Um paciente quebrou meu braço, literalmente. Eu tava no posto de saúde, eu tava atendendo uma criança na consulta de puericultura, que é a consulta de atendimento de criança. Quando batem na minha porta, falam: "Doutor, uma emergência lá fora, tem um paciente convulsionando".
Eu fui atender o paciente e minutos depois eu tinha virado o paciente. Eu tava com braço rompido, indo direto pro hospital. E essa história não é sobre o acidente.
Na verdade, isso é um update da minha vida. o que que mudou no canal, o que que vai mudar no canal daqui pra frente e como foi que isso tudo aconteceu, como é que eu vim parar aqui e essa história me lembrou do momento que eu quase decidi parar de fazer medicina. Era um dia de atendimento comum no SUS.
Eu ainda atendia no SUS nessa época eu tava na minha sala fazendo consulta, era dia de atendimento de criança, como eu tava explicando para você. Bateram na minha porta, na verdade foi uma técnica de enfermagem. Chegou, doutor, doutor, tem uma pessoa passando mal e não tem nenhum médico na emergência, só tem o senhor que tá atendendo consulta e a outra doutora.
O senhor pode ver o paciente? Aí eu falei: "O que foi que houve? " O paciente tá convulsionando lá na frente do posto, na sala de espera do posto.
Era dia de bolsa família, de coleta de exames. O posto tava lotado, cheio de gente. O paciente era alcólatra.
Eu imediatamente interrompi a consulta, falei: "Olha só um instante". Peguei as minhas coisas, estetoscópio, fui direto fazer o primeiro atendimento do paciente. A gente fez um pré-atendimento ali fora, eu constatei, era realmente uma convulsão.
A gente precisava levar ele lá para dentro, pra sala de medicação, para fazer a medicação. Quando a gente chegou, a gente aplicou a medicação na via intramuscular, que era a via mais rápido, não dava tempo de pegar acesso, o paciente estava inquieto, não deixava. Então, a gente aplicou a medicação intramuscular e a gente precisava colocar o paciente na máca.
O paciente era um paciente alcólatra. Eu não sabia exatamente o motivo pelo qual ele tava convulsionando, se ele já convulsionava antes. Tentei coletar a história ali, só tinha uma irmã dele informando.
Eu falei, a gente precisa coletar esse paciente na maca, queria fazer soro, fazer a tiamina, que é uma vitamina importante quando a gente tem uma convulsão por álcool. E só tinha eu e o porteiro de homens naquela situação. E a gente, as únicas pessoas ali que teoricamente poderiam, estariam habilitadas para fazer força para resgatar aquele paciente e colocar ele na maca.
Aí eu falei: "Então, pega a perna do paciente ou pego o tronco". O paciente conseguiu se levantar sozinho, mas ele tava inquieto, ele não queria se deitar na máca, ele queria ir na direção oposto, na direção da porta. Foi então que eu falei: "Não, segura nas pernas que eu seguro no tronco".
Na hora que o paciente jogou o peso para trás e apoiou o tronco no meu braço, o peso foi todo no braço direito e eu escutei ele rompendo, ele fazendo aquela sensação de como se fosse um pano rasgando, fazendo trec trac trec, o braço rompendo. Imediatamente eu soltei o paciente, falei: "Nossa, eu rompi o bíceps rompi o bíceps, eu rompi o bíceps". uma dor absurda.
O meu braço mudou de cor. A minha mão ficou mais branca do que já é. E eu não sei se vocês conhecem, vou pedi para editor colocar uma visão de livedo.
Livedo é quando ficam bem ressaltadas a as tramas vasculares, assim, parecia que tinha várias veias saltadas. E eu falei: "Atenceu alguma coisa muito errada? Eu devo ter rompido o bíceps".
Porque quebrado não fazia sentido que eu não tinha tido um trauma, né? provavelmente era no rompimento de tendão. Então, imediatamente ali numa questão de segundos, eu entrei na sala, a paciente, doutor, mas eu preciso de um lado aqui para eu poder andar de ônibus gratuitamente e tudo.
Aí eu falei: "Ó, minha filha, me perdoe, eu não vou conseguir continuar seu atendimento. Procure o médico que vai chegar na emergência daqui a pouco, eu vou precisar ir direto pro hospital". Nesse tipo de cirurgia, tempo é músculo.
Quanto mais o músculo fica atrofeado, mais difícil fica de colocar ele de volta no lugar. No caso do bíceps, a gente não tem uma urgência tão grande assim, a gente tem até uma ou duas semanas para poder fazer a cirurgia, mas quanto mais rápido colocado no lugar, mais rápido ele se reabilita. Então eu fui direto pro hospital, fiz um raio X, o ultronografista laudou como rompimento total do tendão distal, que é esse tendão que se insere aqui no cotovelo.
Não consigo apontar, né? É o rompimento total do tendão. O tendão descolou totalmente do meu do meu braço, né, do meu cotovelo.
Foi uma situação muito difícil para mim. Eh, porque a gente vai de médico para paciente muito rápido em questão de segundos. Nem era um dia para eu est atendendo pacientes de emergência, não estávamos esperando emergência no posto.
Emergência nunca se espera, né? E eu virei paciente. Eu terminei aquele dia paciente.
Eu tinha plantão à noite para dar, tinha toda uma rotina que eu tava fazendo, tava trabalhando muito e de uma hora para outra todos os meus planos mudaram. Agora, o mais importante é que essa lesão não foi uma lesão só física, um alerta. Eu tava precisando realmente parar.
Eu tava vindo de uma jornada muito grande de trabalho. Eu tava trabalhando cerca de 84 horas semanais. Eu tava trabalhando 34 horas, desculpa, 36 horas no SUS, no posto de saúde e ainda tava fazendo plantões noturnos da emergência.
Para você ter uma ideia de como era a minha rotina, eu atendia no posto na segunda de manhã. Segunda, às 7 horas da noite, eu pegava o plantão e ia até às terças nas 7 horas da manhã. O meu posto na terça-feira era só à tarde, das 1 às 7 da tarde.
Então eu dormia basicamente a terça de manhã e um pedaço da noite, se não tivesse pacientes no pronto atendimento. Na terça-feira eu não dava plantão e nem na quarta, mas dava plantão na quinta, na sexta, no sábado, no domingo e na segunda. A segunda eu saía direto do plantão pro posto de saúde, tinha esse espaço à tarde para dormir.
Então tava acabando sendo uma rotina muito intensa. Provavelmente essa falta de recuperação junto com os treinos pesados da academia e todo o estresse que eu estava surgindo, meu tendão não tava muito saudável, não tava conseguindo me recuperar como eu deveria, provavelmente dos treinos da academia, tava com uma sobrecarga de trabalho, uma sobrecarga de estresse. O ponto é que isso me lembrou uma história bem mais antiga, uma outra história da época que eu estava na faculdade.
No meio da faculdade, eu pensei em desistir. Eu via alguns preceptores que nem olhavam pro paciente direito. Eu via alguns médicos que não ouviam o paciente.
Eu vi 95% dos colegas que só tratavam doença, doença, doença e mal olhavam pra pessoa. Eles me ensinavam a a gente nunca deve considerar o exame mais do que a pessoa. E a pessoa chegava cheio de queixas, olha, eu tô cansada, eu tô com fadiga, meu cabelo tá caindo, eu não tô conseguindo dormir.
E o médico olhava e falava assim: "Ó, mas seus exames estão normais, não tem o que fazer por você". Então eles me ensinavam a não tratar os exames, mas eles só tratavam os exames. Eu tinha uma pessoa que tava claramente doente ali na minha frente e aquele colega preceptor, professor, ignorava isso completamente.
Isso não é uma crítica aos colegas, nem aos meus professores, mas é uma crítica a como o modelo ele é desenhado, a como modelo é feito. Ele é feito pro médico ter altas jornadas de trabalho, altas cargas de trabalho. Uma pessoa que trabalha 86 horas por semana não consegue dar atenção devida pro paciente.
E foi um alerta que eu estava seguindo o caminho que eu não queria. Eu estava seguindo exatamente o caminho que tinha me feito pensar em desistir da medicina. Essa não é de fato a medicina que eu acredito.
E uma das coisas que eu mais pensava era se é para ser esse tipo de médico, eu prefiro não ser, porque o que mais tem é esse tipo de médico. Eu não queria ser um um profissional que só prescreve remédio, que só passa remédio. Em alguns casos, os pacientes já chegam com os remédios que eles querem.
Olha, eu quero esse remédio aqui, me prescreve. Eu sei que é pesado falar isso assim, mas dava sensação que era quase um ajudar o paciente a escolher a droga que ele queria, entendeu? Ah, eu quero me drogar com essa medicação, eu quero me drogar com essa medicação.
E óbvio que não é essa relação do médico paciente, mas muitas vezes era isso que eu via. Não é isso que eu acredito. Não é essa medicina que eu acredito.
Eu não acho que eu fiz medicina. Eu não acredito que eu fiz medicina. 6 anos de medicina, mas as pós-graduações, as especializações para viver isso.
Consegue entender? E não, eu não queria, eu não queria est indo por esse caminho que eu tava indo. Para mim, ser médico é ajudar quem tá doente e ajudar quem quer melhorar a melhorar.
Eu acredito que medicina também é você cuidar da pessoa, você cuidar de quem tá bem. Quem tá bem pode melhorar. Dá pra pessoa ficar mais saudável, dá pra pessoa dormir bem.
a gente precisa falar de sono, a gente precisa falar de alimentação, a gente precisa falar de movimento, a gente precisa falar de mente, a gente precisa falar de espiritualidade, porque tudo isso impacta na saúde mental do paciente. E foi assim que eu comecei a estudar mais a fundo da medicina natural, que eu comecei a embarcar na jornada da suplementação, eu queria entender tudo que a natureza tinha para nos dar natural que a gente poderia usar de recurso para falar assim: "Cara, você pode melhorar dos 80% e pros 95 e pros 99. Você não precisa esperar ficar doente.
Quantos pacientes eu vi com pré-diabetes que vinha se desenvolvendo ano após ano piorando o pré-diabetes, piorando prédiabetes e o colega falava assim: "Não, você ainda tá prédiabético, vamos esperar você. Quando você volta tiver diabético, você volta aqui. Como assim?
Eu tenho uma doença que eu tô vendo que vai evoluir naturalmente por um diabetes. E foi por isso que eu me dediquei tanto a estudar o diabetes, que é uma doença, se for a diabetes tipo dois, o diabetes do adulto, do idoso, do obeso, uma doença que era claramente reversível com alimentação, com hábito de vida, principalmente no começo, uma pré-diabetes que era um quadro para quase todo reversível, praticamente todos são reversíveis, não era isso que a gente esperava. A gente esperava o paciente ficar doente pra gente poder medicar.
Será que a medicina é só isso? É só esperar todo mundo ficar doente pra gente poder medicar. Será que não tem nada que a gente pode fazer para prevenir?
Será que não tem nada que a gente pode fazer para evitar, para reverter? O paciente não nasceu com aquilo, o paciente desenvolveu aquilo. Foi uma doença crônica que foi desenvolvida ao longo dos anos.
Eu não posso pegar o caminho oposto à aquele que levou o paciente a aquele problema. Então, foi isso que me fez mudar. O acidente de fato não quebrou o meu braço, ele rompeu o meu bíceps.
Mas sem querer ele me lembrou uma coisa que eu tava esquecendo. Eu não entrei na medicina para me confortar com o mínimo. Eu não entrei na medicina para fazer o mesmo que todo mundo faz.
Eu entrei para fazer a diferença. E esse é um chamado. Se você é um colega médico, você pode fazer a diferença.
Você tem a capacidade de fazer a diferença. Você não precisa seguir o caminho que todo mundo tá seguindo. Se você tem um sonho de fazer medicina, entre com esse olhar também, um olhar que você pode fazer mais pro paciente.
A medicina antigamente ela funcionava base do empirismo. A gente fazia teste, a gente testava num paciente, testava em outro paciente, claro, com consentimento, explicando que tinha uma plausabilidade naquilo. a gente dizia, ó, tratamento experimental pode dar certo, pode não dar certo.
E hoje a gente se resume a protocolos. Não, se o paciente não se encaixa no protocolo, não tem mais o que fazer por ele, acabou as alternativas do protocolo. Não é essa a medicina que eu acredito.
Então, talvez você esteja aí passando por uma alta carga de trabalho, passando por algo parecido, esteja cansado, perdido, frustrado com o sistema, frustrado com sua rotina, talvez até pensando em desistir da sua vocação, pensando em desistir do que aconteceu com você. Eu queria que você começasse a refletir no seu propósito, baseado no que fez você entrar e no que fez você continuar durante todos esses anos, que talvez a medicina seja mais do que altas cargas de trabalho, se matar para ganhar um dinheiro ali para poder pagar a conta, às vezes para mostrar coisas, para comprar coisas que você não precisa, para provar algo para pessoas que nem se importam com você. Então, eu queria te lembrar que o sistema ele tá doente.
O sistema que tá doente adoece a gente. Eu sou prova disso. Eu não queria que você esperasse adoecer para você tomar um caminho diferente do que eu tomei.
Existe um novo tipo de medicina. é uma medicina que é o que eu quero compartilhar aqui com vocês. Baseado nisso também que eu criei o meu treinamento para diabetes, para dar uma visão diferente pro diabetes.
Vou deixar um vídeo explicando um pouco mais a estratégia aqui embaixo. E se você acredita que a saúde ela vai além do remédio, eu queria te convidar a se inscrever aqui, a dar o like nesse vídeo, a mandar esse vídeo, talvez para quem você conhecer, que faça medicina, que esteja se adoecendo com isso e que tenha perspectiva de mudar. É sobre isso que a gente vai falar aqui nos próximos vídeos.
Se esse vídeo te ajudou de alguma forma, deixa aqui nos comentários que momento de vida você tá, que você espera ver e o que que você gostaria que a gente falasse sobre suplementação natural e saúde natural, que vai ser basicamente o foco maior do canal.