Olá, pessoal! Bom dia, tudo bem? Espero que sim.
Espero que todos estejam em paz e com saúde. Se não estiverem, espero que as meditações históricas estejam sendo úteis para que vocês lidem com as questões que dizem respeito ao nosso dia a dia, né? Nem todo dia é um dia extraordinário, mas nós podemos fazer desse dia um dia melhor, exatamente pelo modo como nós enfrentamos as coisas.
Vem cá, Th! Vem cá dar bom dia pro pessoal! Sobe aqui, porque senão o papai recebe críticas lá nos comentários.
Cadê o Thales e o nosso mascote das meditações? Tudo bem, negão! Dá bom dia para todo mundo!
Eu agora sou um cachorro subcelebridade, eu sou mais ou menos famoso, então eu preciso dar as caras de vez em quando. Depois eu vou fazer uma sessão de autógrafos. Autógrafos!
Foi boa essa, hein? Foi bom esse trocadilho! Foi legal, parabéns!
Foi péssimo, mamãe! Mamãe disse que foi péssimo. Moçada, hoje, falando sobre o modo como nós enfrentamos os problemas, a nossa meditação trata exatamente disso.
A meditação do dia 18 de março, intitulada pelos nossos autores "Impossível sem seu consentimento". Boa parte das agruras que nós enfrentamos na vida, boa parte dos problemas que nós enfrentamos na vida, pode ser deitada no colo do papai. É, gotos!
Boa parte dos problemas que enfrentamos na vida são, vamos dizer, instaurados. Não instaurados, mas permanecem como tais, como problemas, por consentimento nosso. Nós deixamos as coisas avançarem assim.
Então, eu gostei desse título, né? Impossível sem o seu consentimento. Meditação de Marco Aurélio: "Hoje, escapei das circunstâncias difíceis".
Ou melhor dizendo, "rejeitei as circunstâncias difíceis, pois elas não se encontravam fora de mim, mas em minhas próprias suposições". Então, os estóicos são muito intensos no modo como tratam questões do tipo: "Puxa, eu vou ter que sair hoje para fazer um exame. É um saco sair de casa e ir ao hospital, encontrar gente doente, cheia de problemas, um menino gritando, o outro chorando, e a mãe reclamando, o pai falando".
Mas isso envolve muito o modo como eu vou ler essa situação. Isso envolve muito o modo como eu vou lidar com essa situação. Se eu já me armo para dizer "tudo isso vai ser uma merda", eu já saio de casa condicionando essa situação.
Eu não consigo experimentá-la de forma diferente, entende? Então, eu sei que é difícil, porque eu também sofro muito com isso, mas, tanto quanto possível, a gente deve fazer esse esforço de modular a situação para que o sofrimento não advenha, porque a situação eu não vou conseguir mudar. Eu não vou conseguir mudar as pessoas, eu não vou conseguir mudar o jeito como elas veem o mundo, eventualmente, mas eu consigo mudar o modo como eu compreendo isso.
E esse é o ponto da meditação de hoje. Em dias difíceis, dizem os nossos autores, podemos dizer: "Meu trabalho é massacrante" ou "Meu chefe é muito frustrante". Se ao menos pudéssemos entender que isso é impossível!
Uma pessoa não pode frustrar você, a não ser que você conceda isso. Uma pessoa não pode te frustrar, a não ser que você ofereça a ela esse poder de te frustrar. Um trabalho não pode massacrar você, a não ser que você conceda ao trabalho essa potência sobre você.
Esses são fatores externos, e eles não têm acesso à sua mente. São coisas de fora de você. Então, a gente até já fez uma meditação sobre isso, né?
Uma pessoa, para me ofender, ela tem que ter poder sobre mim. Quando alguém me ofende, eu passo o dia chateado porque alguém me disse alguma coisa. Tudo que eu estou dizendo para o mundo inteiro ouvir é: "Essa pessoa tem ascendência sobre mim.
Ela me controla de alguma maneira. Ela tem domínio sobre mim". Agora, se eu filtro o modo como isso rebate dentro de mim — e isso só eu posso fazer — eu me torno imbatível.
Essas emoções que você sente, por mais reais que sejam, vêm de dentro, não de fora. Olha, esse trabalho meu é massacrante, eu quero trocar de trabalho. Tá, eu posso fazer isso agora?
Não! Por quê? Porque eu tenho um problema, né?
Eu adoro me alimentar, então, se eu largar esse trabalho agora, eu não vou ter nem comida. Então, ok, já que eu tenho que trabalhar nesse trabalho que não é o trabalho que eu gostaria de realizar, então eu vou levar isso da melhor maneira possível. Vou conduzir isso da melhor maneira possível, não vou me estressar com aquilo que normalmente me estresse.
Por quê? Porque eu estou no domínio do modo como as coisas me afetam. Enquanto isso, eu vou preparar o caminho para um outro trabalho.
Adianta eu ficar lá? "Esse trabalho é uma merda, esse trabalho". Isso vai fazer com que você mude o seu trabalho?
"Meu chefe é uma miséria, meu chefe é uma desgraça, é um tirano". Não sei, isso vai fazer com que ele mude? Não vai!
Então, em vez de querer mudar os outros, em vez de querer mudar as circunstâncias, mude o modo como você lida com elas. Mude o modo como você lida com os outros. Os estóicos usam a palavra "hipo", o que significa aceitação, absorção de percepções, pensamentos e julgamentos por nossa mente.
O que supomos, o que geramos por espontânea vontade em nossa mente está em nós. Eu estava até relendo umas páginas agora do Victor Frankl, em "Em Busca de Sentido", considerado pela Biblioteca do Senado norte-americano um dos 10 livros que mudaram a história da humanidade. Inclusive, dentro da Sociedade da Lanterna, nós fizemos uma leitura comentada sobre esse livro, né?
Em "Em Busca de Sentido", e tem muito a ver com isso. Quer dizer, o sentido que eu atribuo às coisas. O cara passou por quatro campos de concentração dos piores.
. . Mais letais e mais mortais, ele saiu vivo.
Ele tinha pouco menos de 30 kg de peso e aí ele foi o inventor da logoterapia, né? De uma espécie de terapia que é a compreensão de um sentido mais profundo para a vida, e um sentido que não é em situações difíceis só. Ele vai dizer que, em situações cotidianas, uma vida sem sentido flerta perigosamente com o niilismo, com a nadificação, e, por via de consequência, com as doenças da alma.
Então, é o modo como eu vou conferir sentido àquilo que eu estou vivendo. Eu já dei esse exemplo: eu acordo todos os dias, pego o carro e vou para o trabalho. Um dia, parece um pneu furado.
O dia acabou para mim. Que desgraça de vida! Não sei o quê, cara!
Mas nos outros 364 dias, o seu pneu estava lá, cheinho. Você nem sabia que o carro tinha pneu! É motivo para se estressar tanto, para levar isso tão a sério.
Quer dizer, um pneu furado te domina! Esse ponto, o que supomos, o que geramos por espontânea vontade em nossa mente, está em nós. Não podemos culpar outras pessoas por nos fazerem sentir estressados ou frustrados, assim como não podemos culpá-los por nosso ciúme.
A causa está dentro de nós; elas só são o alvo ou uma certa desculpa. Eu gravei um podcast outro dia, e assim que ele for ao ar, eu comento aqui com vocês sobre o estoicismo com meu amigo Marcelo Toledo, um podcast chamado "Os Excepcionais". Eu falava do caso de um jogador de futebol que, neste ano de 2025, enquanto fazemos as nossas meditações, sofreu um ataque racista de um torcedor.
E esse menino deu uma entrevista assim, muito comovido, um choro sentido mesmo. Ele pôs: "Você não vai me perguntar sobre o que fizeram lá comigo? Todo dia, isso!
Toda hora, isso! " Menino sentido. Eu fiquei muito chateado, não pelo fato do ataque racista, porque o ataque racista nunca vai deixar de existir na história da humanidade.
Sempre pessoas terão um certo tipo de preconceito com outros grupos de pessoas diferentes delas. Essa é a realidade: por cor da pele, por local de nascimento, por convicção religiosa. Sempre, dentro dos próprios grupos, dentro dos grupos homossexuais, você tem certos gays que têm preconceitos com outros tipos de gays porque são mais afetados ou menos afetados.
Dentro dos subgrupos de preconceitos, isso nunca vai mudar. Pode melhorar, podemos educar melhor as pessoas, isso pode ser amenizado. Mas falar assim: "Vamos acabar, é o fim do preconceito", não tem essa possibilidade.
A minha vontade era de ligar para o menino e falar assim: "Moço, vem cá, assiste um pouquinho das meditações históricas para você entender que você não pode dar esse poder aos outros. Você não precisa chorar desse jeito. " Você é um jogador de futebol que joga em um time importante, você está construindo a sua carreira, você tem o seu salário, você tem a sua família.
Por que isso pesa sobre você? É uma concessão sua. Olha para um pobre coitado desse, cuja vida é miserável.
Inclusive, a cena é dantesca: o cara xingando o rapaz de macaco, com o filho no colo, um bebê de colo, e o pai fazendo isso. A vida desse cara já é uma miséria por ela mesma; o simples fato de ele ter sido mostrado fazendo isso já marca o suficiente a existência dele. Você não precisa se dobrar.
Você pode simplesmente dizer: "Está vendo aquilo lá? Vocês conseguem enxergar o quanto aquilo é estúpido, julgar uma pessoa pela cor da pele, pelo local de nascimento, pela sexualidade? " Vocês conseguem compreender uma fala assim altiva de alguém que não se deixa abalar porque o outro fez ou deixou de fazer?
A minha vontade era de trazer esse cara e falar: "Velho, você está procurando a solução fora. Não existe solução fora. Pode melhorar alguma coisinha, mas solução fora não existe.
A solução está dentro. " Solução está dentro. Sempre vai ter no mundo um cretino desse.
Agora, cuida do casco do seu barco. O mar, em determinado momento, sempre vai estar agitado. Se você der o poder a ele, ao mar, o seu barquinho, meu amigo, nunca vai navegar.
Você vai estar sempre dizendo: "Estou esperando o melhor momento, o mar calmo, para poder navegar. " E esse mar, na verdade, ele nunca vai ficar exatamente calmo. Numa hora, ele vai te pegar no contrapé.
Você tem que se manter firme porque você está seguro sobre a qualidade do casco que você construiu para si. Não se esqueça de deixar um comentário, mandar no grupo da família para quem achar que é importante uma mensagem estóica como essa. Espero que vocês estejam bem.
A gente se encontra aqui amanhã para mais uma reflexão estóica e venham para a Sociedade da Lanterna deixar uma vida apedeuta, fazer exercícios intelectuais, conhecendo a história da filosofia no melhor espaço do Brasil hoje para se fazer isso. Espaço não acadêmico, obviamente. No espaço de uma convivência muito legal, com grupos maravilhosos de pessoas que frequentam a Sociedade da Lanterna.
Beijão para vocês, até amanhã!