Esse é um filme que decide se perguntar no caso de um criminoso considerado louco que consciência e que responsabilidade ele pode ter sobre os seus atos e o que que a gente pode fazer com ele enquanto [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] sociedade Oi sou Bruno Carmelo hoje eu vem falar sobre o filme Coringa deliro A2 estrelado pelo joaquin Phoenix e pela Lady Gaga e novamente com direção do Todd Philips antes rapidinho Segue o canal aqui em cima ativa as notificações para não perder nenhum vídeo novo nessa Trama o Arthur Flag tá preso por causa de todos
os crimes que ele cometeu na história original e agora ele é levado a tribunal ele tá no momento muito apático muito domesticado pelos remédios que ele toma não manifesta nenhum gesto de violência até ele encontrar uma namorada ali que o encoraja a ser o coringa novamente a parar de tomar remédios a resgatar aquele sujeito que deixou Multidões loucas Então se o primeiro filme se situava no presente a gente acompanhava todos os crimes cometidos pelo Arthur um por um agora a gente está essencialmente voltado ao passado é momento em que cada uma daquelas cenas vai ser
julgada Então se anterior analisava de que maneira surgiam esses ícones fascistas o segundo filme questiona como reagir a eles social cultural e juridicamente o começo é excelente a gente parte de uma animação com os traços mais antigos de Décadas atrás um 2D à mão para mostrar o coringa brigando com a sua própria sombra ela se dissocia do corpo dele e de repente quem começa a praticar vários crimes é a sombra não o coringa essa obviamente é uma metáfora pro Estado de Espírito dele para essa dissociação dele e também justifica o o título porque a gente
começa falando sobre um Delírio a dois essa ideia de duplicidade não em relação à personagem da lequina mas do Artur com o coringa dele consigo mesmo e essa dicotomia atravessa a narrativa inteira advogada sustenta a tese de quem realmente cometeu os crimes antes foi o coringa não o Arthur mas o filme nunca se presta a responder se ele realmente compreende ou não tudo que ele fez ele nem vilanizar ser punido exemplarmente nem diz que ele é um pobre coitado apenas uma vítima de um lar fragmentado de uma falta de amor e que Portanto ele deveria
ser desculpado existem argumentos nesses dois lados e muitos outros entre eles o jockin Phoenix mais uma vez tá muito bem no papel a gente pode ter alguns problemas com ele ele tem demonstrado cada vez mais ser um tanto irresponsável com as filmagens mas retirando essas circunstâncias Extra filme A gente pode falar que o que ele apresenta em Delírio A2 é muito eficiente é um trabalho riquíssimo de composição de voz tem um momento no tribunal em que ele vai Trocando sotaques em Ton ações trabalhos de corpo ao longo de uma única cena é muito bom e
ele deixa Claro pro espectador que o Artur reconhece cada um dos crimes que ele cometeu a seis mortes cometidas por ele mas que ele também não demonstraria um tipo de arrependimento e que ele também sim sofre muito Por todo buling toda perseguição que ele teve e que ele gostaria de ter mais amor e mais acolhimento essas duas coisas podem parecer muito incompatíveis caminham lado a lado ao longo de toda a produção Então nesse roteiro ele se deixa levar pela influência de duas mulheres muito importantes na história que representam um ideal de vida afetiva e familiar
que ele sempre sonhou em ter advogada interpretada pela Katherine kinner é uma espécie de figura materna muito clara que cuida dele que parece se importar com ele de fato e que passa a mão de maneira bastante condescendente dizendo que realmente não é culpa dele que ele só tem que mostrar quem ele é en chave oposta a namorada ali diz que não que ele tá muito bem do jeito que ele é e que ele inclusive precisa resgatar o Coringa Porque esse seria o verdadeiro ele tem uma cena em que ela chega com uma caixa de maquiagens
falando que ela quer ver quem ele realmente é Então esse é mais um confronto na cabeça de personagem muito frágil psicologicamente porque ele começa a achar que ele precisa resgatar o coringa para ser alguém de novo em sociedade então ele é o mesmo tempo muito agressivo mas também muito infantil Ele tá num julgamento que pode determinar a pena de morte dele mas ele só se preocupa em saber se a namorada pode sentar mais perto de onde ele tá isso porque sujeito depressivo que tem tendências Suicidas assumidas precisa sentir que ele é amado inclusive pela multidão
lá fora Ele não gosta muito dele mesmo mas enquanto os outros devolverem alguma forma de apreciação ele sem que ele também pode se tolerar ele só tem alguma validação inclusive aos seus próprios olhos mediante aprovação externa ele é um objeto perfeito pra gente discutir hoje essa cultura do espetáculo e das redes sociais nesse sentido é muito interessante que Coringa Delírio A2 seja um drama um suspense um romance Claro um musical também mas especialmente que ele seja um filme de tribunal esses dois últimos acréscimos em relação ao Coringa original são fundamentais na sequência porque proporcionam experiências
quase Opostas aos personagens e ao espectador o musical é esse gênero do escapist da realidade quando as pessoas de repente podem levantar e sair cantando e dançando onde elas estiverem enquanto o tribunal é o julgamento dos fatos do real da lei é algo que traz ess personagens sonhadores e dançantes de volta à realidade o musical é particularmente adequado para um personagem delirante porque nesses instantes ele pode imaginar tudo aquilo que ele gostaria de fazer mas não consegue ou não pode fazer de fato Então se no primeiro filme A gente tinha muitas cenas de violência concretas
dessa vez a maior parte da violência se passa na cabeça do Arthur é por isso que a maioria das mortes e agressões se desenvolve ao longo dos números musicais E aí entra uma ironia de colocar essencialmente músicas de amor de sonho de aprovação enquanto estão acontecendo alguns gestos muito sanguinários à nossa frente já o filme de tribunal permite confrontar esse herói ou esse anti-herói a responsabilidade pelos seus atos de maneira muito esperta ele faz com que a gente se posicione junto aos jurados Nós Somos convidados a analisar a julgar se ele é culpado se ele
é inocente se ele deveria ir à prisão perpétua ou não se ele deveria ter intern numa clínica psiquiátrica embora a gente obviamente esteja em personagens adaptados da DC algo que me veio muito à mente assistindo esse filme foi uma dupla de livros Ensaio Sobre a Cegueira e ensaio sobre a Lucidez do Saramago eles têm em comum o fato de que no Ensaio Sobre a Cegueira a gente tinha uma circunstância muito excepcional acontecendo ali ao vivo diante dos nossos olhos e uma figura de exceção e o segundo livro era basicamente todo um grande tribunal um julgamento
Moral Entre a adoração e o linchamento sobre o que essa pessoa poderia ou deveria ter feito Coringa e Coringa Delírio A2 se lembram bastante essa dicotomia do Ensaio Sobre a Cegueira ensaio sobre a Lucidez aliás ensaio sobre a Lucidez seria um título muito bonito também para pensar nesse Coringa e entre essas várias dicotomias que a gente tem no segundo filme é claro que a personagem da Lady Gaga é muito importante várias pessoas estão reclamando que ela não tem tanto tempo de tela assim que ela é uma mera coadjuvante e de fato ela é uma coadjuvante
o filme ainda se chama Coringa e não Coringa e Arlequina é claro que todo marketing Vai forçar bastante a presença da Lady Gaga porque ela é alguém que pode trazer espectadores para de cinema mas esse é um filme do Arthur do joaquin Phoenix mesmo assim ali é fundamental isso porque esse romance vai despertar algun sentimentos adormecidos além disso eles são opostos que se atraem enquanto o Arthur é pobre teve pouca educação e é muito frágil emocionalmente essa é uma mulher rica que se interna voluntariamente que fez estudos em Psiquiatria e que tem muito talento Pra
manipulação e pra mitomania a gente tá falando da derrocada de um personagem graças a um relacionamento abusivo e tóxico e é muito bom ver a lei de Gaga melhor do que ela tava nos filmes anteriores ela não tá tão afetada ela não tem aquele trabalho meio Espetacular meio sensacionalista de composição Men se ela falava que recebia o espírito da personagem que ficava bêbada com água que ela tomava no set toda essa forçação de barra para ser indicada o osca para ser mais visível na mídia ela reduziu e o Todd Phillips espertíssimo deixa ela atuar com
a voz dela cantar do jeito que ela cantaria ela ter um corte de cabelo parecido com o dela o sotaque que é dela isso aproxima essa figura de uma Lady gag que sempre se apresentou desde o começo da fama como uma personagem meio louca o próprio nome Lady Gaga vem disso Além disso ela não é a Arlequina de imediato a transformação dela é muito calma muito progressiva aos poucos ela vai se tornando um pouco mais radical na ideologia da violência que ela propaga que ela encoraja no arur e ela vai incorporando uma maquiagem discreta ali
um cabelo aqui até se tornar a lequina que a gente conhece e algo parecido vai acontecer com o próprio Coringa Porque o Arto demora muito a se reconectar com essa figura e aos poucos ele vai ter um pequeno traço de maquiagem uma maquiagem um pouco mais completa as roupas que ele costumava usar até a gente voltar a enxergar de novo aquele vilão e as cenas musicais venham despertando muita curiosidade porque tem um lado da produção que não quer assumir que ela é realmente um musical porque isso parece frear parte dos espectadores mas sim é um
filme musical com muitas cenas de canto e algumas de dança também para acompanhar e a gente pode se questionar sobre a escolha dessas canções músicas como smile deaths Entertainment e várias outras letras que lidam com sorria seja feliz músicas sobre palhaços músicas sobre o mundo do entretenimento voltam aqui de maneira um tanto óbvia mas também eficaz pra representação psicológica dele o mais interessante é que o diretor brinca entre aquelas cenas musicais que ocorrem apenas na cabeça do personagem e aquelas que acontecem de fato o próprio espectador começa a se questionar se aquilo que a gente
vê à nossa frente também ocorre PR os outros personagens ao redor ou se é apenas um Delírio um devaneio esteticamente coringa Delírio A2 é lindíssimo de ver esse já era um traço do filme original um cuidado muito grande com enquadramentos com luz com movimento de câmera um trabalho de som Fundamental e a gente volta a encontrar isso aqui na sequência em especial as cenas em que o Arthur tá andando na cadeia nos corredores da prisão ou ali no pátio são muito muito bem pensadas para valorizar a solidão dele tem momento em que ele é jogado
numa solitária e a única luz que ilumina o rosto do personagem vem daquela pequena janelinha na porta que bate exatamente nos olhos dele tem uma cena de reportagem à televisão quando a luz se transforma durante o plano é tudo muito bonito e muito bem pensado de uma maneira bastante criativa ele é um desses raríssimos filmes que consegue fazer a ponte entre esse cinema comercial mais pipoca e um cinema de grande procura e apuro estético o final também é bastante corajoso por frustrar algumas das nossas expectativas não vou falar nada aqui não vai ter spoiler eu
digo apenas que uma cena muito importante acontece apenas PR os olhos do espectador esse personagem que sempre quis existir publicamente vai ter que se contentar no final dessa história pelo menos com algo muito grandioso que acontece apenas para nós enquanto voyers ou fetichistas admirando aquilo solitariamente e aí o Philips coloca o público na posição dessa Horda de fãs gritando e nos questiona se a gente adere a ele ou não se a gente sente pena por ele ou não se nós somos condescendentes com tudo que essa figura faz e sofre ao longo dessa história será que
a gente tá se divertindo com a figura de um monstro ou que a gente tá explorando uma vítima da sociedade tudo isso é pautado de maneira muito eficaz a meu ver pelo filme assim em dois filmes essas Saga Coringa acaba se tornando um dos estudos psicológicos mais complexos que eu vi recentemente no cinema comercial isso também vale pros personagens coadjuvantes como advogada e um carcereiro interpretado muito bem pelo Brandon gisson ele é um ótimo estudo sobre essa Cultura em Céu essa cultura Red peel sobre esse homem que sonha em ser viril potente Amado em ter
uma mulher mas não consegue desempenhar nenhuma dessas funções muito bem o segundo filme inclusive Deixa claro que o Arto não sabe transar então a melhor defesa dele contra ridicularização constante que ele tem é o contra-ataque em tempos de Ascensão da Extrema direita quando a gente tem cada vez mais Ídolos ou representantes políticos candidatos que são violentos que estimulam a agressão a figura do Coringa se torna muito interessante enquanto objeto de estudo pra gente se questionar essas pessoas cultuadas justamente porque fogem das normas porque transmitem uma impressão de liberdade de fazer apenas o que elas querem
quando elas querem sem dar satisfação para ninguém é uma espécie de culto a irresponsabilidade a gente tem a impressão de estar vivendo numa sociedade cheia de norm que tole os nossos desejos que não deixa a gente comprar o que a gente quer transar quando a gente quer ter a família que a gente quer o trabalho que a gente quer então a revolta seriam pessoas como Coringa capazes de Matar Um desafeto em rede nacional e esse ideal muitas vezes chamado erroneamente de liberdade de expressão pela extrema direita parece Irresistível para esses jovens rejeitados e emasculados em
última instância a gente tá falando do empoderamento daquelas pessoas sem dinheiro sem relacionamento familiar sem relacionamento afetivo através da mídia através do espetáculo Esses garotos norte-americanos que entram nas escolas atirando antes de cometerem suicídio querem ser conhecidos eles querem entrar pra história querem que o nome deles seja visto e o coringa toca nessas feridas muito norte-americanas em particular mas patriarcais de modo geral que a gente raramente discute ele é muito contemporâneo ao situar o espectador como jurado de uma Trama sobre masculinidades fracassadas é isso eu fico por aqui hoje me diz se gostou do primeiro
Coringa se vai ver ou já viu o segundo coloca aqui seus comentários Segue o canal do me amargo aqui em cima também me acompanha nas redes @me amarg Cine e no site meam margo.com onde eu publico críticas diariamente até a próxima