Eu jogava basquete quando era moleque. Eu olhava o Kobe Bryant, Michael Jordan Sheque e parecia que eles jogavam outro esporte. Era a mesma quadra, mesma bola, mesmas regras.
A sexta até tava na mesma altura, mas eles viam o jogo completamente diferente. Era como se no meio do caos eles enxergassem o lance acontecer antes de acontecer, como se o jogo para eles fosse todo em câmera lenta. Eu sei que você já sentiu isso.
Vendo o Ronaldinho fazer um drible insano e deixando o zagueiro sentado no chão. O Zidan mandar um voleio inacreditável, o Messi fazer um lance que é corrida de videogame. A gente olha para esses feitos e a explicação que vem na cabeça é sempre a mesma.
O corpo, essa galera é mais rápida, mais forte, mais treinada que a gente. Mas não é só isso. O craque não tem só um corpo mais preparado.
Ele tem um cérebro que vê o mundo de outro jeito e que decide o que fazer antes de todo mundo. E nesse vídeo eu vou te mostrar o passo a passo de como o cérebro dos maiores atletas do mundo funciona, como ele vê, como ele processa, como ele decide em milissegundos o que fazer e principalmente como você roubar isso pra sua vida, mesmo que você nunca tenha pisado numa quadra ou num campo. E você vai descobrir que tudo isso, vê, processar, decidir, no fundo é uma coisa só e que você também pode treinar.
Mas para entender isso, a gente precisa voltar nos anos 80 nas terras geladas do Canadá, com uma pesquisadora que resolveu medir uma coisa que até então nunca tinha sido medida direito, para onde exatamente os maiores atletas do mundo olham. Todo mundo acha que os grandes gênios da humanidade t olhos mais rápidos, que eles vêm melhor, mais longe, mais nítido que as pessoas normais. Para alguns deles até pode ser verdade, mas isso não é o que torna eles especiais.
Eu tenho uma visão perfeita, fiz cirurgia, corrigir minha MP, mas se eu jogar rock no gelo, eu seria completamente cego dentro da partida. Cego para ler a jogada, o drible, o chute. O ponto chave não é você ver melhor, é saber para onde você tá olhando.
Nos anos 80, uma pesquisadora chamada Joan Vickers estava obsecada por uma pergunta. Quando um atleta vai executar um movimento, para onde ele olha? O olhar de um atleta amador, ele não para quieto, ele dança, pula da bola pro gol, do gol pro goleiro, do goleiro pra trave, da trave pra bola de novo, ele troca de alvo constantemente o tempo todo.
Agora, o olhar dos grandes gênios faz o contrário. Ele trava, encontra o alvo mais cedo, pousa nele e segura. Quase o dobro do tempo do amador, bem num instante antes de agir.
A isso a Dr. Vickers deu o nome de olho quieto. É basicamente como um atirador de elite, um sniper.
O olhar dele trava no alvo antes do dedo começar apertar o gatilho. Enquanto o corpo ainda nem começou o gesto, seja ele um chute, um arremesso, um salto, a mira do olhar já cravou no processo que precisa ser feito. E o mais maneiro de tudo isso é que essa parada é treinável.
Cientistas pegaram um time de basquete e treinaram só uma coisa, o olhar quieto antes do lance livre. Com o treino, o aproveitamento dele saltou de pouco mais de 50% para mais de 75%, só ensinando o olhar a ficar quieto. Agora tudo que a gente falou até aqui são alvos parados, certo?
Uma cesta de basquete, um pênalti. Mas na hora do vamos ver, na paixão brasileira, o futebolzinho, a época de Copa do Mundo, tá todo mundo maluco aqui. O jogo rola com inúmeras pessoas se mexendo.
Na maioria das vezes nem dá para você fixar o olhar direito alguma coisa que já tem vagabundo chegando perto de você. O que que você faz? Então, pensando nisso, o professor noruguês Geer Jord passou quase 20 anos assistindo transmissões de futebol e contando quantas vezes o jogador vira a cabeça para fotografar o campo antes da bola chegar nele.
Não é olhar a bola, é olhar pros lados, para trás, para saber o que que tá acontecendo ao redor dele antes dele receber um passe. No estudo com mais de 100 jogadores da liga inglesa, deu para ver claramente quem escaneava mais completava mais passes. E quando Jordan foi olhar craques de perto, o retrato foi ainda mais brutal.
O famoso meio-campo espanhol chave virava a cabeça quase uma vez por segundo. Quem escaneava muito acertava a maioria esmagadora dos passes muito mais do que quem escaneava pouco. O Chave, ele não tava olhando a bola, o campo, ele tava fotografando a jogada futura.
E esse é o ponto principal. Quando o jogador escaneia o campo, ele não fixa um olhar em ninguém. Ele não tá olhando pro companheiro, pra bola, pra trave.
É uma fotografia do campo inteiro de relance, um frame que ele vai guardar aqui para poder executar o que ele vai fazer. Então o segredo é esse, travar o olhar na hora certa e colher o campo inteiro num piscar de olhos. Mas na verdade o olho só captura a luz.
Quem vê o mundo é o seu cérebro. Esse é Magnus Carlson, cinco vezes campeão do mundo de xadrez e considerado por muitos o melhor de todos os tempos. Estão mostrando para ele posições no tabuleiro de xadrez e pedindo que ele identifique a partida em que essas posições ocorreram.
[música] I thinkation queen D5 and then R6 and yes this is [música] 24th game from [risadas] you got that right to the next one I'm going to play through an opening and stop me when you recognize the [música] game. I'm sure you've seen this opening before. Ok.
Como isso é possível? Parece uma parada sobre, um mutante, os X-Men da vida real. Calma.
Décadas atrás, cientistas queriam saber o que torna especiais os experts, como os grandes mestres do xadrez. É um QI absurdamente alto, um raciocínio muito rápido acima da média, uma memória colossal. Na verdade, eles descobriram que como grupo os grandes mestres do xadrez não são excepcionais em nada disso, mas um experimento mostrou no que eles são melhores que as pessoas normais.
Em 1973, William Chase e Herbert Simon sentaram três pessoas na frente de um tabuleiro de xadrez. Um grande mestre, um jogador mediano amador e um iniciante. Mostraram para eles uma posição de uma partida de verdade por 5 segundos.
Depois eles cobriram o tabuleiro e pediram para cada um remontar tudo de memória. O grande mestre reconstruiu quase o tabuleiro inteiro. O iniciante mal lembrava onde estavam os peões.
Mas aí os pesquisadores pegaram as mesmas peças e colocaram em posições completamente aleatórias que nunca aconteceriam um jogo de verdade. Mostraram de novo por 5 segundos e pediram para eles remontarem igualzinho antes as pecinhas no tabuleiro. O grande mestre, o intermediário e o iniciante tiveram o mesmo resultado.
De modo geral, o que torna o grande mestre de xadrez especial não é uma memória melhor, é o fato dele ter jogado inúmeras partidas. Com isso, seu cérebro aprendeu a identificar padrões. Ele não vê peça por peça, ele vê cinco ou seis blocos conhecidos, uma cena que ele reconhece, uma fotografia que o cérebro dele já processou antes.
Isso é conhecido como chunking ou agrupamento, que é um conteúdo armazenado na nossa memória de longo prazo que permite a gente reconhecer estímulos complexos como um tabuleiro de xadrez com um monte de peças como uma coisa só. Seja um tabuleiro xadrez com várias peças, um campo de futebol com vários adversários, jogadores do seu time. Pera aí, crack, que maluquícia é essa aqui?
Calma, primata lindo que me assiste. Você faz isso sua vida inteira sem nem perceber. Olha esse rosto.
Você não analisou o olho, o nariz, a boca para montar a pessoa? Bateu o olho e já era, Messi. Agora olha isso aqui.
O rosto tá aí, o olho tá aí, a boca tá aí. Mas não dá para você reconhecer de cara que é o Messi. E esse aqui quem é?
É o Messi também. Olha só. É exatamente isso que aconteceu com o grande mestre no tabuleiro embaralhado.
As peças estão todas lá, só que fora do padrão que o cérebro conhece. Isso vale para todos os esportes. Basquete, futebol, os grandes craques não olham 21 jogadores correndo, eles vêm um padrão.
É por isso que o escaneamento funciona tão rápido. Ele não precisa olhar cada um dos jogadores adversários qualquer. Ele bate o olho e reconhece o todo como se fosse você vendo um rosto.
O mais importante não é quantas vezes você escaneia, é reconhecer o padrão certo no jogo. Então não é quanto você olha, é o que o seu cérebro faz com o que você vê. E aí que vem o mais impressionante.
Seu cérebro decide o que vai acontecer antes de acontecer. Os cientistas fizeram um teste. Eles pegaram tenistas profissionais e mostraram o vídeo de um saque vindo na direção deles.
Só que eles cortavam a imagem no exato instante que a raquete ia tocar na bola. E com a tela preta na frente deles, eles perguntavam para que lado a bola vai. Com a profundidade, o efeito, por mais maluco que pareça.
Os tenistas de elite acertavam mesmo sem ver a bola saindo da batida. e os amadores chutavam um lado qualquer. Como isso é possível?
Um atleta de elite de tênis, ele não tá olhando pra bola no saque, ele tá olhando pro corpo do adversário, o ombro, o quadril, os braços, para onde tá apontando o pé. Isso entrega o destino da bola antes dela ser tocada pela raquete, pela chuteira, por qualquer coisa. A bola é a última a saber para onde ela vai.
E no esporte como tênis, em que a bolinha vai a 200 km/h, sobra uma fração de segundo para você decidir e poder ter tempo de se mexer e pegar bolinha. às vezes é menos que um piscar de olhos. Então ou você decide antes ou você espera, reage e perde o ponto.
É literalmente uma condição sinequanum para você ser um atleta profissional. E é exatamente por isso que parece que o jogo que você vê é tá em câmera lenta. Não é que o tempo passa mais devagar pros atletas, é que eles decidem tão cedo, reconhecendo os padrões tão rapidamente que eles nunca estão correndo atrás de nada.
O exemplo mais claro para mim é um piloto de Fórmula 1. Ele vai fazer uma curva a 300 km/h. Por fora, parece que o cara tem todo o tempo do mundo tranquilidade, procurando uma vaga no estacamento do shopping.
Por dentro, o cérebro dele tá destinando as coisas extremamente rápido, criando essa sensação de que o tempo é maior para ele. Pô, que coisa linda, carequinha. Mas como eu posso usar isso na minha vida?
Essa é Rebeca Andrade, a maior medalhista olímpica da história do Brasil. Quando olhamos para ela, a gente vê arte, o espetáculo, o ouro, o salto perfeito. Aí você pensa: "É dom, mas o joelho dessa mulher foi reconstruído três vezes.
Três rupturas de ligamento no mesmo joelho. O dom dela foi criado na marra. Essa é a dura verdade.
Ninguém nasce um craque. Algumas pessoas nascem com mais facilidade para jogar futebol, para ser ginasta, para ser jogador de vôlei. A maior parte do que a gente chama de dom é construído.
Quando o Messi acha que ele passe, ele não calcula o ângulo, a velocidade, a distância. Quando ele dribla metade do time, ele não tá pensando em rotação de corpo, impacto do adversário na perna dele, ele só faz. Isso vem, claro, de genética, tudo isso, mas vem de muito treinamento.
[limpando a garganta] O filósofo francês Morris Merl Ponti passou a vida estudando isso. Ele dizia que no fundo a consciência não é um eu penso, é um eu posso. Antes de você pensar o mundo, você consegue agir nele com seu corpo.
O craque não pensa o passe, ele pode dar o passe. E quando a decisão tá no corpo, o esforço desaparece. Isso é o que os chineses chamam a milênios de Way, ação sem esforço.
É aquela calma do piloto fazendo a curva 300 por hora, pô, do Zidan dando cavadinha no pênalti na final da Copa do Mundo. É um corpo que treinou tanto que o impossível se tornou rotina. E para chegar nesse nível, é claro que você precisa de uma dose de talento, sorte, dedicação, pessoas te ajudando, mas o principal combustível para atingir esse patamar é atenção.
Pensa comigo para tudo que você viu até aqui nesse vídeo, o olho que trava no alvo, a fotografia do campo no relance, o reconhecimento de padrões em um segundo, a leitura do corpo do adversário, tudo isso no fundo é [limpando a garganta] uma coisa só, uma forma treinada de prestar atenção. Em 1890, William James escreveu: "Atenção é a mente tomando posse de forma clara e vívida de uma entre várias coisas possíveis. " E parabéns que tá na sua tela agora.
Tomando posse. Atenção é um ato. É você escolhendo, no meio de 1 milhão de estímulos onde colocar o holofote.
A filósofa Simone Wale foi ainda mais fundo nisso. Ela defendia que amar alguém de verdade é conseguir parar e perguntar o que que tá passando na sua vida. E aí realmente prestar atenção na resposta.
Para ela, atenção nunca foi sobre foco e sim amor. Por isso que ela escreveu: "Atenção é a forma mais rara e mais pura de generosidade". Então, maravilha.
Genética, sorte, talento, isso você não consegue mudar. Mas a atenção dos atletas de elite é o que você pode roubar agora e implementar na sua vida. E para fazer isso, você só precisa de três passos.
O primeiro é enxergar o todo. O Messi escaneia o campo todo em milissegundos. Ele abre a atenção pro todo ao invés de um alvo só.
E você pode treinar isso agora. Para o que você tá fazendo. Fecha os olhos e escuta os sons à sua volta.
Acha um som distante, foca nele. Agora acha um som um pouco mais perto, mais alto, mais forte, foca nele. Pula de um pro outro.
E agora vem a parte mais difícil. Tenta ouvir todos ao mesmo tempo, o ambiente inteiro de uma só vez. Fazendo isso, você vai sentir a sua atenção abrir.
Esse é o treino de atenção da terapia metacognitiva. Quando analisaram o cérebro das pessoas que fizeram isso, foi justamente a rede que controla o foco que acendeu. Ou seja, você tá treinando a sua habilidade de focar.
Pra gente treinar o olho quieto dos atletas de elite, vamos fazer um exercício que é ridículo e simples. Você vai olhar para essa vela e segurar o olho nela. 30 segundos, 1 minuto sem desviar.
Não tem nada de místico, é treinar o olho a parar quieto num alvo só, porque o foco mental acompanha o foco visual. Quando você estreita o olhar num ponto só e segura ele ali, o cérebro libera acetilcolina, o neurotransmissor que acende o foco no que importa. Ou seja, controlar o foco do seu olho é controlar o foco do seu cérebro.
Nos esportes, os atletas de elite leem o corpo dos adversários. Na sua vida, o adversário mais perigoso que você vai enfrentar é você mesmo, agindo por impulso, sem pensar. Jack Nichols, um dos maiores jogadores de golf de todos os tempos, antes de cada tacada, ia ao cinema.
Ele rodava um filme na cabeça. Ele via batendo na bolinha, o a trajetória dela até o alvo e só então batia. Da próxima vez que algo te pegar, uma mensagem, uma vontade de explodir, um impulso de largar tudo, faz três coisas.
Exatamente. Nessa ordem. Primeiro, para e respira.
Cinco vezes. Foca só no ar, entrando e saindo. Isso te tira do piloto automático.
Segundo, dá um nome pro que você tá sentindo. Isso aqui é raiva do meu irmão que tá sendo insensível comigo. Isso aqui é medo de ser abandonado pela minha namorada se eu reclamar de alguma coisa.
Quanto mais específico você for, melhor. Só fazer isso já diminui a intensidade da emoção. E terceiro, roda o filme.
O que acontece se eu reagir assim? E se eu fizer diferente? E se eu fizer C ou D ou E?
Fazer esse exercício de imaginar as cenas acende as mesmas redes neurais que os atletas usam quando eles ensaiam lance como Jack Nichols. Aí você abre os olhos e age racionalmente da maneira que você julga ser a melhor. Agora, essas paradas não são uma fórmula mágica vão resolver sua vida, certo?
São coisas difíceis de se implementar e que vão demandar treino. Se você quiser um protocolo completo para controlar sua atenção subindo de nível semana a semana, é exatamente isso que eu montei na área de membros do canal. Custa menos de R$ 20 por mês.
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Como eu falei a vocês, eu era um moleque numa quadra olhando Kobe e o Jordan com a certeza absoluta de que eles jogavam outro esporte. Mas não era isso, era o mesmo jogo. A maior diferença é que eles viam o que ninguém conseguia enxergar.
A genialidade dos maiores atletas de todos os tempos é ver com mais atenção. O jogo mais importante da sua vida tá acontecendo agora. E não é numa quadra, num campo ou numa areia bit tênis.
É bem na sua frente em tempo real, no jantar com seus avós que você passa olhando no celular, no Ahamã que você dá pro seu amigo sem nem ter ouvido o que ele disse. É no abraço que você dá na sua namorada pensando em outra coisa. A gente passa a vida toda procurando um dom, uma fórmula mágica que vai tornar tudo mais fácil e fazer de você o melhor do mundo.
Mas o verdadeiro dom é algo muito mais simples, prestar atenção. A pergunta nunca foi se você consegue correr mais rápido, chutar mais forte ou acertar mais arremessos. A pergunta é se você tá realmente prestando atenção na sua vida enquanto ainda tem tempo.