As narrativas compartilhadas têm o prazer de entrevistar hoje Rodrigo Cintra Marins. O Rodrigo é ator, diretor, produtor teatral, gestor cultural e arte-educador. Para minha felicidade, meu ex-aluno da Escola Municipal Doutor Getúlio Vargas e, depois, na Uniso, desenvolveu o curso de Teatro Arte Educação.
Hoje, é presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Sorocaba e desenvolve uma série de ações que ele vai contar para nós aqui agora. Rodrigo, é um prazer enorme ter sua presença. Então, nós queremos, nós gostaríamos, né, de ouvi-lo contando uma parte da sua vida, principalmente aquela voltada para essa sua formação educacional e tudo aquilo que você tem.
Então, seja muito bem-vindo! Muito obrigado, professor Roberto! É um grande prazer estar aqui, agradeço muito o convite!
É uma honra estar dando essa entrevista para você, que faz parte da trajetória da minha vida, né? Desde a parte educacional e artística, né, no Getúlio Vargas. E depois, eu vou contar como é que surgiu essa, porque estou falando isso, essa história de você ser um grande motivador de eu ser um ator hoje, né?
Mas é isso aí, é uma carreira que venho construindo ao longo de um pouquinho mais de duas décadas, não é? Já estamos aí partindo para entrar na terceira, que é a carreira, e é uma carreira que acende muita luta, muito esforço, como todo artista brasileiro, né? Mas eu vou contar um pouquinho, então, como você pediu, um pouquinho de onde eu nasci, né?
Porque acho que é interessante essa relação que a gente tem com a cidade de Sorocaba. Acima de tudo, sou um grande apaixonado pela cidade de Sorocaba. Até a era da cidade de Sorocaba, né?
Eu nasci assim, no coração de Sorocaba, na Rua João José da Silva, para quem conhece, ali perto da Praça da Barca, né? Sim, umas ruas acima. E, por coincidência do destino, sou vizinho de parede com Adolfo Frioli, grande pesquisador sorocabano, que também tem uma influência muito grande na minha vida em relação a estar apaixonado por Sorocaba.
Porque eu me lembro que, desde criança, na rua de paralelepípedo, a gente jogava bola descalço, arrancando o tampão do dedão, né? E ele conseguia, com grande destreza, reunir toda a molecada da rua, colocar na sua sala e, através daquele projetor antigo, sim, colocar slides de fotos de Sorocaba e contava para aquelas crianças a história de Sorocaba. Ele conseguia, naquela época, as crianças e todos nós sentados na sala dele, com muita atenção, prestando atenção em tudo aquilo.
É muito bonito! E aquilo foi me fomentando, a germinar, né? Aquela sementinha, e deu fruta!
Eu falo para ele, Frioli, assim: “toda a semente que você jogou, pelo menos umas, tenho certeza que essa deu um fruto”, né? Você ficou muito orgulhoso, né? Então, é muito bacana, e eu carrego isso, inclusive dentro do meu viés de pesquisa, né?
Porque eu trabalho muito com pesquisa, além de fazer aqui mais uma pesquisa dentro da arte, e coloco muito da história de Sorocaba, né? Que tem relação com a história do Brasil, né? Roberto, conhecer Sorocaba, uma das cidades mais antigas do Brasil, né?
Até agora, entendeu? Inclusive sua relação com a dor furiosa. Definitiva para você!
Não sabia que ele, olha só, é meu padrinho! É, inclusive, eu tenho guardado até hoje, que ele, com muito carinho, fez isso: a capa do Cruzeiro do Sul e a notícia do dia do meu nascimento, 29 de agosto de 1978, até hoje guardado! E ele também me brindou, e quando do meu nascimento, com um álbum de selos, né?
Que ele amava. Que, longe, é uma obra que já não tem mais nem futuro. Na época, ele acreditava nela.
Ela brinca: “pode jogar fora que não tem valor nenhum”. Eu acreditava e falei: “como não tem, né? Tem um amor envolvido!
Todo esse valor que ninguém vai tirar! Tá tudo guardado em casa! ”.
Então, eu acredito que esse carinho, né, que ele teve com meu nascimento foi importante para que eu tivesse esse parâmetro hoje, porque ele sempre acompanhou, né, ao longo da minha estrada. Quando comecei a parte artística, ele sempre esteve presente nas apresentações. Não só o Adolfo, como a esposa dele, aí dá Frioli, que também era, aliás, por isso que viraram meus padrinhos, né?
Porque eles eram muitas vezes quem cuidava de mim quando meu pai sempre trabalhava em São Paulo e minha mãe, com dois irmãos, correndo para cá. Aí, daqui, ajudava a cuidar de mim nos momentos de necessidade, né? Isso, eu tenho um amor muito grande pelos dois até hoje, que moram em Araçoiaba, perto do morro, Araçoiaba, né?
Fui, tá? 5. 1.
E aí, só tem eu! Nasci ali comentando essas histórias, mas a gente nunca tem ideia do que vai ser da nossa vida, né? E fui aluno do Getúlio, né?
Entrei no sorteio, né, porque lembro, no ginásio municipal de Sorocaba, a inclusão, a minha tia Dagmar Marins já era professora do Getúlio, né? É porque a gente participou do sorteio lá no ginásio. Os meus dois irmãos, Fabíola e Adriano, já estudavam no Getúlio, já eram alunos do Getúlio, e eu também fui sorteado.
Entrei logo na primeira série com grandes amigos que guardo até hoje desde a primeira série do Getúlio, inclusive artistas, né, como o Adriano Del Mastro, com toque, e o grande maestro pianista, que hoje é um grande amigo até hoje de concerto. E entrar lá no Getúlio foi fortalecer nossas amizades. E o Getúlio, não é?
Porque era uma escola muito bacana, tinha um viés educacional muito forte, né? Eu lembro até o momento, hoje, até com os alunos meus, e depois a gente vem se aprofundando um pouco nas pesquisas, e eu comento com eles e falo assim: “no Brasil, a gente fez uma. .
. ” Inversão educacional, porque naquela época, até um pouquinho antes de eu entrar na escola, as melhores escolas eram as escolas públicas. Assim, inclusive na minha classe não, mas no Getúlio da época, ela é o número do Paulo Mendes, que era prefeito de Sorocaba, a filha dele e os primos estudávamos Getúlio, filhos do prefeito, em outras pessoas que tinham capacidade até financeira.
Detalhe: outras escolas faziam a questão de estudar lá, era muito forte, né? Só que isso foi perdendo ao longo do tempo. Inclusive, no Brasil teve uma inversão de valor hoje, onde a escola particular que servia para alunos que não conseguiram se dar bem na escola, se não conseguir alcançar boas notas, alguns professores começaram a fundar escolas particulares e trazer alunos para ter uma aula mais particular, para ajudá-los, né?
E, de repente, esse valor, não é, sendo invertidos: escolas particulares como estão mais fortes na educação do que a pública. E eu passei por esse processo e é triste assim viver, porque eu entrei numa escola, no Getúlio, que vão dizer, até o oitavo ano, eu estava sério, né? Porque Araújo, a gente fala que seria o nono ano, a oitava série, até o primeiro colegial, era uma escola muito bem requisitada.
E depois ela foi perdendo e, de repente, a educação ficando mais fraca. E a gente, aí dentro, a gente sentiu, enquanto aluno, que a educação foi dando uma, como, tomando uma outra direção, digamos assim, né? Mas eu lembro, logo na infância, eu não sei se foi na terceira série, que também eu tive muitos professores que sempre estimularam demais a questão da literatura em Português, literatura e a vivência dentro da literatura.
Aí eu me lembro das quadras do Getúlio, acho que na terceira série, montaram um palco de madeira e eu fiz um espetáculo que eu não me lembro que livro é, um livro infantil, eu tinha alguma coisa envolvida com borboleta, não lembro, não vou conseguir me lembrar. E eu acho que eu fazia um doutor, um médico, que eu lembro de um jaleco branco, óculos enormes, e ali no palco, falando, e eu estava, eu me sentia muito bem fazendo aquilo, mas ainda não tinha caído nenhuma ficha. Eu só me sentia bacana, legal, e os amigos nunca viram isso com muito bons olhos.
Eles diziam: “Você vai fazer isso? Bobagem, né? Você vai dar atenção para isso.
” E fui seguindo, e a gente sempre sendo estimulado por alguns professores. Até que apareceu o professor Roberto na minha vida, acho que na sétima série. Acho que desde a 6ª série você me deu aula, se não me engano, mas eu me lembro na 6ª série ou sétima série, a gente estava estudando literaturas e eu acho que era muito bacana porque não era uma obrigação, entre aspas, mas era porque a gente tinha que ler os livros por inteiro.
E vocês cobravam mesmo nas provas a leitura, porque as perguntas não eram perguntas bobas, não eram perguntas bem aprofundadas sobre a literatura, interpretação da obra, dos personagens. E você propunha, juntamente com isso, até aqui para a gente conseguir absorver, não só através da psique, mas do corpo, né? A vivência daqueles personagens, da época, os costumes.
E eu me lembro que na sala audiovisual do Getúlio, que tinha um piano, né? Tem aquelas, como marca, que bancada. Eu me reuni com umas colegas da turma que só tinha eu, mais um colega e mais um.
E era uma obra que eu não me lembro se era José de Alencar, se era Machado de Assis ou Martins Pena. Eu era um padre e eu lembro que quando a gente estava ensaiando, eu meio que acabei tomando um pouco à frente daquele ensaio e de uma forma muito séria. Até que as meninas olharam: “Nossa, cara tá pegando sério, né?
” E quando eu fiz essa interpretação ali na sala audiovisual, eu me lembro de sons bacanas, mesmo de cores que eu lembro. Sim, eu me lembro de ter a vela, mas vemos que aqui me envolveu de uma certa forma. E eu fiz com muita intensidade, que nem eu imaginava, mas eu estava só curtindo.
Eu não tinha outra coisa dentro de mim. Eu não sei, assim: "Vamos curtir esse momento que estava me fazendo bem. " E quando acabou, você fazia todos os comentários dos grupos que se apresentavam.
Você elogiou bastante a nossa cena e você virou para mim depois e eu lembro de conversar com você. Eu me lembro até hoje isso: você falou assim: “Primeiro, vocês agradecerem. Foi muito bacana o trabalho que vocês fizeram, mas eu gostaria que você pensasse nisso.
” Lembra? Você falou assim: “Talvez você não vai entender como eu falo isso para você hoje, mas futuramente você vai entender. ” Aí falou assim: “Pense com carinho no que você vem repentinamente, tem um grande talento aí e você tem uma vocação para seguir dentro da área artística como ator.
” E eu olhei para você e eu assustei! Eu não tenho que você me falou. Eu nem lembro se você se recorda, porque você tem tantos alunos, e tanta gente.
Eu lembro de você, lembra disso? Aí foi quando eu tomei um choque, assim, que fala: “Nossa, o professor está falando isso para aí, moleque de tudo, sei lá, 13, 14 anos. ” Eu falei: “Nossa, eu recebi um grande elogio, uma honra,” mas nem dei bola para aquilo, né?
Então, vamos passando no Getúlio. A gente sempre incentivado por outros professores. Eu me lembro aqui, inclusive, de uma cena que alguns colegas recordam até hoje, que foi muito bacana, o que tem que fazer umas cenas.
E a gente fez, inclusive, lá em cima, na sala de madeira, no seu Zefa. Dava uma aula que o Zé para Marins, que delícia de aulas em torno dele, até algumas peças que eu até acho que tem um. .
. Tampão de garrafa que eu tenho até hoje e a gente se divertindo. Aqueles momentos eram assim, maravilhosos!
Eu fazia aula dele de circuito, né, de elétrica, para entender. Olha aqui, saudades de uma educação que não existe mais. Hoje, na aula de madeira, pensar em fotografia, né, porque não tem gente.
E outra, de cozinha, né, lambuzinha. Nada eu não cheguei a fazer, mas tinha gente que fazia demais. E daí a gente fez uma apresentação ali que eu não me recordo quem era o professor na época, mas a gente fez uma apresentação de Mamonas Assassinas, que estava na época, estava uma febre, né?
Aí, alguns colegas fizeram a dublagem, e eu lembro que eu fazia um segurança junto com meu amigo, né? São momentos que a gente lembra com saudade. Eu lembro que ajudava a coordenar, inclusive a dirigir, brincar de dirigir eles ali.
E eu lembro também, acho que não sei se foi no oitavo ano, que eu fiz os Três Porquinhos também. Então, assim, a minha lembrança é sempre ser estimulado na literatura com a vivência teatral, e isso, claro, vai ficando na gente. Mas eu me formei, eu não me formei no Getúlio, fiz até o segundo colegial, daí depois eu mudei para uma outra escola.
Comecei a trabalhar durante o dia, eu mandei para uma escola estadual que fica ali perto da Janela dos Olhos e Senador Luiz Nogueira Martins e me formei na escola. Eu lembro que estava passando por um processo de identidade, que era um processo de reflexão e questionamento no sentido de quem é o Rodrigo, o que ele está fazendo aqui, o que ele quer da vida. Minha família sempre foi tradicional italiana de um lado, e do outro tem um lado meio austríaco, mas principalmente da parte do meu avô paterno.
Eles pegavam bem em cima, porque meus avós da parte materna já tinham falecido quando eu era mais novo, mas eles pegaram, sim. Aí o que vai fazer da vida agora, Rodrigo? Nós precisamos fazer uma faculdade, né?
Eu me lembro muito bem dele falando: "Se pensa em fazer Direito, tal, acho que você tem uma identidade para ser advogado". Eu tenho um primo que hoje está aposentado, né? Marcelo Milani foi um grande promotor em São Paulo, pegou casos assim a nível nacional, muito pesados.
Eu lembro que eu tinha uma trilha para seguir ali e tinha certeza que esse era um caminho, entre aspas, mais facilitado, porque eu teria ajuda, entre aspas, de pessoas que estariam me amparando para seguir o Direito. E como eu estava muito perdido, não sabia o que fazer, eu lembro que gostava muito de esportes, sempre tive uma identidade muito grande com o esporte. Inclusive, aproveitando para falar aqui do Getúlio, também, é uma escola que estimulava demais os esportes.
Lembro do professor Jair e da professora Mazé. E eu lembro muito bem do Jair que não estava enjoado de futebol. Ele dizia: "Ah, não, você joga na rua da casa de vocês".
Futebol vocês vão jogar em qualquer lugar, pelada. Aqui, como professor, eu tenho esse cuidado de ensinar técnicas de outros esportes para desenvolver o que vocês não vão para fora daqui. Desde moleque, você precisa muito bem naquelas quadras, que serão as mais disputadas.
E nas aulas de Educação Física do professor, dizíamos que a gente aprendia a handebol. Inclusive, tenho um amigo que hoje trabalha comigo na mesma hora da minha esposa, mas era um grande jogador de handebol. A gente aprende as técnicas, as regras.
. . Basquete, não.
Né? Um basquetebol. Ele falava: "Isso aqui era fantástico!
" Ele ensinava todas as regras, era muito bom. Vôlei, né? Com esse tamanho todo que eu tenho, adorava jogar, sempre na posição de armador, mas eu adorava mesmo.
E futebol, era só quando o professor deixava a gente brincar um pouquinho com ele. Mas os esportes sempre tiveram uma presença muito forte na minha vida. Então, quando eu estava nessa fase da minha vida, eu estava, inclusive, motivado a seguir por Educação Física, porque eu, desde os meus 13, 14 anos, comecei a malhar.
Eu sempre fui um frequentador assíduo da CM. Desde pequeno, fiz a natação, joguei todos os esportes na CM e também frequentava a academia de condicionamento físico musculação. Então, o esporte sempre esteve muito presente na minha vida.
Eu pensei: "É um caminho também, né? Porque nós vamos apoiar, né? " E também, eu sempre gostei muito, Roberto.
Poucas pessoas sabem da minha vida de geografia, inclusive. Uma das grandes obras que eu mais gosto é Os Sertões. Eu amei!
A pessoa odeia a primeira parte, né? Eu amo! Engraçado, por causa do que fala sobre o relevo e a vegetação.
Eu lembro que eu ia com tanto interesse que li umas duas vezes para tentar entender, porque eu ia prestar vestibular. Eu prestava muita atenção naquela parte da vegetação. "Mas você não deu para o colegial as aulas de língua?
" Não, eu fui lá. E depois já não informaram, filho. Porque é legal você tocar nesse ponto.
Eu me lembro muito bem que quando eu estava nessa fase, do "neném", que hoje eu chamo de "neném", mas nem moleque, né? De 18, 19 anos. Mas eu já trabalhava assim.
Aí, depois que eu parei de trabalhar, fiquei um tempo ocioso, decidindo o que faria da minha vida, né? Pela cobrança justa e boa da minha família no sentido de pensar no seu futuro, né? Quem sabe da dificuldade.
. . Você precisa.
Seguir um caminho, pelo menos para você, tem um sustento. Eu, nessa fase, ficava em casa em vez de fazer outras coisas que podia estar fazendo. Muita bobagem por aí na minha casa.
Você não teve uma biblioteca boa dos meus pais, nossa estante, aquelas estantes antigas. Sempre tive muita literatura brasileira, tinha estrangeira também, muita coisa: Gabriel García Márquez, Martins Pena, Machado de Assis. Eu lembro até hoje que eu olhava para o céu, se diz, né?
E eu fui tentar descobrir o que era. Depois descobri que era o Rodrigo Díaz de Vivar. Eu falei: "Olha, Rodrigo, sou eu!
". Aí fui ler "O Fim" para entender a história do meu nome. Fui ver a relação com ações, maravilhoso!
Então, essa biblioteca influenciou demais. Eu olhei e falei assim: "Nossa, tem uma biblioteca aqui dentro que eu só quero". Nunca dei atenção a isso e comecei a ler.
Você começou a ler? Tem umas coleções encadernadas maravilhosas, não vou lembrar a editora agora, mas de grandes autores brasileiros. E eu comecei a ler um por um: Rui Barbosa, Machado de Assis.
. . Fui indo, eu, Cândido, Cor diferente.
Então, nesse tempo, eu me trancava no quarto dos meus pais, adorava a cama de casal, né? Porque a cama de solteiro. .
. Eu deitado naquela cama, ficava as tardes, as mãos no inverno, ali, nem o obras. Começava a devorar obras.
E acho que até todo mundo que tá acontecendo com esse menino que está demorando obras aqui. . .
Em uma dessas obras, "Os Sertões", que eu estava assistindo, ele chegou e eu assisti o fim. Sem ele já certo? Com certeza já saiu!
Ele. . .
eu não. . .
é porque só assisti as duas. Eu não cheguei à última. Eu acho que eu não cheguei a assistir "O Homem a Terra do Belo".
É uma luta. Eu acho que não. .
. acho que não. Se até "Rolim", eu assisti.
. . Eu acho que assisti "O Homem" também.
. . você é.
. . a luta.
. . eu não vou me lembrar agora.
Era extenso. . .
não é demais? É. .
. "Os Ombros", hoje, era hora de direção, era bacana. É a terra, com certeza.
. . tipo, queria entender como é que eles vão fazer isso.
Muito bacana, né? Bom, então eu fui influenciado por essas obras, e eu fui, acho que entendendo ali dentro de mim que estava despertando algo diferente. Tinha educação física.
. . voltando ao que eu estava falando, a questão do direito, mas a geografia.
Eu adorava geografia, sempre gostei de mapas. E eu falo: "Nossa, por que não geografia? ”.
Foi entender o que com o geólogo, de repente, poderia fazer. E, inclusive, eu prestei vestibular da USP. E assim, quase passei.
. . muito pouco que eu não entrei lá para fazer geografia.
Mas não passei. Aí eu falei: "Bom, vou tentar outra coisa, né? " E aí, dentro do direito e da educação física, eu falei: "Bom, vamos lá, o direito então, né?
Vamos tentar aqui seguir esse também. " E. .
. muito bem, que eu prestei vestibular. Não vou falar o nome da universidade nem nada para não fazer propaganda, tá?
Mas eu me lembro muito bem que eu fiz vestibular, passei, e eu fui fazer a matrícula. O meu pai me levou, e a gente estava na fila quando chegou a minha vez. É uma imagem muito forte até.
. . esse dia eu conversei com meu pai, nem lembro se ele se recorda, com certeza ele se recorda.
Chegou a minha vez da matrícula e ele olhou para a minha cara e falou: "Rodrigo, você tem certeza que é isso que você quer fazer da sua vida? ". Eu olhei assustado, né, para o meu pai.
Meu pai sempre incentivando a fazer algo que desse um futuro bacana. E eu falei: "O que? Não.
. . fala, tem certeza que você quer fazer matrícula?
Você quer fazer direito? Aí, quiser fazer para sua vida? " E aí eu falei: "Nossa, agora que você tá perguntando, caiu uma ficha aqui.
Eu falei, acho que eu quero sim, pai. Mas sabe quando você vai se dirigindo até o balcão? ".
E eu virei para ele e falei: "Acho que era pensar melhor sobre isso. Acho que eu não quero, não. " Daí ele falou: "Não se preocupe, não tem problema se você não quiser fazer isso.
Não tem problema. A sensação é importante, você fazer algo que você vai ser feliz. " Nossa, me lembro disso com emoção muito grande.
Que eu jamais imaginava que eu ouvi isso. . .
que pai faz isso, né? Isso um filho. E nós temos a foto.
. . vamos embora!
Olha que loucura! Eu falei: "Agora, Rodrigo, agora você não sobra porque agora a responsabilidade mesmo é um caminhão! " É.
. . e fica nessa de "não sei o que eu faço da minha vida".
E eu ia assistir espetáculos de teatro no Sesi. Eu me recordo que meu pai. .
. você conversava, não também, né? Muito MPB.
Meu pai sempre foi incentivado. . .
incentivado por MPB, nos discos de vinil do meu pai, que, inclusive, a coleção hoje está em casa porque os meus pais queriam se desfazer. Eu só não. .
. quem quer ficar roupa daí? Fiquei com a vitrola aqui, hoje ela está funcionando, mas eu prometo que vou colocar uma outra.
Mas agora você vai dar uma pausa e depois você vai contar o que você decidiu fazer depois que resolveu não fazer direito. Então, bem, até daqui a pouco! Logo, logo, nós estaremos ouvindo novamente a continuidade da história do Rodrigo Cintra.
Até já!