eu acho interessante do caso vestido porque eu acho que ele é ele pode ser uma chave de leitura paraa compreensão das transformações né pelas quais o drumon passou ao longo da criação da sua obra eh o poema publicado em 1945 no livro a Rosa do Povo e E aí bom então é um contexto de de segunda guerra mundial n 1945 então tem muitas tensões né um livro que tem uma eh uma conotação política muito forte né com com várias ah muit posicionamentos bem Claros do drumon né drumon se posicionando bem claramente mas ao mesmo tempo
sem ser tão panfletado talvez algum outro poema ele tenha sido um pouco mais panfletário mas não é o caso do caso do vestido né porque porque ele sendo político ele é também bem problemático é uma capacidade de tanto de ilustrar questões sociais muito amplas como também de se aprofundar em questões individuais né dentro do da desses personagens representados E por que que pode ser também uma chave de interpretação pra obra Drumond Diana porque o poema ele tem duas características muito importante quer dizer tem uma série de outras características mas queria trazer aqui para para essa
chave de de compreensão da obra porque Ele traz algumas marcas do primeiro drumon de 1930 né de alguma poesia porque são são os traços mais regionalistas né com algumas expressões como eh even CAD né inclusive o uso da redondilha maior o verso de sete sílabas que vai apontar para uma poética mais regionalista que estaria eh embora né o drumon não não fizesse versos metrificados né na na 19 30 mas apontam para uma dicção ou para uma proposta de poesia mais Regional ou mais popular né basta lembrar que a literatura de cordel é toda feita em
versos quer dizer quase toda feita né em Literatura de em versos de sete sílabas Então a gente tem né E essa influência também do do Mário de Andrade na formação desse jovem drumão então você pode perceber que existem resquícios dessa poética primeira né com o qual drumão estreia com alguma poesia ao mesmo tempo que você também encontra um registro solene formal que vai aparecer né n um pouco depois de 1951 com Claro Enigma Você tem uma classici zação da linguagem isso também vai aparecer no caso do vestido como por exemplo a maneira né como as
as personagens eh tratam entre si né com o uso dos pronomes que a gente vai perceber um jogo de formalidade por exemplo que é a a a a mãe falando com as filhas né vosso pai né e as mães se referindo também a mãe né nossa mãe então tem todo um jogo de formalidade mesmo que haja uma intimidade dessa cena Você tem uma estrutura de uma linguagem mais formal mais clássica então eu gosto de de situar também o caso do vestido como esse ponto né de interseção né E de de conflito também dessas duas eh
propostas de de linguagem uma mais regionalista né E outra mais classicizante diante desse contexto que a gente tem dentro do do próprio livro né a gente pode considerar como essa essa mãe né que tá dentro de um regime absolutamente patriarcal conservador tradicionalista que também de certa maneira embora também haja uma Ah uma uma espécie de um de uma algo meio que vamos botar entre aspas né Universal que é uma palavra muito perigosa mas também essa tradição mineira muito forte né então acho que a a mãe ela pode ser claramente lida como uma figura de um
de um Oprimido né nesse sentido de de de denúncia política ou social né questões de Capitalismo ou socialismo enfim desses grande embate de ideias né então a mãe é uma figura oprimida e esse opressor né que seria o pai que representa eh metonimicamente o patriarcalismo né a estrutura patriarcal como um todo essa mãe que não pode expressar né o que ela sente ela não pode narrar a sua história e ele é interessante também do ponto de vista político porque as filhas que representam o quê as novas mulheres é uma nova geração de mulheres que tá
incitando essa mãe que sempre esteve quieta obrigada a ficar ali calada né se resignar essa essa nova geração que incita ela a falar Então traz a denúncia e e a mãe então ela tem ela finalmente pode expor tudo que ela sofreu e essa mãe que representa uma série de outras mulheres né de gerações e gerações e finalmente chega uma geração nova que é esse couro de de de das filhas que vai botar a mãe na parede falar assim fala agora é hora de falar e aí a mãe pode narrar e expor né Essa essa opressão
eh de de em termos de de gênero né do do patriarcalismo n um dos poemas Drumond deanos a gente você vai ter uma uma uma tensão Talvez uma das maiores tensões é porque eu sou apaixonado pel esse tema então eu vou defender vou dizer que vai ser a maior tensão né de da poesia Daiana porque esse eu que se manifesta esse eu poético no caso a mãe a protagonista ela tá Entre esses dois polos entre esse pai a figura desse pai né Esse regime patriarcal esse quase um ditador que pode ser comparado inclusive né politicamente
pelo contexto né de 1945 esse pai ditador que eh censura o discurso da mãe só que é uma censura curiosa porque não é uma censura eh explícita né é uma censura que já tá dentro do do do do pensamento do do modos operand daquela mãe e então você vai ter essa força de de silenciamento de constrangimento de opressão por parte do pai e do outro lado você tem as filhas né fazendo o contrário querendo subverter querendo assim não você tem que falar né querendo revelar então atenção né que que essa protagonista se encontra entre ocultar
silenciar e se expressar e denunciar né eh e e e isso vai fazer com que a tensão do discurso seja muito forte tanto que ela em vez de se calar ela vai fazer exatamente o contrário ela vai falar tanto que ela vai teatralizar tudo que ela vivenciou ela né ela por exemplo quando ela vai trazer né o discurso da da amante pela Qual o pai se apaixonou pelo marido dela abandonou a família ela não vai usar o discurso indireto poderia falar assim ah a dona de longe disse que queria ficar com não ela vai trazer
o discurso direto ela vai presentificar aquela cena numa representação teatral ou seja essa fala tá muito tá muito forte né esse poder de de denúncia que ela tá que ela tá manifestando né ao ser incitada pelas filhas vai ser tão forte que ela vai vai eh representar cenicamente né teatralmente essa outra mulher né que é a sua rival né que é amante do do seu marido então é uma tensão discursiva muito grande em função desses dois polos né um um que faz ela se calar e outro que faz ela falar né gerando essa grande tensão
as as obras de arte de um modo geral né um grande recurso expressivo é o poder de contraste né em todas as as linguagens artísticas e acho que o drumão ele explora muito esse poder de contraste no vestido porque a princípio né o vestido é para ser guardado no armário né não não né não não faz muito sentido exibir um vestido e esse vestido vai aparecer num prego né esse elemento do prego eu acho que ele é ele é muito simbólico né Se você prestar atenção né observando né A questão da religiosidade né da do
do discurso Cristão que atravessa a obra do rumão e não vai ser diferente no caso do vestido então você pode assim uma uma uma leitura possível é você comparar ao corpo de Cristo né esse vestido que está nesse prego porque ao mesmo tempo né assim como o Cristo também ele essa essa figura da do do Cristo crucificado representa a a dor né o sofrimento a a morte é também de acordo com a visão Cristã né uma forma de libertação de ressurreição né de um símbolo também de vida tanto de vida quanto de morte e a
mesma coisa vai acontecer com um vestido porque ele representa tanto o pecado né A dor o as Chagas dessa mãe porque o vestido que mais mostrava que escondia no corpo da da dona de longe né que Seduziu o pai ou que o pai foi seduzido enfim mas então representando essa chaga esse sofrimento ao mesmo tempo representa a redenção a Vitória dessa mãe por quê Porque o o vestido quando a dona de longe eh ela perde também né o marido e ela se arrepende o vestido ele ele vira ele ganha um significado de de de perdão
e dentro da inclusive dessa mundividência Cristã né o perdão o pecado o perdão né eles funcionam sempre juntos não não existe perdão Sem Pecado né e e o e o vestido ele representa isso ele é ele é o pecado mas é também o perdão Então esse poder de contraste que que é que é absolutamente explorado né pelo pelo poema pelo drumon e ao mesmo tempo isso que a mãe ela quer esconder ocultar o significado do vestido em função do desse desse marido né ditador opressor mas eh contraditoriamente ele é exposto na parede Então esse poder
de contraste né de de mostrar esconder né de perdão de de pecado e então ao mesmo tempo vira uma obra de arte também né é uma aquela figura Miss beim né uma obra dentro da obra tá exposto como se fosse quase como um quadro como uma pintura né num prego na na parede então assim é um signo muito rico de de significados né E ao mesmo tempo também tem a questão do do borar né com uma atividade tradicionalmente feminina mais se você pensar nessa represent ação de 1945 né do do patriarcado eh tem toda uma
questão e enfim envolvendo sobre isso e e o grande barato do poema é porque o o vestido né pregado ali na parede ele tá sem o corpo e é o preenchimento desse espaço dessa lacuna né o poema ele preenche é como se esses corpos fossem entrando né que seriam no caso os significados que vão preenchendo essa lacuna e vão dotando o poema ao mesmo tempo de uma plasticidade visual muito forte e também de um de um uma peça de roupa que é também uma narrativa né que é costurado é cerzido discursivamente pela mãe [Música]