E aí, pessoal, tudo bem com vocês? Depois de estudar a fisiologia do coração, chegou a hora de estudar a fisiologia dos vasos [Música] sanguíneos. Pera aí, pera aí.
Parou, parou. Antes de começar esse vídeo, eu tenho uma pergunta para você. Esse canal já te ajudou a entender alguma coisa da fisiologia que você não tava conseguindo entender?
Se a sua resposta for sim, confere aí para ver se você já tá inscrito no canal, porque tem muita, mas muita gente que assiste os nossos vídeos e ainda não tá inscrito no canal. Então, se esse for o seu caso, ajuda a gente aí. Dá tanto trabalho para fazer essas videoaulas que você não tem ideia.
Dito isso, agora sim, bora estudar a fisiologia dos vasos sanguíneos. Nos vídeos anteriores, a gente estudou a fisiologia do coração. Isto é, a gente estudou como o coração gera força, gera pressão para fazer o sangue fluir através dos vasos sanguíneos, das artérias, arteríulas, capilares, vénulas e veias.
A partir desse vídeo, a gente vai começar a estudar como o sangue flui através desses vasos. Ou seja, a gente vai começar a estudar a dinâmica do fluxo sanguíneo, a gente vai começar a estudar a hemodinâmica. E para estudar essa dinâmica do fluxo de sangue ou fluxo sanguíneo, a gente precisa, antes de mais nada entender o que é fluxo.
Então, lembre-se que fluxo nada mais é do que a quantidade ou o volume de um fluido que passa dentro de um determinado intervalo de tempo. Ou seja, fluxo é volume por tempo. Por exemplo, se em uma torneira aberta passa 5 L de água dentro de 1 minuto, quer dizer que o fluxo de água nessa torneira é de 5 L por minuto, certo?
Agora, e se eu disser para você que o meu coração tá injetando 5 L de sangue dentro de 1 minuto, você consegue me dizer qual é o fluxo de sangue nos meus vasos sanguíneos? Bom, se o meu coração táando 5 L de sangue por minuto, quer dizer que nos meus vasos sanguíneos está passando 5 L de sangue por minuto. Ou seja, o fluxo sanguíneo nesses vasos é de 5 L por minuto.
Mas e se eu disser que desses 5 L de sangue que passam nos meus vasos sanguíneos por minuto, cerca de 1 L passa especificamente nos vasos sanguíneos dos meus sins por minuto? Você consegue me dizer qual é o fluxo sanguíneo especificamente nos meus rins? Fácil, né?
Um L por minuto. Bom, então acho que deu para entender, né? Que o fluxo sanguíneo é o volume de sangue que passa pelos vasos sanguíneos dentro de um determinado intervalo de tempo e que geralmente é medido em litros por minuto ou ml por minuto, ou seja, volume por tempo.
Mas agora eu pergunto, o que será que determina esse fluxo sanguíneo? melhor, o que será que faz o sangue fluir através ou se mover através dos vasos sanguíneos? Para responder essa pergunta, a gente precisa lembrar da primeira lei de Newton, que diz que todo corpo tende a permanecer em repouso, a não ser que uma força atue sobre ele.
Ou seja, para qualquer coisa começar a se mover, eu preciso de força. Ou seja, pro sangue começar a se mover através dos vasos sanguíneos, eu preciso de força, eu preciso de pressão. E pr quem não lembra, pressão nada mais é do que a força que atua sobre uma determinada área.
Por exemplo, o sangue dentro dos vasos sanguíneos exerce uma força, uma pressão sobre a parede dos vasos, uma pressão que a gente chama de pressão sanguínea. E é essa pressão que move o sangue através desses vasos, ou melhor, a diferença dessa pressão ao longo desses vasos que move o sangue. Como assim?
Para entender como a diferença da pressão sanguínea ao longo dos vasos move o sangue, vamos imaginar que esse tubo aqui representa de forma bem simplificada os vasos sanguíneos da circulação sistêmica. Se eu encher esses vasos de sangue, o sangue vai pressionar a parede desses vasos e a gente vai ter uma pressão sanguínea ao longo desses vasos. Porém, se a se essa pressão for exatamente a mesma longo desses vasos, você acha que o sangue vai se mover, vai fluir através desses vasos?
Não, porque se a pressão é a mesma no começo e no final desse tubo, a força que empurra o sangue em direção às veias é igual a força que empurra o sangue em direção às artérias. A diferença de pressão ou delta P é igual a zero. Imagine duas pessoas se empurrando com a mesma força.
Ninguém vai sair do lugar. ninguém vai se mover. Mas como você deve saber, ou pelo menos deveria saber, a pressão sanguínea nas artérias é sempre maior do que a pressão sanguínea nas veias, ou seja, existe uma diferença de pressão.
E se existe uma diferença de pressão, existe fluxo sanguíneo e o sangue se move das artérias onde a pressão é maior, em direção às veias, onde a pressão é menor. Então, considerando a pressão sanguínea sistêmica média, isto é, a pressão sanguínea média nas artérias, arteríulas capilares, vénulas e veias da circulação sistêmica. Reparem que essa pressão na artéria a horta que recebe o sangue e pelo coração é próxima de 95 mm de mercúrio.
Mas conforme o sangue vai fluindo pelas demais artérias, arteríolas, capilares, vénulas e veias, essa pressão vai diminuindo até próximo de 5 mm de mercúrio nas veias calas que devolvem o sangue pro coração. E é graças a essa diferença ou gradiente de pressão que o sangue flui através desses vasos, sempre das artérias pras arteríolas, pros capilares, pras vênulas e, finalmente pras veias. Bom, acho que deu para entender, né, que o que gera o fluxo sanguíneo é o gradiente de pressão gerado pelo coração.
Porém, lembre-se que embora o gradiente de pressão é o que gera o fluxo sanguíneo, ele não é a única coisa que influencia, ou melhor, que determina o fluxo sanguíneo. Na verdade, conforme o sangue flui através dos vasos sanguíneos, ele encontra uma certa dificuldade para fluir, ou seja, ele encontra uma certa resistência. O fluxo sanguíneo, então, é tipo a corrente elétrica, que é diretamente proporcional a um gradiente potencial elétrico ou voltagem e inversamente proporcional à resistência que essa corrente elétrica pode sofrer.
Ou seja, o fluxo sanguíneo é diretamente proporcional a um gradiente de pressão. Quanto maior esse gradiente, maior o fluxo e inversamente proporcional à resistência que esse fluxo sanguíneo pode sofrer. Quanto maior a resistência, menor o fluxo.
Tá, professora, entendi que essa resistência aí é uma coisa que se opõe ao fluxo sanguíneo, mas o que que exatamente determina essa resistência? Para responder essa pergunta, a gente precisa entender que essa relação entre fluxo, pressão e resistência que a gente acabou de apresentar é muito simples e não explica exatamente o que determina a resistência ao fluxo através de estruturas tubulares. Então, para entender o que determina a resistência ao fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos, a gente precisa usar uma equação que pode ser aplicada ao fluxo de fluidos que acontece através de estruturas tubulares, ou seja, a equação de pois ou lei de poisi.
Essa equação ou essa lei diz que o fluxo de um fluido através de uma estrutura tubular depende do gradiente pressão e de mais tudo isso aqui que tá na equação de uma constante, o número pi, do raio do tubo elevado à quarta potência, de outra constante, o número oito, do comprimento do tubo e da viscosidade do fluido. Parece muita coisa, né? Mas a verdade é que tudo isso aqui que tá na equação nada mais é do que 1/ R ou 1 dividido pela resistência.
Então, se 1 sobre R é igual a tudo isso tá aqui, podemos usar uma regrinha da matemática e dizer que r = 8 multiplicado pelo comprimento do vaso, multiplicado pela viscosidade do fluido e dividido por pi multiplicado pelo raio do tubo elevado à quarta potência. Agora, com essa equação derivada da lei de pois é, a gente consegue entender o que determina a resistência ao fluxo sanguíneo. Então, presta bastante atenção aqui.
O número oito e o número pi são as constantes da equação, não mudam. O comprimento dos vasos a gente também pode considerar uma constante, porque também não é uma coisa que vai mudar. E aí as duas variáveis que podem mudar nessa equação são a viscosidade do sangue e o raio dos vasos sanguíneos.
Então, perceba primeiro que a resistência é diretamente proporcional à viscosidade do sangue. Se a viscosidade aumenta, a resistência aumenta. E se a viscosidade diminui, a resistência também diminui.
Para fixar essa relação entre viscosidade e resistência, pensa na água, que é um fluído com baixa viscosidade. Se eu virar um copo de água, a água escorre rapidamente porque a resistência ao fluxo é baixa. Agora pensa num líquido com alta viscosidade, como um creme de abacate.
Se eu virar um copo de creme de abacate, o creme escorre lentamente, porque a resistência ao fluxo é alta. Pegou a ideia? Peguei, professora.
Se o sangue ficar mais viscoso, vai ficar mais difícil de fluir, porque a resistência aumenta. E se o sangue ficar menos viscoso, vai ficar mais fácil de fluir, porque a resistência diminui. Mas o que é que pode fazer o sangue ficar mais viscoso ou menos viscoso?
O sangue é um tipo especial de tecido conjuntivo. As células desse tecido ficam suspensa na parte líquida do sangue, que a gente chama de plasma. Se eu diminuir a quantidade de células e aumentar a quantidade de plasma, o sangue fica mais líquido, menos viscoso.
Mas se eu aumentar a quantidade de células e diminuir a quantidade de plasma, o sangue fica mais menos líquido, mais viscoso. Por exemplo, em caso de desidratação, a quantidade de plasma diminui e o sangue pode ficar mais viscoso, aumentando a resistência ao fluxo sanguíneo. E em caso de um aumento da produção dos eritrócitos ou hemácias, o sangue também pode ficar mais viscoso, aumentando a resistência ao fluxo sanguíneo, como acontece na policitemia, uma doença em que a gente tem a produção excessiva das hemácias.
Então, lembre-se que a viscosidade pode ser alterada em alguns casos específicos, mas no dia a dia, em condições normais, em condições fisiológicas, a viscosidade até pode variar, dependendo aí do fluxo sanguíneo, dependendo do raio dos vasos, mas essa variação não é tão significativa assim. Por isso, em condições fisiológicas, a gente até pode considerar a viscosidade do sangue como sendo constante. Agora, o raio dos vasos sanguíneos, principalmente o raio das arteríulas, não é constante, varia e varia muito em condições fisiológicas.
Então, perceba que a resistência é inversamente proporcional ao raio dos vasos sanguíneos. Se o raio aumenta, a resistência diminui. Se o raio diminui, a resistência aumenta.
Para fixar essa relação entre o raio dos vasos e a resistência, é só imaginar um reservatório de água com duas saídas. A saída A é um tubo com raio igual a 1 e a saída B é um tubo com raio igual a 2. Como as duas saídas estão na mesma altura, o gradiente de pressão da água é o mesmo nas duas saídas, mas o fluxo é maior na saída B, onde o raio é maior do que na saída A, onde o raio é menor.
Isso porque quanto maior o raio, menor a resistência e é mais fácil da água fluir. E quanto menor o raio, maior a resistência, é mais difícil da água fluir. No sistema cardiovascular, o reservatório de água seria as artérias e as saídas seriam as arteríulas que podem regular o fluxo de sangue pros tecidos, que ela irriga, ah, regulando o seu raio.
Se todas as arteríulas apresentassem exatamente o mesmo raio, o fluxo sanguíneo seria o mesmo em todos esses vasos. Porém, o raio das arteríolas é variável e depende de fatores locais, neurais e hormonais. Por exemplo, quando somos expostos ao frio, esses fatores podem contrair o músculo liso da parede das arterías que irrigam a pele, diminuindo o raio e aumentando a resistência.
Com o aumento da resistência, o fluxo sanguíneo na pele diminui, diminuindo assim a perda de calor. Agora, como exatamente esses fatores locais, neurais e hormonais diminuem ou aumentam o raio das arteriolas, a gente deixa para explicar no outro vídeo. Nesse momento, o mais importante é entender que, em condições fisiológicas, o raio dos vasos sanguíneos é a variável mais importante na determinação da resistência e consequentemente na determinação do fluxo sanguíneo dos tecidos do organismo.
Bom, então resumindo tudo que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que o fluxo sanguíneo é diretamente proporcional à diferença de pressão ou gradiente de pressão que existe ao longo desses vasos sanguíneos. Se o gradiente de pressão aumenta, o fluxo aumenta, mas é inversamente proporcional à resistência. Se a resistência aumenta, o fluxo diminui.
Os principais determinantes da resistência é o comprimento dos vasos, a viscosidade do sangue e o raio dos vasos. Em condições normais, em condições fisiológicas, o comprimento dos vasos e a viscosidade do sangue podem ser considerados constantes. E por isso podemos dizer que o principal determinante da resistência é o raio dos vasos sanguíneos, que pode variar para regular assim o fluxo sanguíneo nos tecidos do organismo.
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