[Música] essa é a nossa primeira aula da quarta semana Nossa nona vídeoaula e na semana passada a gente se aprofundou sobre o gênero romance né vimos aspectos do romance origem do romance modelos teóricos sobre o romance e também fizemos espero que vocês tenham acompanhado e gostado da entrevista com a autora romancista Ana Paula Pacheco nessa semana O que nós vamos fazer é um movimento análogo em relação ao conto que é um gênero também muito dileto muito querido dos leitores porque é um gênero mais rápido então nós vamos olhar alguns aspectos do conto pensar também na
relação entre conto e crônica pensar em alguns aspectos da teorização do conto espero que vocês gostem do que eu preparei para vocês nessas três vídeoaulas da quarta semana sobre o conto como de costume vou começar com uma citação do Edgar alanou que é aspas a consideração Inicial foi a da extensão se alguma obra literária é longa demais para ser lida de uma sentada devemos resignar noos a dispensar o efeito imensamente importante que se deriva da unidade de impressão unidade de impressão pois se se requerem duas assentadas os negócios do mundo interferem e tudo que se
pareça com totalidade é imediatamente destruído bom essa citação Foi retirada de um texto chamada a filosofia da composição em que o Edgar lampou explica um poema o corvo mas esse texto filosofia da composição É talvez o primeiro texto que nós usamos sobre teoria do conto por quê justamente por conta dessa cação em que o Paul diz assim não a gente precisa organizar as histórias de modo que as pessoas Leiam de uma sentada só elas tem que começar a história e terminar Antes de irem fazer outras coisas porque senão como ele diz ali os negócios do
mundo interferem e você perde esse efeito responsável ou seja esse efeito derivado desculpa da unidade de impressão a gente precisa manter esse efeito da unidade de impressão em certa medida o conto é uma narrativa cujo principal efeito é garantido exatamente por essa unidade de impressão ou seja por mais que tenham contos longos que são lidos com mais de uma sentada contos que você volta abre fecha de novo e vai ler de novo vai ler a segunda parte do conto depois em geral o conto é para ser lido de uma vez só ele é um gênero
ativo ficcional conciso a ideia dele é a concisão ele tem os mesmos elementos do romance já vistos na aula passada ou seja narrador personagem enredo tempo etc etc no entanto a maneira como o conto é conciso ou a sua concisão acaba alterando o modo como essas como esses elementos como Essas funções vão figurar dentro do gênero do conto Vocês estão vendo uma ilustração aí de um livro do cortasa chamado valiz de cronópio e dentro desse livro existe um texto chamado aspectos do conto em que o cortasa desenvolve uma metáfora muito interessante para pensar a relação
entre romance e conto diz o cortasa o se fosse uma luta de box o romance ganha por pontos e o conto por noout ou seja o conto não tem tempo a perder dentro da sua do seu tecido expressivo ele precisa ele é conciso e portanto precisa precisa ser também concentrado se ele precisa conseguir gerar um efeito rapidamente num espaço de texto muito menor do que o romance por conta disso ou seja por não ter presente em si aquela obrigação do epos lembra que eu fiquei aqui um tempinho falando olha o romance ele tem que dar
conta da vida de uma comunidade tal que é o epos Né o traço característico de uma comunidade o conto não tem essa obrigação o conto vai fazer recortes ele vai recortar uma personagem recortar um ambiente recortar um efeito e nesse sentido muitas vezes a natureza desses elementos vai ser alterada né ou seja se a parte principal do conto é uma ambiência Pode ser que a ambiência tenha importância pro conto mais do que o narrador por exemplo porque o efeito que o conto quer impregnar na alma do leitor é aquela ambiência é aquela personagem é aquela
passagem de tempo e esse efeito vai acabar ocupando essa posição de destaque dentro da forma do conto Tá bom mas não é só isso né o cortasa também faz uma segunda analogia além daquela da outa de box que é muito importante para nós ele diz assim esse movimento do conto de ir circunscrevendo a matéria narrativa até até encurtar o máximo até tornar ao máximo conciso ele gera uma outra consequência interessante que é em vez de você restringir aquilo que você está narrando você expande aquilo que está narrando o cortasa diz assim um conto é como
uma fotografia moderna Ou seja você tem só um take daquele daquele lugar da ou no caso Como como no caso aqui da da fotografia do Bresson você tem só a passagem do ciclista lá embaixo Mas a história toda desse ciclista desse ângulo dessa escada ela tá sendo contada para além dos limites da fotografia o conto também faz a mesma coisa ou seja ele consegue uma enorme profundidade recortando a máximo né É É um pouco contraintuitivo vocês podem estar assim olhando pro alto mas como assim porque o romance é longo e ele tem muito espaço para
contar algumas coisas por por ele ser longo para ele ser extenso pela sua extensão Você pode achar que ali vai caber mais certas profundidades do que no conto mas o conto é uma espécie de olhar de microscópio sobre as coisas sobre um efeito sobre um narrador sobre uma personagem sobre um tempo sobre um lugar e com isso ele tende a conseguir certas profundidades importantes que o romance que ganha por pontos e não por knockout não consegue sempre né uma outra frase ainda antes de seguir com os slides uma outra frase importante é do do cortazar
né o romance pode te perder por algumas páginas o conto não tem páginas para te perder o conto não tem páginas para perder o leitor o romance você pode est lendo um romance e de vez em quando se desligar do romances E aí ficar duas três páginas fora e voltar o conto não tem isso porque o conto tem oito páginas páginas 10 páginas E isso tem a ver com a concisão do conto e com os efeitos que ele produz bom um outro aspecto que é Central né É você pensar no lugar do efeito como um
elemento textual estético da forma do conto né ou seja se eu estava lá elencando narrador personagem e quando eu tava falando do romance eu não falei sobre efeito talvez valesse considerar que o efeito apareça como um dos elementos do conto ou seja essa incisividade do conto essa concentração do conto essa agudeza do conto talvez tenha de ser respondida por um elemento formal designado que nós chamaremos de efeito né eu coloquei aqui na ilustração por exemplo venha ver o pô do sol eu não sei se eu conto isso para vocês que é o pior spoiler do
mundo ass se eu poderia fazer acho que não vão ler o conto mas no final do conto tem uma coisa tão inusitada que acontece no conto que aquele efeito é é é o digamos é o aspecto do conto que nós levamos para depois da Leitura não é necessariamente o narrador não é necessariamente a personagem é aquela sensação então é importante pensar se a incisividade do conto se a concentração do conto não nos leva a considerar efeito uma categoria formal para lidar com o conto é isso bom uma última maneira importante da gente caracterizar o conto
tem a ver com o livro teoria do conto da gotlip que é a ideia de unidade de ação ou seja um romance ele pode ter várias unidades de ação você pode começar acompanhando um personagem ele funciona mais ou menos como a telenovela você acompanha um personagem depois você acompanha uma outra personagem acompanha um outro núcleo acompanha uma uma um outro enredo eles têm eh enredos marginais enredos principais tudo isso é possível no no romance O Conto Diz a gotlip ele restringe o número de arcos narrativos há poucos ou mesmo um único ou seja o conto
está preso nessa unidade de ação ele está preso nesse arco narrativo ou raro ou único né ou tem poucos um dois três Arcos narrativos ou tem um único arco narrativo e isso mais uma vez também tem a ver com essa concisão do conto já aventada pelo Edgar lampon na filosofia da composição bom uma uma uma penúltima um penúltimo comentário que gostaria de fazer antes de encamar caminhar pr pra nossa revisão é que nós vamos ver isso na duas vídeoaulas paraa frente é que as origens do conto são remotíssima remotíssima ou seja eh Diferentemente do romance
que a gente caminha caminha e chega até se muito com o bacin na Grécia antiga o conto a origem do conto é muito mais antiga do que isso mas é importante pensar no lugar do conto na modernidade isso é o conto chegou nesse formato Que nós conhecemos junto com o romance no século XIX a gente a gente chama a produção dos séculos x e x de conto clássico e a gente pode chamar também de conto moderno aquilo que aconteceu com a forma depois disso De toda forma o o momento do conto hoje é muito ambíguo
assim por quê Porque o conto já teve escritores extraordinários né Machado de Assis kafica chekov mopan uma série de de de de autores importantíssimos do conto mas o lugar do conto hoje é um lugar curioso assim por quê Porque ele nem nem é o gênero preferido das editoras e das premiações por exemplo e nem é necessariamente o gênero de consumo diária Ele tem ele tá num lugar Um lugar um pouco sinuc embretar dentro do sistema literário e é interessante a gente pensar que motivos da nossa vida social levou a isso né talvez é muito é
muito engraçado pensar nisso a partir da duração do conto né ou seja talvez a gente não tenha nem mais tempo para aquele para aquele intervalo de do do tempo da vida reservado pro conto né o po falava não é para você sentar numa carruagem e a e ao se levantar de ter lido o conto senta num banco no que se levanta já leu o conto e talvez a gente nem tenha mais esse tempo o que leve o conto a um lugar esquisito dentro da contemporaneidade uma outra possibilidade e a última reflexão que eu queria colocar
é a diluição do conto sobretudo no Brasil em relação com a crônica né já aviso de antemão Esse é um debate longuíssimo não vai dar para ter aqui mas o conto é um gênero noral distinto da crônica né ele não dá para ter aqui porque não é nosso objetivo né e a crônica nem tá prevista no programa como um gênero como um gênero da teoria da literatura mas no Brasil é um gênero enfim que vicejou pelo menos desde os anos 30 até os anos 80 ou anos 90 e ainda tem enormes cronistas importantes José Faleiro
Antônio prata Marta Medeiros ta Bernard tem uma série de cronistas importantes atuando hoje mas é importante dizer o seguinte de que a entrada da a crônica no sistema literário brasileiro a importância da crônica também coloca o conto em um outro lugar né mas são gêneros distintos vou vou fazer aqui algumas observações pontuais na crônica o pacto ficcional não é tão explícito né ou seja o o pacto ficcional do conto isso é isso aqui é uma história inventada é mais explícito a gente consegue distinguir o narrador do Conto com a Persona da crônica Isto é na
crônica você encontra aquela voz andando no mundo se você não gostou de uma crônica supostamente você pode mandar um e-mail pra pessoa e dizer olha não gostei daquela sua crônica porque as vozes da crônica a princípio respondem às vozes daquela pessoa no mundo né a matéria da crônica é mais ligada ao cotidiano mais ligada ao presente ao presente fugidio né ao tempo histórico fugidio enquanto conto tem mais liberdade para formular outros tempos e o lugar de publicação da crônica inicialmente é o jornal né que também tem a ver com o seu seu Cará ter provisório
assim enquanto que o conto não o conto nasce no livro eventualmente numa revista literária mas o lugar dele é o do livro né mas o que é importante para nós é e quais os impactos da crônica no conto no Brasil né ou seja as outras sociedades letradas não têm a crônica Nesse Mesmo Lugar que nós temos e quais os impactos que o que a crônica gerou no conto nesse sistema literário e espero que eu tenha feito ao longo desses minutos algumas coisas com vocês primeiro conhecer uma possível definição de conto e entender Qual é o
alcance dessa definição de conto né a partir do p a partir do cortasa mas não só vê alguns elementos do conto que são específicos do conto né Lembrando que ele compartilha dos elementos narrativos do romance concisão brevidade enfoque mais restrito efeito e Unidade de ação e por fim de maneira muito sumária mas eu espero que que que profiqua né ou seja espero que vocês a partir dessas diferenças entre conto e crônica pensem no lugar do conto na sociedade brasileira a partir da crônica a gente viu algumas diferenças patentes entre conto e crônica justamente para tentar
entender como que essas duas coisas soam para o leitor brasileiro o leitor desse sistema literário muito obrigado pela atenção revejam as aulas sempre que precisarem acessem aos monitores e o professor porque estamos sempre à disposição de vocês e até a próxima videoaula tchau tchau [Música] [Música] m [Música]