As narrativas compartilhadas têm o prazer de ouvir hoje Moniza Maciel, Nilza Maciel, educadora e contadora de histórias, Hesa Luna, do curso de Pedagogia da Uniso, e, principalmente, nossa grande amiga. Sou grande admirador dela desde o começo da carreira, há mais de 19 anos. Harmonizar 21?
Eu te deixei passar, tá? Ela também foi contadora de histórias no Colégio Dom Aguirre, tá? Ela trabalha principalmente com aquilo que se chama a literatura de afeto e aprendizado.
Isso ela que vai contar depois o que seja, tá? Dentro de inúmeras ações que Harmoniza já participou, ela participou da Expo Literária promovida pela Prefeitura Municipal de Sorocaba, em 2009, mais ou menos. E, nessa época, a Expo tinha um grande apoio da prefeitura, né?
E a participação de excelentes profissionais. Nessa ocasião, apresentou a Peppa, né? Que é baseado no livro da Silvana Rando, nossa grande amiga também.
E as alunas também do Colégio Dom Aguirre, nessa feira mesmo, participaram, dentre outros, Maurício de Sousa, Ricardo de Azevedo, Pasquale Cipro Neto, de Urina no Viu, e grandes nomes de Sorocaba e região, né? E também do Brasil. Ela tem inúmeros projetos, dentre eles o projeto com o coro infantil da Fundec.
É uma, dela, apresentou a contação de histórias do Gildo, também baseado no livro da Silva, narrando lá na Fundec. Apresentou "Bruxo Lina", "Hoje Tem Festa na Floresta" e, dentre outros aspectos, já está bastante envolvida no projeto "Viva Lobato" e em parceria com Ricardo Monteiro Lobato, que é bisneto do escritor, tá? Também teve nascimento da boneca Emília no projeto da Orquestra Experimental com o Coral Infantil da Fundec, e também o Soldadinho de Chumbo, que foi com a Banda Sinfônica da Fundec.
Também, isso foi o "Reino da Amizade" do "Ar" com a Orquestra Experimental. Ela ministra cursos, dentre eles de contação de histórias, né? Dentre eles, ela apresentou já na Uniso, em cursos de extensão, os 100 anos e milha "Arte de Contar Histórias", que ela apresentou também no SESC e assim por diante.
Então, hoje continua como professora no Colégio Anglo Sorocaba, na parte do Cão Infantil. E ela vai contar um pouquinho dessa linda história dela nesse contexto. Moniza, seja muito bem-vinda!
Queremos ouvir agora você. Gosta de contar uma história? Então agora, hoje vai contar e fazer a narrativa da sua vida, tá?
Com certeza! Aí, eu te digo muito! Aí, também, de uma trajetória de um lar sempre foi incentivada.
Meus pais, sempre que possível, estavam incentivando a leitura. Tem uma passagem engraçada da minha vida que a minha mãe, adolescente, mandava limpar a casa e lavar, e eu, meio parado, estava lendo o jornal velho. Então, para mim.
. . Dentro dos recursos e das possibilidades, eles sempre foram grandes incentivadores e sempre fizeram a grande diferença na minha vida.
Sempre gostei de estudar. A educação foi algo que sempre deu forte. Aí, tornando-se adolescente, acabei pensando em Psicologia, Forno, enfim, Direito, mas a educação sempre bateu forte.
E, se eu pudesse voltar no tempo, escolheria novamente ser educadora, porque é a profissão que transforma! É uma profissão que é o legado de todas, né? Que vai promover realmente o re-significar olhares, o repensar.
Então, eu sou apaixonada pelo que eu faço! E no meio do caminho surgem as narrativas. Eu vim da escola pública.
Tenho muito orgulho de ter vindo da escola pública e de ter alcançado os meus objetivos, as minhas metas. Então, muitas vezes, os jovens são desmotivados. Ah, você vem da escola pública, não tem oportunidade, mas acreditar no seu sonho, ter objetivo, buscar, estudar, ter foco, as coisas acontecem, as coisas dão certo!
Eu sou uma prova disso. E as pessoas que passaram pela mesma experiência. Nasci em Sorocaba, mesmo.
Eu nasci na cidade de São Paulo e fui para Sorocaba aos três anos de idade. Morei na Rua Aparecida, em função do trabalho do meu pai. Ele veio trabalhar em Sorocaba, e nós viemos para cá.
E o meu irmão Flávio, minha mãe e meu pai, querido Levi Castori Zenalia Maciel. E, aí, nasceu do fruto desse amor a minha irmã, Vivi, que é a caçula. Nós moramos um tempo na Rua Aparecida.
Estudei na Nascer da Educação Infantil da Pio 12 e aí fui para a escola pública, fiz todo o meu curso do ensino fundamental I, o fundamental II, e fiz o ensino médio na Vila Angélica, no Colégio Isodoro, na época de escola padrão, escola modelo. Era uma época que o estado promovia isso, mas eu tive bons professores, professora Etelvina, que eu tenho contato até hoje; a professora Irene; e a professora Sandra de Língua Portuguesa, que eu tenho um carinho, admiração e respeito. Gostaria de vê-las para poder retribuir, porque acho que é tão importante você dar esse feedback, esse retorno, porque são pessoas que fazem a diferença.
E eu percebi já na adolescência, nos tornando adulta, a gente entende mais na validade, o valor e o intento que essas pessoas tinham para promover uma educação de qualidade. E eles conseguiram, dentro dos recursos que tinham, muito bem. Quanto a algumas coisas assim, bem significativas dentro da sua formação escolar, desde criança até hoje, assim, as coisas.
. . Foi sentindo que foram significativas para aquele.
. . Música.
Hoje é até engraçado que a gente vai se tornando adulta e vai pegando uns flashes da infância. Eu voltei nessa escola da Pio 12, na SEI OI, para prestar serviço com Narrativas. E aí eu comentei com a diretora Flora: "Quando era criança, fiz a educação infantil aqui".
Eu lembro que tinha uns fantoches lindos que ficavam em cima do armário, mas nós não podíamos pegar, naquela época o material era muito mais restrito. Até entendo a postura da professora, mas eu me encantava olhando para o fantástico. E aí ela falou assim: "Eles existem!
", e abriu o armário e eles estavam ali, despinguelados. Senhor, mas aquilo veio tão forte que, de certa forma, já foi me integrando, já foi me formando, entendendo essa ludicidade, e eu acho muito importante isso, né? E a gente vai entendendo que nós somos hoje são pinceladas que não se vê no processo da infância.
Eu brinco com a grande contadora de histórias da família: minha mãe. A minha mãe narra muito bem. Ela nasceu em Irecê, na Bahia, e conta muitas histórias.
Meu avô era fazendeiro e ela conta histórias de suspense, de medo, que até hoje eu fico na dúvida se eram ou não eram, porque ela conta com uma verdade. Eu comentei da cidade que fico na dúvida, e é bonito você ver essa narração, que é muito forte no nosso país, que são pessoas que não tiveram oportunidade de uma formação acadêmica, de uma formação escolar, mas que a narrativa é estruturada dentro da pessoa. Todo mundo tem um avô ou uma tia, alguém especial que sentava num banquinho e conseguia passar aquela história com muita verdade, com intensidade, que até torna a sensação, o cheiro daquele momento dentro de nós.
Então, a palavra é muito forte. É claro que, dentro do universo acadêmico, nós vamos estudando, pesquisando, buscando de forma incansável, mas nós vemos que a pertença da palavra, a essência vinda ali do ser humano é algo muito forte, até do primitivo. Quando nós vemos as fogueiras, as partidas.
Então, isso é muito interessante; nos cursos eu vejo muito isso: as pessoas se emocionando. E da minha família, minha mãe, a grande contadora, tá certo, muito bom! Então, um resgate lá da dentro da escola, o que aconteceu assim, até chegar no ensino médio e na faculdade.
Sempre gostei de ler, mas não tinha muito. Naquela época, nós não tínhamos muitas bibliotecas, não tinha livro em casa, a acessibilidade era mais difícil, mas todo livro que tinha eu dava muito valor. Então, eu lembro que meu irmão ganhou uma coleção que eu tenho até hoje.
Nós devemos ter seis ou sete anos porque era uma coleção de livros, eram os clássicos dos contos de fadas: era Pique-Pique e A Polegarzinha. Lembro que fiquei encantada com a Polegarzinha, da coberta dela ser uma peça, ela com esse imaginário que você faz de conta. E esses livros eu tenho até hoje.
Eu lembro que ele não deu muita bola, mas eu me apossei daqueles livros de uma forma intensa porque não tinha muito. Então, o pouco que tinha, queria ler, queria devorar. Mas sempre, e esse desejo, o pouco que tinha minha família sempre incentivou muito.
Apesar de virem de um lar simples, eles sempre viram a educação como transformação, e com muito respeito. Então, o incentivo à educação sempre esteve presente. Eu sempre quis fazer faculdade, mas naquele período não existia acessibilidade como hoje, era mais difícil.
E eu lembro que minha mãe falava: "Não sei que você quer estudar, mas a gente não tem recursos. " E eu falava: "Não, eu preciso estudar. " E eu ficava vendo aquelas empresas que pagavam para o funcionário, que mandavam o ônibus vir buscar.
Falava: "Meu Deus, é muito chique uma empresa que paga para eu estudar! Eu quero essa empresa! " E aí eu fui crescendo e consegui entrar na Uniso.
Na época, eu era secretária de um médico, de um ortopedista muito querido, Dr Túlio, e consegui entrar na faculdade. Então, assim, eu recebi aqui, gostei ali. E, nesse meio tempo, em seis meses que eu estava na faculdade, a clínica fechou.
E aí fui entrar como bolsista, mas o que era para ser uma história ruim, de não ter recursos, de ser difícil, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, porque pedi para ser estagiária, passei pelo processo, e aí fui parar na biblioteca, onde era a coordenadora, uma pessoa muito querida, mas em especial a Dona Conceição. Isso ganhou, ela que foi uma mãe que me apoiou, acolheu. Sim, entendeu a mão.
Hoje, com a família Lobato, Monteiro Lobato, uma pessoa muito especial que, junto, estamos engajados em formar um país de leitores. E quando estou fazendo, preparando os espetáculos, o curso, eu consigo me lembrar com clareza dos momentos que estudei naquele período. Então, estudar é muito precioso, e eles me proporcionaram isso.
Está dentro da faculdade, da biblioteca. Me envia um movimento muito grande das crianças ainda voltando, mas não aconteceu nenhuma ação, nenhuma política de leitura, e eu vi os professores levando as crianças, mas era um grupo grande. A gente entende o dinamismo até a questão de conteúdo, então era uma passagem rápida.
E eu comecei a pensar que poderia ter uma ação para receber as crianças, pensarem em motivações de incentivo à leitura. E aí eu penso, comecei a pensar dessa forma e escrever o meu TCC. Naquela época, eu não entendia o que era contação de histórias.
Então, eu trouxe ações com um pedagogo, que poderia desenvolver numa biblioteca para incentivar a leitura, e pensando nessa linha, eu sempre pensava em dinâmicas e vivências que as crianças podiam ter com a literatura naquele espaço. E, nesse processo de escrever o texto, eu tinha um grupo de amigas muito queridas, que era Leila, Janaína, Paulon… e aí já Deus recolheu. E aí ela disse: "Olha, vai ter um congresso de leitura na Unicamp.
Aí, vamos escrever. " Falei: "Nossa, mas eu me inscrevi no congresso da Unicamp. Será que é possível?
" Mas elas me incentivaram tanto que eu fui! E o pouco dinheiro que eu tinha, fiz a inscrição. Qual foi minha surpresa?
Que era uma mini comunicação, eram 20 minutos, e eu fui aprovada. E aí eu fui para o camp apresentar essa mini comunicação, de algo que eu acreditava que tinha ações e sem segunda leitura. Na biblioteca, podia ser significativo por motivar e inspirar a literatura, experiências literárias com as crianças.
Que fosse importante! Ah, e hoje, 21 anos depois daquilo que era uma teoria na minha mente, deu certo, né? Deu certo dentro do universo da biblioteca.
Hoje, já acabei indo para a sala de aula, mas a biblioteca foi o berço; foi onde tudo iniciou. Eu não tenho um carinho muito grande, que foi na Uniso que tudo começou. Então, o fato de ser bolsista foi um prêmio, porque foi lá que meu profético outro foi esse olhar: olhar de delicadeza, olhar de necessidade de incentivo à leitura, do lúdico.
É porque nós só incentivamos a leitura, mas como incentivar? Qual ludicidade? Como é a palavra?
E tive pessoas muito queridas, como a Carla, que a biblioteca sempre teve uma palavra de incentivo, porque no começo era tudo muito estranho. Um contador de histórias: muitas pessoas riam. O que a contar histórias?
Aparecerá a fábula "A Cigarra e a Formiga". Tem uma pessoa que não faz nada, que é meio à toa, e na verdade hoje nós sabemos que aquele que estuda muito, que é muito empenhado, que está envolvido com a pesquisa, tem que ter muita seriedade com a oratória. E foi um trabalho que deu certo, e que eu ainda quero escrever muito, muito essa história de um conto por hoje.
Porque como que ele, esse projeto, ali dentro da biblioteca? Mas isso você vai fazer daqui a pouco. Vocês vão fazer uma pequena pausa, e aí então você vai encontrar essa experiência dentro da biblioteca.
Então, daqui a pouquinho, humaniza! Continua contando para nós agora essa história da contação de histórias dentro da biblioteca. Até já!