Olá eu sou o professor Bruno Martinha aqui do departamento de fisiologia da UFPR e eu vou falar nesse curso de manipulação animal sobre delineamento experimental e um pouquinho sobre cálculo de amostra vamos lá essa aula está dividida em três partes Vamos começar com a primeira que se chama crise de reprodutibilidade eu gosto desse exemplo dessa tirinha aqui em que uma pessoa chega para outra e fala que umas gominhas causam acne E aí a pessoa manda os cientistas investigarem e a princípio o resultado diz que não não tem nenhuma relação entre as gominhas e acne mas
parece que apenas uma certa cor é responsável por esse efeito vamos lá os cientistas investigar diversas e diversas cores são testadas e nenhuma atinge aquele valor mágico da estatística que é o p menor do que 0,05 nenhuma delas exceto uma exceto a verde com a verde dá uma associação a Jelly Bean que veio de causa acne valor estatisticamente significativo E é isso que aparece no artigo publicado numa matéria da mídia e esse é um problema que acontece na ciência de maneira muito generalizada que é o Chery picken de dados a gente tem um viés de
publicação muito intenso em que resultados positivos com associações positivas com coisas que testaram efeitos e encontrar um efeitos são publicados nos periódicos que a gente cientista lê e vai se basear para fazer novos estudos tem muito fator envolvendo sorte e acaso nestes achados às vezes uma associação por mais que seja estatisticamente significativa ela aconteceu simplesmente por acaso por um azar estatístico pode ter um efeito de baixo poder estatístico junto com viésis que queria tamanhos de efeito não realistas Como assim um baixo poderes estatístico significa que você tem uma baixa chance de encontrar um efeito Digamos
que um efeito de um tratamento seja muito pequeno para você encontrar este efeito num teste estatístico você precisa de muitas pessoas ou no caso muitos animais de experimentação para encontrar esse efeito pequeno se o efeito é muito grande você não precisa de tantos animais assim mas aí que tá o problema se o efeito é pequeno mas você encontra um efeito com poucos animais talvez tenha sido sorte talvez tenha sido Na verdade uma sorte que no fundo é azar talvez tenha tido vieses mas antes disso vamos falar um pouquinho sobre filosofia da ciência e aqui tem
três importantes livros um deles é o do Popper que delimita o que é Ciência o que não é o do Thomas com que vai trazer um conceito importante e o xiaommers que pergunta o que é Ciência final e aí a gente começa confusa termina mais confuso ainda uma frase do próprio charmers mas vamos lá antes mas mais antigo ainda do que esses autores a gente tem um conceito chamado indutivismo segundo Francis Bacon o objetivo da ciência é melhorar a vida do homem pelo meio da coleta e observação de dados podendo generalizar teorias é por isso
que a gente faz experimentos e períodos que a gente faz pesquisa o conhecimento seria então derivado dos dados da experiência sendo a ciência completamente objetiva o que significa isso significa que subjetividade ou preferência não teriam lugares na ciência e as teorias são justificadas pela experiência apenas pela experiência não tem lugar para viés aqui o que é algo ideal mas que na prática não acontece porque a ciência é feita por pessoas é uma das coisas que é curiosa com o indutivismo é o como que os métodos indutivistas acabam sendo logicamente falhos e esse é o exemplo
do paradoxo dos corpos vamos lá Digamos que eu tenho a hipótese de que todos os corpos são pretos eu posso fazer uma hipótese equivalente se todos os corpos são pretos se algo não é preto Então não é Corvo já que todos os corpos são pretos agora só tem uma observação por exemplo a minha garrafa de água não é preto então funcionaria como evidência de que ela não Corvo então funciona como evidência para hipótese de que todos os corpos são pretos é um objeto no mundo que não é preto e eu estou confirmando que não é
corpo Esse é o problema da indução trazido pelo paradoxo dos Corvos segundo o happel então na indução a gente tem uma observação e a gente faz generalizações por exemplo todos os cisnes já observados eram brancos isso leva a generalização de que o próximo Cisne que é observar Vai ser branco ela é ativa ela é probabilística Ela é extrapola o que tem nas premissas que são essas frases que vem antes da conclusão a gente tem também a dedução em que a partir de premissas nós atingimos conclusões por exemplo íons não atravessam membrana plasmática ou não diretamente
pelo menos sódio então sódio não atravessa a membrana plasmática então não argumento válido as conclusões são verdadeiras se as premissas forem verdadeiras vejam que ela não é ampliativa e ela não extrapola o que está na premissa ao contrário da indução muito do que a gente faz em ciência inclusive na experimentação animal é para que a gente faz generalizações e generalizações que vão muito além do próprio experimento a gente quer transpor por exemplo observações que a gente tem em modelos animais camundongos ratos peixes para seres humanos Então isso é uma grande generalização que a gente faz
a partir de processos indutivistas que tem o seu grau de alimentação porque é probabilístico ok o que definiria então a ciência segundo Popper seria a possibilidade de falseamento ou a falsiabilidade de uma premissa de um enunciado Então vamos enunciados eles somente poderiam ser científicos quando eles pudessem ser falsados quando a gente pudesse colocá-los à prova isso demarcaria a ciência Então pelo menos por exemplo não é possível planejar um experimento para falsear questões mais mitológicas então separando que é Ciência do que é religião por isso que é considerada demarcação da ciência porém a ciência ela não
é neutra como Francis Bacon presumia ou imaginaria que deveria ser a ciência feita por pessoas que tem viésias e tem opiniões sobre as coisas então segundo o Thomas Kuhn Ele disse que a gente não caminha para uma verdade conforme a gente coleta mais dados mas que a gente caminha para explicações melhores das coisas Ou seja a ciência feita por pessoas com história com expectativas com interesses e a gente tem resistência em rejeitar teorias frente a dados conflitantes se surge algo novo a gente tenta encaixar na teoria já existente antes de abandonar a teoria existente os
dados eles vão sendo encaixados encaixados na teoria existente até que não cabe mais o modelo vai sendo adaptado Até que esse modelo não se torna explicativo frente a realidade e aos dados todos coletados a venda nesse momento uma quebra de paradigmas a gente teria uma paciência uma ciência normal uma crise uma revolução uma nova ciência uma nova crise e assim por diante Então dentro de um paradigma dentro de uma teoria científica falceamentos são problemas que resistem a uma solução segundo Potter o falseamento seria mais definitivo aqui para o Thomas com mais próximo da nossa realidade
o falsamento acaba sendo na prática um problema são anomalias e como a anomalias a gente tende a ignorar pelo menos enquanto as nossas explicações as teorias ainda explicarem relativamente bem os fenômenos um exemplo aqui o mecanismo de ação diante depressivos a gente tem inibidores de recapitação de monaminas fluoxetina paroxetina Citalopram dentre vários outros a gente inibe a recapitação de monaminas aumenta neurotransmissão monamérgica apenas um efeito antidepressivo esse efeito ele é tipicamente explicado pelo uso crônico diante depressivos por efeitos indiretos na plasticidade o que incluem aumento de um fator neurotrófico chamado bdf e a ação desse
bdnf no seu receptor trk Este é o paradigma que nós temos hoje tem muitas outras explicações neurobiológicas Mas essa é uma delas e tá dentro de um paradigma Eis que surge um dado um dado novo que diz que antidepressivos se ligam diretamente neste receptor e agora qual é a explicação dos efeitos dos antidepressivos envolve esse efeito pelas monaminas ou é diretamente neste outro receptor quantos estudos nós já fizemos em que se a gente bloqueia ação dessas monomeminas a gente previne o efeito antidepressivo Então esse é o momento de uma quebra de paradigmas mas nós temos
tantos dados acumulados que favorecem essa primeira teoria esse paradigma atual é o momento da quebra de paradigma Às vezes ele é meio lento Às vezes a gente não percebe ele acontecendo mas eventualmente ele acaba acontecendo Ok mas apesar da Incerteza em casos individuais um tratamento ou um procedimento ou um efeito pode não funcionar para uma pessoa para um animal em específico mas a gente consegue a confiança de que na média com tratamento um efeito é melhor que um Placebo o que a gente tem visto na literatura científica no entanto é que essa confiança que a
gente tem de que na média os efeitos acontecem ainda que tenham exceções a gente tem tido uma falta de reprodutibilidade desse efeito médio desse efeito em que um grupo de pesquisadores mostra que uma substância tem efeito em roedores e aí uma outra pessoa vai no seu laboratório testar a mesma substância e não encontre o mesmo efeito Ou nem sequer um efeito próximo dos seus roedores então aí a gente tem um problema de reprodutibilidade E por que que a gente está falando tudo isso nessa aula de um curso de ejaculação animal porque Os experimentos como modelo
os animais eles devem ser realizados mantendo condições de bem-estar animal que não é o foco da sala Mas eles devem ser realizados para que eles sejam conclusivos e reprodutíveis se eu faço um experimento é esperado que eu encontrei um resultado parecido seu repetir ele daqui a um mês porque se eu tô fazendo um experimento com roedores para tentar concluir algo sobre humanos no mínimo ele tem que ser consistente entre roedores é o que a gente espera a gente espera que a gente consiga obter alguma resposta com esse experimento senão é um desperdício é um mau
uso de animais de experimentação mas infelizmente a gente está lidando com uma crise de reprodutibilidade o que seria então esse termo então tem o mesmo termo para dois conceitos um com relação à descrição dos experimentos então método serem inscritos de forma que outro grupo de pesquisa consiga realizar o mesmo experimento nas mesmas condições Muitas vezes os artigos científicos são escritos de maneira muito enxuta muito compactada e faltam detalhes ali algumas minúsculas importantes acabam não sendo descritas e isso vai prejudicar a próxima pessoa que foi tentar fazer um experimento parecido e tem um outro ponto da
reprodutibilidade que é se obter resultados parecidos usando métodos muito similares com os métodos originais os dois problemas acontecem a gente detecta hoje primeira pergunta tem mesmo uma crise uma enquete da revista Nature mostrou que pesquisadores de diferentes áreas relatam falhas em reproduzir resultados tanto da literatura de artigo científicos de outros locais quanto do próprio laboratório Como assim do próprio laboratório eu faço um experimento hoje um mês depois não consigo reproduzir o mesmo dado ou um aluno de pós-graduação tem uma dissertação defendida com uma série de resultados um outro aluno vem para dar continuidade nessas experimentos
vai tentar replicar uma primeira parte para confirmar que os efeitos existem e não consegue replicar Então esse essa é a falha de reprodutibilidade dentro do próprio laboratório e mais recentemente a gente tem tido iniciativas para trabalhar mais essa questão de da reprodutibilidade como por exemplo a iniciativa Brasileira de reprodutibilidade um projeto coordenado pelo professor Olavo Amaral do Rio de Janeiro financiado pelo Instituto Serra pileira e é muito curioso o quanto esse estudo mostrou a dificuldade de se trabalhar com reprodutibilidade e quanto é difícil conseguir descrições exatas dos artigos científicos dos métodos utilizados nos artigos científicos
como a gente tem fatores que são mais inerentes ao sistema todo de publicação que acabam impactando a reprodutibilidade e a gente ao longo dessa aula vai discutir isso muito bem mas vamos tentar pensar em soluções aqui com relação ao primeiro a gente consegue pensar em algumas coisas né sobre formas de melhorar esses métodos e a gente vai fazer uma parte 2 justamente como que a gente pode melhorar a descrição desses procedimentos