Você deve ter visto essa fala do Trump sobre a fraqueza do dólar quando perguntaram para ele a bordo do Air Force One, né, o seu avião oficial, o que estava achando da queda dos últimos dias, já que a moeda americana estava tendo um dos piores dias em anos. E ele respondeu que o dólar vai muito bem, inclusive está trazendo muitos negócios. E a gente precisa contextualizar essa resposta porque é mais uma evidência deste grande plano de reset financeiro, o grande plano macroeconômico do Trump, de desvalorizar a moeda americana, porque isso tem consequências pro dólar, pro planeta inteiro, inclusive para os emergentes, pra nossa moeda e pra nossa bolsa.
E vou falar sobre isso no fim do vídeo, porque claro, tá aí o Bovespa batendo mais de 185. 000 pontos. o EWZ quase voltando ao nível de 40 e o dólar que chegou a ultrapassar a barreira de cinco, abaixo de 5,20 por dólar, então o nosso câmbio, mas isso vou deixar mais pro final do vídeo.
Mas por que é importante a gente e entender esse movimento? Porque faz parte desta cartilha macroeconômica que sim o governo americano está perseguindo e que nunca foi revelada de forma oficial de verdade, mas houve vários fragmentos eh dessa política, às vezes mais implícita, às vezes mais explícita, como também teve naquele documento de estratégia de segurança nacional. Nós falamos sobre ele aqui.
Vou pedir pro editor colocar o link aqui em cima em que fala sobre a necessidade de realinhar a economia chinesa para que ela também fortaleça a sua moeda. Mas agora é mais uma ilustração deste plano macroeconômico e a gente precisa relembrar qual foi o grande documento ou o panfleto que delineava essa estratégia de reset financeiro, de enfraquecer a moeda americana. O que começou isso foi aquele guia do usuário para reestruturar o comércio global que foi escrito pelo Stephen Myern.
Na época era apenas um profissional do mercado financeiro. Tinha passado pelo tesouro no primeiro mandato do Trump. Depois que o Trump assumiu agora a o segundo mandato, depois de janeiro de 25, o Stephan Mar foi indicado para ser o presidente do Conselho de Assessores Econômicos do Presidente Trump e depois saiu porque ele foi ocupar uma cadeira vazia na diretoria do Federal Reserve, inclusive ele que tem agora sido o grande voto de acidente nas reuniões de política monetária, porque ele está perseguindo sempre uma redução de juros mais rapidamente, porque ele defende dólar mais fraco.
E neste documento, cujo objetivo era trazer o receituário de política econômica, o mix de políticas para reduzir o déficit comercial americano, reindustrializar a economia, para reduzir as vulnerabilidades de segurança nacional na cadeia de suprimentos. Enfim, documento muito interessante. A gente fez um vídeo sobre isso também lá atrás.
E as duas grandes ferramentas que o Myen defendia era as tarifas e um acordo para desvalorizar o dólar americano. Se as tarifas não funcionassem para reduzir o défic comercial, que então eles lançassem mão de um grande acordo para desvalorizar o dólar. Relembrando o que aconteceu na década de 80 com o acordo plaza de 1985, que também era para desvalorizar a moeda americana e aconteceu em Nova York, no Hotel Plaza, o novo acordo se chamaria o acordo de Maralago, porque supostamente ocorreria no resorte do Trump, na Flórida.
Pois bem, esse era o grande documento aí, então, o reset financeiro para enfraquecer a moeda americana. E nesses últimos mais de 12 meses do governo Trump, nunca foi oficializado este plano, embora as evidências eram abundantes de que eles estavam perseguindo isso. E o próprio secretário do tesouro, o Scott Bessen, ele sempre deixou muito claro que ele, de forma muito astuta, né, ele cuidadoso com as palavras, ele não queria um dólar fraco, ele quer sim um dólar dominante.
Eles buscam defender a hegemonia do dólar, o padrão na moeda americana, o padrão monetário atual, mas ainda assim querem revalorizar as demais moedas, ou seja, fortalecer as demais moedas em relação ao dólar, porque o dólar está muito sobrevalorizado. E aí que eu preciso até fazer um parênteses nisso, porque de fato há várias metodologias para mensurar essa sobrevalorização da moeda americana. E uma das principais, é, ou mais conhecidas até informalmente, é o famoso índice Big Mac do da revista britânica The Economist, que analisa então a taxa de câmbio dos países e qual deveria ser ela pela ótica do preço do Big Mac, já que é um produto muito uniforme que não muda de país para país.
Então, seguindo aquela teoria de que a taxa de câmbio entre duas moedas é razão do poder de compra entre elas, teoricamente o preço do Big Mac deveria ser o mesmo nos países, apenas fazendo o ajuste do poder de compra das duas moedas. Só que na prática, quando se analisa por essa ótica, o dólar está muito sobrevalorizado e isso em relação a quase todas as moedas. Uma outra forma de mensurar isso também, que já muitas pessoas já perceberam, pô, quando você viaja pro exterior, especialmente americanos viajam pro exterior, eles percebem como o turismo em Tóquio, restaurantes, eh, hotéis, no Japão ou em outros países está muito mais barato para os americanos ou são preços que são risíveis.
O que custa uma tarifa de hotel em Tóquio comparado com uma tarifa em Nova York, não faz sentido estar tão mais barato em Tóquio. E talvez um dos exemplos mais drásticos seja o caso chinês, já que aí sim o governo americano busca uma um fortalecimento da moeda chinesa. Quando se compara o preço dos carros chineses no restante do mundo, assim, é uma aberração, uma anomalia completa, especialmente nos Estados Unidos.
E até isso me deu um insight quando eu vi recentemente uma análise, uma avaliação de um carro da Xiaomi pelo por aquele youtuber americano, o MKB HD, o Marquez Brown Lee. E ele dizendo que ele estava estupefato, porque a quantidade de tecnologia que ele envia naquele carro, que pelo preço chinês multiplicado pelo dividido pelo pela taxa de câmbio estava de apenas $40. 000 000 nos Estados Unidos, aquele carro custaria pelo menos $0.
000. Essa é mais uma evidência aneddótica de como a moeda americana está muito valorizada ou de como as demais moedas estão subvalorizadas. Porque se assim como o chinês outras moedas, o yen japonês fossem valorizadas, essas discrepâncias, essas anomalias de preço não seriam verificadas na prática.
Então aqui eu faço faço eu encerro esse parênteses sobre o nível de sobrevalorização da moeda americana. Pois bem, então nesse momento o que a gente tá vendo, essa política agora, ela é tácita, ela é às vezes explícita. Também tivemos o documento aquele da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos.
A gente fez um vídeo sobre ele, vou colocar aqui em cima também o link, em que estava ali muito claro o objetivo de reformar a economia chinesa e valorizar o Yan, porque estava também muito subvalorizado e por isso os superáos comerciais colossais da China e no restante do mundo défic comerciais, especialmente Estados Unidos em relação à China. Então esse era o esses eram os grandes objetivos e na prática o que que a gente está vendo? As tarifas, sim, por um lado, elas estão funcionando.
O déficit comercial americano, ele teve, registrou em outubro um dos menores níveis em muitos anos. Não tivemos os dados ainda do mês de novembro, então vamos aguardar, mas de certa maneira as tarifas estão ajudando a reduzir o déficit comercial. Mas a outra perna que é muito importante, a perna do câmbio, eles estão cada vez mais perseguindo essa política de forma oficial, como foi essa última fala do Tr.
Mas como é que um país pode perseguir esse objetivo de enfraquecer a sua moeda? Tem basicamente duas formas. E a primeira a gente pode dizer que é por meio da comunicação.
Sim, basta um governo, o seu ministro de fazenda, o seu banqueiro central defender uma moeda mais enfraquecida, que o mercado vai acabar testando e vai acabar enfraquecendo ou vendendo aquela moeda, já que esse é o objetivo do país que emite essa moeda. E isso os Estados Unidos estão fazendo já há algum tempo. E essa fala do Trump, essa resposta, ela é muito simbólica, porque é um quase confissão de que é isso que eles estão perseguindo, enfraquecer o dólar.
E foi exatamente o que fizeram também lá em 85 com o acordo pláia que aconteceu em Nova York, que no começo do ano, quando o James Baker, que era o então secretário do tesouro, havia assumido a pasta no começo de de 85, o governo já vinha também por várias falas, várias declarações, entrevistas coletivas, já estavam dizendo que queriam dólar mais fraco, já que naquele momento o dólar estava nas suas máximas históricas e o mundo estava sendo espremido com um dólar forte. Pois então, o dólar começou já a sua rota de desvalorização em 85, muito antes do acordo monetário que veio acontecer apenas em outubro de 85. O que me leva então a segunda forma de enfraquecer uma moeda.
A primeira pela mera comunicação, seu desejo oficial ou extraoficial ou tácito de desvalorizar a moeda, e a segunda por meio de um acordo monetário que precisa ser realizado com os demais países para que conjuntamente os bancos centrais ou a Secretaria de Fazenda desvalorizem as suas moedas ou fortaleçam as suas moedas em relação ao Damericano. o dólar americano para que o dólar caia no mercado em relação às demais moedas. E de fato o dólar está caindo bastante neste ano, aliás, nos últimos 12 meses.
Medido pelo dólar index, o dólar já caiu mais de 10% e nesse começo de 2026 segue caindo. Chegou a testar ali o nível de 96. Se for abaixo de 90, é um nível interessante, mas mostra como está havendo uma política oficial de desvalorização.
E embora não tenha ocorrido ainda um acordo oficial, o que nós estamos vendo é que na prática há intervenções pontuais, há articulações entre os secretários de fazenda, entre banqueiros centrais dos Estados Unidos, agora com o Japão, como foi esse rumor recente, para enfraquecer a moeda americana ou fortalecer as demais moedas. Então o acordo de Maralago na prática, ele está ocorrendo, não foi assinado, não foi oficializado, não está estampando os jornais, mas na prática ele está ocorrendo porque é essa é a política agora do governo americano, seja pela comunicação, seja por intervenções em conjunto e com a concordância dos demais países. Agora foi com o Ien, já tinha sido com o peso da Argentina, mas é uma moeda importante, mas com o Ien, ah, isso é muito importante, é simbólico e é histórico.
O que me traz então ao Real Brasileiro que está arrumando para o nível de cinco e que eu já disse inúmeras vezes aqui em vários vídeos, como o cenário externo favorável, à política de desvalorização do dólar, ela acaba ajudando e muito a nossa moeda. Até o Careca da Golden lá, o Robin Brooks publicou recentemente um tweet. Editor, coloca aqui na tela, por favor, mostrando como na sua avaliação mais de 90% do movimento recente do real brasileiro tem a ver mais com o fator externo dólar americano e não questões domésticas do Brasil.
E eu concordo, não sei se é mais de 90%, mas certamente é o principal. E o cenário interno não atrapalhando. Essa é a verdade.
Quando o animal atrapalha, o o a os fundamentos do dólar no mercado acabam também ajudando o nosso câmbio. Então não é surpresa que o dólar esteja arrumando para cinco e não me surpreenderia que o dólar caísse ainda mais. Inclusive, eu comentei num vídeo recente que poderia ir abaixo de cinco.
O meu valor justo pro R, até eu tenho que atualizar, mas o meu fair value, né, o câmbio, a taxa de câmbio de equilíbrio, o valor justo do nosso real é mais ali ao redor de 475. Então R$ 4,75 por dólar. Saiu uma fala do Stoolberger também da Verde Asset dizendo que o dólar poderia ir para 4,40.
Não sei se chega tanto, mas se o cenário externo favorável pro dólar permanecer. E não há nada que nos diga o contrário, porque essa é a política americana de enfraquecer o dólar. E dois, o cenário doméstico também for favorável, especialmente com uma possibilidade de mudança de governo no fim deste ano, com as eleições.
Olha, o dólar, sim, pode ir bem abaixo de cinco e não seria nenhuma surpresa. E com isso a nossa bolsa também, que já está aí batendo o recorde nominal em reais, voltaria a ou seguiria essa tendência de alta, como estamos vendo. E que também a gente tem analisado isso já há algum tempo, como o Ibovespa estava com uma ótima relação, risco retorno, papéis descontados e, portanto, também não deveria estar surpreendendo ninguém esse rally recente da Ibovespa.
E para encerrar, a verdade é que o movimento de dólar fraco, ele é bom para o mundo inteiro, especialmente para emergentes. E por isso que o Brasil também está sendo beneficiado. Se o Trump permanecer no poder, não for empichado até o fim do seu mandato e perseverar nesta política de desvalorização da moeda americana, o cenário pro real brasileiro, pra nossa bolsa, para emergentes, olha, ele é bem auspicioso e pra moeda americana é de enfraquecimento.
Isso não significa o fim do padrão dólar de imediato. Já fiz outro vídeo sobre isso. Quem ficar com esta dúvida, eu vou colocar aqui o vídeo para vocês.
é assistirem novamente, até para entender o movimento do ouro como diversificação das reservas internacionais, mas esse é o vídeo para explicar o que está acontecendo com o dólar e a política macroeconômica do Trump de enfraquecer a moeda americana. Compartilhem o vídeo, se inscrevam no canal, ativem o sininho. Qualquer dúvida sobre investimentos, alocação, planejamento patrimonial, conversem com a nossa equipe da Liberta Weelf, a nossa consultoria financeira independente.
Vou deixar o código QR aqui na tela, link na descrição do vídeo e assim vocês podem ter uma assessoria bem customizada para as suas necessidades. Fico por aqui, até o próximo vídeo.