Diariamente na sociedade, novas regras são estabelecidas por uns e quase sempre acatadas pacificamente por todos. Chegamos então à conclusão que embora aparentemente haja um desequilíbrio nas relações de poder, elas estão por toda parte e elas participam de uma convivência pacífica. Chegamos então à conclusão de que Em muitas relações o poder é entendido como normal, como justo, como aceitável, como natural, como evidente. E por que não dizer até como necessário. É exatamente essa ideia de legitimidade que vínhamos desenvolvendo na quinta-feira passada. Ora, começamos a apresentar uma tipologia sugerida por Max Weber, que apresenta diferentes fundamentos Para
essa legitimidade, como toda boa tipologia. é uma construção da razão que não pretende nenhuma correspondência pura com o mundo. Falávamos então da legitimidade que tem como fundamento a tradição e explicamos que uma boa razão para aceitar um certo exercício de poder é justamente o fato desse poder ser exercido ao longo do tempo. Poderíamos entender que dessa maneira o ontem legitima o hoje. dentro desta perspectiva de legitimidade tradicional, poderíamos imaginar alguma dificuldade para relações de poder recémcidas. Poderíamos supor que é mais difícil começar a exercer o poder do que continuar exercendo o poder. Dentro dessa tipologia,
parece haver uma aceitação generalizada de que se alguém Já há algum tempo exerce algum tipo de poder, pois é normal que continue exercendo. Essa legitimidade denuncia uma certa aversão a rupturas, a revoluções, a grandes transformações, a mudanças e assim por diante. Dentro das empresas, essa situação se apresenta diariamente. E assim, toda vez que a empresa passa por uma reestruturação, uma redefinição de autoridades, Uma reorganização de seus múltiplos setores, percebe-se uma certa resistência em aceitar as novas instâncias de poder. Eu sei disso porque sou chamado quase que diariamente para em eventos corporativos falar de mudança, inovação.
E quando isso acontece, é quase sempre contratado por alguém que Acaba de assumir uma posição de poder e identifica resistências ao seu exercício. As frases são sempre assim: "Eles já estavam acostumados com o outro líder. Eles já estavam afeiçoados a quem estava aí. Eles estavam acostumados com outro jeito de liderar e assim por diante. Tudo isso indica a mesma coisa. Denuncia uma certa legitimidade tradicional. O segundo tipo de legitimidade que nós Destacamos apenas para reavivar a sua memória é de índole carismática e tem a ver, dissemos, com certos atributos de personalidade do líder. é uma
legitimidade que se funda eh no estilo, no jeito, na maneira de agir, de falar, de discursar, de escolher palavras, de olhar. Essa legitimidade carismática tem a ver com o tipo de impacto afetivo que alguém ao agir produz sobre quem o observa. disser que o carisma ele é o Resultado de um certo de uma certa cultura, portanto, de uma certa tendência do auditório a entender como carismático certo tipo de comportamento. Portanto, dependendo do universo em que você está, o mesmo comportamento pode ser entendido por carismático, heróico ou ridículo. Ontem mesmo em evento eh em Porto Alegre,
evento de grande magnitude, fui antecedido por uma professora da GV Local. que falava sobre atributos universais da liderança carismática, pois eis aí o tipo de afirmação absolutamente insustentável. Não há atributos universais da liderança carismática. Por quê? Porque, como dissemos, o carisma é uma construção cultural e tudo que é cultural é hostil à universalidade. Tudo que é cultural é relativo a uma certa sociedade, a um certo tempo, a um Certo espaço, a um momento da história e a um lugar da geografia. A a título de exemplo, só para matar a curiosidade que corroi o espírito de
vocês, uma das características de um uma das características universais de um líder carismático seria não desistir nunca. Ora, todos nós sabemos que não desistir nunca eh eh pode ser entendido em certos universos como um sintoma de teimosia, obsessão e até mesmo loucura. Afinal de contas, quem nunca desiste de uma estratégia completamente equivocada não passa de um idiota. Bem, o terceiro tipo eh de legitimidade é a legal racional. Tem a ver com regras e normas. Regras e normas que legitimam exercícios de poder, antes de mais nada, por estarem estabelecidas antes desse poder se instalar. são as
normas em função das quais o Poder se instala, o poder se define, seus mandatários assumem suas posições e assim por diante. Dessa maneira, a aceitação geral das regras é condição da legitimidade deste tipo. Finalmente, nós dissemos que esses três tipos de legitimidade no mundo da vida, no mundo das sociedades, no mundo concreto, eles se encontram misturados, mesclados por vezes uma legitimidade é mais Relevante do que outra. Eh, e e isso pode rapidamente mudar. quem apenas a título de exemplo eh eh dos nossos dois últimos governantes federais, nós temos Lula, eh, cujo poder se escorava fartamente
no seu carisma e Dilma, eh, não, não, legitimidade deve vir de outro lugar, não há provavelmente ali uma liderança carismática E isso é entendido por todos, acho que até mesmo por ela, um problema assim também eh a nível eh Eh em nível eh estadual somos governados por um governador também desprovido de qualquer tipo de carisma. Eh, e isso eu acho que é de certa maneira reconhecido por todos, inclusive por ele próprio. Então, é claro, eh eh nos dois casos nós temos, falando alto, a legitimidade tradicional no mundo, eh, no na esfera federal já há 16
anos o mesmo partido governa e no mundo estadual há 20 anos o mesmo partido governa. E isso é muito indicativo do tipo de legitimidade que Escora os atuais mandatários, mas tanto presidente da República quanto governador do estado, evidentemente carecem muito eh de atributos pessoais eh entendidos por carismáticos pelas sociedades que governam. Bem, eh, apresentada essa tipologia, nós podemos, então, conforme prometido na aula passada, recuar e tentar estabelecer a rigor uma Simplificação dessa tipologia. E essa simplificação nós vamos escorá-la na história das ideias e vamos tentar apresentar a rigor dois grandes momentos da legitimação do poder
político eh ao longo da história. Duas grandes maneiras de entender a legitimidade do poder ao longo da história. É claro que esse termo é um termo recente. É claro, portanto, que na antiguidade e eh esse termo não existia, mas já que sabemos do que se trata, Podemos usá-lo. Eh, podemos pensar num tipo de legitimidade do poder político à moda dos gregos, à moda antiga, e isso será a rigor, eh, será eh eh modernidade, até mais ou menos 100, 1600, quando então o poder político passa a ser legitimado de outra maneira. né? Então, sairemos da tipologia
de Max Weber, de eh que tem três pés para uma investigação histórica que se escora, na verdade, em em duas grandes formas de Aceitar um poder político como legítimo. Eh, assim, essas duas formas são eh fáceis de captar num primeiro momento, sobretudo quando contrastadas. Até a modernidade, o poder político, ele se fundava e ele alcançava a sua legitimidade eh a partir da natureza de quem exerce o poder. Em outras palavras, o fundamento é um fundamento natural, de natureza mesmo, não é? De atributos naturais, Né? E assim, eh, eh, esses atributos naturais poderão variar um pouco,
mas, a grosso modo, eles têm a ver com recursos que recebemos desde o nascimento, eh recursos esses que t a ver com talentos, habilidades, dons naturais, eh, etc. Então, eh, essa é a primeira maneira de entender, não é? é a natureza que explica o exercício do poder político devido e o indevido propriamente, né? Já falaremos especificamente sobre isso, mas grosso Modo é mais ou menos assim que pensava a filosofia clássica, né? Eh, então, bom, apenas a título de exemplo, quando Platão, por exemplo, diz que quem tem que governar é o filósofo, é o mais inteligente,
é o que está preparado para pensar, é o que tem capacidade de abstração, então é uma questão de faculdades intelectivas e isso já nasce com você, sobretudo para os gregos, né? O indivíduo, eh, eh, eh, ele tem pouca chance de recuperação se ele é Desprovido de recursos naturais. Então, é exatamente essa esse tipo de recurso que justificará o exercício de um certo poder. Então, eis aí uma primeira ideia. Vamos destrinchá-la, vamos entendê-la melhor daqui 5 minutos. Eh, a partir da modernidade, eh, muda-se a, digamos, o critério maior da legitimidade e o poder político é entendido
como Aceitável em função de uma convenção, de um acordo, se você preferir, de um contrato social. OK? Então, em outras palavras, eh, não é um atributo de natureza que justifica o exercício do poder, mas é um entendimento eh eh de todos eh que torna o exercício do poder aceitável, justo e assim por diante. Então, por que que muda? muda porque eh se antes os atributos de natureza se Impun e o exercício do poder se daria, digamos, mesmo eh ao arrepio da vontade de todos, eh, no caso do no caso do mundo moderno, eh Eh, o
que o que importa é o entendimento de todos e, portanto, eh os recursos naturais a partir daí eh passam a ser uma variável eh a mais de reflexão. Bem, eh, eu então abro aqui um capítulo do nosso curso para falar eh da natureza como fundamento da legitimidade do poder político. Eu vou repetir, então, a natureza como fundamento da legitimidade do poder político. Bem, eh eu vou então abrir aqui um um novo capítulo e eu vou abrir esse novo capítulo Apresentando uma uma espécie de provocação, né? Quando você estuda a relação entre pais e filhos, não
há a menor dúvida de que eh os pais exercem sobre os filhos um certo poder. Ora, por quê? Porque a vida dos filhos, sobretudo na infância primeira, a vida dos filhos é quase que Completamente determinada pela vontade dos pais. Então, naturalmente, alguém poderia perguntar por quê, né? Qual o fundamento deste poder? Por que ninguém se insurge contra ele? Então, ol lá a a título de exemplo, imaginemos que eu resolva fazer um pós-doutorado de 4 anos em Estocolmo, em nome da ciência, Em nome da humanidade. Eh, então minha filha Natália vai comigo, né? A criança pequena
é pouco mais do que uma necessera, né? Você vai eh você vai e ela vai junto, acabou, não tem conversa. E aí estou como? Porque é lá que eu vou fazer o curso. Se fosse Oslo ou a Sonunci no Paraguai, ela iria para onde Eu fosse. Então fica evidente que existe ali um poder. Alguém perguntará qual o fundamento desse poder? Ora, é o fundamento deste poder está no fato dela não ter condições de discernir sobre a própria vida. E eu sim. Então, perceba, há aí um fundamento de natureza mesmo, que tem a ver com eh
competência intelectiva relacionado à idade. De certa maneira, continuando a minha provocação, recuemos aí 50 anos no tempo. Por que razão eh uma eventual esposa vai comigo também? Não, vai comigo porque eu sou o homem, né? E, portanto, sendo homem, eu tenho um atributo de natureza que legitima o meu poder. Enfim, eu recuei 50 anos porque eu não quero polemizar, mas grosso modo, Não precisaríamos recuar nada. Eh, aqueles que quiserem ler sobre isso alguma coisa, poderiam ler um artigo do professor Burger, um artigo, um livro, né, do professor Burger intitulado A dominação e no final das
contas, o livro A dominação Masculina não é bem sobre a dominação masculina, mas é sobre a legitimidade da dominação masculina. Ou seja, por que a dominação masculina é Aceita? E é interessante, a análise vai da esquerda pra direita, direita paraa esquerda. É muito bacana de ler, né? Porque você eh muitas vezes começa a perceber que algumas obviedades, né? Algumas obviedades nada mais são do que o sintoma de um exercício de poder. E no caso da dominação masculina, nossa, o fundamento de natureza é óbvio, é o macho que domina a fêmea. Dominação masculina não há o
que discutir, né? Eh, Eh poderíamos recuar duas décadas e ir para África do Sul, que fica aqui do lado, e ali encontraríamos eh um discurso do tipo eh fulano de tal exerce o poder porque é branco. E você tem aí um fundamento de natureza, é um fundamento de cor de pele. o exercício do poder ligado à cor da pele. Perceba, você tem idade, falo, cor da pele. São três exemplos que mostram como esse tipo de fundamento de legitimação Do poder persiste até hoje. Haverá, por exemplo, quem considere inferior pessoas nascidas em outras regiões? Hum. E
isso você encontra gritado em panelaços, eh, absolutamente contemporâneos, né? Alguma coisa como nordestino burro você encontra nas redes sociais todos os dias e aí junto com o nordestino vem cabeça Chata. Portanto, veja conformação natural do do crânio como eh indicativo de uma posição de inferioridade e assim. E isso é repetido pelas elites, essas mesmas a que se refere a professora Marilena Xoui, diariamente nas redes sociais, diariamente. Portanto, você vê eh nós não estamos falando de alguma coisa absolutamente restrita ao mundo antigo. Nós estamos falando a fundamentos que eh permanecem até hoje. é e De infinitas
naturezas. Eu falei de conformação de crânio, cor de pele, eu falei de falo, eu falei de idade e, portanto, eh acho que tá bom como exemplificação apenas a título de contraste. Imagine, por exemplo, o surgimento de um estatuto como o estatuto da criança e do adolescente. Esse estatuto da criança e do adolescente, ele relativiza o poder exercido pelos pais sobre os filhos. E essa relativização se dá por uma norma que é, digamos, a materialização de um acordo, de um entendimento, de um contrato. Então você percebe que se até muito pouco tempo atrás os pais faziam
com as crianças o que queriam por conta de uma legitimidade que eles era natural. A partir do surgimento de normas que limitam esse exercício de poder, você tem uma espécie de transferência de um fundamento de natureza para um Fundamento de contrato, de entendimento, de reflexão coletiva, de entendimento coletivo. Não sei se estão me acompanhando. É assim, da mesma maneira poderíamos dizer que eh eh pasme você, mas num país como a Suíça, a mulher só votou a partir da década de 60 do século passado, né? Eu vou repetir, é muito interessante. A Suíça, muito mais tarde
do que o Brasil, não é? conservava o voto como exclusivamente masculino. Eh, e depois Da década de 60 do século passado, as mulheres passaram a votar. Perceba, cai por terra um fundamento de legitimação natural em nome de um entendimento coletivo sobre a igualdade de todos na hora de escolher os governantes. Então, o que é que você poderia concluir? Você poderia concluir que é possível assistir a uma espécie de escorregamento de passagem, né, glissmão, mesmo assim, de uma legitimidade com fundamento na natureza Para uma legitimidade com fundamento em, digamos, na razão coletiva, no entendimento coletivo, no
acordo coletivo, no contrato social e assim por diante. Muito bem. Então, eu acho que eh de certa maneira isso é muito cristalino e nós poderíamos continuar citando exemplos. eh muitas vezes um um dado de natureza muito claro eh digamos eh a atração física por pessoas do mesmo sexo ou a atração física por pessoas de sexo diferente. fez aí um dado da natureza Que se impõe a pessoa, eh, tanto quanto, eh, tanto quanto, eh, eh, a cor da pele, eh, o falo e, etc., é o que é em grande medida. Ora, eh, por esse traço de
natureza, muitos foram inferiorizados, discriminados, apequenados, excluídos, agredidos, maltratados e continuam a ser. Porém, há uma eh iniciativa cada vez maior das sociedades para, através de acordos, entendimentos, uso coletivo da inteligência, eh colocar essas pessoas Eh que são eventualmente fisicamente atraídas por pessoas do mesmo sexo, em posição de igualdade real, de fato, com aquelas que são atraídas por pessoas do sexo. é diferente. OK. É claro que essas preferências eh e essas atrações elas eh elas eh não são todas eh aceitáveis nas diversas culturas e nas diversas sociedades. Então, poderíamos dizer que da mesma maneira que alguém
se sente atraído por pessoas do mesmo sexo, isso é um dado da Natureza, poderíamos realmente provocar e dizer que pela mesma razão, pessoas são atraídas por criança, né? É um é um é um é um dado da natureza antes de mais nada. E é claro que aí, nesse caso, esse dado da natureza não é não será eh provavelmente abrigado como um eh em acordos como uma condição de igualdade e uma aceitação. Por quê? Porque aí aí a sociedade aceitará muito menos bem que alguém se deixe atrair por criança, Mesmo que isso seja uma condição celular,
orgânica, atômica do seu corpo e e ponto final. Então, eh, tô aqui apresentando uma série de digressões para mostrar a você como de certa maneira essa dupla forma de legitimar um certo exercício de poder continua atravessando as nossas relações, a nossa vida e a nossa convivência. Mas agora eu definitivamente abro o capítulo sobre o pensamento antigo com vistas a Explicar o que há de mais fundamental nesse fundamento, com o perdão do do pleonasmo. Eh, como vocês devem ter aprendido em algum momento, seja no ensino médio, seja na universidade, os gregos tinham uma certa concepção de
universo e Esse universo era para os gregos finito antes de mais nada. É preciso que o é preciso lembrar que o homem só passou a levar a sério a infinitude do universo a partir de 1600. É preciso lembrar também que antes de 1600 muitos tinham levantado essa possibilidade, mas não faziam, digamos, escola relevante, Eram outsider, eram alternativos. Assim, assim, os os atomistas, por exemplo, os atomistas como Leuco, Demócrito, Aristipo, Epicuro, que são pensadores importantes, mas que foram de certa forma marginalizados pela filosofia chapa branca, pela filosofia oficial e dominante de quem vence a luta e
conta a história ao seu modo, que é a filosofia de Sócrates, Platão, Aristóteles, os Históicos e assim por diante. Então, retomando para um certo entendimento hegemônico, né, mainstream do pensamento grego, o universo era finito com começo, meio e fim. mais do que finito, ele era ordenado, organizado. E, portanto, sendo finito e organizado, ele funcionaria mais ou menos como uma máquina ou um organismo vivo. Então, tal como uma máquina, você deve Imaginar que ele é, ele seria constituído por peças, por pedaços, por partes. E uma parte se distingue da outra por ter um papel, uma finalidade,
uma função que lhe é específica. Assim, uma máquina é sempre uma reunião de peças com finalidades específicas. Você pode abrir o seu liquidificador e perceberá que o seu liquidificador é um todo constituído por partes com finalidades específicas. Qualquer máquina é assim. Toda a máquina é marcada por uma certa complementaridade funcional. Então, os gregos entendiam que, sendo o universo uma máquina, tudo aquilo que está no universo deveria ser analisado em função da sua finalidade, do seu papel, da sua função. Não é à toa que esse pensamento é chamado de finalista. E conhecer as coisas é conhecer
antes de mais nada para que elas servem a sua Finalidade. Assim, nesse sentido, o que importa saber do vento é que ele refresca a máquina. E se você observar a relação entre o vento e a máquina e o frescor, entenderá que a finalidade de cada peça nada mais é do que o que se espera dela para fazer a máquina funcionar. A finalidade, ela não tem a ver com a peça, mas tem a ver com o todo. Tem a ver com o papel da peça no todo. É para o todo que a Finalidade existe, né? Como
toda função, como toda finalidade, está fora de quem a exerce. Se você não entendeu, eu posso te dar um exemplo. Se eu perguntar qual é a finalidade de um colírio, o que é que você responderia? Você não consegue responder essa pergunta sem usar a palavra olhos. E, portanto, eu acho que isso basta para você entender que toda finalidade se materializa fora de quem a exerce, Né? Um colírio não tem a sua finalidade em si mesmo. A finalidade do colírio está no olho. E você pode pensar em qualquer outra finalidade. A finalidade da cadeira está na
sua bunda e, portanto, fora da cadeira. A finalidade do professor está fora dele, portanto, em você. A finalidade do carro está no deslocamento, a finalidade do livro está no entendimento, a finalidade dos óculos Está na visão, a finalidade, toda e qualquer finalidade se encontra fora de quem a exerce. Portanto, a finalidade das partes do todo está no todo. Essa é a ideia, essa máquina do universo. Os gregos chamavam de cosmos. Então, quando você for estudar e você se deparar com a seguinte afirmação: "A legitimidade do poder político na Grécia era o era uma legitimidade cósmica".
Essa frase pode parecer enigmática num Primeiro momento. Quer dizer, quer dizer que eh quem oferece legitimidade a um governante é o cosmos. Pois é. É isso mesmo. Desde que você entenda que o cosmos é essa máquina eh finita e organizada eh onde nós estaríamos inseridos. Hum. Então eu repito, se alguma peça da máquina não funcionar, a máquina tem problemas. Isso funciona para um moedor de cana de Açúcar, isso funciona para um ferro de passar roupa, isso funciona para um carro e isso funciona pro seu organismo e isso funciona para o universo. Uma coisa, não é?
Então vamos imaginar que você tenha um colapso hepático, né? Como o seu corpo é uma máquina, o fato do fígado não funcionar direito determinará um colapso do funcionamento do seu corpo. Assim também seria o cosmos. Se o vento não ventar, haverá problema. O Cosmos precisa que o vento vente, precisa que a maré marei, precisa que o sapo sapei, precisa que a chuva chova, precisa que o peixe peixei e assim por diante. Então, e nesse momento você que me acompanha deve est pensando, eu ainda não consigo enxergar o que essa máquina constituída por peças tem a
ver com o cara exercer o poder. Então, mas é aí mesmo que eu vou te ajudar a chegar nessa, né? Como é que essa máquina vai justificar o exercício do poder por parte de alguém? Nãoé. Então, naturalmente, esse é o caminho que nós temos que percorrer. Nesse momento, você poderia se perguntar, mas eh e eu na máquina, né? E eu na máquina? Então, naturalmente, a resposta é simples. Você é um pedaço da máquina como qualquer outro, porque essa máquina não pode se dar ao luxo de ter dentro dela Coisas que não servem para nada, né?
Você imagina um carro de Fórmula 1 se ele tivesse dentro dele artefatos que não contribuem com o deslocamento do carro. seria uma escuderia lusa, porque você faz peso no carro e o carro não anda mais por causa disso. Então, anda menos por causa disso. Então, pois joga-se fora. Ora, se nós ao fazer máquinas já não botamos coisas que não servem para nada, imagine Zeus, não é? que era menos burro do que nós. Então, tudo o que está no cosmos é fundamental ao cosmos. Na natureza não tem nada de bobeira, né? Afirmação clássica de Aristóteles. Na
natureza não tem nada de bobeira. Se você está na natureza, não está de bobeira. Embora muitas vezes pareça muito, né? Pareça muito, mas não não está de bobeira. Em outras palavras, você cumpre uma finalidade, você cumpre uma função. Então, a sua vida é entendida primeiro enquanto parte do e segundo enquanto Função sem a qual o todo não funciona. Nossa, né? Você poderia perguntar, mas ninguém me perguntou se eu queria participar do cosmos. Ninguém me perguntou que função eu queria exercer, né? Ninguém me perguntou aonde que eu queria entrar na máquina. Ninguém me perguntou. Não, evidentemente
isso isso Transcende a sua vontade para responder, né? O nascimento te é imposto, não é? E também o lugar aonde você deve viver também te prédefinido. Aliás, para ser mais você nasce para, você só nasce porque abriu vaga, né? Eh, abriu vagas. O cosmos precisa de alguém para ensinar, então vamos fabricar alguém para isso, né? Era esse o entendimento, não é? Eh, de certa maneira, o não é que bom, agora que eu nasci, vamos ver onde é que eu me encaixo. Não, não é assim, não. É, já Nasce para mesmo. Então, claro, eh, nesse momento,
eh, você percebe que há para nós uma dificuldade suplementar, porque se o vento venta e no caso dele não há dificuldade, porque ventar é a única coisa que ele pode fazer, né? Se a maré mareia inexoravelmente, o sapo sapeia inapelavelmente, a pera pereia necessariamente, é, é como só poderia ser no nosso caso, diz o pensamento a que eu me refiro, no Nosso caso, a nossa vida depende muito de algumas decisões que tomamos. Portanto, somos os únicos a poder viver fora de lugar. Olha que loucura. Quer dizer, no universo tá quase tudo no jeito, mas no
nosso caso, como a nossa vida é escolhida, então no nosso caso, podemos estar fora do lugar, fora do jeito. Você deveria estar fazendo uma coisa e você decidiu fazer outra coisa. Então, perceba, o cosmos é fundamento para a Vida boa. O cosmos, ele te dá a resposta de como você deveria viver. Agora, é claro, se você não viver em harmonia com o cosmos, então duas coisas vão acontecer. A primeira, você vai o cosmos e a segunda, você vai levar uma vida de bosta. Por outro lado, se você acertar o lugar no cosmos, duas outras coisas
vão acontecer. O cosmos agradece e você vai ser feliz, porque a felicidade para os gregos é o Perfeito ajuste na ordem cósmica. E eles chamam isso de eudaimonia. Eudaimonia. Perfeita. Perfeito ajuste na ordem cósmica. Nossa, você deve estar me olhando e dizendo, mas eh como é que nunca ninguém tinha me contado nada disso, né? Imagina que o universo tá esperando que eu cumpra o meu dever, né? E é por isso que isso é uma questão ética, né? Ética cósmica. O professor de Ética do segundo semestre vai começar o curso falando dos gregos e provavelmente ele
vai abrir o capítulo dizendo: "A ética dos gregos é uma ética cósmica". Pois você já tem até uma um aperitivo do que isso quer dizer. O seu maior dever é compor o cosmos. Por isso é uma ética, né? Então vamos imaginar que alguns outros deveres se oponham a esse. Eles serão menores, certo? Por exemplo, sustentar os filhos. Se porventura isso for incompatível com a participação no cosmos, pois que se lixem os filhos. Participar do cosmos é o seu maior dever. OK? Muito bem. Eh, eh, chegando nesse ponto da nossa reflexão, você legitimamente pergunta: "Mas o
que será que o universo espera de mim?" Uma excelente pergunta, né? pergunta que O vento, por exemplo, não precisa fazer, porque quando ele se fizer essa pergunta, ele já tá ventando e eh de certa maneira a sua natureza é autoexplicativa, né? O papel do vento é ventar e ponto final. Agora, no seu caso, o problema se apresenta e você perguntará aonde eu vou encontrar a resposta. para a vida boa. Isto é, aonde eu vou encontrar a resposta para o lugar que eu tenho que viver, o ponto de Encaixe com o cosmos. Aonde que eu vou
encontrar a resposta? Ora, se o vento encontra a resposta na natureza de vento, você encontrará a resposta na sua natureza. E a sua natureza é constituída por forças e fraquezas, por talentos e fragilidades, por características que são só suas. E, portanto, você saberá diagnosticar em você aquilo que você tem de melhor. Aquilo que você tem de melhor é um Indicativo de como você deve viver para se encaixar no cosmos. Então, é mais ou menos assim. Vamos imaginar que você tem um extraordinário talento para desenhar. Então, evidentemente, se você recebeu esse talento, né, se você tem
essa habilidade, eh, por você teria essa habilidade, não é? Qual o fundamento dessa habilidade? Essa habilidade é uma espécie de investimento da natureza em você para que você possa devolver em forma de performance excelente e com Isso colaborar com o cosmos, não é? Então, de certa maneira, essas habilidades, esses talentos são indicativos para você do que é que você deveria eh fazer para entrar em harmonia com o cosmos. É, é bem essa a ideia, né? Ah, professor, eu nunca descobri os meus verdadeiros talentos. Não, pessoal, e você é candidato a uma vida medonha, de acordo
com o pensamento grego, né? Você você sabe que a filosofia começa com uma Frase: "Conhece-te a ti mesmo". E para os gregos isso nada tem a ver com psicanálise, nada. Conhece-te a ti mesmo significa identifique as características da tua natureza para se ajustar da maneira mais adequada à ordem cósmica. E nesse momento você dirá, né? E olha, e se você planta planta uma uma muda e aquela muda vai ganhando o corpo, vai ganhando o corpo, vai ganhando o corpo e Se torna uma árvore exuberante. Então você percebe que naquele momento aquela muda viveu uma vida
que vale a pena. E a vida que vale a pena é a exuberância da própria natureza, o pleno desabrochar da própria natureza. Ora, a mesma coisa acontece conosco. A vida que vale a pena é o pleno desabrochar da própria natureza, que eles também chamavam de eudaimonia. Perceba então que a participação no cosmos e o pleno desabrochar da própria Natureza são, na verdade a mesma coisa. Quando você eh busca a perfeição de si mesmo, a excelência de si mesmo, você está em ajuste com a ordem cósmica. E aí você é feliz, porqueudaimonia é em grego felicidade
para nós. Bom, e a planta pode não dar certo, você pode espetar a planta no lugar errado. Por exemplo, o arroz ele precisa de vársia, o cactus precisa de terreno Seco, né? Então é É. Eh, tem que plantar no lugar certo, né? Assim também como descobrir um talento de desenhista numa vida sem lápis e papel? Como descobrir uma um talento de canto numa vida sem música, né? Como descobrir um talento de professor num país sem educação, né? Sem escola, né? Muito difícil. Então, claro, é preciso que eh haja condições para essa descoberta. Portanto, a chance
de você não vingar é Muito grande. A chance de você ser cactus em vársia e arroz em terreno seco é muito grande. E se você não encontra a sua o sua natureza, a chance da excelência é zero, né? E aí você vai viver procurando emprego no jornal, vivendoonde tem lugar, fazendo estágio aonde te aceitam, né? Tal. Por quê? Porque você vai abrir mão de respeitar a sua natureza em proveito das facilidades Da da contingência, né? Assim, ah, tem vaga aqui, é aqui que eu vou ficar, né? Empurra com a barriga, faz mais ou menos, né?
Cheg. Então, eh essa é justamente uma ideia que para os gregos não se sustenta. Pois muito bem, feitas todas essas explicações fantásticas, né, nós temos que subir mais um degrau. E esse degrau é o seguinte, é constatar que a natureza não distribui Não distribui os talentos de maneira muito igual. Lamento, tem gente que não é do ramo. Não adianta, não adianta. O cara é ruim. Quando você vê um jogo de futebol, você rapidamente identifica quando o cara é bom de bola e quando o cara é botucudo mesmo, Caneludo, ruim, ruim, ruim. Quanto a beleza, nossa.
Põe aqui do meu lado Janequini e você verá como a natureza é implacável na hora de distribuir seus recursos. Você ri? Não é como se eu fosse a única vítima dessa má distribuição. Hum. Depois do espelho já não há mais Desculpas. Constate você mesmo. E a inteligência então e eu iria mais longe. Habilidades como essa aqui que eu faço para falar. Tem gente que parece que joga em outra divisão, sabe? Tem a primeira divisão, segunda divisão, terceira divisão, a quarta divisão. E tem e tem a falta de divisão, assim, a a Coisa medonha. A natureza
distribui maus recursos e para enxergar essa má distribuição da natureza, nada melhor do que o classmão ATP, sabe? ATP, Associação dos Tenistas Profissionais, né? Então você já pega o jogo do primeiro, né? Federer contra Nadal. O f, o cara joga, joga fácil, né? A natureza distribui mal os recursos, né? E se você Vale pela excelência, né? Fica muito claro pros gregos que se você é naturalmente desprovido de recursos, você será inferior a quem é naturalmente abastecido de recursos. Não é simples assim. Essa hierarquia natural entre os seres, ela não é só uma hierarquia para homens
ou se você preferir humanos. Então, Imaginemos que o papel de uma vaca no cosmos seja da leite. Uma vaca que dá mais leite colabora mais com o cosmos do que uma vaca que dá menos leite. Então, a vaca que dá mais leite é superior à vaca que dá menos leite. Olha que loucura. E eles chamavam de virtude isso, a atualização dos recursos naturais, né? Atualização no sentido de transformar potência em ato. Por isso, atualização. Claro que tem a ver também com atualidade de presente, de fazer acontecer naquele, mas é também uma questão de ato, né?
É a atualização, né? De certa maneira, eu aqui dando aula estou atualizando uma potência, né, transformando em ato. Então a virtude é a atualização de um talento. Então quando uma vaca dá mais leite, ela é mais virtuosa do que uma vaca que dá menos leite. Eu sei que isso pode ser louco para você, porque você já tem na Palavra virtude uma concepção cristã. E uma vaca, uma vaca não entra na virtude. Mas para os gregos sim. Aristóteles chega a dar o exemplo de um olho virtuoso. É o máximo da esquisitice. E se eu te perguntar
o que é um olho virtuoso? É um olho verde. >> O que é um olho virtuoso? >> É um olho que enxerga bem, porque você entendeu? O que funciona aqui é a finalidade, é a função. O papel do olho É enxergar. O meu olho não é virtuoso. Eu não enxergo nenhuma sem óculos. Eu já tiro que é para não ver nada, né? É. É, é isso. Então, quer dizer, um olho virtuoso é um olho que enxerga. Um olho que não enxerga é uma porcaria de olho. Aliás, Aristóteles chega a dizer isso, né? Quer dizer, alguma
coisa que não cumpre a sua finalidade não é o que é. Um olho que não enxerga não é um olho, porque olho é o que enxerga. Não enxerga Não é um olho. Parece até, mas não é. >> É, não complica. O papel do olho é enxergar, ver mesmo. Olho V. Então, não viu é uma porcaria de olho, né? Um milp, por exemplo, um olho milp não é um olho virtuoso. Um olho astigmata, não é um olho virtuoso. A vaca seca é uma porcaria de vaca, é uma não vaca. Então eu eu acho que você entendeu,
existe uma hierarquia natural entre os Seres, não é só entre os homens, mas é entre tudo. Então, para os gregos, as coisas são superiores umas às outras, inferiores umas às outras. Em função do quê? em função da sua virtude, da sua capacidade de atualizar potências, da sua participação no cosmos e assim por diante. Como se não bastasse isso, né? Você pega lá Neymar, ele tem mais talento do que O outro lá, qualquer outro, do que qualquer outro jogador brasileiro, né? Então você põe do lado, é outro, é outro esporte, né? Então, não só os talentos
eles são quantitativamente mal distribuídos, como também entre os talentos, eles não têm todos a mesma importância. Então, você poderia perguntar: "O que será que é mais importante para fazer o Cosmos funcionar?" driblar bem ou fazer conta rápido. Hum. O que será que é mais importante para fazer o cosmos funcionar? A beleza ou a força e assim por diante? E naturalmente a resposta que importa aqui é uma só. Dentre todos os talentos que o homem possa ter, dentre todos os recursos naturais, o mais importante É a inteligência, uso das faculdades intelectivas, uso da razão. Isso significa
o quê? que se você pegar um indivíduo que pensa muito bem e botar do lado do Neymar, este primeiro é superior ao Neymar. E o Neymar é superior a um jogador pereba. E esse indivíduo que pensa bem é superior ao que canta bem. O que pensa bem é superior ao que corre rápido. O Que pensa bem é superior ao que eh sei lá, ao ao bonito. O que pensa bem é superior. Então, eh acho que você entendeu, existe, digamos, uma hierarquia que é, ao mesmo tempo quantitativa e qualitativa, digamos assim. Então, se você chegasse e
dissesse: "Olha, somos todos iguais, etc. tal". Pois essa afirmação é esquisitíssima para o pensamento grego. Não somos todos Iguais, somos muito diferentes. Por quê? Porque existe uma superioridade de natureza óbvia de uns sobre outros. Mas a coisa não acaba aí, porque esta superioridade de natureza dificilmente refutável para os gregos se traduz automaticamente numa superioridade moral e política. Viu agora como a natureza é fundamento da legitimidade política. Isso significa o quê? O indivíduo que Pensa bem, ele é moralmente mais digno e ele é politicamente superior a quem pensa mal. E quando eu digo politicamente superior, eu
quero dizer o seguinte: ele deve exercer o poder e quem é burro deve se submeter ao poder de quem o exerce. Aí você pensa e diz: "Ah, mas os caras de baixo vão escolher os caras de cima." Não, de jeito nenhum. Não tem essa dos caras de baixo escolher os caras de Cima, porque quem escolhe os caras de cima é a natureza. É a natureza. Então, Aristóteles gastará um bom pedaço das do seu tratado ética anicômaco para justificar a escravidão. A natureza como fundamento da legitimidade do poder político encontra no pensamento grego o seu apogeu.
Vamos imaginar a leitura da República de Platão. E lá você tem a famosa alegoria do navio. E o que diz Platão? Deve dirigir o navio quem pensa bem. O filósofo deve proteger o navio contra os ataques de outros navios. O destemido deve movimentar os remos do navio, o resto. Então, se você levantar a mão e perguntar por é o indivíduo A e não o indivíduo B que detém o timão do navio, Governa o navio? Pois a resposta de Platão, porque é quem pensa melhor. Fundamento de natureza. Fundamento de natureza. Então eu espero ter caminhado até
aqui com essa reflexão e nós vamos dar sequência a ela na próxima aula. Mas eu espero que você tenha entendido o quanto a coisa mudou, não é? Por quê? Porque fundamentalmente assistimos a um descolamento entre a política e a natureza. Enquanto para os gregos a superioridade natural deve ser uma superioridade política. Por quê? Porque a cidade deve ser um microcosmo. A boa cidade é aquela que imita perfeitamente a ordem universal. E na ordem universal você tem superiores E inferiores. O que é que nós diríamos hoje? Diríamos que a natureza distribui maus recursos mesmo, não tem
como negar. Mas que quem vai mandar não tem nada a ver com isso, porque quem vai mandar é uma outra história. Quem vai mandar é é um eh é, digamos, é o resultado de uma deliberação coletiva. É o resultado da inteligência coletiva. Quem vai mandar resulta de um acordo. Então, se você é mais bonito, mais forte, mais inteligente, mais não sei o quê, pinto maior, pinto menor, não sei o qu, teta, não sei do quá, todos os fundamentos que já serviram de legitimação de poder na natureza, pois tudo isso agora é muito simpático, mas eh
quem vai mandar no país é escolhido no sufrágio universal, direto em dois turnos, com representação partidária, blá blá blá blá blá blá bl blá blá blá Ah, agora e se é inteligente, não é Inteligente, se é isso, se é legal. Então, eh eh se você sair passeando por Platão, Aristóteles e pelos gregos, você verá que talvez haja diferença. Certamente há diferença em entender a política. Mas haverá um ponto comum de fundamentação do exercício do poder que é cósmico. E esse era o ponto que eu queria chegar no nosso encontro de hoje. Até porque quando começarmos
a falar do contrato social, quando chegarmos em Robs, em Rousseau, em Montesqu, etc., fica mais fácil entender, digamos, eh, contra que tipo de discurso estarão se manifestando. Então, quando você vai ler, não é, um texto moderno, muitas vezes você encontra ali uma referência direta ou indireta ao Pensamento grego e você não entende por o cara tá insistindo tanto naquilo. Mas é justamente para deixar claro que houve um tempo em que atributos de natureza legitimavam o exercício do poder, mas que hoje o exercício do poder é definido pela inteligência coletiva, pela razão coletiva e, por que
não dizer, pela lei, se você preferir, pela lei. poderíamos nos perguntar aonde é que e Por que razão o nazismo nos agrediu tanto. Pelo menos há muitos de nós, eh, digamos, partidários dos direitos humanos e não sei quê. Por que razão o nazismo nos agrediu tanto? Menos do que a truculência da conduta, ou mais do que a truculência da conduta, afinal de contas, esse negócio de matar gente, bom, não nazistas também capricham. O que nos agride é o fundamento, Porque no fundo você traz para o século XX um discurso entendido como enterrado. Quando você fala
da superioridade da raça ariana, você está querendo ressuscitar um discurso entendido como definitivamente ultrapassado. OK? No nosso último encontro, nós falamos da análise sistêmica. Então eu gostaria hoje de apresentar algumas críticas Comuns à análise sistêmica. Você se lembra que nós tínhamos dito que todo o sistema e o sistema político em particular pressupõe cinco elementos: a caixa preta, os inputs que no caso do sistema político são demandas e apoios, os outputs, que no caso do sistema político são decisões e ações, O gatekeeper que racionaliza os inputs e o feedback que permite uma retroalimentação. Não cabe a
menor dúvida que a dimensão circular do sistema é o seu maior mérito. E quando eu digo mérito, eu digo capacidade que tem essa maneira de pensar, de dar conta de uma certa realidade. Sim, Da mesma maneira que demandas e apoios geram decisões e ações, decisões e ações geram demandas e apoios. Portanto, existe uma relação entre a sociedade civil e o núcleo duro do estado. Existe uma relação de mão dupla. Os movimentos da sociedade civil impactam os poderes do Estado e os movimentos dos os movimentos das Instituições do Estado impactam a sociedade civil. Não há dúvida
que essa constatação ela é rica no seu momento, porque justamente eh o princípio da representação poderia fazer acreditar numa via de mão única. O deputado é meu representante, eu me queixo, ele e ele trabalha para mim. A análise sistêmica permite arejar essa concepção. Um segundo mérito da análise sistêmica é de certa maneira denunciar a corresponsabilidade de todos no bom funcionamento do sistema. Afinal de contas, se imaginarmos um sistema ideal de plena satisfação de demandas em tempo zero, rapidamente percebemos que a eficácia relativa de todo o sistema depende da Participação de agentes que não são só
os profissionais. da política. Quanto mais ágilmente uma sociedade manifesta suas demandas, quanto mais ágilmente suas demandas são classificadas, quanto mais qualitativo for o processo de racionalização das demandas, digamos, mais eficaz será o seu tratamento, mais eficaz será a sua conversão. em decisões e ações. E, portanto, menos Tempo o sistema levará para satisfazer demandas e obter apoios. Somos todos coniventes, copartícipes, corresponsáveis pelo bom funcionamento do sistema. Uma sociedade esgarçada, desorganizada, sem, digamos, eh, canais eficazes de manifestação de suas demandas, é uma sociedade que dificulta sobrema, a atuação específica das instituições eh do Estado. E esse é
um segundo mérito Da análise sistêmica. Um terceiro mérito da análise sistêmica, no caso da política, é ter considerado a existência de apoios ao sistema. Invariavelmente, os estudos em política destacam e, digamos, dão privilégio à insatisfação. E muitas vezes esses estudos ignoram bons segmentos da sociedade que de certa forma mantém com a política uma indiferença de uma indiferença que não é Necessariamente triste. É um tudo bem. Um quarto mérito da análise sistêmica é ter destacado a existência na sociedade de mecanismos reguladores de demandas, de mecanismos racionalizadores de demandas. E o o que é evidentemente eh eh
eh muito esclarecedor, não é, de que eh os poderes do Estado jamais poderão trabalhar bem se eles tiverem que encarar as insatisfações das pessoas em seu estado bruto. E, portanto, quanto melhor el essas essas demandas tiverem sido trabalhadas, mais, digamos, rentável e eficaz será o trabalho das instituições do Estado. Feitas essas observações positivas, não há dúvida que a análise sistêmica parte de premissas no mínimo contestáveis. Comecemos então pela caixa preta. A análise sistêmica parte de uma premissa estranha de que todos os agentes do Estado estão ali para Transformar eficazmente demandas em decisões. parte de uma
premissa de que todos os agentes do Estado estão mesmo a serviço da transformação de demandas em decisões que lhe sejam coerentes. Ora, isso é de uma ingenuidade mecanicista que faz sorrir. Quer dizer você querer comparar com uma máquina e dizer: "Olha, entra alimento, sai Feeses." Aí você compara com outra máquina, entra algodão e plástico e sai cotonete. Então, tudo que tá dentro da caixa preta contribui para juntar plástico com algodão e sair cotonete. Tá tudo ali cumprindo o seu papel para fazer com que isso aconteça. Só que não. Em outras palavras, as pessoas que estão
dentro da caixa preta não têm como única preocupação a transformação de demandas em decisões que lhes sejam coerentes. Subindo um degrau, as pessoas que estão dentro da caixa preta não têm essa preocupação. Por quê? Porque estão preocupadas com suas próprias carreiras. Essa é a preocupação fundamental. estão preocupadas com o seu poder, com a ocupação dos postos de disputa, estão preocupados com os troféus, estão preocupados com que, Então, eu não sei se você percebe, mas eh aquilo que dissemos sobre o campo Político eh desmente a premissa sistêmica de que todos os agentes do Estado estão ali
para atender demanda sociais, reduzindo-as e aumentando apoios, não é? Por quê? Porque a rigor, estão disputando troféus, estão disputando cargos, estão disputando situações de poder, estão disputando e eventualmente se para conseguir o que querem tiverem que satisfazer demandas, talvez até façam. Mas a conversão de demandas em decisões É um instrumento que serve para que alcancem aquilo que efetivamente pretendem. Portanto, existe uma presunção de funcionalidade que compararia o homem a peças de uma máquina, coisa que os gregos já tinham feito com o cosmos, mas que sabemos não é bem assim. Os homens são desejantes, apetentes, ambiciosos,
interessados e ninguém passa 40 anos transformando demanda em decisão. O que você faz é buscar posições cômodas para você. entendeu essa crítica? Não. Eu fiz uma pergunta. Imagina, né? Você tem lá a caixa preta, tá lá o parlamento. Você imaginar que todo mundo no parlamento tá esperando chegar demanda para transformar em decisão, é no mínimo nunca ter ido lá. A maior prova disso é que grandes demandas sociais nunca foram Transformadas em decisões no mesmo sentido. >> Eu tô falando de qualquer lugar. Lógico. Você imagina, por exemplo, que as da na época da constituinte, sabe qual
era a mais importante reivindicação? A mais importante reivindicação era pena de morte. Como você deve imaginar, tem algum problema no sistema. entra a demanda, mas não vira a decisão. Acreditar que as instâncias decisórias sejam um artefato mecânico que converte demanda em decisão. é de fato reduzir os agentes do Estado a meros técnicos normativos, ou seja, chega uma demanda, a demanda entra na caixa preta e aí é uma questão de colocá-la numa espécie de linha de produção, aonde essa demanda seria Progressivamente traduzida em norma, seja norma de execução limitada, de eficácia limitada, como a realização de
um projeto, seja norma de eficácia plena, sem uma limitação eh eh no tempo. Como nós sabemos, os agentes do poder executivo, os agentes do poder legislativo, as agentes do poder judiciário, tes preocupações que vão além dessa Transformação. e preocupações essas que tem primazia em relação a essa transformação. Então eu dava o exemplo da pena de morte. Ora, se a análise sistêmica desce conta da complexidade do mundo, você tem a mais solicitada das demandas. A pena de morte cai dentro da caixa preta, É uma questão de elaborar eh e já chega no momento da construção, sai
da constituição eh os casos em que a pena de morte deve ser aplicada decisão em forma de texto constitucional. Só que não. Nós poderíamos então dizer que a análise sistêmica que veio da biologia, que veio da mecânica, parte de premissas adequadas à biologia e à mecânica, mas que são inadequadas Ao comportamento social dos indivíduos. Porque se um intestino é uma bomba de circulação de alimentos dentro do corpo e de absorção de ingredientes, etc., eh, portanto, um uma espécie de artefato biomecânico que funciona dado certas condições, pois uma pessoa não se compara a um intestino. que
se o intestino tem como única Preocupação excluir aquilo, expulsar o que sobrou, pois uma pessoa não não assim, se você não imagina o estômago saindo de porrada com intestino, porque o estômago que é uma coisa, intestino que é outra, de fato eles são funcionalmente complementares, pois eh o PT, o PMDB, o PP, etc. e tal, não parecem funcionar como o estômago e o intestino. Por quê? Porque tem interesses próprios, Interesses pessoais, interesses, etc., que vão muito além das demandas sociais, mas muito além das demandas sociais. Então, na hora que você reduz a política ao sistema
político, você retira dos profissionais da política o seu apetite, a sua libido, o seu verdadeiro objeto de disputa, os seus troféus, a sua a sua luta pessoal pelo poder. Ficou claro isso ou não? Então você imagina que entra uma Demanda, pena de morte favorável e sai uma decisão, pena de morte contra. Não, por quê? Porque a caixa preta tem uma soberania. em relação aos inputs, o que é completamente impensável no caso dos sistemas mecânicos, mas que é completamente verdadeiro no caso dos sistemas sociais, pode entrar o input que for. Então, eu não sei se você
percebe, mas vamos imaginar que eu fizesse uma Pergunta, eh, comente semelhanças e diferenças do conceito de campo político e do conceito de sistema político. Se o campo político é relativamente autônomo em relação aos outros campos sociais, a caixa preta do sistema político é completamente submetida ao resto da sociedade, como se o agente político fosse desprovido de vontade. Então, qual é o problema da análise sistêmica? a sua excessiva mecanização normal para um conceito que veio da mecânica, ó, deve funcionar bem com máquinas, mas de certa maneira a análise sistêmica faz ignorar os conflitos ideológicos que permeiam
toda a instância decisória política. conflitos ideológicos e conflitos de poder. Imagine o estômago tendo que corromper o Intestino para que ele funcione. Imagine o estômago tendo que dar propina ao intestino para que ele possa trabalhar numa velocidade que seja compatível, pois sabemos que nas relações executivo, legislativo Talvez o que menos importe seja a conversão rápida de demandas indecisões. Como você já deve ter percebido, se o governo enfraquece o parlamento quer o governo, o parlamento Obstrui. Não voto nenhuma. E você fica do lado de fora torcendo. Nossa, vamos fazer do nosso sistema político um sistema eficaz.
Vamos diminuir os intervalos de tempo, né? Intervalo de tempo para demanda sair. Intervalo de tempo para racionalizar o intervalo de tempo para transformar o intervalo de tempo tomar decisão. O intervalo de tempo para satisfazer as demandas, diminuir as demandas, obter apoios. E com isso tem um sistema a só Você tá pensando nisso, cara. Porque lá dentro, dentro não. E quando dizem estar pensando nisso, é para colocar o pedidão público a seu favor para pressionar algum eventual adversário. Porque aqueles mesmos que são os arutos da eficácia, quando não interessa, acabam amarrando todo o processo. Então, eh
acho que essa aí é uma crítica forte, interessante E poderíamos fazer uma segunda antes de ir embora, que tem a ver com os gatekeepers institucionais. Eu não sei se você se lembra, mas tínhamos dado o exemplo do sindicato, uma espécie de elemento classificador, racionalizador de demandas. Você dizendo desse jeito, o que que você faz pensar, né, que todo o sindicato tá ali esperando que a sociedade chegue até Ele? ouvindo reclamações caoticamente de manifestas na sociedade e num complicado mecanismo de aglutinação, de separação, de catação, de coisa, eh desovando projetos racionalizadores de toda essa demanda caótica
e endereçando ao sistema político, etc. Então não acontece assim, lamento. É bem bacana, Né? Talvez com o sistema enchet de imigrantes funcione, talvez com o sistema nervoso funcione. Mas eu sou professor há 30 anos. Nesses 30 anos, eu fui filiado pelo menos a dois sindicatos importantes. O sindicato dos professores chamado de Simpro, né? Cuja sede fica ali na rua Borges Lagoa, na Vila Mariana, né? Eu sei porque eu já Fui demitido várias vezes e é lá que eles fazem a homologação das decisões. E agora aqui a Associação dos Docentes da USP, a ADUSP. Pois muito
bem, nos últimos 30 anos eu não me lembro de ter sido consultado para nenhum tipo de nada. Não, não existe isso, né? Pelo contrário, eh, quando as chapas se candidatam, elas mandam os programas. Então, há uma óbvia inversão. Quer Dizer, o sindicato não é um racionalizador de demandas pré-existentes. É ele que me informa quais são as bandeiras da categoria. Eu fico sabendo das bandeiras da categoria porque ele manda a cartinha. Então, eu não sei se você percebeu, mas a iniciativa, né, quando você diz essas são as bandeiras da categoria, não, essas são as bandeiras que
eu disse serem as bandeiras da categoria. Aliás, que fique claro, esse mesmo, essa mesma operação é realizada pelos profissionais da política quando se candidatam. Eu venho aqui falar em nome dos aposentados que querem isso, querem aquilo, querem não sei quê. E o aposentado que tá sozinho na sua casa e que provavelmente não tem nenhuma participação de grupo com outros aposentados, fica sabendo do que querem os aposentados por intermédio do candidato. Quer dizer, é o candidato que Informa o que ele quer. Portanto, existe uma construção do eleitorado através de uma construção das demandas do eleitorado. Você
entendeu? A iniciativa é minha. As prostitutas de São Paulo querem, os taxistas querem isso, isso, isso, isso. Quem falou? Eu estou falando. É bem verdade que a partir daí podem até passar a querer, mas sou eu que vou dar unidade a alguma coisa que é dispersa, que não tem unidade nenhuma, que tá Completamente fragmentada no mundo? Portanto, existe um trabalho de reificação da vontade coletiva. E reificação quer dizer coisificação da vontade coletiva. Quer dizer, eu pego interesses e apetites completamente caóticos no mundo e o que que eu faço? Eu dou a eles uma aparência de
coerência, uma aparência de unidade, uma aparência de racionalidade. Ficou claro isso? Pois não, senhor. Eh, se há algum Descolamento entre eh a vontade do agente jurídico e as vontades coletivas, as demandas coletivas, não haja um problema de legitimidade no meu caso, eh, se é que que chega às demandas a essa informação? É, não é eh eh é é o que eu te digo. Alguma satisfação deve haver sob pena de haver um divórcio completo. Que fique claro situação da qual nós nos aproximamos Muito claramente assim. Ou você é capaz de identificar alguma decisão política que tenha
diretamente a ver com alguma angústia pessoal sua. Faço esse desafio. Então, perceba, eh, no final das contas, as pessoas estão o tempo inteiro dizendo que estão falando em nome da sociedade e a sociedade não é só você que não tá entendendo como ninguém me consultou, na verdade é ninguém tá entendendo, ninguém foi consultado, né? O trabalho é um Trabalho de construção. Existe uma inversão mesmo desse processo. O princípio da representação parte da premissa de que primeiro a sociedade se manifesta, aí eu pego, junto, junto, junto, organizo, organizo, organizo e aí vou transformar. A ordem é
inversa. A sociedade continua lá e sua vontade é caótica. E diante dessa vontade caótica, eu darei, eu emprestarei à sociedade uma vontade com vistas a atender os meus Interesses. Eu oferecerei à vontade, à sociedade, um certo, uma certa pretensão e a partir daí eu vou me apresentar para satisfazer. Então, o profissional da política, ele não é segundo no processo, ele é primeiro no processo. É ele que toma a iniciativa. Você imagina que na campanha contra o color, quando o cara ia manifestar, ele já recebia bandeirinha plástica, ele já recebia kit, né, kit Manifestação, eh eh
tinta verde amarelo, tava tudo pronto. É uma indústria. Eu pergunto: "Ah, foi isso aí é manifestação desorganizada da sociedade?" Não, isso aí é profissional da política instrumentalizando a sociedade no sentido de obter o que quer. Não é que não haja na sociedade descontentamento, há muito, mas o profissional da política é o agente capaz de canalizar esse descontentamento Eh numa direção política que lhe é conveniente. Então, o agente sindical não é um passivo organizador de demandas. O agente sindical, como você já deve ter percebido pela história do país, ele tem interesses, ele tem pretensões, ele tem
ambições, inclusive fora do sindicato, e, portanto, ele agirá sobre o mundo em função dos seus interesses. Então, de novo, né, a análise sistêmica, ela deslibidiniza As pessoas, elas submetem as pessoas a uma espécie de lógica funcional da qual elas seriam uma parte que estão ali exclusivamente para fazer funcionar um todo. Tanto no caso da caixa preta quanto no caso dos gatekeepers, a análise sistêmica reduz a atuação do homem. a uma mecanicidade funcional e sabemos, não é bem isso. Muito bem. Eh, a última crítica à análise sistêmica É que, por definição, ela elimina o conflito. O
estômago é amigo do intestino. O neurônio é amigo da medula raquidiana. Eles trabalham de mãos dadas. O que um não faz, o outro faz. Mas a Dilma não é amiga do Renan. E isso faz toda a diferença, porque um quer o outro. A análise sistêmica, ao garantir que todas as condutas são regidas Pela preocupação funcional, ela elimina do cardápio o amor e o ódio. Sabe aquela coisa, agora eu vou ferrar com esse cara. E quem elimina do cardápio o amor e o ódio, por exemplo, por exemplo, você entender a ECA como um sistema é desconsiderar
o desapreço dos professores uns em relação aos outros. É desconsiderar a guerra que existe aqui dentro. Você per na análise sistêmica Não tá previsto isso, porque temos de estar todos juntos com uma única preocupação, transformar caloro em bom profissional. O senhor faz até rir, velho. Acho que é a única coisa que não entra na na discussão. Por quê? Porque academia é um espaço de gente vaidosa, que ou já tem muito dinheiro ou já perdeu a esperança de ganhar muito dinheiro. E, portanto, tem no ego a sua única chance de sobrevivência, sabe? De amor próprio, de
coisa, né? Assim, tipo de se achar inteligente e tal. E aqui essa coisa de se achar inteligente passa por títulos, passa por cargos, passa por eh por eh reverências acadêmicas, passa por homenagens, passa por, né? E cada coisa dessa é pelejada. Cada coisa dessa é pelejada. Fulano de Tal vai ser homenageado na faculdade tal. Vixe, tem 10 metendo pau. Vai homenagear. Isso é um Então, gasta-se uma energia imensa. Se vai homenagear, não vai homenagear, não sei quê. Vitória de uns, derrota de outros. E a transformação de calor improvisional, né? Agora vamos ver outro problema. Agora
vamos ver quem é que vai ser candidato a livre docente vai entrar esse, não vai entrar esse, Entrar esse. O que que isso tem a ver com a transformação de Nada a ver. Agora vamos disputar não sei qu se a ECA vai pro prédio da frente ou vai ficar aqui. O que nada, nada, o que importa, nada tem a ver com a funcionalidade eh prevista pela análise sistêmica. Nada a ver. Nada a ver. Então, qual é a crítica final? A análise sistêmica, poderíamos dizer que deforma, mas se você acha muito forte o termo, A análise
sistêmica simplifica excessivamente a realidade ideológica interessada e conflituosa da vida política dos seus profissionais. Ficou claro?