Amiga, você sabia que uma das principais vozes judias contra o massacre da Palestina pela libertação desse povo era de uma teórica de gênero proletária, foi faxineira, lésbica, sapatona, trans? Sabia! Ah.
Não adianta. Olá! Pervertidinhes!
Sejam muito bem vindos, bem vindas, bem vindes ao meu, ao seu, ao nosso, a todo esse Mulheres F0d4. O nosso quadro preferido. Bom, vamos lá então, Ritinha, conta mais pra gente sobre a Mulheres F0d4 de hoje.
Moçada a mulher foda de hoje é militante comunista e ativista pela libertação da Palestina. É uma importantíssima teórica de gênero e romancista. A mulher foda de hoje ser eternizou como um ícone do movimento lésbico e do movimento trans.
A Mulheres F0d4 de hoje é Leslie Feinberg Na tela. Vem! Bom Ritinha, vamos falar então mais esse ícone que eu amei conhecer e que eu fiquei indignada por não ter conhecido antes.
Nós que já falamos tanto de Stonewall, dos movimentos trans LGBTQIA+ nos Estados Unidos, tudo isso como que a gente ainda não tinha chegado no nome da Leslie, sendo que ela é uma ativista militante que viveu para isso? Eu fiquei em choque. Você não ficou?
Não, o meu, o cair da bunda em português bem claro. Desculpem meu francês. É que nos estudos de gênero a gente não passa necessária de ser, só chega nela se você for pelos meandros da coisa.
E talvez se você for fazer essa pesquisa pela linha das lésbicas, butch e trans masculinos. Eu só cheguei nela por causa da militância marxista leninista dos Estados. Ou seja, nem foi pela luta dentro dos estudos de gênero.
Não, não foi não. Olha aqui gente, vocês vão ficar passadas também com a história dessa Mulher F0d4. Então vamos começar assim né, por que a gente achou importante que ela fosse a Mulher F0d4 deste mês.
A gente vai concluir 2024. Faz dez anos que Leslie nos deixou. Sempre que eu for tentar agora falar de Leslie, eu não vou falar da e vou tentar não usar ela, porque para você entender, a Leslie foi uma pessoa que fez transição ao longo da sua vida, mas que depois da transição continuava se identificando como Butch e Dyke Palavras que a gente não tem em português, mas que é tipo sapa caminhoneira, que é um tipo de sapatão muito masculina que transita nessa zona que, sei lá, a partir dos anos 90 a gente tinha um nome para isso, que era trans masculinidade, mas que antes não tinha esse nome.
Era isso que eu ia comentar, que é difícil de definir Leslie porque, bom, vamos voltar só um pouquinho para vocês terem uma noção de tempo e espaço, né? Leslie nasceu nos Estados Unidos, em Kansas City, no Missouri, em 1949. Só para vocês terem uma base, Stonewall aconteceu em 69, então ela tinha 20 anos.
Então a Leslie e viveu todo esse movimento Pré Stonewall e o pós também, porque ela falece só em 2014, então ela está participando de todos esses movimentos. Porém, como a Rita falou, quando Leslie está ali na sua adolescência juventude, começa a se entender uma pessoa que transgride as barreiras de gênero ainda não existem, não estão calcadas as palavras que definem essas vivências e essas identidades. Tanto que tem algumas entrevistas em que Leslie se denomina, às vezes usa pronomes femininos.
Tem uma entrevista dela na Joan, um programa da Joan Rivers também, em que ela fala sobre isso, sobre a transgeneridade na verdade, ser qualquer transgressão das normas de gênero e não a transgeneridade, como a gente entende hoje. Ela escreve um livro sobre isso, mas a gente vai chegar lá. Enfim.
Então, só pra entender que a nossa definição se hoje falamos de Leslie de um jeito, quando Leslie estava militando e sendo uma ativista e vivendo a sua transição, essas palavras eram outras, essas definições eram um pouquinho menos claras. Tem um termo em francês que a gente usa meio na academia, que chama avant la lettre, que é tipo, antes do termo, um expressionista avant la lettre é um expressionista antes de haver o expressionismo. A Leslie é um boyceta, avant la lettre, é uma pessoa trans masculina avant la lettre, porque a gente ainda não tinha os conceitos quando Leslie estava vivendo essa realidade.
Ela não é a única. Exato. Storme Delarveire, que é um dos nomes fundamentais da revolta de Stonewall.
Era uma pessoa trans masculina e a gente quebra a cabeça para tentar falar dessa pessoa naquele contexto. Não é só isso. A gente vai passar por isso, vai passar pela escrita dela, vai passar pelo ativismo.
Mas nós estamos em 2024, há mais de um ano do genocídio que Israel está fazendo com a Palestina. Enquanto a gente grava esse vídeo, o norte de Gaza está sendo dizimado, bombardeado e a gente já tem sei lá quantas declarações, resoluções da ONU dizendo que Israel está deliberadamente matando as pessoas em Gaza de fome faz mais de um ano. Então o genocídio contra Gaza se estende há mais de um ano e a Leslie foi uma pessoa LGBT que a vida inteira lutou contra uma coisa que hoje a gente tem termo, lá a gente não tinha que era pink washing, ou seja, Israel está certa, porque em Israel mulheres têm vidas que e na Palestina elas não têm.
Israel está certa, porque Israel pessoas LGBT têm vidas e na Palestina não tem. Primeira coisa que você precisa saber é assim Isso é um absurdo do mais absurdo possível. A gente vai fazer um desenrolar quando chegar nessa parte da militância, mas aqui basicão.
Você tinha bar com show de drag em Gaza antes de Israel começar a destruir tudo e matar todo mundo. Então, essa ideia de que Gaza é o Hamas é uma loucura. Seria como pensar que judeu é o Netanyahu.
Quando você tem ao redor do planeta hordas de judeus. A Leslie é um exemplo que se levantaram pela libertação da Palestina para que a Palestina pudesse se constituir como um Estado independente e houvesse, claro, uma partilha de todos os recursos e terras dos quais Israel se apropriou inapropriadamente ao longo do século XX. A gente fez um vídeo.
Eu, a gente porque a Mari é da equipe, a Isa. Mas aí eu fiz um vídeo sobre, apenas sobre isso chamado Pensamentos de Paz durante um genocídio, que é o título do artigo que eu escrevi para o livro da Editora Elefante, que a Roxelly está pondo aqui, Gaza no Coração, que eu discuto a nossa tarefa para lutar contra esse genocídio em vários campos, por exemplo, como comunicadores, intelectuais, etc, etc. Inclusive a Leslie participava ativamente dessa luta pelo direito à terra e autodeterminação palestina.
Ela ia em passeatas, em movimentos em marchas. Foi inclusive em uma dessas marchas, quando ela tinha 20 e poucos anos, que ela conheceu os membros do Partido Mundial de Trabalhadores e ela começa a se filiar e a se juntar mais ainda com a luta da classe operária. E o que é muito louco também é que as pesquisas sobre ela também dizem que o fato dela ser judia, dela ter raízes judaicas foi o que aproximou ela dessa luta contra a opressão, opressões diversas e a interseccionalidade, que é uma luta muito forte dela.
É um tema muito forte das escritas e de todo o movimento ativista dela. É a luta interseccional. Então ela sempre afirma que não existe a luta pró Palestina, sem a luta LGBT, sem a luta da liberação das mulheres, sem o antirracismo.
Isso é muito, está muito permeado nas falas, nas escritas, nos projetos da Leslie. E aí eu fico pensando é muito louco pensar que ela, com raízes judaicas, que foi o que fez com que ela se aproximasse dessa luta contra a opressão e entendesse a questão da Palestina como uma luta importante dentro desse tipo de opressões. E hoje a gente está vivendo isso, sabe?
Israel fazendo um genocídio, querendo sumir do mapa com os palestinos. Então não sei, isso pra mim ficou muito rodando na minha cabeça. Como para algumas pessoas isso bate de uma forma e para outras não.
Tem uma coisa que é a experiência da diáspora judaica vai constituir um ethos cultural de alteridade radical. Então, de quando é a primeira bula papa que impedem os judeus de terem terra na Europa? Então você tem uma longa tradição de judeus sendo tratados como lixo e escória.
Sim. Pontuo isso em sala de aula. O Zé Paulo Neto faz isso na biografia dele, que ele escreve sobre o Marx.
O apelido do Marx quando criança era moro, que significa preto, porque ele era judeu de uma família, judeu seculares que estão cagando para Deus, que racialmente são judeus na Alemanha. Ou seja, quando as outras crianças loiras dos olhos azuis olhavam para ele, via uma criança morena de olho preto, cabelo preto, sobrancelha e ele era tratado como um preto na Alemanha do 1800. Então tem uma tem uma experiência judaica, que é essa de alteridade radical, chique.
Agora, é quando ela conhece o Partido Mundial dos Trabalhadores, que é um partido marxista leninista, ou seja, esquerda raiz nos Estados Unidos, que ela começa a ligar os fios das opressões. Na história dos Estados Unidos eu acho que você tem, sei lá, 20 e tantos nomes. Daria para ir listando aqui de pessoas que em vida tentaram construir uma teoria socialista, LGBT.
Sherry Wolf tem esse livro Socialismo e libertdade. Maravilhoso. Que a gente abusou demais nas aulas.
Já muito. E você tem Leslie que passou décadas escrevendo tanto livros quanto artigos. No jornal do partido, por exemplo, ela tinha uma coluna que chamava lavanda e vermelho lavander and red.
Lavander, porque nos Estados Unidos tem um período de perseguição dos viados e da sapatonas chamado Lavender Scare, que era uma atualização no macartismo do The Red Scare, se nos anos 30, 20 e 30 os comunistas tinham sido perseguidos nos Estados Unidos, lista negra de Hollywood. Depois, nos anos 50 e 60, você teve uma perseguição dos viados e das sapatonas, que era o Lavanders Scare. E de todo esse envolvimento tanto com o movimento dos trabalhadores quanto a Frente de liberação de LGBT e esses artigos que ela publica e que escreve o tempo todo, está pesquisando e vivendo essa realidade de uma pessoa trabalhadora, Porque os pais de Leslie são da classe operária, eram judeus da classe operária.
E isso é importante sublinhar porque a gente está falando assim, “Ah Sherry Wolf tarara, jornal. ” Aí às vezes está pensando, ah era uma intelectual de classe média? Não.
Leslie era uma intelectual da classe operária. Acho que deve ser. Até poderia pensar que é por isso que ela se preocupou tanto com o ativismo prático.
Claro. Uma militante. Exato.
E não ficou só produzindo artigos científicos e teoria. Ela foi estivadora, ela foi lavadora de prato, Limpadora de prato, Lavadora de prato. Ela foi intérprete da língua de sinais estadunidense.
Se ela trabalhou do que apareceu na vida dela. É por quê? Por que ela não era admitida em empregos formais por causa da vivência e da aparência e identidade que ela performava de dyke, de lésbica bucth, de trans masculina, boyceta, que são os termos mais atuais.
Leslie não tinha acesso a empregos formais, carreira por causa do jeito que ela se portava e se colocava. Tem até uma entrevista em que ela fala disso, que é como que ela faz para comprar terno, porque ela era de origem uma mulher, mas ela gostava de se colocar no mundo com a figura mais próxima da identidade masculina, mas ela precisava portar alguns códigos pra poder entrar numa loja, comprar um terno, mas que é o que ela gosta, ela fala Isso é o que eu gosto, é o que eu acho bonito e tal, mas eu sei que eu preciso ter alguns códigos para acessar esse lugar e poder me vestir de tal jeito. Enfim, a vivência dela é muito prática.
E vem em cima da vivência de judia Imunda. É exatamente. Então ela cresce como essa outra, porque ela é judia nos Estados Unidos, numa região que não é Nova Iorque, onde os judeus, muitos deles, são podres de ricos, então ela cresce num lugar sendo pobre, sendo judia e sendo.
Ainda por cima, trans masculina. Então toda essa soma de fatores faz com que ela seja obrigada a aceitar trabalhos tidos como inferiores ou trabalhos mais braçais. Proletários.
Proletários, porque ela não tinha realmente nem como almejar por causa de todas essas camadas, classe, raça e identidade que ela portava. E tem um negócio muito doido na Wikipedia. No artigo sobre Leslie, os pronomes são Hir, que é uma mistura de her com his, então seria como um artigo da Wikipedia escrito elu/delu Ile/dile.
Eu acho agora, amiga, pega essa parte de gênero e destrincha assim vai os livros dela. É eu ia falar dos livros agora, justamente dos livros, agora com toda essa vivência. Então, em 1993, ela publica o primeiro livro dela que é um romance.
É uma ficção e é ligeiramente autobiográfica, porque fala de uma pessoa transgênero ou transgênero, vivendo num contexto de opressão e violência. Que é a protagonista judia. Exatamente.
De um bairro proletário. Então não é autobiográfico declarado, mas tem muita relação com a vida dela. Então, esse é o primeiro livro que é um livro.
Aí faltou só falar o nome do livro Stone Butch Blues. Esse livro foi importantíssimo, é considerado uma obra prima LGBT e ganhou prêmios inclusive, ele ganhou o Lambda Literary Award e também American Library Association Gay&Lesbica Award de 1994. Que depois virou o Stonewall.
Porque não dá para falar esse nome. o Prêmio Stonewall de Literatura. Devia ter me avisado antes pra eu não falar esse nome inteiro.
Então esse livro ganhou prêmios, foi considerada essa obra prima. É referência para muitas pessoas do movimento queer lá do Estados Unidos. Tem até entrevistas em que as pessoas comentam o quanto esse livro foi uma liberação, uma auto liberação.
Ler esse livro foi a possibilidade de a pessoa se entender também. A gente vai ler no clube de Leitura do ano que vem. Mentira não tem traduzido, mas se alguma editora quiser.
Traduzir, lançar com aqui ó. Eu faço o prefácio, introduzo. Chama!
Ficou aí o chamado para vocês. O segundo romance de Leslie foi o Drg King Drams, em português, para quem não entende é sonhos de um drag king, foi lançado em 2006 e além dos romances, Leslie ele também escreveu livros de não ficção com histórias de pessoas trans através do Séculos. Então a gente tem o livro de 92, Trans Liberation Beyond Pink Blue, que é liberação transgênero, além do rosa e do azul.
Tinha um subtítulo que era Uma libertação, cuja hora chegou, um pouco como são anos 90. Sim. Já tem gays bem colocados na sociedade, aceitos de alguma forma.
O giro mortal da aids acabou de acontecer. Vocês já tem lésbicas aceitas bem colocadas de alguma forma, não é que estava fácil pra essa galera é que para as pessoas trans estava muito pior. Sempre esteve né e continua estando.
Esses livros de ação mais contando as histórias mesmo para as pessoas conhecerem o que veio antes dessa época assim, que as pessoas trans existem desde que o mundo é mundo, então existe o desejo da Leslie de colocar, de trazer a público essas histórias de pessoas trans da história que vieram antes. E é estudos de gênero. Exato.
O que ela está fazendo nesse livro e depois ela vai ganhar um título de doutor Honoris causa pela obra dela nos estudos de gênero. Exato. Em 94 ela também lança um mini documentário que tá no YouTube.
Só tem legenda em inglês. É o Outlaw Deixar link aqui. É basicamente um mini documentário, uma entrevista da Leslie contando sobre vários aspectos dessa vivência de pessoa trans masculina.
Em 96 ela lança o livro Transgender Warriors, que seria algo como o Guerreiros Transgêneros, que também fala dessas histórias, mas também é um livro de não ficção. Fala da realidade das pessoas trans. Ela também.
O que eu percebi tão interessante quanto ela fala das entrevistas que eu vi, pelo menos da Joana d'Arc. Sim. Você reparou isso também?
Sim, ela fala muito sobre Joana d'Arc ser uma primeira pessoa trans importante na história, que quando ela mesma, quando Leslie mesmo, conheceu a história de Joana d'Arc, Foi muito impactante assim. E é muito doido pensar que quando conta-se a história da Joana d'Arc, conta-se a história assim, era uma mulher que vai lutar pelo seu território, vai lutar na França, vai lutar no exército disfarçada de homem. E aí a gente disfarçada.
Como é que chamaria isso hoje, né? Será que não aquela não era ela mesmo, elu, eli? E aí é isso que ela defende.
O que Leslie teoricamente, no campo da teoria, o que Leslie faz e que ela pensa a ideia de trans como um termo guarda chuva o que está dentro do termo guarda chuva. Toda experiência humana que desafia a noção prescritiva do gênero. Então, por exemplo, na história dos Estados Unidos, tem um período que não tinha emprego para ninguém, o entre guerras ou o pós-Segunda Guerra.
Então, assim, quando acaba a Segunda Guerra Mundial, você tem um período de economia na Europa que está destruída. E aí mulheres que eram passáveis como homens assumem os empregos de uma tentativa de reconstrução da Europa na construção civil, nas indústrias, nas docas, nos portos. E aí a gente fica primeiro com a questão mulheres passáveis como homens, algumas.
Exato. E outras eram pessoas trans masculinas, car*lho. E aí ela fala disso, fala de drag queens, fala das Dikes, das butchs, que é esse, esse tipo de sapatão que quer mais é que a ideia de mulher exploda.
A ideia de mulher é uma opressão. Monique Wittig outra sapatão, marxista, histórica que escreve o pensamento hétero. Ela fala a sapatão não é mulher porque o conceito de mulher é uma opressão de gênero dentro de uma sociedade patriarcal.
Se você cria uma sociedade outra, a lésbica seria uma. E aí Leia a Monique Wittig. E aí esse conceito passing women que foram essas mulheres que se passavam por homens para conseguir empregos.
Drg queens No início, entre drag e travesti não há distinção. No início do século, final de XIX, final do 1800, início do 1900. E as dikes que seriam as sapa caminhoneiras.
Na tradução pro Brasil. Bom, tirada a parte dos estudos de gênero, dela se consolidando como autora, como personalidade, fazendo documentário, aparecendo em documentário. Entrevista também ela foi no programa da John Rivers.
De maior audiência. Exato. Um dos programas de maior audiência nos Estados Unidos, John Rivers era uma produtora famosa e estava lá a Leslie, contando sobre sua transgeneridade.
Então teve um impacto muito forte na cultura pop e na cultura enquanto popular para falar sobre as vivências transgênero. E pensar que a vida inteira ela esteve junto de um partido marxista leninista. E agora a gente passa para outra parte muito importante da luta de Leslie, que também não pode deixar de ser falado, que é a militância.
Exato. Então é entender o seguinte quando ela está ali na casa dos 20 anos, ela conhece o partido, ela vira militante do partido e ela vai construir o partido até o final da vida. Leslie dedicou todas as energias.
Ela participou de todos os eventos, tem milhões de falas dela que você pode encontrar. Ela foi convidada depois, em 2007, para o grupo de mulheres queer palestinas que está dentro de Israel e é um grupo que existe desde os anos 2000 e que reúne pessoas, em especial mulheres L, B e T, lutando pela libertação da Palestina. Lá tem uma fala dela que se eterniza, que fica muito famosa.
Aliás, a Mari materializou aqui o celular, o meu, para ler. Eu vou ler inglês primeiro e aí depois a gente faz uma tradução conjunta aqui tá bom. Em português, uma tradução livre, aqui você me ajude já que você é professora de línguas.
Fui. Não, sempre será. Quando criança Eu não acredito que a nossa sexualidade, a nossa expressão de gênero, nossos corpos possam ser livres sem que haja uma mobilização feroz contra a guerra imperialista e o racismo como parte da nossa luta.
Acertei? Opa. E pensar que é isso assim o sionismo enquanto ideologia, depende do racismo.
Por favor, assistam o vídeo O pensamento de paz durante o massacre e lá eu falo sobre um estado étnico racial que é a fundação de Israel. É étnica, racial. Aqui vai morar uma raça, logo as demais raças serão apartadas.
Gaza é conhecida como o maior campo de concentração a céu aberto do planeta, onde fica confinada uma outra raça e tem os check points, tem toda a violência, etc, etc. Mas enfim. Então o que Leslie está nos dizendo é assim enquanto há racismo e imperialismo, enquanto há um estado étnico racial que não tem libertação, ai a LGBT libertada de Israel.
Não tem libertação. É como pensar um movimento feminista branco, Não é feminista, car*lho. Ou o movimento feminista transfóbico.
Não é feminista, cara. Você também tem essa ideia de separação de que tem uma outra raça dentro do movimento. Mas aí é muito o que a gente pensa, que também não.
Não existe liberação sem a liberação de todo mundo. Sim, e que havia um pink washing, que era essa ideia de que tá liberado massacrar os outros povos, porque moralmente há uma superioridade deste estado étnico racial que trata bem suas mulheres e suas LGBTs. E aí todas as mentiras por trás disso.
Então vamos lá. Ali, nos anos 20, quando ela conhece quando Leslie, que ainda se identifica com problemas femininos, conhece o partido marxista leninista dos Estados Unidos, um dos Partido dos Trabalhadores mundial, Leslie começa a militância. É importante que você entenda que os movimentos de libertação da Palestina.
Eles existem desde Nakba desde a grande tragédia em árabe, que é quando 500 vilas e povoados foram atacadas. Houve a incursão de um genocídio e terra começou a ser tomada. Colonos de Israel começam a massacrar e roubar a terra e o povo.
Nessa época você tem como principal voz de resistência da Palestina AFLPA Frente de Libertação da Palestina, que era uma organização marxista leninista, era uma organização lá dentro, socialista, de socialistas, de intelectuais, de militantes, de trabalhadores, que era pela igualdade de gênero feminista e não produzia discriminação contra pessoas LGBT. Ao longo da história, Israel vai fazer com que esta frente de libertação seja abafada, perca capilaridade, perca poder, até chegar num episódio assim monstruoso da história que é o Euclides Vasconcelos tem um texto sobre isso da morte do Sinwar. Era um dos líderes do Hamas do atual, é um grupo terrorista.
Voltando, há um momento no qual Israel negocia prisioneiros políticos em troca de um soldado israelense, eles vão libertar dezenas de presos políticos palestinos. Israel nesta durante esta época, topa liberar quem era o presidente, que virou, quem viria a ser o presidente do Hamas, mas não topa liberar um dos secretários marxistas da frente de Libertação da Palestina. E aí é muito mais fácil mundialmente combater um grupo fundamentalista, extremista religioso, terrorista, machista e LGBT fóbico.
Bom, porque o outro grupo, que era marxista, laico, feminista, socialista e que lutava por igualdade de gênero e sexualidade, foi abafado e destruído. Então esse é um dos episódios da história. Que fica feio, fica chato, você abafar, você ser violento contra pessoas que não estão praticando violência como o Hamas faz.
Tem uma coisa também que aconteceu recente militantes ensandecidos do PT foram para o Twitter e a Rede da Saúde Mental me atacar dizendo que eu era pró-Israel e anti Palestina. Gente assim. Não viu?
Não. Não, não. Nesse momento eu falei bem idiota para tudo.
Nossa, muito não é pouco. Eu começo a não me preocupar mais só com a inteligência artificial, mas com a desinteligência natural de alguns. Eu vou fazer um vídeo no Temperão, um vídeo longo chamado O Espectador Emancipado, que é um texto clássico dos estudos de cultura para falar sobre.
E aí pegaram um Story. Eu vou te mostrar. Não é possível, não.
Eu vou te mostrar. Você vai cair dura. E assim, se você já acessou a internet, você vê o story está cortado.
E era um texto que eu reposto numa série de stories. Eles pegam, eles pegam só um do dia, se eu não me engano, 10 de outubro. O ataque é no dia sete, Esse é do dia dez e eu estou pegando uma série de stories de uma amiga e em todos eles eu coloco o texto de uma amiga e aí eles cortam a parte que o texto não é meu e repostam como se fosse.
Assassino de verdade. Ah que lindo. Para poder me atacar como pró Israel e anti Palestina.
E isso são militantes do? Do pt É isso né Brasil, tá difícil pra gente. Tá difícil pra gente.
Mas voltando o que a gente viveu, o que a gente está vivendo é uma tentativa de destruição e apagamento e silenciamento. Inclusive nos Estados Unidos, principalmente o que aconteceu nos campos, o que aconteceu nas manifestações é de ataque de judeus pró palestino. Então, a tentativa também de resgatar a Leslie quando faz dez anos de sua morte é mostrar que existe e sempre existiu uma multitude de judeus ao redor do mundo que sabe que o que Israel faz com a Palestina é muito próximo do que o nazismo fez com os judeus.
Leslie, como vocês podem ver, a gente poderia fazer um documentário aqui, o filme de duas horas sobre Leslie, mas. A gente conta que vocês assistam as entrevistas leiam as coisas. Quem tiver os PDF deixa nos comentários dos livro dela.
E isso é uma boa também, porque inclusive a própria Leslie promoveu a liberação gratuita dos livros dela, por entender que o avanço da luta, e desse conteúdo é muito mais importante que o lucro. Uma comunistona né Uma butch comunistona. Propriedade intelectual meus ovo.
Então ela liberou geral os livros não existem os livros de graça para serem lidos. Não, infelizmente ainda não traduzidos, mas quem sabe em breve. Então, além disso, a gente espera que vocês pesquisem e aprofundem nessas questões mas aqui a gente precisa só dar essa pincelada.
Se bobear, a galera acha traduzido. Não duvido de nada. Se tem gente do PT.
Brincadeira. Abafa Porque tem muito material, porque Leslie é quase que uma contemporânea, afinal, ela falece em 2014, como a Rita falou, faz dez anos dia 15 de novembro, inclusive muito, faz muito pouco tempo. Faz dez anos da sua morte.
Então Leslie viveu muito dessa nossa época. Por isso que é muito fácil achar materiais dela na internet. Não tem desculpa, ok?
E em 2019, cinco anos após a sua morte, Leslie é incluída no Muro Nacional da história LGBT, que é um monumento dentro do monumento de Stonewall é o primeiro monumento nacional nos Estados Unidos, que fala sobre direitos e história LGBT. Então Leslie está ali como um dos primeiros 50 nomes que entram para esse muro histórico, como uma referência na história de liberação e luta dessa população. Acho que o que fica pra gente é a compreensão de que não há distinção na luta contra as opressões e as discriminações.
Elas são partes do mesmo braço pela emancipação de um povo. Leslie é a alma viva disso e a gente espera que vocês possam conhecê-la e compreender, assim como a gente fez o Mulheres F0d4 sobre a Rosely Roth. LGBT é luta política, sempre foi e sempre será.
É isso, espero que essa sementinha fique no coração de vocês. Que vocês, LGBTs, que nos assistam, não esqueçam do seu papel de raça, de classe, de luta enquanto parte desse movimento também. Até o próximo vídeo!
Mês que vem. E vai acabar o ano, menina! Bom Jingle Bells.
Jingle Bells pra vocês! Aproveitem esse final de ano como for possível. Esperança pra 2025.
Apesar de não estar se mostrando Não, luta. Cair atirando moçada é isso. E vamo cair atirando.
Então descansem um pouquinho aí porque 2025 vem com tudo. Aí menina nem me fala. Então tá bom.
Um beijinho, tcha-au.