Olá, meus amigos! Tudo bem? Bom dia para vocês!
Espero que todos estejam em paz. Hoje, com mais uma meditação estóica, dia 22 de janeiro, é a meditação de hoje extraída das Cartas Morais de Sêneca. Ela vai muito no sentido da meditação de ontem, do dia 21 de janeiro, na qual falamos sobre o ritual matinal, né?
Com aquelas perguntas propostas por Epicteto. Essa é uma prática muito estimulada pelos estóicos tardio-antigos, Sêneca e os outros que cá estamos lendo, exatamente para que a gente possa verificar a nossa evolução, onde nós estamos errando, para que a gente realmente traga essa filosofia para o nosso dia a dia. O que costuma acontecer com muita frequência entre as pessoas que leem estoicismo, leem epicurismo e se interessam pelas coisas da filosofia prática de modo geral, é que elas se ocupam dos livros, se ocupam das reflexões, mas muito constantemente não trazem isso para as suas vidas, porque realmente é difícil trazer isso pra a vida.
Não é uma coisa banal. Hoje mesmo eu estava pensando sobre isso, né? Eu estou aqui conduzindo essas leituras.
Eu sou um professor de filosofia há 25 anos, afinal de contas, um quarto de século mexendo com filosofia, e sinto enormes dificuldades em trazer essas lições cotidianas para o meu dia a dia. Eu frequentemente me pego em situações nas quais me entrego a certas emoções ou a certos comportamentos, a um certo modo de pensar que está fora do que eu estou propondo aqui, do que é motivo de reflexão. E aí logo eu me corrijo, logo eu me retraio e me recomponho, e reponho aquele pensamento, e as coisas vão se ajustando.
Então, é um aprendizado constante que só vai acabar no dia da nossa morte. Então, não adianta a gente imaginar que estamos indo para algum lugar, que vamos atingir o topo, e dali a gente não sai nunca mais. Não é um aprendizado constante, mesmo para quem, como eu, faz isso profissionalmente, vive das coisas da filosofia.
Pois bem, a revisão do dia é o título da meditação de hoje, de Sêneca. Cito Sêneca: "Manterei constante vigilância sobre mim mesmo e, muito proveitosamente, submeterei cada dia a uma revisão. " É muito legal porque ontem nós falávamos de Epicteto, dizendo assim: "Quando você acordar, faça essas perguntas, né?
Proponha-se essas perguntas. " Mas não é apenas ao acordar ou dormir, sei lá, em qualquer momento do seu dia, fim do dia, começo do dia, porque é isso que nos torna maus. Nenhum de nós rememora a própria vida.
Então, rememorar a vida, exatamente na medida em que isso pode servir de substrato para a gente se recolocar na vida, é algo muito interessante. Refletimos apenas sobre o que estamos prestes a fazer. Entretanto, nossos planos para o futuro provêm do passado.
Nesse sentido, de passado, não como algo que eu carregue como lamento. "Ah, puxa, lá há dois anos eu deveria ter feito isso. Por que eu não deveria ter casado com essa pessoa?
Por que eu não deveria ter aceitado esse emprego? " Não é nada disso. O que passou, passou, mas que isso se torne extrato de pensamento para que você entenda os próximos passos e não saia por aí de maneira atropelada, cometendo novos erros que poderiam ser, em muitos casos, facilmente evitados se você tivesse parado para meditar um pouquinho mais.
E não é só meditar a respeito; é se dar ouvido. No momento em que você compreende racionalmente determinado ponto, não ser hipócrita e não começar a negociar com isso que você compreendeu, porque isso também acontece. "Eu sei a resposta, eu sei o melhor caminho, eu meditei a respeito, mas as minhas emoções estão dizendo que eu devo ouvir o meu coração.
" Você está tentando arrumar uma desculpa ferrada para contrariar aquilo que você racionalmente entendeu. E isso não é nada bom para você. E você sabe do que eu tô falando, porque certamente na sua vida você já tomou uma decisão dessas idiotas, tipo: "Vou ouvir o meu coração," quando a razão estava te guiando em sentido completamente diverso.
Você ignorou isso e se ferrou, ao final, merecidamente. Você sabe que fez por onde merecer. Isso já aconteceu comigo e certamente já aconteceu com você.
Dá para evitar. Portanto, numa carta, agora os comentários aqui dos autores, né? Numa carta, seu irmão mais velho, Novato, Oi Thales!
Quer falar bom dia pros meus amigos aqui de novo? Vem cá falar bom dia para todo mundo! Oi, pessoal!
Bom dia! Eu sou o Thales, o amigo do papai, que fico acompanhando ele o tempo inteiro em tudo que o papai faz. Papai vai para um lado, tem o Thales.
Papai vai para outro, eu estou aqui. É o grude. Papai pode terminar aqui?
Obrigado! Eu te amo, papai! Vai terminar?
Um minutinho aqui. Então, o comentário dos autores: numa carta, seu irmão mais velho, Novato, descreve um exercício bom que pegou emprestado de outro proeminente filósofo, que, no fim de cada dia, fazia a si mesmo variações das seguintes questões: "Que mau hábito reprimi hoje? " Olha que legal!
Ontem nós estávamos vendo algumas perguntas importantes de Epicteto e agora ele está propondo uma reflexão de fim do dia que dialoga muito com aquelas perguntas propostas por Epicteto. Que mau hábito reprimi hoje? Em algum momento, eu deixei de repetir um comportamento que era para mim habitual porque entendi que aquele comportamento era ruim para mim.
Como estou melhor? Eu consegui melhorar aquele 1%, aqueles 2%. Minhas ações foram justas.
E daí, não é só uma questão de justiça com o outro. Eu fui justo comigo, com as minhas convicções, no sentido de que essas convicções, racionalmente meditadas, eu as levei a sério. Consideração: Como posso melhorar?
Como posso ser uma pessoa melhor? No início ou no fim de cada dia, o estoico se senta com seu diário e revisa o que fez, o que pensou, o que poderia ser melhorado. É por essa razão que, por exemplo, as Meditações de Marco Aurélio compõem um livro difícil.
Muita gente fala assim: "Pô, eu comecei a ler as Meditações de Marco Aurélio, mas não entendi muito bem", porque é um exercício do Marco Aurélio em relação a ele. Claro que, dali, a gente vai extrair elementos universais, mas é muito ele falando com ele mesmo. Cuidado com isso, cuidado com aquilo!
Atenção! Olha que você escorregou, seja melhor! Então, tomar notas pode ser um exercício muito interessante para você perceber com maior nitidez os erros, os desvios, e também para verificar a sua evolução, o seu processo de aperfeiçoamento.
Então, fazendo um esforço de registrar tais pensamentos, continuam os autores, você fica menos propenso a esquecê-los. E aí voltamos ao começo do meu comentário, que é levar a sério esses elementos de reflexão que constantemente nós fazemos, mas não trazemos para a vida; deixamos ali no mundo da teoria. E aqui não é o mundo da teoria.
O ponto da filosofia helenística não é a especulação pela especulação, o conhecimento pelo conhecimento, como acontecia numa filosofia anterior, a filosofia clássica: a filosofia de Sócrates, Platão, Aristóteles. Nessas filosofias, havia um elemento muito forte de conhecimento pelo conhecimento, especialmente em Platão e Aristóteles. Não só isso; existia, claro, uma dimensão prática de certa parte da filosofia desses pensadores, mas existia uma outra parte da filosofia desses pensadores que era o pensamento pelo pensamento, o conhecimento pelo conhecimento.
E aí vai lá para a metafísica, vai para outros aspectos da história da filosofia. Aqui, na filosofia helenística, no estoicismo, assim como no epicurismo, no ceticismo, ah, no cinismo, o que nós temos? Filosofia é refletida e vivida, refletida e vivida.
Pensa aí a respeito. Beijão para vocês e a gente se encontra aqui amanhã.