E aí [Música] e a escravidão levou consigo ofícios e aparelhos como terá sucedido a outras instituições sociais não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo Ofício um deles era o ferro ao pescoço outro o'ferrall pé havia também a máscara de folha-de-flandres a máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos hoje está para a boca tinha só três buracos dois para ver um para respirar e era fechada atrás da cabeça por um cadeado tá com vício de beber perdiam a tentação de furtar porque geralmente era dos vinténs do Senhor que eles tiravam com
que matar a sede e aí ficavam dos pecados extintos EA sobriedade EA honestidade certas era grotesca tal máscara mas a ordem social e humana nem sempre se alcancem o grotesco e alguma vez o Cruel os funileiros as tinham penduradas à venda na porta das lojas mas não cuidemos de máscaras Olá eu sou professor Thales e hoje eu vou fazer um breve comentário sobre um conto de Machado de Assis chamado pai contra mãe que foi publicado em 1906 e trata da temática da escravidão esse conto foi publicado então 18 anos após a promulgação da lei que
colocou um fim oficial né o Finn legal a escravidão no Brasil a lei Áurea de 1888 porém a gente sabe que e como acabar com todo aquele aparato com uma força assim de simplesmente um pedaço de papel e uma assinatura porque a escravidão era uma uma atividade física inteira tinha uma estrutura física na sociedade inglesa por força de lei que extingue ali quase quatro séculos de escravidão que havia começado quando o primeiro Navio Negreiro aportou aqui no Brasil em 1525 e perdurou oficialmente institucionalmente até 1888 porém é muitos aspectos que permitiam a escravidão ainda perduram
até os dias atuais primeiro aspecto que chama atenção no texto aquele começa com um tom ensaístico ele não começa com os elementos que a gente julga pertencer propriamente ao gênero conto né que seria uma personagem que tem uma ação e um tempo e um a subir uma ação única bem contundente e rápido ele começa com uma reflexão uma análise sobre aquilo que ele chama de instrumentos Ned ligados a determinados ofícios mas a gente percebe que esses instrumentos são praticamente instrumentos de tortura então é tem uma escolha vocabular ali que que escolhe assim de uma maneira
com eufemismo as palavras né mas isso mostra o posicionamento desse narrador perante aquela situação né que ele ele vê como um ofício mesmo como qualquer outro é uma maneira de produzir a vida então são instrumentos ligado ligados a certos ofícios não são instrumentos de tortura de prisão nada disso ele ele começa a citar ela encarar o ferro ao pescoço o ferro ao pé a folha a máscara de folha-de-flandres e ele banaliza essa máscara de folha-de-flandres e os funileiros as tinham penduradas à venda nas portas das vendas ou seja ele banaliza o que há de horrendo
naquela máscara é que tampava toda a cara do ser humano escravizado para ele não poder ingerir principalmente bebidas alcoólicas O que poderia é diminuir o seu rendimento no trabalho escravo trabalho forçado ou então fazer com que ele se sentisse tentado a roubar os vinténs do seu dono para comprar bebida alcoólica e daí muito se falou sobre um certo cinismo que beirava a psicopatia né desse desse narrador tão desprovido de sentimentos e essa análise ela não é muito não é a melhor análise assim porque isso coloca como se fosse algo individual desse narrador e na verdade
se a gente pensar que esse narrador é somente uma conta e da mentalidade média do homem que conviveu ali com a escravidão a gente percebe que quer uma análise muito mais acurada da situação porque se esse narrador é um tanto cínico Isso significa que todo mundo naquela sociedade pensava da mesma maneira então ele não é nem um alienígena aquela sociedade que o narrador é assim todo mundo que viveu naquele tempo quase todo mundo tinha essa mesma esse mesmo pensamento em relação à escravidão então a gente acaba fazendo uma leitura contrária a leitura do narrador nela
o narrador ele vai para um lado e o leitor eticamente ele vai ele vai ter compreendendo o texto para o lado contrário e nesse ponto o narrador de Machado de Assis e realmente ele ele coloca problemas para gente né porque a gente não pode se deixar levar e inocentemente por esse narrador e o narrador continua com toda a falta de empatia de sentimentos nele ele fala o ferro ao pescoço era mais um sinal do que um castigo né e o escravo sempre tinha um padrinho e o próprio dono não era mal né porque também ele
não queria castigar sua propriedade para não danificá-la porque o dinheiro também dói então ele vai amenizando a situação né Sempre assim um tom de eufemismo que Beira o cinismo nessa quase uma psicopatia mas a gente percebe que a mentalidade da época que o Machado de Assis quis retratar ali e ele continua falando da que nem todos os escravos gostavam de apanhar Então por vezes eles acabam fugindo daquela situação o que criou Ofício de apanhar pegar escravos fugidos e tem um trecho aqui que eu separei né que trata desse aspecto dos dos escravos fugir diz que
é muito importante para esse conto que eu separei aqui e vou E aí e tem perdia um escravo Por fuga Dava algum dinheiro a quem lho levasse põe anúncio nas folhas públicas com os sinais do fugido o nome a roupa é o defeito físico certinho o bairro por onde andava e a quantia de gratificação quando não vinha a quantia vinha promessa gratificar se a generosamente ou receberá uma boa gratificação muita vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta figura de preto descalços correndo varal ombro e na ponta uma trouxa protestava-se com todo
o Rigor da lei contra quem o acoutasse ou seja protestava com todo o Rigor da Lei isso é o dono o proprietário dos do escravizado protestava li no jornal com todo o Rigor da lei porque ele tava do lado da Lei e quem é contava isso é tem acolia quem escondia esse escravo é tava contra a lei então mesmo que você julgasse a mente não é moralmente e eticamente uma coisa a coisa correta fazer dar acolhida aquele escravizado não seria o correto de acordo com a lei E aí fica o questionamento do Machado de Assis
se a lei é justa Machado de Assis faz essa análise né sobre a justiça que existe na lei muitos anos antes de Ana arent relançar a sua tese no livro A irmã Jerusalém que ela questiona até onde a lei ajusta né uma vez que foi obedecendo à lei que ocorreu o que ocorreu na Alemanha durante os anos ali da Segunda Guerra Mundial e também é muito cientistas com meu grande é fizeram experimentos que mostraram que o ser humano tem de obedecer ordens de um superior hierárquico sem se questionar ética e moralmente essas ordens são justas
e esse é o grande questionamento do Machado de Assis nesse conto né então várias vezes ele traz essa questão da o e nessa parte aqui ele apresenta o Ofício de pegar escravos fugidos você fala não era dos melhores ofícios que existiam mas era Nobre porque eu estava do lado da Lei então novamente apresentando essa lei que a gente se questiona se ajusta né porque a pessoa que trabalha de pegar de procurar seres humanos que estão querendo fugir daquela condição de escravidão esse esse cara quê que procurem laça não é pega o ser humano fugindo das
condições kadam ele sem a nobre porque ele está mantendo a ordem está do lado da Lei então novamente o questionamento de Machado de Assis né apresentando aqui a justiça que há na lei e nesse ponto ele apresenta a o protagonista que é Cândido Neves é um cara assim que não para em nenhum emprego ele tenta o emprego de Cachoeiro vendedor de produtos de Armarinho é ligado à Indústria Têxtil seja remete a uma industrialização mesmo que ele Oi gente ali na cidade ele também não consegue ser continuo de escritório ou seja funcionário público no ministério da
do império ele não consegue trabalhar no cartório ele não consegue ser carteiro e não consegue ser entalhador de madeira porque ele não quer ficar sentado várias horas no emprego e em relação aos eventos que ocorrem na narrativa os eventos que são contados Eles estão no mínimo 20 anos distantes da narração no momento em que se conta porque quando o narrador começa a contar ele fala a escravidão levou-o consigo Ou seja a escravidão nesse momento em que eu falo já está encerrada ou seja esse esse evento ao qual eu me refiro ocorreu no tempo da escravidão
isso é antes de 1888 mas pelo que tudo indica no texto algum momento no meio do século 19 e nesse ele se casa com clara que é uma moça pobre também e que vive com a tia Mônica e as duas são costureiras então Cândido Neves cla a única vão morar juntos mas em situação de pobreza e Cândido Neves começa o Ofício de pegar escravos fugidos que dá ele certa flexibilidade ele pega um aqui outro ali pode ficar várias semanas sem trabalhar entre um e outro e assim ele vai vivendo só que começa a escassear ele
é levado para o fim para o limite de um tempo histórico A gente percebe que o narrador já havia dado dado indícios no começo do conto apresentando alguns ofícios que eram mais modernos né como vendedor é o burocrata Oi e Ele Decide por um ofício arcaico então ele é levado até o fim até o limite de um tempo histórico ali e começa a escassear porque o seu produto está acabando historicamente né que são escravos fugir di uccelli na cidade pelo menos está acabando no campo ainda talvez tivesse mais cada vez mais escasseando e nisso a
Clara engravida e a tia Mônica fala olha não dá para alimentar mais uma boca vai ter que levar essa criança para roda dos enjeitados e eu não sei se vocês sabem o que é a roda dos enjeitados e ela é uma estrutura que provavelmente todos vocês conhecem que é aquele tambor que tem na distribuidora 24 horas exatamente igual aquilo você coloca a bebida do lado roda e pega do outro faziam isso com as crianças né desde a idade média até o século 19 colocava a criança ali naquela roda naquele tambor em uma instituição Religiosa rogava
e uma pessoa religiosa acolhia a criança do outro lado então depois eles são despejados o Cândido Neves com a sua esposa Clara e a tia Mônica vão morar de favor na se a criança e dois dias depois ele vai levá-la para a roda dos enjeitados E aí Ele Decide dar uma última olhada nos anúncios de jornal né que ofereceu uma recompensa por escravos e encontra ali no anúncio que oferece uma boa quantia por uma escrava fugida mulata de nome Arminda e ele percebe essa pessoa passando pela descrição vai no encalço o seu filho com o
dono da Farmácia vai atrás da Arminda amarra ela ali outro aspecto importante aqui nesse ponto da captura da Arminda né É que ele fala que quem passava a porta de uma loja logo percebi a situação e não acudia Ou seja as pessoas como eu falei no começo sobre o narrador né todas as pessoas ali naquela estrutura da sociedade estavam coniventes e conviviam muito bem com aquela situação então é você não ter empatia por um escravizadas sofrendo é tava de acordo com a lei tava de acordo com os costumes então o Machado de Assis ele traz
por um lado a brutalidade que existe na lei né de um lado tem um lado legal e do outro tem um lado consuetudinário isso é o lado dos costumes que também estão amparados por esta lei injusta e convivem muito bem com aquela estrutura brutal de poder e ela implora ela fala eu te sirvo pelo amor de Deus não me leva para o meu do e eu viro sua escrava Aliás ela fala se eu te imploro né porque eu vou ser mãe eu tô grávida e ele não se compadece leva Arminda para o seu proprietário e
quando eu chegar lá que o cara tá entregando o dinheiro para o Cândido Neves ela aborda ao ver o proprietário que ela fica completamente apavorada Cândido Neto e pega o dinheiro todo feliz da vida vai lá buscar seu filho na maior alegria na maior felicidade volta para casa com a criança no colo Tia Mônica estranha aquilo lá ele Explica toda a situação ela o perdoa porque afinal ele tá com o dinheiro a tia Mônica ainda coloca a culpa na Arminda pela que ocorreu o pelo aborto né e o Cândido Neves faz o comentário final fala
é nem todas as crianças vingam na idade ombros ali isso é aquele velho Antes ela do que eu uma coisa bem brasileira né E esse conta então né que se chama pai contra mãe podia se chamar também pobre contra miserável São pessoas que estão assim destituída em contato com o poder público é que estão lutando umas contra as outras mas o Cândido Neves é a Clara né esses nomes têm uma um tem uma carga simbólica porque Cândido está relacionado a Branco Neves relacionada Branco Clara a branquitude Então essas personagens são pobres mais são brancas né
E ali naquela sociedade baseada numa estrutura é racial isso gera uma vantagem porque ali ninguém era tão miserável que não pudesse ainda é tirar uma vantagem extrair algumas vantagens sobre os realmente Miseráveis os escravizados né então todo mundo sugava os escravizados em todos os aspectos e tirava vantagem sobre eles e o Cândido Neves usa essa estrutura racial a seu favor e é o que está ali nesse conto né então se ele é pobre ele ainda tem a vantagem de é aproveitar essas injustiças a seu favor outra coisa que a gente pode perceber também é que
aqueles que desfrutam mesmo realmente dessa situação os ricos proprietários de escravos não aparecem nesse conto né então fora aqui no Brasil né quem sofre mesmo a situação são os pobres que que ficam contra pobres é as pessoas que são beneficiadas pela situação de miséria né seja por não pagar os seus impostos seja por roubar dinheiro público não investir em educação elas estão fora dessa narrativa de violência e miséria e os donos do poder tão fora depois de ter criado toda a condição né todo o barril de pólvora ali pronto para explodir é isso que o
Machado de Assis traz é um aspecto muito próprio né que compõem o Brasil e é ele permanece até os dias de hoje então por isso que eu decidi trazer é porque é um conto que tem um texto atual tem questões muito atuais né por nosso Brasil e espero que vocês tenham gostado e Espero encontrar vocês no próximo vídeo até lá