[Música] Olá, sejam bem-vindos e bem-vindas à disciplina Estudos Socioantropológicos Aplicados ao Direito. Eu sou a professora Adriana de Avis e vamos trabalhar com a unidade TRS, intitulada Paradigmas do Pensamento Social. Nesta unidade, vamos trabalhar com o tópico da desigualdade social de raça, etnia e gênero.
Inicialmente, vamos entender as categorias, o que seria raça. De forma bem resumida, até o século XVI, na Europa, a palavra raça foi utilizada para se referir ao conjunto de descendentes de um ancestral comum, com ênfase nas relações de parentesco e não em traços físicos, como a cor da pele. Dando um salto já no século XIX, a raça não apenas se consolidou como um importante descritor das características biológicas e socioculturais, mas também recebeu tratamento cada vez mais científico.
Portanto, eu chamo a atenção para o fato de que raça não é um conceito cientificamente válido para a espécie humana, embora reconheça sua enorme relevância antropológica e sociológica, uma vez que indivíduos e sociedades utilizam referenciais culturais, classificam os outros e são classificados tomando por base as características físicas. Gostaria de trabalhar agora com vocês outra categoria: etnia. A etnia refere-se ao âmbito cultural, ou seja, à formação de um grupo étnico.
E o que seria um grupo étnico? Grupo étnico é uma comunidade humana definida por afinidades linguísticas, culturais e semelhanças genéticas. Essas comunidades geralmente possuem uma estrutura social, política e um território.
Partindo de uma discussão política, nós vamos falar agora um pouco sobre a concepção de gênero. E o que seria gênero? Gênero são as relações socialmente constituídas que partem da contraposição e do questionamento dos convencionados gêneros feminino e masculino, suas variações e hierarquização social.
Temos diversos autores que tratam sobre este contexto. Por exemplo, temos Morais, que no ano de 2000 diz que gênero é a utilização de uma categoria que diferencia a pertinência anatômica, ou seja, o sexo, da pertinência a uma identidade social ou psíquica. O gênero, o sentimento de ser mulher e o sentimento de ser homem seriam mais importantes, em termos de identidade sexual, do que as características anatômicas.
Outro exemplo é de Simone de Beauvoir, que em sua obra "O Segundo Sexo", publicada no ano de 1949, ao afirmar que "não se nasce mulher, torna-se", ou seja, torna-se mulher. Embora não usasse a categoria gênero, já apontava que o sexo não garantia a constituição de uma pessoa em correspondência com o gênero. Ou seja, tratar sobre gênero é, em si, muitas discussões; é uma categoria complexa que envolve a perspectiva cultural e também de relações de poder.
Após tratarmos sobre desigualdade de raça, etnia e gênero, nós vamos trabalhar um pouquinho com a nossa história fictícia "Novo Amanhecer". A cidade narrada vai enfrentar desafios significativos relacionados à desigualdade e à estratégia tecnoglobal. Ela é criticada por práticas de contratação que perpetuam a desigualdade de gênero e raça.
Mãos Unidas e Verde Novo destacam essas questões em suas agendas, organizando seminários e protestos para promover a equidade. Você, caro aluno e cara aluna, agora pode refletir sobre esta unidade. Analise as diferentes formas de desigualdade social existentes na nossa sociedade.
Como o impacto da desigualdade pode influenciar na coesão social e no desenvolvimento humano? Quais políticas e práticas podem ser utilizadas para reduzir a desigualdade social? Em nosso próximo encontro, discutiremos essas perguntas que fizemos na aula de hoje.
Até breve!