Olá seja bem-vindo de a aula escritas LGBT que ia mais no contexto da ditadura militar o título desta vídeo aula é pegando o boi na unha para compreender os fundamentos da construção simbólica sobre as vidas LGBT mais em cena também é necessário conhecer e compreender o contexto no qual as primeiras autoras e autores LGBT escreveram quais paradigmas precisaram ser quebrados para que as personagens se desentranha sem da superficialidade e Preconceito reinantes No Imaginário sobre os nossos corpos e para imergir nessa pergunta nós vamos analisar trechos de obras que não são peças de teatro Mas que
marcam as primeiras apropriações da escrita de autoria de GVT em plena ditadura militar a romancista Cassandra Rios escritora lésbica e o Poeta Anderson Rider um dos primeiros homens transa publicar um livro no Brasil escrever nem sempre é algo faça publicar então nem se fala e qual foi o espaço que existiu e qual o espaço que existe para autoras e autores LGBT publicar em obras com o seu próprio ponto de vista e quando a gente fala em dramaturgia Existem várias forças atuando não só as palavras escritas a iluminação os figurinos o espaço a música a atuação
tudo vai influenciar a recriação desse texto em cena É sim isso é verdade mas nós não podemos esquecer ao considerar esse fator que existe o Ofício das palavras ele tem as suas demandas próprias e pra conseguir compreender de modo amplo é Preciso lançar nossa atenção a que a ela a história da literatura as representações de personagens e as leituras que até hoje foram feitas sobre a trajetória de personagens LGBT nos chamado menstrin carregam intrinsecamente consigo e ainda hoje cristalizações desumanizante e nós precisamos fazer desmoronar em sua tarefa de todos nós E para isso nada melhor
do que escavar as bibliotecas em busca de autores e autoras Pioneiros que lançaram o tipo de criatividade no meio do deserto por quê Que Nós escolhemos esse período da ditadura porque por entender que muito da nossa subjetividade hoje e também da estrutura moderna do estado brasileiro assentou suas bases nesse período entre 64 e 85 algumas características que atravessam daquele tempo até hoje por exemplo quanto a subjetividade alguns dos pilares são o medo a competição o individualismo agora quanto a estrutura dessa máquina de moer gente a estrutura da máquina pública por exemplo a perseguição a maioria
da população incluindo pessoas negras indígenas LGBT pobres pessoas com deficiência entre outras né sendo que o aparato repressivo inclui desde as os militares até o sistema carcerário que não à toa são temas dos dois livros que nós vamos analisar aqui o primeiro deles é uma mulher diferente de Cassandra rios que é uma autora conhecida por ser uma das que mais vendeu livros até hoje uma das que mais publicou a mais censurada durante a ditadura e uma das primeiras a escrever abertamente sobre personagens TRANS e homossexuais e com um estilo que ela tem né de buscar
abertamente a linguagem e os gêneros populares da literatura ela conseguiu dialogar com setores da sociedade que os movimentos organizados muitas vezes não alcançaram nas décadas passadas ampliando dessa forma o debate sobre as vidas LGBT por meio da sua escrita esse livro Uma Mulher diferente é de 1965 é um suspense policial que traz um detetive à margem do poder público chamado grandão e ele vive de quê De antecipado investigações da polícia e nessa Trama criada pela Cassandra Rios ele se depara com um crime cometido contra uma belíssima loira Como diz no livro né que é encontrada
morta no Rio é Ana Clara uma dançarina da noite para ver sim que só é revelada na sua verdadeira identidade conforme avança a investigação desse suspense policial Então o que acontece o olhar dos leitores acompanha o desse detetive em terceira pessoa e distanciado mais ainda sim reproduzir indo inúmeras e diversas discriminações e se colando muitas vezes a visão preconceituosa dos suspeitos de terem cometido esse crime mas diferente de outras obras que presenciaram esse mesmo universo na época fé a chave narrativa o ponto de vista desse narrador vai se alterando durante o romance a ponto da
própria personagem Ana Clara contestar a visão masculinizadora atribuída ao seu corpo e argumentar em primeira pessoa "feminize o sujeito por favor quando se dirigir e se referir a mim sou Ana Maria meu nome é esse sou uma espécie diferente de mulher apenas isso peça no fim grandão esse detetive desenvolve uma em paz é por essa mulher que foi encontrada morta com um ferimento na cabeça e percebe alguns aspectos da sua humanidade que no começo do livro estavam totalmente encoberto pela sua ignorância e incompreensão considerando o contexto histórico em que esse livro foi escrito é um
olhar muito mais complexo sobre a existência de uma travesti que abre margem para expor a tradição de quem desejava ela e também a integridade da personagem a sua coerência EA sua autodeterminação habilidade da Cassandra Rios em deslizar de uma Instância narrativa para outra conecta de forma intrínseca a forma estética desse livro A forma narrativa é conectada a percepção das pessoas sobre a vida de uma mulher travesti revelando essa ferida enquanto uma ferida estrutural da nossa sociedade agora falando sobre o livro o Anderson Hair queda para o alto é o primeiro relato autobiográfico de uma pessoa
transgênero no Brasil que veio a público a partir dos poemas e Anderson reza também conhecido como bigode escreveu enquanto esteve preso na Febem e ele foi encarcerado pela própria família mesmo que a princípio nem as próprias autoridades quisessem receber e aceitar ele lá por não verem motivo para isso e foi nas poesias que ele sempre encontrou um refúgio e ao mesmo tempo um lugar de reunir forças para sobreviver a esse meio hostil que desde a infância ter-se ou a sua resistência quando o Eduardo Suplicy que na época era deputado estadual encontrou Anderson reza foi o
fato de escrever poemas o primeiro lhe chamou atenção dentro da fêmea uma vez liberto ele foi orientado a escrever sua autobiografia para publicar junto com seus poemas e daí nasceu o livro A queda para o alto de 1972 onde a gente tem acesso a sua narrativa em primeira pessoa e as suas criações inverso ritmo e Musicalidade e refletem tanto a sua bravura e encarar e se defrontar e dificuldades quanto também seus momentos de melancolia tristeza e decepção seus amores as suas meditações sobre as pessoas que cruzaram seu caminho dando apoio ou repreendendo todas essas são
inspirações para sua escrita poética característica de sua literatura a poética mesmo na metade em prosa do livro conversas por exemplo como qualquer dia desses vou despir-me da luta pisar em coisas brutas sem me arrepender ou ainda num outro poema chamado gota de sangue onde ele diz "eu de cair eu persisti tentei por todos os meios ser forte lutei Contra o Tempo chorei em silêncio gritei seu nome ao vento sou filho da Gota fui e da miséria peça " em diversos como esses ele escancara sua dor focalizando ela em público em oposição direta ao enclausuramento aquele
foi submetido durante tantos anos da sua vida essa clausura é tanto no sentido da privação de liberdade dentro da cadeia quanto no de não ter alternativa de vida para evitar a sua verdadeira identidade sem com isso você taxado perseguido como se fosse uma aberração mas ainda assim do mesmo poema gota de sangue ele finaliza com os versos hoje estou em sua lembrança Olá eu sou a sua alma oculta e serei a sua esperança peça apa Então o que ele faz ele transita intensamente entre Estados e humores entre sonhos EA dureza de uma realidade que Gouveia
ele incessantemente comentando a todo tempo a própria narrativa reconstituindo algumas cenas em diálogos mais desinchadas principalmente nas primeiras violências que ele sofreu dentro de casa ele diz " eu Quisera eu ter um início movido por uma varinha mágica mas o modo mais simples e sincero seria começar a relatando minha vida sem esconder fatos desagradáveis pois esses fatos me Trouxeram experiências que às vezes pareciam sem solução mas me ajudaram a reconhecer como muitos dizem o único problema tem solução é a morte" o que chama atenção nesse trecho né a destreza narrativa de alguém que consegue construir
um distanciamento literário para relatar Fatos traumáticos e ainda assim se aproximar e se distanciar esses acontecimentos transitando entre um drama do aqui agora mil épico inclusive algumas passagens são épicas não só no sentido de narrar algo que aconteceu no outro tempo e no outro espaço que não o presente do narrador mais são épicas também no sentido de apresentar episódios que diz que parecem Absurdos fantásticos inacreditáveis a realidade de uma pessoa trans masculina na década de 70 em plena ditadura militar EA humanidade obstinada com a qual ele enfrenta essa realidade extravasam Qual que é a história
que qualquer autor da época conseguiu fabular o trecho em que ele narra a caminhada a pé do Paraná até São Paulo comendo comidas vencidas dormindo no mato sem conseguir trocar de roupa nem se proteger dos insetos e do frio fugindo da polícia que só o persegue porque ele é que ele é é exemplar nesse sentido agora encaminhando para o final da nossa aula é o último aspecto que é o limite entre a realidade EA fantasia que é constantemente questionado na dramaturgia 100 inscritos de pessoas LGBT mais isso não é só uma coincidência ou uma preferência
estética pelo contrário é um reflexo vivo dos limites contidos nessa noção de realidade criada por um pretenso universal de humano que a gente sabe que de Universal não tem nada porque Abarca uma pequena parcela de identidade da população mundial nós pessoas LGBT durante muito tempo não formos consideradas humana Nós não estávamos nesse ideal de humanidade e nós éramos e muitas vezes ainda somos classificados como doentes criminosos loucas e as formas existentes na arte expressam essa desorganização quando nós atentamos unte a a temperatura e passamos a escrever por nós essas formas todas precisam o que se
reconfigurar e é isso e a gente vê acontecendo nos géneros narrativos do suspense e no livro da Cassandra rios e do relato autobiográfico e das Poesias no livro do Anderson Harry teria muitas e muitas coisas para a gente falar sobre esses livros ainda mas por enquanto a gente vai ficando por aqui e nos encontramos na próxima aula até lá