no primeiro episódio do nosso podcast abordamos sobre o conceito de racismo estrutural segundo de Jamila Ribeiro ele é abre aspas um sistema de opressão que nega direitos e não um simples ato da vontade de um indivíduo fecha aspas um dos direitos fundamentais garantidos pela constituição federal do Brasil é o direito à saúde entretanto com o caráter estrutural do racismo sabemos que ele impede que os direitos fundamentais sejam acessados de forma igualitária aumentando o adoecimento e até a taxa de mortalidade da população negra no Brasil no episódio de hoje convidamos duas profissionais da área da saúde
para para falar sobre suas trajetórias de formação profissional e acadêmica nos falar sobre as barreiras que o racismo estrutural Levanta para o acesso de qualidade à pessoas negras sinta-se à vontade em mais um episódio que acaba de começar o plantando e colhendo é patrocinado pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro Secretaria Municipal de Cultura XP investimento e data prévia a distribuição do material conta com o apoio da equipe da coordenação de cooperação social da presidência da Fiocruz e Museu da vida Fiocruz Oi tudo bem É um prazer de ter aqui de novo comigo eu
me chamo Gabriela sou uma mulher parda de 25 anos tenho cabelo longo Preto ondulado e os óculos quase 100% do tempo no episódio de hoje vamos falar sobre mulheres negras na área da saúde e eu queria pedir pras nossas convidadas se apresentarem e falarem um pouquinho da trajetória acadêmica e profissional eu sou Stephanie Paula mulher 26 anos de idade cabelo black power muito cheio preta de pele retinta nutricionista formada pela UFRJ pós-graduanda em nutrição estética e estudante de técnico estética Olá me chamo Márcia Alves sou uma mulher negra cabelos crespos curto não uso óculos sou
mãe da Luísa e do Lucas meu companheiro é o André sou dentista de Formação com especialização mestrado e doutorado em odontologia e atualmente trabalho na universidade Federal do Rio de Janeiro onde atuo como docente permanente do programa de pós-graduação em odontologia mestrado profissional em Clínica Odontológica estudando saúde da população negra saúde bucal doença falsiforme e as iniquidades raciais em saúde Obrigado pelas apresentações é um prazer ter duis profissionais da área da saúde aqui conosco para debater sobre esse tema tão importante de forma prática Vocês conseguem exemplificar Como o racismo se manifesta nas áreas de atuação
profissional de vocês a minha contribuição nesse debate é a partir da Assunção do racismo seja nas suas diferentes dimensões a saber cultural sistêmico interpessoal institucional racismo interno sobre o qu Tais expressões ciam inviabilizam violam direitos e Por conseguinte violam a dignidade Tais iniquidades raciais são perceptíveis na dimensão da formação da produção científica e do Cuidado em saúde bucal não à toa que a maioria da população brasileira que se autodeclara Negra não tem acesso aos Serviços de Saúde apresentam os piores indicadores de saúde em relação à saúde bucal destacando uma necessidade importante de de que possamos
reverter esse quadro uma vez que a saúde bucal ela é um indicador de qualidade de vida na minha trajetória portanto a as experiências vivências Barreiras discriminação proporcionadas pelo racismo não foram diferentes desses resultados dos fechos em saúde a gente percebe que existe racismo na área da saúde desde a graduação falo pela minha experiência própria quando eu fui aprovada no vestibular que eu passei paraa UFRJ minha turma tinh 50 alunos desses 50 cinco eram pretos desses cinco pretos só dois se formaram e eu faço parte dessa estatística dos que conseguiram concluir a graduação e no início
eu achava que não era racismo que não tinha nada a ver que era simplesmente algo da minha cabeça mas conforme foi passando o tempo e os anos de graduação a gente tem que ir pra parte prática e a gente vai para um hospital grande hospitais de referência Porque é necessário passar por um estágio ou na verdade por vários estágios em diversas áreas a gente observa que quase nenhum profissional é preto graças a Deus de uns tempos para cá esse número tá aumentando mas ainda assim é pouco espero que daqui a 10 20 anos esse cenário
seja totalmente diferente e tenham mais pretos na área da saúde independentemente de qual seja a formação Porque é necessário ter essa representatividade e a gente percebe também que a população ainda se choca em ver um profissional preto da Saúde porque existe um racismo de que preto não pode estar nesse lugar eu observei isso em um estágio na no hospital do Fundão quando eu cheguei para atender uma paciente Preta quando ela viu que era eu que tava chegando ela abriu os olhos assim bem assustada e falou assim para mim é você que vai me atender é
você que é Doutora eu falei sim sou eu e eu via que ela tentava conversar comigo mas ainda assim de uma maneira muito nervosa ansiosa desacreditada ela percebeu que ela era uma preta sendo atendida preta e a surpresa é por quê a gente quase não vê profissionais pretos na saúde então de fato vai gerar um certo estranhamento uma surpresa outros ficam felizes outros não gostam mas esse é um ambiente que a gente também Pode ocupar existindo racismo ou não esse lugar também é nosso deixando o nosso recorte mais focado das mulheres negras como vocês enxergam
essa deficiência causada pelo racismo estrutural na saúde e no Cuidado com elas né E quais soluções vocês sugerem quando observamos a área da saúde seja ela no setor público ou privado uma minoria de profissionais são pretos isso é muito Claro para qualquer um mas quando a gente fala de SUS Mais especificamente do sistema único de saúde no qual a maioria da população atendida seja na Clínica da Família ou em hospitais ou que necessitam de acompanhamento mais específico e complexo a maioria é preta pobre favelada periférica Enfim uma população de baixa renda que necessita do atendimento
desse serviço público de saúde e focando mais ainda numa área que foi que trabalhei que foi na parte obstétrica eu observo isso muito mais forte por quê a gente tem uma herança cultural que veem desde a época da escravidão de que a mulher preta ela é forte a mulher preta tem que aguentar tudo e não é bem assim a mulher preta ela é mulher como qualquer outra independentemente da cor dela Ela também tem suas dores tem suas lutas tem suas fraquezas suas fortalezas porém foi ensinado que a mulher essa mulher preta ela tem que aguentar
muita coisa e essa esse público né na verdade é o que mais sofre violência obstétrica digo isso por atualmente no SUS tem tido um diálogo um debate Mais amplo sobre a humanização Por quê a gente tem que olhar o paciente não apenas como um corpo que que fica saudável ou doente não o paciente ele tá inserido num ecossistema ele tá inserido num contexto no qual esses vários contextos vão influenciar na vida dele e vai trazer como resultado aquela saúde aquela doença e o profissional de saúde seja ele médico enfermeiro enfim ele não vai poder tratar
aquela doença sem entender aquele contexto no geral e como esse assunto de humanização tá vindo de uns tempos para cá quando a gente conversa com as pessoas mais antigas mais velhas que passaram por situações de violência a gente entende o porquê que isso é forte elas me dizem que enquanto estavam tendo seu trabalho de parto para ter seus filhos eh elas ouviam muito o seguinte você é forte você tem que aguentar tudo não foi bom abrir as pernas Então agora você tem que aguentar então assim é muito pesado e isso é perpetuado porque eu já
escutei mãe falar pra filha você é preta você é forte tem que aguentar tudo e a filha fala pra neta e o homem ou ou neto ou filho enfim continua perpetuando isso porque eu já escutei isso de outras pessoas Você é mulher preta Você é forte você aguenta tudo e isso vai gerando uma sobrecarga física emocional psicológica que essa mulher não tá pronta às vezes para suportar na verdade ninguém tá pronto porque é uma forma de violência então a gente já vê que é dessa desse contexto a mulher preta ela já sofre desde a barriga
então isso vai se arrastando até o fim da vida dela e eu percebi isso muito forte enquanto eu tava trabalhando no pré-natal uma das grávidas uma mulher preta favelada que só tinha o ensino fundamental completo virou PR mim assustada e falou eu não sabia que existia ess essa área não sabia que existia nutricionista primeira vez que eu tô aqui eu não conhecia isso e ela também estava Surpresa por est sendo atendida por um profissional que ela nem sabia que existia e uma profissional preta então assim essa as mulheres pretas infelizmente ainda são muito negligenciadas na
saúde e o que a gente precisa que que o sistema precisa acredito que o governo o Ministério da Saúde deveria criar políticas públicas voltadas para essa população voltadas para prevenir doenças na mulher preta que poderia ser poderiam ser evitadas caso houvesse uma aproximação maior caso houvesse uma um diálogo para poder quebrar certos preconceitos inclusive esse de que a mulher preta é forte tem que aguentar tudo porque isso acaba gerando um ciclo vicioso de violência de sobrecarga que não é necessário assim o racismo como um sistema ele exclui determinados grupos sociais ainda que sejam majoritários né
é a maioria minorizada porque não estão representados nos espaços de poder nos espaços tomadores de decisão nesse sentido Então as políticas afirmativas são decisivas no sentido de equalizar esse processo histórico discriminatório esse processo histórico que reitera as ausências e as exclusões e no sentido de reparar eh os resquícios dessa nossa formação de sociedade que nos atravessa até os dias de hoje como algo que possa ser vislumbrado como uma das soluções possíveis é trabalhar a educação a formação a qualificação eh particularmente na área em saúde para as relações étnico-raciais no sentido de que eh a produção
do cuidado e a produção de um pensar científico considere outras eh percepções outras visões outros referenciais teóricos e por fim eh considere uma outra forma de ser de pensar e de viver esta que considere de fato a humanidade da população negra bom diante de todo exposto é inegável pensar na urgência de formulação de políticas públicas de saúde que contemplem a população negra do Brasil é visto que instituições de saúde que estão associadas ao SUS assim como a fio Cruz T debatido proposto diversas soluções para que essa realidade seja alterada e que o debate não se
esvazie e não se esgote Que ele continue dando frutos para que haja uma mudança de realidade sobre essa situação gostaria de agradecer as nossas convidadas pelas exposição temática Tão rica e a você que nos ouviu até agora encerra aqui mais um papo reto com mulheres negras obrigado pela audiência e até a próxima