Narrativas compartilhadas tem o prazer de vir hoje a história do querido amigo Roberto Gill Camargo, que é o coordenador do curso do grupo de teatro Catorze vezes. É professor dos cursos de Letras, Artes Visuais, Dança e Teatro da Uniso. O professor Roberto Gill possui graduação em Letras, com habilitação em Português e Inglês, pela Universidade de Sorocaba.
Nós somos colegas de turma, porém o Ju está cursando Português e Inglês e a mãe dele, a querida Vera, era da minha turma, da minha classe. Ele fez mestrado em Linguística pela PUC de Campinas; o título foi "Aproveitamento dos Sons do Aparelho Fonador para Fins Estéticos no Teatro", e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo; o título da tese é "Lucena: Processos de Comunicação Coevolutivos". Atualmente, ele é professor da Universidade de Sorocaba na área de Letras, Linguística e Artes.
Tem experiência docente na área de Letras, Língua Portuguesa, Literatura e Linguística, e na área de Teatro, com pesquisas e livros publicados em iluminação e sonoplastia. Foi coordenador também do curso de Letras aqui da Uniso, foi professor visitante da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo em Portugal e é o diretor do Grupo de Teatro Catorze da Uniso. O grupo de teatro está completando 30 anos, começando a partir da sugestão da Sônia Chebel, que veio conversar comigo.
Eu fiquei durante os seis primeiros anos e ele está na juventude, já há 45 anos. Neste ano, o grupo está completando 30 anos. Hoje, também, organizou uma série de eventos, dentre eles, ele organizou três vezes o Festival Nacional do Tropeiro de Chá, duas vezes o projeto Ícaro de Teatro, e duas vezes o Festival Estadual de Teatro da Universidade São Francisco.
Participou de muitos festivais e fóruns sobre teatro, em 12 bancas de mestrado e doutorado da USP, Unicamp e, acho que, da PUC também. Participou da comissão julgadora de mais de 12 festivais de teatro, orientou mais de 20 trabalhos de conclusão de curso de Letras da Uniso, escreveu um grande número de artigos publicados em jornais, revistas, vários livros, e ministrou muitos cursos de extensão e especialização, além de oficinas, principalmente sobre a função estética da luz, palco e plateia, som em cena, sonoplastia no teatro, tecnologia teatral, literatura e semiótica, e outras temáticas ligadas ao teatro. Essas oficinas de teatro foram ministradas não só em Sorocaba e região, mas também em outros estados e fora do Brasil, como em Portugal e Bélgica.
Além de produzir vários textos para o teatro, foi diretor de mais de 80 espetáculos teatrais e ganhou muitos prêmios no Brasil e no exterior com seu trabalho de direção e criação. Dentro de toda essa história do Ju, acho que uma das coisas que pra mim foi extremamente marcante e que não sai da minha cabeça foi o espetáculo "Esperando Godot", no Teatro da Banda. Há cerca de 50 anos, queria chamar o professor Digo, como carinhosamente o chamamos.
Seja bem-vindo! É um enorme prazer recebê-lo aqui para vermos um pouco da sua história tão bonita. Agradeço a você por ter aceitado nosso convite.
Estava pensando, há pouco antes de chegar aqui, que eu conheço você bem antes de entrar na faculdade, porque já assisti às suas peças teatrais. Nós realmente nos conhecemos há mais de 50 anos e eu sei um pouco da sua história. Sei o quanto ela é bonita, mas hoje aqui, o dono da palavra é você.
Eu vou entrar só de vez em quando, quem vai fazer toda a narrativa é você. Então, gostaria que você contasse sua história desde a época da sua infância, onde nasceu, e trazendo a sua formação escolar, que inclua o colegial e depois a entrada na faculdade, porque escolheu o curso de Letras, e toda essa sua trajetória dentro do teatro e a importância do teatro na sua vida e na sua família. A arte faz parte de todo o contexto familiar e isso é muito interessante.
Você também pode contar suas experiências com a direção do grupo de teatro da catequese, essa trajetória dentro da universidade e fora dela, aqui dentro do Brasil, levando o nome da Uniso pelo mundo afora, não só aqui em Sorocaba e no estado de São Paulo, mas também fora do Brasil, principalmente em Portugal e na Bélgica, onde ministrou seus cursos. Temos uma palavra sua começando com essa bela história e eu agradeço a sua participação, o convite para falar um pouquinho sobre tudo isso. Ah, e em relação ao professor Roberto, nos últimos minutos, você foi muito lembrado.
Não tem como não ver sua trajetória, tanto na escola quanto no teatro. Nadir e jornalismo, você também escreveu muito bem. O nosso trabalho, em respeito a você, fora as suas apresentações, ficaram para sempre registradas.
Pois é, aquela época do teatro ainda tem recordes até hoje. Roberto, Samuel, Sancioná-lo, Boys, e pelas peças! Então, eu nasci, na verdade, em Sorocaba, na cidade de Tinga, mas conheço bem a cidade e a visito constantemente.
Vim pra cá com três ou quatro anos de idade, com a família. Meu pai era farmacêutico, tinha uma farmácia em Tinga e se transferiu com a farmácia para cá. Fiz todos os meus estudos aqui, naquela época, ginasial e depois.
. . Todos, colegial!
Vocês do Estadão, eu estudei primeiro nas Ciências Letras e depois fui para o Getúlio Vargas. Dois anos depois, fui para o Estadão, aí fiz um ano do Científico. Na época, tinha Científico Clássico Normal ainda, na época do Gustavo, quer dizer, herança do Gustavo Capanema, né, da educação.
E aí eu fiz um ano do Científico, mas eu não gostei muito; tinha muita área de exatas, matemática e tal, eu não me dava bem com essa área. Passei para o Clássico, daí eu me encontrei. Fiz o Clássico e foi uma das últimas turmas, que vai até esta tarde, um numeral na Lei de Diretrizes e Bases.
E quem foi professor de português? Esse da ator Theo, os três anos de Clássico, ótimos professores, nossa, inesquecível! Clássico é um filme muito marcante, muito importante para definir, né?
Não só na área de docência, mas de teatro também, é porque você tinha Língua Francesa, tinha Artes, tinha Inglês, Português, puxado Literatura, e um curso muito bom, com uma geração muito legal também de amigos e pessoas que estão aí, fizeram coisas parecidas e tal. Depois eu fui para cá, para a Uniso, que na época não era o mesmo, ainda na Faculdade de Ciências Letras e fiz Letras, né? Você falou, fiz Letras Português/Inglês.
Daí começou, já estava no último ano, eu tive uma experiência no Banco do Brasil; fiz um concurso e fui trabalhar em São Paulo. Nesse período, eu me transferi, deixei o curso de Letras aqui e fui para o Mackenzie. Fiz um semestre lá de Letras, depois já retornei para Caeté, no meio, com isso, aqui em Sorocaba, na Uniso.
Fiz um curso de cinema curta também na Novata, em umas pessoas lá. E depois eu vim saber que é importante, sim, mas um curso mais técnico, de laboratório, de tática, né? Naquela época estava muito ligado com o cinema.
Quer dizer, o cinema mesmo. Não é porque eu tinha comprado uma câmera que carrego com ela até hoje, bem antiga, daqueles modelos antigos de cinco velocidades. E fazia filmes aqui, curtinhos e tal.
Sem som, fazia cinema mudo, porque o som era muito caro. Aí que eu senti atração por um curso de cinema. É quase que eu fui pra essa área, mas o teatro puxava mais forte.
Aqui em Sorocaba, num movimento de teatro muito bom, muito intenso, na área. Isso nos anos 60, final dos anos 60 e anos 60, sabe? Aquela coisa, né?
Uma explosão de ideias e de acontecimentos no mundo inteiro. Então, a arte é uma forma de você expressar, desaguar toda a sua vontade de dizer, de se comunicar e tudo. Eu vivi muito intensamente esse período.
Nem o teatro tinha entrado já naquele momento. De altura, comecei. .
. É engraçado. Eu resolvi que ia fazer teatro.
Assim, foi numa noite de Natal, não é? A melhor possível, ou de repente. E aí eu comecei a escrever, comecei pela escrita.
Eu escrevi uma peça, comprei um caderno para escrever uma peça, que era o "Otimismo", em primeiro lugar. Então, não sei de onde veio essa ideia, mas escrevi uma comédia de costumes, uma família lá e cá. Já encontrei meus amigos, a Faro, que era minha amiga e tal; a gente já se conhecia, ela já tocava muito bem piano.
Nas audições, falei: "Vamos fazer teatro lá! ". Começamos juntos.
Aí eu convidei o Celso Ribeiro, que estudava comigo, que estava comigo no Científico. No cinema, eu conheci lá e achava o Celso muito tímido, muito quietinho e tal, mas ótimo aluno, com uma memória boa, informação de literatura. A princípio, ele não queria fazer teatro.
Eu disse: "Vamos lá, tem bastante coisa para decorar, da pensão só decorar texto". Ele falou: "Tá bom, vamos lá". Ele começou também.
Então, foi o Celso e a Mesa Faro, que fãs que estão até hoje, né? Matriz, já se destacou bastante. Ele vem fazendo trabalhos ótimos, está nos céus de jornalismo.
E aí nós começamos. Isso foi em 67, 1967, antes de maio de 68. A gente ficou junto durante um tempo e depois foram entrando outros atores e tal.
Aí eu comecei minha carreira em teatro em 67, antes de eu fazer Letras, filho. Quando entrei no Clássico, já abri as portas assim; falei: "Não, é isso que eu quero! ".
Logo depois de ter alta. O interessante é só esse casamento, é isso aí. Coisas que você começou por dizer em que local está, um cidadão é crescer no Estadão, lá no seminário, mais nos seminários, em vários ensaios, né?
Nação Católica não tem lógica nisso. O Sesi, nem o grupo D da série C, fazia as peças. Na época, o Césio também tinha o dinheiro sem aulas desde a época do Afonso.
Gente, usava também só o papel que o próprio Usuar de Moraes lembra, que a primeira persistiu. Por fim, o "Fantasminha". Foi lavar, foi no auditório bonito, grande, é um território muito bom.
Era um centro mesmo, dia de apresentações de música, teatro e dança. E foi assim, eu tenho fotos, inclusive, dessa época dorada. Nação Católica, diz Roseli, lembra daquele sorriso?
A Tere Rose era do grupo dos jovens rurais, né? O Sesi fazia teatro nessa época. Nossa, tinha um movimento muito bom, gente, muito forte, muito presente.
Era um outro momento. Depois entrou também o Recreativo, muita coisa boa aconteceu no círculo, também, o Círculo Italiano. Em um círculo, momentos muito interessantes.
Não tem vários trabalhos lá. Sofria bastante pra lembrar. Teria até tão comentado com Paulo Bento que a gente, nessa época, Paulo.
. . Trabalhava também no grupo, e ele estava começando a que a gente carrega um cenário uma vez pesado de blocos de madeira, né?
De 16 andares pela escada, por ele entrava no elevador. Fez com você o Paulo, qual fez Baku, que foi uma peça no festival e fez os tambores. E, face à leva, fez três peças.
Aí, Jatene fez só Servos da Gleba. Entrou logo depois, ela tinha em mim e ela viu no cinema. Ela tinha feito um filme na Paraíba, e veio, voltou a Sorocaba, e que eu tinha muita amizade com a irmã dela.
Com ele, sete estudava no clássico. Vou levar a minha mãe, que ela está voltando da Paraíba, que ela foi fazer um filme. Ela era muito criança no teatro.
Falei, "tá aí uma festinha em casa", e elas foram conhecer. Nenhum em cima é a ESET, também é uma das pessoas maravilhosas. E aí, pra ele, rolou no palco.
Logo depois, ela começou a pensar na moral, Paulo, né? E assim foi legal. A gente não sabia o que ia acontecer com tantas coisas na vida dessas pessoas.
Diz a senhora, era maravilhosa. Então, sequência sua história. Então, esse momento foi muito importante.
De coisa é saber se me lembro das coisas que eu fiz. Muito teatro ali, num salão do seminário, seminário, né? Antes dessa reforma, que outra coisa, o ISO se instalou lá com alguns cursos e tal, mas fiz muito teatro ali naquele palco.
A gente vivia uma proximidade, uma boa acolhida dos padres, sair do pessoal que cuidava. Assinado entre o SESI, que sentia por 15 anos. Saí apresentando e tal.
Aliás, muitas palestras naquela época era muito quente, né? De repente, a gente falando em proibido, falar que era no pleno regime militar, mas é um espaço aconchegante, espaço protegido, conhece? Sabe, não só na área de teatro que a gente fazia, mas também nos debates, nas coisas que o Estadão trazia e que os convidados faziam as palestras.
Vai ver muita coisa, muita parece boa e interessante no momento político e na área de sociologia, tem um trato. Essas coisas no Estadão não estarão mais. É, não cheguei a montar a peça no estadual.
Eu já tinha um grupo, esse grupo, numa. . .
como se chamava? O grupo Quartas 14, que tinha, inclusive, carteirinha. Alberto colocou outro dia no Facebook a carteirinha do grupo.
É ter amarelado. Assim, naquela época, a gente fazia as carteirinhas com o metal que era para entrar no show recreativo, entrar, não sei o quê. Então, tinha uma identificação.
Não era um pessoal que fazia teatro e tal. Depois, foi dali que a gente teve muitos festivais aqui em Sorocaba, né? Tinha uma federação de teatro.
Eu até participei bastante, fui, cheguei a ser presidente da federação de teatro, quando me passaram lá, mas já fui lá para os anos 70 da federação, bondinho. Figuras assim muito importantes aqui no teatro sorocabano, desde o Verna, Tilde, já falecido, que era uma figura assim maravilhosa, um cara muito preparado, muito conhecedor de teatro. E ele e a Abusa do Tio, que era esposa dele, é que me ajudava muito.
A gente leva muitas ideias e cenografia, e estava sempre participando. E o cliente só mão, né? Num negativo ou Fontana.
O TRE também, risco de diabetes universitário da época em que fazia medicina, direito. Volta do Fábio Rochemack, teve o ofertório. Vem no final dos anos 70, foi mais no começo, Irã.
E aí, de repente, eu fui ficando meio sozinho, porque eles pararam. Acho que esse formato, os bens e as sessões do total, eram professores, é que o desgastante, né? Cada um foi para um lado.
E o meu grupo é um grupo mais recente, né? Eles já vinham desde o início dos anos 60, montando peças, e tinham sido parceiros do Afonso Gentil, da Elvira Gentil, que eram figuras praticamente desbravadores do teatro. Trocava e passaram muitas informações.
É, eu entrei no meio. Ele brigava muito, era meio brilhante, era uma época, eu acho, que da juventude se manifestar sem lograr. Eu estava descobrindo a bola, né?
E brigava muito mais. Depois eu fui vendo que era muito importante esse contato, assim, né? Com pessoas mais experientes que conheciam o que fazer um teatro muito bem feito, muito caprichado, com cuidado extremo em matéria de cenografia, de figurinos e da própria interpretação, escolha de textos, e tudo.
Então, aprendi muito com esse pessoal, foi muito importante. E depois, quando eu fiquei meio, nem sozinho, fazer modo de dizer que deus, esse pessoal mais experiente já estava meio afastado. Não é fazer alguma coisa, eventualmente fazer show recreativo.
Manteve esse show durante mais tempo, mas as peças mesmo já foram ficando mais raras da parte deles na cadeira. Mas o espetáculo, né? Mas música, mas músicas e paródias e taxas, as cenas de dança, né?
[Música] E aí, já neste período, começa a surgir, eu acho, que o Mantovani e Mário Pérsico, mas mais timidamente, eles vão entrando, não é? Aí, nada nos anos 70, a gente teria um hiato da banda, né? A gente, na infância de pescado, que funcionou durante alguns anos.
Foi eu, o Celso Ribeiro e Hoje de Mello. A gente pertence ao mesmo grupo. Vamos arranjar um lugar para a gente apresentar.
Ainda um jeito. Aí, Talent foi lá e conseguimos, com a banda, na aba, na prefeitura. É preciso, nem vamos falar com o pessoal da Banda Carlos Gomes porque eles têm uma certa.
. . eles ocupam o espaço.
E quem sabe dá certo? Você fazer um calendário de trabalho e tal, e deu certo. A gente até colaborou com eles na banda, com uma quantia, e nozes juntávamos e passávamos o estado mínimo mensalmente para eles.
Mensalmente, e assim nós criamos no teatro da banda que chamava da banda por causa da banda Carlos Gomes. Muito bem, então vamos dar uma pequena pausa e, daqui a pouco, o Roberto vai contar a experiência dentro do teatro da banda e seguir por essa estratégia.