é muito bem todos muito bem-vindos bem vindas se o nosso sétimo encontro espiritualidade cívica é justamente o que nós temos tentado conversar aqui a qual é o aporte da espiritualidade para a nossa inserção na arena pública ea nossa ação cívica qual é o suplemento da espiritualidade para essa nossa participação na sociedade quer seja na nossa actividade cidadã quer seja no nosso empreendedorismo social nas nossas ações de engajamento para atendimento às necessidades da população mais vulnerável das diversas iniciativas que nós podemos ter então que a espiritualidade tem a dizer é isso que nós estamos tentando conversar
aqui o tema que eu escolhi para hoje à noite foi desafiador para mim e ele ganhou ganhou vida na verdade e e escapou de mim eu esperava que eu conseguiria construí lo de um jeito e ele foi pra outro caminho é mas acho que vai valer a pena é repartido dessa maneira com vocês eu escolhi o tema solidariedade para hoje solidariedade e na chamada que eu fiz no instagram eu contei uma história uma história de dois homens que a sofreram um acidente e um aviãozinho deles caiu na selva e eles então depois que se recompuseram
chegar a uma clareira e quando respiraram se acomodaram perceberam que estavam sendo observados por um leão então um deles cautelosamente foi até a sua mochila tirou seu par de tênis tirou seus sapatos começou a calçar o tênis e o seu companheiro de viagem sobrevivente disse você é tonto você acha que vai correr mais que o león e ele disse 'não preciso correr mais que o leão só preciso correr mais que você a ea pergunta que me mobilizou lembrando dessa história foi quais são os limites da nossa solidariedade e como nós podemos viver na prática especialmente
em situações limite porque eu acredito que nós estamos vivendo um tempo de situações limites eu já citei aqui pra vocês a obra do tororó vi diante dos extremos ou diante do extremo e eu não sei qual é o seu ponto de observação da sociedade e do tempo que nós estamos vivendo mas eu pessoalmente olha com muito temor e com muita angústia a realidade do nosso país e solidariedade portanto hoje a minha fala ela é uma fala que que é uma declaração de fé nos nos amplos sentido de uma declaração de fé declaração de fé como
uma declaração de crenças a fé como crença então eu quero afirmar algumas convicções e também expressaram lamento e compreender que esse tipo de fala é também não apenas um ato de resistência mais uma proposta de continuar a marcha por isso a declaração de fé também no sentido de utopia é não perder de vista o horizonte utópico é isso que eu gostaria de afirmar hoje comentando sobre solidariedade quando eu comecei a refletir e construir a minha fala pra hoje eu imaginei que eu chegaria em lugares de afirmações positivas que eu seria inspirador que eu seria aqui
eu sugeriria caminhos pra nossa ação solidária ou para a nossa presença solidária para a solidariedade mas quando desenvolvi o meu raciocínio e fui buscar as minhas referências e e na verdade não apenas as minhas referências teóricas mas foi escutar a minha alma eu percebi que a minha fala estava muito mais na direção da expressão de um lamento e de uma afirmação de uma utopia é então a primeiro vamos vamos posicionar solidariedade solidariedade tem pelo menos dois sentidos que a gente deve afirmar a solidariedade como um fato solidariedade como um fato solidariedade como uma um discernimento
de interdependência quando em quando quando eu digo assim nós somos solidários isto é nós estamos interconectados solidariedade como um fato a solidariedade como um fato é um princípio descritivo estou afirmando uma realidade nós somos solidários isto é nós respiramos o mesmo ar nós vivemos na mesma cidade nós sofremos o mesmo trânsito nós sofremos a mesma violência nós sofremos o mesmo desgaste nós estamos sujeitos às mesmas adversidades nós estamos debaixo da mesma realidade econômica política então nós somos solidários a nossa vida está interconectada nós somos nós somos parceiros querendo ou não de toda a teia de
sustentação da realidade onde nós estamos inseridos então nós fazemos parte disso aí não é uma questão de escolha é uma é uma constatação então quando eu digo a solidariedade como o fato é afirmar a nossa interdependência e não só a nossa interdependência e nós seres humanos uns aos outros mas a interconexão de todas as coisas é e nós estamos observando isso de uma maneira muito significativa nesses dias com as as queimadas na nossa floresta amazônica nós temos o mundo todo preocupado com a nossa floresta porque porque a floresta amazônica apesar de está 60% delas no
território brasileiro ela é um patrimônio da humanidade ela está no território brasileiro é território nacional não se discute eu não quero discutir a questão da da propriedade territorial não estou discutindo isso eu quero dizer sim que a floresta ela é um recurso da humanidade eu quero substituir então a palavra patrimônio para recurso a floresta é um recurso da humanidade é muito razoável que o alemão esteja preocupado com o que está acontecendo com a nossa floresta eo japonês esteja preocupado com o que está acontecendo com a nossa floresta é razoável que quem mora no rio grande
do sul quem vive no chile que quem vive na índia esteja preocupado com o que está acontecendo com a floresta nós estamos e é isso que eu quero falar sobre a a solidariedade como um fato nós estamos interconectados e nós somos interdependentes não apenas entre nós como espécie humana mas nós na realidade dodô da pio é diversidade ou da biosfera onde a gente está inserida e isso tem muito a ver com as percepções da chamada ecologia profunda e com especialmente as as considerações do capra no livro dele ou na obra dele e de correntes a
teia da vida essa idéia de que durante muito tempo nós nós seres humanos ou nossa espécie humana nos percebemos como uma realidade à parte che do sistema vital nós está o sistema vital o planeta terra está aqui nós seres humanos estamos aqui e nós estamos usando o planeta a ecologia profunda diz não nós não estamos a parte não estamos aqui nós estamos aqui nós fazemos parte desse sistema nós não nós não estamos isolados dele nós estamos interconectados nós e nós somos interdependentes em outras palavras no que diz respeito à a a vida a deus que
me perdoe mas é isso que eu acho você é tão importante quanto a formiga nós vamos tirar daí as nossas compreensões e as nossas afirmações religiosas bíblicas e tetra e não vamos discutir a hierarquia da espécie humana na na biodiversidade mas para a sustentação da vida nós seres humanos somos tão importantes quanto o golfinho enquanto a formiga quanto tamanduá-bandeira quanto qualquer outro espécime vivo com agravante é que há grandes suspeitas de que esse e cibe o sistema percebeu que está sob ataque que tem um vírus que está destruindo e esse vírus somos nós e o
sistema ele vai reagir contra nós então quando eu falo de solidariedade primeiro falando solidariedade como um fato nós somos interdependentes nós somos interdependentes uns dos outros nós somos parceiros da mesma aventura e nós estamos interconectados com todo o sistema cósmico nós não estamos na parte do sistema cósmico nós estamos dentro dele etc bom agora por outro lado numa segunda categoria é nós podemos falar da solidariedade como imperativo ético não não é um um princípio descritivo mais um princípio normativo solidariedade como o fato é uma constatação a solidariedade como imperativo ético como princípio normativo é uma
exortação é somos solidários é uma afirmação e uma constatação de um fato devemos praticar a solidariedade ou devemos viver ou conviver com responsabilidade solidária é um imperativo ético porque o fato de sermos solidários não significa necessariamente que isso corresponda a um jeito de existir na teia solidária é um jeito de existir solidariamente responsável ou responsável para a sustentação da solidariedade factual é eu posso viver de maneira irresponsável sabotando o fato de que você depende de mim da maneira como eu vivo eu posso invadir a calçada onde você está transitando com o meu carro isso é
ser irresponsável na sustentação da teia da vida em todos os sentidos não apenas na agressão física mais no deflagar deflagrar e no suscitar de lixo tóxico emocional naquelas pessoas que se sentiram ameaçadas aviltados agredidas ofendidos e que repassam isso daí não apenas xingando o agressor mas também diz contando a sua agressividade reprimida ou o seu sentimento de injustiça o aviltamento em outras instâncias de relacionamento então se percebe como uma ação irresponsável de um indivíduo na teia solidária gera repercussões e isso diz respeito a todas as nossas ações desde a maneira como a gente consome é
nossa aguardo do lixo a gente deixa na rua e dos discursos que a gente faz no nós nas nossas mídias sociais da maneira como a gente consome na maneira como a gente produz na agenda na maneira como de fábrica na maneira enfim tudo tem a ver com uma ação que favorece a sustentação da teia de solidariedade como fato ou que conspira contra ela é então a solidariedade a gente parte desses dois princípios o princípio descritivo princípio normativo solidariedade como fato é uma constatação ea solidariedade como imperativo ético é uma exortação devemos ser solidários ou agir
de maneira solidária o meu lamento é que acredito nós vivemos num mundo em que a solidariedade como imperativo ético perdeu perdeu não é óbvio que nós somos solidários porque tem gente que acha que tudo bem taca fogo na floresta tem gente que não consegue enxergar o dano humanitário planetário cósmico de tacar fogo uma floresta tem gente que não enxerga isso a gente não assimila isso não se dá conta disso tem gente que não tem essa percepção da extensão do dano não apenas na dimensão é da extensão na dimensão de de localização de abrangência de que
aquilo afeta lá na última ponta da última estrela mas também no dano temporal das próximas gerações então não é óbvio que nós somos solidários e também não é óbvio que nós devemos agir de maneira solidária pelo contrário nós estamos num tempo e vivemos numa cultura ocidental em que a afirmação da solidariedade perdeu praticar a solidariedade viver de maneira solidária falar a de sistemas colaborativos falar de cooperação é ir na contramão da estrutura das nossas sociedades do mundo em que a gente habita o mundo que a gente habita ele é hostil é competitivo ele não é
colaborativa ele é competitivo ele não é sustentável é predatório ele não é um mundo de comunhão ele é um mundo de estratificação ele é um mundo de segregação não é um mundo de inclusão então a gente falar sobre isso é ir na contramão de uma cultura eu eu digo que não é apenas ir na contra-mão do espírito da época essa época que a gente está vivendo aí a gente tem que dizer 'bom à época desde quando porque é na minha leitura a solidariedade perdeu sempre mas eu me refiro mais ao mundo ocidental é pós iluminismo
é perdeu nós que falamos em generosidade solidariedade nós falamos em perdão nós falamos em inclusão nós perdemos nós estamos na contramão e hoje está explícito que nós estamos na contramão mas quando eu disse que quando comecei a pensar sobre isso e construir eu fui buscar porque a gente perdeu como é que a gente chegou aqui é porque quando eu vou meu instagram falar sobre a importância de virar a outra face de pagar o mal com o bem eu sou chamado de comunista é de ser lá o quê e em sou criticado como se eu estivesse
falando de um governo não estou falando de um governo eu tô falando de uma cultura tão falando do modo de existir é e e isso eu gostaria de de aprofundar um pouco mais aqui é como foi que nós chegamos aqui eu acho que primeiro a gente tem duas grandes narrativas uma científico de uma religiosa do mundo ocidental a gente tem darwin ea gente tem santo tinha a gente tem a nossa compreensão da nossa bagagem genética do processo evolutivo do organismo humano e da espécie humana ea gente tem o conceito religioso e o pessimismo antropológico da
tradição judaico cristã fundamentado na visão de santo agostinho do pecado original isto é a a a narrativa do imaginário ocidental com o aporte da ciência é a sobrevivência do mais forte é a sobrevivência do mais apto a sociedade com esse imaginário darwinista ela não é colaborativa a o richard lopes nuno gene egoísta ele ele diz taxativamente o seguinte que o amor o amor é a busca da sobrevivência da espécie humana como um todo a subsistência do coletivo essa essa fala do amor não encontra respaldo na nossa bagagem genética evolutiva no encontro o título da obra
dele já é justamente o gene egoísta a idéia de que o gene sobrevivente é o gene que pensa em se ele não pensa na sobrevivência do sistema de imprensa na sua própria sobrevivência e se sobrevive e ele só se solidariza quando lhe interessa ele só atua coletivamente colaborativamente quando lhe convém então por exemplo é muito razoável que a gente compreenda que a gente se una contra um inimigo comum mais uma vez que o inimigo comum está destruindo a gente se divide para disputar os despojos então a gente tem o nosso drive ele é egoísta ele
é inocente robbins vai dizer isso locke vai dizer isso russo vai dizer isso os caras contratualistas eles vão dizer o seguinte se não tiver uma força coercitiva para conter a maldade humana o homem vai comer o homem afirmação do do hobby que ele tira da mitologia grega que o homem é o lobo do homem nú leviatã o homem é o lobo do homem nós vamos comer uns aos outros então tem que ter uma força coercitiva tem que ter a força da lei a força do estado tem que ter um contrato social porque se deixar a
gente entrega a nossa própria natureza nós vamos nos devorar mutuamente nós vamos competir o tempo todo e nós vamos puxar a brasa pra nossa sardinha e aí vai valer mesmo aquela máxima de que quem pode mais chora menos então nós temos uma narrativa uma narrativa ocidental que é construída a partir dessa percepção tá pra da compreensão da nossa bagagem genética da nossa herança evolutiva e da nossa sobrevivência como espécie que essa idéia da sobrevivência do mais forte quem não tem competência não se estabelece então é assim essa narrativa está presente no mundo ocidental mas está
presente também a narrativa do pecado original de santo agostinho santo agostinho vai dizer que o ser humano ele rivaliza com deus ele quer ser deus ele afirma o seu e o seu ego acima de qualquer outra realidade que ele possa conhecer ou perceber se dar conta e uma vez que ele afirma a primazia do seu ego e do seu eu ele que acreditava estar dando um grito de independência e de autonomia ele se percebe cativo do mal e ele se percebe agora incapaz de resistir ao mal essa é a constatação de agostinho no pecado original
quando ele diz o seguinte quando a razão foi incapaz de dizer não aos aos instintos e impulsos egóicos e concêntricos da razão não dominou o bicho a visão platônica de santo agostinho santo agostinho era platônico então ele tem essa visão de que tenha alma racional e o corpo animal santo agostinho por exemplo nas confissões e chega a dizer que quando quando ele senta pra pra fazer uma refeição ele diz vai comer o animal é então ele tem essa visão muito bonita do corpo e da dimensão matéria o material orgânica física do ser humano então agostinho
diz que quando há racionalidade não conseguiu segurar os impulsos da animalidade e ela ela caiu a animalidade tomou conta ea partir de então o ser humano é incapaz de resistir aos seus impulsos animais e essa é a grande a grande constatação do pecado original que nós seres humanos somos egocêntricos por degeneração nós somos seres que dados caídos degenerados nós somos e concêntricos de goes tas nós realizamos até com deus que dirá com um vizinho com o cunhado com o partido do candidato a gente quer até o lugar de deus a gente vai ter um lugar
de todo mundo a gente quer o céu de deus a gente quer o quintal também do vizinho a gente quer o território do outro povo do outro clã a gente quer a empresa do concorrente a gente quer até o céu em que tudo certo a mulher do vizinho marido da vizinha o vestido da vizinha o corpo do vizinho a gente quer tudo então nós somos isso a narrativa religiosa da tradição judaico cristã nos descreve com essa com esse otimismo é que na verdade na teologia na filosofia vai se chamar de pessimismo antropológico é então é
as nossas matrizes não tem nada a ver com solidade hat não tem nada a ver com solidariedade é mais é a gente tem outros eventos ou outras outros aportes que conspiram contra a solidariedade a outros eventos na nossa tradição ocidental que conspiram contra solidariedade por exemplo é o advento do capitalismo como superação do feudalismo um primeiro momento foi legal porque foi bom o capitalismo superar o feudalismo feudalismo você era nobre nascia nobre morrer nobre e você era pobre nasce após morrer pobre porque a sociedade estava estratificada é e isso tinha um ordenamento divino tinha um
ordenamento que existe um discurso que sustentar essa estrutura de sociedade e um discurso sustentado pela igreja inclusive pela tradição religiosa do catolicismo do cristianismo constantiniana e aí quando você tem o advento da burguesia do capitalismo aparentemente você tem uma sociedade mais justa que agora o o o meu conforto o meu acesso ao recurso ele não depende da família onde eu nasci ele não depende do sobrenome que eu tenho ele não depende da classe social onde eu eu nasci ele depende do meu esforço do meu empreendimento do meu trabalho da minha engenhosidade da minha competência do
meu labor e parece que é mais justo não é porque você é filho de rei e é um vagar o que você vai ter uma vida melhor que a minha porque eu sou filho de pobre mas eu sou trabalhador inteligente empreendedor então a sua terra rafaela língua mais a minha ela produz então é justo que eu seja beneficiado pelo meu trabalho e que você encontra a pobreza como resultado da irresponsabilidade com que você está lidando com os recursos que você herdou então parece que aí a gente tem um critério de justiça melhor entretanto o que
acontece com o capitalismo é que que ele gera uma mentalidade e medito crat cuca está embutido no capitalismo a recompensa do esforço individual ea longo prazo se o capitalismo tentava subverter a ordem estratificada de uma sociedade construída num discurso religioso e ideológico teológico e filosófico é pela força da ação humana e de construção pelo trabalho e de riqueza pela competência e se essa sociedade capitalista também foi se estratificando ao longo do tempo ea gente tem ricos e pobres antes a gente tinha nobres e pobres agora detém ricos e pobres então com a sociedade capitalista se
antigamente você era notável pela cor do seu sangue o seu sangue azul hoje você é notável pela cor do seu cartão se o seu cartão e black você tá bonito se o seu cartão não é black você não está bem na foto então é existe uma sociedade estratificada pelo pela herança sanguínea mas hoje a gente tem uma sociedade estratificada pela conta bancária é não resolver o nosso problema e o que parece é que todos esses sistemas que são construídos por nós os macros sistemas para resolver o nosso problema da nossa propensão egocêntrico egoísta eles não
têm se mostrado eficaz é o socialismo e os colonistas também não é o fracasso das revoluções socialistas e comunistas está aí diante de todos nós embora psicologicamente os discursos de esquerda sejam muito mais próximos daquilo que é de índole chamada cristã eles se mostraram também fracassados é muito difícil a gente se sustentar é a utopia de esquerda no mundo com o chávez com maduro como a venezuela no nosso quintal não dá para sustentar isso não dá pra sustentar uma adesão ingênua a uma proposta de esquerda quem é cristão sabendo que foi o cristianismo nos países
da cortina de ferro da união soviética eu não sei se foi um prazer um desprazer foi indigesto e edificante eu diria ler a autobiografia de tomás rali que nas minhas férias agora de janeiro em que ele como um sacerdote católico jesuíta é na checoslováquia comunista conta o que é viver lá então é esta este rastro das revoluções fracassados da esquerda é aproxima esse contingente religioso cristão fundamentalista de um discurso de oposição mas o copia suas revolucionárias e há uma escolha de conservadorismo fundamentalista que a gente costuma chamar de reacionário com sustentação histórica eu fui pra
cuba e e chorei muito em cuba chorei por um choro lêem diariamente chorei o choro do contato com a afetividade utópica da adolescência é o roberto campos disse que quem com 20 anos não é revolucionário é um alienado e quem com 40 anos continua revolucionária burro então eu não sei se eu sou burro mas eu com 20 anos era revolucionário e é ir a cuba era visitar um lugar que ocupava a minha fantasia então foi foi muito bom ir a cuba e eu chorei quando fui pra cuba cuba em cuba eu tô no eu tô
na na musa idealizada da minha utopia progressista em cuba mas também chorei quando fui embora de lá porque é aquilo não dá pra gente se alegrar pelo menos eu não sei que você pensa em deus te abençoe mas eu não consegui ficar feliz com o que eu vim cuba de jeito nenhum e especialmente me chamou muito a atenção quando eu conversei com os pastores em cuba e um deles me contou que logo depois da revolução os pastores foram chamados por fidel castro em um encontro no teatro e os pastores foram e quando deixar o teatro
o chão do teatro estava marcado pela urina dos pastores eles literalmente desculpe me a expressão se mijar não de medo é então quando você quando você encontra essas narrativas é dá pra entender porque a ética protestante o espírito do capitalismo prevaleceram no mundo ocidental é porque a ética protestante o espírito do capitalismo prevaleceu ao catolicismo franciscano porque numa visão simplificada de avaliação de realidade você quer ser estados unidos você quer se a inglaterra você quer ser a europa anglo saxã você não quer ser bolívia você não quer ser colômbia você não quer saber de tudo
ela você quer ser estados unidos você nunca se a américa central você não quer ser um país colonizado pelo catolicismo franciscano em que ser santo é ser pobre o santo católico faz voto de pobreza o santo protestante tem jatinho é próspero ele é dono de um império religioso ele tem programa de televisão ele tem concessão de rádio ele tem templos e catedrais nas grandes capitais e nas grandes avenidas das grandes cidades do país então o protestante bem o protestante abençoado ele é bem sucedido economicamente o católico abençoada e faz votos de pobreza entende a diferença
dos imaginários religiosos e quando você fala de imaginário religioso do protestantismo calvinista ele encontra muito melhor equivalência em paralelo na narrativa do gene egoísta e do pessimismo antropológico do ser humano e egocêntrico a grande questão que a gente não pode deixar de considerar aqui pra vocês se converter à igreja evangélica da teologia da prosperidade do mundo contemporâneo a igreja evangélica é patriota do brasil você não precisa converter continua sendo quem você é você continua sendo egoísta você continua sendo egocêntrico você continua com a sua ambição de se dar bem na vida de ser um sucesso
e você não precisa se converter você não precisa se converter ao outro ao próximo você não precisa se converterá o pobre você não precisa se converter à solidariedade e à generosidade se você não precisa se converter à compaixão você não precisa se converter à necessidade de quem está do seu lado por que você não foi pra lá pra essa experiência religiosa por causa de uma consciência solidária você foi pra lá motivado por um impulso egóica de ser abençoado dentro da lógica do protestantismo calvinista max vebber ajuda a gente a entender um pouquinho isso o que
é que acontece com a a ética protestante o espírito do capitalismo veja bem quando você é católico e você está dentro da igreja você foi batizado como criança nasceu dentro do território católico dentro da igreja você tá na paróquia você é você vai pro céu beleza bom só que você foi expulso da igreja você não é mais católico apostólico romano você agora é luterano se agora presbiteriano calvinista você agora é a na batista você é um separatista você tá no século 16 você é filho da reforma protestante você foi expulso da igreja ações como um
gato vai pro inferno você não está mais na igreja santo abelardo disse que quem não tem a igreja por mãe não tem a deus por pai dorme agora você não tem a igreja por mãe você não tem a deus por pai a igreja diz como um gol você é separatista certo bom o que é que você faz você não tem mais a igreja você tenha mundanidade onde você vai servir a deus você vai servir a deus no mundo se não serve mais a deus na igreja e como é que você serve a deus no mundo
empreendendo você serve a deus no mundo com o trabalho e como é que você sabe que deus está feliz com você é porque você prospera e você diz o seguinte se deus não fosse meu pai eu não seria tão abençoado eu não seria rico não seria próspero eu estaria debaixo da maldição de deus mas como eu tô esperando então tá claro que deus é meu pai então se constrói uma lógica de trabalho prosperidade trabalho empreendimento iniciativa a partir de uma afirmação que vem do iluminismo que é o rompimento do indivíduo com a nave mãe um
sujeito chamado martinho lutero ousa confrontar a nave-mãe um sujeito como galileu como jordano bruno com ousa confrontar a nave mãe dizer vocês estão errados a igreja está errado coletivo está errado essa massa hierárquica não pode se impor sobre a consciência individual especialmente quando a consciência individual prova por a mais b que ela tá certo ea massa irá que está errada então quando a consciência individual se afirma contra o coletivo aqui nós temos o indivíduo diante de deus lembra que o iluminismo e esse momento de cultura moderna é a descoberta da subjetividade é a afirmação do
indivíduo é descoberta do indivíduo não é mais a família que que tá que é o universo de construção de sentido e de legitimação de identidade não é mais a igreja quem é que da legitimação de identidade a consciência individual as escolhas individuais sujeito morava lá no campo tinha 45 famílias em volta à família de fazendeiros e tudo mais ele ia casar com quem ele é vestir roupa ele até que a actividade profissional aquela daquele universo só que agora ele mora numa inglaterra de revolução industrial aqui ele tem salário aqui não tem mãe nem pai não
tem clã aqui ele tem contato com outras tradições religiosas a que ele tem contato com outras tradições filosóficas aquele tem contato com outras culturas aqui ele tem contato com outras mulheres ele que sai lá do fundão da polônia ele sai lá do fundão sei lá de onde ele chega aqui na inglaterra ele encontra o indiano ele encontra o africano ele encontra o chinês ele encontra ele encontra o budismo ele encontra o islamismo enquanto não encontra um mercado plural eo como é que eles é que uma que ele se afirmar que não tem mais a família
que escolhe o deus dele ele tem que escolher o deus dele não tem mais a família que arranja um casamento dele ele tem que escolher a mulher dele a mulher tem que escolher o marido dela não é mais o pai que escolhe com quem ela vai casar agora ela vai escolher então é esse essa tal modernidade faz surgir o indivíduo esse indivíduo incentivado pela ética protestante da afirmação do trabalho da prosperidade individual da recompensa do esforço pessoal é esse indivíduo que é chamado dentro de uma outra tradição religiosa que não é mais a do catolicismo
romano do protestantismo calvinista que diz que jesus é o salvador pessoal você aceitar jesus como seu salvador ea sua vida espiritual é um assunto entre você e deus e mais ninguém então a ética protestante ela é uma ética toda construída dentro da lógica da afirmação do indivíduo aí a gente chega hoje no brasil e diz assim como é que a igreja evangélica se tornou que se tornou não foi ontem que começou essa brincadeira faz bastante tempo que se constroem um imaginário de que eu sou um indivíduo eu tenho uma relação pessoal com o meu deus
o meu deus me abençoa e é muito justo e legítimo que é o viva do meu esforço pessoal que eu viva do meu trabalho que eu seja recompensado pela minha conta potência e que eu encaro esse mundo hostil de trevas como abençoado por deus e ele vai me dar êxito porque eu sou filho do rei nasci pra ser cabeça e não cauda então você pergunta como foi que chegamos aqui a gente vem chegando aqui já os séculos a gente vem andando pra cá o grande o grande problema é que os cristãos ou pelo menos a
minha o meu meu lugar de de presença nesse mundo é a pessoa de jesus de nazaré e os evangelhos o evangelho de jesus e no evangelho de jesus eu enxergo uma outra coisa completamente diferente do que toda essa narrativa individualista meritocrática competitiva e de busca de sucesso e prosperidade individual enxerga uma outra coisa o primeiro é eu volto a afirmação da nossa herança como seres criados à imagem e semelhança de deus e um deus que é pai filho e espírito santo o deus que jesus cristo revela ele é uma comunhão ele não é um solitário
gol leonardo boff ele disse isso com muita propriedade que o deus de jesus não é ea velho solitário e nem alá solitário o deus de jesus é uma comunhão é o pai o filho eo espírito santo o deus que jesus revela é é uma comunidade nas palavras do frei leonardo boff que não é mais frei leonardo boff o leonardo boff diz o seguinte que que o deus de jesus não habita a solidão do uno porque o deus que jesus revela é tri uno é tri unidade o deus de jesus é plural o deus de jesus
é uma unidade plural e se o deus de jesus criam será sua imagem e semelhança de cria necessariamente uma unidade plural de onde afirmarmos a nossa solidariedade como fato nós fomos criados uma unidade plural nós não fomos criados indivíduos nós não é coletivo de erro nós não é coletivo e eu um monte de erro numa sala não faz um nós às vezes contrário um monte de egos absolutos numa sala faz uma guerra o nós dividimos é uma unidade onde eu não vejo você como um outro eu você também é eu na nossa construção do cristianismo
a unidade da humanidade compreende a alteridade divina quando um ser humano diz assim o outro o outro é deus porque esse que está aqui diante de mim é essa que está diante de mim não é outra ela é eu ela é uma unidade comigo outro é deus ele é outro essa é a exclamação de adão quando se depara com eva essa é carne da minha carne ossos dos meus ossos essa é uma comigo agora não estou mais sozinha então essa é a constatação do adão na narrativa do génesis é a unidade então na nossa narrativa
religiosa espiritual cristã nós temos a nossa solidariedade humana como um fato ontológico como como razão de ser da nossa criação como seres à imagem e semelhança de deus o deus que é uma unidade plural elétrico essa é a maneira como no novo testamento vai se construir a idéia da igreja a igreja é o corpo de cristo é o corpo de cristo em onde cada um é um membro do corpo mas é um só corpo nós somos membros uns dos outros e somos um só corpo então a perspectiva está na compreensão cristã de humanidade é uma
coletividade em unidade e também a idéia de que a afirmação mais contundente da fé cristã é a misericórdia graça é quando jesus no alto da cruz de spy perdoa lhes porque eles não sabem o que fazem jesus está suplicando a bênção de deus para os ignorantes ele não está afirmando a sobrevivência do mais apto o mais lúcido do mais capaz do melhor informado do mais inteligente do mais perspicaz do melhor performático ele está suplicando a bênção de deus para além de todas as categorias de mérito humano isso se chama graça perdoa porque eles não sabem
o que estão fazendo se o senhor quiser retribuir na lógica de dar o que eles merecem é então retribua com misericórdia porque se o senhor quiser dar o que eles merecem nem ele sabe o que eles estão fazendo e isso faz parte de toda uma tradição do judaísmo e do cristianismo que embora a má leitura a leitura equivocada do iavé do velho testamento como um deus punitivo como um deus vingativo como um deus genocida como um deus ruim e o deus do novo testamento é um deus bom isso é uma má leitura porque no velho
testamento os profetas e os poetas eles deixaram muito claro que a ira de deus duração 11 instante no entanto seu favor permanece a vida inteira os poetas e os profetas disseram de deus que é longa mínimo eles disseram que deus tem mais prazer na misericórdia do que no juízo paulo escreve os romanos dizendo exatamente isso que endeusa misericórdias sempre triunfa sobre o juízo então é a lógica do cristianismo ela eh eh eh eh eh solidária nós somos uma unidade nós não nos compreendemos isolados uns dos outros nós não nos percebemos como indivíduo indivíduo é um
conceito que não é cristão é moderno mas não é cristão não existe individualidade no cristianismo existe personalidade mas não existe individualidade e isso está não apenas na afirmação teórica teológica digamos assim mas no espírito de vivência das comunidades logo na origem da fé cristã ninguém considerava propriamente seu aquilo que possuía e todos partilhavam dos seus bens e não havia entre eles necessitado algum porque ele se olhavam uns aos outros como irmãos e irmãs e na família não pode ter ninguém passando fome enquanto o outro está com a mesa farta então eu expresso meu lamento e
reafirma a minha utopia a nossa a nossa minha sei lá nossa porque não é a minha exclusiva então a nossa leitura do evangelho de jesus cristo que afirma categoricamente a solidariedade como o fato e como imperativo ético perdeu e nós estamos na contramão e faz tempo que nós estamos na contramão faz muito tempo que nós estamos na contramão não sei precisar quanto talvez desde gênesis é mais o mais radical de nós foi crucificado é eu eu penso que que isso é suficiente para que a gente afirma e reafirme que nós estamos no caminho certo se
nós estamos seguindo jesus é mais seguir a jesus significa sempre andar na contramão dos tempos das culturas e das sociedades é acho que era isso que eu tinha pra falar hoje antes de ouvir as suas perguntas e considerações muito obrigada boa noite [Aplausos]