provocação histórica olá olá olê olê olê olá está começando mais um vocação histórica ao vivo pelos canais do Instituto conhecimento liberta em todas as plataformas pós pandêmicas e virtuais Desse nosso mundo vocês sabem meu convidado Você também sabe invariavelmente cheio de guerras senhor senhores a essa altura vocês já sabem eu sou linda naé Pareto um professor de história e um Historiador num Brasil que tem um intenso violento virulento passado pela frente Como diria o cronista e tenho a alegria de pelo menos aqui toda quarta-feira com vocês no Instituto conhecimento liberta poder narrar para expurgar um pouco os demônios dos passados autoritários do Brasil e do mundo por isso eu peço a vocês curtam compartilhem e façam viajar a palavra da história crítica e engajada aleluia senhoras e senhores sem mais delongas no nosso mês da Independência do Brasil da formação do estado da Nação a gente tem aqui a tarefa de debater efetivamente afinal O que foi a independência do Brasil e em função de quais processos se deu essa Independência e a partir dela a própria formação da nação brasileira como a gente viu aqui também na semana anterior com o nosso Historiador O querido João Paulo Pimenta e na ESA aqui dos debates sobre a formação da nação brasileira a gente hoje vai debater a independência do Brasil a partir de algumas perspectivas fundamentais que não são não são só nacionais mas são também globais envolvendo principal ente aquilo que é a história da escravidão em perspectiva global e para debater hoje aqui isso conosco na formação do estado brasileiro na formação da política do Brasil no século XIX eu tenho alegria de receber mais uma vez no provocação histórica o especialista em história da escravidão no século XIX mas também em perspectiva Global um Historiador de monch inclusive premiado com prêmio Jabuti Vejam Só ele que é professor da Universidade Federal Fluminense e é um desses narradores imprescindíveis já intérpretes do Brasil por não senhoras e senhores recebam aqui no palco do provocação Tamis parron seja muito bem-vindo meu caro Tamis OB obrigado por ter voltado já pode pedir música também terceira vez é verdade duas online agora não uma online uma no podcast né e agora aqui no estúdio mais glorioso É verdade obrigado lind pela pelo convite eu sempre acho importante essas conversas com você não pelo que tenho a dizer mas pelo tipo de reflexão a que a gente chega espontaneamente nas conversas com você e nesse espaço que você criou é isso Você disse uma vez que o provocação histórica nasceu num momento de crise né no auge da pandemia todo mundo desesperado crítica e crise né você sempre trabalha nessa chave também né é uma boa colocação mesmo você você sabe que uma das formas de interpretar crise É em vez de vê-la como um momento simplesmente vê-la como a a conjuntura em que o tempo longo aquele que geralmente demora a passar se aproxima do tempo curto e fica ao alcance da mão e na crise uma ação singular que em tempos normais não levaria a modificação da estrutura de previsão do tempo do presente leva grandes transformações nesse sentido o Seu programa foi um achado uh aí ó viu com esse corte aqui para o provocação histórica eu sempre trago o Tamis aqui que ele é um narrador brilhante a ele faz cada a a cada frase é uma sentença assim daquela você pode enquadrar aqui é amigo de longa data da nisso a gente fica né floreando aqui mas por falar nisso né então o grito do Ipiranga que só foi digamos monumentalização é um desses episódios né em que a mão alcança uma certa transformação mas que tá numa cadeia maior de episódios Então vamos falar do que interessa tô aqui com o livro A política da escravidão no império do Brasil que foi a dissertação de Mestrado do Tamis e a dissertação que depois virou o livro Como vocês estão vendo e foi premiada em 2011 com o prêmio de abuti de melhor livro de ciências humanas O link tá aqui para vocês também no chat e tem também o link da própria dissertação no banco de tese da USP que vocês podem baixar gratuitamente além de poderem também aqui comprar o livro pela civilização brasileira E aí Tamis tudo começou aí né digamos assim como dizem lá aqueles repórteres que vão falar da de alguma Gênese histórica e ficam com aquele vício do mito das origens tudo começou com a política da escravidão em sua vida não ah é verdade Ah eu fui a história você sabe disso nós já conversamos sobre nossas trajetórias eh quase sem querer porque antes eu tinha feito Jornalismo e durante a graduação de jornalismo logo desencantado com a profissão que de alguma maneira ali eu intuía que estava passando por uma remodelação profunda segundo os modelos do neoliberalismo que levaria à precarização do trabalho tinha optado por estudar Literatura e no curso de letras eu tive alguns professores que são daqueles que valem uma instituição inteira um deles foi o João Adolfo Hansen outro foi o saudoso Ivan Teixeira Sempre vivo em mim e em muitos outros a quem ele ensinou eh e eu achei que eu fosse seguir pelo curso das Letras eh mas aos quanto mais eu estudava mais eu via que os críticos literários que eu mais admirava eram aqueles que conseguiam de alguma maneira cruzar eh o estudo do discurso com o estudo das relações sociais e das estruturas de poder uhum foi por aí que eu depois migre a pra história e fazer a política da escravidão né A análise das estruturas de poder do ponto de vista institucional e simbólico e discursivo e ideológico eh enfim é um projeto que me tomou quase que naturalmente tendo eu vindo uhum feito esse itinerário antes né fascinante Então vamos lá né O que que a independência do Brasil em 22 1822 tem a ver com essa escravidão Olha linda Ener me ocorre uma frase que eu acho que eu disse num dos nossos encontros aqui talvez o primeiro eu vou repeti-lo para para quem não não pôde vê né a escravidão lindener é na história do Brasil o que o Rio Nilo é na história do Egito é o seu começo o seu meio e o seu fim sem ela você não entende nada do que aconteceu entre nós seria diferente no processo de independência do nosso país não não seria E no entanto o que se aprende nas escolas o que se escreve nos livros didáticos ainda é insuficiente A esse respeito e aí você no fim das contas tenta desvendar essas camadas essa névoa Por falar em névoa no Brasil em São Paulo né As queimadas tenta desbastar essas camadas para entender que ela foi uma instituição fundante desse estado em construção né É porque a política que consagrou a escravização da pessoa pela pessoa de um ser humano por outro aqui no Brasil é também por ser uma política exitosa bem sucedida uma política de desem Então ela se constrói desconstruindo seus rastros e vestígios Uhum E quanto mais eficiente eficaz mais Triunfante ela é no plano dos fatos mais ela paga a si mesma no plano do discurso e é por isso que ela é ao mesmo tempo tão importante e tão invisível no nosso processo de independência impressionante então isso explicaria entre outras coisas não só a democracia racial né mas como a república depois vai ser proclamada sem resolver um problema que continuou depois da Abolição em 18 88 a gente vai vai entrar nesse nesse assunto mais pro final mas acho que pensando também na na nessa Instituição da escravidão na formação do Brasil né Eh e nesse processo que envolve a vinda da família real em 1808 Aí lá pelo projeto Quirino todo mundo ficou sabendo Inclusive a própria inaí Lopes dos Santos foi uma das consultoras históricas que o lugar onde vai morar a família real quando chega no Rio de Janeiro é o casarão de um Traficante essa figura do traficante de seres humanos no Brasil negócio impressionante acho que explica tudo como você falou né é o nosso Rio Nilo é escravidão né É É exatamente bom um abraço aí na E por sinal eh e ess enfim a Espetacular historiadora eh você eh Tem razão linda enet sabe que quando Ah o Brasil tava publicando o seu Manifesto às Nações amigas né que é um equivale a nossa declaração de Independência ah em 1822 praticamente no mesmo dia zarpava um navio negreiro em direção à África aí o enfim navegando pelo slave voyages o site sobre o tráfico negreiro Transatlântico que todo Historiador usa puxei o nome do capitão do navio e vi tentei retraçar um pouco a trajetória Dele quem que foi o capitão que tava saindo do Brasil justamente quando a gente estava se declarando como eh nação e ele sozinho é uma pessoa pessoa desconhecida da nossa história mas ele sozinho aquele Capitão de navio trouxe 5. 000 africanos escravizados pro país Então veja 5000 5000 Então veja Eh quantas pessoas o gama libertou né Eh e o gama é a personagem Central Fabulosa aliás muito bem estudada pelo querido Bruno Lima Uhum que é importante tem feito um trabalho importante não só a respeito dos estudos do gama mas da história do direito e da história da escravidão eh um abraço ao Bruno eh ora esse esse o o o o Gama ganhou toda a notabilidade que teve libertando eh teve uma ação com centenas de pessoas libertadas o Bruno um dia deve chegar a um número mas Digamos que ele tenha libertado 1000 1500 pessoas né Eh e esse anônimo trouxe só 5. 000 O que significa que uma pessoa que traga 5.
000 seja anônima e uma pessoa que libertou 1/5 seja tão conhecida aquilo que eu tava dizendo toda a política bem sólida estabelecida e exitosa apaga seus vestígios impressionante né então são uma série de apagamentos que dá para rastrear e que seu trabalho entre outros o do Bruno também começam a né jogar aquele pozinho assim em que as marcas começam a aparecer então Começando por exemplo pela Revolução Liberal do Porto o que que ela tem a ver com a a escravidão Nossa é a Revolução Liberal do Porto tem tudo a ver com a escravidão mas talvez para entendê-la será que não dá pra gente falar da vinda da família real para cá por a Revolução Liberal do Porto de alguma maneira deriva disso e a própria vinda da família real para cá TVB com a escravidão o Gino no Napoleão mas também é uma estratégia genial de preservar a unidade portuguesa diante da era das revoluções essa unidade desde lá já já reivindicava a continuidade de uma diplomacia da escravidão né é isso Exatamente isso vamos lá ó a vinda da família real para cá em 1808 como que ela é aprendida na nas escolas como consequência do famoso Bloqueio Continental europeu que a França impôs contra a Inglaterra em 1816 para ser exato em 21 de novembro de 1816 acontece que esse Bloqueio em si é resultado de uma da reconfiguração da geopolítica Global da escravidão naquela época e isso não é contado nas escolas e deveria ser então aí a chave para decodificar O Enigma é retraçar o contexto Global do bloqueio continental napoleônico contra a Inglaterra vejamos eh a França e a Inglaterra vinham disputando o controle dos da economia capitalista mundial da economia mundial capitalista né e fazia 100 anos era um conflito longo era a segunda guerra dos 100 anos uhum entre a França e a Inglaterra mas dessa vez pelo destino do mundo n em que consistia esse conflito basicamente no controle dos circuitos mercantis tropicais principalmente do Caribe para que um rival superasse o outro esses circuitos mercantis tropicais eram investimento em plantations de Açúcar de café de tabaco e ampliação da frota marítima e da frota n da frota Mercantil e da frota armada né e maior arrecadação de impostos certo esse esse é o contexto a a guerra entre Napoleão e a Inglaterra é o último ato desse conflito de 100 anos entre os dois países pelo controle do mundo certo pois bem o que que acontece o que que tá acontecendo em 1806 quando antes de Napoleão tomar o poder no final do século anterior do século XVI ele vê a a França perder a mais Fabulosa das suas colônias a colônia de São Domingos Hoje Haiti né Eh para uma revolta de escravizados que destroça Portanto o coração desses circuitos mercantis tropicais tão importantes como fontes de poder e de riqueza para esses dois países a França e paraa Inglaterra certo bom qual que é o plano de Napoleão diante disso é reorganizar esses circuitos mercantis como reestabelecendo a escravidão em São Domingos e articulando a colônia de São Domingos com um território francês recentemente readquirido que era da Luisiana que depois seria do Estados Unidos Mas então tava na M im o rei são luí né em homenagem a ele e a que tava nas mãos da França naquela época então a ideia era reconstituir esses circuitos mercantis eh recolocando reinstaurado a escravidão em São Domingos bom ele perde essa guerra ele manda 20. 000 soldados para 20. 000 50 navios em 20.