bom dia boa tarde boa noite começando mais um episódio do impacto na cruzilhada Episódio número 199 desromantizando a vivência Comunitária [Música] amazônica bom e nesse Episódio eu conversei com a Raquel Luna uma pessoa apaixonada pela vida e pelo que faz uma fazedora uma pessoa mão na massa Paranaense que vive e atua na Amazônia há 16 anos tem muita vivência com comunidades em especial no Amazonas e eu quis convidá-la pra gente poder trazer esse lado mais mão na massa de menos falação e mais fação vamos dizer assim e eu fico feliz que a Raquel tenha topado
não só topado como compartilhado vivências super legais aqui aqui de Amazônia Aliás não só o papo que ela trouxe mas a trilha sonora que ambienta esse episódio também foi a indicação dela e cantora aí de Rondônia e a música tem tudo a ver com o papo aqui tá bom falamos sobre o desencontro de realidades das Comunidades com os projetos que são desenhados muitas vezes tão distantes né dos territórios e quando a gente fala e respira Amazônia isso é ainda uma triste realidade e é muito legal a Raquel falar do choque de realidade ao chegar em
comunidades e ter que desaprender e esses temas né de Justiça climática tem afetado não só a vida de comunidades mas também o psicológico dessas pessoas que estão envolvidas nessas lutas bom Raquel falou sobre isso e é de arrepiar bom se você gosta do conteúdo que a gente produz aqui considere se tornar uma pessoa apoiadora do podcast junte-se a outras pessoas iluminadas que mantém esse trabalho de pé passa lá na po link na descrição tem o pix também Vale lembrar e veja Como contribuir e eu aproveito para agradecer as pessoas iluminadas que já são apoiadoras desse
trabalho muito muito obrigado bom e eu também destaco aqui essa nova parceria com prosas que passa a divulgar na sua newsletter semanal algum episódio aqui da casa para que chegue conteúdo de qualidade gratuito a mais pessoas do setor Valeu demais bom então é isso agradecer demais a Raquel pela conversa pela trilha sonora pelas vivências que ela compartilhou aqui e se você que tá escutando aí tem interesse em fazer alguma vivência na Amazônia em comunidades amazônicas Então você precisa trocar uma ideia com a Raquel tá e para deixar claro isso não é o Apu tá bom
Digamos que é um serviço de utilidade pública vamos vamos brincar dessa forma mas falando sério ela é a pessoa com quem você pode saber mais sobre isso então é isso sem mais delongas parte pro papo [Música] rapaz eu não consigo entender essa nossa geração aí fala de tudo que vai fazer não sei o qu não sei o que lá parece que o prazer em falar do negócio é mais legal fazer o negócio Olá Raquel tudo bem seja super bem-vinda obrigada por vocês ter topado vir aqui conversar com a gente pra gente começar se apresenta primeiro
Fábio muito obrigada pelo convite É uma honra eu sou uma grande ouvinte aí do do programa e bom meu nome é Raquel eu sou para me descrever assim eu acho que eu sou uma uma pessoa muito apaixonada por pela vida pelo que eu faço eh talvez muito prática muito trabalhadora muito prática eu gosto de ver uma fazedora eu gosto de ver as coisas acontecerem assim eu sou Originalmente do Sul de Londrina no Paraná eh mas é e a gente vai vai envelhecendo vai ficando com muitas experiências aí né estudei em São Paulo fiz mestrado fora
do Brasil e tal já morei em muitos lugares mas há vai 16 anos agora eu vivo e me dedico eh a a minha que hoje em dia é minha casa né que é aqui no Amazonas eh já tive vai minha trajetória pessoal aí de de viver muito em comunidades ribeirinhas né então tem uma essa essa história aí que eu acho que é é muito interessante Às vezes as pessoas me encontram e falam meu como você foi parar aí que história é essa não sei qu Mas é isso é algo que até chama muita atenção assim
dos meus amigos e tal mas essa é a essa é a minha história assim agora eu tô em Manaus Então tô falando com você de Manaus voltei para cá uns do anos depois que eu tive a minha filha ela precisava de escolinha e a gente tava na comunidade não tinha muito o que fazer como trabalhar cuidar dela então a gente tá agora nessa vida mais Urbana aqui em Manaus que eu amo também é isso eu acho que isso é um pouco do que me identifica vai que legal eh pô não sabia que você era Paranaense
que massa aham que legal e bom Você mesmo falou eu sou uma pessoa de mão na massa de fazer o troço acontecer e então é menos sobre a gente ficar discutindo conceitos tendências né Isso tem muito no nosso setor e mais saber pô a mão na massa e lidar Sobretudo com comunidades que você dividisse um pouco essas vivências de mão na massa aí pela Amazônia é eu até quando você me chamou eu fiquei assim pô Como que eu Me apresento né porque eu sou uma pessoa que eu não tenho tipo um crachá né eu falei
pô geralmente assim ah eu sou diretora não sei que eu faço muitas coisas diferentes Eu acho que o que me identifica é que eu talvez é a vivência que vai me guiando pro meu fazer né E nesse sentido atualmente eu tenho diferentes chapéus assim né Eh eu acho que é importante dar esse contexto porque depois é parecer que que essa menina faz né mas enfim eu Sou coordenadora de um projeto chamado escola d'água já há 9 anos agora eh que é na região do baixo puru Então esse é um trabalho de desenvolvimento comunitário educação eh
saneamento acesso à água enfim eu trabalho em muitos diferentes temas dentro desse projeto eu sou também cofundadora junto com o meu marido aí da poranduba Amazônia que é uma uma agência uma operadora de turismo de base Comunitária que nasceu no tumbira que é essa comunidade onde eu morei e talvez onde meu coração mora até hoje eh onde meu cachorro mora então é minha casa ainda eh tenho também o cupu do quintal que é esse negócio que eu fundei com outras mulheres incríveis e que a gente trabalha com o fruto do cupo Açu que nasce nos
Quintais da RDS Rio Negro e enfim faço consultorias que é o que eu acho que muita gente do nosso setor eh faz para se manter também né e e atualmente agora meu mais novo passo que eu acho que é quase como um resultado natural dessa trajetória muito no terceiro setor eu tô fundando com outras manas aí incríveis também o Instituto arumã que é para também ter uma vai uma autonomia nessa atuação eh no terceiro setor e ter uma agenda sabe eu eu eu é quase Como assim a gente sabe o que tem que ser feito
junto com as comunidades a gente tem as relações muito próximas com as comunidades e e deu essa inquietação de Vamos botar a cara no mundo então uma organização nascendo do zero sem costas quentes né e tentando se levantar aí mas com muita vontade e daí nesse sentido né na na sua pergunta da das vivências com comunidades eu acho que uma das principais coisas é enfim cheguei aqui com 23 anos né então eu tava Enfim uma história Eu Sou formada na GV né em São Paulo Então eu fui formada para né ser executiva e mas enfim
lá eu já comecei a me envolver com sustentabilidade através do do GCS enf toda uma uma história mas eu caí né de para de paraquedas não também tem uma história aí mas eu queria trabalhar com a Amazônia meu primeiro emprego já foi na faz né na Fundação Amazônia sustentável e quando eu me vi eu estava num escritório na Vila Olímpia ajudando a escrever um projeto sobre o que as comunidades queriam como impl né como implementar eh recursos e tal eh em uma região ali e daí eu falei cara não vai dar eu eu já sendo
essa pessoa sempre tive essa impulsividade e daí eu acabei me mudando pro território pro uma comunidade chamada boa frente no Juma e eu acho que o primeiro passo foi tipo desaprender tudo Fábio foi assim um choque de realidade mas num nível eh ah imagina né a gente sai da GV se achando um pouco isso que o né eu ainda sou uma pessoa tranquila mas assim pô estudei na melhor faculdade a gente é meio feito para né levantar a nossa bola ali trabalhar onde a gente quiser mas daí quando eu cheguei lá cara eu vi que
eu não sabia resolver nada não sabia nada sabe então eu acho que é meio daí que começou então assim na segunda semana afundou a minha lancha daí eu não sabia como de eu já tinha tipo 5 da manhã eu fui batendo na porta para me ajudarem a desafundar a lancha daí a meu quebrou o gerador eu não sabia nem como ligar um gerador assim né Como funcionava um gerador e daí sempre tendo que pedir muita ajuda e sempre quem tinha as respostas tanto para essas coisas muito simples quanto para outras né um pouco mais complexo
de desenhar eh o projeto em si sempre veio eu tinha que bater na porta dos vizinhos né E isso fora enfim todos os desafios pessoais ali e tal Apesar de eu ser muito corajosa é uma região muito cara é uma realidade que a gente realmente não conhece mesmo assim mesmo então eh eu acho que antes de dizer o que eu aprendi né que até hoje eu acho que eu ainda tenho que aprender muito eh foi principalmente esse choque de cara eu não sei nada e daí isso foi se desenrolando Eu também quando eu eh ganhei
minha casinha aqui no tumbira comprei minha casinha no tumbira que é uma região é uma unidade de conservação né então a gente não não pode morar Ninguém é dono de terra Então você tem que ser aceito pela comunidade em ata em Assembleia não sei quê e daí quando eu me mudei foi de novo aquele choque de tipo cara eu sou sei lá eu aprendi Eu sempre tive serviços né morando em cidade a gente tem serviços a gente tem eh enfim alguém resolve para você as coisas né então toda aquela nova aventura de tip tipo cara
quebrou o cano tem que concitar o cano que sai do poço que não sei que então você enfim todos esses aprendizados de uma vida rural que a gente da cidade realmente não sabe né e eu acho que da vida profissional eh ela sempre partiu dessa vivência né de eu me colocar nessa situação e é isso que eu fui percebendo também nas a nas intervenções de que tem mais a ver né com com essa com esse meu trabalho de impacto de de trabalhar desenvolvimento territorial eh elas partem muito des da relação né Eu entendo por mais
que assim ah é é é dinheiro indo direto para a comunidade é sempre uma relação né e o que eu aprendi muito é Estar atento a essa relação e a partir disso que vem o que quer que seja que vem essa solução que vem essa eh essas ideias ideias essas vontades né então eu acho que é sempre a isso que eu estive muito atenta e na relação não só com a comunidade eu sempre estive muito no papel de intermediadora entre financiadores né empresas que seja Organizações e comunidades então eu sempre estive nessa costura E daí
cara daí você vai vendo muitas coisas né porque tem muitas muitas expectativas envolvidas então eu sempre me vi muito nesse papel assim um caso curioso nessa época lá em 2009 que tinha um financiador que a gente tinha organizado um um curso de enfim eu ajudei a implantar uma escola lá no u Juma né uma escola estadual e daí um um dos principal financiador desse projeto e tal eh acompanhava a gente tinha que fazer relatórios mensais né contando o que tava acontecendo pro a empresa dos Estados Unidos e daí nessa escola a gente trabalhava com jovens
a gente fez um curso de permacultura a gente fez um jardim Agro agroecológico não sei quê e chegava no nível deles perguntarem se o abacaxxi já tinha nascido se o abacaxxi que a gente tinha plantado já tinha crescido sabe assim e daí que eu vi que cara o buraco é muito embaixo assim da dessa questão de de expectativas e do do tempo das coisas então isso eu acho que foi uma coisa que eu aprendi assim que a gente precisa ser muito transparente est muito atento nessas expectativas nessa comunicação transparente eh entre todas as partes envolvidas
né nesses projetos de de desenvolvimento nessas intervenções assim porque senão a gente entra em cada roubada dos dias que eu falo digo dos dias que minto sobre o que vou fazer das coisas que eu não faço nem farei mas é bonito apresentar para você meus planos meus projetos falam muito do palpite só PR papagai o fato é que eu não faço nem me esforço porque entendo muito só se falar e eu acho que no escola da água né nesse projeto que eu tenho trabalhado eu consegui muito bem fazer isso assim por ter parceiros muito parceiros
tanto nas comunidades que desenvolver uma relação muito próxima quanto do lado né do dos financiadores que eu tenho enfim esse parceiro enfim incrível né eh e e a gente eu consegui criar essa transparência ao longo dessa vai cadeia se a gente fse falar uma cadeia produtiva nessa cadeia de impacto assim então aproximando muito essas pontas assim e eu acho que esse é um aprendizado que eu tive assim que cara não dá para ficar mascarando resultados ou dizendo que deu certo assim uma coisa que eu faço muita questão nos meus relatórios é fazer todo um capítulo
sobre o que deu errado e como a gente aprende com isso sabe então tem muita coisa que que foge enfim eu tenho inúmeros exemplos disso eh isso não quer dizer eh que deu errado né Isso quer dizer que a gente aprende e e e é importante Inclusive a comunidade estar envolvida nesse processo para ela também entender como aprendizado e depois a gente volta e conversa sobre isso né e não eh não ser enfim acabou e óbvio que assim tem uma grande vantagem desse projeto é que ele já tem 9 anos né Eh o que a
gente vê por aí é muito esses projetos que dão enfim eh se meses você tem que fazer acontecer uma mega intervenção uma mega com resultados com impacto gente Impacto não acontece em seis meses nunca em um ano nunca ainda mais projeto de educação já Enfim então eh eu acho que eu tive uma uma grande sorte de ter um laboratório ao longo do tempo para ir aprendendo sabe e e hoje em dia eu acho que eu tenho me sinto com muita propriedade para defender eh alguns modelos de de intervenção que dá certo que não dá eh
Quais são os melhores caminhos a se tomar mas isso também Depende muito da predisposição de alguém querer fazer direito né e que não é sempre o caso eh alguém assim que eu digo os parceiros né todo mundo que tá envolvido mas é um pouco por aí assim é uma vivência muito mão na massa mesmo e vai fazendo vai aprendendo e vai mudando não pode ter muito medo assim né Que legal por aí é e a ideia era justamente ouvir mais essa experiência prática de mão na massa com comunidades acho que tem uma riqueza importante aí
eh um dos episódios anteriores que eu conversei sobre a Amazônia com o thgo vou deixar o link na descrição ele falava assim poxa quando fala de Amazônia no Jornal Nacional as pessoas da Amazônia ficam bravas porque geralmente se fala só da seca da enchente enfim de problemas eu queria que você falasse agora um pouco dos problemas da seca nesse momento que a gente tá gravando mas o aqueles problemas que não passam na televisão que você tem vivido na prática conta um pouco para quem não tem noção dessa realidade sim primeiro assim eu queria reforçar essa
ideia que assim se passa muito os problemas né mas também dizer que enfim eu sou suspeita de dizer mas eh é uma é uma realidade muito bonita assim né é ainda eu acho que um é um lugar onde a gente encontra enfim não romantizando a simplicidade né e e eu acho que isso também é um é um outro espectro dessa né também ai o mundo perfeito que as pessoas vivem não é uma vida bruta bruta assim eu sinto que ao longo desse tempo eu cheguei aqui toda hip romântica nossa vida em comunidade não sei que
e hoje em dia eu me sinto uma pessoa bem bruta porque você você fica Você fica muito colado na realidade né na ali em em viver mesmo né mas é realmente muito linda né então falando da parte bonita de se viver em comunidade é isso tem a a beleza da natureza mesma a beleza da Ajuda entre as pessoas eh dá meu de andar de Canoa no Rio e e se maravilhar e eu acho que assim eu tendo desenvolvido esse esse essa história com esse lugar e esse laço muito afetivo para mim eu acho que foi
a época mais difícil da minha vida Fábio assim eu acho não tenho certeza ano passado e esse ano eu já tava um pouquinho mais preparada para encarar mas a a grande seca do ano passado eu já tinha vivido a seca de 2010 que foi pesada eh mas o que aconteceu agora em 2023 foi absurdo assim e daí foi de assim de desabar assim sabe tudo parece que todo o trabalho que a gente vinha fazendo sabe quando dá um um desânimo assim tipo a gente tá tanto tempo trabalhando e falando e parece que a gente andou
muito para trás eu sei que assim é natureza né mudanças climáticas e tal mas quando a gente sente na pele né Eh e e e e os nossos amigos porque é isso né Principalmente ali na região do Purus e no tumbir onde eu tenho laços muito fortes é é muito pesado e a gente aqui em Manaus respirando fumaça por três meses minha filha ficou mal para caramba Todo Mundo Mal sabe e a fumaça também decorrente da da seca Então pegou fogo em lugares que nunca a gente imaginava Nossa o pessoal do tumbira contando assim eles
tentando apagar o fogo e o fogo nascia em outro lugar porque a a a Ah tem as raízes ali que eles chamam de bucha elas ficaram muito secas de um jeito que nunca tinha acontecido então o fogo espalhava por baixo da terra então foi realmente um cenário meio apocalíptico né E esse ano foi de novo então enfim isso para dizer que isso ao mesmo tempo acabou com a gente e de certa forma para mim eu tentei reverter isso em energia né e enfim de forma bem prática o que eu vi é por exemplo lá no
Rio luz primeiro que você tem que parar todas as atividades igual na pandemia né que a gente já tava treinado da pandemia mas primeiro você para tudo você não consegue chegar porque você depende dos rios para chegar nos lugares Essa é realidade aqui do Amazonas né é importante dizer que eu estou no Amazonas e em cada lugar esse efeito é diferente mas a gente teve que parar de fazer qualquer atividade as comunidades que a gente trabalha que estão na beira de lagos principalmente se deram mal num nível assim eh foi foi muito triste de ver
porque o lago ele seca e daí assim ao mesmo tempo que parece que em alguns lugares nos Igarapés acaba dando muito peixe fica muito fácil de pescar mas você não consegue sair de lá e você não tem acesso à água então as comunidades que não tem poço ou que não tem algum sistema de de acesso à água eles literalmente o pessoal tava acavando buraco fazendo as Cacimbas que é uma tecnologia ancestral né e tal mas assim não é o ideal não assim você não não pode dizer que aquilo é digno entendeu as pessoas estavam andando
às vezes estavam bebendo água com lama mesmo sabe Então isso foi o principal assim que foi o que moveu teve uma comunidade o arumã eh lá na RDS Purus que desabou porque tamanha seca tinha uns bolsões de ar a comunidade desabor desapareceram 40 Casas foi até uma grande mobilização que eu fiz aí para conseguir apoiar coisas que eu não faço farei mas é bonito apresentar para você meus planos meus projetos falo muito do palpite só PR papagai o fato é que eu não faço nem me esforço porque entendo muito só sei falar e daí tem
o o sei lá o impacto nos negócios né então falando da da poranduba que é o turismo de base Comunitária que a gente trabalha e a comunidade tumbira que depende hoje em dia do Turismo ficou parada você Setembro a dezembro a gente teve que parar a operação e todo mundo que depende do Turismo ficou parada sem renda então assim é é é muito é muito prático e é muito direto né o o o efeito assim o do projeto do cupu do quintal ali que a gente depende da matériaprima que a gente tem as centrais Onde
fica guardada a poupa e o caroço do qual a gente faz os produtos foi não faz nem um mês atrás acabou noss nossa matéria prima aqui em Manaus e a gente tinha que dar um jeito de de pegar matériaprima lá na na comunidade comunidade isolada então eu tive que fazer uma mega mobilização achar um quadriciclo para conseguir chegar o pessoal tá começando a comprar moto Fábio num lugar onde não tem entendeu são comunidades que só você só chega de barco o pessoal tá comprando moto para conseguir se virar na seca Então você vê uma transformação
muito rápida muito necessária para pra vida das pessoas e que afeta diretamente é imagina tem afetado né os meus negócios assim imagina a Vida do dia a dia das pessoas né que tá ali então é muito prático não é o que passa por cima aquele Drone que mostra aqueles Rios eh uma das fotos mais emblemáticas sobre a seca do do Araquem Alcântara é tirada lá no no no Igarapé tumbira que é onde a minha casa que é isso Ficou um esqueleto de Rio né e minha filha fui eu fui no Aude da seca nos dois
anos assim a gente conseguiu chegar a duras custos assim eh minha filha tomando banho de rio num lugar que geralmente ela tem que mesmo na seca usar boia porque é fundo e tal ela molhava só o pezinho entendeu então é é é bem drástico assim e eu acho que impacta muito a até sei lá o nosso o nosso psicológico assim sabe aí sei lá da a gente tem que decidir o que fazer com isso né ou se deprimir e que é parte também é parte né Essa essa depressão essa tristeza faz parte e e daí
entender o que fazer com isso né Que legal Belo relato viu aquel Obrigado por dividir aqui e bom você falou no início dos vários chapéus e as várias coisas nas quais você tá envolvida e uma das iniciativas que queria que você Contasse mais são as jornadas de aprendizagem na Amazônia conta um pouquinho mais porque se fala muito em fazer e processos de formação na Amazônia mas acho que a vivência que você tem construído acho que tem uma profundidade muito bacana é eh enfim eu tenho alguma experiência anterior à própria poranduba mas também pela poranduba agora
a gente tá fazendo bastante eu acho que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer sendo eu mesma uma pessoa que passei pelo choque de realidade de desromantizada desaprender reaprender escutar eh eu amo proporcionar isso para as pessoas né Eh e às vezes através do próprio turismo isso acontece então a né ap porandu bend esse turismo diferente turismo de base Comunitária as pessoas têm uma uma Ah uma vivência muito mais próxima ali do que é o dia a dia numa comunidade amazônica tudo bem que é uma comunidade não representa todas é uma comunidade
que tem água e tem energia o que já coloca ela em outro patamar né Eh não é às vezes BR que eu falo você qu é que tipo de Amazônia né porque tipo no Purus já é outra coisa né Outra coisa mas o tumbir em si já proporciona com certo conforto né Eh uma experiência como essa só como turismo a gente acha que é muito transformador Mas eu também venho trabalhando e daí isso começou lá em 2014 recebendo grupos eh na época em parceria com a faz também recebendo grupos diversos então de estudantes ou para
universidades específicas a gente fazia tipo um Lab né um laboratório com foco no que eles queriam aprender eh ou mais com foco em liderança para sustentabilidade uma coisa mais Ampla eh então é algo que eu assim eu me me formei para isso né tenho uma uma formação aí um mestrado chama liderança estratégica para sustentabilidade em que eu aprendi bastante sobre facilitação de aprendizagem enfim tenho aí uma uma formação nisso algumas entas algumas metodologias que a gente acaba usando e a gente tem aplicado isso para grupos específicos então de tanto para estudantes quanto agora que tá
Tá começando a apcer muito acho que também muito movimentado pela cop para investidores né então enfim eu não quero ser essa pessoa crítica que fica falando mal de eventos que falam de Amazônia fora da Amazônia que eu acho que é muito importante eu acho quanto mais a gente fala melhor ao mesmo tempo eu acho que tem um descolamento assim eu me vejo lá na vila Olímpia escrevendo sobre a Amazônia e falando meu o que que é isso e eu acho que existe um uma lacuna imensa entre o que as pessoas pensam sobre a Amazônia o
que realmente é e nessas oportunidades em que você tá imerso no território em que você escuta e isso tem que ser intencional viu Fábio porque tem gente que vem aqui e E daí que entram as ferramentas né as as as metodologias e tal tem gente que vem tanto com a imagem que já tem da Amazônia vem preparada para ver do jeito que quer né ou muito romântica ou os pobrezinhos né então tem esses esses dois extremos e que daí a gente tem que desconstruir tudo isso para criar uma escuta né para criar um um um
vai uma postura de de aprendizagem real sobre o que eles estão vendo sentindo escutando ali né Então existe um um jeito de fazer isso e quando eu ve e é é quase nítido assim né quando você vê fichas caindo né quando você vê que a pessoa tá tipo Caraca eh realmente muito diferente Nossa essa coisa de aprender algo novo a partir da realidade não só a partir do Tem alguém falando um Expert me dizendo né e e sempre colocando óbvios experts no caso não sou eu não é é é o rio é a árvore né
é a é a a vivência da natureza e principalmente à comunidades né então a gente cria essas oportunidades muito bem desenhadas para que exista essa essa troca eh verdadeira né nada fake mas e é muito importante gente o tant gente assim a turma do USG né A Turma da dos investidores de impacto e daí você fala meu e eh o quanto é importante ter essa noção da realidade antes de tomar decisões antes de desenhar um projeto né Eu acho que esse acaba sendo muito meu papel nessa costura assim dos projetos mas assim se você vive
isso na pele muda tudo fala falar demais fazer que é bom hum semana que vem Cara essa corr você tá me atrapalhando já projetei já comei a escrever e eu acho que legal ao longo do papo você tá sempre demarcando que olha eu tô no Amazonas eu tô falando da realidade da comunidade x ou y e e eu tô dizendo isso porque a minha próxima pergunta é a gente escuta muito o termar Amazônia de uma forma tão genérica e inclusive propostas de Bala de Prata de soluções genéricas e quem vive um pouco de cidade amazônica
sabe que cara não vai funcionar queria te ouvir em relação a isso eu sei que é meio Óbvio mas acho que a gente precisa dizer o Óbvio também enfim cada Rio cada calha de rio é de um jeito cada margem de rio é de um jeito eh eu acho que eu posso dar até um exemplo mesmo que acaba desenhando bem então Eh enfim um dos temas que eu trabalho na escola d'água é saneamento né e enfim esse é o tema mais difíc saneamento e gestão de resíduos é uma co coisa assim que realmente quem tem
a bala de prata eu tô quase esperando Apesar de eu não acreditar mas a gente tá testando muita coisa e é muito difícil enfim saneamento por si só é um tema muito difícil porque como a gente não tem uma um uma solução muito prática já é até um pouco delicado de você trazer né como você fala pra pessoa cara para você mora num flutuante você não tem banheiro Como que você vai fazer se se eu não tenho uma solução então enfim a ao longo desses anos a gente veio testando diferentes coisas então no Purus por
exemplo eu trabalho com principalmente dois duas paisagens três vai uma delas é terra firme Terra Firme são aqueles Barrancos muito é clássicos né que você sobe o barranco para chegar na comunidade E daí cara querendo ou não é mais fácil porque daí você tem foça você consegue fazer aquelas foças ecológicas mesmo assim não é cultural Então a gente tem um exemplo assim da a gente construiu uma escola e essa escola teve o primeiro banheiro da comunidade e daí desde então eu venho vendo banheiros em todas as casas crescendo na comunidade então é aquela coisa de
começar liderar pelo exemplo e tal e a gente conseguiu fazer uma foça tá então legal só que daí tem a paisagem de vasia que é a São terras baixas que metade do ano fica seco e metade do ano fica debaixo d' água e daí como você desenvolve uma fossa para isso e eu queria muito que fosse realmente algo que tratasse a água comecei a pesquisar com vários vários parceiros falei com enfim muita gente que tá trabalhando já mas a gente ainda não tinha achado uma solução Enquanto isso a gente tinha construído vários banheir Várias escolas
na vaisa sem banheiro porque eu falei cara eu não vou fazer um banheiro que seja assim no né que não não tem essa solução e ao mesmo tempo tem as casas flutuantes então assim uma solução gente isso é uma comunidade do lado da outra viu é uma aqui Terra Firme outra aqui vsia e as casas flutuantes que ficam que são as que sobem e descem né junto com o rio cada uma delas a gente teve que achar um modelo diferente nesse meio tempo a gente desenvolveu o modelo com comunidade teve uma que não deu certo
porque a gente desenvolveu um modelo que não aguentou as chuvas torrenciais da Amazônia e meio que ruiu eh daí a gente trocou daí a gente implantou outro e e e tem uma coisa dos custos né porque numa comunidade vsia para segurar uma estrutura muito pesada você tem que enfim fazer construção com concreto e ninguém trabalha com concreto Lau trabalha com madeira então é esse tipo de coisa que eu digo assim a solução tem que ser muito bem pensada precisou de tempo então para chegar do primeiro teste que a gente fez ao modelo que hoje em
dia eu acho que a gente tem um modelo que funciona pros Três um modelo para cada um dos cenários demor uns 3 anos sabe e alguns tes e um dinheiro investido que não deu certo e depois então eh não existe realmente solução saneamento eu acho que é uma um um bom exemplo para isso mas cada lugar Você atravessa o rio você tá num lugar completamente diferente fora fora o social né que algumas são indígenas algumas são ribeirinhas alguns são essas comunidades que é uma família só e o vô manda e ninguém mais fala outras T
uma mulher porreta que é ela que lidera Então tudo isso é é parte da complexidade que a gente tem que considerar a fazer alguma intervenção a fazer algo acontecer dos dias que eu falo digo dos dias que min sobre o que vou fazer das coisas que eu não faço nem farei mas é bonito apresentar para você Raquel Você tocou agora no ponto que é um ponto delicado que eu queria te ouvir em relação a isso que é questão de gênero na Amazônia Raquel veio do centro sul do país é uma mulher branca que chega aqui
já tem uma vivência longa de comunidade como é que você como é que esse tema foi atravessando a Raquel ao longo da tua caminhada eh eu vou te falar que esse é um tema que eu tenho pensado mais recentemente agora que eu tô eh iniciando então Duas né o cupu do quintal e o Instituto arum tô trabalhando só com mulheres e eu tenho percebido é o quanto eu eu tô falando de mim eu não quero fazer grandes generalizações de homem e mulher e tal quanto eu me sinto mais à vontade em criar com mulheres né
num o que eu percebo isso falando mais da minha atuação né Depois eu posso falar um pouquinho mais sobre eu em campo mas eh eu percebo que as mulheres são muito mais abertas a criar sabe a a a dar espaço para nascer algo novo né enquanto em geral em trabalhos com homem eu sinto muito essa essa coisa de tipo já temos a resposta já sabemos a onde vamos chegar e agora assim generalizando né porque tem vários que não são assim já é do jeito deles né e você segue e isso vai dando uma Ah uma
baixada na autoestima até né de pouca e minhas ideias onde cabem aí nessa nessa sua super ideia genial né Eh então o que eu tenho sentido é uma um conforto em trabalhar com mulheres eh e essa essa tensão criativa né de não sabemos onde vamos chegar mas a gente pode a gente pode criar junto né Eh e a e a o não ter respostas prontas eu acho que em geral né existe uma tendência aos homens de já querer fazer logo e eu tenho eu sou uma pessoa muito prática eu eu eu posso cair nessa nessa
cilada assim mas enfim por mais que a gente tem que fazer rápido né Eu acho que a gente tá no momento que a gente tem que fazer rápido a gente tem que criar logo eu acho que a gente pede uma oportunidade muito grande de fazer melhor se a gente vai muito rápido para esse eh paraas soluções né então isso eu acho que é uma generalização mas é o que eu tenho notado já em campo a ao contrário do que eu acho que muita gente deve pensar que sim é uma sociedade machista Sim tem muita violência
doméstica tem tem uma questão muito eh ah forte né de de diferença de gênero quem manda quem obedece e tal isso é muito presente mas eu eu conheço mulheres muito fortes assim eu tenho exemplos Absurdos assim de de mulheres muito inspiradoras que fazem e acontecem assim mas eu daí que vai vai além do gênero eu acho que por eu ser uma pessoa de fora e que me deixa até desconcertada as pessoas daqui eu tô falando do Amazonas e das Comunidades tem uma tendência e que eu acho ruim e eu acho que tá mudando quanto mais
a gente vai pras comunidades e tenta fazer esse movimento Isso muda mas uma tendência de tipo Ai vou receber primeiro que S muito receptivos né querem receber bem a pessoa de fora mas tem uma coisa meio de ai ela sabe mais porque a menina estudou Sabe porque ela veio porque ela fala inglês daí eu po ficar doido que eu fico fazendo tradução inglês quando a gente recebe gente de fora e tal então eu eu nunca senti Eu Raquel estaria mentindo se eu dissesse que em campo eu senti Em algum momento uma uma coisa Ah ela
é mulher eu vou tratar mal ou me senti ameaçada eu nunca mesmo no Juma que eu tava lá meu sozinha morando isolada da comunidade e tal com na época morava com os carpinteiros que tavam com os destruindo a escola mesmo ali eu não me sentia ameaçada eu não sei porque eu sou meio inocente demais Talvez mas não foi uma sensação que falei ah sou mulher sozinha no meio da Amazônia acho que isso não agora no campo do profissional do impacto social e tal sim ou sim eh vou estaria mentindo se dissesse que eu ah eh
é tudo igual não é diferente trabalhar e e e enfim adoro também trabalhar com homem tá tudo certo mas é o que eu tenho notado recentemente nessas interações Eu acho que eu me me comecei a observar mais recentemente e e é um pouco isso que eu tenho notado que legal hein várias camadas aí você trouxe muito legal e certamente vai bater para muita gente que tá ouvindo aí R é o papo delicioso e passa voando mas antes da gente fechar eu queria te convidar e ia fazer mercha final reflexão final algum ponto final que você
queira trazer bom vou fazer o Mex dos meus negócios então eh eu acho que do do cupu do quintal aí cupu do quintal pcom.br a gente tem produtos maravilhosos a gente diz que é o são produtos que fazem as pessoas se conectarem com Amazônia então se você tá longe Quer sentir aí um gostinho da Amazônia é um negócio de impacto que a gente trabalha com várias famílias a gente tem valorizado o caroço do cupuaçu que é algo que era descartado então a gente faz o cupulate faz o o a azedinho de poaçu enfim tem produtos
incríveis eh visitem a Amazônia visitem o Amazonas eu sou uma eh existe Amazônia e eu sou uma grande defensora do Amazonas Eu acho que o Amazonas é é muito Enfim sem não quer não quero briga est vizinhos mas é é isso eu acho o Amazonas tem uma realidade muito interessante eu acho o Rio Negro um dos cenários mais lindos do mundo o espelho que faz na época da cheia as praias que faz que que fazem na época da seca eh sempre tudo muito lindo então Eh venham visitar pela poranduba de preferência e inclusive assim até
eh quem quiser realmente fazer algo mais profundo né nessas jornadas de aprendizagem vai pessoal aí do campo do do impacto social que enfim trabalha com isso quer conhecer mais quer formar um grupo eu tô eu amo fazer isso eu tô super disposta Então vamos conversar e com Estamos levantando o Instituto arumã temos uma agenda de desenvolvimento eh local ali da região do Purus temos projetos com jovens a gente tá querendo fazer muita coisa acontecer então chamando aí parceiros investidores empresas que querem mas que querem de verdade né que querem fazer algo de verdade eh eu
ando um pouco sem paciência para projetinhos eh só para contar a história mas quem quer fazer de verdade eu eu eu tô muito querendo tô querendo fazer essas costuras principalmente pelo meu compromisso com as comunidades eh eu quero ajudar mesmo a a para que as comunidades alcancem essa autonomia e essa resiliência frente essa crise climática que não tá fácil Fábio então tô aqui super à disposição e cara É uma honra mesmo eh obrigada por dar esse espaço é é novidade para mim trazer minha voz né Eu sempre fui muito discreta meu trabalho sempre foi muito
em campo então tem sido um exercício de me colocar de falar de enfim agora né nessa saga de captação de recursos eu vou ter que fazer mais e mais isso me conectar então eu tô nesse movimento e eu acho que calhou muito essa conversa nesse momento muito obrigada fá Instagram aquilo lá só me atrap fazer que é bom não faz semana que vem falar demais você aando fala falar [Música] demais at Demis com projeto aí cara coisa mais lind projet