Olá boa tarde o meu nome é Isabel Rosinha Sou psicóloga e vou dinamizar hoje esta sessão a propósito do tema psicologia do desenvolvimento infantojuvenil e puberdade uma abordagem pedagógica agradecendo a texto editores o convite imaginemos por um momento a adolescência como uma ponte uma ponte suspensa Entre Dois Mundos a infância com as suas certezas e dependências e a idade adulta repleta de expectativas e responsabilidades nesta travessia cada jovem transporta consigo uma bagagem única composta por expectativas receios emoções intensas dúvidas e desejos é nesta ponte que se dão algumas das transformações mais profundas e importantes do
desenvolvimento que tem a puberdade como ponto de partida a escola neste contexto não é apenas o cenário desta travessia é um dos pilares que suportam a própria estrutura da ponte Este não é um caminho linear nem livre de desafios mas é aqui que Residem as principais oportunidades de crescimento nesta sessão vamos enquadrar as principais tarefas desenvolvimentais da adolescência ao nível psicológico e algumas das alterações e impactos que a izam sobretudo na puberdade e isto à luz de teorias da Psicologia relevantes para a educação como é o caso da teoria ecológica do desenvolvimento humano a partir
daí apresentamos algumas sugestões práticas baseadas em estratégias pedagógicas colaborativas e ativas que podem ser aplicadas em meio escolar com o objetivo de potenciar um desenvolvimento Integrado de competências socioemocionais não se trata de soluções rígidas mas de ferramentas flexíveis que poderão ser adaptadas por cada docente às aprendizagens essenciais do segundo ciclo do ensino básico nomeadamente na disciplina de ciências naturais importa termos presente que cada etapa do desenvolvimento apresenta necessidades próprias e faz parte de um processo contínuo dinâmico e sistémico influenciado pela interação de múltiplos fatores entre os quais fatores genéticos biológicos cognitivos socioculturais e afetivos a
maturação do corpo e do cérebro cria as condições para que outros processos como a aprendizagem sucedam e Vai Abrindo caminhos progressivos às várias tarefas desenvolvimentais como as que acontecem na adolescência segundo a Organização Mundial da Saúde a fase da adolescência envolve grupos heterogéneos que não se podem generalizar mas geralmente situa-se entre os 10 e os 19 anos dentro desta etapa mais Ampla ocorre a puberdade frequentemente identificada como o início biológico da adolescência destaca--se como uma fase de alterações físicas e hormonais que desencadeiam transformações cognitivas emocionais e sociais que trazem consigo um conjunto significativo questionamentos conquistas
e descobertas o aumento da produção de hormonas sexuais permite um amadurecimento dos caracteres sexuais primários e o aparecimento dos secundários o que conduz à maturação sexual e à capacidade de reprodução no entanto a puberdade não se resume ao crescimento do corpo não é apenas uma fase de transição física é também uma fase de emocional e social psicologicamente é uma etapa essencial para a construção da identidade pessoal e social a orientação sexual a identidade e a expressão de género são componentes da identidade pessoal a nível emocional enfrentam-se dúvidas e incertezas muitas vezes relacionadas com a aparência
física a atração sexual o autoconhecimento e a aceitação pessoal a nível social reconfiguram as relações interpessoais os laços familiares são repensados as amizades ganham novos significados e as primeiras relações amorosas e a curiosidade sobre a Sexualidade tornam-se mais frequentes em alguns casos iniciam-se as Primeiras Experiências sexuais o pensamento também muda como resultado das novas capacidades cognitivas dado que transita do concreto para o abstrato e hipotético e isso vai permitir uma capacidade de e raparigas pensarem sobre si sobre as suas ações e sobre o mundo à sua volta de forma mais crítica e consciente estas alterações
podem gerar conflitos internos ou estila sões de humor acompanhados de defesas diversas os e as jovens podem ter tendência para agir de forma impulsiva e podem surgir períodos de energia alternados com períodos de apatia por exemplo em todo caso os efeitos psicológicos do momento da da puberdade não devem ser generalizados porque também dependem do modo como cada jovem e as pessoas significativas à sua volta interpretam essas mudanças há também a considerar que na puberdade rapazes e raparigas são particularmente sensíveis à pressão social e às normas culturais muitas vezes moldadas por estereótipos de género trata-se de
expectativas específicas e limitadoras sobre como se devem comportar pensar e sentir com características pré-concebidas baseadas no sexo como a força e ação masculina ou a emotividade e a sensibilidade feminina por exemplo e que condicionam comportamentos relacionamentos e escolhas incluindo escolhas vocacionais e mais tarde as profissionais são assim normas sociais muito prejudiciais ao pleno desenvolv do potencial individual e dos talentos que importa serem questionadas para um desenvolvimento saudável de relações e escolhas livres de preconceitos estereótipos do ponto de vista psicossocial esta fase também é marcada pelo afastamento em relação a pais e mães e pela identificação
com grupos de pares que ajudam a formar a autoestima e a identidade pessoal alguns e algumas adolescentes que iniciam a puberdade mais tarde podem sentir-se deslocados em relação ao seu grupo sendo por vezes vistos como crianças surgem perguntas como será que gostam de mim eu gosto de mim porque me sinto diferente rapazes e raparigas tendem também a ser sensíveis quanto à sua aparência física preocupando-se por exemplo com o seu peso aspeto características faciais a insatisfação com determinadas características físicas como o acne o peso ou a altura pode gerar ansiedade e a comparação com o grupo
de pares pode afetar a autoimagem e consequentemente a autoestima uma vez que os grupos adquirem grande importância começam a alargar as redes de interações experimentando novos papéis sociais o grupo de pares funciona como um espelho onde se vem refletidos isso pode gerar sentimentos de pretensa e valorização mas também pressão social um ou uma adolescente que se sente excluído tanto pode evitar interações como procurar uma aprovação exagerada dos seus pares ao mesmo tempo procuram maior independência da família o que pode resultar em conflitos ou desafios na forma como lidam com figuras de autoridade incluindo professoras e
professores esses conflitos são naturais e não representam rejeição mas apenas uma forma de autoafirmação que pode passar por questionarem regras e limites ou contestarem tarefas ou a lógica de certas normas esse processo embora natural pode gerar confusão e desinformação para muitos e muitas jovens nomeadamente sobre a Sexualidade é nesta fase que o treino de competências socioemocionais assume um papel Central para fortalecer as bases da identidade pessoal e da autoestima mas como tornar tudo acessível no meio escolar a resposta passa por criar ambientes Seguros e de confiança onde se possam expressar dúvidas com espaços abertos de
conversa e debate sem receios de julgamentos jovens que sintam insatisfação consigo podem apresentar comportamentos mais reservados mais agitados ou até mesmo dificuldades de concentração e de interação na sala de aula em casos mais extremos podem ter estados de isolamento ou ansiedade ou comportamentos compensatórios por exemplo no contexto escolar a impulsividade ou a apatia requerem estratégias simples e acessíveis especialmente em turmas grandes por exemplo incentivar pequenos grupos para criar mapas mentais sobre quais as mudanças do corpo e da mente pode ajudar a criar um espaço seguro de expressão por outro lado integrar jogos educativos sobre o
desenvolvimento humano pode facilitar a reflexão e promover maior envolvimento quando se abordam temas mais íntimos durante uma aula sobre puberdade alguns alunos e algumas alunas podem expressar vergonha ou desconforto quem nunca viu aquele riso nervoso ou um comentário divertido para evitar um assunto mais delicado para contornar essa dificuldade simples como o uso de caixas de perguntas anónimas ou a formação de pequenos grupos de discussão permitem que todas as pessoas participem sem se sentirem expostas Resumindo criar ambientes onde cada aluno e cada aluna se sinta em segurança para partilhar ideias e se expressar sem receios é
tão importante quanto assegurar o cumprimento dos conteúdos das aprendizagens essenciais a puberdade enquanto Parte dessas aprendizagens essenciais na disciplina de ciências naturais do segundo ciclo constitui uma oportunidade única para se Ir Além da transmissão de conhecimentos enquanto são vivenciadas essas mudanças é aqui que podem ser úteis para a aplicação em meio escolar modelos pedagógicos que integram essas Vertentes como por exemplo os que decorrem dos programas de aprendizagem socio emocional conhecidos como modelo cel aprendizagem social e emocional ou do modelo pedagógico ivac investigação visão ação e mudança são metodologias que permitem relacionar os desafios da vida
real com o processo de aprendizagem potenciando o desenvolvimento de competências cognitivas sociais e emocionais alinham-se ainda com os objetivos da promoção da literacia saúde da Saúde Mental e da educação para a cidadania o modelo cel aprendizagem social e emocional tem como quadro de referência a teoria holística defensora do desenvolvimento integral Assim como as teorias de Gardner teoria das inteligências múltiplas os trabalhos de Goldman sobre inteligência emocional e de outros autores precursores da aprendizagem social este modelo foca-se em cinco competências fundamentais autoconhecimento autogestão consciência social relações interpessoais e tomada de decisões responsáveis no seu conjunto o
desenvolvimento dessas competências contribui por exemplo para melhorar o reconhecimento das emoções controlar impulsos respeitar outros pontos de vista e culturas melhorar a capacidade de resolução de conflitos a capacidade para avaliar antes de agir entre outros a aplicação deste modelo em contexto escolar recorre a metodologias interativas que exploram 10 dimensões essenciais identidade promovendo o reconhecimento da singularidade de cada pessoa comunicação para desenvolver uma expressão Clara e eficaz emoções com foco na literacia emocional autonomia incentivando a independência ao longo do crescimento proteção ajudando a identificar fatores de risco e a adotar comportamentos de autoproteção violência visando lidar
com conflitos e exercitar o respeito mútuo escolhas desafios e perdas para aprender a tomar decisões enfrentar desafios e superar perdas valores promovendo cidadania solidariedade e respeito pelas diferenças interação para construir relações saudáveis e pertença reforçando o sentido de inclusão individual e social para apoiar a aplicação deste modelo em contexto escolar pode ser útil o recurso pedagógico editado pela direção geral da Saúde denominado manual de promoção de competências socioemocionais em M escolar destina-se a docentes e equipas de saúde escolar a todos os níveis de ensino e oferece propostas de atividades concretas com reflexões associadas enquadradas num
conjunto de sessões em torno das dimensões referidas por exemplo na atividade barómetro alunos e alunas escolhem entre concordar ou não com afirmações relacionadas com relacionamentos e Respeito em torno de temas Como por exemplo o ciúme e o respeito pela privacidade este exercício fomenta A reflexão e o debate sobre valores e limites nas relações interpessoais o recurso e as atividades práticas do manual estão disponíveis para consulta no site da direção-geral de educação o modelo pedagógico ivac que significa investigação visão ação e mudança permite desenvolver competências em ação entre alunos e alunas enquanto protagonistas do seu próprio
processo de aprendizagem são trabalhadas competências como o pensamento crítico a autoconsciência a cidadania e responsabilidade social a capacidade de ação competências comunicativas tomada de decisões informar e literacia em saúde este manual pedagógico apresenta propostas práticas que podem ser aplicadas em sala de aula através de atividades lúdico-pedagógicas por exemplo inclui dramatizações e simulações que permitem recriar situações do quotidiano como alterações de humor ou conflitos interpessoais promovendo empatia autorregulação emocional e competências sociais sugere aind momentos de refletiva criando espaços seguros para discutir mitos e factos sobre a puberdade permitindo a expressão de dúvidas a reflexão e desenvolvendo
o pensamento crítico outra proposta é o mapeamento pessoal de saúde incentivando cada estudante a refletir sobre os seus hábitos e mudanças definindo objetivos individuais estimulando a autoconsciência e a tomada de decisões informadas o manual inclui também trabalhos em grupo onde os e as participantes podem colaborar na criação de materiais educativos ou ideias para melhorar o ambiente escolar explorando a criatividade e a cidadania por fim destaca-se a exploração interdisciplinar relacionando por exemplo a puberdade com temas como a nutrição o bem-estar emocional e a sustentabilidade estimulando pensamento sistémico e a responsabilidade ética para a aplicação de práticas
baseadas no modelo pedagógico ivac e cons atividades lógicas referidas pode ser cons o manual materiais para professores aprender sobre saúde e promoção da Saúde n escolas e que se encontra disponív por exemplo no site da direção geral da Educação na área de recursos de cidadania sobre sexualidade em termos de recursos pedagógicos é também relevante destacar o guia de boas práticas adolescer sexualidade e afetos que se encontra disponível no mesmo espaço no site da direção Geral de educação este guia foi desenvolvido no âmbito do projeto adolescer uma parceria Entre a direção Geral de saúde e o
Centro de Estudos da mulher e da criança com o objetivo de capacitar jovens para uma vivência consciente saudável e gratificante da sua sexualidade com ferramentas pedagógicas acessíveis através de dinâmicas de grupo destacam-se neste guia dinâmicas de quebra-gelo que promovem descontração e união preparando o grupo para interações mais abertas há também o brainstorming que incentiva a partilha livre de ideias sobre temas como a puberdade e a caixa de perguntas uma ferramenta que permite aos e às jovens esclarecer dúvidas sobre sexualidade de forma anónima e o role play também é destacado com simulações de situações reais que
desenvolvem assertividade empatia e a expressão de sentimentos por fim atividades como a produção de cartazes e materiais criativos incentivam o trabalho a equipa e a partilha de informação de forma colaborativa e dinâmica em qualquer dos modelos pedagógicos sugeridos e independentemente da atividade lúdico pedagógica ou dinâmica de grupo escolhida é muito importante que sejam finalizadas com uma reflexão conjunta mediada pelo professor ou pela professora para que os conteúdos abordados ganhem um maior potencial de interiorização a realização de produtos finais com as turmas sobre temas abordados também contribui para esse objetivo e pode ter um efeito multiplicador
se forem partilhados com outras turmas em termos de aplicação de todos estes materiais em sala de aula cada docente poderá selecionar as tarefas e as atividades que consid mais adequadas ao seu contexto adaptando as dinâmicas às necessidades específicas de cada turma e às aprendizagens essenciais pretendidas nomeadamente as que se relacionam com a puberdade os materiais sugeridos são recomendados para utilização em conjugação com referencial de educação para a saúde uma ferramenta flexível e adaptável que como sabem cinco áreas de atuação da promoção da Saúde nas escolas saúde mental educação alimentar atividade física dependências e sexualidade é
também de salientar a mais valia da aplicação destas metodologias de uma forma enquadrada numa abordagem w School que significa o envolvimento de toda a comunidade escolar nos processos colaborativos como alunas e alunos professora e professores pessoal não docente famílias e a comunidade local no campo das ciências naturais Há uma grande vantagem porque podem ser utilizados recursos diversificados e concretos para tornar o tema da puberdade mais acessível e desafiante experiências práticas como explorar modelos anatómicos ou observar fenómenos naturais ou um pequeno vídeo educativo ajudam os alunos e as alunas a contextualizar o que estão a aprender
e podem ser o ponto de partida para uma discussão aberta e informada estes exemplos representam apenas algumas das diversas estratégias de abordagem possíveis que como vimos podem ser adaptadas ao contexto específico de cada turma e às aprendizagens essenciais incentivando que alunos e alunas atuem como cocriadores ativos das suas aprendizagens Além disso aumentando os fatores protetores na adolescência promove-se a saúde psicológica o trabalho das professoras e dos professores especialmente no contexto atual apresenta diversos desafios como turmas grandes horários apertados e diversas responsabilidades que tornam difícil encontrar tempo para implementar novas estratégias mas acredito que mesmo com
pequenas adaptações se podem alcançar resultados significativos e por vezes inesperados até em contextos desafiantes convido-vos então a explorarem estas ideias adaptando-as às vossas necessidades aos recursos que dispõem com a certeza de que esses espaços relacionais permitem abrir novos caminhos de crescimento por vezes é numa conversa curta mas com significado ou numa dinâmica simples que o impacto mais profundo acontece e todas e todos nós tivemos professoras ou professores de quem nunca nos esquecemos por mais que o tempo passe E são essas marcas afetivas que trazem sementes de crescimento que mais tarde florescem para terminar concluo com
as palavras de Paulo freira que no seu livro Educação com prática da Liberdade nos recorda que a educação é um ato de amor e por isso um ato de coragem quero agradecer a vossa atenção esperando que esta abordagem vos seja útil e Facilite o trabalho com estes conteúdos em contexto escolar desejo-vos a continuação de um bom trabalho obrigada lei educação um ponto de encontro