Mas essa relação tira de mim o que eu tenho de pior, é porque a gente não funciona bem juntos. Às vezes a gente ama verdadeiramente uma pessoa, a gente é verdadeiramente amado por esta pessoa, mas a gente sabe que não dá certo. É que se criou um modelo de relacionamento e que faz de conta que todo mundo calça 41 e que todo mundo cabe nesse sapato. Não adianta querer fazer de conta que é porque não é Porque a gente tem uma subjetividade e é isso que me parece que tem sido cada vez mais negados. Sabe?
E esse modelo é falso, sempre foi, sempre se mentiu dentro de relacionamentos. Amar é ser capaz de suportar o Estamos começando mais um Lots Podcast. Hoje eu tenho a honra de receber o psicólogo Marcos Lacerda. Muito obrigado, cara, por ter aceito o convite. Finalmente deu certo receber. >> Ah, deu certo. Eu tô bem feliz. Eh, Cara, tava te falando em off ali, mas até pro pessoal saber, a gente tem alguns umas alguns nomes assim de convidados que são a galera pede muito, né? E vem sem ref nos últimos anos, né? E o seu era um
deles, assim, eu colocaria ali no top cinco com certeza de nomes que a galera manda. >> Olha a responsabilidade, né? Sobre minhas costas. Vamos ver, >> cara. Mas vamos lá. Você é psicólogo clínico há mais de 30 anos, não é isso? >> Uhum. escritor, criador ali do canal nós, nós da questão, da questão. Isso, não sabia se era nós em questão, nós da questão. >> Nós questão. >> Mas então você tá você dedicou sua vida ao tema da da mente humana, né, da saúde humana, do amor e tudo mais. >> Dediquei. Eu não era para
ser isso, era para eu ser médico. Eu fui criado para ser médico, porque o meu avô, ele foi um dos fundadores da Faculdade de Medicina Da Paraíba. É porque eu sou de João Pessoa. Esse sotaque não nasci em São Paulo. Hoje moro em São Paulo, mas eu sou nordestino. Então eu fui criado para ser médico e aos 16 anos eu já tava dentro do hospital. Eh, meu avô já tinha morrido quando eu nasci. Meu meu avô morreu em dezembro de um ano. Eu nasci em dezembro do ano seguinte. Esse que era médico e eu fui
criado para ser médico. Então, naquele tempo, bom, eu sou pré-histórico, né? Se Podia muita coisa que hoje não se pode mais. Eu sou eu sou do tempo, por exemplo, que uma moça seminua fazia programa infantil, né? Hoje em dia não dava mais, mas nos anos 80 isso podia. Então, eh, aos 16 anos eu já tava dentro do hospital vendo cirurgia, acompanhando. E aí, nessa coisa de cirurgia, de acompanhar, de ver os médicos fazendo, eu comecei a me interessar pelos pacientes da enfermaria. Olha, >> que antigamente não existia SUS. O povo fala do SUS. SUS é
uma maravilha. Antigamente tinha o INPS, depois virou INAMPS. Era outra história e não era para todo mundo não e era muito precário, era muito difícil. Então eu come eu comecei a observar que as pessoas da enfermaria, se o médico desse alta pela manhã, elas não saíam do hospital, elas só saíam à tarde. Aquilo me chamava atenção. E aí eu fui atrás de entender e aí eu percebi que Elas só saíam à tarde porque elas queriam almoçar. Caraca, era fome. E aí eu comecei a escutar as pessoas nas enfermarias. E aí eu comecei a me dar
conta de que para além da dor física das pessoas, tinha uma dor na alma daquelas pessoas que me interessava. >> Que que elas falavam ali para você? >> De uma série de problemáticas. Mas assim, a minha grande escola foi, eu Comecei a escutar nas enfermarias das pessoas e como eu sempre tive amigos de de diferentes áreas e amigos mais velhos, eu tinha amigos psicólogos e eu tinha uma amiga em especial que ela faz, ela era psicóloga e ela fazia um trabalho no leprosário, porque eu sou do tempo que a lepra não tinha cura e quem
tinha lepra era colocado nos leprosários, que eram fazendas afastadas de tudo e onde essas pessoas viviam isoladas lá, elas tinham Casas, era uma era uma pequena cidade de para leprosos. >> Caramba, cara. >> Sabia que existia isso não? >> Ah, pois é. Então, era assim, antes da lepra ter cura, era assim. E essa psicóloga ia e eu resolvi que queria ir também ajudá-la com os leprosos, embora a lepra não tivesse cura. E eu passei aí, eu não tinha medo de pegar lepra. E ali eu aprendi muita coisa, porque antigamente os leprosos quando não Tinham cura,
a lepra ia lhe deformando e ia lhe comendo com o tempo, porque era uma era uma bactéria. Então os dedos comia as mãos, o olho era um buraco, as orelhas eram comidas, a lepra ia comendo, as pessoas eram monstros deformados, vamos dizer assim. E no leprosário, acho que foi o lugar que eu mais aprendi sobre amor. Eu conheci um velhinho, um senhor que passou a vida lá no leprosário, ele me disse, ele me contou uma seguinte História, que ele quando tinha 18 anos, ele estava para casar. Ele tinha encontrado o grande amor da vida dele.
E aí ele foi diagnosticado com lepra. E aí ele chegou paraa noiva dele e disse: "Eu vou embora pro lep rosário". E ela disse: "Eu vou com você". Ele disse: "Não, se eu lhe amo, eu não posso permitir que você vá comigo. É porque eu lhe amo que eu não vou deixar você ir comigo." E isso para mim definiu o que era amor. Amor é isso. Amor é deixar livre. Amor é querer o bem do outro para além do meu. E ele passou a vida inteira, envelheceu no leprosário até morrer. >> Caramba, cara. Então eu
fui >> ali foi um ponto que você lembra que foram as primeiras faíscas assim que foram te interessando. >> Porque eu descobri que eu me interessava pelas pessoas E sobretudo eu fui compreendendo que as pessoas são muito maiores do que a biologia, são muito maiores do que a anatomia. A gente é muito maior do que isso. Embora hoje em dia esteja na moda se tentar fazer uma colagem de pegar ciências naturais e fazer uma sobreposição com ciências humanas, mas isso não funciona. >> Por que você acha, cara? Porque se tenta fazer isso e se tenta
Dizer que tudo se explica pelo cérebro e que tudo se explica por questões neuronais e que tudo se explica pela bioquímica e que é quase como se eu pegasse a ciência natural e tentasse fazer ela colar na ciência humana. Acontece que eu sou muito maior do que a minha biologia. Então, por exemplo, ao nível do mar, em qualquer lugar do planeta Terra, ao nível do mar, a água ferverá a 100º. Ponto. Isso é essência natural. Isso é Irrefutável, não há o que fazer. Mas aí querem fazer a mesma coisa com os humanos. A gente não
funciona assim. Você pode pegar dois seres humanos com os mesmos sintomas, os mesmos. Você pega um homem que ele tá com eh ele não come, ele não dorme, ele chora muito, ele sente um aperto no peito, ele tá, enfim, você pega todos os sintomas clássicos de depressão e esse Homem tem todos esses sintomas clássicos de depressão. E você pega uma mulher que também tá com os mesmíssimos sintomas. Você pode ter duas pessoas com os mesmos sintomas, né? Então assim, tudo tá lá, >> aparentemente tudo igual, >> não é? Tudo igual. A sintomatologia é igual, só
que esse daqui tá em depressão porque ele perdeu o emprego e ele não tá conseguindo sustentar a família dele. E Essa mulher tá em depressão porque assassinaram o filho dela de 5 anos de idade. É a mesma depressão? Não, >> pra medicina é >> vai colocar ali no DCM5 que é a mesma coisa, né? >> E vai dar o mesmo remédio e vai ser a mesma medicação. Não é a mesma depressão. Não adianta querer fazer de conta que é porque não é porque a gente tem uma subjetividade. E é isso que me parece que tem
sido cada vez mais negado, sabe? tem se querido fazer de conta que o homem é uma máquina e que ele funciona assim e que vai ser assim. Não sei se vai. Não sei se vai. É por isso que fórmulas não funcionam. Eu tive um grande mestre, um grande mentor na universidade que era um, foi um grande psicólogo e um grande psicanalista, já é falecido, ele era até português, Luís Maia, um homem de uma sensibilidade incrível. E quando eu Comecei a atender na faculdade, eh, e ele era meu supervisor, certa vez ele me disse uma coisa
que eu demorei, eu demorei algum tempo para entender o que ele quis dizer. Certa vez eu levava os casos para ele e eu estudava, eu fazia anotações e essa coisa toda, né? bem analítico, >> bem analítico. E um dia, numa supervisão, ele olhou para mim e disse assim: "Você precisa ser mais burro. Você vai ser um bom profissional quando você for mais burro." E aquilo foi um choque para mim, porque aquilo não fazia o menor sentido. Como é que alguém dizia para eu ser burro que eu ia ser o melhor profissional quando eu fosse burro?
Mas ele era desses. Ele jogava e você que se vire para entender, porque o problema é seu. Entenda. Eu demorei, mas eu entendi o que ele Quis dizer. O que ele quis me dizer é que eu estava sabendo muito a respeito dos meus pacientes. >> Hum. Ou seja, eu estava teorizando demais os meus pacientes, estava esquecendo de escutar a subjetividade do meu paciente. o meu, a, a, que a teoria que eu sei, ela deve atravessar a minha lógica, mas eu não tenho que enfiar o meu paciente dentro da teoria, porque o paciente do livro é
diferente Do paciente ao vivo, porque o paciente do livro não chora, o paciente do livro não tem contradição, o paciente do livro não tem história. E a pessoa na sua frente tem. E se você quer escutar bem uma pessoa, seja burro ao escutar essa pessoa. E aí eu comecei a perceber que às vezes eu deduzia coisas. Ah, fulano está dizendo isso porque tem raiva do pai, por exemplo. >> Isso é uma estupidez. Por mais que pareça ser isso, seja burro, pergunte. Você tá dizendo isso porque você sente raiva do seu pai? Às vezes vai coincidir
de ser o que você tá pensando, mas às vezes ele vai lhe dar uma resposta completamente diferente. Às vezes você tá escutando ele falar e é, ele odeia. Esse é o mod imenso que ele tem do pai. E quando você diz, então você acha que você tem raiva do seu pai? É isso? E aí ele diz: "Não, eu tenho uma saudade imensa, né?" >> Caraca. >> Então eu aprendi que eu precisava ser burro. Quem tem que me guiar é o meu paciente. É por isso que todas essas fórmulas prontas de coaches e dessa coisa toda
é risível. Faça isso que ela volta para você. Faça aquilo que fulano nunca lhe deixará. Cada um tem uma subjetividade. Tem pessoas que se você demorar a responder o uma mensagem, ela vai ficar aflita, vai ficar mais interessada em você. Tem outras como eu que se você não me responder eu lhe deleto da minha vida. Qual a tranquilidade dos santos? Não, nenhum problema. Tem pessoas que se você se mostrar enigmática, elas querem descobrir aquele enigma. Eu, se você se mostra enigmado, Nenhum interesse, nenhum. Mas isso quer dizer, o que eu tô querendo dizer com isso
é que não há uma regra. >> Sim, >> cada um vai responder de um jeito, cada um vai responder de uma forma. >> Bom, pessoal, desculpa interromper esse episódio, mas deixa eu só apresentar algo muito legal para vocês, que é a Eita. A eita é uma IA, um contato no WhatsApp, na verdade, que eu conheci Aqui no programa, durante um programa ao vivo que a gente fez com a Ana Cláudia Zani. Eh, foi muito interessante porque ela usou tudo que ela aprendeu sobre neurociência e psicologia e eh todos os os métodos, as coisas que ela
entendeu sobre a mente humana para poder criar esse contato ali no WhatsApp, que você pode conversar. E a ideia é que ela seja uma mentora mesmo, uma amiga, assim, para você conversar sobre essas questões de saúde mental que hoje todos nós Vivemos alguma coisa, né? Então, só para vocês verem como é que funciona, né? Então, vocês verem aqui, é um contato no WhatsApp mesmo. Eu posso gravar um áudio para ela ou então eh escrever aqui com ela e começar uma conversa, né? Óbvio que não é não tem o propósito de substituir um psicólogo, substituir um
terapeuta, não é essa a intenção, mas de ser justamente uma mentora, um amigo para você poder conversar aqui sobre e por acaso um amigo muito bem treinado eh Sobre essas questões. Então eu vou mandar uma aqui que tem a ver com esse episódio que você tá assistindo sobre o amor. Eh, vamos pensar aqui numa, tá? Já sei. Eita. Como saber se eu estou num relacionamento tóxico, por exemplo? Então, gravei aqui um um áudio para ela. Eu poderia eh me abrir para ela sobre qualquer tema que eu queira me abrir, porque tem ela é segura, é
privada, você não vai ter Perigo em ter nada ter o vazado. Só para vocês saberem, durante esse mês de janeiro ela rou uma promoção muito legal. Então, se você pegar o plano anual, sai apenas por mês, né, R$ 14 por mês. Então, você consegue acessar e ter, conversar com a Ito, se você quiser, por apenas R$ 14 por mês, se você pegar o plano anual. E caso você queira experimentar, o link tá aí na descrição e no Qcode também. Vamos ver o que que ela ã o que que ela respondeu aqui. >> Lots um relacionamento
pode ser tóxico quando você sente que está sempre pisando em ovos. Não pode ser você mesmo ou percebe que a outra pessoa controla, diminui ou manipula suas escolhas e emoções. Normalmente vem junto aquela sensação de culpa ou medo de desagradar o outro mesmo quando não faz nada errado. Um sinal clássico. Se depois de encontrar ou falar com a pessoa, você se sente pior, confuso, drenado ou questionando muito o seu valor. Também Vale perceber se você mudou o seu jeito natural só para evitar conflitos. Te faz sentido algum desses sinais? Quer contar como anda se sentindo
na sua relação? Bom, então você consegue e o que que é legal da Ita, que eu acho, né? Ela sempre faz uma pergunta no final ou ela sempre tenta continuar a conversa e aprofundar nos temas, sabe? Isso é uma das coisas do método da Ana. Então, eh, para quem quiser experimentar, o link tá na descrição, se pessoa se não me Engano, se eu consegue experimentar por 24 horas ali de graça, mas caso você curta, aproveita durante o mês de janeiro essa promoção que tá rolando. É, se você pegar o plano anual, fica apenas R$ 14
por mês. Beleza? O que que você acha que as pessoas mais entendem errado sobre o amor? Seja lá o que isso significa que acho que é até legal a gente aprofundar nisso, mas que que elas mais entendem errado assim? Olha, elas entendem tanta coisa errada Porque o amor, o amor tal como é construído, ele é construído em cima da ideia do amor romântico, né? Esse amor romântico, eu morro por você e você por mim. Bom, isso podia fazer sentido no tempo de Machado de Assiso até antes dele, mas não não é assim que funciona. Amor
é um aspecto da relação e a até os 15, 18 anos de idade, vá que a gente imagine que amar é o bastante. Amar é um aspecto da relação. É, depois Que a gente fica adulto, a gente entende isso. Talvez, não sei se você já teve a infeliz oportunidade de viver isso, mas a gente às vezes a gente vive. Às vezes a gente ama verdadeiramente uma pessoa, a gente é verdadeiramente amado por esta pessoa, mas a gente sabe que não dá certo. Não é amor que tá em questão, é porque a gente não funciona bem
juntos, embora a gente se ame. Que >> funcionar bem juntos, cara? a gente tira um do outro que o outro tem de pior, né? Às vezes a gente ama muito uma pessoa e é muito amado por essa pessoa, mas mas essa relação tira de mim o que eu tenho de pior, de pior mesmo. E aí é um outro erro que as pessoas cometem de achar que, ah, fulano foi assim, fulano não é uma boa pessoa. Entenda sempre a gente como elementos químicos. Se eu pego o elemento químico A e junto com o elemento químico B,
eu posso ter um veneno. Se eu pego o mesmo elemento químico A e junto com elemento químico J, eu posso ter um perfume. Então, eu sou muito de com quem eu me misturo, porque eu tenho tudo de bom e tenho tudo de ruim dentro de mim. E a gente acha Que a gente é sempre muito bonzinho e que o outro é muito, muito mau. Eu tenho tudo de bom e tudo de ruim dentro de mim. Hum, hum. Eu sou capaz de fazer o que qualquer nazista fez e você também. E há experimentos, os experimentos de
1000, por exemplo, mostram isso, que qualquer pessoa pode fazer o que um nazista fez. Então vamos assim ter uma visão um pouco mais menos romântica do que é amor. Agora eu tenho uma definição de amor que Eu gosto. >> Amar >> é ser capaz de suportar o mal-estar que a diferença do outro provoca em mim. Porque a gente não quer diferença, né? A gente quer que o outro atenda todas as minhas expectativas, que o outro seja o que eu espero, que eu não dá. Eu não vou amar nunca. Eu tenho que suportar o malestar que
a diferença do outro provoque em mim. >> É muito interessante isso, cara. Aí você Foi falando, eu fui lembrando assim de momentos onde eu talvez tenha agido de uma forma que eu não acheo certo, que eu não não acho que seja interessante e e ter me martirizado. Assim, eu entendo que eu eu acho que é interessante às vezes a gente se martirizar de algum nível, mas muitas vezes é o ambiente ou são as pessoas que vão eh florescer esse lado teu, né? É o a é todo um contexto, não tô falando que a culpa é
do outro, mas é todo um contexto Que tá ali que vai florescer um lado bom seu, um lado mais adoecido. >> Sim. >> Agora nós temos lados horrorosos. Sim. >> Horrorosos. E é preciso que se diga isso porque as pessoas tendem a achar que é só o outro. >> Com certeza. >> E todo mundo acha que o outro é muito complicado e que o outro é muito difícil, que eu sou muito fácil. Era o Que faltava. Não, não, não. Então assim, começa a sair um pouco dessa posição de juiz, né? Porque a gente sempre quando
passa por uma injustiça, a gente se bota muito na posição de juiz, né? Como você pode fazer isso comigo? Se você não já fez igual, já quis fazer, sim. Ou poderia ter feito, né? >> Perfeito. >> Mas as pessoas sempre quando são Traídas, então meu Deus, você sobe no pedestal como se ela tivesse muito diferente daquela que traiu, né? >> Que que você acha disso? >> Do quê? do fato da pessoa se sentir moralmente superior ali, sabe? Por ter sido a pessoa traída e não a que traiu. Acho que ela é idiota. Porque se eu
fosse a pessoa que tivesse traído, eu olharia pra pessoa que tava nessa posição e diria ela o seguinte: "Olha, deixa eu te falar uma coisa. Eu nunca Vou poder provar isso que eu vou dizer agora, mas se você nunca fez o que eu fiz, você já teve vontade de fazer, tá? Então você não é tão diferente de mim assim. E se a gente começa a olhar pro outro no pé de igualdade melhor, eu não estou dizendo que trair é é virtuoso, não, absolutamente. Eu só estou dizendo que quem trai tá sendo mais humano dos humanos.
E essa pessoa poderia ter sido Eu. Eu erro, o outro erra. E a gente precisa ver o que é que a gente vai fazer com esses erros. sem grandes julgamentos morais nessa história, sobretudo sem grandes julgamentos morais. >> Eu entendo, >> tá? Eu entendo. Eu vou fazer uma provocação, mas eu acho que eu concordo com você, >> mas só pra gente levantar essa bola. Mas Você acha que talvez não falte uma empatia do lado da pessoa que foi eh que traiu por, sei lá, às vezes você poderia só terminar com a pessoa antes ou não,
porque existe uma relação de confiança que foi criada ali, né? Existe, existe. Acho que a pessoa deveria ter feito diferente. Acho que na hora que você assume uma coisa e você descobre que não vai mais poder assumir essa coisa, você precisa comunicar o outro para que o outro Decida se quer tá nesse jogo ou não. Isso tudo eu concordo. Mas eu também não, mas eu também sou capaz de compreender que às vezes há coisas que fogem completamente ao nosso controle, completamente. Então assim, é a mesma coisa, entende? É a mesma coisa de alguém >> que
diz assim: "Ah, que absurdo, fez sexo sem camisinha". como se A gente fosse algo programado, né? De repente você tá numa determinada situação e que você chega num ponto que você nem pensava que ia chegar naquilo e quando vê já foi, amigo, porque tem uma força que toma conta dentro de você e vamos lá e vai. E não estou desresponsabilizando, eu apenas estou dizendo que o eu não é senhor da própria casa. Eu não me autorregulo tanto quanto acho que me autorregulo, não. Eu não mando em Mim tanto quanto acho que mando, não. Então, sim,
é muito bonitinho na teoria dizer: "Eu deveria ter feito assim". Mas quando a gente tá no olho do furacão das coisas, às vezes tem coisas que me escapam, há movimentos inconscientes, há uma série de coisas. Tens que perfeitamente o que você quer dizer, >> né? >> Às vezes a gente tá, sei lá, tentando fazer uma dieta e aí vai lá e pede um uma coisa que você nem queria pedir de Verdade, mas naquele momento as coisas só acontecem. Você tá numa loja e você só compra uma coisa porque você nem queria de verdade, mas você
foi sendo levado por aquilo. >> O eu não é senhor da própria casa. E a gente precisa entender isso, não é? O eu não é senhor da própria casa. Então, na hora que eu entendo isso, eu passo a me perdoar mais e passo a ter mais tolerância com o outro também, porque o outro é só humano, só isso, Nada além. E sobre o perdão, assim na na questão da traição e talvez a pessoa eh continuar junto ou não, como é que você vê na clínica isso acontecendo? É, essa é uma outra questão. Eu recebo, o
canal recebe muitas, muitos e-mails, muita mensagem e as pessoas tão sempre procurando a resposta fora. E eu acho muito interessante porque aí às vezes as pessoas escrevem um e-mail enorme narrando uma situação, aí no final faz Assim: "O que eu devo fazer? E eu sei o que é que tu deve fazer, criatura, mas parece que elas esperam que o psicólogo funcione como tarólogo, como astrólogo ou qualquerólogo assim. Eu perdoo ou não perdoo uma traição, eu isso ou aquilo, não sei não. A questão não é essa. A questão é o que é que essa traição significou
para você? Como é que isso entra dentro da sua estrutura psíquica? Porque às vezes você até quer continuar a relação. Você quer, mas você não consegue porque não dá para você, por questões internas suas. >> Às vezes para você isso é possível. Às vezes, eh, eu gosto muito do exemplo de uma paciente. Certa vez uma paciente me disse uma coisa que eu compreendo perfeitamente o que ela tava dizendo. Ela disse: "Não estou interessada se meu Marido sai com outras mulheres. Não vou atrás de saber disso. Isso não é uma questão. Não estou interessada nisso." Se
ele quiser transar contra mulher, trans? Não, não quero saber disso. Isso não é um problema para mim. Problema para mim é se ele assistir nossas séries com outra pessoa. E eu entendi o que ela tava querendo dizer. O que ela tava querendo dizer é que para ela sexo é uma bobagem, mas intimidade Tem um peso muito grande. Então quando ela fala das séries, ela tá dizendo: "Tem uma intimidade aqui que é só nossa, que eu não aceito que outra pessoa entre." Mas sendo bem objetivo, você pode fazer sexo com alguém com quem você não tem
intimidade, com que você não tem sentimento nenhum, inclusive. Tudo bem, isso para ela não é um problema, mas a série não. Então o que ela tá Dizendo é ele divide lá o pinto dele com quem ele quiser. Eu não tô interessada nisso. Agora, intimidade é comigo. Então entende que cada subjetividade é uma subjetividade. O que é para um não é para outro. E aí aqui entra, voltando à história do amor, algo bem ruim. é que se criou um modelo de relacionamento e que faz de conta que todo mundo calça 41 e que todo mundo cabe
nesse sapato. Eu costumo dizer que existem tantos Tipos de relacionamento no mundo quanto casais. Cada um invente o seu, como é a sua forma de se relacionar. E isso é de casal para casal. E vocês têm que ter essas regras claras e essas regras podem mudar com o tempo e mudam. >> Perfeito, >> tá? Porque a gente muda com o tempo. Os gostos da gente mudam com o tempo. Coisas que a gente suportava num tempo, No outro a gente não suporta mais e por aí vai. Nossa, não tem nada mais real do que isso. Quando
você fala de amor, isso de que eu gostei muito disso, que cada casal gera um novo modelo de relacionamento. Não tem como a gente buscar um modelo pronto. >> Mas se fica querendo o modelo que a sociedade disse que é. E esse modelo é falso. Sempre foi, sempre se mentiu dentro de relacionamentos E se mentia muito mais porque antigamente a mulher tava submetida a isso. Minha avó não tinha escolha. Inclusive tinha aquela história, casou, você não volta mais pra minha casa, resolva com seu marido, né? Mulher não tinha escolha. Então, se o marido fosse bom,
não fosse, traísse, não traísse, hoje em dia as mulheres podem escolher. E aí os homens estão vivendo uma grande crise por causa disso. E aí é por isso, e aí vou dizer uma frase, Se botarem no corte, vão me cancelar. É por isso que existem os redel, né? esse todo esse movimento antifeminista, anti não sei o quê. E porque as mulheres e porque é uma mulher rodada, uma mulher usada, uma mulher que eu que beijou tantos que não sei o quê. O que as pessoas não entendem é que os homens eles ficaram presos a um
modelo antigo e eles estão vivendo uma crise de identidade. Porque até meu pai, que não precisa nem Pro meu avô, meu pai, até o tempo do meu pai, não, até o meu tempo mesmo, quando eu era jovem, mas vamos botar meu pai. Até o tempo do meu pai, todo homem sabia que quando ele crescesse, se ele quisesse ter uma esposa, ele teria. Ponto final. Todo homem, se quisesse ter uma esposa, ele teria uma esposa e teria filhos com a esposa. Hoje não é mais assim. Hoje em dia as mulheres podem escolher. Hoje em dia as
mulheres podem dizer: "Não quero um homem assim, não. Não, não quero um homem que que não trabalha o suficiente ou não, não quero um homem de tal jeito, não quero um homem e com de barriga ou o que for. As mulheres simplesmente podem dizer: "Eu não quero você". Então, nada garante que um homem vai ter uma mulher e ele pode, realmente, dependendo de certos atributos, ser excluído, >> sim, >> pelo grupo das mulheres. Isso deu um nó na cabeça dos homens, porque eles foram ainda educados dessa forma, que todo homem vai ter uma mulher. Se
ele for o provedor, se ele for o caçador, se ele for o rico, se não, ele pode ser isso tudo. E a mulher dizer: "Não quero você, não quero você porque porque seu pinto é fino. Não quero, não é?" >> Sim. Mas não podia antigamente. Antigamente é o seguinte, você queria um Titanic e Deus lhe deu uma barquinha, então reze para ficar bom, porque é isso aí. Não, não. Hoje em dia as mulheres podem dizer: "Não, pera aí. É sobre isso o que fala aquela série que fez tanto sucesso, adolescência, né? Aonde você tem toda
uma coisa do imaginário masculino Sendo sofrendo bullying feito por mulheres. Ah, você é um virgem. Ah, você é não sei o quê. Se >> Quer dizer, as mulheres elas subiram e se igualaram aos homens. Isso se tornou insuportável, porque hoje em dia nada garante que um homem vai ter uma mulher, a não ser que ele rale muito. E aí sempre tem algum tolo assistindo o que a gente tá conversando e vai dizer assim: "Se tiver muito dinheiro, vai ter uma mulher, certo? Se eu tiver muito Dinheiro, sempre vão ter pessoas para eu comprar, sejam homens
ou mulheres, tanto faz. Mas não é disso que a gente tá falando. Eu não tô falando de você comprar a pessoa. Sim, você pode comprar. Tem gente que tá à venda. Tudo bem. Agora não são todas as mulheres que estão à venda, nem são todos os homens que estão à venda. E quem não está à venda, escolhe. Agora, se para você comprar uma pessoa é suficiente, tá bom. Então, tenha muito dinheiro e compre. Se é esse é o a visão de relacionamento. Se essa é a visão de relacionamento que você tem, eu vou ter uma
mulher se eu tiver muito dinheiro. Vai, vai ter uma mulher, se você quiser, você vai ter uma mulher e um homem. Se você tiver muito dinheiro, você compra, não tem nenhum problema. E um não discute com o outro, porque é você que tá comprando. Agora, é isso que você quer pra sua vida? Ah, não. Você quer uma mulher que realmente Gosta de você? Ah, então você vai ter que ralar, você vai ter que se adequar e isso os homens estão tão ressentidos nessa adequação. Aí ficam pegando exemplos minoritários, né? Ah, as mulheres estão com muito
direito. Hoje em dia tem mulher que não presta, vai lá na delegacia e usa a Lei Maria da Penha. Tá, tem, tem mulher que mente, tem mulher que não presta. Mas eu não estou falando de desta mulher. Quando eu falo De mulher, eu estou falando do grupo enquanto estrutura social. E quando eu falo de homem, eu estou falando do homem enquanto estrutura social. Eu não estou falando de um homem específico ou de uma mulher específica. Eu estou falando do grupo. E enquanto grupo, sim, enquanto grupo, as mulheres ainda precisam de leis que protejam ela dos
homens. Precisam. Eu não entendo porque isso é tão difícil de entender para algumas alguns grupos, porque eles parcializam. Aí eles pegam uma mulher que é canalha e que foi lá e que mentiu a respeito e disse que o cara bateu nela quando o cara não bateu ou que o cara estuprou ela quando o cara não estuprou. E aí eles pegam esse exemplo e dizem: "Olha aqui, olha aqui o que são as mulheres". Não, mulher é o grupo, é a dinâmica social. E na dinâmica social a mulher ainda perde. E isso não precisa de partido político.
Você pega os dados do IBGE. Se você pegar os dados do IBGE, você vai ver que homem branco ganha mais do que mulher branca. Mulher branca ganha mais do que homem preto e homem preto ganha mais do que mulher preta. Então você nascer mulher e preta nesta sociedade, você vai ralar muito para ter um espaço, você vai ralar muito. E é muito curioso também as pessoas não entenderem essa Questão racial, porque certa vez eu vi uma pesquisa muito interessante, aonde se perguntava as pessoas se elas achavam que o Brasil é um país racista. Você acha
que o Brasil é um país racista? >> Eu acho que sim. >> Não é? Pois bem, quase 100% das pessoas respondeu que sim, que achava que o Brasil era um país racista. Agora você se acha uma pessoa racista? >> Não. >> Pois é, quase 100% respondeu que não era racista. Como é que pode? Aí a matemática não fecha. Então isso significa que tem um racismo estrutural, um racismo que assumiu o tondo politicamente correto. E aí hoje em dia, ninguém mais vai dizer que preto é é macaco, que preto é não sei o quê, até porque
isso é um crime, não é possível. Mas aí disse o seguinte: "Olha, Ninguém joga futebol como um preto. Eles têm um talento para futebol que é uma coisa. Veja, Pelé, por exemplo, parece que eu tô fazendo um elogio, não é?" >> Uhum. >> Ou então, nossa, ninguém canta. A voz da da do mulher preta norte-americana. Então, é uma voz diferenciada, é uma coisa parece um elogio, não é? Pois é. Mas o que não se Percebe é que eu estou catalogando essas pessoas sempre com habilidades periféricas. Elas são ótimas para jogar futebol, são excelentes cantoras. Mas
para juiz do STF, milhão branco, né? Quantos pretos a gente tem lá? Teve um Joaquim Barbosa e uma vez na vida e nunca mais, né? Então assim, se vai alugiando, a mesma coisa se faz com A mulher. Hoje em dia ninguém mais vai dizer que é mulher para esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque. Ninguém vai dizer isso, não. As mulheres têm uma sensibilidade natural. Elas são mais maternais, elas são mais, né? Elas têm uma coisa muito diferente dos homens. Elas têm uma sensibilidade. O homem é muito mais cartesiano, muito mais lógico. Mulher
não, mulher. E aí não vê que quando eu digo isso, que Parece que eu tô elogiando, eu tô dizendo que para funções de liderança bons homens, porque eles são muito lógicos e mulher muito boa para empacotar, fazer pacote. Ninguém faz um pacote numa loja com uma mulher, né? Então a gente bota mulher para empacotar. Mulheres elas são boas. Na hora que eu faço essas distinções, e veja, são distinções que são feitas como distinções naturais. Uhum. >> naturais, quer dizer, dadas pela natureza. Não foi. São distinções sociais. >> É assim mesmo porque as mulheres são educadas
assim, os homens são educados assado. >> Ponto. Se botassem todos os homens para brincar de boneca, de de casinha, de fazer comida, os homens seriam muito melhores. Seriam criaturas bem melhores mesmo. Mas Eu sou do tempo em que se colocava homem para brincar de revólver. Hoje acho que nem vende mais revólver de brinquedo. Antigamente tinha, >> né? >> Era de revólver, era de coisa assim. E as mulheres de boneca, tal. E isso vai definindo papéis sociais, embora isso não esteja sendo dito muito claramente, mas desde o início, alde da da pequena infância, ali, a pessoa
já tá sendo Moldada contraente ter um certo tipo de inclinação. >> Eu não sei se você já viu e esse experimento tem no YouTube. Se você procurar no YouTube, você vai ver. E é de partir o coração, esse experimento eh com crianças, crianças muito pequenas, crianças brancas e crianças negras. E eles botam a criança sentada numa Cadeira, de um lado uma boneca preta e do outro lado uma boneca loira. E aí pergunta a criança: "Qual é a boneca boa? Todas dizem que é a branca. Qual é a boneca feia? Todas dizem que é a preta,
inclusive é uma criança preta. É, é, é de partir o coração. Você vê isso. Quer dizer, você tem uma estrutura social. É isso que a gente tá falando de estrutura, né? De estrutura. Não é uma pessoa, é a estrutura, né? que ensina Isso desde muito cedo. A criança preta aprende muito cedo que o cabelo dela é feio, que o cabelo dela é ruim, está mudando, ainda bem, mas era assim. E as mães alisavam o cabelo da, né, a força. >> Cara, tem um um músico assim que eu sou muito fã assim, ele é ele é
um baixista, ele é preto e ele dá para lançar esse álbum dele, mas ele já cantou essa música algumas vezes, né? dele contando algumas coisas que ele Viveu falando exatamente sobre isso. Então ele aprendeu que o cabelo dele tinha que ter sempre raspado. Ele aprendeu e ele achava, ele se achava feio se ele não, mas aquilo foi implantado. >> Uhum. >> Com algum tempo ele foi entendo, nossa, isso aqui é colocaram isso na minha cabeça, sabe? E aí isso é uma das coisas que ele fala na música, sabe? Então >> eh É muito real isso
que você diz, sabe? Muito real mesmo, cara. É, eu tenho um paciente que vive isso, um rapaz lindo, um rapaz bem-sucedido que estudou, veio da periferia, mas estudou, cresceu, galgou um lugar na vida, mas ele raspa a cabeça porque ele é preto e ele acha o cabelo dele muito feio e e ele toma vários banhos no dia porque ele acha que senão ele vai feder porque tem isso, preto fede, preto isso, preto aquilo, enfim. Enfim, é isso, É isso que a gente fala quando fala de estrutura social, a gente não tá dizendo, aí vem sempre
alguém assistindo o vídeo e diz assim: "Ah, mas o meu vizinho que nasceu na favela, não sei das quantas, ele por esforço próprio foi e conseguiu." Tá certo, mas eu não tô falando do seu vizinho, eu tô falando da massa. E a massa não não consegue, né? Não vai. >> Existe muita a ilusão que as coisas são muito meritocráticas, né? >> Não existe meritocracia. Algo simples que eu vi no YouTube o ano passado, acho que eu vi isso falando com a minha gerente de conta do YouTube, YouTubers negros tem menos seguidores do que youtubers brancos.
Então, os meus seguidores não são só mérito meu, tá? Não é só mérito do meu conteúdo, não. Basta mudar um aspecto aqui. Bastaria. Bom, também tem aqui essa coisa de que a gente vive num país onde o povo se acredita branco, né? Porque não existe branco nesse país. Todo mundo é mistiço. Isso é um país de gente mistiça. Nem Xuxa é branca quando sai do país. Xuxa quando sai do país, ela é latina, ela não é branca. Branco são eles. Não tem branco nesse país, mas quem tem a pele um pouco menos escura como a
minha ou como a sua, acha que é branco. É mistiço. Tá maluco, não tem branco aqui. Não sou branco, mas para o país eu sou branco. Bastaria mudar esse aspecto. Eu teria Menos seguidores. Fazendo o mesmo conteúdo, eu teria menos seguidores. Desculpa interromper esse programa aqui, mas eu tenho um recado bem legal da Insider, tá? para esse mês de janeiro. Eh, se você, se for a tua primeira compra na Insider, então se você tem uma conta ali que nunca fez uma compra ou realmente você nunca experimentou uma uma camiseta da Insider, uma blusa da Insider,
como eu tô usando aqui, uma cueca da Insider, uma meia da Insider, Você pode utilizar nosso cupom durante esse mês, cupom loots lut, para ter até 20 para ter 20% de desconto na tua primeira compra. Então, realmente, eh, se você quer conhecer, quiser experimentar eh dessa dessas desses cupons de primeira compra, é o melhor que a Insider já fez. Então aproveita durante o mês de janeiro cupom lots para poder experimentar. Então clássico que eu recomendo a Tex Insider que tá aqui por baixo da blusa deles, que é aquela Blusa que não precisa passar, ela não
ficou dor, ela regula muito bem a temperatura, mas assim, caso você queira pegar um kit ou experimentar outras coisas, eu recomendo muito roupa íntima da Insider. Então é cueca e coisas do tipo. Vale muito a pena. Acho que dentre todas as peças da Insider é que eu sou mais fã. E agora que e o clima tá meio estranho, se quiser pegar uma blusa de frio também tá valendo bastante a pena. Então o link tá na descrição. Na teoria, Quando você clica no link, ele já aplica o cupom sozinho, tá? Mas só confere se não tá
aplicado mesmo. E se se não tiver, coloca lá LU TZ Luts como cupom para ter 20% de desconto na sua primeira compra. Bom, para falar um pouquinho sobre a tua experiência na clínica ali mesmo, né? Bom, 30 anos atendendo, não é 5 anos, não é 2 anos, são 30. Então, uma pergunta que eu sempre faço quando vem alguns psicólogo com muita experiência aqui, eh, você Sente que, e no teu caso, como você fala muito sobre amor, eu vou focar nisso, né? Mas você sente que a forma e que as pessoas relatam, os problemas que elas
trazem, a o ângulo que elas trazem alguns problemas, é, mudou assim nos últimos 20 anos, últimos 30 anos? >> Muito >> com advento de, >> sei lá, tecnologia ou outras coisas assim? >> Muito. >> Como que era antes e como é que você vê hoje? Antigamente as pessoas vinham para o psicólogo quando elas estavam com alguma questão, embora tivesse todo um preconceito de quem vai psicólogo é doido ou qualquer coisa assim no num vocabulário mais popular, mas elas vinham e aí era muito mais fácil. Hoje em dia, quando chega pro psicólogo, já passou na benzedeira,
no pastor, nos Padres, já tomou todos os remédios, já tomou todos os chás que tinha para tomar tudo, aí já chega crônico, né? Então assim, certos transtornos que se você começasse a tratar cedo, seria muito mais simples de tratar, você já pega transtornos cronificados. Então essa é uma diferença que eu vejo muito na clínica de 33 anos atrás pra clínica de hoje. Visão nova, nunca tinha parado para pensar nisso, mas faz muito sentido. >> É, as pessoas só chegam para o psicólogo quando não tem mais o que fazer. Ela já foi em tudo porque ela
não acredita no psicólogo e aí quando não tem mais nada, ela já foi a todos os médicos, a todos os bruxos, a tudo. Aí ela vem pro psicólogo, mas aí >> já pediu meia dúzia de gurus na internet. >> Pois é. Aí ela vem, mas aí ela já tá com uma estrutura crônica, né? Se você pega, por exemplo, um transtorno de pânico, Por exemplo, né? que é um transtorno de ansiedade, porque você tem um transtorno de ansiedade é um grande guarda-chuva. Embaixo deste guarda-chuva, transtorno de ansiedade, você vai tendo as subdivisões. E o transtorno de
pânico é um transtorno de ansiedade. Aí você vem uma pessoa que tá com transtorno de pânico há 4, 5 anos e não trata como era para tratar. E ela já fez de tudo, ela já foi pra igreja, ela já exorcizou. Ela já tomou aquilo, já fez, Já virou. E ela já tá tão marcada que é muito mais difícil, porque a cada crise de pânico que você tem, isso deixa um rastro, deixa um rastro psíquico em você, porque daqui a pouco o problema não é mais nem a o transtorno de pânico, é o medo de ter
medo. Daqui a pouco você não sai mais de casa por medo de ter medo. Então, ao invés de tratar logo, quando chega, o negócio já tá bem crônico. Isso é uma coisa. E uma outra Coisa que acho que a geração tá muito muito ruim é que se aprendeu, sabe se Deus por quê? Sabe se Deus não, se eu pensar um pouco, eu vou saber. Eh, se desresponsabilizou as pessoas. As pessoas hoje em dia elas não podem mais sofrer. Os adolescentes, qualquer coisa, qualquer sofrimento, eles estão tomando um remédio. Porque, ó, meu Deus, porque, ó, meu
Deus, ele está sofrendo. Porque, ó, meu filhinho, ó, por e olha, eu vou te falar, eu sou De um tempo que eu tinha que sofrer e eu tinha que aprender estratégias de sobrevivência e parece que não se ensina mais isso às pessoas. E a desresponsabilização também é gigantesca. Tem duas frases que eu abomino. Abomino. Você quer, você quiser assim me fazer raiva, aí eu vou dizer isso na internet, né? >> Agora você se perí, eu vou e entrego isso na internet. Tudo bem. Vamos lá. Uma frase é: "Já deu certo". Não, cara, não deu não.
Então, era para bater no ombro e dizer assim: "Olha, eu não sei se vai dar certo, a gente vai descobrir junto, mas dando ou não dando certo, você vai passar por isso, tá?" Então não, não deu certo não. Então essa é uma frase que eu abomino, já deu certo. E a outra é: Deus está no comando. Essa me mata. E não, não estou pondo em Questão religiosidade de ninguém. Eu estou pondo em questão o quanto esta frase desresponsabiliza o outro. E eu vou dar um exemplo muito simples, meu mesmo. Quando eu era pré-adolescente, 13, 14
anos, sempre que eu ia fazer prova na escola, eu ligava paraa minha avó, mãe do meu pai, quea era uma mulher muito católica, muito fervorosa. E eu dizia ela: "Vovó, eu vou fazer Prova amanhã. Eu queria pedir pra senhora acender uma vela pro meu anjo da guarda. E ela acendia, tá? Ela acendia mesmo e rezava meu anjo da guarda. Só que quando eu dizia isso à vovó, ela ela não me dizia Deus está no comando, não. Ela me dizia o seguinte: "Vou acender a vela, vou rezar pro seu anjo da guarda." Mas você estudou porque
é o seguinte, o seu anjo da guarda, ele vai lhe ajudar a lembrar o que você estudou. Mas você precisa ter Estudado, porque se você não estudou, o anjo da guarda não estudou por você. Então eu vou acender a vela e vou rezar. Mas você estudou? Compreende? Havia uma responsabilização. Ela não dizia: "Ai, Deus está no comando, já deu certo, vai ser". Não, não era isso. Não. Aprenda a lidar com frustração. Dói. Dói frustração. Dói. Frustração é ruim. Hoje em dia parece que ninguém mais sabe Ser rejeitado. Você ser rejeitado, ó meu Deus. Ai, eu
estou com a autoestima abalada porque eu fui rejeitado. Tenha dó. Eu como não sou, eu como não sou e nunca fui um homem bonito para o que eu considero o padrão do que seja um homem bonito. Já fui muito rejeitado. Aí sabe o que que eu fazia? Eu buscava compensações. Eu dizia: "Bom, eu não tenho a beleza do Do que é mais festejado no na escola, que é fulano, que é o que todo mundo quer, porque é o bonitão da escola. Eu não sou. Então eu tenho que ser aquele que o povo quer para dar
cola." Então eu estudava, então eu era o que estudava. Ora, é isso. Era estratégia de sobrevivência. E mais nisso eu também aprendi que a minha autoestima não estava ancorada na minha imagem, Porque também agora tem essa esse carnaval. Parece que o adjetivo feio desapareceu da língua portuguesa. Não pode, ninguém é feio mais não. Você tem sua beleza. Cada você tem sua beleza. É demais. A pessoa feia para chuchu diz: "Você tem sua beleza? Tem não, nego. Você não tem beleza não. Você é feio mesmo. Tá e tá tudo bem. Você pode ser feio. Beleza não
veio para todo mundo não. >> E não é só o que >> não. E e beleza não é subjetiva. A beleza está nos olhos de quem vê. Tá. Não, beleza é objetivo. Beleza não é subjetivo, não. E não é só beleza de ser humano, não. O belo, o cérebro reconhece o belo, porque o belo tem a ver com harmonia, simetria, proporção. Ah, mas o padrão de beleza muda de cultura para cultura, de época para época muda. Houve uma época em que a mulher gorda, a mulher cheinha era o que era considerado bonito, mas era toda
mulher gorda? Era Não. Tem que ter harmonia até hoje é assim. Toda mulher gorda pode ser modelo pro size? Não. Toda mulher dita que tá no padrão dito normal pode ser modelo convencional. Não pode não. Então tem que ter harmonia, simetria, proporção. Beleza, o cérebro reconhece. Ponto. Agora, por que é que a autoestima do povo agora tá em cima disso, hein? E é umas histórias que eu já vi na internet. Cole no espelho. Eu me amo, eu não sei o quê. Vá pro inferno. Tá ficando doido. Que maluquice. Ai, eu amo ser careca. Tô aqui.
Mas você já Mas veja que que canalice isso. Tô aqui morrendo de inveja dos teus cabelos. Se cair, foi a minha inveja que fez cair, né? Um homem de um cabelo bonito. Eu querendo esse cabelo para mim, tá? Não tenho paciência. Tudo bem, mas minha autoestima não tá nisso e não precisa estar. Então eu sempre dou esse exemplo Quando falo disso. Homem bonito pega Caio Castro. Caio Castro é um homem bonito. Agora entre ficar com Caio Castigo, eu ficaria comigo. Ah, eu entrego coisa que ele não entrega. Garanto isso. Eu garanto. Porque bonito eu não
sou, mas eu sou especial. Especial. Eu sou. Então, eu acho que muda muito, mudou Muito nesses anos de clínica essa coisa. Eh, primeiro as pessoas procuram tardiamente e depois ninguém mais pode sofrer, ninguém mais se responsabiliza, ninguém mais suporta nada, tudo ai eu não aguento, eu vou, não sei o quê. Ou então, certa vez, uma mãe chegou para mim, eh, trouxe uma filha já mais pro final da adolescência, a moça tava. Aí, o que é que há? Perguntei à mãe e sem a filha presente. Minha filha, Doutor, ela tem um problema muito sério. Problema muito
sério, muito ansiosa. Uma ansiedade que ela estuda, ela estuda, estuda, estuda. Quando chega na hora da prova, ela fica ansiosa, não faz nada, erra tudo, não consegue. Mas ela estuda, então precisa ver, porque é uma ansiedade que essa ansiedade impede ela de fazer a prova. Está bem, fulana. Deixa eu escutar a sua filha. Vem a filha. Fulan. O que é que tá vendo? Ah, eu fico ansiosa na prova. Eu erro as Coisas. Foi. Foi. Fulana. Qual foi a última prova que você errou tudo? Foi a prova de inglês. Eu disse: "Foi, foi." Tá. Qual foi?
O que foi? Qual foi a matéria? O que foi que caiu na prova de inglês? Ela disse: "Você estudou?" "Estudei." "Estudou?" "Tá bom. Então me diga isso e isso. Fiz duas perguntas da matéria de inglês a ela. É. Você tá nervosa aqui comigo? Não. Por que não me não é porque eu não gosto de estudar inglês. Aí porque não estuda, tá Entendendo? E a mãe acha que o filho ou a filha é reencarnação de Rui Barbosa e não vai atrás de ver o que é que o diabo do adolescente tá fazendo trancado no quarto e
acha que ele tá estudando. Quando ela passa, ele maximiza a página de estudo. Quando ela passa, aí minimiza e e vai pra internet jogar, fazer outra coisa. Não estuda. Ela não, ela errava a prova porque ela não estudava. Era só isso. Eu chamei a mãe dela, disse: "Olha, é o seguinte, sua filha não Estuda, tá bom? É isso. Tem nada de ansiedade, ela não estuda. Vai resolver com ela, bota aí um professor particular, veja aí o que é que faz, porque não dá, né? Não, eu estudo, eu fico nervosa, fica não, não estuda. Porque quando
eu estudava, eu ficava nervoso para prova, mas aí eu pedia paraa minha avó rezar para o anjo da guarda. E aí isso? O anjo da guarda lá dava uma acalmada. Eu digo: "Não, vovó tá lá com anjo da Guarda, eu vou me acalmar aqui." Mas tinha que ter, ó, conteúdo para sair na hora da prova, porque senão não vai não, tá? Eu ficava nervoso quando eu não estudava, falava: "Meu Deus, e agora? Como é que eu vou chutar isso da forma mais inteligente possível?" >> Pois é, gente, >> quando estudava, chegava confiante. >> É, então
>> fiz o meu melhor. Vai. >> É, mas dá, a gente fica nervoso. Mas, Por exemplo, eu fui, eu tenho vários livros escritos, livros de da perfeiçamento pessoal, mas eu tenho dois romances premiados. E o meu segundo romance que me valeu uma menção honrosa do governo de Minas Gerais, >> Libela virou peça de teatro e foi um sucesso aqui em São Paulo. E aí agora a então aí depois disso o diretor de Libélula, que é um grande, ele além de ser um grande ator, ele é um grande Dramaturgo, ele tem muitos prêmios de dramaturgia, de
peças que ele escreveu, tal, uma muito bonita que ele ganhou um prêmio, uma premiação muito importante, o Ovo de ouro, onde ele, uma peça sobre o nazismo, muito interessante. Quando terminou o sucesso de Libélula, ele me chamou na para jantar com a esposa dele e disse o seguinte, disse: "Marcos, eu queria lhe fazer uma proposta. Eu quero que você interprete um texto Meu." Eu disse ele, olha, deixa eu lhe dizer uma coisa. Nessa vida já me chamaram de muita coisa. Algumas eu nem merecia. Algumas foi foi completamente injusto que me chamaram. Agora atô. Não, isso
daí nunca me chamaram. Não, não sou ator não. Ele disse: "Você é, você não sabe, mas você é". Eu disse: "Não sou fulano. Eu até posso ser um comunicador. Um comunicador eu até aceito, mas ator eu não sou". Ele Disse: "Você é, mas eu vou lhe dar o texto." E ele me ganhou pelo texto. O nome do texto, o nome da peça é o ponto final. E aí quando eu li a o texto, o texto me ganhou. Porque o texto é o seguinte, é a história de um homem, de um psicólogo que resolveu não me
atender mais. ele não quer mais atender. Então ele está no consultório dele empacotando as coisas dele, encachotando as coisas porque ele resolveu que não quer mais atender. E aí entra na sala dele um rapaz que ele nunca viu e diz: "Doutor, eu vou me matar". Então você tem dois pontos finais. >> Já deu vontade de assistir. >> É, vai voltar para cartaz agora. Você tem um querendo dar um ponto final na carreira e o outro querendo dar um ponto final na própria vida. E esses dois pontos finais vão colidir no palco, na cena. E você
sai transformado da peça, você Realmente sai porque é uma aula de auto pererdão. Se você precisar aprender alguma coisa sobre autoperdão, esta peça lhe ensina. Pois bem, eu topei o desafio e a primeira temporada aqui em São Paulo foi um sucesso, lotou, teve que abrir sessão extra. A gente foi pro Rio, lotou o Rio e agora vai voltar em cartaz no shopping, no Teatro do Shopping Aldourado, a partir do dia 8 de fevereiro. Todo domingo a partir do dia 8 de fevereiro. São quatro domingos do primeiro, do segundo domingo de fevereiro, que é 8 de
fevereiro, até o primeiro domingo de março. E é a última temporada do ponto final. Quem quiser ir vá, aproveite, você tá convidado inclusive. Mas o que eu quero dizer é o seguinte, é que quando eu cheguei para, porque para você fazer uma peça de teatro, primeiro tem a leitura do texto, né? A equipe se reúne, tem a leitura do Texto, os atores vão ler o texto junto. Quando eu cheguei para para fazer o ponto final, o diretor ficou assim impressionado, porque o outro ator lia e eu dizia, eu cheguei com texto decorado, nego. Sabe por
quê? Porque desde a hora que eu recebi o texto e que eu assumi o compromisso, eu estudei e eu estudei muito e eu contratei um professor particular aula, porque eu não ia subir num palco Só botando a cara de bonito num palco para dizer que botei para virar o cigano Igor. Não, o cigano Igor não é do teu tempo não. Tu não sabe o que é. Não sabe não. Virou >> bodar o Google depois. Você jovem que está assistindo, o cigano Igor era o seguinte, era, acho que é Ricardo Mac o nome dele, ele era
um homem muito bonito e deram o papel nobre da novela das 8 a ele. E nessa novela das 8 ele fazia o cigano Igor. Ele não era ator, mas botaram o homem só porque o homem era bonito para fazer o cigano Igor. E isso virou a piada nacional porque ele era absolutamente inexpressivo. E isso queimou ele de um jeito que ele nunca mais fez nada em televisão, em canto nenhum. Porque era assim, se o nome da da parceira dele de cena era Dara. Se você conhecer alguma Dara, é, foi dessa época Porque é inspirada. É
Dara. Do mesmo jeito era Dara, eu te amo. Dara, eu estou triste. Era a mesma coisa, não mudava, não tinha. Eh, não tinha mesmo, ele não conseguia. Tá bom, ele não era ator, paciência. Deram o o protagonismo da novela das 8 a uma pessoa que queimou-se. Eu virar o cigano Igor, viro nada. Aí, viu? Porque a minha vaidade passa por aí, não passa pela minha beleza, mas Passa pelo meu trabalho. Eu faço um trabalho bem feito. Se eu me dispõe a fazer um trabalho, eu faço bem feito. Então eu cheguei com texto decorado. Apanhei muito
da direção, apanhei, sabe? Eu descobri depois outros atores, conversando com atores veteranos, eles me disseram: "Marca, é assim mesmo, na estreia da peça, eu estava odiando o diretor, oddiando você." E todo mundo disse: "Você, você vai estrear odiando o Diretor." >> Por quê? Porque a função do diretor é ele dirigir. E aí teve momentos em que eu fiz uma cena, sabe quando você faz a cena que você diz: "Dei-me o máximo". Sabe? Arrebentei na cena, >> né? Nossa, que cena maravilhosa eu fiz. Terminava a cena do diretor Marcos. Menos. foi muito menos. A vontade era
de bater nele, né? Porque você não se submete por facilidade. Mas vou olhar de fora e ele tinha razão. Nas coisas que ele disse menos, ele tinha razão. Porque se você der toda a carga de saída, você cansa a plateia. >> Claro. >> Você não pode cansar a plateia. A coisa Tem que ir crescendo, não é? Então, segura, segura a emoção quando é para segurar e solta a emoção quando é para soltar. Então, eh, isso para dizer que eu sou do tempo que estudava e o nossa, você decorou o texto dis metade. A outra metade
ainda não, mas a primeira metade eu já aceitou decorada. contratei um professor que em casa me dava aula, me ensinava coisas que eu não sabia que É preciso fazer em cena. É isso. As pessoas fazem isso hoje em dia, não fazem. Elas acham que a eu vou ser do digital, ai, liga aqui o celular e aí eu vou falar aqui qualquer coisa. É assim não, nega. a gente trabalha, a gente faz roteiro, a gente pesquisa, a gente estuda, aí a gente faz um trabalho que preste, né? É, eu foi de pouco tempo que eu melhorei
isso, mas eu passei a vida inteira meio que tentando fugir dessas Sensações de de sofrimento, sabe? No dia que eu tava mais triste, eu pensava: "Não posso ficar assim, deixa eu tomar um remédio, deixa eu fazer alguma coisa, me pedir trabalho, arranjava alguma coisa para eu não sentir aquela dor, sabe?" Não, mas não tem isso não. Tem que sentir a dor. Exatamente. >> E tem outra coisa, não interessa o tamanho da dor, não. Isso não altera as coisas que eu tenho que fazer, não. Eu tenho que fazer Sérgio Mambert, não sei se você deve conhecer
de nome, mas ele foi um grande ator. Ele não ele morreu não faz muito tempo. Mas se você vir, você vai saber quem é. você ver a imagem, você vai saber quem é Sérgio Mambert. Ele tava em cartaz, inclusive com essa peça que eu disse, o ovo de ouro era ele, Leonardo Midorim, Lucas Papa, enfim, um monte de gente conhecida. E ele tava no meio da da temporada do Ovo de Ouro e o marido dele morreu E o diretor disse: "Vamos cancelar o espetáculo de hoje?" Ele disse: "Não, eu vou fazer o espetáculo". O rapaz
que faz a peça comigo, ele no dia da peça, ele estava indo para o teatro aí com a esposa dele no carro, parou no sinal na Vila Madalena. Aí ele mandou uma mensagem no grupo dizendo que ia atrasar para chegar no teatro, que fossem agilizando as coisas, porque ele tinha sido assaltado e ele tava na delegacia. Quando ele parou num sinal, no no farol, alguém botou um revólver, bateu no vidro com revólver, teve que baixar o vidro, botou um revólver na cabeça dele e gritava: "Eu vou lhe matar, passe sua aliança da sua mulher". E
a aliança dele com dificuldade de sair e a mulher dele louca no carro e o cara gritando que ia tirar na cabeça dele e ele calma, pera aí e deu as alianças e o cara foi embora e eu disse a ele cara tá tudo bem você quer cancelar o teatro tava lotado. Eu Disse: "Você quer cancelar? As pessoas vão entender assaltado". Ele disse: "Não, de jeito é minha vez. Depois que eu sair da delegacia, eu vou fazer a peça. É isso. É isso que tá faltando essas pessoas mais jovens, sabe? Essa ai eu fui assaltado,
eu não posso. Meu Deus, eu estou sofrendo. É, a gente faz sofrendo mesmo. A gente faz despedaçado por dentro, mas a gente levanta, vai e faz. Porque tem um compromisso com a outra pessoa, porque tem um compromisso com um teatro, porque tem um compromisso com, sabe? É isso. As pessoas aprenderam que tem que ser assim. Hoje em dia eu posso ficar em casa, eu fui assaltado, eu tenho direito a estar traumatizado. Tenho direito a estar traumatizado, mas vá viver seu trauma. Não tem isso não. Vamos adiante. A vida continua >> perfeito, cara. >> Não é,
mas as pessoas aprenderam isso. Isso eu vejo na clínica essa grande diferença também. >> Cara, eu mesmo, eu vou admitir, eu sou meio assim, sabe? Eu sou meio quando acontece algo do tipo, sei lá, uma notícia ruim que me afeta de uma forma, eu desmarco tudo assim, sabe? >> Mas >> mas eu entendo que às vezes isso às vezes eu acho que é importante, mas algumas vezes não é, sabe? >> Mas não, eu não, mas escuta, ainda que Não desse para continuar, como assim? Por que você vai desmarcar? Porque você tá sofrendo, você vai desmarcar
porque não não tem isso não. Olhe, o pior momento que eu passei na minha vida foi quando eu tava para perder minha mãe. Quando eu estava para perder minha mãe, quando eu assinei o contrato para escrever amar, desamar, amar de novo. Depois que eu comecei, eu estava, eu comecei a escrever um livro sobre amor e eu comecei a perder a pessoa que eu mais amava na minha vida, que era minha mãe. Ela teve um AVC desses devastadores que apagou e ficou em coma no respirador, podendo ficar daquele jeito por anos, por dias, por meses, por
horas. pagou, acabou. E eu tenho que escrever um livro sobre Amor. Nunca atrasei a entrega de um capítulo. Nunca entreguei, nunca trazer a entrega de um capítulo e coloquei minha mãe no livro. Vivências dela estão no livro. E quantas vezes eu escrevi o livro chorando, mas escrevi, não sou melhor do que ninguém. Não é essa a questão. Como também quando vi a ressonância Dela, que eu vi aquela mulher completamente derebrada, porque foi um AVC desses assim que devastou o cérebro dela, ela se foi dormir e não acordou, nem morria, nem acordava. Foi dormir e dormir
não ficou. que eu vi aquilo, eu chamei a médica da UTI, disse: "Traga o formulário de cuidados paliativos". Não, o senhor não vai esperar o laudo do neuro. Digo, o laudo do neuro, eu sei Qual vai ser o laudo, não pode trazer, porque na hora que você assina o formulário de cuidados paliativos, você proíbe o hospital de ressuscitar. O hospital vai ter que dar suporte ventilatório, respiração, vai ter que dar alimentação por sonda, vai ter que ficar dando remédio pra dor, pra pessoa ficar confortável e só. O resto é com a pessoa. Foi o papel
mais difícil que eu já Assinei na minha vida, mas aí eu me lembrei do leproso e me lembrei do que era amor. E eu não podia manter aquela mulher presa só porque eu não aguentava perdê-la. Porque se eu amava mesmo aquela mulher, eu tinha que deixar ela ir. Eu tinha que deixar ela aí. E eu assinei aquele papel com uma dor profunda dentro de mim. Mas cheguei para ela no coma dela e disse: "Mãe, Fica tranquila, tá tudo bem. Quando você achar que tá cansada, quando você achar que não quer mais essa briga, só relaxa,
deixa. Eu vou cuidar do meu pai, vai ficar tudo bem. Tá todo mundo bem aqui. Não precisa ficar, não briga por isso, sossega. Porque eu não queria que ela passasse Anos em cima de uma cama. 13 dias depois, ela fez uma arritmia. A enfermeira chamou o médico da UTI. O médico disse: "Não posso intervir se ela se compensar da arritmia". E ali ela parou e foi embora 13 dias depois. E todo dia eu ia vê-la, todo dia eu escrevia meu livro, todo dia eu atendia meus pacientes e eu estava dilacerado Internamente. E daí? O que
é que o mundo tem a ver com isso? Há pessoas que precisam de mim e eu preciso servir a essas pessoas. Só que criou-se na cabeça das pessoas uma inversão de que o mundo tem uma dívida comigo, que o mundo precisa me dar, que o mundo me deve. O mundo não me deve nada. Sou eu quem devo ao mundo. Porque quando eu nasci, o mundo já tava pronto E eu comi da comida que os outros plantaram. Então eu agora tenho que plantar para os outros comerem. Então eu tenho que devolver. socialmente as coisas. Não interessa
se minha mãe tá morrendo, não interessa se eu tô me separando, não interessa se eu tô com as artérias do coração entupida. Não interessa, faça. Tem que fazer. É isso. Faz com dor. Faz. Tem coisas que a gente faz com dor, tem coisas que a gente faz com medo, tem coisas que a gente faz com culpa, mas a gente faz. Como assinar esse papel? Nunca assinei um papel tão doloroso na minha vida, mas eu vi aquele homem leproso na minha frente falando comigo na hora que eu assinei o papel. E eu assinei por amor, porque
quando a gente ama, a gente deixa o outro ir quando o outro precisa ir. Agora, quando a gente só ama a gente, aí a gente agarra o outro e diz: "Não, você não vai, você não vai, você não vai, porque eu vou sofrer. Se você for, dane-se. Eu que sofra, eu que lido com o meu sofrimento." E ela pode ir em paz. E curiosamente, curiosamente, a vida é muito interessante comigo. A UTI tinha visita duas vezes ao dia, na parte da manhã, na parte da na parte No início da tarde e às 8 horas da
noite, eram os horários de visita da UTI. Eu deixei o início da tarde para meu irmão e meu pai e eu ia de noite porque eu queria ir só. Eu queria ficar com ela só. E eu ia todo dia 8 horas da noite e conversava com ela, explicava ela tudo. Até que teve um dia, 7 horas da noite, eu comecei a me trocar de roupa para ir. Aí eu disse: "Hoje eu não vou não. Hoje eu não vou não. Não sei por. Hoje eu não quero ir não. Tô cansado. Hoje eu não vou não. Eu
vou. É, vai ser a mesma coisa. Eu não vou não. Eu tô cansado. Tem alguma coisa que hoje eu não não tô com vontade de ir. 8 horas da noite ela morreu. Se eu tivesse ido, eu estaria lá na hora que ela parou. E se eu tivesse ido, eu tinha atrapalhado ela. Ela precisou que eu não fosse para ela Parar. 8:15 meu celular tocou. Era do hospital. Olha, o senhor pode vir ao hospital. O médico tá chamando porque houve uma piora com sua mãe. Quando disse houve uma piora, sabia que ela tinha. Não tinha não
tinha piora para ter. Está bem, eu vou. E fui, fui quando cheguei lá, Entrei no quarto, vi minha mãe morta, a boca roxa, pedi aos enfermeiros para saírem, me deixaram com ela. Conversei com ela, depois ela desceu, foi paraa pedra porque tem que ir, né, para o necrotério. E mesmo tendo morrido, precisa de alguém da família fazer o reconhecimento. Eu disse, eu vou. Entrei no necrotério, a enfermeira abriu a porta para mim, tinha três saco preto. Abri o saco que ela tava, olhei pra enfermeira e disse: "Você pode me deixar só aqui?" Ela disse: "Mas
o senhor vai ficar só aqui?" Eu digo, "O que é que eu você espera que eu faça? O quê? Tem três mortos aqui. O que é que eu posso fazer com três mortos? Então, me faça um favor, saia e me deixe. A enfermeira saiu, que tava cuidando do necrotério. E ali, naquele saco, eu me despedi do maior amor da minha vida e disse a ela: "Meu amor, eu disse a você que ia com você até o fim. O fim é aqui. Aqui eu lhe deixo. Aqui a gente se despede. E disse a ela tudo que
eu queria dizer e ali me despedi dela. E aí, velório, o Resto nada disso me importou mais. O que eu tinha para fazer por ela eu já tinha feito. Agora, por que que eu tô dizendo isso? para dizer que para por trás disso, a minha vida continuava acontecendo. Eu continuava gravando vídeo pro canal, eu continuava escrevendo livro, eu continuava atendendo o paciente. Se precisava chorar, ia no banheiro, chorava, lavava o rosto, voltava. É isso. E na hora que as pessoas aprenderem a funcionar assim, as pessoas vão ser menos doentes emocionalmente. Porque essa história de ai
fulano me deixou, eu vou morrer sem fulano. Morre não, morre não, morre não. Sempre que uma pessoa me diz que vai morrer porque fulano deixou, porque fulana deixou, eu sempre pergunto o seguinte, eu digo assim: "Me diga uma coisa, você tem quantos anos?" Aí a pessoa diz: "35. Você estava com esta pessoa há quantos anos?" "Há 5 anos." Eu disse: "Pois é, você viveu 30 100. Por que é que você acha que não vai ver mais 30 100? Erga-se, vai doer, vai, vai ter que viver um luto, vai ter que atravessar esse luto. É assim,
é assim que é. Então, acho que as pessoas adoeceriam Menos se elas aprendessem a lidar com a própria dor, a lidar com as próprias responsabilidades e a entender que elas não são o centro, porque as pessoas acham que elas são o centro do universo. Não interessa. Eh, não posso não. Não está acontecendo algo na minha vida que eu não posso. Não tem isso, não. Tem isso, não. Eu já fiz peça de teatro de fralda, porque eu tava com uma diarreia Que eu digo: "Meu Deus, e se na hora da cena eu não segurar este negócio
aqui, o que é que vai ser?" Aí eu pensei, bota uma fralda, né? Pronto, bota uma fralda, aviso ao meu companheiro de cena que se federui eu. Bota uma fralda, a roupa era frouxa, dava para ter a fralda, uma fralda geriátrica. Eu já fiz peça com diarreia. E daí? Não sou melhor do que ninguém. Agora eu não sou centro do universo. Não. O mundo não existe para mim, por mim, para tudo, porque eu tá doendo. Não, não. Eu sou um serviçal. Quem diz isso, inclusive, é Fernanda Montenegro, que a filha até pegou a frase dela
e fez um livro, né? Tem um livro de Fernanda Torres que é uma frase dita por Fernanda Montenegro >> que é a glória e o seu cortejo dos horrores. Fernanda Montenegro disse essa frase para dizer que sempre que ela esteve vivendo um grande momento da vida dela, um grande prêmio, uma grande premiação, uma peça estourada, que sempre estava acontecendo alguma tragédia na vida dela. >> Que interessante, >> não é? E aí ela diz que a glória sempre vem acompanhada Pelo cortejo dos horrores. Pois é, mas ela ia e fazia o que tinha que fazer. É
a glória e o seu cortejo dos horrores. Tem. E aí Fernando Torres pega a frase e faz um livro com isso. Mas essa frase é da mãe dela. >> Caramba, muito interessantíssimo. >> É. Ora, se Fernanda Montenegro diz que cada vez que ela tava vivendo um momento de glória, tinha um cortejo de horrores acontecendo na vida dela E ela estava fazendo as coisas que ela tinha que fazer, porque é que eu não vou fazer? Ai, porque eu fui deixado, não posso. Ai, tô sofrendo muito a dor de ter sido deixado. Dane-se. Vai fazer o que
tem que fazer com dor. Faça. Às vezes a gente recebe notícias tão ruins, aí a gente vai pro banheiro, chora, treme e vai e liga o botão e vai. É assim, Cara. Perfeito. Marcos, muito obrigado, bicho. Nossa, foi muito legal, cara. Obrigado por ter aceito o convite, finalmente você dado >> Eu acho que eu falo muito, não deixa falar nada, >> mas é o meu estilo de entrevista é assim mesmo. Então eu falo pouco, cara. >> Tá bom. >> Sou mais de ouvir. Mas muito obrigado, cara. Espero ter atendido suas expectativas. Foi, foi muito maneiro,
Cara. >> Obrigado. >> Muito maneiro. É, eu queria que liberar o espaço aí para você, falar um pouco do que livros que a galera pode adquirir teu, eh, qual que é o mais recente. Bom, eh, fala do seu canal do YouTube, Instagram e tudo mais, >> tá? Para aquela >> é para essa câmera, >> tá? Você quer me ver mais? Vai no meu canal no YouTube, Nós da Questão, lá a Gente bate papo sobre todos os temas. E se você quer livros, tem três que é uma trilogia do amor. É amar, desamar, amar de novo.
Amar-se, uma viagem em busca de si mesmo. Você melhorar sua autoestima que anda ruim. E amar e ser livre é possível para você entender que amor não precisa ser uma prisão. Quem ama liberta e vive livre. Você pode comprar separado ou pode procurar a trilogia do amor. Bota aí no Google livros do psicólogo Marco Ledra. Tem o box, mas pode comprar Separado também. >> E tem um outro que é entrevista com a solidão, porque solidão é uma dor muito ruim de ser vivida. E eu escrevi um livro só sobre isso para você. E se você
não leu nenhum, leia, porque agora em 2026 deve sair um novo e aí você tá atrasado. >> Não trato de ler. >> Deixa eu fazer um elogio aqui. É desses todos aí o que eu peguei para ler assim para para pegar mais o seu estilo de e Tal foi esse da solidão. E cara é muito bem escrito. Então vale muito a pena, pessoal. Comprá. >> Muito maneiro, cara. Bom, obrigado mais uma vez por ter vindo aí, gente. Obrigado pela sua atenção. Todos os links do marketing que vou deixar aí na descrição. Então, canal no YouTube,
livros e tudo mais. Instagram vai vai ficar aí. Não, mais, é isso, muito obrigado pela sua atenção, até a próxima e tchau tchau.