[Música] a peculiaridade Será que os conflitos relacionados a convivência familiar Tem algumas peculiaridades dignas de notas né quais seriam a professora Elisa aí escreveu seu doutorado né sobre convivência familiar encarou esse desafio então quero muito escutá-la em primeiro lugar Obrigada pela acolhimento É uma honra eu estar na minha mesa dividir uma bancada com mulheres tão profissionalmente maravilhosas então é uma honra minha e eu acho que essa pergunta é uma pergunta muito difícil as respostas e comentários anteriores já deixam muito claro eu diria que já indiciam aí essas aspectos diferenciados dos conflitos familiares em relação a
convivência mas eu gostaria de destacar em especial vou aqui fazer uma seleção que é muito subjetiva Mas vai ser aqui a minha seleção pois gostaria de ouvir se for possível quatro tópicos que eu acho que caracteriza dão esse caráter especializado e diferenciado dos conflitos familiares sobre convivência o primeiro dele se refere a própria natureza do relacionamento que a gente está lidando o direito civil ele é muito focado em patrimônio ele vai rodar né vai circular muitas vezes sobre aspectos patrimoniais que não são menos sensíveis mas ter uma base patrimonial nos permite alguma racionalidade racionalidade no
sentido de uso da razão de o sentido de objetividade um pouco mais elevada enquanto os relacionamentos familiares ele tem sim uma característica emocional e motiva sentimental muito mais muito não tô sendo dramática aqui mas característica emocional e sentimental mais intensa e em que as construções individuais ou seja para coletividade da pessoa sobre subjetivação mas também as suas influências culturais econômicas pessoais vão ter aí uma influência muito grande então quando a gente pensa em prevenir seja e já refletindo né como criar mecanismos para diminuição de conflitos ou quando eles surgem como conseguir lidar com eles vai
precisar passar por esses aspectos da subjetivação da pessoa ou então a gente não consegue reconhecer o outro e aí eu diria que essa é uma segunda característica que é um processo de reconhecimento em termos de Acho que mais jurídicos eu usaria reconhecimento a Célia depois você me corrija mas talvez na psicologia a gente diria empatia não sei mas eu acho que reconhecimento empatias são Chaves muito importantes para conseguir administrar esse conflitos que são coloca relacionado a isso eu ainda incluo um terceiro ponto que são os papéis sociais então a influência do que as pessoas se
reconhecem socialmente e socialmente seja para si ou naquela família vai ser muito importante posso indicar como exemplo em especial o papel do masculino e do feminino eu tenho percebido muito pela defensoria o quanto as mulheres elas já chegam com a ideia de que elas têm elas devem deter a guarda porque elas são mulheres e portanto naturais de cuidadores ou os homens têm como função em caso de término de relacionamento que os homens são colocados no lugar de pensadores ou seja de devedores de alimentos e o quanto essas determinações dos espaços e papéis e funções sociais
elas muitas vezes já orie e condicionam os conflitos que precisam ser solucionados isso gera um desafio muito profundo para nós profissionais porque às vezes a gente precisa desconstruir esses imaginários e por fim o 4 e último que eu inclui após a fala das minhas queridas colegas que é a necessidade de observar as mudanças pessoais porque um contrato ele pode Óbvio ele muda ao longo do tempo mas um contrato é um contrato ele é objetivamente não muda mas pessoas elas mudam ao longo do tempo porque elas passam por processos de aprendizado e a gente precisa e
re olhar quem é essa pessoa Acho que seriam meus pontos principais ter esses pontos bem destacados né eu identifico também alguns outros mas vou passar agora para Mônica para escutar dois pontos que um ponto que me vê em mente muito fortemente aí a Elisa já abordou brilhantemente é a questão da pessoalidade mesmo né da de quanto a emoção do quanto aquela pessoa está ligada a uma questão passional podemos dizer assim Até em alguns momentos né E aí eu lembro o Rodrigo da Cunha falando né os restos do amor vão para o judiciário ou não precisam
necessariamente prejudiciário a gente tá aqui falando em soluções consensuais vão para as nossas mesas de pessoas que lidam com o conflito de alguma maneira tentando pacificá-lo logicamente mas a gente tem uma outra questão também aqui que eu acho muito importante que é uma característica que deve ser buscada Nem sempre é buscada mas deve ser buscada que é protagonismo as pessoas têm já até eu sei que a gente vai falar um pouquinho daqui a pouco sobre isso mas as pessoas têm que entender que as melhores pessoas para toma essa decisão são elas mesmas elas vão tomar
conta do que elas mesmos se responsabilizaram né Por exemplo uma criança então vem aí também a minha a minha a minha meu acréscimo em relação à fala da Elisa a questão do menor né então o menor a gente tem que entender também isso quando nós somos pais ou avós ou o que for o menor está acima de tudo então ali a norma que fala da proteção da criança ela tá acima da Liberdade individual ela tá acima de qualquer outra proteção jurídica né E deve estar acima também quando a gente tá conversando consensualmente sobre aquele conflito
Então na hora que a gente vai conversar eu falo isso muito para os meus clientes quando a gente tá tratando de divórcio Eu hoje estou advogando não para mulher ou para o marido eu tô advogando para família como um todo e também Principalmente olhando os menores que estão ali envolvidos Então eu acho que era isso que eu tinha que para acrescentar acho que é legal ouvir a Fernanda agora nesse sentido legal Muito obrigada gostei muito da pessoalidade eu vou falar também do pertencimento né mas eu achei interessante a pessoalidade porque às vezes a gente encontra
esse tipo de reclamação né convivência familiar o pai leva a criança para passar o final de semana deixa na casa da vó paterna e mal fica com a criança e às vezes vem essa reclamação Poxa mas e a pessoalidade não quer tudo bem vovô vovó são bacanas mas o pai também é importante né então muitas vezes existe uma dificuldade de clareza em relação a isso né e alguns pais também reclamam ah Guarda tá com a mãe mas ela tem uma cuidadora uma babá fica com a criança como assim né Parece que querendo que a mãe
fica fica 24 horas com essa criança que também não é nem factível e tudo isso era meio que uma combinação enquanto o casal estava junto era tole era natural mas quando vem aí né o final da União uma ruptura tudo vira né como foi Bendita aqui pela professora Elisa por todas tudo vira motivo de reclamação né então eu acho que a pessoalidade Realmente é muito interessante e e eu quero fechar também falando do pertencimento porque muitas vezes nessas situações de convívio familiar por exemplo uma viagem é programado uma viagem com a criança vamos fazer uma
viagem especial a mãe combina com o novo companheiro com filho da União dele e o pai tá completamente excluído né porque muitas vezes né Essa combinação é natural no convívio e na hora seis meses depois quando precisa fazer essa viagem internacional de viagem aí ele é lembrado como assinador do papel e muitas vezes o que que ele fala não vou assinar agora né então muitas vezes esse conflito vem por essa ânsia por pertencimento ele quer mostrar que ele pertence e que ele deveria estar na matriz de decisão Então volta e meia a gente tem né
mediações enfim conversa para esclarecer eventualmente de desculpa olha não é a intenção não foi excluir você é que a correria do dia a dia mas uma grande verdade muitas vezes as pessoas dizem é que eu deixei em cima da hora porque eu sei que você ia complicar não é como está fazendo inclusive então talvez uma rodada de conversas esclarecedora sobre isso e até um combinado aí lembrando dessa ideia do pacto né para uma próxima Olha então uma próxima eu também quero ser incluído nessa definição né Pode ser que a criança não esteja indo bem na
escola e eu sinto que tá fazendo premiada eu quero ajudar a decidir se ela deve ou não ter aí essa chance né enfim como realmente parte do Poder familiar da decisão sobre aquilo que é interessante que é importante eu queria só fazer um adendo ouvindo aqui sobre protagonismo das partes Eu tenho minha opinião de que as pessoas elas têm muita resistência para assumir esse seu papel e o seu protagonismo porque é uma certa forma confortável dizer que foi o outro que decidiu e que ele pode então ele precisa fazer daquele jeito Porque existe uma decisão
porque assumir as próprias decisões é um processo profundamente difícil Especialmente nos lutos mas assumir as suas decisões é muito complexa Mas eu sou amplamente favorável que a gente realmente tem esse protagonismo e tome as decisões lide com as suas vidas os erros e os acertos que virão daí eu vou jogar somente agora uma pimenta nessa história para lembrar que quando nós falamos em família nós falamos em sistema né sistema e muitas vezes os conflitos surgem de atores desse sistema de participantes desse sistema que são indiretos ou que não estão diretamente ligados a convivência diária né
então pensando num casal e filhos né muitas vezes a gente tem um sogro uma sogra irmãos que tem uma influência muito grande ou porque as questões patrimoniais estão muito relacionadas a esse irmão que meu sócio também ou a avó que toma conta das crianças para mãe poder ir trabalhar então ela tem uma uma poder velado aí nessa história de como é que vão se lidar com as questões relativas das Crianças então também temos que pensar que tem essa peculiar peculiaridade Nas questões nos conflitos familiares que é a ação de outros participantes aí dessas relações você
tá pensando em outras pessoas eu já tô pensando a influência da cultura porque novelas sem a pessoa descobre um novo direito descobre que está na mesma situação daquele produto cultural que ela consumiu e aquilo transforma o pensamento acho que tem até certamente pimenta é maior ainda é verdade Com certeza e aproveitando aqui a pimenta da doutora Sandra né da professora Sandra para gerir o conflito né pensando no aspecto sistêmico você tem que trazer esses atores né porque se você não trouxer Possivelmente aquele marido aquela mulher aquele ex-marido aquela ex-mulher Ou aquele pai aquela mãe então
não estão girando num spin e todo em torno tá girando em outro contaminando essa relação né então você trabalha muito aqui e não adianta porque tem toda uma contaminação né Eu brinco onde tem maior menos vento de um furacão é no centro do furacão Então você tá trabalhando ali a coisa tá se compondo E aí tudo em volta girando e contaminando mas pensando um pouco né nesses papéis sociais né que a professora Elisa falou nós temos toda uma construção social e Assumimos alguns papéis e às vezes durante a relação justamente por papéis pré-definidos socialmente um
pai não assume o exercício da parentalidade e depois se depara com a situação de e o meu vínculo né como meu vínculo com aquela criança e aí toda uma discussão em cima de alienação parental ou não e também as expectativas porque Outro ponto que a professora eles atrás as pessoas mudam né E aí me fez lembrar de um livro que eu amo que foi peça de teatro que durou muito tempo do de autoria do Nilton Bonder que chama Alma Imoral né o quanto a gente espera que aquelas que o nosso companheiro que o outro permaneça
o que era até o fim né e muitas vezes não admite não respeita essa agressão que o ser humano tem que ter para poder evoluir crescer né então acho que esses pontos da Autonomia individual da relação da construção social e desse sistema que nós estamos em bebidos inclusive as questões outras que eu penso muito né Nas questões das violências estruturais o quanto todas as famílias estão imersas nisso né Acho que são pontos a serem pensados na gestão de conflitos muito interessante Então acho que a gente pode fechar aqui né essa pergunta pensando um pouco também
sobre a inclusão né talvez essa inclusão de outras pessoas eu já vi um caso de mediação sobre convivência familiar a mãe tinha deixado a criança com filho ela foi passar um tempo no nordeste o pai ficou com a criança mais claro utilizando-se aqui os préstimos da sua mãe né avó materna E aí a mãe voltou a mãe da criança voltou um grande conflito com avó que não queria essa volta né achou que a filha enfim que nora não teria mais ele tá com a criança e ele se engajou numa mediação com a ex e combinou
que ela poderia buscar essa criança mas quem faltou ele comunicar a avó da criança Então avó imaginou que a mãe ia sequestrar imagina que era mentira que não tinha mediação nenhuma então a importância também realmente que essa rede né que todas as suas impactadas por aquela situação também saibam que está acontecendo né então realmente é uma boa observação a gente tem que ter essa preocupação de inclusão né mais uma peculiaridade do conflito que envolve situações de convivência familiar bom gente já que a gente tá num debate eu vou dar uma apimentada também Fernanda perfeito que
você falou e eu soube outro dia com muito muito super Fata que uma sogra tava querendo acionar o genro por serviços prestados como avó olha na área trabalhista para você ver como a mente criativa quando você tá magoado ou né esse ponto quer dizer essa relação trabalhista entre a sogra que estava magoada por algum motivo em relação a filha e nesse caso era a filha que queria se separar ainda mas é uma coisa surreal né quer dizer como é que uma avó aciona um genro por serviços prestados aí se vira moda as mulheres vão acionar
também os homens também vão funcionar todo mundo presta serviço quem não presta serviços nessas relações E aí acho que então tentando fechar carência de reconhecimento né muitas vezes existe uma carência de reconhecimento as pessoas querem ser reconhecidas né olha eu fui avó nunca reconheceu quem sabe economicamente né é um chamado muito interessante realmente como as pessoas buscam reconhecimento e externalizam isso de formas tão peculiares né Vamos usar essa palavra aqui [Música]