Oi, bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada para você que está aqui assistindo a esse vídeo. No momento, se você chegou até aqui, é porque ou você já passou por isso, ou está passando, ou conhece alguém muito querido na sua vida que passa por depressão. A depressão é uma doença; não é frescura, não é besteira, não é bobagem, não é falta de Deus, não é falta de religião, não é falta de trabalho.
Ela é uma doença que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro; no Brasil, não é diferente. E, nesse momento de distanciamento social, isolamento social, ela está ainda mais em evidência, e eu vim aqui para tentar ajudar as pessoas. Eu já verifiquei que alguns vídeos no YouTube falam muito de mulheres que tiveram depressão e os depoimentos delas, que são muito importantes, mas faltam depoimentos de homens.
Há poucos vídeos sobre homens contando sobre o que se passou com seu psicológico, e eu resolvi trazer isso para vocês hoje. De cara, digo que não é fácil; é muito difícil você falar sobre o que se passou com você, sobre a sua vida pessoal, sobre a parte psicológica e suas emoções. Muitas pessoas me conhecem e não sabem que eu passei por isso, mas, de toda forma, eu espero ajudar o máximo de pessoas com meu vídeo, com meu relato, com as minhas experiências.
Então, inicialmente eu preciso me apresentar para vocês: eu me chamo Rafael Araújo Ramos, eu tenho 31 anos, sou fisioterapeuta, moro em São Paulo, capital, sou casado, tenho pais maravilhosos e um irmão incrível também. Sempre fui cuidado com muito amor, tive uma infância muito saudável da minha vida até os meus 10 anos de idade. Aproveitei demais, mas, depois dos 10 anos de idade, meu pai sofreu uma perda de trabalho, e assim eu passei a trabalhar com ele.
Então vieram as responsabilidades de se trabalhar; responsabilidade para uma criança de 10 anos, e que durou até os meus 17 anos. Então, abri mão de muita coisa da minha infância e da minha juventude, mas não me arrependi, porque tudo aquilo que eu passei me ajudou a chegar a quem eu sou hoje; faz parte da minha história, e eu pude ajudar minha família. Mas eu não fiquei livre, não fiquei isento das repercussões psíquicas e emocionais que isso tudo teria.
Bom, então, como eu falei, eu trabalhei dos meus 10 até os meus 17 anos com meu pai, até que eu entrei na faculdade em 2007, a faculdade de fisioterapia. E nisso, em 2008, nas. .
. o seguinte: eu precisei interromper, porque as questões financeiras estavam realmente muito difíceis. E foi nesse momento em que a minha saúde mental pediu ajuda.
Eu lembro de chegar para minha mãe e falar: "mãe, eu não estou bem, eu preciso de uma ajuda psicológica". E eu procurei um psicólogo; foi libertador na minha vida. Bom, e isso durou uns seis meses, me senti muito bem e retornei à faculdade em 2009 e me formei em 2011.
Não tive aí, esse tempo todo da faculdade, tempo em que eu estudei demais, aproveitei todos os dias de estudo em laboratório e na biblioteca da faculdade. Recebi inúmeros prêmios, individuais e coletivos também, fiz muitos monitores durante a faculdade; isso foi muito importante para mim, me ajudou a formar uma parte profissional muito sólida. Só que quando eu estava para me formar, em 2011, como eu falei, eu ainda não tinha decidido exatamente o que iria fazer de especialização.
É necessário fazer uma pós-graduação para você realmente se inserir no mercado, e eu precisei disso, mas eu não estava decidido ainda. Eu estava entre duas áreas: a fisioterapia em saúde da mulher e a fisioterapia ortopédica. Por fim, me formei e resolvi que, em 2012, eu iria trabalhar, fazer os atendimentos e que em 2013, realmente entraria de cabeça no estudo específico da especialização.
Em 2012, eu tive um ano incrível da minha vida; conheci a mulher da minha vida, porque eu sou casado hoje. Em 2013, eu iria fazer, então, essa prova de especialização. Chegando no momento próximo das inscrições da prova, estavam rolando rumores de que não iriam abrir as inscrições, que estavam com problemas internos na instituição, e por fim, não abriram.
Era realmente a única que eu tinha em mente, que era que eu queria fazer, e não consegui realizar o curso. Isso foi uma frustração muito grande, uma tristeza imensa que eu tive; eu lembro até de pensar na época: "mas esse ano vai ser difícil", porque eu ia ficar mais um ano sem estudar uma pós-graduação e não iria me especializar, de fato. E nisso, o que aconteceu?
Dificuldades financeiras pela faculdade e cobranças financeiras que eu ainda tinha, dependências. . .
Os atendimentos diminuíram, os atendimentos domiciliares, e eu precisei me sujeitar a um emprego que pagava muito menos, em que eu não recebi o valor que um profissional merece. Mas enfim, precisei passar por isso. Nesse ano, lembro que foi aí que começaram as minhas agonias emocionais, minha tristeza, minha depressão, de fato.
Eu lembro até de passar com o psicólogo, que me diagnosticou com uma depressão leve. E então eu vou falar para vocês tudo que eu sentia: eu tinha um desânimo grande na minha rotina; assim que eu acordava, não tinha vontade de fazer algumas coisas, mas eu fazia. Eu não fiquei parado no meu quarto; eu cheguei até esse momento, mas eu não tinha vontade, não tinha ânimo para fazer, não tinha alegria de viver, de passar pelas coisas que eu tinha no meu dia a dia.
E talvez duas questões bem importantes, que eram as que mais me atormentavam, vão que eu falar para vocês: eram eu e pensamentos negativos o dia inteiro. Eu escutava a voz no meu ouvido; eram vozes que eu até. .
. Hoje, não sei se eram minhas mesmo ou se era alguma parte religiosa, emocionar uma parte religiosa, espiritual. Enfim, eu sofri muito com isso.
Vários momentos, esses pensamentos, essas vozes, ficavam no meu ouvido, seja para o que eu fizesse. Se eu estivesse em uma igreja rezando, se eu estivesse com os meus pais, se eu estivesse com a minha namorada na época, eu sofria muito com tudo isso. Esses pensamentos ficavam sempre no meu ouvido, na minha cabeça.
É tanto que o único momento de paz que eu tinha no meu dia, e em todos os meus dias, e eu sempre ficava ansioso para que esse momento chegasse, era a hora de dormir, porque na hora de dormir os pensamentos cessavam, eles paravam, e aí eu conseguia dormir. Mas assim que eu acordasse no outro dia, os pensamentos retornavam à minha frente, e isso era extremamente pesado; deixava o fardo da minha vida, os dias, muito difíceis. Isso era muito ruim, muito ruim mesmo.
Só quem passou, quem passa por isso, sabe. Assim, eu fazia as minhas coisas, tinha minha rotina, na obrigação total. Eu ia sem aquela alegria, sem aquela vontade, mas eu fazia as coisas.
Eu trabalhava, eu saía, eu fazia o que tinha que ser feito e o que era necessário para tocar em frente a minha vida, porque, infelizmente, quando você sofre, está passando por um trauma muito grande, o mundo continua, né? As pessoas continuam sorrindo, os bebês nascem, pessoas morrem, momentos bons acontecem e momentos ruins, independente do que está se passando com você; o mundo está girando, e se você parar, é muito mais difícil. Mas eu segui em frente.
Eu contei com três pessoas principalmente que fizeram total diferença para poder lidar com meu problema, que foram a minha mãe, com quem eu me abri muito desde o início, quando essas vozes começaram; a minha esposa, hoje, que na época era namorada, Aline; e o meu primo, Lucas, de Brasília. Eu tinha esses três grandes apoios emocionais, porque na época eu não consegui fazer terapia pela questão financeira, fiquei um tempo sem. E como eu já tinha passado por terapia, eu sabia que algumas ferramentas de lidar com partes emocionais eu já tinha.
Mas se fosse hoje, eu faria terapia, não abriria mão do psicólogo. Não acredito que eu fiz a melhor opção, mas foi o que eu fiz na época. Mas aconselho: se você está passando por algum problema emocional, consulte um psicólogo ou um psiquiatra.
Tenha um apoio profissional, mas também tenha os apoios afetivos, de pessoas em quem você confia muito e em quem você sabe que pode abrir seu coração. Se você não tem uma pessoa para fazer isso, procure algum tipo de apoio, porque ele é muito importante, e é com ele que você vai conseguir aliviar um pouco o seu fardo. Então, o que aconteceu?
Seguindo o que eu estava falando para vocês, em 2013, eu fiquei realmente sem estudar, trabalhando nessas condições difíceis que eu falei. Em 2014, realmente, eu entrei na pós-graduação, fiz a pós-mirim em 2015, mas saibam: os pensamentos continuaram persistindo de 2013, 2014, 2015. Mesmo fazendo a pós que eu queria, os pensamentos continuaram ruins.
Da minha cabeça, continuaram bem pertinho. Eu percebi que o mercado estava muito difícil, eu não conseguia me introduzir na saúde da mulher. Nesse tempo todo, até que em 2016, eu resolvi que tinha que fazer uma outra pós.
Eu tentei até mestrado na área de saúde da mulher, não consegui, foi muito frustrante. Lembro de chegar em casa em um certo dia, colocar minha cabeça no travesseiro e chorar feito uma criança, falando: “eu não consegui, eu não consegui, eu não consegui”. Foi um dia muito triste.
Até que eu decidi que tinha que fazer outra coisa para conseguir ter uma melhora financeira, uma melhora econômica, e alcançar os objetivos da minha vida. Pois bem, entrei em 2016 em uma outra pós, ainda com todas aquelas sensações ruins que eu falei para vocês, das vozes, dos pensamentos negativos, do desânimo. Nos três primeiros meses dessa outra pós, em ortopedia, que eu fiz, eu chorava quase todos os dias ao ir para a pós, porque eu não queria estar lá.
Eu queria fazer aquela pós de fato! Eu olhava o pessoal da turma que estava se formando, saindo, e pensava: “nossa, eu queria estar no lugar deles, queria estar saindo agora”. Era um desespero muito grande.
Minha esposa sabe muito bem do que eu estou falando, porque ela vivia isso comigo todos os dias. Quase o meu primo também. Eu dividi muitas mensagens de áudio com ele no WhatsApp, falando sobre isso, e a minha mãe também, diariamente.
E me envia, daí a gente conversava demais. Então, você precisa ter esses apoios. São suportes muito importantes, porque, como o restante das pessoas na sociedade, você acaba não se abrindo e nem deve se abrir.
Não aconselho você a se abrir a pessoas que não vão sentir o seu coração. Então, procure essas pessoas na sua vida. Se não, procure o apoio de alguém, de grupos, etc.
E até que, no final de 2016, ainda estava terminando essa especialização, eu cheguei a um extremo. Um dia, orando como eu sempre fiz, perguntei a Deus: “Deus, quando é que esse sofrimento todo vai acabar? ” Apesar de nunca reclamar nas minhas orações, nunca pedi para espaçar, eu cheguei em um dia em que falei diretamente para Deus.
Depois desse dia as coisas foram mudando aos poucos. As vozes pararam de me atordoar, os pensamentos negativos pararam de me atormentar. Mas lembrando para vocês: eles começaram em 2013 e foram de 2013 até o final de 2016, quase 2017.
Então, eu convivi mais de três anos com pensamentos assim. Ruins coisas negativas: as vozes, o desânimo, o mal-estar ou não querer estar em algum lugar, mas estando lá pela obrigação. Enfim, fala-se de sofrimento muito grande que eu vivi na minha vida pessoal e na minha vida profissional.
Porque acaba que interfere no outro; não dá para mudar isso, mas com muita força de vontade, com esses apoios emocionais e com a parte da fé, independente da sua religião, tem que se apegar a algo, porque ele vai ser um suporte importante para você. Comigo, eu posso dizer que, com a graça de Deus, eu consegui superar tudo isso. Enfim, a minha cabeça foi melhorando, eu fui tendo disposição, a alegria foi voltando.
Hoje, eu trabalho nas duas áreas: quando coincidentemente trabalho em ortopedia, trabalho com a saúde da mulher; tenho até um canal aqui no YouTube e gosto muito do que eu faço. Eu fiz, nesse tempo, muito do que eu precisava fazer para continuar em frente. Foi a duras penas; foi tudo muito difícil, foi uma luta muito grande.
Então, o que eu posso dizer para todo mundo, como uma mensagem final, é algumas mensagens finais: não fique se comparando com outro profissionalmente. Cada um tem o seu tempo, tem seu momento. Não desista, sobretudo da sua vida; lute muito pela sua vida.
Lute muito pelo que você quer na sua vida. A vida sempre vai valer a pena. Você precisa procurar motivos para voltar: voltar a sonhar, voltar a querer realizar, buscar motivações, tentar transformar o seu dia.
Verifica isso com você mesmo: será que a sua vida está do jeito que você quer? Se ela não está, procure entender o que está acontecendo. É algo que você está sentindo?
É algo que você está fazendo que não gosta? A vida vale a pena se você está sorrindo, se você está realizado. Então, vá atrás de sorrir!
Busque sorrir, busque se realizar, busque gostar do que você faz. Verifique se as pessoas com quem você está convivendo são boas para você; elas acrescentam à sua vida? O seu parceiro, a sua parceira: você está feliz com os seus dias?
Você está acordando de manhã se sentindo bem e se sentindo disposto? Vá atrás dos seus sonhos, vá atrás das suas lutas. Verifique tudo isso, porque você é incrível!
Você é gigante! Você é forte! Você precisa descobrir isso.
Todo mundo tem isso; precisa descobrir e continuar seguindo em frente. Vá em frente! Não se deixe cair, não se deixe ir ao fundo do poço.
A gente precisa de pessoas que nos estendam a mão para que a gente não caia, para que a gente não vá para o fundo do poço. Seja muito feliz! Lute pela sua vida, lute pela sua vida!
Então, que esse vídeo possa chegar ao máximo de pessoas possíveis, e agradeço por vocês terem ficado até aqui. Tem um vídeo meu relato; eu tenho certeza que muita gente se cobra demais: estudantes se cobram demais, profissionais se cobram demais, e às vezes podem ter passado por isso que eu passei e podem estar passando. A gente precisa sempre ficar muito vigilante, porque a depressão, se você baixar a guarda, ela pode bater à sua porta novamente.
Então, a gente precisa estar muito bem focado, bem fisicamente e também espiritualmente. Então, um forte abraço a você; procure ajuda se você estiver precisando. Não enfrente tudo isso sozinho.
Nós sempre precisamos da ajuda de alguém. Oi, bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada. Tchau, tchau!