Módulo 7 aula 23 Agora que nós já vimos, várias estratégias e procedimentos baseados em ABA para ensinar novas habilidades é importante dizer o seguinte: cada programa de ensino para aquisição de habilidades deve ser apresentado por escrito. Então os terapeutas devem ter acesso a um programa escrito que descreva tudo que deve ser feito para ensinar uma determinada habilidade. Esse documento é o plano de aquisição de habilidades.
O plano de aquisição de habilidades é um documento que deve ser individualizado para cada cliente. Eu não devo usar o mesmo plano para clientes diferentes porque cada cliente tem necessidades diferentes. Cada pessoa é diferente e vai ter níveis de habilidades diferentes.
Por isso o plano de aquisição de habilidades é individual e ele também é um documento temporal, ou seja, ele só serve para aquele cliente naquele momento. Uma vez que o cliente já desenvolveu outras habilidades, aquele plano se torna desatualizado, e eu não vou ensinar novamente aquelas habilidades que o cliente já aprendeu. Então o plano de aquisição de habilidades também precisa ser atualizado, ser revisto.
Cada cliente apresenta repertórios comportamentais e necessidades diferentes. Então a gente deve se atentar para o contexto e as funções do comportamento alvo de cada cliente. Vamos falar aqui nessa aula sobre os elementos essenciais ou itens essenciais a um plano de aquisição de habilidades.
Eu vou falar aqui rapidamente quais são esses itens, mas nós vamos especificar cada um deles. Primeiro são os objetivos de curto e de longo uso. A definição clara e objetiva do comportamento alvo.
Os exemplos e os não exemplos do comportamento alvo que está sendo ensinado. Quais são os antecedentes ou os SDs. Quais são as consequências programadas para aqueles comportamentos alvo.
Quais serão os procedimentos de ensino. Qual será o critério de domínio a ser utilizado para dizer que o cliente atingiu ou não o critério, e que de fato aprendeu. E quais serão os materiais necessários para essa atividade.
Então perceba que no plano de aquisição de habilidades a gente tem cada habilidade que será ensinada, todos esses elementos que eu acabei de dizer. O primeiro item são os objetivos de curto e de longo prazo. A escolha dos objetivos deve ser baseada na aprendizagem hierárquica, ou seja, daquelas habilidades mais fáceis para aquelas mais difíceis, aquelas que são pré-requisitos e aquelas que não são pré-requisitos.
Também deve ser baseado na gravidade dos déficits comportamentais desse cliente ou mesmo nos comportamentos desafiadores que ele apresenta. Os objetivos de curto prazo normalmente estão ligados ao desenvolvimento de habilidades mais simples, ou seja, habilidades mais urgentes e que vão servir de fundamento para que o cliente possa avançar para outras áreas ou para comportamentos mais complexos. Por exemplo, aprender a escolher, é uma habilidade de curto prazo fundamental.
Redução de comportamentos desafiadores também pode ser uma necessidade de curto prazo, porque esses comportamentos podem diminuir as oportunidades de aprendizado do meu cliente. Os objetivos de longo prazo se relacionam ao resultado final esperado. Por sua vez, eles vão guiar as decisões clínicas relacionadas à programação diária, assim como as transições na programação.
Então, aqui como um exemplo de um objetivo de longo prazo, eu posso querer desenvolver habilidade de imitação ou habilidade de discriminação visual. São repertórios mais amplos, por isso é um objetivo de longo prazo. Eu vou necessariamente ter que ter objetivos de curto prazo, que eu vou quebrar essa habilidade em habilidades menores e focar no ensino dessas habilidades menores com objetivos de curto prazo.
Quando a gente define objetivos, a gente está dizendo que nós vamos ensinar alguns comportamentos alvo. Então, a gente precisa ter uma definição clara e objetiva de qual é o comportamento alvo que eu vou ensinar. O objetivo dessa definição é especificar as respostas esperadas, a fim de aumentar a precisão na apresentação de consequências e também dos registros.
Eu preciso saber qual é o comportamento exatamente que eu estou ensinando para saber quando o cliente desempenhou, quando ele mostrou esse comportamento, ele teve esse comportamento, e eu vou ser capaz de reforçar esse comportamento se eu tiver uma definição clara. Além da definição clara, uma descrição dessa definição, eu devo ter exemplos e não exemplos desse comportamento alvo. Esses exemplos e não exemplos são essenciais para que a equipe possa atuar de forma mais coesa, para que não haja muita discordância ou mudanças.
Alguma variação é interessante, como a gente já disse, para produzir generalização, mas é importante que os aspectos críticos estejam presentes. Então, a gente pode aumentar a precisão para coletar registros ou mesmo para a apresentação das tentativas ou apresentação das consequências se nós temos os exemplos e os não exemplos do comportamento alvo. Nesse programa ou nesse plano de aquisição de habilidades, a gente também deve ter o antecedente.
O antecedente se refere a qual será a instrução inicial ou o comando que vai ser apresentado ao cliente na hora daquela atividade. Ele deve especificar a fala ou os materiais que vão ser apresentados durante aquele ensino. Um exemplo seria eu dizer que a instrução é colocar a bola na caixa.
Esse pode ser o estímulo discriminativo ou antecedente. Eu posso especificar talvez que vai haver uma instrução, combine os itens, coloque com o igual. Eu posso colocar algumas instruções para que haja alguma variação no antecedente, pensando em produzir generalização.
E não necessariamente eu tenho que incluir todos os alvos de ensino, mas eu devo colocar, por exemplo, que o SD ou antecedente vai incluir uma instrução verbal mais um estímulo visual. E aí alguns alvos de ensino podem ser mencionados, mas não necessariamente no plano tem que incluir todos os alvos de ensino. As consequências também devem aparecer no plano de aquisição de habilidades.
Nesse item consequências, são especificados quais são os reforçadores que vão ser usados nesse programa. Por exemplo, eu devo dizer se o cliente vai ter qual consequência quando ele emitir uma resposta independente, ou seja, uma resposta correta sem dica. Qual vai ser a consequência se o cliente emitir uma resposta correta com dica, lembrando que a consequência não deve ser a mesma.
Qual será o esquema de reforçamento que será usado? Isso também envolve a consequência. Vai ser um esquema de reforçamento intermitente?
Qual será o esquema? Vai ser um esquema de reforçamento contínuo? A gente vai utilizar reforçadores sociais, tangíveis, comestíveis para essa habilidade específica, para esse ensino específico.
Então, às vezes eu vou utilizar prioritariamente alguns reforçadores para uma atividade que é mais difícil e concentrar os reforçadores de maior magnitude para essa habilidade e outros reforçadores para as que são mais fáceis. O plano de aquisição de habilidades também precisa conter os critérios de domínio. Esses critérios dizem respeito ao parâmetro utilizado pelos terapeutas para classificar que um comportamento alvo foi aprendido pelo cliente.
Então, eu poderia ter aqui como um exemplo dizer que eu irei considerar que um cliente atingiu critério de domínio, quando 80% ou mais das respostas que ele der nas tentativas forem corretas em três sessões consecutivas, considerando um bloco de tentativas, por exemplo, de 5 tentativas ou de 10 tentativas, e com dois terapeutas diferentes. Eu posso incluir no meu critério um percentual de respostas corretas mínimo que eu vou aceitar, em quantas sessões diferentes e para quantos terapeutas diferentes. Se só um terapeuta trabalha nesse caso, não é possível incluir terapeutas diferentes.
Mas é importante que a gente, quando utilizar um critério de domínio, fique atento se esse cliente atingiu critério de domínio. É muito comum ver em programas baseados em ABA que o cliente atingiu critério de domínio, ninguém percebeu, ninguém verificou e o ensino continua, para uma habilidade, mas o cliente já atingiu critério de domínio há algum tempo. Um outro item no plano de aquisição de habilidades é o procedimento da sessão.
Quais serão os procedimentos a serem utilizados? E isso vai especificar o que deve acontecer para ensinar essa habilidade. Isso vai envolver alguns sub itens, por exemplo.
Quais seriam os materiais a serem utilizados? Você vai utilizar de um cronômetro, reforçadores tangíveis, de um sistema de coleta de dados, folhas de registro, figuras, livros, materiais de qualquer natureza vão ser especificados. Quais serão os antecedentes a serem apresentados?
Os antecedentes são verbais, não verbais. Por exemplo, qual a cor dessa caixa? Seria o antecedente verbal, e apontar para o cliente pegar um determinado item, seria não verbal.
Qual será o procedimento de randomização dos estímulos? Então, se eu vou apresentar estímulos visuais sobre a mesa, é importante pensar em como eu vou alterar as posições. Isso é a randomização da posição dos estímulos.
Eu vou alterar as posições deles para que o cliente não aprenda que o estímulo correto é sempre o que está a direita, porque ele pode acabar não ficando sob controle da imagem que está sobre os estímulos, sobre as figuras, sobre os cartões que eu estou usando ali, e ele fique mais sob controle da posição. Eu não quero ensinar qual é a posição correta. Eu quero ensinar qual é a imagem correta quando eu disser o nome daquele item que tem na imagem.
A gente também deve incluir dimensão e sistema de respostas. Eu vou contar o número de respostas corretas nesse programa, o importante é a taxa de respostas, quantas respostas por minuto, qual é a duração da resposta, a latência da resposta. Então, a dimensão também deve estar contida aqui no plano.
Também devem ser especificados os alvos de ensino, formato das lições. Então, vão ser sessões de ensino estruturado ou vão ser sessões de ensino naturalístico? Elas vão ser intercaladas com outras tarefas, com outras atividades ou não?
É importante ter uma descrição da apresentação da tarefa, com os estímulos que devem ser apresentados ou como as suas informações devem ser apresentadas, como as discriminações serão ensinadas. Então, toda essa especificação deve estar contida no plano. Quais serão as dicas a serem utilizadas?
Nessa estratégia de retirada gradual de dica. Você vai ter quais as dicas? Verbais, físicas, qual vai ser o sistema de retirada gradual de dica?
Ou seja, hierarquia de dicas que vai ser utilizada. Você vai usar atraso de dica ou você vai usar mais para menos, menos para mais, orientação graduada. Qual será esse procedimento de esvanecimento de dica?
Quais serão os critérios de progressão e regressão de dica? Lembra que nós falamos sobre isso? Qual será o procedimento de correção de erro?
Vai utilizar algum procedimento de correção de erro? Qual? Quais serão as estratégias de generalização e atenção a serem utilizadas?
Então, todos esses itens que nós discutimos aqui devem estar contidos num plano de aquisição de habilidades. Então, esse plano é elaborado pelo supervisor, ou pela supervisora do caso. Ele deve ser apresentado e discutido com a equipe, para que toda a equipe conheça o plano, saiba quais são as habilidades a serem ensinadas, saiba quais são os procedimentos e possa utilizar da maneira correta.
Se você não teve acesso ao plano de aquisição de habilidades, peça para supervisor ou para supervisora, para ter acesso a esse plano. E o ideal é que todo mundo que trabalha na equipe desse caso específico, desse cliente específico, tenha acesso irrestrito ao plano, que possa consultar o plano sempre que tiver dúvidas sobre como é o procedimento, qual é o procedimento a ser utilizado para ensinar uma habilidade específica.