Agora sim. >> Programa de hoje, a pergunta que não quer calar. Onde esse mundão vai parar?
>> Vai morrer? >> Ódio, guerra, indiferença e muito mais. [música] Tudo muito bem explicado por ele.
Ohó. Filósofo que [música] divide opiniões e une orientações. >> De repente dá para funcionar um país desse jeito?
Será? Professor Luís Felipe Pomé. >> Ó o Pondé, ó.
Pondé, show de bola. >> Pondé manja muito, né, Pondé? Como é que tá?
Tranquilo. >> O conselho que você deu aí sobre os dólar e o checking. Checkout.
Sim, mas você pode. Faça isso porque ele tem poder. >> A gente acha que ele não tem poder, mas ele tem poder de mudar as pessoas, porque eu sempre tem um quarto, sempre tem uma coisinha melhor, sempre tem um um esqueminha.
>> É bom. >> É. E aí, Pondé?
Eu vi o eu vi o eu vi hoje na Jovem Pan um curso. >> Tem curso de >> Então, que que eu vi? Tem um, eu não sei que, mas assim, tá rolando o curso da Casa Folha, meu curso na Casa Folha, que o a Casa Folha tem vários cursos e o meu de história da filosofia estreou dia 11 de dezembro, 10, talvez seja isso.
>> Ah, então acho que é isso, >> porque eu tô preparando o curso pro ano que vem, mas não tem nada anunciado. >> Então é esse, é esse que eu vi aqui que é história da filosofia. história da filosofia, não lembro exatamente o número de de aulas, mas são o estilo masterclass, né, que são aulas mais curtas assim.
>> Uhum. >> Foi bem divertido gravar. >> Que que você mais gosta assim de da filosofia?
Porque filosofia tem, tem uma uma sé é um é um falando uma coisa e outro tinente. >> É. É.
Que que você mais que que você mais gosta assim da da filosofia? Olha, isso é uma coisa que tem o espaço e tem o tempo. Então, hoje, por exemplo, eu me ocupo muito em filosofia de filosofia política, >> tá?
>> Mas, por exemplo, quando eu tava na graduação e no mestrado, até o doutorado não era o meu tema que eu dava mais atenção. Eu dava mais atenção pra moral, pra filosofia da ciência. Estudei muito hoje, a gente chama em filosofia de epistemologia, que é teoria da ciência.
Então, escrevi livro sobre isso, inclusive esse era um o meu xodó, digamos assim. >> Então, eu sempre gostei muito de ceticismo, que vai dar em teoria do conhecimento, mais ou menos. >> Sim.
>> Epistemologia. E no doutorado eu acabei pesquisando também bastante Pascal, que é um filósofo religioso, mas você tinha uma professora, a grande professora Scarlett Barton, que ela dizia que existem dois tipos de filósofos, a USP, né, ela comparava um que é porco espinho, o outro é raposa. Na realidade ela tava citando um filósofo chamado Agurlin sobre Tooy, >> tá?
é longa a referência, mas sim. E ela dizia: "Ah, você tem aquele que é porco espinho, que é aquele que passa a vida estudando uma coisa só, destrinchando aquilo e voltado para aquilo? E tem um filósofo que é estilo raposa, que é o filósofo que usa a filosofia como a gente fala hermenêutica, como interpretação da realidade.
E ela falou para mim assim: "Eu tava na graduação, né? Eu acho que você é esse tipo de filósofo, que você gosta da filosofia como uma linguagem para aprofundar o mundo, entender o mundo. >> Uhum.
>> Então eu diria que ela acertou em cheio. Tanto por isso que eu fui pra imprensa, né, para mim. >> Legal.
Então, mas vocês são porque hoje em dia, eu fui gostar de filosofia, eu fui fazer direito, aí eu comecei a estudar filosofia no tinha isso. Na minha época não tinha isso da época, educação moral e cívica. É, >> então, aí depois que fazer direto, aí tinha filosofia do direito.
E aí eu comecei a gostar, mas também nunca me aprofundei porque também burraldo, >> burraldo. Só que aí aí a partir de vocês, né, que começaram a popularizar, né, a filosofia hoje, muita gente, graças ao trabalho de vocês, você e os outros professores também, né, >> a gente tem a a fila Cortela, muita gente foi foi estudar, né, foi aprender um pouco de filosofia. Pô, vocês fizeram um trabalho muito legal, viu, Pondé?
É muito legal isso aí que vocês fizeram. Olha, eh, de fato, eu e os colegas, eu sou eu, carnal Cortela e o Cloves, basicamente, né? Obrigado.
>> Quarteto, >> é, alguns chamam de quatro tenores da filosofia. >> É, faz essas essas comparações. É, >> eh, de fato, a gente encontra, acontece tanto com eles quanto comigo, a gente encontra pessoas assim, tudo quanto é lugar que fala: "Ah, eu fui estudar filosofia, eu me interessei por história, me interessei por filosofia".
Então, apesar de que ah isso quatro professores, né? Quatro professores que sempre gostaram de dar aula. >> Uhum.
>> Sempre se deram bem dando aula. Portanto, tinha uma chegada >> na comunicação, digamos assim, e que por uma série de fatores, ao longo da vida, mais ou menos a mesma época, a gente acabou indo, eu, ah, todos, não todos, mas alguns acaso de saber, no começo do século, né? Pois eu fui pra Folha, isso abriu um monte de espaço.
Aí tem uma uma passagem engraçada que é o seguinte, é muito comum às vezes a pessoa fala comigo, acha que eu sou cortela, que acha que eu sou carnal, fala [risadas] carnal, acha que ele ele sou eu, sou e o carnal ele tem uma saída muito >> hilário. O carnal é muito assim, tem um senso de humor que eu assim de nós todos é o que tem o melhor senso de humor assim aguçado. Ele falou: "Agora eu faço o seguinte, quando alguém pergunta, você é o Pondela, eu fala: "Eu sou.
" >> É. >> É. Você é o Cortela?
Eu sou. Porque na realidade a gente é a mesma entidade, >> entendeu? [risadas] >> Nós somos a mesma, é quase uma trindade, né?
Nós somos a mesma entidade. E as pessoas confundem, apesar de um ter, cada um ter uma cara, >> um é careca e outro dois são careca. >> É, mas eu tenho barba, ele não tem, né?
O o o Cloves também é quase careca, tem um pouco de barba, o Cortela tem muito cabelo e muita barba, >> né? Mas assim, eh, ele disse, nós somos a mesma entidade, então as pessoas confundem porque na realidade elas remetem a nós um tipo de trabalho, que é esse trabalho que você falou aí. >> Uhum.
>> Que é você poder conversar com as pessoas fora da universidade e falar de filosofia, de história, de sociologia numa linguagem que não seja hermética. Porque é universidade hermética, né? >> Sim, claro, claro.
E aquele programa que você faz junto com a nossa companheira aqui, não, não é café na cultura, pô. >> Linhas cruzadas, >> linhas esse programa, esse programa é Já viu o Sam? Esse programa é muito bom.
Tem no YouTube. No YouTube tem. Eu eu pego lá, eu sempre tô tô ouvindo o programa quinta às 10 da noite na TV, mas tem no YouTube, tem todos os programas.
É muito legal esse programa da cultura. É bom. Sabe que o bondess criou coisas maravilhosas e coisas horrorosas também.
Eu vou te falar o que foi. Foi a vertente na internet de coaches que beberam na fonte desses filósofos. meu.
Se você pegar na pandemia o que que foi criado de pessoas que pegam da filosofia e de especialistas, como é que você vê essa epidemia de coaches que vocês >> Olha, eu pessoalmente já critiquei bastante isso, né? Eh, assim, teve uma época que eu bati muito pesado nisso, porque assim, eu até entendo que em momentos de grande sofrimento, você lê um livro de autoajuda, por exemplo, >> certo? >> Porque se a pessoa tá em agonia, você vai ver a par dizer: "Esse livro é uma babaquice, cara.
>> Qualquer coisa vale. >> É falta. É, quando você tá em profunda agonia, qualquer coisa vale, né?
Então eu até entendo que uma pessoa em absoluto desespero, perdendo emprego, enterrando a carreira, né, precise de um profissional assim. Mas a a minha birra e minha crítica é quando isso se transforma, como se transformou, numa opção psicoterapêutica, né, e que trabalha sempre com uma lógica do tipo assim: "Você vai conseguir, você vai chegar lá >> a 1 bilhão, >> quando não vai, >> infelizmente não vai". Você entende assim?
Às vezes chega, mas quando chega paga o preço porque chegou. às vezes não chega, às vezes não sabe direito o que que você quer. E aí quando você entra numa vibe dessa, tipo assim, eu faço um uma terapia dessa e o terapeuta fala que se eu não conseguia porque eu não tentei o suficiente, eu não consigo ainda me acho culpado.
É isso mais triste, né? E tem outro e tem outro, porém pond eh eh os coaches da nova geração >> misturam um pouco de autoajuda, um pouco de uma filosofia muito rasa com religião e Deus. Então essa tem o coach que é coach financeiro junto com o religioso.
>> E aí, opa, >> pode ser uma um engano meu, até determinado tempo, a religião, né, ela foi diminuindo o espaço com a ciência entrando e não se misturava. E agora parece que a gente tá retrocedendo. Você tem essa percepção?
>> Tenho, aliás, foi bem lembrado isso, porque isso é um desenvolvimento que a terapia de coaching acabou cruzando com certas correntes religiosas dentro do cristianismo, principalmente no Brasil. E a gente até sabe nomes, né? Então não vamos citar, é claro, nomes que fazem isso e que de fato transforma Jesus Cristo numa espécie de coach number one, né?
>> Isso. O primeiro do primeiro coach do mundo. >> É o primeiro coach do mundo.
Isso aí. E aí no final das contas você tanto tá adentrando o território da do investimento pessoal consciente que você faz um determinada coisa na vida, quanto a sua própria capacidade de fé >> total. E a fé religiosa, eh, eu sei que para muita gente ajuda muito.
Tem até pesquisas que mostram que pessoas que têm fé enfrentam doenças terríveis. Melhor, tem pesquisa de comportamento em hospital que faz isso, né? >> Mas a verdade é que a fé ela ela também pode ser um poderoso instrumento de alguém fazer o que quiser com você.
>> Sim, sem dúvida. Controle >> entende? É, gente, >> é onde manipula, né?
Controle medo. Medo, >> examente, né? E é isso que é assim, ela a às vezes ela cura, ajuda, te dá força e às vezes ela pode fazer com que você e e gastar dinheiro é uma das coisas só, mas pode estabelecer manipulação, abuso.
É um mundo é um bicho perigoso. >> É, mas é o que você fala, né? que nem você fala que essa esse mundo que a gente vive hoje em dia é o mundo do marketing, é o mundo da mentira, é o mundo de se mostrar pras pessoas uma pessoa muito bacana, né?
O virtuosão do momento sou eu. E todo mundo julgando alguém sem se julgar, né? >> É.
>> Então é um momento complicado, né? Porque você você a gente tá pode reparar ultimamente a gente o Zezé de Camargo, né? Então todo mundo vai lá e fica jogando o que que o Zezé de o que que o Zezé de Camargo falou negócio do SBT, porque o Lula foi no SBT e talade >> todo mundo.
Eh, que é uma coisa que não tem a menor. Qual é a importância que existe isso pro mundo? Nenhuma.
Mas virou o assunto do momento. A gente só discutia isso. >> É porque é porque as redes sociais elas são marketing digital, marketing digital.
Quer dizer, tem uma um viés que assim, todo mundo se vende o tempo inteiro. Daí chega no tema da sinalização da virtude que você tava falando no começo agora dessa questão. E e eu costumo pensar o seguinte, tem uma passagem famosa no Novo Testamento, até parece que eu tô pregando hoje, né?
Pastor, >> irmãos, irmãos, tem uma passagem no novo muito famosa, todo mundo conhece, que é a famosa passagem da mulher adúltera, >> né, que, né, famosa no cinema que, inclusive o cinema embaralha, fala que é uma Madalena, não tem nada a ver com Madalena. Madalena nunca foi prostituta, nunca foi a mulher adulta, nada a ver, ela era uma apóstola e pronto, né? Então assim, mas eh eh é nessa cena, é famosa cena aí Jesus pega uma pedra, né, e fala mais ou menos assim: "Quem for puro de pecado que atire a primeira pedra".
>> Aí todo mundo joga a pedra no chão e vai embora, né? Bom, e aí ele fala: "Nem eu te condeno, não peques mais" e tal e tal. Hoje todo mundo ia jogar pedra nela.
>> Sim, sem dúvida. >> Cancelada. É, todo mundo ia jogar pedra nela porque todo mundo se considera puro.
>> Perfeito. >> Aí que tá certo. Na Então, a impressão que dá é que naquela época ainda se tinha um pouco mais, não tô dizendo que o passado era bom, o mundo sempre foi complicado, ainda havia um pouco mais de honestidade moral, especificamente, porque hoje ah, todo mundo tem percepção de que você é você e sua imagem, o que é o que é veiculado nas redes, entende?
Então, por isso que que todo mundo que é famoso sinaliza a virtude. Todo mundo tem um sentimento muito bom, tá a favor da coisa certa, né? Quando quando você estuda história da moral, da ética e tal, você fica pensando assim, uma uma das características da virtude é que ela é silenciosa, ela é tímida, a virtude não se anuncia.
>> Aham. >> Porque inclusive, se você anunciar, ninguém acredita em você. >> Sim.
eu sou corajoso. Provavelmente é um bundão, certo? A virtude você reconhece no ato, na prática, no cotidiano.
E aí todo mundo fica sinalizando em virtude no Instagram, acontece isso. Agora, a segunda parte que você falou, Emílio, da coisa da fofoca e tal, da história do Zé Zé de Camargo, SBT e tal, é porque na realidade, veja bem, se a gente não trabalhar o dia inteiro, o mundo entrava, ia pro saco. Eu acho muito fofo gente que fala, não, trabalhar só duas horas por dia a humanidade inteira todo ia pro saco, porque não ia ter o que fazer.
Minha avó falava: "Cabeça vazia, oficina do diabo". Se você não tem o que fazer, então o que acontece? Muita gente fica nas redes sociais pendurados fazendo fofoca.
Isso é fofoca. É a natureza humana agindo nas redes sociais, falando mal de quem. E o que acontece é que até grandes marcas de mídia, elas acabam tendo que entrar nesse jogo em alguma medida >> muito >> para ofereceros seus seguidores, leitores, ouvintes, o que for, >> mas a internet tá lá para dar opinião.
Você dá a sua opinião. O próprio Zézé, ele foi dar a opinião dele e a >> sobre o assunto. Então ele também que gerou tudo.
Então todo mundo quer participar, todo mundo quer dar o seu pitaco, tá nesse lugar, né? É, ela estimula, >> tem uma parte do de narcisismo também das pessoas de quererem ter, >> olha, >> a ideia e a opinião >> protagonismo. >> Protagonismo.
Ô, ô, ô, Pondé, você falou agora que você tá meio ligado na filosofia política. O que que, como é que você tá vendo assim o >> cenário? momento, o cenário, a >> então eu acabei nos últimos tempos sendo a filosofia política como um foco, apesar que eu não larguei o resto, ah, por razões profissionais no instituto, porque quando você vai pra imprensa e paraa mídia, você tem que dar conta de política, né?
E a filosofia tem um repertório vastíssimo sobre política. Aliás, a filosofia inventou a reflexão sobre política, né, desde desde Atenas. Então assim, o que eu vejo assim em alguns em em algumas facetas é primeiro a gente tem um uma crise muito grave no mecanismo de representação, não só no Brasil, >> democracias tá falando, >> é o mecanismo representativo da democracia.
>> A gente tem um uma grande instabilidade em outros países, mas no Brasil também. Eu não falo que tem outro só para jogo do contente, só para dizer que é um tema que transcende o país, apesar do país ter suas características. E aí o que acontece?
Ah, quando entra ao longo da história, quando entrou algum mecanismo de distribuição de informação em escala maior, você sempre teve instabilidades. Eu vou dar dois exemplos que eu não descobri a roda, isso na filosofia é sabido ou na mídia, né? estudos de comunicação, por exemplo, os europeus, cristãos, protestantes e católicos se mataram cerca de 200 anos, famosas guerras religiosas.
Uma das causas dessas guerras foi porque um sujeito inventou um treco a prensa, que virou a imprensa. A Bíblia foi traduzida paraa língua vernácula. Quem sabia ler língua vernácula começou a ler a Bíblia, começou a ser alfabetizado na Bíblia.
Isso começou a gerar conflito de interpretações. Não havia interpretação da Bíblia. O que havia, ninguém nem sabia.
A Bíblia era em grego ou latim, >> certo? >> E copiada, né? Quando ela começou a circular, ainda que numa escala menor, essa é uma das causas das guerras religiosas.
Por quê? Porque elas criaram as condições para que na Europa grupos começassem a ler a Bíblia. >> É, o Lutero fez isso, né?
É, o Lutero fez isso, >> ele deu uma miguelada no texto do Gutenberg. >> E aí isso acabou gerando a o conflito de interpretação e de poder. Um momento havia conflito entre os príncipes alemães, como a gente fala, e o papado, mas a tradução e a circulação da Bíblia, bom, uma outra coisa que é largamente estudada em faculdades de comunicação é vínculo entre rádio e movimentos fascistas da primeira metade do século XX.
Sim, >> né? Porque as pessoas ficavam em casa ouvindo rádio, os caras ficavam fazendo discursos horas e horas, ninguém tinha o que fazer, o rádio era o que as pessoas faziam, tá? >> Então, há que se esperar transtornos no mecanismo político de representação com a evento das redes sociais, >> como já está acontecendo.
É, na Alemanha deram rádio de graça. >> É isso aí. É uma das estratégias.
Ele falou da rádio, da rádio pra turma, a turma ouvi o rádio que ele queria que >> Então, então dá é é muito provável que a gente tenha nos próximos anos já começou certas instabilidades, porque o que acontece? As pessoas começam a ter opinião, >> certo? começam a criar imagens distintas, começam a entrar em conflito com certas interpretações, isso cria um caudo de instabilidade.
E aí você, por exemplo, uma definição de democracia muito conhecida no âmbito da filosofia é uma dimensão que diz mais ou menos o seguinte: democracia é um regime segundo o qual uma sociedade estabelece uma competição legítima por voto. É uma definição curta e grossa. no cara chamado Chum Peter, que era economista.
A democracia é um regime segundo a qual uma sociedade cria uma competição legítima por votos. Quem ganhar a competição manda. >> Certo.
>> Certo. >> Certo. >> Ou seja, >> para você ganhar a soberania que é mandar, você tem que ganhar votos.
E para ganhar votos você faz qualquer coisa. >> É isso. Você que é o negócio, né?
>> Então >> que o político ele quer o seu voto >> só, >> né? achar qualquer coisa para isso >> é achar que é alguém que vai pro segundo turno com chances de ser eleito, já no primeiro, mas vamos falar do segundo turno, no caso do Brasil, achar que essa pessoa vai pro segundo turno com chance de ser eleito e que ela não vai fazer o diabo para ela levar, é uma ilusão. >> A Dilma falava isso, né?
>> O que ela falava, >> a Dilma falava: "Faço, vamos fazer o diabo para ganhar". Lembra? A Dilma falou isso.
Opa, Dilma, opa. Honesta, honesta. Ó, LF Pondé aqui no Pânico.
Eu vou fazer o break da rede de rádio, mas eu continuo nas plataformas. Valeu. Vai lá, Reginaldinho.
>> Perguntas. >> Professor, mas dentro desse dessa questão política, nas redes sociais, as pessoas elas gostam de ser enganadas? Porque assim, e ou elas entram em alguma coisa de que eu gostaria que aquilo fosse verdade, que essa pessoa fosse realmente virtuosa assim como ela está passando.
Mas em alguns casos parece que algumas pessoas gostam de ser enganadas, até mesmo dentro da política também. >> Eu acho que tem pessoas que podem ter temperamentos mais higênuos porque são a si mesmo, né? Agora, normalmente a gente tende a acreditar naquilo que a gente gosta.
Então tem todo um ramo da ciência política chamada ciência política empírica, que é razoavelmente recente, coisa de 40 anos, alguma coisa assim, um pouquinho mais, em que ela ela ela fala que a a democracia tem lendas, é a expressão folk Theory of Democracy, a lenda da democracia numa tradução direta pro português. E uma das lendas é de que fato as as de que de fato as pessoas pesquisam em eleição. Quase ninguém pesquisa nada porque as pessoas estão casando, separando, morrendo, fazendo inventário.
Bom, >> né? Ninguém pesquisa nada. Agora se fala que sim, você pergunta pras pessoas na rua como você faz para votar.
Ah, eu procuro me informar, papo furado, procura se informar coisa nenhuma. >> E quem o faz, né, o faz normalmente já movido por um viés. E esse viés faz com que eu aceite tudo que eu concordo e não aceite tudo que eu discordo.
E isso vira o critério de verdade. E um dos problemas maiores, que inclusive deu espaço para muito debate, é porque mesmo no âmbito da imprensa e da mídia, você tem gente que é envieszada ideologicamente, >> a gente sabe, né? >> Então, é envieszada ideologicamente.
Resultado, o que que acontece? mesmo nesse ambiente, o viés toma lugar da intenção de entender as coisas para além da ideologia. Então você tem, portanto, esperar que pessoas mais bem formadas não vão ser envesadas é uma ilusão.
>> Uhum. >> Né? E o que acontece, tem outra coisa que é muito interessante, que é o seguinte, a ideia de cognição política.
Que diabo é isso? É a nossa capacidade de entender o que acontece na política. É isso que significa.
Ou seja, acontece muita coisa na política. Nenhum de nós, >> sim, >> nenhum ser humano é capaz de dizer exatamente o que acontece em Washington, em Paris, em Moscou, em Brasília, mesmo que você seja um profissional da área, né? Isso se chama cognição política.
É o palavrão, a capacidade de você entender todas as variáveis envolvidas. Resultado, os gaps a gente preenche com simpatias nossas, com viés nosso, com simpatia ideológica, >> vontade. >> É, >> é >> isso aí.
>> E dentro a emoção dentre >> é um dos temas mais importantes de ciência política hoje é emoção. A gente só E tem outra coisa, a rede social ela é danada pelo seguinte, se muita gente tá falando, você fala: "Opa, isso é importante". fic recebendo essa notificação e fica aquela coisa rolando e dependendo, por exemplo, se o Pondé falou, virou lei porque ele é famoso.
Então se qualquer coisa que você vê na internet, se alguma pessoa importante disse aquilo, você fala: "Porra, é lei >> você valida aquilo lá". ou muita gente falando ao mesmo tempo. >> Por isso que quando a pessoa que sofre um cancelamento, >> ela fica desesperada porque ela acha que o mundo inteiro tá contra ela, porque ela só recebe aquela notificação, ela tá dentro da bolha dela se >> Só que não é assim, né?
Não é assim que o mundo, as pessoas têm que trabalhar. O cara acorda de manhã, tem que, né? Tem que ganhar o salário dele, ninguém tá muito preocupado com isso, assim, pagar os boletos, né?
Total. Ô Pondela, indo pra linha da filosofia que você gosta tanto, o Maquiavel fala que é melhor ser temido do que amado. E o político temido é o político que a gente vê tendo mais destaque.
Por que que o medo vence na tua opinião na política? >> É, o Macavel é um sujeito muito importante de filosofia política e ele é tão importante que o nome dele virou adjetivo, né? Fulano é maquiavélico e pejorativamente.
>> Sim. Mas e o Maquiavel, ele ele é muito importante porque entre outras coisas ele deixou muito claro que o que importa na política é o poder. Ele não mente sobre isso.
>> Uhum. >> Ele aparta totalmente a política do que a gente pode considerar virtuoso no sentido do senso comum, que é ético, né? Apesar de que ele mesmo estava preocupado em ter um príncipe competente que resolvesse o caos que era a região que ele vivia na época.
E daí ele dá sua noção de competência que deixou ele famoso como um cara meio mal. Entre outras coisas que ele fala, ele ele dá certos conselhos. Ele diz: "Olha, o medo, o temor, ele dura muito tempo".
>> É isso aí. >> Enquanto que o amor >> guerra, >> né? Uma guerra >> dura muito tempo.
Você fica com aquilo. O amor você tem que alimentar todo dia. >> É, é.
É uma florzinha que você tem que regar todo dia. Para crescer. resto da vida eterno.
[risadas] Então, >> é, é isso custou, digamos assim, bastante caro a fama do coitado Macavel, que nem foi uma pessoa que hoje chamaria de sucesso na vida pessoalmente. Mas assim, isso é uma verdade. Quer dizer, o medo ele costuma funcionar e funciona às vezes dentro da empresa e qualquer lugar.
Por quê? Porque nós somos vulneráveis. >> Sim.
Por isso que uma guerra para um político é bom. Por isso que uma pandemia te surge um político. Então assim, quando tem alguma catástrofe para quem é um líder político, ele vai, >> é porque se ele ele pode se ferrar se ele for muito mal, mas ele pode atrair e virar virar o grande salvador da história, né?
E porque mas isso isso tem a ver. O Maquiavel também diz assim, quando ele fala que se você toma uma cidade, você deve, sei lá, matar um monte de gente, é mostrar que você a partir daquele momento é você que manda. >> Uhum.
>> Né? E ele também falava coisas como se tiver um inimigo, você acabe com a família inteira, porque o bebê pode crescer e vir atrás de você depois. O ponto, >> né?
Então são conselhos para adultos, né? Pois é. >> Você que você que é uma mente brilhante, neste momento, nesse momento a gente está num conflito de eh democracia, olhando os países, olhando tudo que tá acontecendo.
Por exemplo, vamos pegar dois países. >> Hum. a Índia e a China.
A Índia é uma democracia imensa com 1 bilhão, quase 2 bilhões de pessoas. E a China é uma ditadura do Xiping. A Índia tem inveja da China.
Os dirigentes da China são duros e fazem o que querem. E a Índia tem que votar, tem que ir pra democracia e tá aquela desgraça e não funciona. Então o indiano fala: "Ai, como eu queria ser um chinês, como eu gostaria de ser um chinês, porque lá na China a coisa anda rápido, o país foi pra frente, tudo funciona, tá indo as mil maravilhas e a gente continua nesta porcaria de Índia, votando sempre lá".
E o chinês fala o seguinte: "A China é boa porque o ditador é bom, porque se você pegar o maduro tá na desgraça, >> ditador ruim". >> Então você tem o ditador bom, >> o homem que tá lá em cimaando, >> o homem que tá lá em cima mandando >> e o e o ruim que é a mesma coisa. Qual é a sua solução que você vai dar pra gente agora?
>> Estamos entrando em 2026. É com uma [risadas] esperança. Esperança.
Não, não, calma, calma. Qual é o caminho para seguir? [risadas] >> Continuar na democracia que fica essa dessa inceba.
Veja, do ponto de vista da minha profissão, a a democracia continua a ser o melhor regime e não só da minha profissão, mas a possibilidade de você ter eh alguma liberdade de circulação, alguma alguma porque nunca é plena, alguma liberdade de informação. Você pode ter processos de recall, digamos assim, institucionais, né? Por isso que é uma coisa que no Brasil hoje é muito sofrido, porque você tem conflitos dos poderes, não.
O estado brasileiro tá de costas pra população, totalmente de costas, né? Perderam a vergonha na cara. É a impressão que a gente tem.
Perderam o pudor, a vergonha na cara. >> Mas voltando o que você falou, >> mas você acha que volta >> ou a vergonha na cara? >> É, volta o Brasil volta ou isso é uma coisa que só daqui 50 é geracional?
Eu acho que levando em conta as pessoas que estão aqui, acho que na nossa época não volta, >> não volta mais, né? >> Não volta. Acho que é muito difícil.
Ah, você tem que ter uma troca, eh, como você falou, de geração, você tem que ter uma troca ah, de líderes que sejam menos delinquentes, porque o problema do Brasil é que tem uma elite delinquente. >> Uhum. >> Seja política, seja econômica e grande parte, né?
E essa delinquência chegou no nível que quando, por exemplo, a Lava-Jato foi pro saco, independente das tecnicidades, a mensagem foi o quê? Pode ser corrupto, pode arrbar que tá tudo bem, tá valendo. >> Agora, portanto, eu ainda faço parte daqueles que entendem que é melhor uma democracia com todos os efeitos que ela tem.
Ah, é melhor que você tenha poderes separados um do outro, que de vez em quando tem conflito, às vezes harmoniza, porque eu não tenho nenhuma noção de ideal, entende? Emílio, eu não tenho nenhuma noção de ideal. Não acho que o mundo vai chegar a lugar nenhum.
>> Entendi. >> Sabe, eu não acho que nós vamos descobrir a bala de prata para resolver os problemas. Agora, no caso da China, a a impressão que eu tenho não é uma impressão minha, é um livro recente lançado nos Estados Unidos, chamado Breakneck, que é um livro em que o sujeito compara, acho que o nome dele é Wang, um chinês radicado nos Estados Unidos, antes no Canadá, morou na China um tempo já adulto.
Ele compara Estados Unidos com China, né? E uma das coisas que ele fala muito interessante no livro é a seguinte: a China é um país de engenheiros. Uhum.
>> E ele diz que o grande segredo da China é porque é um país de engenheiros. O que que ele quer dizer com isso? A a o principal preocupação da China é a infraestrutura.
Tudo é infraestrutura. Então ele comenta, por exemplo, como em São Francisco, no Silicon Valley, falta luz, que nem aqui. >> Aham.
>> Na China nunca falta luz. O resultado, Estados Unidos, a tendência a ter geradores privados tá espalhado pelas grandes cidades, o que provavelmente vai acontecer aqui. >> Aham.
Cada casa com gerador >> para não depender de >> é de um serviço público que não dá conta, né? Agora ele vai adiante e diz assim: "A característica de um de um país dominado por engenheiros é que o objetivo do engenheiro é controlar o futuro, fazer todos os cálculos possíveis e imagináveis para garantir que aquela máquina, leia-se o país, no caso, que aquela máquina vai conseguir realizar aquele conjunto de metas num tempo determinado. " E esse autor, então, comparando com os Estados Unidos, que ele diz que é um país de advogados, >> Aham.
>> né? Ele vai elencando lá todos os advogados do governo americano nos últimos anos e ele diz que a mentalidade dos advogados é diferente. O mundo é um risco, você não pode fazer nada e tem que tomar conta o tempo inteiro com o processo.
O Brasil tá chegando lá. Sim. >> Sim.
>> Então a resposta para você fugindo da do tema político, né? Mas assim, é que eh seguramente achei a ideia bastante interessante dele de que se você tem uma sociedade um pouco dominada pela mentalidade dos engenheiros, você pode criar boa infraestrutura e criando boa infraestrutura, você pode garantir o básico da vida das pessoas. E a população, eu suspeito isso há muito tempo, não necessariamente dá muita importância pra democracia, >> apesar de que dizer que dá, >> não dá.
Ela quer a janta. >> É isso aí. É isso aí.
É isso aí. >> Janta. >> E não é difícil dar o básico pra população, >> não.
É baixo ter boa infraestrutura em vários sentidos. >> Isso é Pondé, eu espero que em 26 você continue iluminando esse programa. Obrigado pela sua participação.
>> Obrigado pelos convites. >> LF Pondé tá aí para vocês o Instagram e lá tem todo o caminho. Ó o Bone aí, ó.
Sabe quando o Bone vem, né? É quando a gente ganha da Globo, porque ele foi injustição. >> Ó lá, ó.
tá ganhando da audiência da >> Ah, é isso que você é isso que significa. >> É isso que significa quando [risadas] ele bon aparece dchazinho, >> ele só dá um sorrisinho rápido, né? >> Ele dá um sorrisinho.
>> Plim plim. >> O Pondé tá aí na para para você aí seguir Luís Felipe Pondé. Obrigado, Pondé.
Valeu.