É uma coisa que continua mexendo com o sentimento. Duas pessoas resolveram me seguir e eu não sabia porque que estavam me seguindo. E um entre eles dois, conversando um com o outro lá, acharam de vir atrás de mim, daí foi desenrolando tudo isso.
Hoje em dia é de tijolo. Aqui era tudo de. .
. com exceção de bem poucas e bem afastadas que eram de tijolo. Aqui não tem nada de alteração de nada.
Está conforme o original de antigamente. Tanto é que você vê o Cristo atravessado. Assim, ó.
Ó lá. Era aqui no meio. Esses de baixo, de vez em quando sofriam derrubadas na época.
Foram vários dias. Inclusive em um dos dias ele. .
. Eu me lembro que eles fizeram uma compra, levaram para a família, de alimentação. Porque a gente tinha uma alimentação precária.
Eu me lembro disso. Aqui é minha mãe carregando água com uma criança do lado. Esse aqui é o meu irmão Mario.
O cachorro ia morder ele. . .
– E aí ele mordeu primeiro? Foi e mordeu primeiro. Tinha que carregar água, carregar lenha, comprar mantimentos.
Chegar lá em cima do morro fazer, pra se alimentar, dar banho nos menores. Aqui sou e o Mario. Na praia.
Coisa que. . .
apesar de ser perto, por exemplo de carro, a gente nunca chegou a ir à praia. Você andar vestido assim demonstra bem. Você vê pela fotografia que era sempre roupa ganha, que as pessoas davam, maiores que o dono.
Ali cabem dois. Olha o tamanho da tina que ela carregava. A roupa, olha lá.
Eu falei. Olha o tamanho da. .
. da bacia. Cheia de roupa.
Olha lá. Eu estava carregando alguma coisa pra cima. Não sei se é alimento.
De repente alguma tábua pra reformar. De vez em quando você tinha que restaurar. Se você olhar bem, o pé dela tem uma marca de queimadura.
Ela tem a marca até hoje, se não me engano. Essa aqui é que nunca mais. .
. Foi trabalhar na casa de família e nunca mais apareceu. Pode ver que é tábua.
Aqui. E aqui tá faltando até um pedaço pra completar ali. Fogão.
Em cima de tábua, mas tinha uma forração de. . .
de coisa pro fogo não queimar. Panela no fogo. Aqui é ela, minha mãe.
Aqui é minha mãe. Isso aqui é pra queimar. Carregando lenha pra queimar.
Ao ouvir minha história, os americanos contribuíram com o que podiam, inclusive crianças com as suas mesadas, em benefício da família. E foi feito um ajuntamento. Foi depositado numa conta e depois foi dividido em três partes: Uma parte pra compra da casa e o benefício da família, a outra parte pra melhoria na favela e a outra parte foi pro meu tratamento e pra minha saúde e outras coisas.
Manutenção geral. Aqui aprendendo inglês através de amostras de objetos. Quando começaram as aulas, eu já estava falando e escrevendo e lendo.
Em um mês. O aeroporto. Aqui é na antiga Sears.
Compraram roupa, compraram sapato, compraram tudo que era necessário. Brinquedo pras crianças. Mudança de clima, mudança de hábitos, de tipos de situações com criança.
Mas isso aí deu pra se adaptar. Ah, incomodar, sempre incomoda, né? Porque está demonstrando a realidade daquilo que estava acontecendo naquele momento.
E quando eu disse que de repente morreria rápido, cedo, essa foto já diz isso. Já demonstra isso. Descreve isso.
Eu ainda tenho esse sentimento. Entendeu? Apesar de tudo, eu ainda tenho esse sentimento.
Dor, saudade. . .
Estar junto com pessoas que me deram muita a atenção. Isso foi muito importante. Deu no que deu.