[Música] E aí o Olá pessoal aqui é a Gabi Oliveira Eu Sou professora antropóloga mãe de dois e moro aqui nos Estados Unidos e esse é meu podcast uma estrangeira hoje no episódio eu converso com a Lau patron A Laura tá no Instagram sem correr lá e segui-las que vocês não a seguem ela é latino-americana mãe do João escritora ativista e profissional da inclusão ela Também é co-fundadora da organização seja ponte onde ela fala sobre essa ideia que o futuro é anti capacitismo gente a minha conversa com ela é uma lição de vida é é
uma lição sobre os nossos próprios preconceitos e como a gente pode pensar nisso no futuro né até assim das coisas menores mas até o que ela fala muito que uma mudança que tem que ocorrer dentro da gente né a gente pode falar muito sobre inclusão de maneiras materiais mas a gente não Pensar no que e as mesmas né o qual como que isso se mantém como que se sustenta no futuro então eu amei a nossa conversa eu falei para ela que eu sou muito muito fã do filho dela do João e eu adoro acompanhar ela
adora acompanhá-lo também todas as conquistas todas as coisas que eles fazem juntos para mim é é para sempre lição de vida mesmo de como a gente pensar no nosso papel no mundo no que a gente quer pro futuro e para as nossas crianças então espero que vocês Gostem da minha conversa com a Lau eu fiquei tão Grata pela generosidade dela pelo pela maneira que ela topou conversar e explicar pela paciência de me ensinar tanto e fica aqui então a dica para vocês irem segui-las no Laos e patrão que é o Instagram dela e ela também
é co-fundadora como eu disse da seja a ponte tá bom aproveitem gente obrigada tchau tchau [Música] é Mas que fazer Obrigada pela convite viu né olha de verdade eu fico tão feliz porque eu sou fã e admiradora eu adoro o seu Instagram eu aprendo muito eu acho que você tipo uma luz nesse momento e eu fiquei super feliz que você tocou de verdade fico agradecida demais imaginar sempre volta conversas com pessoas que também estão pensando em tanta coisa né Eu acho que aí sim se a gente não tivesse lugar de conversa de pelo menos botar
as Perguntas em cima da mesa é isso gente vai para lugar nenhum então também feliz tá aqui bora igual não que bom que bom e é que eu fiquei pensando né e é uma pena que não tem que eu sempre tenho para pessoas que são ativistas né que qual é a sensação de diz essa pessoa que que às vezes tem que explicar muita coisa para os outros né isso cansa Em algum momento em tipo assim você pensar Poxa as pessoas também tem que fazer o trabalho delas de entender Por que que às vezes Tem que
estar nesses ativistas principais toda essa parte de educação você pensa nisso assim o que que o Instagram traz para você pesa as vezes essa sensação de responsabilidade é eu acho que o ativismo primeiro ativismo é uma escolha óbvia mente é uma escolha que algumas populações e pessoas que estão vinculadas a essa população é só muito empurrados para né porque existe enfim todo um cenário Horroroso então a gente é muito empurrada para esse lugar da ação e isso as vezes tão nativismo sem a gente querer Oi Neide mas dentro ainda do ativismo existe escolhas de qual
é o meu ativismo na então eu opero é eu escolhi educação eu escolhi esse lugar de trazer pessoas para perto de pegar a pessoa pela mão e tentar explicar de diversas formas Então olha essa é a minha escolha de fato pessoa nenhuma tem obrigação de ficar educando ninguém eu sempre falo Isso porque às vezes as pessoas querem comprar o meu trabalho com de outras pessoas eu falo não gente mas esse esse é o jeito que eu escolhi né Inclusive a meu ativismo e também virou meu trabalho mesmo né Hoje é o Opera o com ativismo
em e profissionalmente mas eu escolhi esse lugar da educação eu escolhi Esse lugar aqui às vezes parecem mais conciliador porque a lugar que tenta puxar as pessoas para perto mesmo e é isso assim tem muitos ativismos que não São esses eu acho que todos eles são necessários complementares no cenário em que a gente vive é um desencontro é perto de quem realmente somos enquanto humanidade né uma população absolutamente diversa EA realidade do que a gente tem os números que a gente tem de emprego de violência de diversas coisas é todos os ativismos inclusive aqueles que
não são nada conciliadores são extremamente necessários e assim e os como eu te disse eu sou sua fã eu já Vi eu assistir suas lives em seus vídeos mas para as pessoas que estão escutando a gente agora eu e saber um pouco da sua história assim eu vejo também que no seu Instagram você fala né latino-americana e outro dia eu vi que você postou para o seu pai e no final tinha uma frase em espanhol então assim seria super legal escutar um pouco Qual é a sua história e aí a gente continua o papo tá
vou fazer um check-in bem em breve assim também gosto de ficar falando muito eu acho Difícil a gente falar hoje tem a gente era que a gente amarrada tanta a gente passa tanta coisa mas eu vou fazer um check in e com e da história é eu gosto sempre de dizer primeira coisa que eu sou mãe porque todas as outras coisas que eu me tornei tem a ver com essa maternidade então a sua mãe do João Esse é um lugar muito importante para mim E aí a partir de ser mãe do João e me tornei
escritor eu me tornei ativista metrô nenhuma profissional da inclusão Da pessoa com deficiência eu sou co-fundadora da ponte é uma empresa que hoje a gente está dedicado usar criar novas tecnologias de aprendizagem novas formas de letramento humano e é isso que eu me dedico demais mas dentro desse lugar eu também sou consultora eu sou mentor eu sou curadora e vários projetos de inclusão então a gente já perdeu é isso assim é a mulher povo de hoje em dia né nem sei mais o que que eu faço direito ela fala para Mim perguntar o que que
você ela falou que eu estou porque assim eu não sei dizer né aguentou Com certeza é uma mulher é mãe do João É filha da minha mãe Ana Luiza nessa Damn Oi Sabrina editadas na herdeira de uma uma linhagem incrível de mulheres se falando antes americana vamos lá daí vai a história do meu pai meu pai é uruguaio Hum e ele vem para o Brasil Ali na época da ditadura Ele vem na verdade fugindo da ditadura uruguaia Porque lá ele fazia parte de um grupo de resistência uau então a gente já a gente vende uma
história de a minha casa já era uma casa não se debatia muito política Direitos Humanos eu venho desse lugar né então eu tenho todo uma eu tenho toda uma família no Uruguai eu tenho a minha vó já faleceu mas por muitos anos o meu irmão é o Uruguai é um irmão mais velho minhas sobrinhas são todas as uruguaias então a vida sempre Foi entre Brasil e Uruguai é é o meu segundo a minha segunda casa na segunda língua assim por isso que tu disse E aí só tem história depois disso eu sou uma a Branca
lida como Branca né agora esse José houvesse uma discussão na internet Laura patrão é branco é sério perdi acima perdi perdi porque é uma pessoa que falou ela é claramente uma mulher não branca falei roupa vamos conversar sobre isso né porque assim eu sou uma mulher lida com o Branca eu tenho traços Indígenas herdados mas assim eu sou linda copo Branca ative todos os privilégios de uma mulher branca nunca fui não tem uma vivência de uma vez indígena nem perto disso entende é e sempre acessei todos os lugares com uma mulher branca e tá ela
termina Isso é uma mulher branca é só mulher branca que tem uma vivência muito classe média aqui assessor bons boas oportunidades de estudo boas oportunidades de trabalho então uma mulher que embora Venha de uma História familiar de sim tratar de política e direitos humanos alguns assuntos como esse em casa e por muito tempo viveu viveu essa discussão distanciada sabe meio por cima do muro assim Hum e aí a maternidade chegou é uma gravidez não desejada mas super acolhida no processo eu não queria ser mãe eu vivia dizendo a você mãe de jeito nenhum Sério Por
quê Por quê Porque você é porque eu achava maternidade a visão que eu tinha da Maternidade era uma Espécie de prisão para as mulheres também espera eu olhava as mulheres mais próximas Inclusive a minha mãe e falava Nossa Qual a maternidade tirou delas passo como tirou delas potência como tirou dela e isso ficou muito marcado para mim quanto eu cresci então eu faço estava nesse lugar não você mãe porque me poda a potência e porque eu acho que não tenho condições de alguém responsável Por outra pessoa era essa me avisou sim é possível E aí
eu achava muito sério esse não é muito sério isso a gente a gente não pensa muita maternidade desse lugar é uma querida uma coisa quase automática na vida da mulher né mas é uma decisão de extrema responsabilidade assim é demais até as pessoas têm que saber se ela quer ficar coisa né Hum e aí foi uma gravidez não gosto da palavra acidental Mas é isso não foi planejada estava numa troca De anticoncepcional gravidez levei um susto mas no final a coligir e vice desde a minha gravidez Quem muito conectada com com essa essa criação dentro
de mim assim aí nem mudei muito meu discurso a gente quando as coisas acho que são totalmente o domingo da Luz as cores e a Inácio João em 2012 um menino o desenvolvimento regular eu sempre brinco que eu fui eu estava tão Apavorada senha da conta de semana que eu fui aquelas mães que leu aqueles livros horrorosa sabe tchau encantadora de bebês dez passinhos pena sei o que que hoje com quem eu sou hoje eu olho para aqueles vivos e penso com tóxicos eles são não é para mamães e para as próprias crianças porque tu
não pode definir qual é o prazo de um bebê cental de um bebê é tão é tão neurótico a nossa vivência do que a maternidade que a gente precisa definir coisas que não não São definíveis quase Quem foi essa pessoa que buscou tudo isso você tá E aí o João era o bebê do livro entendeu Inclusive era meio adiantadas então hoje é um gatinho antes da hora eles são Toys da hora ele falou antes da hora e é ele comia bem assim era o bebê entendeu aí com a noite meses João começa a passar mal
começou uma diarreia e a já eram passava e eu fui no hospital levar ele na emergência lá não tá passando e o médico Me tratou muito mal no hospital particular hospital mais bacana da cidade é Mas o médico me tratou mal porque eu sou jovem e naquela época a resposta ainda né mamãe mamãe jovem então ele ele falou assim mãezinha Tu sabe o que que são batatas e eles só mostrou para mim a palavra carboidratos pensos eu sair tão brava daquele lugar e aí foi no assim o doutor Eu já mudei a alimentação dele é
eu estou vindo aqui justamente porque se não funcionou Entendeu área super grosseira uma x foi horrível assim e aí dois dias depois do jogo começa a perder essa a praça diarreia a gente retorna para o hospital e ele não sai mais nem eu nem ele né A gente vai sair 71 dias depois lá uma outra vida né porque daí nesse meio tempo João interna um dia depois ele vai para UTI risco de vida altíssimo ninguém sabe o que que tá acontecendo falência múltipla de órgãos entra em coma e aí em coma a gente vai Descobrir
que ele sofreu um AVC e foi bem radical aceita o João ficou 45 dias em coma e quando ele acorda Ele é um menino com paralisia cerebral é isso é a última vez que eu vi ele acordado ele tava falando comigo removendo e acordei acorda de novo ele é um menino que não consegue segurar o próprio pescoço mais ele não tem nenhuma coordenação de nenhum membro do corpo ele não lembra de mim ele não fala Absolutamente nada e é assim é isso então tem uma história toca muitas pessoas porque tem esse lugar radical assim Ned
de como era de como ficou essa mudança eu acredito assim muito grande na E aí vem esse Impacto primeiro avidamente o impacto da sobrevivência no primeiro momento nem pensei se o João Vitor uma pessoa com deficiência Eu não tava nem aí para isso entendeu tá claro com o meu filho sobreviver era isso assim então teve essa fase muito forte Nos meses em seguida volta para casa e aí a partir do momento que o João começa a ficar mais estruturado pensando em saúde na para sair do hospital isso é muito frágil quando ele vai ficando mais
estruturada eu falo não agora tá na hora de voltar para escola agora tá na hora de retomar a vida aí eu me deparo com preconceito aí eu me deparo com a falta de inclusão eu demorar um pouquinho para chegar nisso a gente precisa o primeiro sobreviver sabe E aí eu me deparei com algo que eu nunca tinha parado pra pensar na vida na vida como é a vida de pessoas com deficiência no Brasil e lá o quando ele teve o AVC foi quando ele tava tendo a diarreia antes de postar ou foi quando ele já
tinha sido internado no hospital ele já tava na UTI que deve acontecer ele já tava na UTI ele já tá e até hoje não se sabe Da onde veio esse tinha conexão se foi da diarreia de perda de sangue como não teve total conexão na verdade a Gente descobriu e nessa nessa primeira internação porque ele teve uma outra a gente descobriu que ele tem uma doença raríssima ao Simone essas temos um científica que se chama acho a não tinha final e nos livros na mão que estaríamos previsão é e não uma coisa assim veio a
mulher de São Paulo eu tô em Porto Alegre né é veio uma mulher de São Paulo representante de uma associação só para me passar o diagnóstico pode ter uma Noção assim a coisa totalmente surreal e a mulher olhou para mim e falou um raio caiu na tua casa daí eu olhei para ela assim para ele aqui esse raio ele tem nome e ele tem mãe então eu preciso que começa a conversar comigo melhor porque era um número absurdo assim era meia pessoa cada milhão era um número que nem fazia sentido sim então é essa doença
específica ela causa August é mole Cê que é uma é uma quebra celular é intensa das células sanguíneas a controlada na Verdade E isso gerou hemorragia no João E isso também geram falando bem de uma forma bem leiga como se fosse uma entupimento de veias e médias enfim e por isso ele também falar isso a múltipla de órgãos Ah entendi e por isso ele teve AVC AVC do João foi isquêmico Não teve tudo a ver com o quadro mas assim é muito raro que pessoas com a doença do João cheguem até um AVC o dele
foi muito violento mesmo bom e você teve apoio suporte de família Amigos assim de uma comunidade ou foi tudo muito diferente para todo mundo porque obviamente imagina que ninguém deve ter tido essa experiência que você teve no seu círculo né um de família amigos eu posso tá totalmente errada mas o quão difícil foi entender o que apoio você precisava e o que que tava ser feito na hora acho que tem duas fases assim né Tem a fase do hospital em que as pessoas se propõem muito a estar perto naquela urgência de alguma forma Né com
que elas têm para dar e tem uma segunda fase que a na volta para casa um desconcerto conselho geral da pesquisa as pessoas assim porque daí existiam uma esperança no hospital de que o João voltasse exatamente como entrou E aí quando ele está aí uma pessoa com deficiência aí aí já era mais uma afastamento das pessoas que realmente não sabe lidar sabe não é não as pessoas estavam tão em choque que foram poucas as pessoas que ficaram realmente por Perto assim né Eu sempre falo da minha mãe para minha mãe e meus dois braços suas
pernas e é muito comum depois né me tornando uma ativista uma pesquisadora do tema é a gente descobre que na verdade a grande parte das Mães atípicas Tem como a gente se refere a mãe de pessoas com deficiência são mãe solo no Brasil na canção são os caras geralmente caem fora tem muita separação envolvendo nascimento de uma criança com deficiência E as principais pessoas que apoiam Essas mulheres são as avós são avós são tia se animação outras mulheres mas principalmente aos avós então é muito comum a gente se deparar com histórias de grandes a voz
envolvidas no processo é de crianças e i i a minha história não foi diferente assim né foi muito foi muito Essa essa dupla eu e a minha mãe do hospital e pós Hospital da conta disso e assim eu mando as coisas que eu mais amo no seu Instagram é também seus Textos né acho que para mim eu sinto que você é uma poeta da vida sabe assim é mesmo eu não tenho essa essa experiência compartilhada né obviamente Mas é uma sensação de que as suas palavras elas elas entram para as pessoas nelas permeiam nossas realidades
de maneiras diferentes Foi algo que você já fazia quando você era mais nova você vai escrever via ou tudo isso foi meio que se desenvolvendo com a sua nova identidade de mãe de uma criança que Passou pelo que o João passou eu quero ter medo de jujuba porque é o que você coloca no Instagram amo beijo pouco ele agora ele ele tem um Instagram que era eu que controlava antes de chegar um tempo que ele falou a Eu quero fechar esse Instagram mas deve deix e tem 18 mil seguidores no Instagram se seguir Agora ele
quer reativar só que ele mesmo que é cuidar então ele ele tá mudando o perfil lá e ele botou Jujuba patrão o nome Então vai ficar Jujuba me resolver hoje Amei Amém ele está se alimentando agora para essa fase dele ele tá crescendo né Mas vamos lá eu sempre escrevi desde muito pequena é sempre um recurso para mim de estar na vida Inclusive eu passava muito tempo sozinha quando eu era pequena e o mar um lugar e para mim tirar um refúgio para a biblioteca da minha mãe e com a minha mãe trabalhava muito eu
buscava nos livros dela encontrar ela sabe então é desde muito Pequena sei lá muito pequena Comecei a ler Clarice Lispector e autores que a minha mãe o Caio Fernando autores que a minha mãe curtia muito isso me levou para um lugar de escrita muito cedo também e colocar sem tiver eu também tenho um lugar de tímida hoje nem sei mais se usar essa palavra não existe uma operação tão grande nas meninas fui Cumprir em um papel um padrão que aí a menina que não cumprir também fica mais não sei se a timidez entendi eu já
ficou Me perguntar ao timidez ou será que não me deixaram ser exato então eu comecei a escrever muito para buscar esse lugar assim então a escrita de fato Sempre me acompanhou o que aconteceu é que em 2018 na verdade assim a gente durante a internação do João naquela época trabalhava com comunicação trabalhava com produção de visual trabalhava com filme e eu tinha acabado de ver um filme shame tocado profundamente é da petra Costa o documentário Elena é sobre a Morte da irmã dela e nesse documentário é tinha me tocado profundamente que ela tinha guardado gravações
da irmã gravações de voz da Irmã E essas gravações elas dão conta no filme assim elas meio que são é uma amarração no filme inteiro têm essa voz da Irmã dela falando coisas sobre a própria vida e aí quando o Jonathan no hospital e eu entendo que aquilo pode ser radical no sentido de eu posso sair dessa Hospital Sem ele dentro da UTI não me deixavam entrar com papel e caneta eu pedi para mim trazer um gravador de voz e eu gravava tudo o que aconteceu o dia inteiro desesperada se então eu não tinha com
quem conversar só podiam ter uma pessoa dentro da UTI então eu gravar vai há uns anos depois depois da segunda crise de da doença do João 100/2015 eu fiquei muito mal depois da segunda crise para mim foi tipo tá eu realmente vou Ter que lidar com a Durante a minha vida eu falei sair do hospital falei eu vou fazer um curso de escrita porque eu tô precisando respirar ela tinha vindo nada naqueles anos só cuidado do João deve fazer um curso e nesse curso veio muito forte necessidade de transcrever essa esses áudios e começar a
transformar isso em escrita e aí do meio desse processo eu tô com gravador na bolsa indo e voltando que eu tava fazendo o curso sabor vindo para Transcrever Oi e eu sofri um assalto e me leva uma bolsa com o gravador ai não é e eu gritava desesperada para o cara me deixa o gravador leva tudo mas ele deixa a gravadora não me deixar o gravador eu fiquei eu fiquei de luto por causa dessa gravadora Pode ser que tinha morrido alguém aí aí veio aí veio deixa mais urgente o projeto eu falei vou ter que
escrever Tudo que eu lembro agora porque eu vou perder essas memórias aí eu começo a escrever algo que virou depois o meu livro 71 leões então sim é E aí você tem leões ele vem com uma eu demorei muito tempo para aceitar o projeto eu disse não para várias editoras é até até 20min firmeza porque eu senti aquela como sair pelada na rua sem sabe eu vou tirar roupa e vou dar uma corrida na frente toda minha vizinhança seria melhor do que lançar esse livro era tipo se você Tiver assim Então o negócio tava perguntando
porque é isso assim eu livro o livro fala de coisas muito íntimas na E aí em 2018 eu tive coragem aí quando eu tive coragem também foi dar esse lugar para mim mesmo assim sem eu sou escritora sempre escrevi Eu já eu já tava nesse lugar mas assumiu o livro também foi assumir para mim mesmo assim não eu tenho esse lugar eu escrevo é isso que eu faço [Música] mas é porque essa questão né de escrever e por que você tem o seu livro mas você também consegue escrever esses textos nesse formato Instagram né que
é um formato um pouco mais restrito Então imagina que você também tem que pensar como Aquela mensagem vai ali daquela maneira mais uma coisa que é muito impressionante falando com você ao vivo agora é que a sensação que eu tenho é de uma positividade grande né de uma Questão de uma pessoa é não só bem resolvida mas assim para frente pensando né E você falou que na segunda crise Foi um momento que para você é foi mais complicado do que até E como que foi para ver se essa transição entre a primeira EA segunda crise
é que a primeira crise era estado de choque estado de sobrevivência não tinha muito tempo para pensar é não me importava o diagnóstico que o João tinha eu tava focado em voltar com ele Vivo para casa E esse lugar é um lugar que te deixa meio aéreo assim né Eu tava no eu tava no estado que eu olho hoje de fora eu tava eu tava uma leoa em Alerta sim não tive brigas imensas dentro do hospital com a enfermeira seu eu tava no estado de alerta e esse estado não é um estado de consciência e
aí quando eu sair do hospital e ele volta para casa e tem esse processo da volta para casa de entender o que que a vida é agora Eu entrei no estado de negação da doença então assim ah não ele é preciso outra coisa esse diagnóstico não tá bem fechado eu vou eu vou lidar com as questões do AVC e vou esquecer que a doença existe Oi e a em 2015 vem uma outra crise essa crise veio me dizer o seguinte O João tem a doença e tu precisa entrar no lugar acolhedor contigo mesma do medo
que tem de perder ele porque tu Não vai comprar mais e aí foi um momento que eu passei Eu passei uns dois anos sem conseguir dormir direito que eu tinha medo que de noite ele morresse dois anos é eu falo que esse é um lugar que só mãe de feliz com doenças raras entendi assim só uma mãe que viveu uma quase perda eu não conseguia eu ficava acordada eu olhava ele eu tinha medo uma é uma neurose que eu ia dormir e ele ia morrer e eu não ia Conseguir salvar ele daí eu tive fazer
um processo de olhar para morte que é uma coisa bem interessante que a gente deveria fazer enquanto sociedade quer parar de botar a morte um lugar Tabu e a trabalhar e quando eu comecei a trabalhar esse medo da morte eu percebi que eu tava perdendo de viver com João e esse foi um lugar bem duro para mim de perceber e ao mesmo tempo Libertador que eu entrei numa outra fase aí vai ter uma fase de bom eu não tenho a menor ideia Quanto tempo eu tenho para o João aqui é pode ser que eu vejo
ele envelhecer Pode ser que eu vá primeiro Mas pode ser que eu perca ele de uma virada de esquina é muito a doença dele é essa né É então já que eu não sei eu vou ter que controlar aquilo que eu posso que é como a gente passa o nosso tempo como a gente vive junto e aí eu entrei numa fase de assim vamos viajar Vamos fazer esporte vamos vamos para o mar Joel vamos sabe aí eu quero fazer uma trilha com João para ir Para cachoeira e todo mundo que como é que foi uma
cadeira de roda para cachorro não eu vou vocês vão me ajudar vocês vão trabalhar e sem eu entrei numa outra fase assim e É nessa fase eu também tenho que fazer uma escolha Porque nessa fase o meu ativismo estava mais voltado para as pessoas de doenças raras e aí eu não eu vou ter que sair disso porque isso aqui tá me fazendo mal né eu tá e assim é uma ativismo hiper importante até hoje Quando eu possa colaborar um pouco mas estava me consumindo e a gente fazer uma escolha inteligente assim sabe E aí eu
foi o momento que eu passei meu ativismo das questões doenças raras para inclusão tá e inclusão das pessoas e acabou ampliando isso muito assim na minha vida né hoje eu não falo só de pessoas com deficiência aliás eu falo muito menos de pessoas com deficiência o que eu falo é sobre a gente enquanto sociedade na então é esse virou o meu lugar mas foi Uma escolha de saúde assim sem e qual que é o nome da doença que você se refere no João chuá síndrome hemolítica urêmica típica uau Ok não e é isso isso é
eu acho que até um ponto que tava falando antes que eu acho Super Interessante Eu sempre tive a sensação que quando as mulheres estão grávidas elas são infantilizados assim sabe no sentido de falar não você não sabe o que que é bom para você tem que escutar tal pessoa não É uma sempre alguém tem que falar para gente que que é o quê que é bom que não é os livros alguma coisa E aí essa sensação como você escreveu né de ser uma mãe tão jovem e ter que também passar por aqueles momentos de falar
nela minha intuição eu sei que tem alguma coisa aqui tem que entrar nesses embates Né desde muito cedo e eu imagino que isso talvez tenha servido um pouco para pensar em quais são os caminhos para falar sobre inclusão né porque às Vezes você tem que chegar no lugar que as pessoas vão falar não mas você não sabe o que que é porque a gente tem essa estrutura ou a gente já tá fazendo isso a gente já sabe e aí você tem que meio que Navegar essas maneiras e mostrar né para esse tipo de pensamento você
sente essa questão ainda e são comentário antes de responder que sim eu fui mãe jovem Mas é bom a gente pensar no recorte social aqui né porque eu fui mãe jovem pensando em mulheres de Classe média eu tive um João eu engravidei com 22 anos a gente sabe que para falar de mulheres que vivem na periferia no Brasil fala de mãe jovem com 14 né então sempre gosto de da gente tudo a gente precisa contextualizar e localizar porque as experiências são muito diferentes então para outras mulheres as mulheres que eu trabalho na arte vídeo eu
fui mãe muito velha já e é isso é sobre isso né então é nessa perspectiva que foi jovem é Um Desafio Imenso falar de inclusão no Brasil assim na é eu no início eu falava sempre aos lugares que eu vou eu não sou bem vinda é minhas minha primeira sensação era essa né as pessoas me chamam porque precisam me tolerar de alguma forma mas é eu sou uma pessoa desconfortável eu levo o disco fala comigo e por isso que eu comecei a pensar muito em como fazer essa conversa você sinta confortável porque ela precisa ser
mas ao mesmo tempo sem um lugar afetivo e acho que Esse é um Desafio imensa assim né mas é o desafio de quem escolhe a educação é porque não tem outra forma a gente precisa que as pessoas se sintam parte da conversa só conversa sequer acontece ela se mantém num lugar muito raso de uma inclusão muito Rasa e eu acredito Uma inclusão revolucionária eu acredito numa outra inclusão né eu fico pensando hoje que a gente tem essa coisa toda das caixinhas identitária né então a gente tá falando A grupos de diversidade e a gente separa
lá as mulheres as pessoas com deficiência as pessoas negras as pessoas se identifica hora de obter que aí mais e se por um lado essas caixinhas são super potentes para essas populações porque a essas populações estão a res tá falecendo enquanto comunidades conhecendo as suas histórias por outro lado essas caixinhas também são usadas pela própria estrutura para fazer uma manutenção e uma reprodução de Preconceitos na então é quando eu falo inclusão não tô falando só da inclusão da pessoa com deficiência porque eu automaticamente tô falando da pessoa com deficiência que é negra eu tô falando
a pessoa com deficiência que LGBT eu tô eu tô falando da pessoa com deficiência que a mulher eu não tenho como falar só da pessoa com deficiência então por isso que a inclusão ela acaba sendo um papo muito Raso quando a gente não se aprofunda no problema eu acho que É isso sabe tem muita gente buscando solução sem realmente olhar para o problema e o problema ele tá ele tá num lugar muito mais profundo né ele tá no lugar da construção da ideia de humanidade que a gente tem bom então por isso que eu digo
assim eu não falo as pessoas com deficiência eu falo da Gente esse negócio é isso é tão importante porque até assim uma das coisas aqui nos Estados Unidos para mim que é a palavra Né capacitismo para mim eu aprendi primeiro em inglês aqui né então assim essa parte eu também assim porque aonde eu trabalho ainda os departamentos são né então se ajustam Departamento de Educação Especial tem um departamento de treinamento de professores que agora mudou é tudo o nome não é guarda-chuva para tudo mas é interessante é eu fiquei pensando nisso eu falei nosso eu
aprendi primeiro a palavra em inglês do que em português com brasileira e eu me senti Assim eu falei gente não é possível aqui no Brasil isso não tava sendo pensado tava E por que que eu só fui pensar nisso uma vez né aqui Mas qual que é essa relação do que é do que essas pesquisas ao que é produzido né no Brasil e por exemplo orar nos Estados Unidos ou em outros lugares né é mas tem alguns lugares do mundo que são mais avançados nesse pensamento que está falando em termos de como a gente é
e como a gente se questiona e aonde está o Brasil nesse mapa não sei se como a gente vai com a gente se questiona tá eu acho que esse é um lugar profundo que tem pouca pouca gente indo de fato assim né Mas a questão tô dando capacitismo ela começa com estudos nos Estados Unidos na Inglaterra fortíssimos Só que também muito recortados Por que são movimentos que vão conversar nos às vezes na Inglaterra mas por homens brancos héteros com deficiências visíveis tá sem Mesmo o movimento de pensar sobre isso ainda é um movimento de Privilégio
tem Dinar a gente a gente vai ver muito pouco nos estudos nos Estados Unidos agora obviamente mais mas não nos que eram referências iniciais a gente pensar um recorte de uma mulher negra muito Imagina ele não tem nem como dar conta da mulh a brasileira é outra é outra realidade Entendi então e o capacista de fato vai chegar aqui como conceito pela academia em 2000 pouquinho não faz muito Tempo através de uma mulher com deficiência que estava na academia e trouxe para dentro de uma pesquisa né então não faz muito tempo ficou no meio acadêmico
por tempo bastante tempo antes de chegar numa fala mas nossa da rua então ainda é muito recente ainda é uma conversa muito recente né mas essa conversa profunda que tu perguntou hein é a gente entender e a gente ainda está tratando de sintomas de que nós somos os Sintomas também e que a gente não tá conseguindo chegar na raiz do problema ainda uma conversa muito difícil assim muito difícil e a raiz do problema ela não é fácil de identificar Mas ela é fácil ela é difícil de trabalhar a gente e quando dum pensamento ocidental a
gente está falando de uma cultura da branquitude a gente está falando de um litro de normalidade né da construção da invenção do corpo certo do corpo errado e para esse corpo certo Poder existir poder ser melhor que os outros e poder ser privilegiado uma negação constante de várias outras existências não essa é uma conversa muito mais complexa e muito mais difícil de dar conta não né porque a gente que você responsabilizar por ela e a esse lugar é um lugar terminar tô vendo pouco Adorei essa parte da gente tem que se responsabilizar né por isso
que eu acho que é uma parte e uma das coisas que você também fala olha eu aqui tipo faz Zona né bem de todos os vídeos mas às vezes que você fala é do número de pessoas com deficiência no Brasil que as pessoas não há mais as pessoas nem sabe né desse número e aí você fala que quanto o céu um quarto 24 por cento da população o desenho da população e São pessoas que falam se denominam ao escrevem ou se manifesta mas eu imagino que também deve ter pessoas que não devem falar né que
tem é isso é isso essa é o número que a Gente tem no no senso de 2010 e é um senso que levou em consideração um modelo no uma Deus não ele é novo ele deveria ser o modelo atual mas a gente está com dificuldade dessa transição que ao modelo biopsicossocial de avaliação que ele considera é o CID da pessoa mas ele também considera uma subjetividade e o cenário que essa pessoa está envolvida então é uma pessoa que tem uma deficiência leve numa perna por exemplo se ela morar num bairro de classe média De São
Paulo vai ter uma dificuldade se ela morar numa periferia Paulista ela vai ter outra dificuldade então é esse modelo biopsicossocial ele também tá considerar esse em torno a real com essa pessoa para definir se ela é ou não uma pessoa com deficiência E aí só que esse número 24 por cento de eu tanto barulho é gerou tanto o choque da sociedade também uma preocupação do governo porque daí 24 por cento da população brasileira vem atrás de políticas públicas é Complicado no governo é caro para o governo então eles lançaram uma segunda pesquisa na sequência de
fizeram tipo uma nota em que Eles mudaram eles não mudaram a base de dados eles continuar com a mesma pesquisa mas Eles mudaram a forma de interpretar os dados e eles tiraram alguma eles anularam algumas respostas das pessoas Então só pessoas que dizem que tem muita dificuldade entra como pessoa com deficiência pessoas têm um pouco de dificuldade né Não entra e aí com isso eles reduziram o número para sete porcento tipo assim então mas a gente considera nos movimentos assim pelo menos nas principais discussões dos movimentos a gente considera se manter trazendo 14 Por que
a gente tem certeza que nesse sete foram retiradas as pessoas que têm sim deficiência Oi e aí ficou nessa nessa confusão dos dois dados então quando a gente não tem um novo senso que a gente tá cobrando Muito que se tenha se pegue mais informações as pessoas com deficiência que a gente precisa entender Conta essa mulheres condição homens são brancas são negras é onde é que estão essas pessoas na Então conta aí se não tiver um novo número a gente trabalha com esses 24 por cento que seriam 45 milhões de brasileiros É muita gente né
muita muita gente e eu fiquei assim de novo aquela questão que às vezes eu acho que eu falando isso né especialmente para você Tipo sabe assim é uma coisa aqui para as pessoas que não tão nisso no dia a dia né tudo parece algo né uau um choque um choque mas imagino como você tá no dia a dia é é o normal mas eu comecei a observar coisas aqui por exemplo aqui nos Estados Unidos as creches que falam a seu ou para a escola você só pode trazer seu filho sua filha né de três anos
se ela já ou ele ou ela já consegue no banheiro sozinho e não usam fralda e eu comecei a pensar como todos esses Pedaços né que você tá falando eu como tudo isso você vai esses marcadores do que é o Né entre aspas o normal o que eles são aqui o Smiles estamos né então tipo esses momentos importantes e tal e é uma prática totalmente acontece em todos os lugares né até nos lugares que falam que estão fazendo práticas de inclusão e tal e tudo isso como que você navega quando você tá no seu trabalho
né Tem nesses projetos pensando que as pessoas tem que mudar a coisas muito Básicas do dia a dia versus essa transformação realmente que você falou interna que é muito mais difícil aconselho Qual que é o equilíbrio dessa parte de material até também né de ter Todo o espaço que faça sentido a e a gente tem um processo que a gente precisa fazer que a localização de problema é e a gente localiza o problema quando as falas das pessoas com deficiência nas pessoas é um é um menino E aí a gente pode até generalizar generalizar não
ampliar e pegar o exemplo que tu deu o problema é o menino que ainda não vai no banheiro na idade que deveria né então a gente joga o problema para pessoa que não encaixa naquele naquela normalidade que foi criada que na verdade não existe ainda existente é extremamente tóxica para todo mundo não é só para pessoas com deficiência é toca bem né aí uma geração de pessoas à base De remédio para depressão para 550 coisas porque a gente não dá conta de performar essa normalidade e ela ela vai ela vai nos empurrando tanto para um
lugar ela é muito toca aquela d'Oeste pessoas né então então tá falando só das pessoas com deficiência Mas vamos focar nisso então a gente joga o problema na pessoa é a pessoa que não se a pessoa que é que gera um problema mais que geram custa mais que agora a gente tem que pensar em Incluir essa pessoa entende fica na pessoa o problema a localização certa do problema é o problema está na estrutura leva não está na pessoa essa pessoa se torna uma pessoa que tem dificuldades a partir do encontro dela da existência dela da
subjetividade dela que a gente não pode mudar uma estrutura que sim pode ser alterada mas não é porque a gente não quer é aqui que tá a deficiência da pessoa nesse encontro ao não panela tá no Encontro E aí de um lado a gente pode alterar uma não altera e do outro a gente fica aprontando como se a pessoa que tivesse que melhorar entendi e aí a gente empurra essas pessoas para um lugar de cara faz muito tratamento fazem cirurgias extremamente violentas para tentar performar algo parecido para poder serem aceito a energia que as pessoas
com deficiência Gastão é do que a galação em ambientes são inclusivos é uma energia que elas haviam tá gastando Vivendo criando serem completando competente do trabalho dela sendo criativas e elas Gastão só para existir então assim essa localização de problema eu falei isso porque é para responder essa pergunta eu não acredito que a gente consegue transformar as coisas práticas sem olhar para dentro são soluções muito frágeis então assim a pessoa ela não arruma calçada dela porque ela tem todas essas crianças dentro dela enquanto ela não Olhar para dentro e perceber essas crenças ela talvez arruma
é causada por causa de uma multa mas ela vai continuar estacionando na vaga errada ela vai continuar não querendo que o aluno com deficiência estude com o filho dela ela vai continuar não contratando dentro da empresa como a liderança ela vai ela vai continuar então a solução ó porque a gente precisa pensar em acessibilidade empurrar lei E o Ramon tem fazer o que precisar fazer para ir resolvendo a Bagunça mas essa resolução ela não é efetiva enquanto a gente não olhar para dentro são essas propostas que eu faço né É bem um curso que é
aberto ao público que é um é uma eu eu chamo de travessia os meus alunos depois dizem que é um rali é que ela tá difícil mas ele é intenso ele é intensa não vou chegar numa aula e vou te dizer os dez passos para ti não ser capacity Sista né faço para ser uma pessoa inclusiva Não cara você vai ter que olhar para dentro E vai dar trabalho vai dar trabalho isso se responsabilizar por fazer parte entende a gente está no momento muito dos movimentos antes antimachismo anti-racismo Ananás E aí veio junto com isso
um conceito do aliado só que as pessoas estão abraçando esse conceito do aleado no lugar muito fácil Ah então vai participar da hashtag na internet eu posso não sei o quê é um repouso da pessoa é muito mais do que isso aliada é justamente olhar para Dentro e se responsabilizar é aliado para mim tá no lugar de assim te escutei me dei conta que sou violento vou ter que assumir isso aqui mesmo que seja muito difícil para mim olha eu sou potencialmente violento de as pessoas têm existência de frente da minha não partir de assumir
isso e não da negação disso eu vou fazer alguma coisa então aliado para mim não é quem disse que não é capacetes para mim esse essa pior pessoa Inclusive a certeza para mim Olhar eu quero que diz eu sou capacetes e deixa eu parar para entender como Ah entendi então e assim até dentro das empresas que eu já tô muito trabalhando nesse ambiente corporativo é um processo de letramento que eu proponho não são processos práticos são processos assim são processos profundos porque eu não vejo as empresas mudarem assim a gente tem um histórico já das
empresas trabalhando e sistemas e a gente não tá Vendo de fato transformações estruturais é porque as empresas são feitas de pessoas que porque no final a gente pode mudar o processo todo de contratação por exemplo mas a decisão final não é de uma máquina é de uma pessoa e ela vai estar lá com todos os vieses dela possíveis na hora dessa conta dessa decisão então não adianta assim a transformação é humana ou ela não vai ser e é por isso que eu acho que a estrutura a gente vai dando conta com lei com Multa compressão
mas a gente tem que muito se focar na educação e essa questão da educação eu penso Eu tenho dois filhos um de 71 de quatro e eu penso muito nisso para os dois quanto a Literatura Infantil é importante né o que que eles leem na escola que livros salgado quem tá né ao redor deles e eu acho importante essas conversas também como você falou para as duas pequenos essa parte de material é interessante né Tipo se a gente tá no lugar quem Consegue na montanha-russa né quem consegue pegar a fila eu entrar nesse sentido de
O que que tem disponível ali para fazer com que isso aconteça de maneira né com Equidade né sentir dor e E aí quando você pensa pressa educação dos menores quais são coisas que né você criando o João pensando quais são coisas que você gostaria que houvesse mais nada antes nas escolas para os pequenos quanto em casa que os pais também não possam pensar sabe que eu recebo muito Essa pergunta né Ah é E até eu tenho uma resposta é sim uma resposta bem provocadora mas depois o melhor abraço para ele pergunta se ele chegar para
mim é como é que eu do que o meu filho para ser inclusivo para ser empático E a minha resposta é sempre aprendendo O primeiro é é porque as crianças estão nos observando e não adianta ter mil conceitos Mil Idéias para passar para ela se elas olham para ti e tu não tem Uma amiga com deficiência e elas nunca viram uma pessoa com deficiência dentro da tua casa tomando um café eu e elas vão teu trabalho e não vem uma colega com deficiência é isso entendi as crianças não aprendem a respeitar a amar tem que
partir para pessoas que não existem várias ideias então assim tem esse é o principal lugar para mim eu falo muito sobre o maternar né entrei muito nisso o ano passado comecei uma pesquisa sobre esse lance do maternar e Fui para umas referências África de maternar porque a nossa referência de maternidade ocidental ela é muito limitada E aí eu cheguei nesse lugar de da maternidade como uma ferramenta de transformação social Realce na e do afeto como lugar não romantizado mas o aspecto como uma ferramenta mesmo assim na de que futuros a gente está criando a gente
tem se olhado a maternidade muito individualizado meu lindo Meu filhote né o pedaço de mim e na verdade ele é um Pedaço do Futuro o tal ele é um pedaço de um Boa tarde ele é um ele é parte de algo muito maior então o como a gente está criando esse essa parte de algo muito maior eu penso em várias coisas não que tu disse assim hoje já temos a gente tem muitos livros que falam de diversidade para criança a gente também tem ainda não muito mas a gente tem brinquedos também antes eu tava numa
Live falei sobre isso cara como é que são os bonecos dos filhos de vocês Porque hoje assim tem Barbie de várias cores tem Barbie cadeirante por quê que as Barbies da casa de vocês continuam Todas Iguais bom né Pure Qual é o tamanho da potência que a permitir que uma criança se veja e crie narrativa Assim pessoas completamente diferentes dela inseguras em bonecos completamente diferentes dela né Qual a potência de uma criança sem deficiência daqui a pouco tá brincando com uma boneca com deficiência e criando Uma narrativa em que ela essa boneca quantas quantas Barreiras
a gente tá quebrando nesse momento lúdico dessa criança que tá naturalizando normalizando outras existências diferentes da dela né então fico pensando que tem muito esses caminhos materiais novas histórias para contar para os nossos filhos que saiam da narrativa única novos brinquedos e permitam que eles criem história se não tão narrativa Única mas muito esse lugar de comunidade de Versa é a comunidade afetiva diversa com quem nossos filhos convivem e a partir a partir da gente a partir da escola com quem nos nossos filhos convivem a só convive com pessoas parecidas com eles vão tem alguma
coisa errada como é que a gente quebra isso como é que a gente quebra intencionalmente e aqui tem uma coisa importante que a gente não vai transformar o mundo sem intenção sabe Não tem como ser Aliados em intenção não tem como inclusivos em intenção a intenção a gente fica no lugar de fugir dela lá mas eu não vou forçar a barra de amizade com tal pessoa cara força porque assim existe um muro de crenças que te fez não ser amigo naturalmente essa pessoa isso não criar uma intenção uma uma ação intencional para pular esse muro
vai ficar um de tai-chi e as coisas continuam Como estão então aí de novo a Voz lance da responsabilidade né então esse tempo você tava conversando eu tava fazendo uma conversa dentro de uma empresa e uma diretora da empresa falou ah pois é mas eu tava pensando nos meus um exemplo eu coloquei a minha filha numa numa no curso de libras para que ela seja inclusiva ela fez alguma pergunta mas como é que eu posso ampliar isso eu falei bom ela sabe falar LIBRAS mas ela tem um amigo para falar ele não sim A fé
não pode ser só uma ferramenta não é só uma ferramenta é a intenção né É como é que você falou outras pessoas é o quanto a gente está disposto a em direção a outras pessoas para quebrar esse ciclos para refazer esses lugares enquanto a gente está disposto Esse é um lugar galeazzo né e não isso é assim pega uma discussão aqui nos Estados Unidos no ano passado abre a mente muito forte com que aconteceu com o George Floyd né aqui nos Estados Unidos e aí na meu filho né Tá tirando vai para a escola pública
aqui e aí teve essa discussão do de vários pais não é falarem a gente quer que isso já conversado né que interessa está no prezinho e tal e teve o movimento muito grande de outros pais falando Ah mas a gente não quer trazer temas tão complexos para os nossos filhos já eles são tão pequenos que que ele já tem que pensar em tanta coisa e eu fiquei e assim meu Argumento no final ali naquela conversa que acabou muito tenso por sem lar se uma criança negra de nerd 23 anos já tem que pensar nisso porque
meu filho não tem que não é o privilégio dele é o privilégio dele é isso não tem que pensar nisso porque que aquela criança de 34 anos né tem que Teoricamente passar por esse processo que vocês estão escrevendo como difícil E aí eu construo essa ideia de proteger o meu de falar de coisas difíceis né e Eu acho que isso numa sociedade tão individualista quanto americana nessa questão de né Eu não quero que mexa no meu direito individual eu que tenho direito de fazer achando que a gente vive no vácuo a senha é uma função
disso mas assim eu imagino que isso são são conversas que você tem também não só na sua vida profissional mas assim você sente que você ainda tem esse papel muito com amigos e na sua vida social você carrega esse papel muito ainda Muito mas eu também eu fui aos poucos me retirando de algumas relações que começaram a ficar tóxicas para mim e hoje eu tenho uma escolha bem consciente não sei se acertada mas do meu ciclo de afeto próximo eu não eu não eu não fico por perto de pessoas que não estão a fim de
pensar sobre isso não fico mesmo porque violenta Ohm e esse violento Meu filho me violenta uma coisa meio básico assim né então você tem uma pessoa Próxima de afeto próximo não quer se pensar mesmo sabendo que ela violenta o meu filho eu não sei que afeta é esse em frente aí de novo afeta responsabilidades essa pessoa não se responsabiliza por essa festa comigo bom então eu tô afim de falar com vocês Gonçalves mas me fez lembrar de uma história que foi ano passado isso eu converso com João sobre inclusão desde os cinco anos dele eu
converso com sobre ele ser uma pessoa com deficiência O que Significa Claro com cada etapa qualidade essa conversa é diferente né E claro Qual é sempre retomada e cada vez mais complexo cada vez mais profunda é até chegar lá no sete anos que daí ele começou a fazer muitas perguntas e daí eu não vou fugir das perguntas dos jovens ele faz perguntas ele está pronto para a gente conversar sobre elas e aí eu acho que também foi perto do sete anos que eu introduzir o termo capacitismo para ele ele começa a Entender que você existe
e que essa é uma lente pela qual ele é visto na então era passado estava conversando com amigas todas que são também são Mães de pessoas sem deficiência e elas me questionaram acho que eu tinha publicado alguma coisa na internet alguma conversa que eu tive com João sobre capacitismo quando normalmente devido a esses momentos eu escrevi permite que tem vez que ele tá entrando não falar E aí as minhas amigas falaram assim agora mas se não acha que ele é muito novo para te falar assim com ele sobre essas coisas e aí eu falei para
elas você sabe quantas pessoas com deficiências desse no Brasil aí 45 milhões de pessoa Você sabem que quantas pessoas com deficiência vivem violência doméstica no Brasil 61 por cento, 3 das pessoas com deficiência não tem nenhum ensino médio Completo E é só seis por cento de nascença no Brasil chegou numa faculdade e todas as carteiras assinadas do Brasil de trabalho um por cento de pessoas com deficiência vocês acho que eu não tenho conversares com meu filho e é ele tem 9 anos eu já sei que a vida dele vai ser muito difícil eu já sei
todos os obstáculos que vão acontecer eu já sei quando quando tem alguém sendo obstáculo para ele na escola eu sei o Porquê e eu não vou preparar ele para ele poder se defender para ele saber quem ele é é eu acredito nesse lugar quanto mais informações mais conhecimento claro sempre respeitando a idade do João e aquilo que ele tem condições de saber né Aí eu lembrei porque essa conversa aconteceu porque eu contei eu fiz um resumo eu brinquei de aula de história com ele e fiz um resumo da história da pessoa com deficiência no Mundo
foi por isso que ver esse questionamento é e e foi super importante para eles terminou essa brincadeira barra aula comigo dizendo eu sou uma pessoa com deficiência eu quero lutar para poder ser quem eu sou e na ele chegou uns dias depois lá na escola no dia três de dezembro que a gente vai falar pessoa com deficiência ele chegou dizendo hoje ao meio-dia porque ele tá num lugar numa casa em que tá dando ferramentas para ele para ele Saber que ele tem direito de existir que ele não tem que se envergonhar de quem ele é
então a gente realmente não tem o privilégio de decidir qual é a fase correta de ter essa conversa e ninguém deveria ter porque são os filhos dessas minhas amigas que vão excluir crianças como João por por tabela porque elas não tiveram essa conversa porque não foi sabe porque não foi não foi um lugar trabalhado com A família porque não vem a família tem uma comunidade de verso afetiva essas crianças serão a consequência Mas quem vai carregar o resultado para casa são crianças como João bom então esse é um lugar que me preocupa muito ontem ou
anteontem o teve uma aula do meu curso acontecendo meu curso agora né É teve mas não dá para se inscrever não dá para se calhar tirar o celular se você tem que esperar é mas a gente tem Aulas com professores convidados todos com deficiência E aí na última aula a gente teve um relato do Ivaí e ele tava falando sobre a solidão da criança quando ele tem a solidão do jovem com deficiência na os poucos amigos a exclusão no ambiente escolar a exclusão no ambiente social das crianças dos jovens e é isso é isso acontece
com o João hoje isso acontece com todas as crianças com deficiência e quanto a conversa não foi de todos e a gente Tiver alguém que pode te dar o direito de dizer não quero falar sobre isso agora a gente vai continuar reproduzir nesse lugar que na verdade esse não-lugar porque a gente reproduzo a nossa sociedade são não lugares não é pessoas estão ficando num Limbo entre o que a sociedade e deveriam ser e quem elas são é é um lugar é um Não pertencimento não é incrível Olha a gente tá chegando na hora que eu
sei que eu já abusei do Tempo mas Nossa aqui aula e que generosidade a sua de tocar porque eu pensando realmente eu fico pensando nisso eu conversei com a professora Letícia Carolina aqui outro dia foi numa sexta-feira e ela e ela tava falando como a sexta-feira para elas vezes né esse momento né porque foi uma semana inteira falando então isso tem uma né que é uma questão enfim que você precisa descansar a mente se cuidar né também Então eu fico muito muito grata por você ter topado essa conversa Espero que você top voltar aqui para
continuar conversando Claro claro que sim e eu acho que queria encerrar é e dizendo que eu acredito muito no futurante capacetes assim acredito mesmo é só eu sempre vi que coisa mais teimosa do que esperançosa mas eu muita teimosia mas teimosia que acorda de bom humor todo dia entendeu Eu acredito muito nesse futurante capacetes tá porque esse É um futuro que não fala só de pessoas com deficiência ele fala da gente quebrar essa ideia dessa normalidade que é tão tóxica para todos nós e a gente começa a olhar para subjetividade das pessoas né O João
é o João O João não é o menino com paralisia cerebral é entendi você é você eu sou eu não somos pessoas com características diferentes e as deficiências são apenas uma característica de uma pessoa com uma infinidade de outras características né O João Menino o que faz vários Esportes adaptados ao menino tá na quarta série tá apaixonado por uma amiga ele gosta de Emicida ele tem outras várias características a paralisia cerebral não consegue nunca vai conseguir resolver quem ele é bom então a gente tá precisando se olhar mais com afeto nesse sentido assim ele está
falando de gente é de gente que a gente está falando de pessoas de amigos de namorados namoradas de pessoas que Amam que tem sonhos que querem trabalhar que tem mil desejos que não tem nada a ver com ter ou não ter uma deficiência e eu acredito muito nesse mundo assim num mundo em que a gente vai eu não vou ver ele aconteceu me sinto meio numa corrida do bastão assim tá uma geração entregou na minha mão bastão no lugar eu quero nenhum outro é mas eu acho eu vejo uma possibilidade de a gente chegar nesse
lugar de uma uma quebra de paradigma do que que é ser um ser humano e entrar no Lugar onde a gente tem a menos réguas para medir o que a gente não tem como medir e demais acolhimento das pessoas como elas são sendo quem são não importa como você não quer ir para política e ela Tem gente tentando me correntinha faz um tempo já que eu tô que nem uma moto de verdade que é o dele que puder porque também né Eu acho que também essa questão esse poder da de ocupar esse Espaço aí Que
bom que a gente tem pessoas como você fazendo isso mas essa questão a gente tem que dividir isso né Não pode ser só em você tem que ser em todos ou não em todos os ativistas mas tem que ser todos nós a gente tem muito medo de falar do que a gente não sabe mas enquanto a gente não se colocar na conversa esse medo vai barrar qualquer transformação a em toda a extensão colocar na conversa agora quando eu for para o Brasil não Sei quando mas o motor ser daí seria fantástico conhecerem pessoa então com
certeza ao vivo mas adorei lá eu fico super super grata super Obrigada de coração de verdade foi uma aula Obrigada pela generosidade mente muito obrigado Eu que agradeço convite tô sempre lá boa Um beijo tchau E aí [Música] Olá pessoal Essa foi a minha conversa com a Lau ficou muito boa né hum eu Adorei Olha só uma das minhas partes preferidas da minha conversa com ela pois escutar sobre a trajetória dela sobre tudo o que aconteceu né E sobre ela o João a família dela é Achei super interessante os botar como ela é acabou fazendo
isso como profissão nessas escolhas que são feitas ao longo da vida e eu também fiquei muito muito assim tão feliz com ela até topado realmente ensinar tanto né porque eu fico pensando que Poxa tem que ser Responsabilidade dela ensinar isso não deve ser de todos nós né mas assim ela tem uma generosidade uma presença de espírito assim eu podia ficar escutando ela falar por anos de verdade então eu amei nossa conversa vamos lá no nosso Instagram é uma estrangeira podcast Ou mande um e-mail para a gente no estrangeiro
[email protected] que vocês tenham gostado desse Episódio
semana que vem tem mais tá bom Se cuida hein gente um beijo [Música] bom esse podcast Foi editado por Fábio errado ó E aí