta explicar privilégio para quem nunca teve que pensar sobre isso. Tenta falar de mudança climática para quem acha que é tudo conspiração. Tenta mostrar [música] evidência científica para quem já decidiu que faz a própria pesquisa. Eles vão te olhar como os acorrentados olharam pro cara que voltou com desdendança, às vezes até ódio, porque você está ameaçando a realidade deles e as pessoas matam por menos. Platão não Sabia disso. Sócrates, o mentor dele, foi literalmente executado por fazer perguntas inconvenientes. O preço de sair da caverna pode ser alto socialmente, emocionalmente, às vezes até
fisicamente. Mas o preço de ficar também é alto. Você passa a vida inteira olhando pras sombras e achando que é real. A sacada genial de Platão é que ele não estava falando só de conhecimentos abstrato, ele estava falando de como nós vivemos. Suas Amizades [música] provavelmente são com gente que vê as mesmas sombras que você. Seu trabalho pode ser só uma sombra de uma vida que você realmente queria viver. Seus medos, suas ambições, seus sonhos. Quantos deles são seus de verdade e quantos são projeções que te disseram para perseguir? O diploma que te falaram que
ia te fazer feliz, o corpo que te disseram que precisava ter, [música] a carreira que te disseram que era Sucesso, sombras, tudo sombras. E o pior, quanto mais você questiona, mais solitário você fica, [música] porque a maioria das pessoas prefere a caverna, prefere a certeza confortável das sombras à luz ofuscante da verdade. E quem que pode culpá-las? A verdade raramente vem com um finalzinho feliz, embrulhado em laço. A verdade geralmente vem com a percepção desconfortável de que você desperdiçou anos perseguindo coisas que não importam, acreditando em Gente que te manipulou, ignorando parte de si mesmo
porque não se encaixavam na narrativa das sombras. Então, a pergunta que Platão te faz, a pergunta que ele fez há 2.500 anos e continua relevante porque a natureza humana é teimosamente a mesma, é simples. Você quer ficar na caverna ou não? Não tem resposta certa, só tem consequências. Fica e você vive confortavelmente numa mentira. Sai e você vive desconfortavelmente na verdade, provavelmente sozinho, Provavelmente incompreendido, provavelmente achando que era mais feliz quando era ignorante. Mas aqui tá o detalhe que faz tudo valer a pena. Uma vez que você vê o sol, mesmo que doa, [música] mesmo
que te queime os olhos, mesmo que te faça inimigos, você [música] não consegue mais não ver. Você não volta a acreditar nas sombras com a mesma convicção. A ignorância deixa de ser uma opção e talvez, só talvez, isso seja o mais próximo de liberdade que a Gente consegue. Não há liberdade de fazer o que quiser, mas a liberdade de ver o mundo como ele é, sem filtro, sem ilusões, sem as correntes reconfortantes da caverna te prendendo no lugar. Platão não te promete felicidade, ele te promete realidade. E se você aceitar a oferta, sua vida nunca
mais vai ser a mesma, [música] porque você vai passar o resto dela vendo todo mundo ainda acorrentado, ainda discutindo sobre sombras, ainda convencido de que a Parede da caverna é tudo que existe. E você, do lado de fora vai perceber uma verdade brutal. A maioria das pessoas prefere viver na caverna. Sempre preferiu. Sempre vai preferir. A questão nunca foi se as correntes eram reais. A questão sempre foi se você tem coragem de largar elas quando [música] percebe que pode. O estoicismo de Marco Aurélio, como um imperador romano te ensina a parar de reclamar. Imagina ser
o homem mais poderoso do mundo. Você comanda o Maior império que a humanidade já viu. Tem exércitos, palácios, riquezas que fariam o Jeff Bezos parecer um mendigo. Qualquer coisa que você quiser, você tem. Qualquer pessoa que te desagradar, você pode mandar matar. Você é literalmente um Deus vivo para milhões de pessoas. E mesmo assim você acorda de manhã e escreve no seu diário. Hoje eu vou encontrar gente ingrata, arrogante, desonesta e invejosa. Mas isso não é problema meu. Eu não posso controlar o Que eles fazem. Só posso controlar como eu reajo. Esse cara aí era
Marco Aurélio, imperador de Roma, filósofo históico e, provavelmente, o humano mais lúcido, que já teve poder absoluto nas mãos. A ironia é [ __ ] O cara que tinha [música] todo o poder do mundo passava o tempo livre lembrando a si mesmo que não controlava [ __ ] nenhuma. Enquanto isso, você que não tem um décimo do poder dele, vive [música] estressado porque alguém te cortou no trânsito, ou porque Seu chefe foi grosso, ou porque choveu no dia do seu churrasco. Marco Aurélio comandava legiões romanas enquanto uma praga matava 18 milhões de pessoas no império
dele e ele mantinha calma. Você talvez [música] perca compostura porque o Wi-Fi caiu durante uma reunião no Zoom. Vê a diferença? [música] O estoicismo não é sobre reprimir emoções ou virar um robô sem sentimentos. Essa é a interpretação rasa que todo mundo faz porque é mais fácil do que entender de Verdade. [música] O estoicismo é sobre uma coisa muito simples e ao mesmo tempo brutalmente difícil. Aceitar que a maior parte do que acontece na sua vida está completamente fora do seu controle e que a única coisa que você realmente controla é como você responde. Ponto
final. Não tem autoajuda fofa aqui, não. Não tem manifeste seus sonhos ou energia [música] positiva. Tem realidade crua. Merda vai acontecer, gente vai te decepcionar. Planos vão dar errado e Você pode espernear quanto você quiser. Isso não vai mudar os fatos. Pensa [música] assim, você tá preso no trânsito. Reunião importante em 20 minutos. Trânsito não se mexe. Você tem duas opções. [música] A opção A, socar o volante, xingar todo mundo, aumentar sua pressão arterial, chegar na reunião já estressado e irritado. E mesmo assim continuar atrasado, porque xingar não faz carro andar. A opção B, aceitar
que você não controla o trânsito, ligar Avisando do atraso, colocar um podcast, no caso o meu, respirar fundo, e chegar na reunião atrasado, mas mentalmente inteiro. Olha, nos dois cenários você chega atrasado. A diferença é que num deles você escolheu sofrer [música] desnecessariamente. Marco Aurélio chamava isso de dicotomia do controle. Separe o que depende de você do que não depende. O trânsito não [música] depende, sua reação depende. Foca no que depende. Isso parece óbvio, mas olha Quantas horas por dia você gasta se preocupando com coisas que não controla, a opinião dos outros sobre você, o
passado que não pode mudar, o futuro que não pode prever se vai chover no fim de semana, se a economia vai entrar em recessão, se aquela pessoa vai te responder no WhatsApp. Nenhuma dessas coisas está nas suas mãos. Nada zero. E mesmo assim você desperdiça a energia mental com elas como se preocupação mudasse alguma coisa. [música] E não Muda. Nunca mudou e talvez nunca vá mudar. A maioria do seu sofrimento é autoimposição. Não é a situação que te [ __ ] É o que você pensa sobre a situação. Choveu no dia do seu casamento. A
chuva não é o problema. O problema é você ter construído na sua cabeça a expectativa de um dia ensolarado, perfeito, e agora está comparando a realidade com essa fantasia. A realidade é neutra. A chuva não tá conspirando contra você, ela Simplesmente tá chovendo. Você que decidiu interpretar isso como tragédia pessoal. Epiteto, outro histórico, que foi escravo antes de virar filósofo, colocou da forma mais direta possível: "Não são as coisas que perturbam as pessoas, mas sim seus julgamentos sobre as coisas". Traduzindo, você está criando o seu próprio inferno mental. Pensa na pessoa que foi traída. A
traição dói. Óbvio que dói, mas parte da dor vem da traição em si e parte vem da História que você conta para si mesmo sobre a traição. Eu não mereço isso. [música] Como alguém pode fazer isso comigo? Minha vida acabou. Nenhuma dessas frases é verdade objetiva. São interpretações. E interpretações podem ser mudadas. Os históricos não estão dizendo para você fingir que não dói, estão dizendo para você reconhecer qual parte da dor vem do evento e qual parte vem da sua narrativa sobre o evento. Porque a narrativa, ao contrário do Evento, você pode controlar. Marco Aurélio
ficou famoso por escrever meditações, mas pouquíssima gente sabe o contexto. Ele não estava escrevendo um livro para publicar. Ele na real estava escrevendo lembretes para si mesmo enquanto ele comandava guerras, lidava com traições, via o império desmoronar ao redor dele por causa da peste antonina. Aquelas páginas eram ele tentando manter a sanidade no mundo caótico. A impedimento à ação promove a Ação. O que fica no caminho se torna o caminho. Ele não estava filosofando no ar. Ele estava literalmente cercado por obstáculos insuperáveis e escolhendo enxergá-los como oportunidades para praticar virtude. E essa é outra coisa
fundamental no estoicismo que [música] todo mundo ignora. Virtude não é sobre ser bonzinho. Virtude é sobre excelência de caráter, coragem, justiça, sabedoria, temperança. Os estoóicos acreditavam que a única coisa que realmente importa na Vida é ser uma pessoa virtuosa, porque isso é a única coisa que ninguém pode tirar de você. podem te tirar dinheiro, saúde, liberdade, relacionamentos, mas não podem te tirar a escolha de agir com integridade. Seneca, que era rico para [ __ ] mas também históico, foi forçado pelo imperador Nero a cometer suicídio. Ele poderia ter implorado, chorado, tentado barganhar. Em vez disso,
cortou os próprios [música] pulsos com calma, conversando com os Amigos sobre filosofia enquanto sangrava até a morte. Isso é estoicismo levado ao extremo. Controlar a única coisa que resta quando tudo mais foi arrancado de você. Mas vamos pegar isso e trazer paraa sua vida, que provavelmente não envolve suicídio forçado por imperadores romanos. Você tem um chefe babaca. Você não controla seu chefe, mas controla se vai deixar as grosserias dele arruinarem seu dia ou se vai manter sua paz interna e focar no trabalho. Você tem um Familiar tóxico, não controla o comportamento dele, mas controla se
vai entrar em todas as provocações ou se vai estabelecer limites saudáveis. Você tem uma doença crônica, não controla a doença, mas controla sua atitude em reação a ela, como cuida de si mesmo, como escolhe viver, apesar dela. Isso não é positividade tóxica, isso é pragmatismo brutal. E olha que interessante, o estoicismo virou moda entre empreendedores de tecnologia e Atletas de alto rendimento. Por quê? Porque funciona não no sentido de vai te deixar rico ou vai te fazer feliz. Funciona no sentido de que te dá uma estrutura mental para lidar com pressão extrema sem desmoronar. Tim
Ferris, que popularizou muito do estoicismo moderno, fala sobre uma prática [música] histórica chamada premeditátil malorum. Visualizar tudo que pode dar errado. Parece pessimismo, mas não é. É preparação. Se você já imaginou o pior Cenário possível e já aceitou que pode lidar com ele, o que que sobra para te assustar? Marco Aurélio fazia isso todo dia. Hoje eu vou encontrar gente difícil. Ele não esperava que o mundo fosse justo ou fácil. [música] Ele aceitava de antemão que seria uma merda. E justamente por isso, quando era, ele não ficava surpreso ou devastado. Ele já tinha feito as
pazes com a possibilidade. Compare isso com você, que acorde esperando que o dia seja Perfeito, que as pessoas sejam razoáveis, [música] que tudo corra conforme o planejado. E aí quando não corre, porque nunca corre, você se sente traído pela vida. Expectativas [música] não examinadas são o caminho mais rápido pro sofrimento. Tem uma frase de cênica que resume tudo: "Fazemos [música] planos para esta vida como se fôssemos viver para sempre e desperdiçamos a vida como se fôssemos morrer amanhã. Você adia conversa difícil porque vou [música] ter tempo depois. Você adia viajar porque quando me aposentar eu
vou. A dia perdoar porque quando eu estiver pronto. A dia viver [música] porque porque você acha que tem garantia de amanhã? Não tem. Marco Aurélio sabia disso. Você pode partir da vida agora mesmo. Deixe isso determinar o que você faz, diz e pensa. Não é sobreviver com medo da morte, é sobreviver com clareza de que o tempo é limitado e desperdiçá-lo com drama desnecessário é Burrice. Então aqui tá uma lição histórica que ninguém quer aceitar, mas todo mundo precisa ouvir. Pare de esperar que a vida seja justa. Pare de esperar que as pessoas sejam razoáveis.
Pare de esperar que você tenha controle sobre qualquer coisa além dos seus próprios pensamentos e ações. [música] O universo não te deve nada, as pessoas não te devem nada. A vida não é um contrato onde você faz a sua parte e recebe o que merece. É caos. E a única Sanidade possível nesse caos é aceitar que você não controla, agir com virtude no que você controla e largar o resto. Marco Aurélio comandou um império em colapso e morreu sabendo que tinha feito o melhor que podia com o que tinha. Você consegue dizer o mesmo sobre
sua segunda-feira? O nilismo de Niets. Quando você descobre que nada importa e o que fazer com isso. Frederique Niet não era nilista. Ele odiava nilismo. Ele achava que era uma praga, uma doença Cultural, o começo do fim da civilização ocidental. Mas ao mesmo tempo ele foi o cara que diagnosticou o nilismo melhor que qualquer um, que previu que a humanidade ia cair nessa armadilha e que tentou desesperadamente nos dar uma saída antes que fosse tarde demais. E spoiler, [música] foi tarde demais. Estamos vivendo exatamente a catástrofe nilista que ele previu há mais de 100 anos.
E a maioria de vocês nem percebeu ainda. Deus está morto. [música] Deus Continua morto e nós o matamos. Essa é provavelmente a frase mais famosa de Niet e também a mais mal interpretada. Toda vez que alguém cita isso achando que é sobre ateísmo, eu quero enfiar a cara dessa pessoa numa cópia de Hagaia ciência até ela entender o que está escrito. Niet não estava celebrando a morte de Deus. Ele estava anunciando uma tragédia. Ele estava dizendo: "Pessoal, a gente [música] destruiu a fundação de todo o nosso sistema de valores e vocês Estão aqui dançando no
topo das ruínas, sem perceber que o chão está prestes a desabar. A morte de Deus não é literal, é metafórica. É [música] sobre a perda do absoluto, da certeza moral, do grande significado que organizava toda a existência humana por milênios. Por milhares de anos, a humanidade tinha uma resposta paraa pergunta: Por que estamos aqui? Deus, o [música] divino, o transcendente, alguma força maior que dava sentido para tudo. Você sofria, mas Tinha propósito. Você morria, mas ia pro céu. Você obedecia regras morais porque elas vinham de cima. De uma autoridade inquestionável, então veio [música] o Iluminismo,
a ciência, a razão e lentamente, metodicamente, a humanidade foi desmontando a ideia de Deus. [música] Não de propósito, não por malícia, apenas porque, bem, as evidências não batiam. E [música] quando você tira Deus da equação, o que que sobra? Segundo Niet, nada. Vazio Absoluto, nilismo. O nilismo vem do latim niil, que significa nada. E é a crença de que a vida não tem significado inerente, que não existe propósito objetivo, que não há valores absolutos, que tudo é arbitrário. Você acha isso, libertador? Pensa de novo, Niet achava aterrorizante, porque quando você remove o fundamento moral, quando
você tira a âncora de significado, o que impede as pessoas de fazerem absolutamente qualquer coisa. Se não existe certo ou Errado objetivo, [música] se não existe julgamento divino, se no final todos morremos e vira po de qualquer jeito, por que não ser um monstro? Por que não roubar, matar, trair e mentir? Por que ser bom se bondade é só uma construção social sem base na realidade? Não me venha com porque é a coisa certa a fazer. Segundo quem você com base em que se não existe verdade absoluta, sua moralidade é tão válida quanto a de
um serial killer. Ele acha que matar é Certo, você acha que é errado. No universo nilista, nenhum de vocês está objetivamente correto, porque não existe correto. É só opinião, é só preferência pessoal. Você gosta de chocolate? Ele gosta de escartejar pessoas. Tomate, toma. Veio como isso escala rápido para um lugar sombrio. [música] Niet viu e ficou apavorado. Agora olha ao seu redor. Pensa na geração atual. Quantos dos seus amigos vivem com uma sensação de vazio existencial de que Nada realmente importa de que estão só passando o tempo até morrer? Quantos enchem esse vazio com Netflix,
redes sociais, consumismo desenfreado, qualquer distração que os impeça de encarar o abismo? Quantos deles trabalham em empregos que odeiam, em carreiras [música] que não significam nada para eles? vivem no piloto automático. Porque bem, que mais tem para fazer mesmo? Isso é nilismo passivo. Você não acredita em nada, Então não faz nada, só existe, só aguarda. Niet chamava isso de último homem, o ser humano que desistiu de aspirações elevadas, que não quer grandeza, que só quer conforto e segurança. O cara que acorda, vai pro trabalho, volta, assiste TV, dorme e repete. fim de semana, toma uma
cerveja, dá risada de meme, volta segunda-feira sem paixão, sem propósito, sem vida de verdade, só uma existência medíocre e confortável até a morte. E o pior, esse Cara tá feliz assim, ou pelo menos convencido de que está. Ele não questiona, porque questionar dói. É mais fácil você aceitar a mediocridade, abraçar o vazio e fingir que tá tudo bem. Mas aqui tem um problema. Niet não queria que você virasse nilista. Ele queria que você atravessasse o nilismo. Essa é a sacada que todo mundo [música] perde. O nilismo não é o fim da história, é o meio.
É o vale que você precisa atravessar depois que Deus Morre, mas antes de encontrar um novo significado. [música] E como você faz isso? Criando os seus próprios valores. N chamava isso de [música] transvaloração de todos os valores. Se não existe mais um Deus para te dizer o que é bom, você precisa decidir, você precisa criar, você precisa se tornar [música] seu próprio legislador moral. E aqui entra o Ubermch, o superhomem. Não, não é sobre superioridade genética ou merda nazista. Os nazistas distorcem Nietzs de um jeito tão grotesco que ele deve estar se revirando no túmulo
desde 1945. O Uber é a pessoa que aceita que não existe significado objetivo na vida, mas em vez de desmoronar, ela cria significado. Ela não precisa de Deus para [música] ser boa. Ela escolhe ser boa porque decidiu que bondade é o tipo de coisa que alguém admirável faria. Ela não obedece a moral tradicional por medo do inferno. Ela inventa sua própria moral baseada em excelência, Autenticidade, crescimento. Pensa no artista, ele sabe que a arte dele não tem significado cósmico. O universo não se importa se ele pinta ou não. E mesmo assim ele pinta. Por quê?
Porque ele decidiu que pintar importa para ele. Ele criou o significado onde não havia nenhum. Isso é vontade de potência. Outro conceito nitiano que todo mundo entende errado. Não é sobre dominar os outros, é sobre dominar a si mesmo, sobre tornar-se quem você realmente é, Sobre impor sua vontade criativa no caos da existência [música] e fazer algo belo emergir. Agora, compara isso com a pessoa mediana. Ela vai na igreja porque é assim que se faz. Trabalha no emprego porque precisa pagar as contas, casa porque já tá na idade, tem filhos porque é o próximo passo.
Em nenhum momento ela para para perguntar: "Eu quero isso? Isso significa algo para mim ou eu tô só seguindo um roteiro que alguém escreveu e me convenceu que era obrigatório? Niet Diria que essa pessoa é um escravo. Escravo da moralidade de rebanho, das expectativas sociais, do que os outros vão pensar. Ela nunca se tornou quem realmente é, porque nunca teve coragem de questionar quem mandaram ela ser. E olha, eu até entendo, questionar tudo é exaustivo e é aterrorizante. É muito mais fácil aceitar os valores prontos, as regras pré-estabelecidas. o roteiro da vida normal. Mas sabe
o que Niet diria sobre isso? Quem tem um porquê Para viver aguenta quase qualquer como. Se você não tem um porquê, se sua vida não tem um propósito que você genuinamente escolheu, [música] então qualquer dificuldade vai te destruir, porque você não tem âncora, você está a deriva e na primeira tempestade você afunda. Tem um conceito nitiano chamado amofat, amor ao destino. É a ideia de que você deveria amar sua vida exatamente como ela é, com todos os sofrimentos, todas as merdas, todas as Tragédias. Não apesar delas, por causa delas, porque elas te moldaram, elas te
fizeram forte, elas te deram profundidade. Niet, que passou a maior parte da vida adulta com dores de cabeça excruciantes, problemas de visão, isolamento social e eventualmente enlouqueceu completamente, escreveu: [música] "Minha fórmula para a grandeza num ser humano é amor fatão querer nada diferente, seja no passado, no futuro ou por toda a eternidade. Não apenas Suportar o necessário, menos ainda ocultá-lo, mas amá-lo. Você consegue fazer isso? Olhar pra sua vida com todas as cagadas, todos os arrependimentos, todas as perdas e dizer: "Eu não mudaria nada". A maioria não consegue. [música] A maioria vive remoendo o passado
ou sonhando com um futuro melhor. Porque em outro lugar, outro tempo, nunca aqui, nunca agora. E isso é anilismo de novo, só que de um tipo diferente. É negar a única vida que você tem, porque ela não Corresponde à fantasia que você construiu. N também tinha essa imagem [ __ ] do eterno retorno. [música] Imagina que um demônio aparece para você e diz: "Você vai viver essa vida exatamente igual, nos mínimos detalhes, [música] infinitas vezes. Cada dor, cada vergonha, cada momento de tédio para sempre. Sua reação a isso diz tudo sobre como você está vivendo.
Se a ideia te apavora, significa que você está vivendo uma vida que não quer. Se você pode Olhar pro demônio e dizer: "Traga", significa que você aceitou sua existência, que você criou o significado suficiente para fazer valer a pena. A verdade é que Niet estava tentando nos salvar do nilismo, não nos empurrando para ele. Ele viu que a religião estava morrendo e que a ciência não preenchiu o vazio que ela deixava. Ciência te diz como [música] as coisas funcionam, não porque você deveria se importar. Ele sabia que sem um novo sistema de Valores, sem uma
nova forma de criar significado, a humanidade ia cair num buraco de desespero existencial. [música] E adivinhe? Estamos nesse buraco. Depressão em níveis epidêmicos, suicídio disparando, pessoas vivendo até os 80, mas nunca realmente vivas. Niilismo venceu. Mas não precisava ser assim e ainda não precisa. A saída que Niet oferece é simples, mas brutalmente difícil. Pare de esperar que a vida Tenha significado embutido. Pare de procurar propósito fora de você em Deus, no destino, no cosmos. Você é o criador de significado. Você escolhe o que importa. Você decide o que vale a pena. E sim, essa responsabilidade
é esmagadora. Sim, é mais fácil quando alguém te diz o que fazer, mas essa facilidade vem ao custo da sua liberdade, da sua autenticidade e da sua vida real. Niet morreu louco, sozinho, desconhecido. Suas ideias só ganharam Força depois da morte dele. Ele nunca viu o impacto que teve. Ele viveu no vazio nilista que tanto temia e mesmo assim continuou escrevendo, criando, [música] tentando construir uma filosofia que salvasse os outros. Isso daí não é nilismo, isso [música] é o oposto. Isso é criar significado no meio do absurdo. Isso é olhar pro abismo e dizer: "Foda-se,
eu vou fazer algo belo mesmo assim". E no final é isso que ele está Te pedindo, não que você vire nilista, mas que você atravesse o nilismo, aceite que nada tem significado inerente. E então, justamente por causa disso, escolha criar algo que importa. Porque se nada importa cósmicamente, então tudo que você decide que importa pessoalmente se torna sagrado. E essa liberdade aterrorizante é a única verdadeira liberdade que existe. O existencialismo de Sartre, a liberdade que você tem medo de encarar. Jean Paul Sartre estava sentado num café em Paris. Aliás, porque onde mais um filósofo francês
estaria, né, quando ele teve uma das piores revelações que um ser humano pode ter. Você é completamente, absolutamente irrevogavelmente livre. E isso não é uma coisa boa, é aterrorizante. Porque liberdade total significa responsabilidade total. [música] Significa que cada decisão que você toma, cada ação que você faz ou deixa de fazer, cada caminho que você Escolhe ou evita, é inteiramente sua culpa. Não de Deus, não do destino, não da sua infância traumática, não da sociedade, não do seu signo, sua. E a maioria das pessoas preferia morrer a aceitar isso. Vamos começar pelo básico. A existência precede
a essência. Essa é a frase que define o existencialismo. E parece complicada, mas é simples para [ __ ] Pega uma cadeira. Antes da cadeira existir, alguém teve a ideia de cadeira na cabeça. Quatro pernas, um Assento, serve para sentar. A essência da cadeira veio antes da cadeira em si. Primeiro você define o que é, depois você constrói. Faz sentido? Agora pega você, você nasceu, bum, existe. Mas o que você é? Nada. Você não nasceu com o manual de instruções dizendo: "Essa pessoa é honesta" ou "essa pessoa é covarde", ou: "Essa pessoa é artista, você
simplesmente existe." E só depois, através das escolhas que você faz, você cria sua essência. Você existe primeiro E depois você decide quem é, ou pelo menos deveria. Mas aqui tá o problema. Ninguém quer essa responsabilidade. É pesado demais. [música] É muito mais confortável acreditar que você nasceu de um jeito e pronto. Acabou. É assim que você é. Ah, eu sou tímido por natureza. Eu sou péssimo com dinheiro. Sempre fui. Eu tenho um gênio explosivo. É genético. Mentira. Tudo mentira. Você não é nada. Você escolhe ser tímido toda vez que decide não falar. Você escolhe ser
Péssimo com dinheiro toda vez que gasta o que não tem. [música] Você escolhe ser explosivo toda vez que grita em vez de respirar fundo. E admitir isso, admitir que você está criando ativamente a pessoa merda que você é, dói demais. Então você inventa desculpas. Você se esconde atrás de rótulos, diagnósticos, histórias sobre seu passado. Sartre tinha um nome para isso, máfé. Máfé é quando você mente para si mesmo sobre sua própria liberdade. É quando você Finge [música] que não tem escolha quando, na verdade tem. O exemplo clássico de Sartre é o garçom. Ele descreve um
garçom que se move de forma exageradamente serviu, que [música] performa o papel de garçom com tanta intensidade que parece um robô. Por quê? Porque ele está escondendo sua liberdade atrás da função social. Eu sou um garçom, então eu tenho que agir assim. Não, você não tem. Você escolheu agir assim, mas é mais fácil dizer: "É meu Trabalho" do que admitir, eu escolho fazer isso porque preciso de dinheiro e tenho medo de ser demitido. A primeira versão te tira a responsabilidade. A segunda te força a encarar que você está trocando sua dignidade por um salário. E
olha, eu não tô julgando, eu entendo. Responsabilidade total é insuportável. Sartre mesmo disse que o ser humano estava condenado a ser livre. condenado, não abençoado, não sortudo. Ele disse condenado, [música] porque você não Pediu para nascer, você não escolheu existir, mas agora que você existe, você é obrigado a escolher constantemente o tempo todo e sem pausa. E cada escolha define quem você é. Cada escolha é um verídico sobre seu caráter. Cada [música] escolha é um veredito sobre seu caráter. Você não pode escapar disso, nem dormindo, porque até escolher dormir em vez de estudar é uma
escolha que diz algo sobre quem você é. Pensa na pessoa que fica num relacionamento tóxico. Ela Sabe que deveria sair. Todo mundo ao redor dela sabe que ela deveria sair, [música] mas ela fica. E se você perguntar por ela vai te dar mil razões. É complicado. A gente tem história juntos. Ele promete que vai mudar. Eu não consigo imaginar minha vida sem ele. Todas [música] essas coisas são desculpas para não encarar a verdade. Ela está escolhendo ficar. Toda manhã que ela acorda e não vai embora. É uma escolha. E ela sabe lá no fundo, ela
Sabe que poderia pegar a mala e sair pela porta, mas ela não faz porque liberdade dói, porque recomeçar assusta, porque é mais fácil se ver como vítima das circunstâncias do que como agente das próprias decisões. Sart diria que ela está vivendo em máfé. Ela está mentindo para si mesma sobre sua própria liberdade. [música] E o pior, ela sabe que está mentindo. Mafé não é autoengano [música] completo. Você não acredita realmente nas suas Próprias desculpas. Você sabe que são desculpas, mas você finge que acredita porque a alternativa encarar sua liberdade total é aterrorizante demais. Agora vamos
falar de outra ideia existencialista que ninguém quer ouvir. Você é responsável não só por suas ações, mas por suas emoções. Ai, mas eu não escolho ficar ansioso. Não, na real, você escolhe. Ansiedade é uma forma de se relacionar com o futuro. Você está olhando para possibilidades futuras e Escolhendo focar nas ruins. Mas eu não consigo controlar. Você até consegue. Só não quer. Porque a ansiedade, por mais dolorosa que seja, também te dá algo, te poupa de agir. Enquanto você está ansioso sobre mudar de emprego, você não precisa efetivamente mudar de emprego. A ansiedade vira desculpa,
paraa inércia. E inércia é confortável. Sartre foi além. Ele disse que até as suas paixões são escolhas. Ah, mas eu amo essa pessoa. Não é escolha, cara. É sim. Você Escolhe continuar amando todo dia. Toda vez que você pensa nela com carinho, toda vez que você prioriza ela, toda vez que você perdoa alguma merda que ela fez, isso são escolhas. Amor não é um raio que te acerta e pronto, você está enfeitiçado para sempre. Amor é uma série contínua de decisões. E quando você para de escolher a pessoa, o amor acaba. Simples assim. Mas é
muito mais romântico dizer: "Eu não consigo evitar é amor verdadeiro do que eu acordo todo Dia e ativamente decido continuar investindo nessa pessoa." Uma versão te tira o controle, a outra te dá. Adivinha qual é a maior? Adivinha qual a maioria prefere? E tem mais. Sartre disse que você é responsável pelo mundo inteiro. Não literalmente, mas no sentido de que cada escolha que você faz é um voto sobre como o mundo deveria ser. Quando você escolhe ser honesto, você está dizendo honestidade [música] é importante. Quando você escolhe ser Covarde, você está dizendo covardia é aceitável.
Não adianta pensar: "Ah, mas eu sou só uma pessoa, [música] minha escolha não importa". Importa porque se você pode usar essa desculpa, qualquer um pode. Se todo mundo pode se exentar de responsabilidade, porque é só uma pessoa, então ninguém é responsável por nada. E aí você tem nazismo. Literalmente Sartre viveu a ocupação nazista da França. Ele viu em primeira mão o que acontece quando pessoas Decidem que não são responsáveis, que estão só seguindo ordens, que não podiam fazer nada. Mentira, sempre dá para fazer algo, mesmo que seja só se recusar a colaborar e aceitar as
consequências. E aqui a gente chega na parte mais brutal do existencialismo. Você não tem desculpa nunca. Infância difícil, trauma, doença mental, pobreza, tudo isso [música] é real. Tudo isso importa. Tudo isso torna sua vida mais difícil. Mas não tira sua liberdade, não tira sua Capacidade de escolha, não tira sua capacidade de escolher como responder. Victor [música] Frank sobreviveu a Auschwitz e escreveu sobre como até num campo de concentração, literalmente a situação mais desumana possível, as pessoas ainda não tinham liberdade de escolher sua atitude. [música] Alguns prisioneiros viraram animais, roubavam comida uns dos outros, perdiam [música]
toda a humanidade. mantam dignidade, compartilhavam ração, Ajudavam os mais fracos, mesmas circunstâncias e [música] escolhas diferentes. Sartre não estava dizendo que todos começam do mesmo lugar. Óbvio que não. Ele está dizendo que não importa onde você começa, você sempre tem escolhas sobre o próximo passo. Sempre. e tentar negar isso, tentar se esconder atrás de determin e tentar negar isso, tentar se esconder atrás de determinismo ou destino ou genética é máfé, é covardia filosófica. Teve uma Vez que Sartre foi questionado sobre um jovem durante a Segunda Guerra que veio pedir conselho. O garoto estava dividido, deveria
ficar e cuidar da mãe doente ou se juntar à resistência francesa e lutar contra os nazistas. Sartre ouviu tudo e no final disse: "Você é livre, escolha". O garoto ficou puto, mas eu vim aqui justamente para você me dizer o que fazer. E Sartre respondeu: [música] "Se você veio até mim e não até um Padre, você já escolheu. Você queria ouvir que deveria ir lutar, mas a escolha é sua." Sempre foi. Isso é existencialismo cru. Ninguém pode decidir por você. Ninguém pode tirar o peso de escolha dos seus ombros. E você não pode transferir a
responsabilidade para outra pessoa. Você escolhe, você arca. Agora vem a cereja do bolo. A angústia existencial. Sartre dizia que quando você realmente encara a sua liberdade, você sente angústia. Não Ansiedade sobre algo específico. Angústia sobre tudo, [música] sobre o fato de que você poderia a qualquer momento fazer literalmente qualquer coisa. Você está dirigindo numa ponte. Nada te impede de virar o volante e se jogar no rio. Você tem uma faca na cozinha. Nada te impede fisicamente de esfaquear alguém. Você tem liberdade total. E isso é apavorante, porque significa que a única coisa entre você e
o caus absoluto é você. suas escolhas, Sua integridade. Nada externo te segura, você segura. E a maioria das pessoas não aguenta encarar isso. Então, elas criam correntes invisíveis. Eu não posso fazer isso porque minha família esperaria que eu não posso fazer isso porque não é quem eu sou. Mas Sartre te lembra, você não é nada. Você está se fazendo cada segundo. Hoje você é honesto. Amanhã você pode escolher ser ladrão. Não existe essência fixa te impedindo. Só suas escolhas repetidas criando um Padrão que você chama de eu. Então [música] aqui tá a verdade existencialista que
ninguém quer aceitar. Você é completamente livre, completamente responsável e completamente sem desculpas. [música] Sua vida é o resultado direto das suas escolhas. Se você não gosta dela, você escolheu errado. E a boa notícia, a única boa notícia nessa filosofia é que você pode escolher diferente a partir de agora. Não amanhã, agora. Nesse segundo, Você pode se levantar e mudar completamente de direção. Nada te impede, exceto você mesma. E se você não [música] faz, se você continua na mesma, não é porque não pode, é porque você não quer, porque tem medo, porque é mais fácil viver
em máfé, fingindo que você é vítima [música] do que assumir o papel de autor da própria vida. Sartre morreu aos 74 anos, cego e mesmo assim continua escrevendo até o fim. Ele recusou o prêmio Nobel de Literatura porque não queria ser definido por instituições. Ele viveu o que pregou: liberdade radical, responsabilidade total, autenticidade absoluta e foi miserável. Provavelmente. Liberdade não te faz feliz. Liberdade te faz livre. E liberdade é pesada, solitária e exaustiva. Mas é a única coisa que você realmente tem. Então a pergunta que Sartre te deixa é simples. Você vai continuar fingindo que
não é livre ou vai ter coragem de assumir sua Vida e fazer dela o que você quiser, sabendo que se der merda, a culpa é só sua? O hedonismo de Epicuro. Prazer não é o que você pensa que é. Quando você ouve a palavra hedonismo, provavelmente pensa em orgias romanas, drogas, excessos. Aquele playboy idiota gastando a herança do pai em champanhe de 1.000 enquanto modelos dançam ao redor dele. Você pensa em prazer desenfreado, em viver o momento sem pensar no amanhã, em yol antes do Drake existir. E é Exatamente por isso que você não entende
por nenhuma de hedonismo. Porque Epicuro, [música] o cara que inventou essa filosofia lá em 300 a de. Crist, viveu numa cabana comendo pão e água a maior parte da vida. Ele dizia que o maior prazer possível era sentar com os amigos e conversar num jardim. Nada de cocaína, nada de Ferrari, nada de Instagram, só paz. E isso daí [ __ ] completamente com a cabeça de todo mundo que acha que Hedonismo é sobre ser um animal hedonista. Vamos voltar pro básico. Epicuro disse uma coisa muito simples. O objetivo da vida é maximizar prazer e minimizar
dor. Ponto. Parece óbvio, né? Todo mundo quer prazer, ninguém quer dor. Mas aqui tá o truque. Epicuro não estava falando do prazer que você pensa. Ele estava falando de Ele não estava falando de dopamina instantânea, de gratificação imediata, de preencher cada segundo da sua vida com estímulos. Ele Estava falando de ataraxia, tranquilidade da alma, a ausência de perturbação, o tipo de satisfação profunda que você sente quando não precisa de nada, não deseja nada, não sofre com nada. é o oposto do que a cultura moderna vende como prazer. Pensa no cara que passa o final de
semana enchendo a cara, transando com alguém que mal conhece, comprando merda que não precisa, postando foto de tudo para provar que está curtindo a vida. Segunda-feira chega e ele tá vazio, de ressaca, endividado e planejando [música] o próximo fim de semana porque precisa fugir do vazio de novo. Esse cara acha que é hedonista. Epicuro diria que ele é um idiota. Porque prazer seguido de dor não é prazer de verdade, é autossabotagem com filtro do Instagram. [música] Epicuro dividia prazer em dois tipos, cinético e estático. Prazer cinético é o que você sente enquanto satisfaz um desejo.
Você Está com fome, morde o hambúrguer, sente aquele gosto explosivo. Isso é prazer cinético, movimento, [música] processo, mas dura segundos. Você mastiga, engole e acaba. Aí vem o prazer estático. Você não está mais com fome. Seu estômago [música] está satisfeito. Você pode sentar, relaxar, existir sem necessidade. Isso é o prazer de verdade. Segundo Epicuro, não a explosão, mas a tranquilidade que vem depois. Não o orgasmo, mas a paz de não estar Consumido por desejo sexual. [música] Não a compra, mas a satisfação de não precisar de mais nada. E aqui que tá o problema. A sociedade
moderna é estruturada para te manter eternamente no prazer cinético, nunca te deixar chegar no estático. Você compra o celular novo, sente aquela excitação por duas semanas, aí lança o modelo seguinte e você já está insatisfeito de novo. Você começa a namorar, tudo é [música] intenso e apaixonado. Depois vira rotina E você acha que perdeu a chama porque confunde amor com adrenalina. Você ganha um aumento, fica feliz [música] por um mês, depois se acostuma e quer o próximo. É a esteira edônica. Você corre, corre, corre. atrás de prazer, mas nunca chega na paz, porque paz não
vende, tranquilidade não dá lucro, conforto genuíno mantém você endividado e consumindo. Epicuro percebeu isso há 2300 anos. Ele olhou pra sociedade grega, pra galera correndo atrás de Fama, poder, riqueza e pensou: "Esses idiotas nunca irão ser felizes assim". [música] Então ele se retirou, comprou um terreno nos arredores de Atenas, criou uma comunidade chamada O Jardim e convidou os amigos para viverem com ele. Nada de luxo, nada de banquetes elaborados, só comidas simples, conversas filosóficas e ausência de estresse. E ele foi [música] feliz, genuinamente, profundamente feliz. Enquanto reis e generais morriam Amargos, apesar de todas as
conquistas, Epicuro morreu em paz, tendo vivido com quase nada. Mas antes que você romantize demais, [música] Epicuro não era a seta. Ele não achava que você devia sofrer de propósito ou rejeitar todo prazer. Isso seria estupidez de outro extrema. Se alguém te oferecesse um vinho bom, você bebe. [música] Se tem uma comida deliciosa, você come. O ponto é: não se torne escravo disso. Não deixe seu prazer depender de estímulos externos Que podem ser tirados de você a qualquer momento. [música] Quanto mais você precisa de coisas externas para ser feliz, mais vulnerável você fica. Quanto mais
simples seus prazeres, mais estável é sua felicidade. [música] Tem uma carta que Picuri escreveu, onde ele diz: "Eu me alegro ao comer pão e água e cuspo nos prazeres do luxo, não por eles mesmos, [música] mas pelas dificuldades que o seguem. Ele não odiava luxo, ele odiava a armadilha que vem junto. Porque Quando você se acostuma com cavear, pão não te satisfaz mais. Quando você se acostuma com carro de [música] luxo, carro normal não serve mais. Quando você se acostuma com validação constante nas redes sociais, ficar sozinho vira tortura. Você criou dependências que te tornam
frágil. Agora pensa na pessoa que precisa do café da manhã num hotel cinco estrelas para se sentir bem. Compare com a pessoa que sente gratidão genuína por um pão com manteiga. Quem é mais livre? Quem é mais feliz? O primeiro precisa de muito dinheiro e infraestrutura para manter [música] sua felicidade. O segundo precisa de R$ 3. Epicuro estava jogando xadrez enquanto todo mundo jogava damas. ou o contrário. E tem outro ponto que ninguém fala. Epicuro era absolutamente obsecado com amizade. Ele achava que amizade era o maior prazer possível. Não sexo, não comida, não conquista. Amizade
ter pessoas ao seu lado com quem você pode ser Completamente autêntico, que te aceitam, que compartilham tempo de qualidade contigo sem querer nada em troca. [música] Ele dizia: "Não é tanto a ajuda dos amigos que nos ajuda, mas a confiança de sua ajuda. [música] Saber que tem alguém que estaria lá se você precisasse já é o suficiente. Você nem precisa pedir. Só saber que pode já te traz paz. Tenta comparar isso com as suas amizades hoje. Quantas delas são reais? Quantas delas são só seguidores No Instagram que você nunca viu na vida? Quantas são baseadas
em conveniência? Colegas de trabalho que você aguenta porque precisa, conhecidos que você vê em festas e finge que gosta. Epicuro teria pena de você, porque você está trocando profundidade por quantidade, qualidade por aparência. [música] Você tem 500 amigos no Facebook e nenhum que você pode ligar às 3 da manhã quando sua vida desmorona. Outra coisa que Epicuro pregava: fuja da política. Não se Envolva. Não busque poder. Não tente mudar o mundo. Viva quieto no seu canto com as pessoas que você ama. E olha, eu sei que isso vai contra tudo [música] que te ensinaram sobre
fazer diferença e deixar um legado, mas pensa honestamente, quantos do seus estresses vem de tentar controlar coisas que não estão no seu controle? [música] Quantas noites de sono você perdeu com eleição, economia, guerra do outro lado do mundo? Você não tem poder nenhum sobre essas Coisas? E mesmo assim você consome notícia, debate online, se enfurece, se angústia. Para quê? Tá te deixando mais feliz? [música] Não. Tá mudando alguma coisa? Não, você está só se [ __ ] mentalmente de graça. Epicuro diria: "Desligue, pare de consumir tragédia alia como entretenimento. [música] Pare de se envolver em
drama político que não afeta sua vida direta. Foque no que você pode controlar. Sua saúde, suas amizades, sua paz de espírito. Viva Oculto." Era o lema dele. Não porque ele era covarde, mas porque ele era esperto. Quanto mais exposição você tem, mais vulnerável você fica. Quanto mais você busca reconhecimento público, mais você depende da opinião alheia para se sentir bem. E a opinião alheia [música] é a coisa mais instável e arbitrária que existe. Mas aqui vem a revirta que ninguém espera. Epicuro também era ateu. Bem, quase. Ele acreditava que deuses existiam, mas que eles estavam
nem aí Pra humanidade. Viviam num plano próprio, completamente desinteressados em oração, sacrifício ou qualquer coisa que humanos faziam. E isso daí foi radical paraa época, porque Picuro estava dizendo, você não precisa ter medo do inferno, não precisa agradar os deuses, não precisa viver apavorado com castigo divino. Viva de forma que minimize seu sofrimento agora, não de forma que evite punição depois da morte. E sobre a morte, Epicuro tinha a frase Mais libertadora da filosofia antiga: "A morte não é nada para nós. Quando estamos vivos, a morte não está presente. Quando a morte está presente, nós
não estamos. [música] Você nunca vai experimentar estar morto. Então, por que temer? Temer a morte é tão irracional quanto temer o tempo antes de você nascer. [música] Você não sofreu, então você não vai sofrer depois. É só não existência e não existência não dói. Mas claro, humanos adoram ignorar a lógica Quando se trata de medo. Você vive angustiado com a própria mortalidade, desperdiça anos se preocupando com algo inevitável. E nesse processo você perde a chance de aproveitar o tempo [música] que tem. Epicuro diria: "Para de ser idiota. você vai morrer, aceita. E já que vai
morrer mesmo, porque não vive de forma que cada dia seja bom suficiente para você não se importar se morre amanhã. Não no sentido de viva perigosamente, mas no sentido de viva Tão bem que a morte não seja uma tragédia, só uma interrupção de algo que já estava bom, o que mais [ __ ] com a cabeça de todo mundo. Epicuro não achava que você devia buscar o máximo prazer possível. Ele achava que você devia buscar a ausência de dor. É diferente. Maximizar prazer te leva ao excesso, à dependência, ao sofrimento futuro. Minimizar dor te leva
à simplicidade, à autossuficiência, [música] a paz. E paz é melhor que qualquer pico de prazer que Você consiga imaginar, porque paz é sustentável, prazer não é. Então, quando você vê um bilionário com mansão, jatinho, iade, e ainda assim infeliz para [ __ ] tomando antidepressivo, indo pra terapia três vezes por semana, lembra do Epicuro na cabana dele comendo pão. Quem entendeu melhor o jogo? O cara que precisa de milhões para sentir um segundo de satisfação ou o cara que sentia gratidão profunda por água limpa e uma tarde com os amigos? >> [música] >> Hedonismo de
verdade não é sobre ter tudo, é sobre precisar de tão pouco que nada pode te tirar a felicidade. E isso daí, meu caro ouvinte moderno, viciado em dopamina instantânea, é algo que você nunca provavelmente vai experimentar enquanto continua achando que prazer está na próxima compra, no próximo match [música] ou no próximo like. A dialética de Higel, porque tudo na vida é uma tese, antitese e síntese, e você está Preso nisso. George Wilven Frederick Hegel. Era tão complicado de entender que até os outros filósofos desistiam no meio dos livros dele. Tem uma piada que diz que
só três pessoas no mundo entenderam Higgel completamente. O próprio Higgel, Deus e um professor alemão que depois admitiu que estava mentindo. E sabe o que que é mais engraçado disso tudo? [música] Mesmo sendo incompreensível, Hegel mudou completamente como a humanidade entende História, progresso e apo da realidade. Porque ele teve uma sacada tão [música] simples e ao mesmo tempo, tão [ __ ] que uma vez que você vê, não consegue mais não ver. Tudo na vida é conflito e conflito gera evolução. Toda ideia carrega dentro de si sua própria destruição. E do caos [música] dessa destruição
nasce algo novo. Isso não é poesia, é literalmente como o universo funciona. A dialética hegeliana é sempre explicada como tese, antitese e síntese. Embora Hegel nunca tenha usado exatamente esses termos porque ele gostava de complicar tudo, mas a ideia é essa mesma. Você tem uma ideia, uma situação, um estado de coisas. Isso é a tese. Aí essa tese, só por existir, automaticamente cria sua oposição, [música] a antitese. Essas duas forças entram em conflito e desse conflito não surge vencedor ou perdedor, [música] mas algo totalmente novo que incorpora elementos De ambos, a síntese. E aí essa
síntese vira a nova tese, que gera uma nova antitese, que gera uma nova síntese e assim por diante até o fim [música] dos tempos. é uma espiral infinita e você, sua vida, suas relações, suas crenças, [música] tudo isso está preso nessa máquina dialética se você percebe ou não. Vamos usar um exemplo concreto, porque Hig abstrato é insuportável. [música] Pensa na adolescência. Quando você é criança, você acredita em tudo Que seus pais dizem. Eles são a autoridade absoluta. Isso daí é a tese. Meus pais estão certos sobre tudo. Aí você vira adolescente e de repente percebe
que seus pais são humanos falhos que não sabem de [ __ ] nenhuma. Antitese, meus pais estão errados sobre tudo. Você rebela, briga, faz questões de fazer [música] o oposto do que eles mandam só para provar que você não é mais criança. Conflito, tensão, sofrimento de ambos os lados. Isso aí Então, se você tiver sorte e não for burro demais, você chega na síntese: "Meus pais estão certos sobre algumas coisas, errado sobre outras e eu posso pegar o que funciona e descartar o que não funciona." Você integra, você evolui e essa síntese vira a tese
de como você vai criar seus filhos que vão rebelar contra você e o ciclo continua. [música] Entendeu como isso funciona? Não é que a tese estava totalmente errada, não é que a antitese estava totalmente certa, é Que ambas eram incompletas. E só através do conflito entre as duas que você chega numa verdade mais completa. Hagel chamava isso de Alfang, uma palavra alemã impossível de traduzir que significa simultaneamente cancelar, preservar e elevar. A síntese cancela a tese e a antitese, mas preserva o que tinha de verdadeiro em cada uma. Releva tudo para um nível superior de
compreensão. E isso daí aparece em tudo. Tudo. Pega relacionamentos. No começo é Pura [música] tese. Essa pessoa é perfeita. Você só vê qualidades. Tudo que ela faz é lindo. Você está apaixonado, idealizado, cego. Aí passa a fase da lua de mel e chega a antitese: "Essa pessoa é insuportável". Agora você só vê defeitos. As manias que você achava fofas viram irritantes. As diferenças que pareciam interessantes viram incompatibilidades. Conflito, [música] briga, você pensa em terminar. E aí, se o relacionamento sobrevive, Você chega na síntese. Essa pessoa é complexa, tem qualidades e defeitos. Eu escolhificar mesmo assim.
Amor maduro não é [música] mais idealização nem desilusão, é aceitação realista. E relacionamentos que não chegam nessa síntese morrem na antitese, com um ou ambos os lados presos na amargura de que não [música] era o que eu esperava. Você pode pegar a sua carreira também, a tese, eu, você, aí você imagina uma profissão dos seus sonhos [música] e Você feliz para sempre, você estuda, se forma, consegue o emprego. A antitese, isso aqui é um [música] inferno. Não era nada do que eu imaginava. A realidade básica, política de escritório, tarefas chatas, chefes idiotas, salário menor do
que esperado, conflito interno, crise existencial e a síntese se você for inteligente. Essa carreira tem partes que eu amo e partes que eu odeio. E eu preciso encontrar o jeito de maximizar as primeiras e minimizar as segundas. Ou Então você muda completamente de área, mas leva as lições aprendidas, que também é síntese. Hegel aplicava isso até em escala histórica. Para ele, a história humana inteira é dialética. Você tinha sociedades monárquicas absolutas onde o rei era tudo. [música] Tese, aí veio o Iluminismo e as revoluções dizendo: "Não, o povo é que importa, a democracia total. Antese."
E o que que surgiu? Democracias constitucionais que equilibram o poder Do Estado com liberdade individual. Síntese. Mas essa síntese virou tese de novo. E agora você tem antiteses. Vai surgir uma nova síntese que a gente ainda nem imagina qual é. A história não é linear, é espiralada. dois passos paraa frente, um para trás, de lado para cima, mas sempre, sempre se movendo através de conflito. [música] E aqui talvez venha a parte que ninguém gosta de aceitar. Conflito não é opcional, não é um bug do sistema, [música] é o Sistema. Você não evolui sem conflito, não
cresce sem contradição, não chega em síntese sem passar pela [ __ ] da antitese. Toda vez que você tenta evitar conflito, tenta manter a paz a todo custo, tenta ficar só na tese confortável, você está se condenando à estagnação. Hegel diria que você está negando a própria natureza da realidade. Pensa nas pessoas que vivem em bolhas ideológicas. Elas se cercam de gente que pensa igual. Consomem apenas mídias que Confirma para elas o que elas já acreditam. bloqueiam qualquer voz discordante, pura tese, sem antitese, [música] sem síntese, sem crescimento. Elas ficam cada vez mais radicais, cada
vez mais desconectadas da realidade, porque nunca testam suas ideias contra oposição real. E quando finalmente encontram antitese, uma opinião contrária, um fato inconveniente, elas entram em colapso ou dobram a aposta na tese original em vez De fazer a síntese. É por isso que tanto debate político hoje é inútil. As pessoas não estão buscando síntese, estão tentando destruir a antitese completamente e impor a tese como verdade absoluta. Isso daí não funciona, nunca funcionou e nunca vai funcionar. Hegel também tinha essa ideia maluca e genial chamada Velt Gast, o espírito do mundo. É a noção de que
a história humana está evoluindo em direção a algo, que existe uma consciência coletiva da Humanidade que vai ficando mais sofisticada com o tempo através desse processo dialético místico, sua delirante. Mas pensa um pouco, a humanidade evolui moralmente, não perfeitamente, não linearmente, mas evolui. Há 1000 anos, escravidão era normal. Hoje é crime contra a humanidade. Há 500 anos, queimar pessoas por heresia era aceitável. Hoje é barbarismo. Como isso aconteceu? Dialética. Tese: escravidão é natural e Necessária. Antitese: escravidão é desumana e deve acabar. Conflito violento literal, guerras civis, revoluções, síntese, [música] abolição em quase todo lugar com
ressalvas, porque a história é uma bagunça. E antes que você pense que chegamos no fim da história, que alcançamos a síntese final e agora é só manutenção, [música] Francis Fukuyama tentou vender essa ideia nos anos 90 com o fim da Guerra Fria. Democracia liberal capitalista Venceu. É o estágio final da evolução política humana. Hegel riria dele, riria muito porque não existe síntese final. Sempre [música] tem uma nova antitese surgindo, sempre tem uma nova contradição sendo revelada. A história não acaba, o conflito não para. E qualquer um que te diz que chegamos num sistema perfeito, que
não precisa mais evoluir, é um idiota ou está tentando te vender alguma coisa. Agora vamos falar de uma aplicação dialética que vai [ __ ] Com a sua cabeça. Você mesmo. Você acha que você é uma pessoa consistente, coerente, com uma [música] identidade fixa? Você é um campo de batalha dialético. Você tem desejos contraditórios lutando dentro de você o tempo todo. Parte de você quer segurança, outra parte quer aventura. Parte quer disciplina, outra quer liberdade, parte quer intimidade, outra que é solidão. Tese versus antitese, rodando 24x7 na sua cabeça. E quando Você toma uma decisão,
você não está sendo fiel a si mesmo. Você está fazendo uma síntese temporária entre forças opostas. [música] E amanhã essas forças vão mudar de lado e você vai ter que sintetizar de novo. Isso daí explica porque você pode ser tão hipócrita. Porque você pode defender uma coisa num contexto e fazer o oposto em outro. Não é porque você é falso, é porque você é dialético. Você contém multidões, como disse o Alt Whtman. E essas multidões Estão constantemente em conflito. A questão não é eliminar o conflito interno. Você não consegue. A questão é orquestrar a sínteses
de forma que você não vire um caos ambulante. Hegel era cristão e ele via Cristo como a síntese perfeita de divino e humano. Deus, tese, e homem, antitese, unidos em uma pessoa. Síntese [música] e a crucificação e ressusceição como o ápice dialético, morte antitese da vida, levando à ressusceição, síntese que transcende Ambos. Você não precisa ser religioso para ver a generalidade disso como framework. Qualquer heroísmo, qualquer transformação real passa por morte simbólica. Você precisa matar quem você era. Tese: Antes de conflito e sofrimento. Antitese: Para renascer como alguém novo. Síntese. Toda a história de superação
que você já ouviu segue esse padrão, porque é assim que mudança real funciona. E tem uma última sacada dialética que é [música] perturbadora. Você nunca chega numa verdade final. Toda síntese é provisória. Toda resposta gera novas perguntas. Toda solução cria novos problemas. [música] Não existe e viveram felizes para sempre. Existe e então surgiram novos desafio que exigiram novas sínteses. Hegel estava dizendo que a vida é um processo infinito, nunca um estado final. E isso daí é libertador e desesperador ao mesmo tempo. Libertador porque significa que você sempre pode evoluir, sempre pode Integrar novas experiências, sempre
pode chegar em sínteses mais sofisticadas. desesperador, porque significa que você nunca vai resolver completamente a sua vida. Sempre vai ter contradição, [música] sempre vai ter conflito, sempre vai ter trabalho a fazer. Então aqui está a lição h regiliana que ninguém quer ouvir, mas que explica literalmente tudo na sua vida. Pare de tentar eliminar contradições. Pare de buscar Consistência absoluta, pare de evitar conflito. Abrace a dialética. Entenda que [música] toda posição forte que você tem automaticamente cria sua oposição, que toda fase da sua vida vai ser desafiada pela próxima, que todo relacionamento vai passar por tese,
antitese e ou chegar em síntese ou morrer tentando. E isso não é defeito, é um design. É como a realidade funciona. Hegel não está te pedindo para gostar disso. Ele tá só te avisando. Se você Lutar contra a dialética, você perde. Se você aceitar e aprender a navegar ela, você evolui. Simples [música] assim. ou melhor, dialético assim. O pragmatismo de William James. [ __ ] a verdade absoluta. O que que funciona para você? William James foi o filósofo que teve coragem de dizer em voz alta o que todo mundo secretamente já sabia, mas fingia que
não. Verdade absoluta é uma ilusão. E no fim das contas, a única coisa que importa é se uma ideia funciona para Você ou não. E quando ele soltou essa bomba no final do século XIX, os outros filósofos tiveram um ataque, porque a filosofia inteira até então era baseada numa premissa sagrada. Existe uma verdade lá fora, objetiva, eterna, e nosso trabalho é descobri-la. E aí vem William James, médico, psicólogo, filósofo, e fala: "Sabe de uma coisa? [ __ ] Se acreditar em Deus te faz uma pessoa melhor e mais feliz, então Deus é verdadeiro para você.
Se não acreditar Funciona melhor, então ateísmo é verdadeiro para você. A verdade é o que tem consequências úteis paraa sua vida. E pronto, filosofia nunca mais foi a mesma. O pragmatismo é a filosofia mais americana que existe. É prática, anti-intelectual no melhor sentido [música] e completamente focada em resultados. Enquanto filósofos europeus ficavam décadas debatendo quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete, William James perguntava: "E daí? [música] Isso Muda alguma coisa na sua vida?" Não. Então é conversa inútil, próximo a assunto. Ele estava absolutamente cansado de filosofia que existia só para se masturbar intelectualmente. Ele
queria filosofia que fizesse diferença no mundo real, que ajudasse pessoas reais com problemas reais. E a sacada dele foi brutal. Ideias não são verdadeiras ou falsas em si mesmas. Elas são verdadeiras ou falsas dependendo dos efeitos práticos que produzem. [música] Vamos destrinchar isso porque parece relativismo barato, não é? James não estava dizendo que você pode inventar qualquer verdade que quiser e pronto. Ele estava dizendo que verdade é um processo, não um estado fixo. Uma ideia se torna verdadeira quando ela funciona, [música] quando ela te ajuda a navegar a realidade de forma eficaz e deixa de
ser verdadeira quando para de funcionar. Exemplo, a física de Newton por séculos foi verdade. Funcionava perfeitamente Para prever movimento de planetas, construir pontes, mandar gente pra lua. [música] Aí veio o Einstein e mostrou que Newton estava errado. Ou melhor, incompleto. A física relativística é mais precisa. Então, Newton deixou de ser verdade. Não exatamente, ele ainda funciona para 99% das aplicações práticas. Você não precisa de Einstein para construir uma casa. Newton [música] é verdadeiro suficiente para esse propósito. Verdade para James é Instrumental. É uma ferramenta e você usa a ferramenta certa pro trabalho certo. Agora aplica
isso pra sua vida. Você acredita que tudo acontece por uma razão, que existe um plano divino? Que suas dificuldades têm propósito? Isso é objetivamente verdadeiro? Quem sabe? Provavelmente não. Mas se essa crença te dá força para superar câncer, para perdoar a traição, para reconstruir depois de perder tudo, então ela é pragmaticamente verdadeira. Ela Funciona, ela produz resultados [música] positivos na sua vida. Compare com alguém que acredita que tudo é aleatório e sem sentido. Isso também pode ser objetivamente verdadeiro. Mas se essa crença leva a pessoa paraa depressão, niilismo, inércia, então ela é pragmaticamente falsa, pelo
menos para essa pessoa. Vê a diferença? James não está falando de verdade no sentido platônico de formas eternas. Ele está falando de verdade como essa ideia me Ajuda a viver melhor ou não? E aqui vem a parte controversa que deixa os puristas furiosos. James aplicava isso até em religião. Ele escreveu um livro chamado As variedades da experiência religiosa, onde estudou centenas de casos de pessoas que tiveram experiências [música] místicas, conversões, revelações. E a conclusão dele, se acreditar em Deus torna você mais compassivo, mais resiliente, mais conectado com outros. Então essa crença É verdadeira para você,
independentemente se Deus existir ou não objetivamente. A função prática da crença é o que importa. E isso deixou tanto religioso quanto ateus putos [música] religiosos porque ele não estava confirmando a existência objetiva de Deus. Ateus porque ele estava dizendo que religião pode ser válida mesmo sem fundamento factual. James estava [ __ ] com todo mundo simultaneamente. Mas tem um critério importante aqui que muita Gente ignora. A ideia precisa realmente funcionar. Não é só wifeful [música] thinking. Você não pode acreditar queado um prédio te faz voar e esperar que o pragmatismo te salve. você vai morrer.
A realidade te corrige violentamente quando suas crenças não correspondem aos fatos. Então, verdade prática precisa passar pelo teste da experiência. Se você acredita que pode curar câncer só com pensamento positivo e rejeita tratamento médico, essa crença vai ser Testada e quando você morrer, fica provado que ela não funcionou. A realidade é o juiz final. Pragmatismo não é acredite no que quiser, é acredite no que produz resultados verificáveis na prática. James [música] tinha um exemplo clássico disso. Você está perdido numa floresta e encontra uma trilha. Você [música] não sabe se a trilha leva paraa civilização, mas
você precisa tomar uma decisão. Você pode ficar parado filosofando sobre a natureza da trilha, Sua origem, sua verdadeira direção. Ou você pode andar na trilha e ver onde ela te leva. Se ela te [música] salva, ela é verdadeira. Se te leva mais fundo na floresta, ela era falsa. A verdade é descoberta através da ação, não da contemplação. E isso é radicalmente diferente da filosofia tradicional que acha que você precisa ter certeza antes de agir. Pragmatismo diz: "Aja, observe os resultados, ajuste." Verdade é o que emerge desse processo. Agora vamos pro Lado obscuro disso, porque sim,
tem lado obscuro. Se a verdade é definida por utilidade, quem decide o que é útil? Hitler achava útil acreditar em superioridade ariana. Essa crença funcionou para ele mobilizar uma nação e conquistar metade da Europa. Isso torna a crença verdadeira? Óbvio que não. Mas por que aqui o pragmatismo precisa de mais camadas? James diria que verdade pragmática não é só o que funciona para você, mas o que funciona melhor no longo Prazo e para mais gente. Ideias que causam sofrimento massivo eventualmente se autodestróem e nazismo se autodestruiu. Ideias que promovem cooperação, empatia, crescimento coletivo tendem a
persistir e se espalhar. Democracia é pragmaticamente mais verdadeira que fascismo, porque produz sociedades mais estáveis e prósperas a longo prazo. Não porque existe um princípio abstrato de democracia no céu das ideias, mas porque Funciona melhor na prática. Pense em relacionamentos. Você pode acreditar que ciúme é prova de amor, que controlar seu parceiro é normal, que ler mensagens escondido é justificado. Essas crenças podem até funcionar no curtíssimo prazo. Te dão sensação de controle, aliviam a ansiedade temporariamente, mas no longo prazo destróem confiança, criam ressentimento, matam o relacionamento. Então, pragmaticamente são crenças falsas. Compare com acreditar em
Comunicação aberta, confiança mútua, limites saudáveis. Isso pode ser desconfortável no curto prazo. Requer vulnerabilidade e coragem em trabalho, mas no longo [música] prazo constrói intimidade real, pragmaticamente verdadeira. James também era fascinado por psicologia. Ele praticamente inventou a psicologia [música] americana e ele percebeu algo que hoje chamamos de profecias autoalizáveis. Se você acreditar que vai falhar, você age de Forma derrotista e você falha. Se você acreditar que pode ter sucesso, você age com confiança e suas chances aumentam. [música] A crença muda o resultado. Então, qual é mais verdadeira? A crença pessimista, realista, que te condena ao
fracasso, ou a crença otimista, [música] iludida, que te impulsiona pro sucesso? Pragmatismo escolhe a segunda. Porque verdade não é fotografia estática da realidade. Verdade é ferramenta que muda a realidade. E isso leva a uma das Ideias mais poderosas de [música] James, a vontade de acreditar. Tem situações na vida onde você precisa acreditar em algo antes de ter evidências, porque a evidência só vai aparecer se você acreditar. Relacionamentos são assim. [música] Você não pode esperar ter certeza absoluta de que alguém te ama antes de te entregar. Você precisa arriscar, acreditar, [música] se abrir. E só através
desse ato de fé é que você descobre se era verdade. Se você esperar Por provas definitivas antes de confiar, você nunca vai confiar e nunca vai saber o que poderia ter sido. James chamava isso de opções genuínas, situações onde você é forçado a escolher sem informação completa e a escolha em si afeta o resultado. Pragmatismo também explica porque que alta ajuda funciona para algumas pessoas e é lixo para outras. Não é que os princípios são universalmente verdadeiros ou falsos. É que eles funcionam ou não, dependendo da Pessoa, do contexto e do momento da vida. Acredite
em você mesmo. Pode salvar alguém da depressão, pode fazer outra pessoa virar um narcisista insuportável. Trabalhe duro e você terá sucesso. Pode motivar alguém a sair da pobreza. Pode matar outro de burnout. Não existe fórmula universal. Existe o que funciona para você agora nessa situação específica. E você só descobre testando [música] o que James estava fazendo era democratizar a filosofia. Ele estava dizendo: "Você não precisa de um PhD para entender verdade. Você só precisa prestar atenção nos resultados das suas crenças. Elas te fazem uma pessoa melhor, mais feliz, mais [música] útil pros outros, mais capaz
de lidar com dificuldade. Então, são verdadeiras o suficiente. Elas te fazem pior, [música] mais amargo, mais destrutivo. Então, são falsas. Não importa quão logicamente consistentes pareçam, e tem uma aplicação pragmática que ninguém Quer encarar. [música] Valores morais. Você acha que mentir é sempre errado? Sempre, mesmo para salvar uma vida? Pragmatismo pergunta: "Qual a mentira? Em qual contexto? Com quais consequências? Se você mentir para um assassino sobre onde a sua família está escondida, produz o melhor resultado. Então, nessa situação, mentira é a coisa certa a fazer. Não existe regra moral absoluta. [música] Existe princípios que geralmente
Funcionam, mas que precisam ser flexíveis e o suficiente para lidar com a bagunça da realidade. James viveu numa era de certezas absolutas, religião absoluta, ciência absoluta, moralidade absoluta. E ele teve a sacada de que certeza [música] absoluta é inimiga de progresso. Porque quando você acha que já tem a verdade, você para de buscar, para de questionar, para de evoluir. Pragmatismo te mantém humilde. Suas verdades de hoje pode ser as mentiras de Amanhã. Suas crenças atuais podem precisar de revisão quando o contexto mudar. E isso não é fraqueza, é sabedoria. [música] É entender que você está
navegando território desconhecido com mapas provisórios. E o melhor que pode fazer é ajustar o curso conforme novos dados aparecem. Então aqui tá a verdade prmática sobre pragmatismo. [música] Pare de procurar a verdade absoluta. Ela não existe ou se existe, você nunca vai Ter certeza de que achou. Foque no que funciona. Teste suas crenças. Observe os resultados. Ajuste conforme necessário. Seja flexível o suficiente para mudar de ideia quando a evidência muda. E entenda que verdade não é algo que você descobre numa caverna mística e guarda para sempre. Verdade é algo que você usa como um martelo
ou obsturi. E quando a ferramenta para de funcionar, você pega outra. William James não está te oferecendo conforto de certeza. Ele está Te oferecendo liberdade de experimentar. E isso, meu amigo, é muito mais valioso do que qualquer dogma que promete verdade eterna, mas te deixa preso numa jaula intelectual. O absurdismo de Camos. Siss foi empurrando pedra morra acima e sorrindo. E o que isso tem a ver com você? Albert Camos começou o ensaio filosófico mais importante dele com uma frase que deveria estar estampada em outdoor. Só existe uma questão filosófica realmente séria. O suicídio. Não
é sobre depressão, não é sobre romantizar a morte, é sobre a pergunta mais honesta que você pode fazer. Dado que a vida é objetivamente sem sentido, por que caralhos continuar vivendo? E antes que você feche a aba achando que isso vai ser mórbido demais, relaxa. Camos chegou numa resposta. E a resposta não é [ __ ] a resposta é muito mais estranha, muito mais bonita e muito mais útil do que qualquer autoajuda poderia oferecer. A resposta é justamente porque A vida não tem sentido, é que vale a pena vivê-la. E se isso não faz sentido
agora, espera só. Camos olhou pro universo e viu exatamente o que Niet viu. Ausência de propósito cósmico, morte de Deus, fim de valores absolutos. Mas ele discordou violentamente da solução de Niet. Criar seus próprios valores, virar Uberm para Camos, isso ainda era fugir do problema, porque você está tentando impor significado no universo que não se importa. Você está Fingindo que consegue preencher o vazio e você não consegue, nunca vai conseguir. O universo é indiferente, completamente, absolutamente indiferente. Você pode ser santo ou serial killer. O universo não dá a mínima. Estrelas vão continuar explodindo, galáxias vão
continuar se afastando [música] e você vai morrer, ser esquecido e eventualmente até o planeta onde você viveu vai ser engolido pelo sol. Não tem como escapar do Absurdo. Absurdo é a palavra chave aqui. [música] O absurdo não tem significado engraçado. Absurdo é o conflito entre dois fatores irreconciliáveis. Um humanos precisam de significado, de propósito, de respostas, de ordem. E dois, o universo não oferece [música] nada disso. Você quer que sua vida importe, mas ela não importa. Você quer justiça, mas não existe justiça cósmica. Você quer que exista uma razão por estar aqui, mas não existe
razão. Você está Preso num universo que não faz sentido enquanto sua mente grita desesperadamente por sentido. Isso é o absurdo. É você ser consciente que busca significado jogado num cosmos silencioso e sem significado. E dessa atenção nasce a pergunta: Como você vive com isso sem enlouquecer ou se matar? [música] Camos identificou três respostas possíveis e duas delas são escapismos. A primeira, suicídio físico. [música] Se a vida não tem sentido, por que não acabar com ela? Camur diz que essa é a resposta covarde. Você está fugindo do absurdo em vez de enfrentá-lo. É render-se, é admitir
derrota. E pior é confirmar [música] que o absurdo venceu. Você olhou pro vazio e piscou primeiro. Camos rejeita totalmente essa opção. A segunda, suicídio filosófico. É quando você inventa um significado transcendente para fugir do absurdo. Deus, karma, destino, alma imortal, qualquer narrativa que te diga, na verdade tudo Faz sentido. Você só não vê ainda. Religião é outro exemplo clássico. Você aceita que existe um plano divino, que sofrimento tem propósito, que tudo vai se resolver no pós-vida. Isso [música] te poupa de encarar o absurdo, mas segundo Camos, é suicídio intelectual. Você matou sua capacidade de ver
a realidade como ela é. Você anestesiou a dor existencial com uma mentira reconfortante. E a terceira resposta, a que Camos defende, revolta. Não revolta No sentido de pegar em armas, revolta no sentido de olhar pro absurdo, reconhecer que ele existe e recusar-se a escapar. Você não se mata, você não inventa um deus. Você simplesmente continua. Você abraça a falta de sentido e vive mesmo assim plenamente, apaixonadamente, em revolta perpétua contra o silêncio do universo. Você não aceita o absurdo. Isso seria resignação. Você o desafia todo [música] dia, toda ação. Você diz que minha vida não
importa, [ __ ] eu Vou viver como se importasse. É um ato de rebeldia cósmica. É levantar o dedo do meio pro universo indiferente e dizer: "Eu sei que você não se importa, mas eu escolho me importar". E aqui entra Sífo, o exemplo perfeito de Camos. Mitologia grega. Sífo enganou os deuses e como punição, foi condenado a empurrar uma pedra gigante montanha acima por toda a eternidade. Toda vez que ele chega no topo, a pedra rola de volta. Ele desce e recomeça para sempre. É um Trabalho inútil, não leva nada, nunca acaba, não [música] tem
recompensa. É a definição de futilidade. E Camos olha para isso e diz: [música] "Devemos imaginar se for feliz". Mas que que é isso, Camos? A sacada é genial. Se se for é você. A pedra é sua vida. Todo dia você acorda, vai pro trabalho que não muda o mundo, volta paraa sua casa, dorme e repete. Todo projeto que você completa gera outro. Todo problema que você resolve cria outro. Você nunca Termina, você nunca chega lá. Não existe linha de chegada. Mesmo se você ficar rico, famoso, realizado, você vai morrer e tudo que você fez vai
desaparecer eventualmente. Então, por que diabos continuar empurrando a pedra? Porque o sentido não tá no topo da montanha, o sentido está em empurrar. Está no ato, não resultado. [música] Sífo, segundo Camos, tem um momento de consciência. Quando ele desce a montanha para buscar a pedra de novo, ele tem tempo para Pensar. Ele poderia desmoronar, amaldiçoar os deuses e se desesperar. Mas ele não faz, ele aceita. Ele entende que essa vida é a vida dele e que tortura só existe se ele quiser que seja diferente. Se ele parar de desejar um fim, se ele parar de
esperar recompensa, se ele simplesmente focar no processo de empurrar, então ele se torna livre. Os deuses não podem mais torturá-lo porque ele tirou deles o poder de fazer dele vítima. [música] Ele escolheu a pedra. Ele é dono da jornada. E cara, isso muda tudo quando você aplica na vida real. Você odeia seu emprego, você é Síceifo. Você pode passar cada dia se lamentando que deveria estar fazendo outra coisa que merecia mais, que foi injustiçado. Ou você pode aceitar que essa é a pedra que você tem agora e encontrar dignidade e empurrá-la bem. Você está criando
os filhos e parece que nunca acaba. Cícefo. Fraldas, birras, lições de casa, dramas, adolescentes, contas da faculdade, é Infinito. Você pode se desesperar com a falta de controle ou pode encontrar significado em cada pequeno momento, [música] cada risada, cada abraço apertado. Você está tentando ficar em forma, sifo no [ __ ] Você nunca termina de ser saudável. É esforço diário, infinito, sem medalha no final. Mas o sentido está em escolher fazer, não em alcançar um estado final de perfeição. Camos estava basicamente dizendo: "Pare de esperar que a vida Faça sentido. Pare de procurar o grande
propósito. Pare de adiar felicidade até quando eu conseguir X, porque não existe X. ou se existe, quando você chega lá, já tem um novo X esperando. Felicidade não tá no destino, [música] está no caminho. E você escolhe a cada segundo se o caminho é tortura ou liberdade. Cífu podia estar em desespero eterno, mas ele escolheu outra coisa. Ele escolheu ser feliz empurrando a pedra. E se ele pode, você também pode. Tem uma Frase de Camos que resume tudo. No meio do inverno, descobri que havia em mim um verão invencível. Ele viveu coisas brutais. Cresceu na
pobreza na Argélia. Perdeu o [música] pai na Primeira Guerra Mundial quando tinha um ano. Teve tuberculose a vida inteira. Viveu a Segunda Guerra, viu o Holocausto, viu Hiroshima. Ele tinha todas as razões para ser nilista, para desistir, para dizer que o mundo é merda e não vale a pena. Mas ele não disse, ele disse [música] o oposto. Ele disse que justamente porque o mundo não oferece sentido, nós podemos criar momentos de beleza, conexão, alegria. Não apesar do absurdo, mas por causa dele. Porque se nada importa objetivamente, então tudo que você escolhe [música] que importa subjetivamente
se torna sagrado. Camos era obsecado com a ideia de viver no presente. Não ontem, não amanhã, agora, porque agora é tudo que você tem. Ele falava sobre o homem absurdo como alguém Que vive plenamente cada experiência sem esperar por algo depois. Não existe depois que salva você. Não existe paraíso. Não existe karma. Não existe quando eu me aposentar vou aproveitar. Você aproveita hoje ou não aproveita. E isso não é hedonismo idiota de faça tudo que tiver vontade. É consciência aguda de que cada momento é único, insubstituível e vai acabar. Então você melhor estar presente nele.
Ele deu um exemplo [ __ ] Dom Juan, o sedutor Compulsivo. Camos não via Dom Juan como imoral, ele via como herói absurdo. Dom Juan sabe que amor não dura, que nenhuma mulher vai preencher o vazio existencial, que não existe a pessoa certa, mas em vez de desistir do amor, ele multiplica experiências de amor. Cada paixão é vivida intensamente, completamente, sem ilusão de que vai durar para sempre. Ele não está procurando sentido, ele está acumulando vida. E quando ele morre, ele viveu mais Que qualquer pessoa que passou a vida inteira esperando pelo amor [música] perfeito
que nunca chega. Outra figura absurda para Camos, o ator. O ator vive mil vidas em uma. Ele experimenta todas as emoções humanas, todas as [música] possibilidades, todos os destinos. E no final, quando as cortinas fecham, ele volta a ser ninguém, sem legado, sem conquista permanente, só a experiência de ter vivido. E isso para Camos é glorioso, porque ele entendeu que a vida Não é sobre construir algo permanente, é sobre intensidade, variedade, plenitude [música] de experiência, é sobre viver muito, não viver para sempre. E tem um artista. Camos era escritor, então isso era pessoal para ele.
O artista [música] cria sabendo que sua obra vai ser esquecida eventualmente. Livros queimam, pinturas se deterioram, músicas saem da moda. Mas ele cria mesmo assim, porque o ato de criar é suficiente. Não há Imortalidade, não a fama, o processo. Você esculpe sabendo que a escultura vai virar pó, mas você esculpiu. Você colocou ordem no caos por um momento. Você fez algo belo existir onde não existia. [música] E quando desaparece, que seja, você fez a sua parte. Camos morreu aos 46 anos num acidente de carro. Morreu no auge, morreu sem terminar projetos, morreu [música] tecnicamente no
meio da história. E de certa forma isso é perfeito, porque ele Nunca acreditou em finais. Ele acreditou em viver até não poder mais. E ele fez até o último segundo. Ele estava empurrando a pedra. [música] E se você perguntar se ele foi feliz, a resposta é: Que diferença faz? Ele viveu intensamente, conscientemente em revolta contra o absurdo. E isso é tudo. Então aqui tá a lição final do absurdismo. A que vai fechar essa jornada pelas ideias mais importantes da filosofia. O universo não te deve nada, não te Oferece sentido, propósito, justiça ou recompensa. [música] Você
vai morrer, ser esquecido e nada do que você vai fazer vai importar cósmicamente. E você tem duas opções. Você pode se desesperar com isso ou pode rir. Você pode ver o absurdo como tragédia ou pode vê-lo como liberdade. Porque se nada importa objetivamente, então você está livre para decidir o que importa subjetivamente. Você está livre para empurrar qualquer pedra que escolher. E Se você escolher empurrar com amor, com presença, com revolta orgulhosa contra a futilidade, então você venceu. Não venceu o absurdo, porque o absurdo não pode ser vencido, mas você se recusou a deixar o
absurdo te vencer. E isso, no final das contas, é a única vitória possível. Devemos imaginar você feliz. Agora vai empurrar sua pedra.