[Música] [Música] Olá boa tarde sou a produtora da mostra T aqui para apresentar essa oficina maravilhosa a chegando na última semana da nosra aa Edi achic as invenções da bruxa no cinema estivemos aqui em 2022 infelizmente num contexto pós-pandêmico com mais restrições maioria das atividades eh a gente Realizou de forma virtual então a gente tá chegando agora com ela toda presencial que é uma alegria imensa pra gente eh hoje temos essa oficina Depois dessa oficina a gente tem um filme que a Gabi também vai apresentar que fez parte né de um trabalho dela também que
é o nosso Vamos enxergar aqui né gente a filha de Satan e aproveito também para convidar vocês amanhã tem duas sessões de filmes Incríveis o Orlando e minha biografia Política da do P Beatriz prato que é um filme inspirado no personagem da Virgínia Wolf e depois a gente tem a bruxa do Robert herg que é um filme inclusive que muita gente pediu pra gente passar na primeira edição a gente não conseguiu passar mas agora tá aqui filme importante também da história do cinema de 2015 estamos aqui também a ta tá fazendo a tradução de libras
e vou falar um pouquinho pouquinho sobre a trajetória Da Gabi Gabriela Laroca é historiadora pesquisadora de cinema de horror produtora de conteúdo tradutora de Podcast Doutora em história pela Universidade Federal do Paraná com pesquisa sobre tradição do Mal feminino e da bruxa em filmes de horror da década de 1960 especialista em representação feminina bruxaria e uso do gênero cinematográfico de horror como fonte histórica é autora da dissertação do Mestrado o corpo feminino no cinema de horror gênero e sexualidade nos filmes Carry a Estranha Halloween sexta-feira 13 de 1970 a 80 e da tese do mos
maleficarum ao cinema de horror a tradição do Mal feminino e da bruxa em filmes da década de 60 integra a equipe do site podcast República do Medo bom fica aí o convite para vocês participarem da amostra durante essa semana no final de semana que vem e eh inclusive eh aniversário da cidade a Gente passa dois filmes eh lá no espaço de fora né dois filmes ao ar livre que é o Kik serviço de entrega da Kik que é um filme infantil e tem também no sábado a exibição do filme Branca de Neve Os Sete rões
fica aí o convite agradecer o CCBB o espaço eh agradecer a equipe aqui a Dani Marinho produtora eh local a Carla Luce tá fazendo o vídeo inclusive gente todas as atividades paralelas vão ficar disponíveis depois no site no site no YouTube da amostra Então quem quiser Assistir e depois reassistir inclusive as atividades que vão acontecer nas outras cidades né terminando aqui em Brasília a mostra vai para Belo Horizonte depois Rio de Janeiro então tem muitas outras eh oficinas enfim mesas de debate sessão comentada e é isso vou passar a palavra agora paraa Gabi bem-vindas bem-vindos
bem-vindos obrigado ah a gente tá passando uma listinha ali para vocês colocarem o nome de vocês pra gente depois emitir o Certificado então colocar o nome e o e-mail por favor tá bom obrigada tá Oi gente tudo bem eu quero agradecer a presença de todos aqui hoje no sábado eu sei que é difícil sair de casa no sábado mas eu só quero ligar os meus slides só um segundinho tá agora vocês viram o meu papel de parede que sou eu e meu cachorro né Por algum motivo não tá exibindo o PowerPoint só tá Exibindo a
minha arte Como que eu faço qu foi Tá bom então agora vamos eh bem meu nome é Gabriela Laroca Eu Sou historiadora formada pela Universidade Federal do Paraná eh como a Tati falou meu mestrado é sobre cinema de horror em outro contexto trabalho com gênero e sexualidade nos filmes Carry a Estranha Halloween e sexta-feira 13 na minha graduação eu já vinha trabalhando com cinema de horror como fonte histórica eu Analisei O Massacre da Serra Elétrica o filme de 74 então eu sempre tive essa predileção pelo horror dentro da história e isso acab acabou caindo no
meu doutorado que é praticamente uma parte dessa oficina onde eu trabalhei a tradição do Mal feminino que a gente já vai descobrir o que é eh no cinema de horror E então eu venho algum tempo trabalhando com isso né e aqui eu esquematize como que a gente como que eu pensei essa oficina pra Gente conversar hoje né a gente tem o problema do mal que desemboca no que a gente no que eu coloquei como a tradição do Mal feminino na caças bruxas e no cinema de horror né eu achei que seria muito aleatório eu começar
já com a tradição do Mal feminino ou começar com a caças Bruxas sem a gente conversar um pouco sobre o problema do mal porque a gente fala de mal feminino mas o que é o mal feminino né ele não surge do nada né que conceito é esse como que isso acaba Reverberando na caças Bruxas lá na modernidade e também no cinema de horror da contemporaneidade principalmente cinema de horror a partir dos anos 60 então eu fiz esse caminho assim que que é esquematizado não levem ele tão eh seriamente assim né porque a gente sempre fala
que na história As coisas são muito mais fluídas a gente não trabalha com uma linha reta né mas eu fiz assim porque eu gosto de esquematizar as coisas porque eu sou Meio neurótica tá então a gente começa aqui né com o problema do mal e o problema do mal eu gosto muito dessa parte da historiografia porque desde muito cedo Nós seres humanos né e a gente tá falando aqui antes de Cristo Então pense numa tradição antes do cristianismo tem esse questionamento da existência do mal que é basicamente uma um questionamento do Por que a gente
sofre porque que a gente morre porque que a gente tem tragédias porque temos Doenças no mundo as sociedades elas sempre tentaram responder a essa pergunta que é entender porque tragédias porque infelicidades ou até mesmo porque a nossa vida acaba um dia e as religiões ao longo do tempo foram elaborando foram teorizando sobre o assunto né e acabaram tornando eh essa questão muito existencial numa questão filosófica e numa questão teológica que não é exclusiva do pensamento judaico Cristão porque a gente pensa muito em mal a Gente pensa em mal e bem a gente pensa em Deus
e o Diabo nem um esquema muito binário e isso na verdade vem de muito antes né Eu até coloco que as culturas da antiguidade por exemplo pros babilônicos vamos vamos dar um exemplo o ma ele é uma força cósmica O que quer dizer assim que ele é autônomo ele vai entrar no mundo ou ele vai atuar no mundo com ou sem a participação humana Então essa ideia de que é o ser humano quem peca e que por isso o mal acontece Ele vem muito mais tarde só com o com a tradição judaico cristã então o
mal ele surge não como essa transgressão mas como essa coisa que existe e ele vai acontecer com ou não a nossa interferência né então tanto o bem quanto o mal são essas forças autônomas que são Opostas né mas que também são igualmente Poderosas e daí a gente entrar nenum problema porque se elas são igualmente Poderosas e elas não dependem do ser humano para entrar no mundo né Como que o cristianismo vai explicar que o bem e o mal eles teste teste viu falei de mal o mal já cortou meu microfone já aconteceu aqui alguma bruxaria
quando o cristianismo ele começa né a ser elaborado ele vai se bater com um problema fundamental na sua doutrina que é como que o bem e o mal são forças Opostas autônomas e igualmente Poderosas eu não posso colocar um rival altura de um Deus que é onipresente onipotente poderoso né eu Não posso ter esse rival ao maior a maior entidade que rege tudo então que Deus também não pode tá nas origens das desgraças né porque se Deus é bom né E aqui gente falando só de religião de um ponto de vista histórico não é de
um ponto de vista teológico né e só interpretações históricas Eu não sou teóloga mas como que você colocaria Deus na origem das desgraças da humanidade Se Deus é bom e é Deus quem cria tudo isso a solução e assim é uma solução que vem A muito longo prazo né não é da noite pro dia que eles falar ah vamos vamos inventar isso né são deliberações são problemas teológicos problemas filosóficos é você atribui a presença do mal no mundo a presença humana então o mal Deixa de ser essa força cósmica onipresente onisciente e ele é uma
força que ela entra no mundo por uma transgressão ela entra porque o ser humano faz com que o mal entre no mundo então nessa linha do tempo a gente Coloca o cristianismo como esse ponto de ruptura né ele é ele faz parte de um vasto e longo empreendimento de culpabilização humana começa humana e depois de um tempo vai desembocar na culpabilização desse ser que seria a mulher com letra maiúscula porque a gente tá pensando aqui em mulher enquanto um uma imagem de feminilidade um estereótipo e não quanto mulheres quanto seres históricos plurais e detentoras e
fazedoras da sua própria História né então quando o cristianismo ele começa a se estabelecer enquanto uma doutrina Religiosa e que ele faz essa ruptura com o mal ele vai fazer extensas eh interpretações dos relatos bíblicos e a gente cai provavelmente no mais famoso quando a gente fala de mal que é o mito edênico né que é Adão e Eva e e foi aqui nessa história bíblica que muitos pensadores vão se concentrar e vão partir para muitas interpretações para entender essa explicação né para trazer Uma explicação do mal no mundo e eu sempre acho muito interessante
pontuar porque a gente vem querendo ou não nós não precisamos ser cristãos mas a gente vem de uma tradição de uma cultura judaico cristã que a gente pensa em mal a gente pensa em Adão e Eva a gente pensa muito como uma coisa consolidada né mas como se já existisse como se já estivesse pronta desde o início e Muitos historiadores apontam que foi só no século I depois de Cristo que eles Começaram a se voltar pro mito edênico que começou a ter importância na doutrina Cristã a história a narrativa de Adão e Eva né justamente
por esse viés de uma culpabilização coletiva e humana né tanto que a ideia do pecado original que a gente também tem muito entre a gente eh foi só no século V só o termo só surge no século V depois de Cristo por Agostinho de pona ou Santo Agostinho né então gradualmente a narrativa vai se voltando para Adão e Eva né esse ser os primeiros seres humanos o mal e posteriormente muito posteriormente os teólogos começam a prestar mais atenção em EVA né justamente para ali reunir uma ideia de submissão feminina porque Eva segundo a Bíblia não
teria sido parte do plano do Criador né Ela vem segundo o plano e ela sempre é Concebida a partir da costela de Adão então eles começam a deixar primeiramente Adão e Eva os dois dois são culpados e depois de extensivos Debates eles começam a se voltar cada vez mais paraa Eva e dizer assim tem até teólogos do medievo que falam não Adão não tem culpa nenhuma ele foi tentado ele foi conduzido por ela ou até mesmo assim de que Eva gerou filhos do diabo Então você tem cada vez mais uma maior concentração em EVA né
ã E com isso a gente tem a associação de EVA com a queda humana eu sei que eu tô muito longe do cinema de horror Mas calma que a gente vai chegar lá e vai Fazer tudo sentido eu prometo para vocês tá bom eh a gente tem então Associação de EVA com a queda humana né Isso é muito parte de uma interpretação extensivamente masculina dos relatos da bíblica né da Bíblia desculpa e que vai contribuir para injetar nas mentalidades essa ideia do feminino enquanto o causador do sofrimento humano aquele que causa a a morte e
inclusive Então muitos pensadores próprio Anselmo da Cantuária Que são pensadores do medievo vão falar que o pecado original não tinha que ser atribuído a Adão que o papel dele era só de vítima então e isso é tão tão introjetado nas mentalidades que a gente tem por exemplo aqui ó o malus m ficaram que é um Tratado de bruxaria ele é o martelo das Feiticeiras ele é de 1486 então ele já tá na idade moderna se a gente for pensar ele usa a justificativa de EVA para dizer que as Mulheres eram espiritualmente fracas e que eram
espiritualmente mais Tent então ele até fala assim eh houve uma falha na formação da primeira mulher por ela ter sido criada a partir de uma costela recurva ou seja uma costela do peito cuja curvatura é por assim dizer contrária à retidão do homem então a gente vê como essas imagens essas narrativas vão sendo acionadas ao longo da história né Elas não ficam presas em um passado elas vão sendo eh acionadas e Elas por exemplo a gente tem aqui uma coisa que vem de antes do cristianismo que é reformulado pelo cristianismo e desemboca aqui na na
idade moderna na caças Bruxas por exemplo eh o o espírito de EVA então é muito visto né como esse desvio ele reflete esse desfio esse desvio Originalmente por causa da costela né é marcado pela perversidade e seria assim graças à curiosidade a gente já sabe a história a Eva teria sido seduzida pela serpente Convenceu o seu companheiro a desobedecer aos comandos divinos E com isso acarretou toda a desgraça da humanidade né então a a gente tem aqui ai tá do outro lado não consigo ler daqui bem o problema do mal o pecado original essa s
e a gente sempre tem que lembrar dessa sistemática interpretação masculina desses relatos né Eh e o problema da Carne são essenciais para essa reafirmação na cultura Cristã ao longo dos séculos de uma inferioridade e De uma malignidade feminina e isso vai construindo aos poucos num em um período de longa duração a ideia da mulher né como ativa tem uma imagem misógina mas daí a gente desemboca muito no que é essa tradição do Mal feminino que tá até no título da nossa da nossa oficina né como que a gente passa de filhas de EVA então só
esse ser fraco espiritualmente eh até bobo que vai e causa essa desgraça e que desobedece paraa filha Paraas servas de Satã que são as bruxas né porque quando a gente fala de Bruxas eh as bruxas elas nunca são isso é um esquema de gênero muito interessante as bruxas elas nunca são as comandantes supremas elas estão sempre abaixo então assim elas podem ser um mal e a gente tá pensando aqui na bruxa no arquétipo da bruxa Demoníaca né mas elas sempre estão servindo a um mal maior que é um mal masculino que é o mal diabólico
então assim elas ainda são servas Mas como que Opera né Essa transformação de como a gente deixa de ser de seres fracas para seres malignos né seres diabólicos que é a tradição do Mal feminino né quando a gente vai do final da idade média pro início da moderna a bruxa demonolatria que é essa bruxa que vai causar vai fazer um pacto com o diabo que vai renunciar à cristandade é a bruxa é a bruxa que a gente tem do do cinema de horror ou dos contos de fada que é aquela bruxa que vai pro Sabá
Aquelas reuniões noturnas é a bruxa que come as criancinhas é a bruxa que mata todo mundo né essa bruxa que faz o pacto né ela faz o pacto com o diabo é a bruxa demonolatria ali nessa nessa transição do que a gente chama de idade média paraa idade moderna ela vai se transformar em um estereótipo muito potente do que eram as mulheres e isso é muito impulsionado por inquietações sobre a origem e a presença do mal no mundo e Também por uma ameaça satânica que é uma coisa muito de contexto que rondava a cristandade né
Tipo você tem uma presença do diabo cada vez mais no cotidiano cada vez ele tá cada vez menos no plano dos escritos e cada vez mais no plano físico né então é justamente aqui que a gente tem essa consolidação né Não não é algo que surge da noite pro dia eu sempre falo assim as pessoas não vão dormir um dia acordam no outra falando assim ai vamos mulheres são bruxas vamos Matar elas não é assim que funciona né É um longo processo mas aqui que a gente tem essa figura da mulher bruxa que vai realizar
os pactos diabólicos que vai participar das reuniões noturnas e que vai lançar os malefícios ela vai despontar digamos ao final do século XV que é 1400 né quer dizer 14 desculpa 14 é 1.300 né E quando a gente volta né paraas bruxas e para essas para essa malignidade feminina a gente vê que o Discurso antif feminino que justificava a bruxaria ele não é uma novidade né então não é que as pessoas do nada deu aquele cliquez inho falou Pô mulher é um bicho do Mal Vamos matar elas porque é assim que a gente vai purificar
é um longo processo a gente tem uma imagem de feminilidade que é construída aí que é herdeira de tradições muito antigas e que vai sendo introjetada nas mentalidades por séculos e não é só nas Bruxas né a gente vai ter sempre Escritos vai ter imagens vai ter peças de teatro então tudo isso vai contribuindo para que seja muito mais fácil você chegar na caças bruxas e realmente falar não Beleza ela as mulheres são mais propensas a causarem a bruxaria né e o mal então como inerente à feminilidade né Eh ele tá presente em autores antigos
em autores medievais em autores modernos ela tá ancorada nesses debates religiosos em debates jurídicos em debates naturalistas né então a gente Vai tendo essa elaboração de estereótipos negativos e até excludentes né e aqui eu fiz um esqueminha porque eu adoro esqueminhas que é a gente tem essa tradição do Mal feminino que a gente tava falando e ela pode desembocar só pra gente ter uma ideia de que não é só a bruxa que desemboca dessa tradição né lá em cima a gente tem ess a ideia do ser imperfeito e débil que seria Eva né a ideia
da da mulher que já nasce inferiorizada e que ela é imperfeita ela É influenciada pela serpente em segundo ponto a gente tem um outro estereótipo que também deriva dessa tradição antif feminina que é a da virgem perfeita sem apetites sexuais que você retira qualquer traço de humanidade dessas personagens e transforma elas em seres inatingíveis que no cristianismo seria a maior a melhor maior representante Maria e a bruxa que a gente já vai entrar mas quando a gente tem Eva e Maria por exemplo e Vistas aqui enquanto estereótipos e não enquanto personagens históricos mas enquanto estereótipos
a gente tem muito essa relação elas exemplificam muito essa relação cont contraditória que vai ser marcada no cristianismo e no catolicismo de uma oscilação entre a hostilidade ao feminino e a admiração Então você tem dois polos né uma hostilidade marcada por essa por esse ser imperfeito e uma admiração por um ser que é inatingível e que retira Qualquer traço de humanidade para todas as mulheres Opa Ah é que eu tinha colocado uma caveirinha ó só [Risadas] para bem então A Bruxa Má como a gente vai conversar sobre os filmes ela é uma faceta só dessa
tradição cultural ela é um caminho que boca entre vários outros possíveis né Muito herdeira dessas ideias ancestrais sobre a mácula da mulher a sua intrínseca relação com o Mal e a bruxa dos tratados demonolatria que é uma uma discussão já do uma desculpa uma discussão teológica e os malefícios que também são muito anteriores a isso a essa misoginia milenar né então a gente tem um encontro de várias tradições ali que vão permear na bruxa dos tratados as mulheres que daí vão incorporar esse paradigma máximo da malignidade contra a o a cristandade que são as bruxas
né Eh então essa relação entre mulheres E maus e ma novamente né Ela não é uma invenção do cristianismo apesar de ser muito Central paraa sua doutrina Então a gente tem ali as interpretações principalmente do Gênesis que vão ser elaboradas por pensadores muito famosos né que é Paulo Agostinho Tomás deim Jerônimo né esses todos vão ser fundamentais paraa criação da bruxa porque os homens letrados que vão criar A Bruxa de monolatria que é a bruxa que faz o pacto Eles leem esses primeiros Pensadores da igreja e incorporam né eles integram eles potencializam esse discurso com
esses argumentos antif femininos que estão presentes Desde a antiguidade né Eu trouxe um exemplo só para dar uma imagem que é a suposta diferença corporal que é algo também muito utilizado e que vem dessa ideia lá da antiguidade de que o corpo feminino é associado à falta porque ele não teria as qualidades masculinas né então você tem muita teoria de geração de Aristóteles até que fala que a alma do corpo da mulher seria formado depois então a mulher já tem um atraso sabe então eles vão incorporando muito isso então a gente vê que é muito
conhecimento e que o pensamento ocidental utiliza essa discussão para justificar a inferioridade e a passividade feminina falando olha tá desde a geração o feto alma perdão a alma Ela é formada depois então a mulher ela é inferior ao homem e Eles vão buscando argumentos em vários lugares e também da própria antiguidade clássica pra gente não achar que é uma criação da modernidade da bruxa você já tem uma crença no poder mágico de determinadas mulheres assim então a gente tem relatos tem Fontes que falam de mulheres que fabricam venenos de mulheres que são intermediárias em casos
amorosos tem as as divindades associadas a como Dian ecat Celene e a própria as suas ministras dos tempos heróicos que é Cis e Medeia então a gente já tem essas personagens são personagens femininas ligadas à magia mas que não são associadas ao mal entendeu então a gente tem essa ruptura depois com o cristianismo porque na antiguidade clássica elas só estão ligadas à magia tão ligadas a outras questões que vão muito além dessa dicotomia do bem e do mal então mesmo que assuntos como magia superstição fossem ligados ao menino era de uma outra maneira o que
acontece é Que com o principalmente com o cristianismo eles trazem todas essas questões e daí essa inferioridade que seria física ela é extrapolada pro âmbito moral né pro pro âmbito da inferioridade moral então o desprezo e a desconfiança vão se intensificar muito no cristianismo e na igreja católica né no século I depois de Cristo a a gente tem essa reinterpretação essa inserção de conotações cada vez mais antisex suais e misóginas no Novo Testamento né E isso eh tem toda uma discussão em off assim na na história e na teologia de como a gente tem que
prestar atenção nas edições da Bíblia né porque ela não é um escrito que permanece igual desde que foi escrito Então vão sendo adicionadas as traduções elas mudam a gente tem inserções de Novas Novas passagens então quando eu falo dessa inserção de conotações mais misóginas mais antif femininas é um processo que vai passando Nas várias edições e nas várias traduções que as pessoas vão vão fazendo e que vão também acionando esses textos de acordo com os seus objetivos de acordo com a sua época né então é muito também um um produto histórico e o corpo feminino
começa a ser criado Então como esse obstáculo perante a razão esse obstáculo perante Deus e e é com isso que a gente também entenda aí muito a o celibato né quando a Igreja Católica ela não nasce celibatária pelo contrário a Gente tem mulheres dentro da igreja a gente tem eh cônjuges e assim por diante E com o tempo o celibato ele vai sendo instituído muito nessa ideia de que o corpo feminino ele é um obstáculo perante a o relacionamento do de dos homens com Deus então as mulheres elas vão sendo afastadas enquanto seres perigosos e
cada vez mais longe da igreja e do Sagrado já tô chegando no cinema os teólogos do medievo então eles Vão atribuindo cada vez mais a esses autores antigos um peso de verdade né eles acionam esses textos essas ideias para exemplificar Por que as mulheres têm esse caráter mais desviante e nos tratados e acusações produzidos posteriormente eles vão trazer várias personagens femininas que são muito conhecidas por nós para justificar inferioridade das mulheres né de falar por que que as mulheres são responsáveis pelas mazelas do mundo então por exemplo Eles citam até mesmo A Cleópatra Eu sei
eu trouxe Elizabeth Taylor tá porque eu não consegui achar nenhuma outra que que com toda essa discussão sobre sobre a Cleópatra mas é só uma imagem tá eh o o mos Male ficaram que é o martelo das Feiticeiras né ele cita por exemplo diversas personagens que estão na antiguidade ou que estão até em mitos que a gente nem sabe se elas existiram mesmo né né Eh para reforçar essa ligação entre as mulheres e o mal entre As mulheres e as catástrofes né então por exemplo não só as relacionadas à magia e feitiçaria como siss Medeia
né mas também eles citam Cleópatra que causou a queda dos Romanos eles citam a Helena de Troia Que destruiu uma nação inteira né então eles vão acionando essas personagens eh como exemplos né de como as mulheres elas causam a ruína da sociedade né então a gente nota como em diversas culturas o e épocas a mulher vai sendo associada ao Mal à Fatalidade a perfídia sempre impedindo o homem de realizar o seu destino espiritual a sua relação com o sagrado né vai sendo construído um sistema contínuo de representações e que que vão reforçar essas diferentes formas
de de diferentes formas o seu caráter negativo e que vai afastando as mulheres do controle social do controle político né e tudo isso é fundamental pra gente entender a imagem da Bruxa Má que também vai chegar no Cinema a idade média então só pra gente falar de caças Bruxas bem rapidinho eh vai ampliar e vai racionalizar essa misoginia milenar que a gente vai vendo como ela vai sendo fortalecida E vai meio que vincular toda essa ideia de mal feminino ao diabo que é uma imagem um personagem cada vez mais presente naquela época eh a tradição
do Mal feminino né ou essa tradição misógina e a diabolização do feminino elas vão encontrar meios Práticos como a gente fala de observação e de funcionamento na caças Bruxas é aqui que a gente vê todo o poder desse Imaginário e de como ele adquire meios práticos né porque é a expressão máxima né a gente tem assim como se fosse um clímax de um longo de um vasto endimento que vai mostrar que as mulheres têm uma vocação natural ao mal eh tá então né justamente isso que eu já já falei bastante né o medo antigo da
mulher que é personificado na bruxa e Que ela vai ser o resultado essa bruxa demonolatria essa bruxa Demoníaca ela é o resultado de da união entre um pensamento letrado principalmente Eclesiástico e a imaginação e tradições populares né da relacionadas a ao malefício relacionados à magia e que a diabolização feminina acoplada essa ideia de uma sexualidade desonrada foi o dramático né até traumático resultado a que chegaram tantas reflexões clericais e leigas Sobre o perigo representado sobre o feminino como se a gente tivesse um ponto de clímax assim uma uma pirâmide né E só uma observação Eu
gosto bastante de de falar sobre isso porque quando a gente tem a a bruxaria a gente tem eu eu faço essas duas definições mas assim também são bem arbitrárias É só pra gente entender um pouquinho a gente tem a bruxa demonolatria dos tratados e tem o que eu chamo de bruxa da vida real né Elas são personagens muito diferentes a Gente aqui vai falar da bruxa demonolatria dos tratados mas essa bruxa ela não existe né o que eu quero dizer assim não não não ela a a mulher que faz o pacto com o diabo e
que vai voando a até os sabás e que de lá elas se engajam em orgias e beijam o bode tudo isso existe relatos e tratados né da idade moderna principalmente mas essa essa bruxa ela é fruto de inquietações masculinas que vão escrever sobre ela e que vão ocasionar na perseguição de Mulheres verdadeiras né e a bruxa da vida real né é a bruxa que vai est no cotidiano das pessoas que é a bruxa que vai causar os malefícios que daí assim é muito a bruxa que é acusada pelo vizinho Ah porque ela olhou torte eu
cí então ela é bruxa sabe ah eh a minha manteiga estragou né ou sei lá a minha vaca morreu isso é muito comum em em relatos de bruxaria ela é bruxa então assim a gente vê uma diferença muito grande entre a bruxa do cotidiano a bruxa da Vida real que permeia as pessoas de verdade que daí ocasiona na perseguição de mulheres verdadeiras não só mulheres porque a gente sabe que homens também foram perseguidos né eh mas é é essa questão e a bruxa dos tratados dem monológico que é esse ser diabólico maligno que é muito
um estereótipo né E que é justamente essa bruxa que vai pro cinema Não é quase tanto a bruxa da vida real porque senão não assustaria né você vai fazer um filme de horror com a Mulher Porque Acabou a manteiga sabe a bruxa do Robert eggers traz um pouquinho disso mas essa aqui ela é muito mais potente no quesito do mal né e entre tanto eu falei tanto de tratados né Tratado de bruxaria tratado tratado do que que é um tratado né um exemplo máximo assim eu trabalhei no mestrado com o malus mas existem outros né
O malus chama o martelo das Feiticeiras ele foi publicado por dois Frades inquisidores do prelado Alemão Eh eles escreveram para meio que codificar o cri o crime da bruxaria né foi publicado Originalmente 1486 1487 né e ele vai então como foi publicado por Frades ele tem um argumento religioso né ele vai partir assim do que as bruxas são paraa cristandade então eles passam 400 páginas falando sobre isso e o malus ele se torna um dos não o único né Ele é o mais famoso mas ele não é o único tratado de bruxaria e ele vai
muito produzir a imagem dessa bruxa dos Tratados que a gente estava falando Dea dessa bruxa demonolatria né porque eles meio que faz uma amálgama da figura da mulher bruxa né e é um dos primeiros desses escritos a ligar o crime da bruxaria que é o crime dos malefícios por exemplo unicamente as mulheres o malus é um dos poucos que fala não homens não podem ser bruxos só mulheres são bruxas e ele vai ali fazer uma descrição dos hábitos e das origens e vai fazer muito a parte das questões Práticas o que que os juízes têm
que fazer quando tem essa ameaça o malus Tem tradução pro português se alguém tiver interesse eu acho chatíssimo estudei a vi eu estudei muito tempo ele assim eu acho ele muito chato eh mas ele é publicado até hoje pra gente ter uma ideia do impacto né ele sai saiu recentemente uma nova edição aqui em português eh mas ele ainda continua sendo chato desculpa desculpa mas eh só pra Gente ter uma ideia do impacto né porque tem muitos outros no meu no meu doutorado eu estudei o dem Monomania das Feiticeiras também dem Monomania [Risadas] as bruxas
mas assim as bruxas é é que não tem as bruxas eh Vamos pular essa parte então Eh E então só para mostrar que tem outros tratados que foram produzidos na França por juristas então que vem então Do direito não só da origem eh clerical a gente tem italianos e assim por diante então o malus é só um exemplo né só que ele acabou ganhando dando força né porque ele tem uma retórica mais inf eh mais cheia assim contra as bruxas e contra as mulheres então talvez isso tenha feito que do que com o tempo ele
tenha adquirido esse esse apelo Popular né então a gente tem esses três grandes Pilares né que é a teologia a medicina e o direito que em um período de longa Duração né eu frizo longa duração são séculos séculos disso vão consolidando essa inferioridade vão consolidando a malignidade né das mulheres vão introjetando isso no Imaginário vão até colocando nas estruturas né na forma que as sociedades se organizavam Então não é espantoso e era isso que eu queria trazer que a conexão entre mulheres e bruxas foi tão difundida ali na idade moderna né Essa Propensão paraa bruxaria
era nada mais do que um resultado lógico se você for pensar né legal fácil de de conseguir aqui porque as mulheres eram menos confiáveis elas eram elas foram construídas por séculos como menos confiáveis e como inferiores E então a gente tem assim só para quem tiver uma breve dúvida né Porque eu sei que a gente às vezes acha que bruxas e são na Idade Média né a gente tem muito essa imagem de que a Caça as bruxas aconteceu na idade média e na verdade o ápice das das perseguições elas acontecem entre 1560 e 16 30
isso é idade moderna né e assim é muito difícil a gente falar em caças bruxas de uma maneira homogênea porque as perseguições elas variam muito de território para território e também assim não é só uma coisa da Igreja Católica apesar da gente pensar muito na inquisição né a gente tem muito eh os países protestantes tipo que seria a Alemanha Por Exemplo foi uma um grande foco de caças bruxas e ao mesmo tempo em que a Espanha por exemplo que a gente sempre pensa na inquisição espanhola não prestou muita atenção nas Bruxas prestou atenção em outros
herges né Então se alguém depois quiser a gente conversa um pouquinho mais sobre caças bruxas porque agora a gente vai falar sobre o cinema de horror Deixa eu só tomar uma ua aqui aproveitar bem Eh a bruxa né que é esse personagem tão importante que ganhou até uma amra para ela aqui ela não surge de um vácuo cultural né então o que eu quero dizer assim não é que os realizadores do cinema falar assim pô legal né personagem bacana vamos colocá-la aqui como uma o audiovisual eh não só o audiovisual de horror o audiovisual como
um todo ele incorpora essa tradição que a gente estava conversando até agora né que foi popularizado pela caças bruxas e Vai meio que fazendo assim uma articulação Entre esses saberes né vai colocando algo ali eh não é um espelho né o que eu sempre gosto muito de frisar é não é a mesma coisa né A Bruxa do cinema não é a mesma bruxa da idade moderna por exemplo nem a bruxa dos tratados são contextos diferentes o que a gente tem aqui são uma é uma é uma apropriação né uma intersecção esse encontro entre saberes entre
linguagens diferentes entre códigos que estão muito Temporalmente distantes mas que de alguma forma se encontram e reproduzem alguma coisa né o cinema ele atualiza essa personagem histórica né e a reconstrói né num contínuo jogo de construção e reconstrução de uma nova maneira que a gente vai ver aqui e isso a bruxa do cinema então ela ocupa esse lugar que eu acho ele muito singelo né porque ela não é a mesma da idade moderna mas ela também não é algo completamente novo ela é um ser híbrido Né Eu gosto muito de desse nome assim ela é
um ser hibridizado ela é um produto que encontra ali que retoma essa tradição que a gente tá falando mas n umaa Linguagem Nova porque o audiovisual é uma linguagem muito recente né do começo do século XX eh e esses filmes que a gente vai ver agora eu selecionei alguns né não todos porque senão a gente ia ficar aqui mais umas duas semanas conversando sobre mas como esses filmes dialogam de diferentes Formas com esses saberes e com essas imagens e contam novas narrativas né incorporam nessa tradição e uma uma curiosidade né Eu trouxe o Drácula do
lugos e o lobisomen do long chene Júnior só porque a gente fala de Bruxas no cinema de horror né mas elas não são os únicos Monstros antigos a habitar o cinema de horror né o o horror enquanto gênero eh pensando aqui a gente fala de horror enquanto gênero muito a partir da década de 30 né E que é quando o Frankenstein e o Drácula os dois da Universal são lançados e é a primeira vez que um crítico fala filme de horror a expressão Então se a gente tivesse que cunhar um Nascimento seria isso assim né
não que gêneros nascem da noite pro dia mas a primeira vez que o gênero é usado como filme de horror é ali mas desde muito cedo o horror ele incorpora esses Monstros o Vampiro O Lobisomem a bruxa que são monstros que são codificados na Idade moderna que são codificados no medievo então assim a gente vê esse interesse do gênero né por esses seres e eu trouxe até uma uma eh definição de monstro que eu gosto muito que é do Leo brudy do Haunted ele é autor de um livro que ele fala assim que o monstro
ele é uma criatura estranha ele é uma criatura distorcida e presa entre um passado ameaçado e um futuro incerto reúne características contraditórias e confunde as categorias De racionalidade e Ordem criando sua própria lógica pode ser simultaneamente humana e animal como lobisomem morta e viva como vampiro ou humana e diabólica como a bruxa representa a diferença absoluta no público o out outro que amedronta o outro que fascina o outro que cria simpatia e o outro com quem nos identificamos então Eh né o horror ele ele tem essa esse fascínio pelos Monstros antigos e eu acho genial
como esses Monstros eles ganham uma nova Representação no nosso Imaginário pelo cinema né então assim eles entram no cinema de horror e ali eles criam raízes e é o audiovisual quem vai ditar muito do que a gente pensa sobre eles né a gente não pensa no vampiro que foi codificado lá na idade moderna em tratados de homens letrados e religiosos que falavam dos problemas dos mortos vivos a gente pensa em vampiro a gente pensa em Drácula pelo menos assim ou em algum outro né então Eh aqui no cinema esses personagens eles ganham roupagens né um
pouco mais modernas Mas eles ainda funcionam como uma indicação observável do mal né então eles trazem muito essas questões eles mantém desculpa não é que eles trazem eles mantém essas questões muito antigas sobre o medo da morte a questão da vida os limites do corpo né e o que explicaria né até a continuidade desses Monstros e isso explica um pouco porque que as bruchas Também permanecem no nosso Imaginário né que é enquanto o medo por esses Monstros ele é expresso em termos contemporâneos né porque a gente sabe que os filmes são feitos para para um
público contemporâneo a eles eles ainda são representados de uma forma muito antiga de como eles foram codificados há muito tempo então essas narrativas elas trazem medos recentes né junto a medos antigos e isso é utilizado para expressar os nossos medos né muitos medos aqui estou Repetindo várias vezes a palavra mas para para expressar sentimentos contemporâneos e apesar de todas as Transform ações que as bruxas sofrem né eh todas esses esses Monstros eles ainda mantém características que vão tornar eles identificáveis ao público que você vai bater o olho e vai saber basicamente Qual é a essência
deles e nas Bruxas a gente vai ver que o recorte de gênero e sexualidade assim como a sua relação com o mal vai ser sempre muito intrínseca Pra sua identificação e daí a gente entra no nosso primeiro filme que é o haxan eu não sei alguém aqui já assistiu o hakan a feitiçaria através dos tempos não só você tá então acho que vou bem gente O filme é de 1922 então não tem spoiler tá porque eu tenho um problema porque às vezes eu solto muito spoiler as pessoas reclamam falam gente 1922 vai já fez 100
anos o filme já tá em Domínio Público spoiler também tá no domínio Público o rxa tava na amostra de 2022 né Eh eu trouxe ele aqui porque ele é um filme que sai muito do eixo est Estados Unidos né Ele é um filme Sueco dinamarquês ele é um filme mudo de 1922 e ele foi um dos primeiros ele é considerado um antecessor de cinema de horror quando a gente pensa no horror enquanto nascido ali em 1931 com o Drácula e Frankenstein mas ele em alguns lugares é considerado horror né e ele é Um dos primeiros
filmes Assim é até estranho porque 1922 o cinema ainda tava se consolidando enquanto arte enquanto forma de comunicação mas o haxan é um dos primeiros a tratar a bruxaria de uma forma séria entre muitas aspas porque anterior IOR mente a bruxaria ela era muito utilizada em filmes de cinema de atração tipo do Jorge melz que era assim a maneira de você usar a magia para mostrar efeitos especiais e causar um uma um Fascínio do público o hakan é um Dos primeiros a trazer a bruxaria de uma forma séria e até de uma forma vinculada ao
que tudo que a gente falou porque o hakan ele é um estudo sobre o malus m leus malale ficaram o diretor ele o diretor o roteirista eles se aprofundaram no malus para trazer imagem da bruxa e tem muito um propósito documental então a narrativa dele não é a narrativa que a gente tá acostumado no cinema até porque ele traz encenações e recriações bastante intensas na época Hxa foi banido de vários países porque as cenas eram consideradas muito violentas e de teor sexual muito alto né mas com essas cenas muito dramáticas que são retiradas dos tratados
né então assim tem as as bruxas voando tem elas utilizando um guento Mágicos né né Tem canibalismo tem ingestão de sangue humano gente pensa 1922 isso era um pacto muito grande né e até hoje né mas a gente já tá mais acostumado com a violência até com essas coisas assim Aparições do diabo até relações sexuais com os demônios ele mostra né então ele traz muito disso e ele foi censurado em muitos muitos países mas o objetivo dele é um objetivo muito singelo dentro da história da bruxa porque ele quer explicar ele quer abordar a história
da bruxaria pelo viés da intolerância religiosa né então ele usa o malus como um documento como uma fonte mas ele quer falar que as caças Bruxas são uma intolerância religiosa e ele quer Analisar a bruxaria por uma lente muito contemporânea que é a lente da psiquiatria né então assim ele tem esse objetivo muito direcionado que é partir das caças bruxas e dizer ó caças Bruxas são um equívoco que foi originado por causa de doenças mentais que né que desencadeou uma histeria em massa isso a gente vê muito né Principalmente quando a gente pensa em bruxas
de salé por exemplo Ah que teve uma histeria coletiva historiadores não gostam dessa Explicação porque senão a gente atribui muito ao biológico uma coisa que também é muito cultural mas o HX ele tem essa esse lugar muito singelo na produção das bruxas do cinema justamente por causa disso porque ele vai tentar mostrar caças bruxas de uma forma séria e Ah eu trouxe algumas imagens também aqui do elas são meio escuras porque o filme é de 22 e né mas enfim só pra gente tem uma ideia né tem o aparecendo do diabo Tem elas fazendo unguentos
tem elas sendo tentadas é muito aquela imagem clássica da bruxa até da bruxa vítima né a mulher que é perseguida injustamente por uma associação é um filme bem fácil de encontrável ele tem lançamento até em mídia Física no Brasil então ele não é difícil para quem tiver interesse e o nosso próximo filme não é horror tá Calma eu sei que todo mundo aqui quer horror eu trouxe Alguns exemplos de fora do horror porque eu acho que a gente não trabalha com gênero enquanto uma uma coisa isolada né os gêneros eles conversam e eles vão passando
muito das suas tendências e eu gosto muito do mágico jos então eu adoro Wicked Eu também resolvi que eu ia trazer a a bruxa do do oeste mas o mágico jos ele vem muito depois do haxan né são 17 anos depois mas ele tem ali um papel muito importante na bruxaria que é a representação clássica da bruxa porque Ela vai vir daí com a pele a gente pensa em bruxa a gente pensa muitas vezes na bruxa do Mágico de os né a pele verde o narigão o aquele aquela risada diabólica os os dedos compridos e
finos o chapéu a risada estridente né E essa bruxa ela se aproxima muito a bruxa do Poder Demoníaco né Por mais que o mágico Joss Nunca fale ela nunca faz uma associação Direta com o diabo né Essa coisa dela conseguir voar pelos ares dela ver o futuro ela tem até ela é auxiliada pelos Familiares né que são os macaquinhos voadores dela ali eh essa é uma tradição de bruxaria que a gente vê por exemplo na tradição inglesa que é que a bruxa ela é auxiliada por animais né então a gente tem o gato preto da
bruxa ou o sapo né Isso também veio muito pro cinema até fora do horror a gente a gente pensa no Salém da Sabrina né mas tudo isso vem também da tradição de bruxaria e a bruxa mado Oeste ela meio que reúne essas características em um Filme infantil né então e ela consolida de uma maneira né que a gente pensa muito nela assim eu penso em Bruxa Má volta e meia eu penso na na Bruxa Má do Oeste mesmo sendo uma representação de fora do horror e isso meio que faz o paradigma da Bruxa Má no
cinema que é o Branca de Neve e o sete anões de 37 que tá na amostra e a o mágico de oss de 1939 né Essas duas personagens elas meio que consolidam no cinema como um todo o que É a Bruxa Má e sobre a Branca de Neve e Sete Anões assim eh que eu fiz uma uma saída rápida do gênero de horror porque eu gosto muito de trabalhar também como essas representações elas são incorporadas pelo pelo horror né a a bruxa da Branca de Neve para mim ela é um dos melhores exemplos de como
a gente tem contos populares da idade moderna né que personificavam esse conhecimento das bruxas que as pessoas passavam pra frente para dizer o que era uma bruxa e Como eles foram transformados em contos infantis né então assim como esses relatos que desembocam né e depois são compilados pelos irmãos Green ou por outros escritores né Originalmente eles vão representar muitos medos eh e fantasias principalmente femininas ou seja de mulheres sobre outras mulheres ou seja o que que as mulheres achavam sobre as bruxas o que as mulheres achavam sobre a bruxaria então eles funcionam como avisos né
de e nesses Contextos ali da idade moderna marcados por uma capacidade mágica da comida e para mim isso faz muito sentido quando a gente pensa na maçã da bruxa da Branca de Neve essa comida que tem o poder de ultrapassar o limite da esfera doméstica ou até o limite do corpo né então isso não é uma criação do cinema eu acho que é só importante a gente ter isso em mente né porque essas narrativas elas vêm pro cinema mas elas ainda têm uns significados que são da modernidade tipo O tema da fome da Maternidade um
contexto de privação é só pensar na bruxa de João e Maria por exemplo né que também é a bruxa Canibal que come as criancinhas então esses contos por mais que eles estejam agora agora ali no começo do século né já 1930 quase 1940 sendo vendidos como entretenimento né como contos para crianças eles também têm muito essa ideia do dos limites do corpo para você ter a vigilância ansiedade Sobre comida sobre sobrevivência quem você vai deixar entrar na tua casa né e agora entrando mais assim no horror né a gente tem então o hxa e o
mágico deos eles trazem duas representações da bruxa né e são duas representações muito diferentes e que vão ditar muito o cinema dos anos seguintes né então a bruxa no rxa ela vem como essa vítima espoliada como essa vítima violentada como essa pessoa que sofre que sofre uma injustiça e no Mágico de oss não ela é a bruxa como a gente do mal né ela sabe o que ela tá fazendo e ela tá em uma busca por poder por vingança e assim por diante e tanto haksan quanto mágico Dios eles trazem essas construções cinematográficas que a
gente quando presta um pouquinho mais de atenção vê que elas talvez não sejam tão diferentes assim porque o hakan ele traz as bruxas são dramaticamente humanas né elas não têm nenhuma carga satânica por exemplo Né Elas são inocentes elas são vítimas desamparadas o mágico deosa é a bruxa como um monstro a bruxa Demoníaca A Bruxa detentora de poder maléfico mas quando a gente vê essas duas categorias muito binárias né Elas são muito Opostas a mulher ela ainda é construída de um lado como um ser intelectualmente fraco no haxan é o fato o caso do hakan
é a mulher como um ser fraco que necessita de controle que necessita de autoridade para conseguir Não sucumbir essas tentações né Por exemplo e as tentações da da mente né porque é a questão da histeria e na segunda a mulher não se submetendo a nenhum poder humano e nenhum uma busca Demoníaca por poder são dois lados de um mesmo Imaginário né sobre o feminino que foi longamente elaborado por teólogos e por homens letrados e em um meio termo antes da gente entrar nas Bruxas dos anos 60 né o Enquanto isso Ah eu adoro essa foto
eu acho maravilhosa enquanto o cinema de horror ainda não estava tão preocupado com as bruxas assim a gente não vê uma preocupação muito grande nos anos 40 nos anos anos 50 é como se tivesse monstros mais importantes né a gente tem ali o Drácula Frankenstein o múmia lobisomens são os monstros que imperam mais as bruxas são deixadas de lado mas elas não são deixadas de lado por todo o cinema né então por exemplo o Cinema hollywoodiano ele traz representações também das bruxas de uma maneira um pouco mais positiva e dois exemplos que eu trouxe é
o casem com uma feiticeira de 42 que tá na amostra e o Sortilégio de amor de 58 e são são dois filmes que não tem nada de horror não tem nada de eles são mais mais uma comédia romântica até mais um romance e traz essas bruxas muito interpretadas por atrizes famosas atrizes jovens atrizes bonitas né Elas são personagens Independentes elas não tão ligadas ao mal elas não tão ligadas ao a uma busca por nenhum objetivo nefasto né mas elas têm também essa questão do gênero porque Elas abrem mão dos seus desejos Elas abrem a mão
dos seus poderes quando elas acabam casando então também tem esse paralelo que é importante e mesmo que ainda de forma muito leve tem uma certa persistência entre bruxaria e sexualidade né Eu trouxe um exemplo eh que é o Sortilégio de amor que é aquele Que ela tá com o gatinho né que é a King Novak que a a imagem dela se algum dia vocês assistirem ao filme vocês prestem atenção eh muda muito quanto ela é bruxa eh ela tá com roupas bem mais sensuais mais decotadas ela é muito mais decidida né só que quando ela
se apaixona ela perde o poder dela e é meio que uma escolha né então ela fica com um homem mortal E para isso ela abre mão do seu seu poder e daí quando ela perde os poderes ela começa a se vestir de Maneira muito mais catada ela sempre ela passa o filme inteiro descalço enquanto ela é bruxa depois que ela perde os poderes ela começa a usar sapato o cabelo dela Muda então assim a gente tem essas coisas muito suaves na representação da bruxa mas que ainda são muito significativas e daí a aqui a gente
tem essas representações que são mais positivas da Bruxa só pra gente não achar que são que é tudo negativo né Por Exemplo a gente tem a bruxa domesticada que é a feiticeira a série de TV de 64 que é a bruxa que abre mão de muitos dos seus seus poderes do seu eu para criar essa família nuclear né E muito a ver com o contexto e daí as bruxas de eastwick que estão ali em cima e a Magia sedução que também tem muito esse reforço entre bruxa sexualidade poder feminino mas por um viés um pouco
mais positivo assim eu adoro da magia sedução Então eu só tô falando assim porque eu Acho maravilhoso Mas voltando ao cinema de horror né a a gente conversou sobre como o cinema deixou de lado as bruxas por um tempo assim o cinema de horror focado muito ali na nas suas no seus outros Monstros masculinos mas nos anos 60 a gente tem meio que um despertar maléfico assim digamos das bruxas e parece que cinema de horror fala Hum acho que elas podem dar boas antagonistas vamos trazê-las para para Cá a partir dos anos 60 o cinema
de horror ele começa a apresentar dois enredos bem básicos de Bruxas né O primeiro é elas aparecem em clãs patriarcais Ou seja é muito aquilo que a gente tava falando lá no começo né Elas são as servas então elas sempre estão Ema hierarquia mais baixa eh de uma estrutura né elas servem numa estrutura de família invertida uma família satânica né e elas são lideradas por um bruxo poderoso e esse bruxo é o Verdadeiro vilão do filme elas são muito mais quades né Elas são comendad por homens reforçando muito essa ideia de submissão eu trouxe alguns
exemplos né são filmes que são mais difíceis de achar Se vocês forem ver tem alguns que não tem nem título em português então assim o The devil's Hand o the witch Maker são filmes que já ficaram mais fora de acesso né o Irmandade de satanás é um filme B que é um pouquinho fácil de achar e o Feiticeiro ele é um filme com warson Wells então ele é um pouquinho desses todos o mais fácil de achar mas a gente tem essa tendência que você segue nos anos 70 porque o cinema de horror dos anos 70
também é muito preocupado com o satanismo Então as bruxas a partir dos anos 60 e 70 elas vão encarnar muito essa ameaça do satanismo aliado à bruxaria e daí aqui ai ficou meio escuro Mas enfim só para ver aqui só para ter uma Ideia de que é mas assim né Eh esse é o feiticeiro do warson Wells entendeu então é o mais fácil de achar se alguém tiver interesse assim e mas só pra gente ter uma ideia de que tem dois tipos de estrutura de enredo assim né E aqui as bruxas acho que não vai
apagar a gente então fica fica com com Deus a imagem né Eh mas é isso assim e essa esses esses roteiros né onde as bruxas oh ah pô é que é o filme B entendeu gente O filme é Muito escuro você tem que dar uma uma Coitado dele assim o filme tem a qualidade de 2 centavos não dá para pedir muito dele também né ol aqui de cima é o devil's Hand aquele ali é o Ai Meu Deus Como que é o nome dele viu como nem eu sei Dee tão famoso Wi Maker o Irmandade
de satanás é esse aqui que daí a gente tem um bruxo e que ele tá tentando corromper as crianças entendeu ele tem um outro um outro viés mas eu adoro que ele tá caracterizado tipo Drácula assim é maravilhoso e o do Orson Wells que é esse ele também lidera ali uma cidade então tem toda essa questão ali isso ele é um necromante entendeu que daí aquele poder muito mais importante as bruxas são servas ele não ele é o líder acho que pode pode ligar que mas enquanto tinha n toda essa parcela nos anos 60 de
Bruxas sendo lideradas por homens né tem as dos anos 60 o segundo lado que foi o que eu estudei no meu doutorado e que são as Minhas favoritas que são as bruxas que são quem lider são elas que lideram esses Clans elas são lideram Clans matriarcais sempre em buscas destrutivas assim elas querem poder elas querem Vingança elas querem Juventude eh ou elas agem sozinhas em alguns casos Elas são tão Poderosas que elas não precisam de mais ninguém e elas agem sozinhas e nesses temas desses filmes né E são filmes todos dirigidos por homens então eu
acho isso muito importante também Porque a gente vai ver a bruxa ser ressignificada com o tempo mas aqui ainda é muito a bruxa personificando medos masculinos né e não subjetividades femininas eh Então tem muito esse poder maligno o tema central desses filmes é o poder maligno das mulheres Elas são mulheres gananciosas elas não estão nem aí pro resto do mundo né e elas precisam ser paradas então assim tem meio que um um aviso de necessidade de controle Alguém tem que parar essas mulheres e São eu coloquei quatro eu estudei cinco no meu no meu doutorado
eu deixei um de fora porque ele é bem ruinzinho sabe eu acho que tipo ele não é muito bom assim é assim ele é um filme que bem difícil de achar que é o The She Beast ele é um filme italiano e ele não tem nem tradução português então eu não trouxe ele assim porque ele também tem um orçamento de 2 centavos Então mas eu trouxe maldição do demônio de 1960 que é do marrio bava acho que é o mais famoso Né Não sei se alguém já assistiu maldição do Demônio que é do é chama
Black Sunday em inglês ou a máscara do demônio em italiano né e é o mais famoso desses daí tem o horror Hotel também não sei se alguém assistiu e em inglês chama the city of the Dead É um filme com o Christopher Lee ele é surpreendente aparece um Christopher Lee com AD vante assim sabe eh tem uma filha de Satã de 62 que vai passar depois aqui da da da Nossa oficina e o Bruxo a face do demônio que é da Hammer ele vem em 66 e ele também foi na amostra passada e ele tem
meu Deus eu esqueci o nome da atriz bem famosa que faz ele que é uma bruxa de cinema Hollywood uma atriz de cinema hollywoodiano depois eu volto aqui minha memória falhou né Eh mas então a gente tem esses filmes né o maldição do Demônio do marrio bava lá em cima a gente vai falar um pouquinho sobre ele tem ó o Christopher tá ali no Canto para quem não ele tá muito diferente assim é muito fácil você assistir o filme Aham eu coloquei de propósito porque quando eu vi esse filme pela primeira vez eles atualmente ele
é vendido muito Como assim ai o Christopher Lee você pensa assim nossa Christopher Lee vai est lá na frente parece 5 minutos entendeu E daí ele some mas a gente daí tem a o o horror Hotel o filha de Satã que é esse aqui e o bruxa A face do demônio né Eu queria muito trabalhar os quatro aqui mas eu sei que a gente ficar muito tempo então tem trazer um maldição do Demônio do bava que eu acho que é um filme maravilhoso que vale a pena a gente falar né O que é o primeiro
que é o primeiro vamos lá então o maldição do demônio então né Ele é de 1960 dirigido por um para quem não conhece o Maro bava é um dos maiores cestas italianos assim ele é de horror considerado um dos Pais do horror Italiano e do gênero como um todo e esse filme aqui ele conta uma história muito muito quadradinha quando a gente pensa em bruxa né eu achei que mais gente ia ter assistido então vou fazer um breve resumo para vocês a gente tem a asa que é essa bruxa aqui que tá Esses são cenas
bem iniciais do filme E o filme já abre com ela sendo acusada por bruxaria e ela já foi condenada e o Crime dela além de ser morta é ter uma máscara cheia de pregos cravada no seu rosto por isso que Depois ela aparece com o rosto todo furado antes de morrer ela não cai sem atirar tá E ela fala em nome de Satã eu rogo uma maldição em você e ela meio que roga uma maldição pros seus descendentes e fala que ela vai voltar um dia para conseguir se vingar por todo mundo isso é meio
que século XV se passam dois séculos a gente ainda tá no século 1 então é um filme com ambientação gótica né ele tem toda essa coisa meio antiga a gente tem um dois médicos que estão indo Para um congresso e um deles acha legal ir lá investigar o a túmulo o túmulo da asa ninguém sabe o porque ele faz isso ele acaba se cortando e o sangue dEle cai na máscara e ela revive e quando ela revive ela vai ela revive bem lentamente sabe ela vai precisando de sangue então tem muito uma coisa meio vampiresca
aí no meio porque ela precisa se alimentar de sangue porque ela quer porque quer se vingar de todo mundo que causou esse mal para ela e não contente com isso ela Quer assumir o corpo da sua descendente então ela não só quer ficar poderosa mas ela também quer ficar jovem né E a gente tem muito no no maldição do demônio esse binarismo entre o bem e o mal né que é muito que a gente vê muito nesses teólogos do passado e a bruxa que se recusa a ficar presa no seu passado né ela volta para
tormentar o presente então ela é um monstro do passado que volta e que volta para perturbar essas ordens né volta para perturbar as Estruturas e ela acaba muito com essa sede de Vingança que a asa tem ela marca essa persistência do Mal feminino né ah e tem uma questão da sexualidade nesse filme que olha eu recomendo para todo mundo assistir Se eu pudesse eu passava ele na íntegra mas eu sei que não ia dar tempo mas ele tem uma questão de sexualidade muito interessante porque a asa ela seduz os homens ao redor dela e ela
faz com que os homens meio que se tornem seus servos e eles ficam tão Hipnotizados que ela não precisa nem levantar da da tumba da tumba dela ela fica lá deitada o filme inteiro quase eles vão e fazem o mal por ela sabe sabe tá aqui ela né com seu rostinho furado e daí ela precisa de sangue para que o rostinho feche e ela fique bonitinha de novo né E nisso daí a gente entra nessa busca dela por vingança né Por Juventude e o alvo dela é a sua descendente que é a Cátia só que
ela e a Cátia são interpretados pela mesma pela Mesma atriz isso é muito legal por a gente tem o bem elas são interpretadas pela Barbara Steel que é uma atriz famosa de filmes dos anos 50 60 assim ela é considerada uma das primeiras scream Queens como a gente chama né as rainhas do horror e quando a gente coloca a personagem Má e a personagem do bem com a mesma atriz a gente tá meio que passando a mensagem de que o bem e o mal são intrinsecamente unidos né E a gente tem daí de um lado
a bruxa que é a Asa que é a mulher desviante Demoníaca tem inclusive uma parte do filme que foi cortada eu acho muito triste eles terem cortado isso porque Originalmente o crime da asa seria ainda maior porque ela não teria só o crime da bruxaria mas ela teria uma relação incestuosa com o irmão só que daí PR os anos 60 era demais eles falaram assim hum o filme não vai passar em lugar nenhum eles cortaram então não tem essa parte mas assim ela é o desvio em pessoa né Se a Gente for pensar enquanto a
Kátia vamos olhar para ela ela é a mulher feminina Ela é mulher adequada ela usa até um crucifixo isso eu acho assim o o a cereja do bolo da imagem dela ela tá sempre com o crucifixo porque o crucifixo é quem protege ela porque a asa quando tem um uma cruz perto dela ela repele tipo Vampiro assim sabe e a a asa Então ela obviamente né Ela é derrotada ao final porque a gente tá falando de filme dos anos 60 e tinha Até a questão do código Reis né o código de censura nos Estados Unidos
você não podia deixar o vilão vencer ao final mas mesmo ela expressando todo esse ódio toda essa malignidade Ela é super poderosa ela ainda é vencida ao final e ela é vencida pela personagem principal e pelo seu interesse amoroso que reforça novamente esse casal alinhado e é um filme que fica muito Entre esses binarismos né sexualidade decadência beleza horror morte vida muito Personificado por essa personagem por essas duas personagens interpretadas interpretadas pela mesma atriz né e um eeg que eu adoro esse filme que é uma referência muito imagética Eva Ah eu acho que a gente
vai ter que apagar para poder ver porque eu tive que tirar o print tá eh tem uma uma hora no filme que eles vão atrás do do da tumba da asa né ela tá escondida na tumba lá e tá causando caos onde ela passa e eles descobrem que Se eles I ter um quadro na casa assim né E tem várias vários retratos dela na casa e esse retrato em específico tá ela nua com uma maçã na mão e uma serpente enrolada e tem até uma ampulheta ali atrás e a porta para você entrar na tumba
dela era justamente você passar por esse quadro quando eu vi isso pela primeira vez assim Eu falei Será que eu tô ficando louca Será que eu tô enxergando coisas que não tem mas para mim e é uma interpretação muito própria Eu acho que isso não pode ser visto de uma maneira e não intencional porque a gente tem aqui muito essa referência imagética Eva que é dentro dessa tradição judaico-cristã uma das grandes referências do Mal feminino né então você aproxima a asa eu fico até pensando por diabos tem uma foto dela uma foto não desculpa um
retrato dela nua pintada se a gente tá ali século XV né uma coisa muito arbitrária para mostrar essa sexualidade dela essa coisa de não se Importar mas você tem essa aproximação dela com a primeira mulher e a sua relação de transmissão do mal né porque a asa ela não leva o mal com ela ela transmite o mal paraa frente ela joga o mal nessa nessa família dela tá eu trouxe o filha de Satã mas eu tô eu tô com em dúvida porque eu vou perguntar para vocês vocês vão assistir o filme depois tá e eu
posso falar spoiler vocês não querem spoiler porque senão eu pulo ele não Já não fez 100 anos ainda tá então vamos conversar assim gente porque eu não consigo eu vou em off eu não consigo falar de filme Sem falar spoiler eu não consigo Então assim eu trouxe ele porque eu acho que a gente podia passar por alguns pontos já que ele vai ser exibido depois mas ao mesmo tempo eu não quero estragar experiência de ninguém soltando alguma coisa então assim gostaria de saber que vocês decidam aí pode passar Tá bom então eu vou joga No
público porque depois não olha eu tenho tenho um podcast né a quantidade de gente já veio reclamar assim ai você soltou spoiler de Convenção das Bruxas falei gente O filme é de 90 tem 32 anos de filme Se você não assistiu agora não vai assistir né mas tudo bem bem o filha de satana enquanto o maldição do demônio ele é italiano o maldição a filha de Satã ele é do Reino Unido né Ele é do sney heyers e eu acho que o fato desses filmes terem sido Lançados em tão pouco tempo né então assim tem
um que vem do Reino Unido um vem da Itália tem um que é dos Estados Unidos eles mostram muito Como o cinema como um todo tava interessado nessas Bruxas maléficas Né o filha de Satã um breve uma breve sinopse bem rapidinho Ele conta a história de um jovem casal que chega lá Ema universidade e faz amizade com um casal mais idoso né idoso não pelo amor de Deus ela não é idosa um casal um pouco mais velho minha mãe ia Me bater se eu falasse que ela é idosa aqui porque eh um pouco mais velhos
assim e esse casal novo começa a ser atormentado por alguma coisa sabe tipo tem alguma coisa ali no ar que tá causando um digamos uma sorte para eles né e o filme segue a partir disso né e aqui eu acho que a filha de satal é essencial pra gente entender porque enquanto o maldição do Demônio A gente tem essa bruxa que representa o mal feminino que representa Essa coisa do mal antigo a filha de satana ela representa um outro mal e é um mal muito contemporâneo mal entre aspas tá gente que é o movimento de
libertação das mulheres ele é um filme que ele tem uma representação muito negativa de mulheres Livres assim de mulheres que não cumprem os tradicionais papéis de gênero por exemplo então a gente descobre daí eu vou soltar o spoiler que quem tá causando toda aquela discórdia né que tem tá fazendo todo Aquele mal é a esposa de um dos professores ressentida pelo fato do marido não ter ganho a promoção e ela passa o filme inteiro ressentida assim ela passa o filme inteiro fazendo cara feia e daí você começa a olhar assim tem muitas coisas do filme
que mostram e não é só ele o próprio aquele que a gente mostrou da Hammer o bruxa face do demônio que é um filme de 66 eles começam a mostrar a bruxa muito como uma representante dos movimentos feministas Dos movimentos dos direitos civis da contracultura vista por um olhar da crítica essas Bruxas que são mulheres livres que são mulheres Independentes que são mulheres assim muitas vezes ricas ou que TM suas próprias carreiras mas que tão ali destruindo a família tão destruindo a cidade elas são extremamente gananciosas elas querem o poder que não pertence a elas
né então a gente tem muito essa imagem detratora desses movimentos de libertação né como Se as bruxas tivessem destruindo os valores familiares tivessem destruindo os valores ocidentais né eu trabalhei muito isso com esse tema no meu mestrado né eu trabalhei com história dos Estados Unidos né com filmes slasher que são Halloween sexta-feira 13 eh esse movimento né de uma reação a contracultura de uma reação aos direitos civis de reação ao feminismo que é muito intensificado ali nos anos 70 e 80 nos nos anos 60 ele ainda é muito pincelado É muito mais voltado assim ó
você não tá cumprindo tua tarefa você não tá cumprindo o que você tem que fazer né então é é uma coisa mais Sutil mas que ainda mostra esses filmes um alerta né do Olha o que acontece com mulheres que estão ocupando espaços que não são delas porque assim a nossa bruxa né que é a flora ela trabalha na universidade enquanto a nossa protagonista ela fica em casa cuidando do marido e ela se preocupa com o marido ela tem uma Relação afetuosa com o marido e a FL orora só tá lá jogando feitiço em todo mundo
porque ela tá tá brava porque ela não conseguiu o cargo né E daí a gente também tem muito isso da bruxaria retirada desse ambiente mais gótico né como a maldição do demônio e entrando num espaço mais contemporâneo ao espectador né no nosso dia a dia ali então o filha de Satan ele se passa em uma cidade pequena na Inglaterra na década de 60 ele não tem nada disso de Ser nemhum passado distante nem um castelo decadente por exemplo eh daí eu trouxe aqui umas imagens dela mas daí vocês podem também ver ela no filme que
ela vai aparecer né Essa é a a flora e muito o questionamento né são porque a flora ela aparece Então como uma mulher moderna Ela é inteligente Ela é independente mas ela vai desfrutar dessas mudanças né mas se você pensa por um lado da crítica do oo feminismo ou até o movimento de Libertação das mulheres não tanto eh Isso não basta porque ela elas passam né Essas Bruxas elas querem subverter a ordem Elas querem tomar força esses ambientes que são tradicionalmente masculinos né Elas são gananciosas e a gente vê como a bruxa aqui ela incorpora
tanto um medo ancestral quanto um medo muito contemporâneo ali da época em que esses filmes foram feitos e de novo a gente tem a mulher boa versus a mulher má que a gente viu Lá na maldição do Demônio do bava aqui ela aparece de novo porque daí a gente tem de um lado a flora que é a nossa bruxa né que ela não cumpre as suas duas principais tarefas que é cuidar da casa e do marido enquanto a gente tem a tzi que é a nossa heroína e ela ela é uma dedicada dona de casa
ela passa o filme inteiro tentando proteger o marido gente ela quer se sacrificar pelo marido entendeu É claro que daí a gente tem muito essa dicotomia entre uma mulher Mais velha inadequada Má e uma mulher mais jovem adequada obediente né e eu acho eh significativo como no na filha de Sat um dos objetivos da flora é destruir o casal tipo ela não quer só mandar o cara embora porque ela acha que a promoção merecia era o marido dela era merecedor dessa dessa promoção ela quer destruir o casal feliz né então isso mostra muito um contexto
da época aonde o muitos Detratores achavam que as feministas queriam destruir o casal eh heterossexual destruir as famílias a gente conhece esse discurso que permeia até hoje né tanto que tem um frame do filme que é nada mais nada menos do que a a t ela fica hipnotizada pela Flora ela tenta matar o próprio marido entendeu então tem essa coisa muito simbólica eh ah então representando tanto A Bruxa Má de séculos atrás quanto a feminista Contemporânea ambas encaradas com desconfiança por lentes conservadoras eh gente duas coisas rapidinho eh primeiro se vocês quiserem pegar o panfleto
da da amostra ali fora né Dá para pegar e se todo mundo assinou a lista de presença quem não assinou assine senão vai ter mal audição depois e Como diz minha mãe não criei em Bruxas mas que elas existem elas existem Então é melhor não brincar com essas Coisas né [Risadas] tá tão bonito Aham eu vou levar para casa guardar eu guardo tudo tudo que eu eu guardo eu tenho caixas e Caixas de coisas assim bem eh retomando aqui né também tenho que tentar colocar meus pensamentos em ordem porque eu até brinquei falei gente se
eu não seguir o roteiro a gente começa falando sobre cinema de horror e termina Falando sobre novela mexicana até o final de su oficina Então tem que seguir né mas a gente teve então Aqueles exemplos da década de 60 né eu peguei dois Principalmente uma audição da do demônio e a filha do satã mas tem inúmeros outros inclusive depois Se alguém quiser trazer algum exemplo ou comentar né mas entrando na década de 70 e eu trouxe dois exemplos de Bruxas nos anos 70 o primeiro é a época das bruxas que tem uma tradução aqui pro
português Que às vezes é Temporada das bruxas às vezes é época das Bruxas em inglês é season of the witch é um filme do George Romero que é o diretor da Noite dos Mortos Vivos é ele mesmo assim não é um um nome igual e depois que ele fez o noite e antes dele fazer o despertar dos mortos ele fez o a época das bruxas que é um filme de 72 Estados Unidos e ele se insere muito em uma representação dos anos 70 da bruxa assim que ainda é muito conectada a essa ideia do Mal
feminino De mal ancestral mas que e que traz novamente a bruxa como uma antagonista mas daí ela é um ser predatório perante outras mulheres né e o contexto do do época das bruxas é justamente uma dona de casa então el são esses redos que vão se popularizar muito nos anos 70 dona de casa instável meio infeliz que acaba sendo tentada por forças de bruxaria né Ela é corrompida por essas forças mágicas digamos assim né então e que são representantes digamos de uma força de De um feminismo né porque daí faz com que elas se rebelem
com que elas tenham uma sexualidade mais aflorada elas deixam de ser a dona de casa tradicional para ser assim um ser livre até demais né Eh e acaba ameaçando ali muito esse controle essa autoridade patriarcal até a ordem doméstica porque delas rompem com esses papéis tradicionais né então esses filmes também mostram a bruxa como uma ameaça pra sociedade tal qual o feminismo Interpretado por seus detratores esse filme em específico eh ele é um pouco difícil de achar já adianto assim eh mesmo sendo do Romero que é um diretor de horror muito famoso eh ele meio
que tem umas cópias muito perdidas assim mas vale a pena Quem conseguir assistir porque ele traz muito isso assim essa coisa da bruxaria dentro do âmbito doméstico Então você tem uma mulher que vira bruxa momentaneamente porque ela é tentada por outros Movimentos entendeu e entrando na década de 70 não dá para deixar de falar um queridinho de todo Alguém já assistiu suspire aqui Ah vocês assistiram mais suspira do que a maldição do Demônio que é tipo acho que um dos filmes mais famosos de bruxa né né que é do Dario argento um filme de 77
que vem da Itália e ele para mim ele traz a bruxa como um espírito ou um espectro descarnado que atormenta os vivos mesmo sem um corpo Físico né o suspiria para quem não assistiu ainda né Ele é um filme que a gente acompanha uma estudante de balé que vai pra Alemanha para estudar numa academia prestigiada de dança e da lá ela começa vê que tem umas coisas meio estranhas e que o local na verdade é comandado por um grupo de Bruxas né e o o suspiria eu coloquei ele aqui é uma demarcação muito minha tá
que ela marca o início das bruxas Fantasmagóricas que a gente vai ver muito ao longo do cinema De horror inclusive no Bruxa de Blair e a gente já chega no Bruxa de Blair e ele é uma trilogia né Eu não sei se alguém já assistiu os três filmes da trilogia Não fui eu que falei tá eh porque tem o inferno né que é o de 80 quem já assistiu inferno aqui só para ter uma e o retorno da maldição a mãe das Lágrimas que é um filme de 2007 né e acho que o suspiria ele
ganhou uma vida própria tão grande que a gente até esquece que ele é pensado Enquanto três Partes né Ele é o mais famoso de todos né E daí a gente vai ter essas três Bruxas né essas três mães porque elas realmente se chamam três mães e são bruxas invisíveis né elas aparecem muito pouco na tela elas são aquelas protagonistas que se você ficar procurando elas não têm tanto tempo de tela e elas funcionam de certa forma né até como uma memória meio reprimida porque elas lembram os nossos medos culturais sobre o mal feminino porque é
Muito significativo elas não têm corpo mas elas ainda são mulheres entendeu elas poderiam ser um espírito sem sem gênero digamos porque elas não estão ali mas elas ainda são vistas como mães né Elas são as três mães Então tem muito essa ideia da da figura materna e a as três mães né então Eh o suspiria Eu trouxe um compilado porque assim o suspiria em si não fala muito sobre essa essa trilogia né mas ao longo dos filmes então tem o suspiria inferno e o retorno Da maldição e o retorno da maldição realmente é horroroso é
horroroso eu tô sendo bem sincera com vocês é um filme que eu eu acho que é uns filmes que eu vou ser bem bem sincera tá é UMS filmes que eu mais odeio na minha vida tá eu odeio ele odeio eu acho ele de mau gosto assim de um jeito ele é extremamente violento ele tem violência contra corpo feminino assim ele tem cenas de de estupro recreativos assim ele é muito pesado e ele é ruim ele é Ruim então a gente Ignora ele tá só trouxe ele porque eu tenho comprometimento com a trilogia porque senão
eu já tinha apagado Se dependesse de mim manter a última cópia desse filme eu queimava tá mas né então esses três filmes então Eles teriam A trilogia das três mães né que são essas três Bruxas a gente vai descobrindo ao longo dos filmes que vão espalhar morte e terror ao longo dos séculos porque a gente descobre também Que elas são do século XI elas são três irmãs que Teoricamente criam A Arte da bruxaria lá no século X elas contratam arquitetos para Constru casas para ela e os para elas e os filmes eles vão se passar
nessas casas de forma que elas não precisam estar fisicamente presentes para causar o mal entendeu então é muito esse o mal feminino que é feminino mas que não precisa estar nem na tela pra gente saber dessa associação então nos filmes essas mansões servem como Extensões dos seus corpos né como uma maneira delas de interpretarem esse mal eh Então a gente tem as três eu trouxe né a mãe dos suspiros que é do suspíria que ela mora em Friburgo eh a mãe das trevas que mora em Nova York que aparece no inferno que é o segundo
filme e a mãe das Lágrimas que mora em Roma e que tem o pior filme das três tadinha né e aqui eu trouxe até uma foto só pra gente ter uma ideia eh aqui de cima para quem é que o Filme é tão ruim que ninguém quer ver entendeu aqui em cima né seria a mãe dos suspiros que é do suspíria é obviamente né Essa é do inferno e aqui a mãe da a mãe das Lágrimas né que ela é a que mais aparece o filme de 2007 tem um um espaço entre eles muito grande
né o argento meio que perdeu a a mão não sei se ele perdeu dinheiro perdeu o que mas o filme saiu e ele tá aí né mas esses dois aqui eu acho assim o suspiria é o que tem essa Representação da bruxa descarnada bruxa que utiliza a mansão como uma forma de perambular da melhor maneira possível assim e é um clássico do horror Então quem ainda não assistiu Eu recomendo muito assim o uso de cores dele é muito bonito né então a gente ainda tem essa associação entre a bruxaria o feminino e a maternidade porque
não é aleatório o fato delas serem mães né tipo Elas têm esse título as três mães e como elas raramente são vistas em cena a sua Presença é muito indicada pelo movimento de câmera e pela trilha sonora n tipo nessa cena aqui por exemplo que é uma das cenas iniciais do filme A gente não vê a bruxa e essa moda digamos da bruxa que é invisível mas é Decididamente feminina ela vai se seguindo ao longo das décadas né tem o suspire 77 e em 82 tem o superstição Alguém já assistiu superstição ah peguei ó ninguém
assistiu Esse é um filme canadense tá Eh ele é bom não mas ele também não é tão ruim quanto a maldição do retorno das Lágrimas lá do argento tá ele ele usa muito ele mistura a temática da Casa Assombrada com a bruxaria Então a gente tem assim ele é um filme de orçamento bem mais baixo ele saiu em mídia física aqui no Brasil então ele ele existe não é uma invenção da minha cabeça assim eh e é um casal que se muda para uma casa e nessa casa tem meio que um espírito de uma bruxa
monstruosa que morreu há muito Tempo lá e ela vai causando o caos dentro dessa casa né não é maravilhoso mas também não é horrível assim já dando a minha opinião né Eu só acho que Ele comete um crime histórico que para mim enquanto historiadora é indefensável é é impossível de defender porque ele o fala do mos maleficarum que a gente acabou de falar sobre ele e ele diz que o mos maleficarum foi escrito pela espanhola e eu fico sempre pensando assim enquanto Historiador não custa Nada contratar um Historiador para dizer que não tem nada a
ver com inquisição espanhola mas daí só sou eu sendo chata tá e o Bruxa de Blair também segue né a gente tem 80 então o 82 superstição e A Bruxa de Blair todo mundo aqui já assistiu Bruxa de Blair então e a gente tem essa essa tradição então da bruxa invisível que vai desembocar muito no Bruxa de Blair né que foi que saiu em 9 todo mundo conhece a história todo mundo sabe que Todo mundo que assistiu na época achou que os atores tinham sumido de verdade que foi um golpe o melhor golpe de marketing
do da história do cinema se a gente pode dizer aqui mas o Brus de Blair por mais que a gente olhe para ele e fala assim ah é um found footage né filme encontrado um dos primeiros found footage Ah ele não tem nada a ver com bruxaria não tem nada a ver com mal feminino né e assim eh a bruxa A Bruxa de Blair ele é a Bruxa que que nunca aparece em frente à câmeras né Ela é ali você nunca vê ela mas ainda assim tudo que a gente sabe sobre ela tá relacionado a
esse mal feminino porque ela ainda assim é uma presença feminina né a floresta em que os protagonistas se perdem e que eles vão se perdendo e que eles não conseguem sair atua muito como uma extensão do corpo da bruxa atua muito como uma extensão desses poderes malignos porque ela age livremente por aquelas FL por Aquelas árvores né para poder atormentar ele e ignorando as sequências tá porque eu sei que é difícil a gente falar desses filmes quando eles têm sequências tipo A Bruxa de Blair teve um em 2016 né se eu não me engano mas
assim eu tô pensando nele aqui como um filme solo mas até a antagonista né quando a gente descobre porque eles vão até a cidade para conhecer fazer um documentário sobre a Bruxa de Blair tudo que se fala sobre Essa possível bruxa sobre essa mulher que foi acusada de bruxaria tá Dentro de uns conformes clássicos da bruxa né então assim ela desej sangue de crianças ela mata crianças ela usa homens como servos ela tem Vingança contra todos aqueles que entram na floresta Então ela se alinha muito a esse conhecimento da bruxaria né ou seja o mal
mesmo sem Serv visto ainda é feminino então isso chama muito atenção Uhum Ela ainda ainda é então assim mesmo que você não veja você não precisa digamos assim você não precisa ter uma distinção de gênero se você não tem um corpo você não tem nada ali na verdade você tem um um espírito Vingativa entendeu não tem nada mas ele ainda reforça essa ideia do Mal feminino por tudo que a gente escuta sobre ele né e isso da Bruxa de Blair é muito significativo porque se alinha muito a tradição da brucharia da modernidade Porque existe toda
uma vertente que fala sobre bruxa e da bruxaria histórica né pensando do ponto de vista das fontes aonde o poder da bruxa quando era relatado por pessoas de verdade né era muito associado a um medo específico em relação ao corpo feminino né E até um medo materno mas e que era um medo que era tanto masculino quanto feminino a gente vê nos depoimentos e nas acusações que mulheres acusavam outras mulheres e que homens acusavam outras mulheres Também e que a bruxa eh nesses relatos ela é muito definida como um corpo sem limites né ou seja
ela muda de forma ela invade as residências ela tem esse sentimento de ameaça né Afinal a bruxa ela pode entrar no seu ambiente no seu ambiente doméstico ela pode pegar o seu filho ela pode matar estragar sua comida né então usurpar sua identidade então o fato da Bruxa de Blair ou até voltar um pouquinho mais suspíria você tem uma bruxa sem corpo que consegue se Movimentar livremente que usa esses lugares como extensão tá de certa forma muito alinhado a esse conhecimento que é retirado de fonte que é retirado de pessoas que viviam na época falando
sobre essa ameaça né então no século XX o corpo da bruxa esse corpo sem limites ele é utilizado como um recurso narrativo porque torna ela ainda mais assustadora a gente sabe como que você vai combater algo que você não consegue ver que você não consegue destruir Né O que faz com que da elas possam causar o mal para além dos limites corporais e físicos nos anos 90 eh a gente tem os Jovens Bruxas né a gente sai eu eu fiz uma eu caí no Bruxa de Blair em 99 mas a gente volta um pouquinho aqui
que é um filme dirigido pel Andrew flaming é um filme de 96 né eu gosto muito desse filme Mas eu também acho que ele se alinha muito com tudo que a gente tá falando assim eu acho ele De um ponto de vista de entretenimento ele é muito divertido o visual dele é sensacional né Eh e ele encarna muito o que a gente vai ver com a bruxa do horror adolescente dos anos 90 né Os Jovens Bruxas se a gente for pensar ele é ele é um um legado de filmes que vão se popularizar muito tipo
Pânico Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado lenda urbana todos esses filmes que colocam ali o horror adolescente no seu centro né você Coloca os jovens como seus protagonistas o Jovens Bruxas ele também trabalha muito com a angústia adolescente porque ele traz quatro adolescentes quem já assistiu Jovens Bruxas aqui só para saber tá venho mais assim eh que traz essas quatro amigas né na verdade uma delas para quem não assistiu uma delas vem de fora Conhece essas três outsiders né excluídas da dinâmica escolar e elas se juntam meio que formam um Coven de
Bruxas e ali vão fazendo uma Que é se livrar das cicatrizes a outra quer acender financeiramente né uma quer que o rapaz lá da escola que é o maior Boy lixo note ela né Eu adorei o boy lixo e só que ao mesmo tempo que o filme traz muito isso e ele é um filme muito legal de um ponto de vista que ele aborda muito dinâmica escolar bullying ele é ele tem até umas peladas sobre racismo em alguns pontos né Eh ele também tem essa parte da angústia Adolescente e do corpo adolescente como canal pro
mal né por a gente tem essas quatro amigas elas vão se aprofundar em magias em feitiçaria No começo é Tudo ótimo tudo legal elas estão super bem até que de repente tudo vira né uma delas tem mais sangue de poder mais sangue mais sede de poder do que outras né E isso ocasiona com que elas percam o controle né então o filme também segue muito isso como elas têm essa ascensão e essa queda que é quando uma delas tem Que pôr um basta que é a nossa protagonista então ao mesmo tempo que o filme tem
essas partes ele também reforça de certa forma a ideia muito antiga de que mulheres podem facilmente perder o controle podem facilmente se voltar a uma contra as outras essa Irmandade delas é o filme mostra não é tão verdadeira quanto se achava né né e um dos seus pontos positivos é também a representação contemporânea né porque daí não é a bruxa dos séculos passados é A bruxa da wia é a bruxa dessa bruxaria moderna como a gente chama né e é um filme que influencia muito o visual dos jovens durante muito tempo né Aí eu me
senti muito velha falando jovens agora assim como se eu fosse mas e que desperta muito interesse pela bruxaria contemporânea tem muitos estudiosos assim principalmente o povo da sociologia que levanta como Jovens Bruxas usou interesse de pessoas indo atrás da bruxaria enquanto religião para Poder se aprofundar mais assim esse poder que o filme tem most algumas imagens para quem ainda não assistiu né das nossas protagonistas Ah não esse filme ele dita assim eu Gente esse filme é de 96 né ele tem quase quase 30 anos né E você olha roupas você fala nossa eu queria esse
guarda-roupa que legal e E ainda nos anos 90 eu vou fazer um rápido detour porque eu preciso falar De duas Bruxas que eu gosto muito que são os filmes infantis que porque é assim Abracadabra a conversão das bruxas que assim eu não sei quem que tirou que isso é um filme infantil Tá tá eu não sei quem assistiu esse filme quando era criança mas eu até comentei com a ta Ontem eu falei gente eu morri de medo desse filme Quando eu era criança porque eles prendiam as crianças no quadro eu morria de medo de ficar
presa no quadro e nunca mais Ninguém me tirar de lá entendeu Mas e o Abracadabra de 93 né e eu amo esses dois filmes mas eu acho que eles também têm uma influência no cinema de horror muito grande eles são influenciados pelo cinema de horror é uma coisa muito eh um movimento em conjunto né e é muito significativo né porque eles são filmes que permitem múltiplas identifica questões de gênero né quando a gente fala pode ser infantil pode ser Horror pode ser comédia né você escolhe mas ainda assim né Eu adoro as irmã Sanderson gente
elas são a minha religião eu adoro elas assim assisto todo Halloween Abracadabra mas elas ainda são as bruxas representantes do Mal obviamente que elas fazem um monte de patetada elas não conseguem fazer nada elas são divertidas a gente ri mas elas ainda encarnam muito essa ideia da bruxa da bruxa do conto de fada que é a Bruxa Má é a bruxa que vem do passado é A bruxa que vai se vingar ela quer destruir tudo né E que tão muito ancoradas também em tratados e discussões anteriores como a gente viu né o próprio fato das
bruxas que possuem corpos tóxicos ou as bruxas que se alimentam de criancinhas né tipo as irmãs Sanderson o começo do filme é extremamente pesado elas matam a menininha né assim ela para para se rejuvenecer e pensando em corpo tóxico né eu também trouxe aqui a ideia da Máscara por trás da feminilidade que é muito Vista em Convenção das Bruxas né o Convenção das Bruxas ele é baseado num livro do Ronald do eh e a gente tem lá Angélica Houston né todo mundo já assistiu Convenção das Bruxas é é que esse é o de 90 né
teve uma refilmagem comal o tava Spencer tudo eh mas é muito é uma história infantil né são as bruxas elas realmente vão fazer uma convenção e tem um menininho lá ele des cobre as bruxas e o fato da Da personagem da Angélica hilston que é tipo a a brucha suprema né Ela é a líder daquele cven ela aparece no começo do filme ali né com aquela com a roua com com uma face humana né ninguém desconfia que ela é uma bruxa mas daí durante a convenção ela arranca esse rosto e mostra quem ela é né
Ela é muito a bruxa dos contos de fada essa bruxa do nariz longo né com a pele caída né Essa feição monstruosa e O é não eh e o corpo o corpo da bruxa ao longo da tradição de bruxaria histórica ele é monstruoso né então assim a bruxa muitos tratados lá da idade moderna até antes Idade Média Falam assim que a bruxa o caráter dela não é só o problema moral o corpo dela também é é podre né ele é ele é sujo ele é monstruoso Então não é só a mentalidade elas escondem quem elas
são por detrás de uma máscara elas escondem a sua verdadeira identidade e um filme Infantil debatemos depois ele é infantil ou não trazer isso mostra como essa esse conhecimento ele circula de uma maneira muitas vezes inconsciente no cinema nem que seja só pelo efeito do assustar ou o efeito de causar ali uma imagética ou um uau né nos anos 90 começo dos anos 2000 assim brevemente a gente tem algumas apresentações um pouco mais positivas digamos da bruxaria né eu eu sempre acho importante porque senão a gente cria a Ideia de que a gente só tem
associações ao mal ou associações de que tem que ter controle né E nem sempre né Eu sou uma grande fã de Buff então eu obviamente coloquei a Willow Alguém já assistiu o Buff aqui você não conta e Charm Alguém já assistiu Charm também e Sabrina né que eu revi recentemente continua muito bom assim mas eh por mais que ah o gato é maravilhoso eu queria ter um gato que falasse mas eu Fico pensando assim se ele não parasse de falar Nunca e fosse que nem eu daí a gente ia ter que não ia dar certo
mas a gente tem nos anos 90 muito essa ressignificação da bruxaria e isso vem muito dos Jovens Bruxas também assim é um legado de colocar a bruxa dentro do contemporâneo na escola com os seus dilemas adolescentes tipo Sabrina né o Charm dela são um pouco mais velhas mas mas daí tem todos os interesses amorosos a família você tem uma suavizada na Imagem da bruxa né porque elas não são as representantes do mal por mais que é Willow por exemplo do Buff eh lá no final ela vira uma das antagonistas porque ela perde a sua namorada
de maneira trágica e até hoje é uma grande crítica série do tipo para que matar o a a o casal logo no final né mas daí ela perde o controle então ainda assim você tem essa coisa do como é fácil para uma mulher perder der o controle perante essas forças né o nosso último filme eu Não poderia deixar de trazer porque eu sei todo mundo já assistiu a bruxa aqui tá então tá bom então tem bem não tem spoiler tá porque o filme chama a bruxa então né mas assim ele é um filme de 2015
né Ele é uma produção Canadá e Estados Unidos eh eu gosto muito desse filme Eu tenho um carinho pessoal muito grande por ele assim porque eu fiz o meu doutorado por causa dele assim eu tava terminei mestrado em 2016 estava sem luz no fim do túnel Pensando que eu vou fazer da minha vida e eu fui assistir esse filme no cinema sessão lotada tinha acabado de sair na internet que era um dos filmes mais assustadores de todos os tempos assim né e assisti e eu saí assim até conversando meu marido eu falei nossa esse filme
tem representações da bruxa muito associadas à bruxaria a história da bruxaria né E foi a partir disso que comecei a fazer o meu projeto para tentar entender ele era até uma das minhas Fontes iniciais mas Daí a minha orientadora falou que era meio loucura trabalhar com uma temporalidade tão grande 60 até 2015 e acho que ela tinha razão mas é um filme que tá na amostra né depois acho que dá para ver quando ele amanhã vai passar amanhã para quem quiser rever né e o mais legal assim dele é que para quem não sabe a
produção dele contou muito com eh a como que diz autoria não é assistência e com consultoria de historiadores de linguistas então assim Ele reproduz esse ambiente da nova Inglaterra do séculos 1 assim de uma maneira muito criteriosa el eles prestaram muita atenção nessas coisas né ai nãoe meu sonho que me contratem um dia para fazer isso Se alguém for fazer um filme aqui me chamem Mas a bruxa eu falo muito que ela é a bruxa dos tratados bruxa que aparece nesse filme porque a gente tem uma referência constante no filme A esse conhecimento de bruxaria
Produzido na idade moderna a gente tem essa família que tá na nova Inglaterra antes de salen mas ele ainda faz um flirt com salen não é mas é esse ambiente de bruxaria que vai eclodir ali na Inglaterra no século X a gente tem uma ameaça que começa a testar os limites dessa família que começa com os animais sendo mortos a comida estragando o bebê sumindo né As crianças ficando doente então assim tudo isso todas essas questões a gente enxerga nos tratados a Gente enxerga nas acusações feitas na época né ao mesmo tempo que ele também
flerta com os contos de fada ele tem toda uma ambientação folklórica né e ele traz três representações da bruxa eh delimitadas assim né que em si meio que tem a mesma Essência né lá no no filme tem uma hora que os gêmeos né Eh eles estão presos no celeiro não sei se vocês lembram assim e aparece uma bruxa eh bebendo o sangue de uma das Cabras eu Acho que era uma cabra E era uma mulher velha nua com a pele enrugada bem a representação da bruxa velha né daquela mulher mais mais velha com que bebe
sangue dos animais então a gente já tem uma ali no segundo a gente tem na floresta quando o Caleb que é o irmão mais velho ele encontra uma mulher no meio da floresta uma mulher jovem sedutora né que vai enfeitiçar ele e que vai levar ele até a morte Essa é a segunda representação e a terceira é a Bruxa jovem né que vai se consolidando ao longo do filme que é a Tomazin que a gente vê ela ao final sendo meio que coroada como uma nova bruxa né E são imagens distintas obviamente né são representações
diferentes mas que se a gente for olhar Elas têm meio que a mesma essência é essa criatura feminina má essa criatura predatória que assume Diferentes formas que causa ruína de quem tá ao seu redor E sobre a bruxa da floresta que ela é uma das minhas Favoritas do filme acho que dá para abaixar só para porque o o frame dela é horrível mas ela tá ali né E ela tem toda uma imagética de bruxa de de Branca de Neve né ela faz uma alusão aos contos de fada e ele encontra com ela né eles têm
ali um encontro amoroso e depois ele ele entra em estado febril ele fica doente ele morre né e ele chega ali depois a regurgitar uma maçã não sei se vocês lembram dessa cena assim no filme eh ele Regurgita uma maçã que tá ali e essa maçã é um símbolo do mito edênico Então a gente tem de volta aquele conhecimento que a gente estava falando sobre Adão e Eva eh e do pecado de EVA né porque ele morre depois de ter um contato com essa mulher monstruosa com essa mulher que não é bem quem ela de
ser sabe além de toda a alusão dos contos de fada né a própria representação dessa bruxa é muito a bruxa da floresta que mora na cabana que usa essa roupa de Chapeuzinho Vermelho ou de Branca de Neve né e eu coloquei um asterisco em maçã aqui não sei nem se dá para ver é porque eu não queria esquecer uma coisa é uma curiosidade mas é curiosidade de historiador talvez vocês achem besta mas a gente fala de maçã né fala de Mito edênico Adão e Eva maçã maçã maçã maçã e lá no começo da oficina a
gente estava falando sobre como existem muitas adições né nos relatos bíblicos tem as traduções tem essas mobilizações desses Trechos e de acordo com a época de acordo com quem edita de acordo de quem traduz por que que você vai acionar determinada história né e a maçã é um exemplo disso né porque tem historiadores teólogos que dizem que nunca foi uma maçã e a gente tem muito enraizado na gente que Adão e Eva é a maçã né no cinema também que nunca foi uma maçã e que maçã na verdade é uma tradução errada de uma homonímia
do latim para mal e que Quem traduziu Traduziu errado e ficou maçã e que a maçã ficou e até hoje a gente acha que no no Adão e Eva no no no Paraíso era uma maçã e na verdade era uma a fruta da árvore do conhecimento do bem e do mal então assim pra gente também ver como essas coisas são acionadas e elas entram na gente como uma verdade e às vezes elas só são uma construção né Tem uma teóloga feminista faleceu recentemente eu gosto muito dela ela é alemã chama utan hinman Eg na interet
depois vocês pegam na internet ela tem um livro muito legal que chama eunucos pelo Reino de Deus e ela trabalha com gênero sexualidade na formação da igreja católica e ela fala assim que a gente sempre quando vai trabalhar com esses calatos bíblicos ou com essas narrativas a gente tem que ver a Bíblia como um supermercado que as pessoas vão indo e vão pegando o que elas querem para acionar determinadas histórias entendeu então não pode levar O pé da letra como também esses trechos eles não são os originais a gente não tem tem mais esses trechos
originais eh e daí o da bruxa Acho que o mais marcante né quando a gente pensa na brua é o black Philip pô ele ganhou até um funco não sei se você já viram o funkinho dele é um Bodinho pequenininho que as pessoas compraram e colocaram o Bodinho em casa entendeu é de diabo para símbolo pop né mas ele tem muito essa eh o filme Traz essa representação do do Bod muito alinhada à tradição da bruxaria que a gente vê na caças Bruxas né porque são recorrentes Os relatos idade moderna Idade Média onde o diabo
ele aparece revestido como um bode porque históricamente não é aleatório o Bod é um animal ligado a ritos repugnantes de caráter sexual então ele tem essa construção que desemboca nele sendo um dos das representações do diabo né porque são frequentes as adora as descrições né de supostas e daí são Supostas mesmo adorações e relações né essas relações abjetas entre bruxas e o Bod tem vários e vários relatos que as bruxas beijavam o traseiro do Bod tinham relações sexuais com eles e assim por diante Então essa adição do Black Philip a o filme também não é
aleatória ele é um filme que em que nada é aleatório tudo ele tá dialogando com essa tradição e para a nossa a Tomazin né que seria a nossa última bruxa né Ela é a a personagem principal ela perpetua muito Essa ideia antiga de de que as mulheres são quem o diabo mais provoca né porque ela passa o filme inteiro sendo tentada pelo Capiroto assim eh tem algumas interpretações que dizem que ela seria o mal desde o começo eu não acho que eu pessoalmente não concordo com isso eu acho que ela passa por uma contaminação gradual
desse mal assim ela tá lá e ela começa a ser tentada até um momento que não tem mais como resistir porque obviamente ela se vê sem ninguém né ela Ela vai sendo ela vira o centro de toda essa malignidade parece que o fato dela ser essa essa jovem entrando numa vida adulta né começa a causar um estranhamento com a mãe que não quer mais ela lá por perto o irmão começa a ter um olhar mais sexual para ela ela não tem mais onde onde estar e ela vira o centro desse mal que ronda essa família
né e e justamente né Essa coisa é muito a Sexualidade feminina como uma força perigosa que vai despertar esses Desejos essas forças destrutivas e até o fato do nome nela né sim sim no final é pecado Então você tem toda essa relação assim de que é como se o o mal Orbit asse em torno dela né E quando ela sucumbe as tentações e ela fecha ela ela efetiva um pacto com o diabo né Eh isso implica muito uma fraqueza dentro dos conformes tradicionais da bruxaria né Eh porque o malus malif ele aponta por exemplo que
por ter uma natureza Rebelde ou porque tem uma fraqueza congênita por Causa de EVA as mulheres eram mais receptivas as tentações demoníacas então também por que que o Tomazinho f o Tomazinho Por que que o Diabo fica em cima dela e não do irmão entendeu então ao mesmo tempo que o filme ele se alinha com essa com esse conhecimento né daí eu trouxe aqui nossa gente minhas imagens estão tudo escura mas vai vamos que vamos eh eles aqui né porque eles são uma família de puritanos que são expulsos da Plantação e daí eles vão criar
uma nova vida na floresta a thomazin que é ania Taylor Joy num muito ela tá maravilhosa nesse filme eh O CB que é o irmão dela quando ele fica doente e daí no final ele regurgita aquela maçã e depois quando ela já se vê ali em um momento de ter que abraçar o que tá acontecendo e abraçar essas forças Sobrenaturais né mas o a bruxa eu acho que vale a pena assistir também tem é um filme como é um filme muito jovem muito jovem tá ele é Um filme novo ele tem muitas interpretações então assim
essa é uma interpretação é a minha análise eu acho que né cabe a quem assistir cinema é justamente isso é a pluralidade de você interpretar o filme como serve para você e eu acho que é isso assim acho que agora a gente tem que conversar porque né a gente fica falando um tempão aqui eh eu só deixei os meus contatos o meu e-mail e para quem quiser entrar em Contato referência ai livro essas coisas podem entrar eu tô em todas as redes sociais como Gabi Emil Laroca e eu sou mais ativa no Instagram porque eu
sou millenial e eu não lido muito bem com tiktok assim eu não sei porque não não ainda não fui e eu tô toda quinta-feira no República do medo ou rdmc é um podcast voltado pro horror nas suas variadas Faces na história e na Cultura né Nós somos três historiadores e eu também participo do mundo Freak que eu Esqueci mundo Freak confidencial que é um podcast também E caso alguém queira conhecer os meus trabalhos né eu deixo todas as os meus artigos dissertação tese disponíveis num academia duas só procurar por Gabriela Laroca acho que é isso
gente Obrigada desculpa se falei [Aplausos] demais ah é verdade e eu vou publicar se tud der certo se não rejeitarem o texto no catálogo da mostra Eu escrevi sobre as mulheres e as bruxas mulheres feministas e bruxas principalmente a filha de Satã então fiquem ligados quando o catálogo sair para ficar de olho que vai ter textos muito legais envolvendo Justamente a temática da curadoria é o catálogo vai est disponível lá no site tá gente em breve Se alguém quiser fazer alguma pergunta por favor gente vamos conversar essa imagem das bruchas né No começo ali da
idade média que você falou Que era sempre muito relacionada da da da perversidade da sexualidade feminina da mulher que é sedutora e tal que ela tem essa perversidade por ser sedutora Em que momento a a bruxa mulher sedutora vai passar a ser uma mulher mais velha ali que ela ela é feia ela tem um nariz grande um queixo grande ela é deformada e Em que momento a bruxa vai deixar de ser aquela mulher sedutora e perversa para ser uma mulher que que essa essas bruxas Mais velhas assim elas trazem uma elas por exemplo a bruxa
da da Branca de Neve ela sempre tá tem uma um uma imagem de muito desespero né de ser uma pessoa desesperada para trazer jovialidade para si mesma pela vida eterna ou seja lá o que for Em que momento vai mudar essa chave de se é que tem um momento né o que que vai gerar essa mudança da chave da bruxa sensualizada pra bruxa Uma pessoa que ela des Em busca da jovialidade então basicamente essa mudança não existe porque elas coexistem essas duas imagens né Eh se talvez eu falei de deu entender que tem uma ruptura
elas coexistem então assim ao mesmo tempo que a gente tem a bruxa velha a gente tem a bruxa jovem a bruxa jovem essa bruxa sensual onde a Sexualidade é muito importante ela é mais comum nos tratados bruxa dos tratados né que é uma bruxa muito mais ligada aos ritos do Sabá onde Elas vão fazer orgias e o cinema puxa uma parte disso né veja o máscara do demônio maldição ai gente é que tem um filme chamado a máscara do demônio e um que chama maldição do demônio eu acho uma sacanagem os dois filmes serem diferentes
mas o maldição do Demônio do Maro bava é um exemplo porque a a a Barbara Steel que é a asa ela é bonita Ela é jovem ela tem toda essa sexualidade e essa é muito a bruxa dos tratados De juízes de eclesiásticos né de de filósofos e assim por diante mas ao mesmo tempo que ela existe também existe a imagem da bruxa velha que é a bruxa da Branca de Neve que é a bruxa monstruosa da Convenção das Bruxas Então não é como se uma suplantar a outra elas existem e o cinema aciona esses estereótipos
ou essas imagens diferente de temp de formas diferentes de acordo com o tempo a bruxa velha por exemplo ela é mais comum no nas confissões nas confissões e Nas acusações então se você vai pegar eu não fiz esse trabalho de fonte no doutorado mas por exemplo quem trabalha com fontes de eh acusações de bruxaria que vai lá nos arquivos lidar com sei lá em 1600 teve uma vila x um julgamento de bruxaria né o mais comum e não é único mas o mais comum eram serem mulheres mais velhas mais pobres eh viúvas que às vezes
não tinham Amparo masculino não sabe e daí você tem esses dois e parte Daí pros contos de fada lá dos séculos 18v x que as pessoas começam a pegar essas acusações pegam essas histórias e catalogam em histórias voltadas pro público infantil que também cai no cinema eh oi pesso pessoal boa tarde eh quando você falou sobre os estereótipos de bruxa eu percebi um pouco que é muito similar aos estereótipos preconceituosos que se tem contra religiões de matriz africana da Questão da da Macumba e de que eles estão querendo perseguir o tipo o Cristão de bem
né jogando sei lá essas coisas assim e aí será que você poderia falar um pouquinho mais sobre D essa relação se realmente houver olha eu não não estudo religiões de matrizes africanas então eu vou falar muito no achismo do achismo da historiadora mas assim a bruxa eh essa bruxa né Porque daí a gente tem até na mostra exemplos de ressignificações da bruxaria a partir De subjetividades femininas Mas a bruxa além dela ser o outro feminino ela também é o outro religioso né então assim ela é Um Desafio pra cristandade principalmente né então tudo que não
é cristão pode ser bruxaria do mal né então a gente tem essa esse estereótipo negativo digamos né Eh tem até por exemplo sobre essa Associação da bruxaria com religiões de matrizes africanas deixa eu colocar aqui deixa eu achar que pena que eu não tenho Aqui senão eh no no filme Calma aí já chego lá aqui no bruxa a face do demônio que é esse aqui de 66 eh ele tem Logo no início uma representação que talvez até com se alinha a isso porque a protagonista ela tá fazendo uma missão na África ela é uma missionária
né E ela é ela é meio que perseguida por um grupo de bruxos ou feiticeiros ligados a alguma religião de uma atriz africana a qual não é nomeada né mas o filme deixa Muito Claro que ela é do mal e que eles querem causar algum mal para ela entendeu e dela vai embora e volta lá pro Reino Unido assustada né então eu acho que tem isso assim não sou pessoa Talvez indicada para falar porque eu nunca analisei isso assim né eu tô falando como um Panorama mas eu acho que se a gente encara a bruxa
não só como mal feminino Mas também como mal religioso isso é muito importante quando a gente fala de bruxaria histórica Porque a bruxa ela não é só uma análise de gênero ela é uma análise de religião também porque ela é a irege ela é quem quem renuncia Cristo quem renuncia a cristandade né E quando ela faz isso ela pode ser uma representante de de qualquer religião né tanto a satânica quanto uma religião de matriz africana e daí as duas entram nesse viés do outro e do outro maligno que quer ameaçar mas eu tenho inclusive algumas
referências algumas conhecidas que Trabalham com isso que representa com bruxaria pelo viés da matriz africana religião etc se quiser depois eu posso até te passar porque elas estudam isso e eu acho que são muito mais indicados para falar do que eu tem dois filmes na amostra acho que eles não vão passar mais é o mamata e o iaba que são dois filmes africanos que trazem justamente essa questão eu acho que eles já não passam mais aqui em Brasília mas muito provavelmente deve ter ou em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro uma oficina também ou
um debate sobre um desses filmes que eu acho que vale a pena depois é porque a gente tem um movimento histórico né Não só do cinema mas é um movimento histórico de olhar para essas religiões pel um prisma ocidental branco e conquistador e até tipo Cristão e olhar e falar que tudo que não é nosso tudo que é o outro né você tem essa delimitação muito assim o que não sou o que não é meu é do outro e Do outro é perigoso daí você tem toda essa transposição de religiões como associadas ao diabo ou
ao mau e o que não tem nada a ver mas é uma reinterpretação extremamente racista E extremamente preconceituosa e que chega no cinema né mas também tem por um outro lado os filmes que daí ressignificam isso e mostram Não não é bem assim né mas em Hollywood é quase sempre assim Hollywood não tem uma tendência muito de botar a mão na cabeça e achar que Vai a minha pergunta é bem simples eu só queria saber de onde veio o simbolismo do Chapéu P tudo olha olha isso eu tentei responder ele falando como se fosse aquela
coisa da maçã que com o tempo foi ficando cada vez mais eu eu acho que pode ser talvez como veio o simbolismo da vassoura tá do Chapéu eu vou vou fazer uma uma uma relação aqui eh a gente tem na tradição acho que é Tradição britânica se eu não me engano muitos relatos porque assim não a gente pensa muito em bruxa voando a gente pensa na bruxa voando na vassoura né mas quando a gente volta para essas calatos essas Fontes a gente vê que não tinha necessariamente uma vassoura que às vezes elas iam pro Sabá
em pedaços de pau assim o que tinha o que tinha elas inham para sabe assim então e isso com o Imaginário com o tempo foi sendo transformado na vassoura e consolidado Com a vassoura o chapéu pontudo eu não consigo te dizer qual é a origem do Chapéu pontudo eu vou ficar devendo vou ter que procurar essa porque mas eu se eu tivesse que apostar tá eu apostaria que começa com alguma coisa assim alguma algum traje ou alguém que aparece e daí isso vai sendo ressignificado pelo cinema pelo audiovisual pelos contos de fada e meio que
vira isso sabe Oi boa tarde boa tarde eu queria fazer uma pergunta sobre o ica porque é Algo recente e eu já li porque eu percebi assim eu não sei se é geral que durante a década de 2010 um pouquinho antes dos 2020 2022 teve um Boom de wika nas redes sociais assim e eu li também algumas críticas sobre o ica ele tomaram um lugar ali porque a maioria das mulheres que praticavam que postavam fotos que postavam eu lembro até de ver vídeo na bus feed com mulheres wika e todas eram brancas se tornou algo
instagramavel se tornou algo que era Facilmente vendido tem livros da dark side dicionários wica sobre bucharia e eu li várias críticas de mulheres que são consideradas pagãs ou demoníacas mulheres indígenas mulheres de religiões de mattiz africana que sofrem um apagamento enquanto essas mulheres que se consideram Bruxas ricanas Elas têm um espaço grande na mídia e nos movimentos midiáticos em gerais em filmes e livros elas fazem palestras enquanto essas Mulheres que praticam a medicina natural mulheres não só indígenas negras mas eu já vi sobre até medicina tradicional chinesa elas sofrerem um Não mas esse apagamento mesmo
esse olhar de baixo assim e como isso é visto como como qual essa opinião quanto a isso é vai ser bem minha opinião porque tinha que chamar um sociólogo de religiões ou um Historiador de religiões porque mas assim vou vou vou te dar um pouco da minha opinião e um pouco de um Contexto rapidinho né Eh essa bruxaria que é tipo a bruxaria wika e várias outras e eu já topei com essa crítica eu acho que que você tá falando é uma crítica muito muito válida porque também a wic não é a única religião de
bruxaria que existe né As pessoas sempre falam isso eu tenho várias amigas que são bruxas e não são wika por exemplo né mas a gente tem ali no final do século X acho que é século 19 agora eh Uma muito um misticismo nas religiões assim né tipo um a gente tem o o Crowley né esses autores assim que vão voltar mais pra magia pro esoterismo esse interesse na bruxaria como uma religião eh e não como essa coisa né que a gente falou desse mal né esse estereótipo eh e isso vai florescendo nas religiões né a
gente vai tendo cada vez mais praticando praticantes de bruxaria e praticantes de uma bruxaria que não tem nada a ver com essa que a gente assiste nos filmes e Que não tem nada a ver com esse mal feminino né então é um movimento histórico né de de você ter essa eu não nem diria que é uma reapropriação porque não tem nada a ver uma coisa com a outra né talvez só o nome mas não não são são práticas muito diferentes agora a a questão da uica eu eu não sei te dizer porque eu não sou
versada nisso assim o meu meu o viés da bruxaria é o viés da bruxaria histórica não é o da viés da bruxaria da religião mas eu acho que as Redes sociais permitem essa questão assim porque a gente vai ter um interesse a internet propicia um interesse e a bruxaria ela ganhou um destaque na mídia né cada vez mais não como essa coisa negativa mas como uma ai uma proximidade com a natureza né muitos movimentos feministas vão se aproximar da bruxaria como uma forma de fortalecimento do poder das mulheres né né e a é até difícil
falar né mas eu acho que eu só consigo concordar com a Sua crítica eu acho que essa é a questão porque eu acho que nesse momento você tem um apagamento e também tem muito uma um caminho às vezes de tomar a wic como sendo a única vertente de bruxaria que existe né Eu coloquei dos Jovens Bruxas aqui da wika por exemplo porque o Jovens Bruxas contou com uma consultora da wika Então dentro do no set de filmagens eles chamaram uma sacerdotisa da uica então o filme se alinha muito a isso eu acho que também isso
pode ter Contribuído para uma maior popularização sabe mas daí teria que conversar eu acho que ou com uma galera das religiões ou até com alguém que é praticante né porque esse movimento de de você marginalizar mulheres indígenas mulheres negras ou as religiões de matrizes africanas isso acontece a vida inteira né então não seria diferente por exemplo na religião eh da bruxaria por exemplo Oi Gabi oi é E eu queria saber mais sobre a parte histórica ali do medievo você falou muito de uma bruxaria como e assim sendo atribuídas mulheres naquela época existia um pensamento delas
próprias como que essas Bruxas que eram atribuídas dessa forma eram elas se viam tinha isso porque eu penso no fme da bruxa no final ela é dando spoiler né no final ela ela parece que é abraço capeta vamos dizer assim né vamos lá vamos viver junto com com essa com essas Pessoas e eu fico muito curioso tá depois disso como é que essa vida isso existia e como é que elas se viam elas você falou que não existe aquela a bruxa real não é aquela bruxa que faz o pacto como é que é Não consegui
decorar o nome o Sabá não eh eh o nome de como é mistura de alcoolatra com demônio demonolatria como é que é demonolatria é essa não existe que a bruxa real era outra coisa como é que elas se viam isso a pergunta Aham é porque eu vi o filme Um pouco diferente eu vi o filme não como se o diabo não existisse fosse só ali uma se fosse uma captura social falou eu não sou aceito nesse grupo sou totalmente reprimida Vou para um grupo que aceita tá eu pensei mais assim sim bem de novo né
Isso é muito interpretação eu acho que cinema cada um filme fala diferente com você de acordo com as suas vivências e eu acho isso mais legal da gente poder conversar sobre filmes né Eh mas sobre Como as bruxas se enxergavam né porque de novo né Eu trabalho muito com essa parte teórica da bruxaria né Eu nunca fui pros pras fontes de acusação né paraa Fonte de arquivo Sempre trabalhei com essa parte do que era a bruxa para homens letrados para homens do eclesiásticos né para essa Elite lá da modernidade e e assim por diante mas
existe toda uma linha historiográfica que estuda como as bruxas e como as mulheres lidavam com a Bruxaria a bruxa real né digamos assim essas mulheres que eram acusadas e que iam para julgamentos né E que a gente fica pensando ah mas por que que outras mulheres acusavam mulheres acusavam umas à outras né porque daí tem todas as questões do medo da época de religião de de contexto cultural né mas quando uma acusada né Eu acho que talvez seja isso que você quer saber o que que uma mulher acusada enxergava nela né porque assim e eu
acho muito difícil a Gente ter alguém que realmente fazia pacto com o diabo né Eu acho que isso é muito mais um Imaginário ali da época do que eu acho que existe por um lado as mulheres que realmente se associavam e que entre muitas aspas eram um pouco mais desviantes do que que o cristianismo acreditava ou seja às vezes mulheres mais ligadas à arte da cura né mulheres às vezes que eram mais spondon tem muito disso assim de mulheres que respondiam ah é bruxa Entendeu eh mulheres viúvas que ficavam sem uma supervisão de homens assim
e Delas eram vistas como um perigo né mas ao mesmo tempo tem uma agência então tem toda uma linha da historiografia que trabalha de como mulheres se enxergavam enquanto bruxas e como elas respondiam a essas acusações Então existe muito disso sabe você falou dessa inquietação e desculpa tem muito de mulheres que se diziam Bruxas como uma maneira de tentar Na hora da acusação isso a gente tem escrito moldar um pouco da trajetória e da narrativa que tava sendo escrita sabe e daí a gente vê nas suas nas suas nas suas nos seus relatos né Tem
um um livro do ginsburg do Carl ginsburg que é um Historiador italiano muito famoso em que ele fala de como tem eh ai como que a pessoa quando a pessoa diz que ela fez mesmo uma confissão muito obrigado uma confissão de bruxaria misturada com Elementos do cristianismo por exemplo que essa mulher traz trazia essa confissão mas que parecia que o que ela tava vendo era muito próximo às aparições da Virgem Maria por exemplo então que ela tava usando isso como uma maneira de tentar se livrar dessa situação então é muito é muito importante a gente
também não ver essas mulheres como vítimas passivas né então a gente acha às vezes que elas não tinham nenhuma agência elas tinham né Tanto que é um contexto muito feminino de acusação e de defesa também Oi Gabi primeiro parabenizar você Mais Uma Vez pelo trabalho eu sigo novo República do Medo quanto trabalho eu queria fazer uma pergunta partindo de dois filmes O Caçador de Bruxas do Vicente Price e a bruxa do amor é a partir da do que você apresentou pra gente assim o quão próximo Quão distante os dois filmes estão dessa do que você
Construiu pra gente hoje o caçador de Bras eu i colocar ele até mas ele é um filme que ele não tem necessariamente uma bruxa Ele trabalha muito Daí a caça as bruxas né é um filme de 68 Se não me engano é estrelado pelo Vincent Price né e Alguém já assistiu Caçador de Bruxas tá você já você não vale eh e ele é baseado em fatos reais né AD viu os fatos reais na verdade ele é baseado em um personagem histórico que era um homem que eu esqueci o nome dele agora mefi Hopkins eu acho
que era que realmente foi um caçador de Bruxas na Inglaterra né no Reino Unido ele existiu então o personagem que o Vincent Price faz existiu e ele é um filme que aborda muito mais os excessos da caças bruxas do que essa ideia do mal né porque ele tem esse homem esse Caçador de Bruxas que é o wit Finder General é um nome eh e ele vai atrás aterrorizando as as Vilas né ele estupra as mulheres ele rouba as pessoas né e eu acho que o Filme ele mostra muito mais esse lado da bruxaria enquanto uma
injustiça social porque você não tem nada de magia você não tem diabo você não tem a bruxa do mal que vai se vingar não você só tem ele e ele é o vilão né O Caçador de Bruxas é o vilão ele é o cara do excesso ele é o cara violento ele é o cara que leva a desgraça né Acho que o filme trabalha muito com isso e muito da narrativa do próprio methel Hopkins né que foi um cara conhecido pelos seus Excessos e daí o filme traz e potencializa ainda mais isso né o A
Bruxa do Amor Alguém já assistiu a bruxa do amor também acho que ele tava na amostra ou não não ele é um filme de 2016 se não é na terceira Liv ele é um filme de 2000 eu acho que é 2016 2019 não sei mas ele é bem recente né e ele é um filme é Ah então ele esteve filme bem fácil de de acessar assim né e eu acho que Ele apesar de ter uns problemas com a diretora recentemente né infelizmente né e ele até perde um pouco do seu da sua potência né porque
a a diretora fez alguns comentários meio eh de pânico satânico umas coisas meio assim até muito complicadas na internet né mas ele é um exemplo eu acho nessa linha que a gente tava falando de como a bruxa ela é um personagem que não é cristalizado então assim ela não é sempre Má Ela não é sempre porque ela Pode ser ressignificada de acordo com o tempo e de acordo com quem eh aciona ela e o bruxa do amor eu acho que ele trabalha na bruxaria a partir de uma subjetividade feminina né a bruxaria eh dita formulada
reproduzida por uma mulher porque a diretora roteiristas são todas mulheres ele é um filme praticamente inteiro feminino de produção e eu acho que daí ele ele é um exemplo dessa ressignificação da bruxa sabe de como ela Pode sair desse desse imaginário masculino iso é utilizada para e ressignificar ou para corporificar subjetividades femininas né um outro exemplo que eu gosto muito é o Wicked eu não sei se tem gente que gosta de Wicked aqui eu adoro Wicked e é um exemplo deificação de como você pode pegar um personagem que estava lá o tempo inteiro eh sendo
mensageiro do mal e trazer para trazer e falar ó a história pode ser outra né dependendo de Quem conta você pode ter uma um desfecho diferente e eu acho que o bruxa do amor é muito isso ele trabalha com a ideia ele tem umas ironias muito sutis né ele é um filme que às vezes ela ela ela fica essa coisa dela tá sempre querendo um marido um namorado mas eu eu enxergo muito ele como essa coisa de a gente pode tirar a bruxa do espectro do Mal dessa coisa satânica para ela ser uma personificação de
questões das mulheres mesmo entendeu Eh eu queria também saber também sobre se existiu algum método para falar sobre bruxaria em homens porque assim até em mágico Dios tem esse negócio tem a bruxa ma e o mágico Dios que é um mágico que ele faz feitiçaria no final ele não é o mágico mas assim ele é admirado porque o homem ele ele quando ele é relacionado com essa coisa de feitiço ele ele é trazido como alguém que tem inteligência que tem sabedoria que tem técnica vai ter algum algum algum Registro histórico sobre homens que fazem feitiçaria
bruxaria nessa época da idade média dessa C dessa caça as bruxas tem tem eh tem até locais quando a gente fala de caças bruxas e de como foi um movimento muito heterogêneo tem locais Tipo se eu não me engano aonde seria a Rússia você tem mais perseguições a homens do que mulheres então você não é um movimento Claro a gente quando a gente coloca em Porcentagem as mulheres foram muito mais perseguidas mas você não exclui o fato de que homens também poderiam ser né então você também tem homens sendo acusados por exemplo Salém você tem
homens sendo acusados de bruxaria também mas essa questão do Mago né Essa coisa eh do homem que se envolve com a magia né Ela vem também da idade média só que ela tem um caminho o caminho que ela segue é muito diferente do caminho da bruxa Porque o o mago quando ele tá lá na idade média e e não falando de Merlin nem nada falando de homens assim é muito ligado com uma ideia de ciência com uma ideia da alquimia com a ideia da de você mexer com elementos entendeu de você fazer algo pro bem
entendeu então meio que assim a o mago ele sempre fica emuma isso assim historicamente né ele fica emum porque a gente tem homens Magos né e não só essa homens que lidavam com alquimia com Com todas essas essas esses Processos né a gente tem essa hierarquia eles sempre são eh acima então é uma ciência letrado é um conhecimento letrado é um conhecimento erudito é um conhecimento da Elite esses homens eles estudam Eles leem Eles produzem e a bruxa né que ela sempre tá ligada a esse conhecimento mais inferior né a esse rito mais repugnante Então
você tem essa distinção até na magia tem tem muitas pessoas que falam sobre isso na questão da magia Histórica de que os homens Quando eles personificam a magia eles personificam nessa ideia do conhecimento letrado que não quer dizer que eles não tenham sido perseguidos porque tem épocas que a cristandade a Igreja Católica persegue porque também é visto como algo maligno entendeu mas as bruxas elas vão personificar esse conhecimento digamos mais sujo né esse conhecimento entre aspas mais popular ele não é o conhecimento da Elite ele não é o conhecimento letrado e daí elas sim Personificam
o a o caráter repugnante do diabo né mas os dois são perseguidos entendeu então só que daí você tem assim quando você vai ver os registros de magos são pessoas homens famosos homens ricos homens que sabe e depois tanto que tem no século XIX homens que vão dizer di que são Magos e daí tem toda aquela coisa ritualística né então tem essas diferenças e ao mesmo tempo quando a gente volta pras acusações a gente tem homens sendo perseguidos Então não é uma Coisa exclusiva nos tratados é uma coisa um pouco mais exclusiva da gente ver
a diferença entendeu do que é visto como essa ameaça feminina Mas na vida real a gente tem tem de tudo um pouco daí Claro só quando a gente vê o contingente que a gente fala Não realmente teve mais mulher no malus sim o malus ele diz e justamente ele usa porque ah a mulher veio do osso Curvo da costela tem outros por exemplo o dem Monomania das Feiticeiras que é do G Bod que é um jurista francês que foi escrito em 1580 ele fala dos bruxos arqueiros que até hoje não entendi muito bem o que
ele queria dizer com isso mas só fazendo ali uma conversa com ele eu não acho que eu queira conversar com ele depois mas e daí ele faz uma citação mas Sim ainda assim esses bruxos e essa citação é uma bruxaria diferente entendeu porque daí os bruxos arqueiros eles eles eles Realmente são arqueiros eles usam o arco E flecha e eles colocam as flechas com alguma coisa venenosa entendeu mas ainda assim parece uma arte menos satânica a bruxa a bruxa sempre tá meio que embaixo sabe assim é o baixo do baixo enquanto é além Você pode
ter a menção mas o maior perigo sempre são as mulheres Boa tarde Gabi Parabéns aí pelo oficina muito boa contextualizada com a amostra também né E a minha pergunta tem a ver um pouco com essas duas últimas perguntas e Respostas você pode talvez aprofundar e ver uma visão mais geral mesmo sobre a questão dos desses filmes que você tratou hoje atir do diretor e um pouco do público também em relação por exemplo de serem filmes de entretenimento ou muito rolid anos em algum momento né como está impregnado pela visão do diretor e muito masculinizado pela
indústria do cinema enfim Hollywood né vê se em relação a Panorama de outros filmes ou de outras perspectivas por exemplo falar um pouquinho mais de diretoras mulheres você citou um pouco sobre produções femininas etc de pensar como que isso mudou e também se tem alguma visão assim por exemplo de saindo um pouco da perspectiva Americana ou europeia né de pensar sobre esse tema Então essas duas questões assim mais geral mesmo panorâmica tá vamos lá que é bastante coisa Eh calma aí que a chance de eu me perder agora e a gente fica conversando sobre alguma
outra coisa é muito forte então Eh eu sempre eu eu sempre frizo isso que você falou por exemplo que eu eu eu estudei esses filmes e uma das justificativas foi por serem feitos roteirizados dirigidos por homens porque eu acho que daí se alinhava mais com o que eu queria também estudar que essa tradição feita por homens né então tipo a gente fala da Tradição do Mal feminino enquanto surgida de mentes masculinas né sobre personagens femininos e no cinema meio que acontece a mesma coisa né nesse cinema mainstream que a gente estava falando que é um
cinema Branco heterossexual de homens né que eles também constroem essa personagem feminina né E que muitas vezes ela não diz sobre quem são as mulheres né não não revela ansiedades subjetividades né todas essas questões Ou até de mulheres enquanto seres históricos e plurais mas essa ressignificação né da da bruxa eu acho que a tava justamente nisso que a gente estava falando a bruxa do amor é um deles sabe eh que mostra como o olhar feminino perante o assunto ele muda a imagem da bruxa né Eh eu vou ficar te devendo de cabeça porque a minha
cabeça ultimamente ela anda horrorosa eu sou uma historiadora de meia tigela porque eu não consigo lembrar das coisas mas eu Acho que amra tem bastante filmes feitos por mulheres justamente para mostrar isso e a gente tem um movimento como um todo vou falar do cinema de horror assim que é essa ressignificação desses Monstros femininos a partir de olhares femininos entendeu você tirar a lente da subjetividade masculina e colocar a lente na subjetividade feminina e a gente enxerga isso com filmes no horror por exemplo não só nas Bruxas mas o o bruxa do amor é um
exemplo desse mas a Gente tem o babad por exemplo que é um filme também feito por mulher que fala sobre maternidade a gente tem o garoto infernal é um filme que eu adoro que também fala sobre monstruosidade feminina entendeu e tudo isso a partir de um prisma assim do que nós mulheres temos a dizer sobre esses personagens que se consolidaram muito tempo como medos e ansiedades masculinas né então eu acho que esse movimento ele vem tomando cada vez mais força mas acho que Ele sempre existiu também eu acho isso muito importante porque a gente às
vezes fala tanto né disso que a gente se perde e esquece que mulheres fazem cinema desde sempre né Por exemplo e que até no cinema de horror né Eu às vezes fico muito presa eh na Perspectiva do que homens cineastas TM a dizer e a gente esquece que desde a década de 30 já tinham mulheres por trás das câmeras no horror já tinham mulheres trabalhando Na na produção no roteiro maquiagem né então assim eh eu acho que essa era a tua primeira né pode me me interromper se eu não tiver respondendo tá mas eu acho
que a bruxa ela tem isso e a gente também vê agora não só agora mas assim a bruxa assumindo novos contornos né a bruxa que não porque esses filmes as bruxas são sempre brancas elas são sempre heterossexuais elas estão sempre na Europa ou nos Estados Unidos eu acho que a gente cada Vez mais tem essa ressignificação da bruxa eh de outros né de um ponto até decolonial de um ponto pós-colonial né dessa ideia de pensar a bruxaria em outros lugares de outras formas de outras cores de outras formatos né Então eu acho que tem muito
disso e saindo n agora me perdi viu ih gente agora já foi não mas é isso mesmo eh eu acho interessante essa coisa do Tem o Olhar do diretor mas também do público né que tá acompanhando e depois o Público Começa a se identificar com outra visão certeza não e assim Eh desculpa de cortar mas por exemplo Ah até a gente tava falando aqui da bruxa né Eu já vi análises que falam ai que o final da Tomazina na bruxa é empoderador e eu acho que Daí depende muito de quem tá assistindo entendeu Acho que
daí isso vem muito assim sabe e e tem também a a a a teoria da comunicação né de que não é o que que o diretor vai falar necessariamente o público vai comprar a Gente é muito mais a gente não é nós não somos sujeitos passivos em frente a uma tela que a gente vai comprar a mesma mensagem então a gente às vezes assiste um filme Fala pô legal gostei disso tanto que tem vários filmes que são ressignificados ao longo da história né E que tem Às vezes uma origem um pouco mais problemática mas que
com o tempo vão sendo ressignificados ó um exemplo nada a ver com bruxaria para mostrar como a gente já tá saindo do tópico Hora Do Pesadelo dois Alguém já assistiu Hora do Pesadelo dois ele é um filme que quando ele saiu eh trazia um garoto final e não uma garota final que já foi tipo muito assim e ele tem um subtexto queer né bem bem bem forte e na época o ele foi muito massac ado foi um filme que não foi bem recebido e o o próprio ator depois contou que o diretor ele queria meio
que tinha um tom meio homofóbico no filme sabe mas o filme foi muito Ressignificado pela comunidade queer como tipo uma ent e isso mostra como as coisas não são tão assim eh um canal de comunicação tão direto entendeu E que as pessoas foram não esse filme representa esse filme tem um garoto final esse filme tem e teoria queer ele tem umas representatividades de afeto diferente e daí com o tempo ele foi ganhando outro significado que não era necessariamente o significado que o roteirista e que o Diretor queriam inicialmente né então eu acho isso muito importante
assim como a minha análise pode ser muito diferente da sua e isso vai ser muito dizer sobre os nossos nossas vivências Nossa identidade ou até o momento em que a gente assiste o filme eu acho isso muito importante é o garoto Infernal é filme Quando eu assisti pela primeira vez eu não gostei e hoje é um dos meus filmes favoritos assim eu acho ele sensacional a ideia da monstruosidade feminina etc Etc então também depende muito de quando a gente assiste o filme né Ah e eu esqueci só da Fora do Eixo né são eh São
eu tô tão eixo Rio São Paulo que eu já eh eu acho que eu eu uso muito os filmes mais hollywoodianos porque eles são mais fáceis de achar eu acho que a gente quando trabalha com pesquisa de filme às vezes se depara com alguns que são muito difíceis você não consegue Mas a essa essa mal feminino aí ele meio que permeia várias tradições eu não Trouxe por exemplo o The She Beast mas ele é um filme italiano de produção B que traz uma bruxa monstruosa tipo Convenção das Bruxas sabe então acho que corre ao paralelo
assim não é uma coisa exclusiva do cinema hollywoodiano nem do cinema europeu mas eu tenho sinto a tendência e falando como um achismo também de que Brasil ou outros países a gente vai ressignificar porque a nossa história com a bruxaria não é não é essa história europeia da bruxaria ela é uma Outra então a gente vai ressignificar essa história também só queria fazer uma observação antes sobre a disso né que tá sendo discutido mas a curadoria Tomou muito um cuidado assim em escolher os filmes dessa dessa edição são dois lados o lado a e que
é justamente essa essa figura da bruxa histórica né tá tudo tá sendo discutido aqui inclusive no cinema de horror mas que a gente teve um cuidado de trazer muito personagens mulheres que Confrontam uma ordem masculina assim todas elas em todos os filmes do lado a você vê personagens de mulheres fortes né que por mais que tenha que estejam de uma visão ocidental masculina mas que confrontam Essa ordem e o lado B que é justamente as mulheres mágicas né Essas mulheres que são detentoras do do conhecimento então que traz aí também uma outra agem mais decolonial
enfim e aí paralelamente a isso Gabi eu eu quero trazer só uma questão também Que eu acho que é legal se você quiser depois comentar mas vou passar a palavra para eles que você falou muito sobre eh a questão do cristianismo né assim da religiosidade mas eu acho que também é muito importante a gente falar de uma transição de um período né do feudalismo pro capitalismo o capitalismo ele vai eh trazer muito essa caça as bruxas justamente eh num momento em que as as terras né estavam sendo cercadas as camponesas eram quem lutavam por essas
Terras né e e elas acontece um empobrecimento muito eh muito grande nesse período Inclusive essa imagem também da mulher velha da mulher né com os dentes eh podres tudo isso vem desse momento né Desse empobrecimento assim uma é muito específico e característico então é muito importante também assim frisar isso né que também é para além de uma questão de religiosidade de né assim de muitas outras questões também tem esse Período de transição Entre esses temas e que né Isso é o capitalismo ele o que ele quer justamente dominar né os corpos das mulheres o que
o capitalismo que é justamente é individualizar aquilo que era coletivo né o trabalho no campo o trabalho entre as mulheres as mulheres eram as parteiras as grandes conhecedoras né do do conhecimento enfim ancestral inclusive E aí eu queria só trazer essa questão porque eu acho que é importante também isso tá tá aí né no Cinema de certa maneira eu acho só fazer um complemento bem bem rápido quando a gente vai estudar bruxaria de um ponto de vista histórico você abre meio que uma caixa de uma caixa infinita porque tem tantas Vertentes para tentar entender claro
que daí a gente começa lá atrás com a história Econômica história política depois com o tempo você vai tendo mais um questionamento do gênero classe raça né tem que levar em consideração esses Esses contextos mas é eu acho que isso é o mais fascinante da história da bruxaria você tem essa possibilidade de interpretação por diversos vieses e todos eles conversam entre si seja a questão do capitalismo a questão da religião né do cristianismo até mesmo a questão do protestantismo né Tem historiadores que levantam só como a caças Bruxas também foi influenciada pela reforma por essa
ameaça causada pela reforma essa perda da Igreja Católica de soberania né Tem a questão das Nações tem a questão do estado moderno então assim é é é fascinante porque eu lembro que quando eu tava estudando levantando referência bibliográfica eu falei pra minha orientadora eu falei eu tenho que fazer um pasta porque senão eu vou ficar 10 anos no doutorado e não vou sair ela falou não faz o recorte justifica porque realmente é isso assim a gente tem que levar em conta várias coisas e na Questão do capitalismo tem uma historiadora estadounidense que é a Não
não é ela calma a gente esqueci o nome agora ai que horror já eu já olho aqui porque eu tenho ela salva ela tem o doutorado dela é sobre bruxaria na nova Inglaterra chama The Devil in the Shape Of a woman e ela publicou e ela escreveu sobre bruxaria na nova Inglaterra Estados Unidos eh não só salé ela queria estudar tipo os vários casos de caças Bruxas ali tentando entender e ela traz Alguns dados muito interessantes que casam com isso que a Tati falou que é por exemplo o fato de que muitas mulheres que eram
perseguidas ou que foram acusadas em salé eram viúva que eram as detentoras de terra então elas eram mulheres que se tornaram as únicas herdeiras de propriedades e isso as torna como elas estão desamparadas também se tornam alvo de uma maior perseguição então tem tem muita coisa em jogo assim eu trouxe a religião e a Questão de gênero por um recorte né mas quando a gente abre tem muita coisa eh Gabi eu queria perguntar se tem alguma abordagem ou característica da bruxaria que ainda não foi retratada no cinema e que você gostaria de ver em um
filme novo essa é uma pergunta boa Olha eu acho que o cinema é que eu entendo um pouco porque assim eu sei que o cinema de horror tem uma tendência Assim entre muitas aspas sensacionalista Nesse quesito né porque a gente tá esperando né a gente assiste filme de terror A gente quer o pacto com capeta a gente quer gente dançando em volta da fogueira né a gente quer essas coisas assim então eu eu tento tenho uma tendência a querer ser um pouco mais justa também de saber que algumas coisas elas funcionam no cinema e outras
não funcionam mas eu não consigo pensar em algo Eu acho que uma representa é que a Gente tem né alguns filmes não consigo lembrar de cabeça mas que tratam as mulheres mais como perseguidas né essas coisas assim consigo essa eu vou ficar te devendo te respondo depois quando chegar em casa em Curitiba eu penso e daí eu te respondo no Instagram eu vou vou vou estar tomando banho daqui a uns dois dias falar nossa já sei ótima resposta boa agora eu vou responder Eh Gabi eh acho que complementando também tava falando com ele sobre diversidade
na questão do Olhar do do de Quem produz o filme eh tem eh Telma por exemplo acho que é é um filme que traz bruxaria mas sem evocar a palavra bruxaria né e é um filme queer eh eu penso também Rua do Medo sim com certeza traz traz bruxaria então Eh queria saber tipo também você vê hoje Em dia eh Você consome muito mais bruxo acho que do que eu então você vê hoje dia um uma oportunidade maior de subverter essa essa maldade que tinha lá atrás exemplo de TV tipo American hor Story Coven traz
as bruxas ali numa situação de maior poder elas ali super empoderadas e sem alguém lá no controle cer sim Nossa que bom que você lembrou de American Horror Story a minha Temporada favorita eu não falei delas eh eu eu já consumi mais Bruxas eu vou Ser bem sincera depois que eu terminei o doutorado eu entrei num momento em que eu termino de trabalhar e eu só quero assistir bobagem aí assisto S Reality Show tipo casamento as cegas essas coisas só só assisto isso gente agora eu tô numa da Netflix que é aquele do é bolo
lá se é se é o objeto é bolo ou não eu fico com o meu marido a gente fica assim é bolo não número um é bolo então assim né porque as pessoas acham que eu só assisto cinema de horror Mas Eu também assisto porc cariada Não se preocupem com isso só jogo de futebol que eu não assisto mais porque meu time caiu praa segunda divisão e eu me recuso a falar sobre isso mas mas eh o Rua do medo é um ótimo exemplo Que bom que você trouxe porque ele é um filme mainstream Tipo
ele foi disponibilizado em uma plataforma gigante que é a Netflix eh ele movimentou assim eu acho que a época em que ele foi lançado foi sensacional Porque era época da pandemia ninguém tava saindo de casa quase indo no cinema e ele fez assim um todo mundo parou para assistir os Três Filmes né e eu acho que nisso o Rua do medo ele ele tem uma certa mudança porque todo mundo já assistiu R do medo aqui eh porque ele brinca com a gente ele pega esses estereótipos da Bruxa Má e ele fica jogando o tempo inteiro
e depois ele fala não pera aí a bruxa não é a a o vilão que você achava que ela Era sabe então eu acho que talvez a gente encontre essa ressignificação até em produtos mainstream hoje em dia né e isso é muito fruto também do um feminismo de terceira quarta onda que é um feminismo que tá cada vez mais online que permite essas trocas e que as pessoas estão cada vez mais conversando e significando essas ideias né então que bom que você lembrou do R do medo porque eu acho que ele tem muito disso também
e o próprio American Horror Story né Apesar dele trazer ali muito uma representação das bruxas assim né tipo tem tem até uma ril vô né eu gosto como ele traz assim a bruxaria do lado do Vodu né então também mostrando que isso também também entra no que você falou né Por mais que poderia até ter dado mais protagonismo para ela eu acho que eles poderiam ter usado mais mais dela mas também é uma série porque as bruxas ali Elas não não são demoníacas né Elas não são elas têm esse passado ancestral Porque a série até
brinca com brinca não a série até fala pra gente né que elas são descendentes de Salém mas elas não têm essa busca por poder destrutiva elas não são uma ameaça à ordem natural como as bruxas que a gente viu aqui né então eu acho que são Nossa são dois exemplos muito bons pra gente pensar de como essa essa Nova Visão da bruxa ela também tá no nos no mainstream né ela tá caminhando né Mas eu sempre digo sobre qualquer tipo de representação a gente Não tem uma vitória uma derrota né a gente caminha dois passos
paraa frente um Para trás dois passos paraa frente um para trás então é muito reveses né a gente Às vezes tem épocas melhores de repente cai de novo nessa bruxa am destrutiva que só quer acabar com tudo né então eu acho que nunca a gente a gente sempre tá numa rede de avanços e retrocessos gente a gente tem espaço para mais uma pergunta Só porque nós temos ar alguém mais quer perguntar e Agradecer gente falar assim que tô aberta também para dúvidas eh entre em contato também na internet se quiserem ah referência eu não coloquei
tudo aqui porque não dá para anotar também né mas eu tô sempre aberta a diálogo e é isso assim espero que tenha sido legal que vocês tenham gostado que tenha trazido uma uma abordagem diferente do que a gente tá acostumado a gente que agradece Obrigada G acabou gente é só lembrando né não Deixem de vir na última semana ainda tem muito filme legal para passar eh as sinopses estão todas lá no site tanto da amostra quanto do CCBB acompanhe Tá bom obrigada presença