Eu sinto muito, mas tu foi manipulado. Mas como assim manipulado? Tudo que tu vê experiencia, faz tu sentir algo.
A indústria cinematográfica sabe disso, o marketing sabe disso e tu também deveria saber. Hoje eu vou mostrar como que tu é manipulado usando os ângulos de câmera. Eu separei esse assunto em quatro tópicos.
Tópico número um, ângulo neutro. Esse é o primordial, a base para todos os outros. é o modo como a gente enxerga o mundo.
Esse ângulo passa um sentimento de realidade, de igualdade. Se tu colocar a câmera na altura dos olhos, a pessoa que tá assistindo tende a se conectar mais facilmente com um personagem em cena, exatamente como eu tô fazendo agora. Tu que tá me assistindo tá em pé de igualdade comigo, o que é proposital, porque para esse tipo de vídeo, que nem eu tô fazendo agora, que é falando com a câmera, funciona melhor se eu consigo me conectar com quem tá assistindo.
Então, nesse momento, eu não sou nem mais e nem menos. A gente tá em igualdade, mas tu vai entender um pouco melhor sobre isso nos próximos tópicos. Tópico número dois, ângulo baixo.
Quando a gente abaixa a câmera, a situação muda completamente. Esse ângulo é chamado no cinema de contraplung, mas eu gosto de chamar ele de ângulo de baixo. É mais fácil de lembrar, mais simples e mais acessível também.
Esse é o ângulo do poder. Ele passa uma sensação de autoridade, de força. É como se aquela pessoa na tela, ela é mais forte, ela é mais bonita, ela é maior.
Dá para ser usado para vídeos como esse aqui que eu tô fazendo agora, falando com a câmera, que assim vai parecer que eu tenho mais autoridade, mesmo que tu não perceba, mas vai dar a sensação que eu tenho mais propriedade sobre o que eu tô falando. Muito usado em canal de coach e em toda a obra audiovisual também. Ainda no ângulo baixo, a gente pode exagerar e colocar a câmera 100% apontada para cima.
Eu sempre achei legal esse estilo de take, porque a câmera apontada 100% para cima é diferente. Tu não vê muito por aí. Além de que tu pode enfiar a tua câmera em qualquer lugar, qualquer lugar mesmo.
Caixas, bolsas e até mochilas. Tópico número três, ângulo alto. Antes eu falei do contra plungê, agora é o plunge.
Eu nem sei se eu tô pronunciando isso direito. Enfim, para ficar mais fácil, ângulo de cima. Ele é o contrário do ângulo de baixo.
Enquanto no contraplung a gente passa uma sensação de poder e autoridade, aqui passa a sensação de tristeza, de inferioridade, incapacidade. Pessoa tá sendo gravada, ela se torna menor que o cenário, ela fica menos em destaque. Psicologicamente vendo uma cena dessa, ela se torna menos.
Calma que eu vou dar um exemplo. Nessa cena aqui, tem duas pessoas se encarando, mas uma tá em desvantagem. Uma é menos ameaçadora que a outra.
justamente pelo ângulo de câmera, a gente pode notar que essa aqui é mais forte porque ela tá mais alta, ela tá dominando a cena. Enquanto essa aqui tá menor, tá mais baixo, ela é menos relevante. Esse é o poder dos ângulos.
E esse aqui é o plungê absoluto. A câmera fica 100% apontada pro chão. O pessoal gosta muito de fazer steak deitado.
Eu não sou muito fã desse aqui, mas eu gosto de usar ele para mostrar objetos. Tópico número quatro, ângulo inclinado. Esse é um pouco diferente.
Quando usado, ele passa uma sensação de estranheza, de loucura, de desequilíbrio. Muito usado para fazer cena de mistério, que algo estranho tá prestes a acontecer, de que alguma coisa não tá certa naquele momento. E olha que curioso, se tu pegar a linha do horizonte e inclinar a câmera pra esquerda, vai passar uma sensação de ascensão, de subida, de progresso.
Quanto que se tu inclinar a câmera pra direita, a linha do horizonte vai parecer que é uma descida, uma sensação de regresso. É uma coisa meio psicológica, meio maluco, mas é interessante de saber. Eu tava aqui editando e eu esqueci de falar que a maioria das informações desse vídeo eu tirei desse livro aqui, o 5C da cinematografia.
Inclusive recomendo bastante. Por fim, a chave é pegar tudo isso que eu falei, que é a base, e misturar. Por exemplo, eu posso colocar a câmera inclinada para baixo na diagonal, passando uma sensação de estranheza e fraqueza.
Esse é o começo pra gente começar a fazer ângulos com intenção. Esses ângulos e sentimentos que eles passam é o que geralmente a gente sente quando vê alguma coisa assim. Mas a gente tem que levar em consideração que tem outras coisas que também influenciam no sentimento, como a cor, a música, posicionamento em cena, a iluminação, a edição.
Mas uma coisa que eu sei que vai ajudar bastante para fazer esses ângulos diferente é o Magic Army. E se tu quiser saber mais algumas técnicas para deixar teu vídeo mais dinâmico, tem esse vídeo aqui.