[Música] [Aplausos] [Música] Eu sou Rafael, psicólogo, e às vezes, de fato, você precisa esquecer alguns nomes. Curta, se inscreva no canal. Ruma aos 400.
000 inscritos. Vamos lá. Personagem que não olha pro passado.
O Gai é com certeza um dos personagens mais resilientes dos animes. Quando lembramos de resiliência, lembramos do Rock Lee. Lee é o mais famoso, mas aquele que trouxe maior motivação, pessoalmente para mim, foi o Guy.
Sem o Guy não existe Rock Ley. O Guy forte exemplo de como o ambiente pode moldar boa parte da nossa vida e também mostra como você pode ir além do ambiente e além das circunstâncias. É difícil fugir da realidade imposta, mas também você não precisa ser definido totalmente pelo seu passado.
O Guy nunca foi um ninja com talento natural. Na infância, o Guy não era nenhum dos melhores da academia. E por causa disso e por pelo motivo também que ele admirava muito o seu pai, o Dai, que era alguém absurdo, tinha muita técnica em Taijuts, o Guy se apaixona pelo Taijuts, ele começa a ignorar que ele é ruim jutsu e genjuts e foca no tai juts o Gai, ele vivia treinando para impressionar o seu pai.
O detalhe é que o pai dele era só um guininho, ou seja, ele era forte, mas não era visto pela sociedade ou pelas pessoas como alguém forte. Uma vez o Gai ficou bem irritado porque estavam zoando o pai dele. Aí ele foi para cima de alguns ninjas mais velhos, acabou apanhando e foi para hospital.
Ou seja, ele tentava defender o seu pai. Ele se preocupava muito com a opinião dos outros. Essa resiliência que o Gai tem, que eu citei no começo do vídeo, não era algo que ele tinha desde o início.
Essa resiliência dele foi moldada com o tempo e com as experiências que ele teve. Porque quando ele era criança, ele ficou desesperado quando ele percebeu que não seria bom. E nem jutso, nem jutso.
Ele teve que ressignificar tudo isso. O pai dele, o Dieve ensiná-lo a técnica dos oito portões como uma condição. Ele só poderia fazer isso se isso fosse para proteger outra pessoa.
E aí o Da acaba mostrando isso na prática, porque pouco tempo depois o Gai e os seus companheiros foram atacados pelos sete espadachins da Néva. Foram salvos pelo Dieito portões. Isso marcou o Guy.
Talvez esse seja o principal ponto que fez ele mudar. O Guy era inferiorizado pelos outros por causa da sua falta de talento, mas foi justamente isso que fez ele ser um dos melhores ninjas. Ou seja, justamente sua fraqueza se tornou sua maior força.
Então, na infância o Guy era extremamente inseguro e se preocupava muito com a opinião dos outros. Após ele se tornar adulto, isso meio que mudou por completo. Nosso cérebro prioriza a sobrevivência primeiro e todo o resto em segundo.
Ele cria um fluxo interno de pensamentos baseados em sobrevivência, usando uma rede de pensamento automática chamada de rede modo padrão. A rede modo padrão escaneia o ambiente em busca de ameaças potenciais e se apega a dados que sugerem que não estamos seguros. Só que ela não presta tanta atenção assim a coisas que nos deixam mais seguros, como as pessoas que nos amam ou que dão feedback positivo.
Esses comentários não despertam o interesse da rede modo padrão. É por isso que damos valor e muito à opinião dos outros sobre a gente. Somos muito propenso a dar atenção à aqueles que nos rejeitam, que nos tratam mal, como era o Gai no passado.
Só que isso mudou no personagem, isso mudou a vida dele. O Gai, após se tornar adulto, ele decide viver uma vida baseada nos próprios conceitos dele, uma vida extremamente fiel a si mesmo. Por exemplo, ele é bastante competidor.
Essa competição que fez ele se aproximar do Kakashi. Kakashi e o Gai são bem diferentes. O Kakashi sempre foi mais habilidoso que o Gai.
Kakashi também sempre foi mais quieto, mais introvertido e como dizia o Danzo, mais sombrio também. O Kakashi tinha uma escuridão que o Gai não tinha justamente pelo passado dele. Só que o Gai admirava o Kakashi pela sua força e controle.
E foi aí que se iniciou a rivalidade entre os dois. Rivalidade que é um ilateral só do Gai. O interessante é que o Guye um desafio e ele vai cumprir aquilo, mesmo se ninguém estiver vendo.
Ele agora não se importa tanto assim com que as outras pessoas pensam dele. O Guy criou um desafio onde ele iria andar 500 voltas em torno de Konoha com suas mãos se ele perdesse um Jen Po contra o Kakashi. E de fato ele teve que fazer isso e não parou mesmo quando ninguém estava vendo.
O Gai não fazia isso ou fazia qualquer coisa para mostrar pr as outras pessoas, mas apenas para si mesmo, para sua melhora como ninja, a chamada motivação intrínseca. Motivação intrínseca é o impulso que vem de dentro, sem nenhuma recompensa externa ostensiva. Você faz algo porque é inerentemente agradável para si mesmo e não por causa de qualquer recompensa antecipada, prazo ou pressão externa.
Diferentemente de recompensas extrínsecas que podem perder seu apelo ao longo do tempo, a motivação intrínseca fornece uma fonte durável de energia e perseverança. Como mostra alguns estudos, ela nos alimenta mesmo diante de desafios e contratempos, permitindo que permanecemos resilientes e comprometidos com nossos objetivos. Esse é o motivo da energia infinita do G.
Dificilmente algo desmotiva ele. É como se ele estivesse dentro de uma barreira que impede ele de desanimar, de desistir, que ele desanime por razões externas. É como se só ele tivesse esse poder.
A rivalidade que ele cria com Kakashi é isso, é com intenção de melhorar, de se tornar mais forte. Ele fazia desafios, ele perdia, ele tinha que pagar o preço, as pessoas riam dele, mas agora ele não se importava mais. Era como se o Gai estivesse livre agora.
E não estar preso à opinião dos outros era o grande fator dele conseguir avançar mais. A nossa autoestima está em problema quando buscamos a validação dos outros, porque ela fica dependente do externo de fora. Quando você busca essa autoestima, quando você quer fazer algo legal, sem a necessidade de mostrar aos outros, sua autoestima fica mais preservada, como acontece com o Guy.
Ele coloca o cabelo do jeito que quer, ele se veste do jeito que quer. Se ele se preocupasse muito, ele seria preso e não poderia ser autêntico. Esse é o motivo determinante dele ter um aluno favorito, o Rock Lee.
O Rock Lee admira muito o Guy, assim como o Guy admirava muito o Dai, o Rock Lee segue as instruções dele. E um motivo bem importante disso acontecer é que o Guye segue o que ele fala e segue o que prega. Existe uma heurística que diz que a maioria de nós usa para determinar o que fazer, pensar, dizer e comprar chamado princípio da prova social.
Para olharmos o que é correto, olhamos para o que as outras pessoas estão fazendo. Em seu famoso livro, Influence, o psicólogo Robert Caldini escreve: "Seja a questão o que fazer com a caixa de pipoca vazia em um cinema, com o rápido dirigir em um determinado trecho da rodovia, ou como comer um frango em um jantar, as ações daquele ao nosso redor serão importantes para definir a resposta. A prova social é um atalho para a gente decidir como agir.
Usamos a decisão dos outros como uma espécie de heurística ou atalho mental. Basicamente o exemplo importa. Interessante que o Gai quando tem um problema, ele procura resolver o problema.
Ele faz a pergunta certa. Olha só, os nossos cérebros são programados para buscar as respostas das perguntas que fazemos a nós mesmos. Na psicologia cognitiva, isso é conhecido como efeito pergunta comportamento.
Uma vez que a pergunta é feita, nossas mentes começam a trabalhar, às vezes inconscientemente para resolvê-la. Isso significa quando fazemos perguntas negativas, como: "Por que eu sou tão ruim nisso? " Os nossos cérebros tendem a buscar evidências para confirmar a suposição por detrás da pergunta.
Por outro lado, quando mudamos a pergunta, colocamos mais ela baseada em possibilidades, como como posso melhorar isso? Criamos uma trajetória diferente. Agora, nosso cérebro busca uma resposta para lidar com a situação de maneira positiva.
E o Guy e o Rocklist se assemelhou nisso. Eles sempre estão em busca das perguntas que vão resolver os problemas. Isso ajuda na resiliência do Gai, por isso que ele não desiste.
Frequentemente vemos a resiliência como uma série de conjunto de componentes necessários que os indivíduos devam possuir e aplicar para se recuperar das coisas. Só que não é respostas definitivas sobre o que torna as pessoas resilientes. Um estudo do pesador George Bonano sugere que a resiliência é um conceito altamente individualista.
Na verdade, muito do que constitui resiliência não é compreendido pelos pesquisadores. Em vez disso, a resiliência é multifatorial e pode variar de pessoa para pessoa. Mas no caso do Guy, podemos colocar essa resiliência dele na forte habilidade que ele tem de deixar o passado para trás.
Existe um jeito curioso do Guy expressar isso, que é na forma que ele esquece dos seus oponentes. Ele esquece o nome dos oponentes. É uma metáfora que diz que ele não está preocupado com o que passou, que ele foca no futuro.
E assim, o passado é importante, ele explica o nosso comportamento. Só que se você ficar muito lá, pode significar um problema. Imagina se o Gai ainda se importasse com as pessoas igual quando ele era criança em defesa.
As situações às vezes mudaram completamente. Você é definitivamente outra pessoa, mas mesmo assim você pode estar lá em um cenário que não existe mais, em uma realidade que não se adequa mais ao seu eu atual. Às vezes isso é difícil de fazer porque somos feios de memórias.
Entenda que a maneira como a memória funciona é que o seu cérebro tenderá a trazer à tona memórias que sejam consistentes em como você está se sentindo atualmente. Se você estiver se sentindo solitário, seu cérebro vai ativar memórias da que você sentiu rejeitado e sozinho e você começa a reviver seu passado doloroso. Isso ajuda a explicar porque o Guy não está preocupado com o passado, porque ele não pensa nele, ele está animado e motivado com o que está acontecendo com ele no momento.
Isso significa que ele não precisa buscar no passado uma sensação similar, porque o passado dele não foi positivo em alguns aspectos. Se você habitualmente rumina sobre sua vida anterior, pode ser regularmente revisitado por sentimentos de raiva, culpa, ressentimento, tristeza ou vergonha, ou ficar obsecado com pessoas ou guardar ressentimento. Pessoas com um transtorno depressivo maior costumam passar por isso, costumam ficar muito presas às memórias do passado e passam a revivê-las o tempo inteiro.
A depressão é multifatorial, mas por toda essa confiança e pensamento no futuro, poderia dificultar que G tivesse algum dia depressão, visto que a grande característica de pessoas com depressão é justamente a enorme dificuldade de ver esperança no futuro. É como se tudo ficasse nublado. Gooca no presente, no futuro e no processo.
Para alguém conseguir por tanto tempo manter uma motivação para atingir objetivos, a pessoa precisa aproveitar o processo tanto quanto um resultado. Em vez de pensar apenas na recompensa final, você precisa aproveitar a jornada até chegar lá. E aí entramos num último ponto, a força da juventude.
Gai para mim é o personagem mais feliz de Naruto. Não consigo encontrar outro personagem que esteja tão motivado com a vida quanto ele. E é justamente essa força da juventude ou uma espécie de otimismo.
Isso nos mostram consistentemente que um pensamento mais otimista está associado a uma ampla gama de resultados positivos na vida. Pessoas que mantêm uma perspectiva positiva desfrutam de melhor saúde física, maior sucesso em suas carreiras, conexões sociais mais fortes e vidas mais longas. Os otimistas tendem a se envolver em comportamentos mais saudáveis, justamente pela esperança de que aquilo vai causar um efeito no futuro.
O otimismo também foi associado atividade no giro frontal inferior, uma região do cérebro envolvida no processamento de erros durante tarefas de atualização de crenças. O giro frontal inferior é mais ativo ao processar informações desejáveis e mostra menos atividade em lidar com coisas indesejáveis. Como mostra esse estudo sugere que os otimistas atualizam suas crenças com mais precisão ao receber notícias positivas e são menos precisos quando confrontados com notícias negativas.
E talvez esse seja o grande segredo do Gai. Quando as pessoas antecipam resultados positivos, a dopamina é liberada, reforçando esse comportamento otimista. Isso cria um ciclo de feedback no qual o pensamento otimista leva a experiências emocionais positivas, o que por sua vez fortalece os caminhos neurais associados ao otimismo.
Claro que isso tem um custo, pode ter um custo muito alto, como teve por Gai. O Guy abriu os oito portões, assim como o pai dele tinha feito para derrotar o Madara. Ele conseguiu mais ou menos ali o seu objetivo, mas quase perdeu sua vida no processo.
Ou seja, mesmo seu otimismo, em todas essas situações do Gai, trouxeram coisas negativas. exige um custo, até mesmo o excesso de otimismo. Chopenha dizer que a esperança e o otimismo distorcem a avaliação correta da probabilidade pelo intelecto.
Sabemos que o otimismo em excesso pode ser um problema, mas temos a tendência a sermos pessimistas. Se o Guy permanecesse na visão dele do passado, nunca ele atingiria, talvez o nível que ele conseguia alcançar e nem conseguiria influenciar as pessoas que eram importantes para ele. Essa é a maior lição do personagem.
A grande capacidade de seguir em frente e não olhar para trás. Talvez você esteja precisando fazer isso. Talvez assim como o Gai, você precisa esquecer alguns nomes.
Quando escolhemos voltar ao passado o tempo inteiro, é doloroso, improdutivo, pois é como se você levasse uma pedra gigantesca em seus ombros. Quando você entra em um carro, pressiona o pedal do acelerador, você não olha para trás porque quer seguir em frente, especialmente se você quiser seguir em frente da maneira mais segura, rápida e eficaz. E isso também se aplica à vida.
Para seguir o seu caminho, você precisa manter os olhos na frente. Por isso, não olhe muito para trás, a não ser que você queira repetir um caminho. Curta, se inscreva e compartilhe.
É apenas o começo.