Um país que não reconhece a sua cultura. Ele fica alijado, ele fica submetido, ele é colonizado pela cultura alheia. O governo do presidente Lula é o governo, que até hoje é o governo que mais está nos dando essa possibilidade.
Ainda é pouco e precisamos pré pleitear mais esse ambiente. A gente quer chegar à paridade. Nós podemos, sim, pegar experiências da Coreia e de outros lugares que fizeram esse esse dever de casa também para fortalecer suas indústrias culturais.
Ministra, a gente vê que a cultura foi afetada por essas divisões, polarização política que a gente percebe no Brasil. Existem algumas expressões culturais que são associadas à esquerda e algumas que são associadas à direita. Como é gerir o Ministério da Cultura nesse cenário?
Olha aqui. . .
a gente tem recebido aqui políticos da direita, da esquerda. As pessoas vêm aqui. Já vieram grupos aqui de Santa Catarina, como já vieram também lá da região Norte da região Centro-Oeste.
Eles trazem aqui as propostas. Então, o que a gente faz, a gente orienta: “Olha, tem que inscrever na Lei Rouanet. ” Até porque é um direito do cidadão ele ser de esquerda, ser de direita, a gente não pode decidir para onde o projeto vai.
Essa é a nossa política, a política do Ministério da Cultura, do governo do presidente Lula. A gente tem trabalhado aqui para todos E qual é o balanço que a senhora faz do período que a senhora já está no cargo? Estamos com 20% a menos de servidores do que 2016.
Mas, no entanto, com as entregas muito mais volumosas, primeiro teve a entrega, que era já obrigação mesmo que era executar a lei Paulo Gustavo, fazer esse financiamento chegar a todas as cidades e Estados do Brasil. Nós conseguimos aí uma aderência de 98% das cidades, 100% dos Estados. Lançamos um decreto novo para Lei Rouanet, uma Instrução Normativa Nova, Estamos aí querendo, o nosso marco do fomento está agora também no Congresso para ser aprovado Isso vai ser muito importante para o nosso.
. . para a gente facilitar a administração da política cultural.
E também entregamos a Lei Aldir Blanc de Incentivo à Cultura, que é uma lei fantástica, que é a primeira vez que nós vamos ter essa oportunidade de, durante cinco anos, irrigar o setor cultural diretamente do governo federal para os estados e municípios. O sertanejo é hoje o gênero mais forte. Se gente vir as principais músicas, as mais tocadas, quase todas são sertanejas e é um gênero que ficou muito associado à direita.
Vários grandes nomes do sertanejo manifestaram o apoio ao Bolsonaro na última eleição. Há espaço para o sertanejo no Ministério da Cultura, há políticas de apoio ao sertanejo no Ministério da Cultura. Com certeza que há, da mesma maneira como eu falei, a gente está aqui, as pessoas trazem seus projetos, a gente analisa os projetos, Democracia é isso, você aceitar quem pensa diferente de você e ir para o embate sem necessidade de matar ninguém, entendeu?
Então faz parte do ambiente democrático. E é isso, são são todos bem-vindos aqui. E enquanto artista, enquanto cantora, surpreende a senhora esse avanço do sertanejo?
O sertanejo, está ocupando espaço de outros ritmos? Eu acho que os artistas sertanejos têm uma qualidade maravilhosa de cantores, toda a parte de arranjos. É uma coisa belíssima o que eles apresentam.
O Brasil é muito diverso, tem um momento que foi o pop rock, outro momento foi a Tropicália, outro momento foi o axé music e agora é o sertanejo, depois vem o forró. Faz parte e eu acho que isso é que é a beleza do nosso povo, sabe? Tem algum país em que a senhora se inspire pensando em política pública, algum país que tenha algum programa que é bem-sucedido, que a senhora veja como inspiração?
Oh, menino, a notícia recente é a Coreia, porque a Coreia do Sul, o meu sobrinho está querendo aprender a falar coreano. Então isso foi uma ação mesmo de governo. Eles implementaram a política cinco anos ali, investindo, criando escolas ligadas totalmente à produção cultural, produção artística.
Eu acho que isso é uma coisa muito importante. Nós podemos sim pegar experiências da Coreia e de outros lugares que fizeram esse dever de casa também para fortalecer suas indústrias culturais. Os Estados Unidos fez isso em algum momento.
A França fez isso em algum momento. Vale a pena a gente fazer esse exercício sim, de fortalecer a indústria, buscar mais recursos para a gente, trazer centros de. .
. escolas, trazer escolas das tecnologias novas, do audiovisual. Vale a pena no Brasil fazer isso, porque nós temos também um público consumidor da nossa própria cultura.
E a Coreia é um país pequeno, e conseguiu. . .
Pois é, você imagine se a gente faz isso e o Brasil, além de ser um país grande, nós temos referência positiva, somos referencial positivo E o que é que o Brasil ganha tendo essa projeção cultural no exterior? É dinheiro, é influência? De que maneira isso beneficia a nação como um todo?
Olha, influencia principalmente em relação a você mostrar a força do seu próprio país. Quando você tem um país que investe na sua cultura, consome a sua própria cultura, está dando o recado para quem está lá fora também. porque um país que não reconhece a sua cultura.
Ele fica alijado, ele fica submetido. Ele é colonizado pela cultura alheia. Alguns estados recentemente retiraram das escolas um livro chamado O Avesso da Pele, argumentando que tinha conteúdo impróprio para as crianças e adolescentes.
Como que a senhora vê isso? Olha, nós ainda estamos aí lutando em relação à questão do ambiente democrático. Eu acho que isso é muito.
. . é muito ruim porque é uma ação de onde você impõe, aí quer impor aí também uma visão de censura.
É delicado, mas a gente precisa dizer isso é uma censura. Foi um livro escolhido pelo próprio Ministério da Cultura. Houve uma adesão sobre isso, são vários livros.
Então existe aí também a participação da sociedade civil nisso. Não é uma coisa feita aleatoriamente. E o livro, qual é o essencial do livro?
Ele trabalha sobre, ele fala sobre o racismo pPecisamos fortalecer ainda essa ideia de democracia no Brasil, entender que a luta racial é a luta de todo todo o povo brasileiro. Como que a senhora vê o avanço do mercado cultural religioso Por exemplo, a música gospel hoje é muito forte. A gente vê também séries televisivas inspiradas na Bíblia, muitos livros religiosos Eu acho que é natural da sociedade e a sociedade, a humanidade tem essas suas dinâmicas, não é?
Então, isso é da dinâmica humana. Então, tem algum momento que para mim eu vejo tudo do mesmo aspecto, como eu vejo em relação às questões dos estilos musicais? Então existe também dentro do Ministério da Cultura nós acolhemos também as manifestações culturais A gente não está aqui para brigar, nós estamos aqui para acolher, para que cada vez mais o povo tenha acesso à cultura, A senhora acha que nas periferias as igrejas acabaram, de certa maneira, suprindo essa demanda por bens culturais, por música, ensino de música e espetáculos que acontecem ali na igreja, isso se deveu, em alguma medida, à ausência do Estado ali para oferecer teatros, cinemas ou outras ofertas culturais?
As igrejas encontram espaço nesses vazios culturais e, por assim dizer, vazios, mas vazios do equipamento também. Então nós estamos trazendo agora, atendendo um apelo que vem da 3ª Conferência Nacional de Cultura, que aconteceu há dez anos atrás. De você trazer equipamentos culturais, por exemplo, em cidades que nunca tiveram oportunidade, como nós estamos fazendo agora.
Nós estamos trazendo de volta CEUs da Cultura, recuperando obras que estavam paradas, tinham várias obras de CEUs que estavam paradas e trazendo outras outra possibilidade de equipamentos culturais fazendo essa distribuição também em todo Brasil. Nós estamos também resgatando os cinemas, as bibliotecas. Então, tudo isso preenche com certeza o ambiente, os equipamentos culturais preenchem oportunidade das pessoas entrarem em contato também com uma diversidade maior de cultura Ministra, no dia em que essa entrevista acontece, houve uma reunião do presidente Lula com todos os ministros e uma reunião que aconteceu alguns dias depois da divulgação de pesquisas que mostraram uma piora na popularidade do governo e do presidente.
Qual a sua leitura do momento e isso foi tratado nessa reunião? É um governo que tem entregado a potência das entregas elas são assim maiores, do que muito mais outros anos, não só comparado ao governo passado, Agora existe a questão do discurso, da disputa no ambiente digital, que é isso que hoje as pessoas estão achando que tem um valor, mas o que é efetivamente o valor? Que é que vai realmente mudar a sua vida?
É o que está no ambiente digital e o que está aqui na sua materialidade? Quer dizer, a senhora acha que o Brasil está, que o governo está perdendo a batalha no ambiente digital? Olha, eu acho que o governo está.
. . eu acho que a gente está aprendendo mais.
Eu acho que está vem melhorando, inclusive Porque eu acho que já teve pior nesse sentido. Mas a gente não está desistindo nem achando que está ruim assim. Estamos aí, temos mais alguns anos de governo, mais três anos, três ou quatro, eu não me lembro?
Quatro, não. Três. Temos mais três anos de governo e estamos com vontade desse enfrentamento.
Eu acho que é importante, faz parte da dinâmica do país. Eu vi uma cerimônia recente em que a senhora agradeceu o presidente Lula pela nomeação de ministras mulheres, mas disse que vocês querem a paridade. Frustra a senhora a quantidade de ministras no governo?
O governo do presidente Lula e o governo, que até hoje é o governo que mais está nos dando essa possibilidade, ainda é pouco e precisamos pleitear mais esse ambiente. A gente quer chegar à paridade, a gente sabe que é uma construção, mas certamente essa pauta da mulher é uma pauta importante para o governo e cada vez mais nós vamos falar sobre isso. Essa questão da equiparação do salário, eu acho que é obrigação de todas nós, principalmente nós mulheres que estamos participando do governo, estamos em lugares de comando.
Nós precisamos chamar isso com seriedade, porque merecemos essa equiparação salarial. Merecemos a equiparação de possibilidades de estar em lugares de comando, porque é uma forma de contribuir com a nação, com o Brasil.