Olá, sejam todos bem-vindos e bem-vindas neste novo momento, né? Nesta nova reunião, hoje, com muito prazer, aqui com a Ana Carolina Tortello. Ana Carolina, seja muito bem-vinda!
É um prazer enorme estar aqui com você hoje, né? E você contando um pouco da sua experiência. Eu vou contar um pouquinho a respeito do nosso encontro, porque a Ana Carolina está aqui hoje, né?
Então, é o seguinte: eu fui aluno do professor João Tortello, aluno de Língua Portuguesa no curso de Letras, há cerca de 54 anos, né? Ele é o avô da Ana Carolina. Logo depois que eu fui aluno, me formei e comecei a dar aulas no Getúlio Vargas.
Eu fui professor do querido Pedro Tortello, filho do professor João Tortello, no ensino médio na Escola Municipal de Primeiro e Segundo Graus Dr Getúlio Vargas. Depois que fiz o mestrado, passei a dar aulas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba e acabei sendo professor do queridíssimo Paulo Tortello, um poeta de grandeza e um ser humano excepcional. Quem é o Paulo Tortello?
O pai da Ana Carolina, né? Isso é. .
. E depois, vocês imaginem que, no curso de Letras, posteriormente eu vou encontrar quem lá como aluna? A querida Ana Carolina Tortello, que está aqui conosco hoje.
Mas as coisas vão longe, né? No ano passado, em agosto, o professor João Tortello faria 100 anos, quer dizer, um século, né? Então, houve uma homenagem para ele lá no Sorocaba Clube.
Teve uma homenagem muito bonita para ele, né? E eu fui chamado lá para falar um poema, alguma coisa durante o evento. E aí, quem eu vou encontrar lá?
Além de outras pessoas como a Elsa Tortello, o Pedro Tortello e vários outros membros da família, estava lá a Ana Carolina. E aí, num determinado momento, ela acabou contando que estava montando uma peça teatral. Eu falei: "Verdade?
Eu queria, professor, que o senhor fosse lá na escola para conversar com os alunos, trocar algumas ideias. " Eu falei: "Tá bom, eu vou sim! " Daí, onde você está dando aula?
Na Escola Estadual Professora Salvestrini Mendes. Aí eu falei: "Não acredito! Quer dizer, lá que comecei a dar aulas.
" Durante as minhas aulas de Língua Portuguesa, que é exatamente o que a Ana Carolina está dando atualmente lá, eu fui montar a primeira peça teatral dentro da escola. A primeira peça teatral que eu fiz, no ensino fundamental, foi exatamente "O Alfaiate Arrependido". E aí eu falei: "Não acredito que você está montando uma peça teatral no Osis, onde eu comecei a dar aulas!
" Eu falei: "Que alegria! Vou com maior prazer. " Fui muito bem recebido, inclusive.
A peça, quando foi apresentada lá no Salvestrini, quem foi lá para assistir foram membros da família, da professora que era da minha escola e, dentre eles, estava o próprio prefeito municipal da época, que era o Teodoro Mendes, um dos filhos da professora Salvestrini. Então, foram momentos muito bonitos, muito significativos para os alunos, para todos nós. A nossa diretora da época, a Del Stepan, era uma pessoa maravilhosa também.
Tinha outras professoras incríveis, colaborando conosco lá. E os alunos sempre comentaram a respeito disso, né? Bom, aí a Carolina me avisou, me convidou então para ir lá para trocar algumas ideias com os adolescentes.
Eu acabei indo durante os ensaios. Foi uma tarde deliciosa, divertidíssima, muito saborosa a mesma tarde, porque os alunos são muito receptivos e carinhosos, assim como a Ana Carolina é muito receptiva e carinhosa com eles. Eles também foram comigo.
Então, foi uma tarde deliciosa. E depois, foi o momento em que vocês apresentaram, né? Lá na quadra de esportes, a apresentação da peça teatral durante um evento maior, né?
Todas as disciplinas. Então, a língua portuguesa e os alunos fizeram a apresentação. Foi muito bom, muito gostoso assistir.
Esses encontros, esses momentos, essas situações são os prazeres que a nossa profissão possibilita, não é? Foi realmente uma delícia, né? Então, hoje, eu convidei a Ana Carolina para vir trocar algumas ideias, conversar um pouco conosco.
E é o que nós estamos aqui fazendo hoje, tá bem? Sim, então, Ana Carolina, seja muito bem-vinda! E eu quero que você comece contando um pouco de onde você nasceu.
Qual cidade você nasceu? Sorocaba mesmo? Sorocaba mesmo, certo!
E onde você começou seus estudos, a educação fundamental? Onde foi? Foi.
. . Bom, eu passei por muitas escolas, mas me lembro que estudei no Veritas e no Santa Escolástica.
Sabe que o diretor de lá hoje, né? Nós temos o diretor também. Ele esteve participando das atividades teatrais na Uniso, Donizete.
Benedito Donizete, que é o diretor atualmente lá, ele foi professor, foi coordenador de curso. Hoje ele vai ser um dos próximos entrevistados também, com muito prazer. Eu fui esses dias lá fazer uma visita na escola.
E daí no Centro Escolar… Então, eu me lembro que fui morar em Campinas. Daí fiz o terceiro ano, na verdade, a terceira série do Ensino Fundamental em Campinas, no distrito de Sousas. Depois, eu fui morar em Rondônia.
Morei 7 anos em Rondônia e voltei para Sorocaba quando estava no terceiro ano do ensino médio. Nossa, que legal! Morei 7 anos lá em Rondônia.
Aí eu voltei para. . .
Sorocaba, fiz o terceiro ano do ensino médio na escola Bermac. Após isso, eu prestei o vestibular e entrei na Uniso em Letras, inglês, em 1996. Ei, né?
Você lembra o nome de alguns? Lembro, lembro, lembro do Claudemir, lembro da Fabiane, da Renata, da Márcia Borba, da Patrícia César, que era muito minha amiga e andava bastante comigo. Deixa eu ver quem mais.
. . O Jefe era da sua turma?
Eu acho que não, não me lembro desse nome. Era da outra classe. Eu lembro que na minha classe tinha poucos meninos; eu e o Claudemir fazíamos parte do meu grupo de turma.
Aham, mas eram mais ou menos esses mesmos. Aí tinha mais uma, que agora não vou lembrar o nome dela. Depois conta, mas é isso.
E você? Desde o momento que você fez o seu ensino fundamental, você teve alguma atividade artística, teatral ou com poemas? Você lembra de alguma coisa que aconteceu?
Então, quando eu morei em Rondônia, na minha escola tinha um grupo de teatro e eu cheguei a frequentar, assim, mas nós não chegamos a fazer nenhuma peça, nada. Fiquei só na parte do treinamento mesmo. E aí não foi para a frente e acabou por ali.
Daí, quando eu voltei para cá, eu não cheguei a participar de nada sobre teatro, mas eu ia muito assistir peças teatrais. Sei, né? Meu pai sempre me levou para a arte, a literatura, para todo esse meio; ele me levava.
Então, eu cheguei a assistir bastante peças de teatro. Eu gostava bastante. Sei, eu era tímida; confesso que no começo eu acho que também não foi muito para a frente por eu ter uma certa timidez.
E a minha timidez só saiu mesmo quando eu fiz a minha última peça de teatro na faculdade. É que daí eu consegui me soltar mais. Entendi, porque antes você era bastante presa e foi se soltando através dessas atividades.
Isso na faculdade foi o que me fez, aos poucos, me soltar mais. Como que aconteceu lá? Conte para nós.
A primeira peça de teatro que nós fizemos na aula de literatura brasileira, nós falamos sobre poesias. Fizemos uma peça sobre Vinícius de Moraes. Aí eu escolhi o soneto "Fidelidade", que era um dos meus sonetos preferidos e eu sabia de cor.
Eu falava muito pouco na peça; eu fui um personagem mais curto porque eu tinha muita vergonha ainda. Então, eu aceitei, mas, né, eu lembro até, inclusive, que eu cheguei na parte da declamação a trocar os versos de tão nervosa que eu estava. Sei, sei.
E daí, depois, nós fizemos mais duas peças durante esses quatro anos que nós estudamos e eu também escolhia personagens que falavam um pouco. Parecia um pouco. E na última, que foi a maior, nossa última apresentação, eu fui um dos personagens principais, mas mesmo assim, quando a gente começou a ensaiar, eu tinha escolhido ser um personagem que quase não falava e que entrava muito pouco em cena e ficava muito na minha.
Assim, só que para eu ensaiar, porque eu ia ser a Sininho, né? O nome da peça era "O Caos dos Contos de Fadas". Nós fizemos em conjunto, na época, com as alunas do Cefan, né?
Antigamente tinha o Cefan. Foram, inclusive, elas que produziram a peça "O Caos dos Contos de Fada". Não vou me lembrar o nome delas, mas eu lembro que foram elas e elas vinham nos ajudar nos ensaios.
E como que foi o contato inicial com elas? Quem fez contato com elas? Ah, eu não lembro.
Acho que foi a Renata ou se foi a Fabiane, que eram as mais líderes da turma, assim, que tinham mais contato. Interessante essa relação com o Cefan, né? Que é um centro de formação para o magistério.
E você lembra então a autoria do texto? Acho que esse texto, na verdade, foi uma adaptação feita por elas mesmas, as meninas. Isso foi, foi.
Eram elas que tinham feito. E daí o personagem principal que contava toda a história era o Peter Pan. Sei, e daí tinha a Sininho.
No começo, ela não falava porque ela era um ratinho. Aham, depois que ela se transformava novamente na Sininho. Então, assim, eu escolhi ser a Sininho porque eu entrava muito pouco e falava muito pouco.
Só que para eu poder contracenar com o Peter Pan, eu tinha que saber as falas do Peter Pan. Uhum. Então eu chegava a decorar e eu não me lembro o nome da minha colega na época que tinha sido o Peter Pan.
Ela não conseguia decorar o Peter Pan; eu que simplesmente falava para ela: "Ah, você fala tal coisa, agora é sua vez”. E daí a gente tinha uma professora do Cefan que estava junto com as meninas nos ajudando nos ensaios. E ela chegou a conversar comigo e com essa minha colega que a gente deveria trocar os personagens, porque ela não conseguia decorar a fala do Peter Pan.
Eu, no começo, falei que não queria porque o Peter Pan era o personagem principal e ele conversava com o público, né? Ele interagia com o público, porque era ele que estava contando toda a história do "Caos dos Contos de Fadas". Então, ele estava na peça do começo ao fim.
Daí ela falou que não, que eu ia dar conta, que eu ia conseguir. E, no fim, eu acabei aceitando, à contragosto da minha colega, que eu não me lembro o nome agora, mas ela ficou meio chateada porque ela não queria. Trocar, ela já tinha pedido para fazer a fantasia dela.
Tudo já tava tudo no esquema, e ela não quis trocar, mas aceitou porque a professora conversou com ela. E ela aceitou trocar e ser assim Ninho. E daí foi aí que eu me descobri que eu gostei, que eu vi que eu era capaz de decorar uma peça longa, conversar com o público e ser um personagem, né?
Consegui, assim, aham, incorporar o personagem do Peter Pan. Inclusive, eu trouxe aqui ó umas fotos. Ó, ai que linda!
Ó, eu com o meu pai de Peter. Seu pai tá aqui nesta, né? É da direita, certo?
Que delícia! E daí as meninas. .
. Com as meninas aqui, ó. E na última foto, conta pro pessoal quem é que está aí ao seu lado.
Isso aí é a sua turminha. E essa ao lado é. .
. Quem que tá aí com você? Essa aqui é a minha avó Maria Helena, mãe do meu pai.
Aqui é meu pai, aqui. Isso, o pai em cima, o Paulo. A Marilena também é sempre uma personagem muito querida em Sorocaba.
Sim, Paulo também, seu pai fez uma vez sentado comigo, batendo papo num barzinho que nós fomos tomar um lanche. Ele chegou, puxou na ar, tinha lá caído um papel de um pacote de cigarro e, na mesma hora, ele sentou e escreveu um poema na mesma hora ali. Ah, maravilhosa, brilhante, né?
Então, e aí, esse tipo de atividade fez você. . .
Qual a importância disso para você dentro da sua profissão, por exemplo? Então, a partir do teatro que eu comecei a fazer na faculdade, eu comecei a me soltar mais e percebi que eu conseguiria. .
. travou. Conseguiria.
. . Ele travou, mas qualquer coisa não é problema, daí continuou a partir daí.
Ah tá, ah, voltou. Acho que voltou. Isso, então, daí a partir disso eu percebi que eu conseguiria deixar minha timidez do lado, ser mais.
. . vamos dizer assim, mais dinâmica, mais confiante.
Eu adquiri confiança. E então, quando eu comecei a lecionar, porque eu entrei na faculdade, eu dizia para todo mundo que eu não ia ser professor. É?
Você não? Então, mas é porque eu entrei na faculdade por conta que eu gostava de ler, de escrever. .
. que eu escrevo poesias desde os 10 anos de idade. Fiz contos desde os 14 anos, então eu gostava de criar histórias, poesia.
Então, eu entrei nisso pensando: "Ah, vou publicar meu livro, vou ser escritora, mas não vou ser professora porque eu não vou saber lidar com uma sala de aula. Eu sou tímida, não vou conseguir falar. " Aí, como foi passando, o teatro me ajudou bastante, e eu vi que eu.
. . daí eu me apaixonei.
Eu não me vejo fazendo outra coisa, eu amo dar aula, e principalmente pros menores, pras crianças, adoro. E tanto que, quando eu comecei a dar aula, eu fiz. .
. eu fazia projetos. Em abril, dia de Monteiro Lobato, eu fiz um Festival da Emília.
Ó, ah, fiz o Festival da Emília, que sou eu de Emília, com umas alunas. Sim. Isso daí, quando foi, quando você começou a dar aulas?
Esse. . .
da. . .
ah, não, esse aqui já tava como professor eventual? Já, entendo. Então, você fez uma atividade e assumiu uma personagem dentro da montagem da peça para as crianças.
Isso? Era um musical, a gente só dançava a música da Emília em homenagem ao Monteiro Lobato. Mas era você e quem mais atuando?
Não era só eu, eu e as crianças. Elas participavam, assim, tinham uma participação especial na música, mas eu era a personagem. Entendi, que legal!
E aí. . .
Aí, após isso, depois que eu me efetivei em 2008, eu fui PR Cotia. Eu me efetivei em Cotia. Fiquei dois anos lá em Cotia.
Não consegui fazer nada como eu fazia aqui em Sorocaba porque era bem cansativo. Eu saía daqui de manhã para dar aula à tarde e voltava à noite. Era assim.
Aí, eu consegui a transferência para a Cidade Nova em Itu. E depois eu fui para a Osses. Em 2012, eu entrei na Osses Salvestrin, e aos poucos eu fui me soltando, pegando mais confiança, né?
Porque daí eu já estava aqui em Sorocaba e fui fazendo várias coisinhas assim. Daí, um ano antes da pandemia. .
. Ou melhor, não. Em 2020 mesmo, mas antes da pandemia, antes de fechar tudo, eu tava criando um teatro de fantoches com meus alunos dos sextos anos, que ficou daí somente online por conta da pandemia.
Então, assim, poucas pessoas participaram desse evento e foi bom porque eles começaram a falar sobre sentimentos, como que era, o que que eles sentiam de estar fechados dentro de casa. Então, eles criaram os fantoches. Eu tive fantoches de meia, eu tive um fantoche que pegou um ursinho e fez o ursinho falar sem aparecer.
Eles não apareciam, era só os fantoches. Eu tenho esse vídeo comigo, que foi filmado, que eu editei com eles. Foi bem simples.
Daí, depois eu fui criando outras pequenas peças, às vezes de algum textinho que tinha lá que a gente precisava estudar, até que surgiu, no ano passado, na disciplina de eletiva, que é onde se juntam todos os alunos de dois anos diferentes, né? No caso, sexto e sétimo ano. E que eles podem escolher o que eles gostariam de trabalhar durante o ano que fosse parecido com algo que, mais para frente, no futuro, eles gostariam de ser.
Então, ali eu tinha gente que queria ser cantora, tinha gente que queria ser dançarina, tinha gente. . .
Que queria ser escritora e arquiteta, e tinha outros também que não eram assim muito do nível artístico, mas que se encantaram e chegaram no meu grupo. Aí, antes de eu convidar você para ir para lá, no primeiro semestre do ano passado, nós fizemos uma adaptação de "Saltimbancos". Ah, "Saltimbancos"!
Nós fizemos uma adaptação do "Saltimbancos" com teatro de fantoche. Sei, ai que legal! Foi uma adaptação musical mesmo, né?
Era um teatro de fantoches musical, tinha a parte da música. Até no dia da apresentação, o meu filho quis participar, dançar lá com a dança do cachorro. O Artur tem 8 anos e a Letícia tem 12 atualmente.
Não, a Letícia tem 14; no ano passado ela estava com 13, enquanto o Artur tinha 7. Ah, e hoje ele está quase fazendo 9, só que ele é de agosto. Então, naquela época ele tinha 7 anos.
Aí eu tinha também dois alunos da Educação Especial que fizeram parte do meu teatro: o Gabriel, que foi um dos cachorrinhos da dança, e a Laí, que tem síndrome de Down e era uma das gatinhas. Foi muito gostoso porque eles conseguiram interagir e participar, as professoras auxiliares ficaram felizes por conta do que eles estavam se divertindo e, ao mesmo tempo, participando com os colegas. Daí, passou o semestre e, quando chegou no segundo semestre, eu pensei: "Eu não vou mudar o tema, eu vou continuar com teatro.
Só que agora eu vou fazer com que eles sejam os personagens. " Aí eu fiz uma adaptação do "Sítio do Picapau Amarelo", onde os personagens contavam uma história que quem criou foi uma das minhas alunas. Inclusive, a adaptação do "Saltimbancos" foi ela também que fez e que participou.
Sim, participou também. Ela gosta muito de escrever, escreve poesia, e escreve muito bem. Ela também gosta muito de ler, então eu falei para ela que eu gostaria que ela fizesse uma adaptação do "Saltimbancos".
Ela fez, e depois ela fez a do "Sítio do Picapau Amarelo", mas contando uma outra história em cima dos personagens do "Sítio do Picapau Amarelo", que foi criada por ela. Certo? E é bom contar que ela tem.
. . quantos anos?
14? Não, ela tem 12 anos; ela tinha 12 anos, agora ela vai fazer 13. Isso, atualmente ela está no oitavo ano.
No ano passado, ela estava no sétimo. Aham. E daí a parte do "Sítio do Picapau Amarelo" foi quando eu convidei você para ir lá para conversar um pouquinho com eles.
Também foi um musical, teve a parte musical e foi muito legal, foi gratificante. Eu gostei bastante! E esse ano nós estamos lendo, no projeto de leitura das escolas estaduais "Leia São Paulo", o livro do "Pequeno Príncipe Preto", do Rodrigo França, se eu não me engano.
E eu pretendo, assim que nós terminarmos a leitura, tentar fazer alguma coisa na sala de aula com eles sobre a história do "Pequeno Príncipe Preto", também já participando da trilha antirracista, que faz parte do projeto do Estado de São Paulo. Certo! Muito legal, viu?
Muito bom mesmo! Então, na verdade, você está fazendo isso hoje porque você acredita. Sim!
E gosto muito, gosto muito. Tanto de dar aula hoje em dia quanto de criar. Porque eu gosto de criar, eu gosto de escrever, eu gosto de criar histórias, personagens, e é muito gratificante isso.
Então, eu acabo me aproximando dos alunos que gostam também, e a gente vai criando histórias e montando pequenas peças, às vezes dentro da sala de aula. O objetivo principal, vamos dizer assim, em relação a seus alunos. .
. Então, você hoje aplica esse tipo de atividade por quê? Bom, primeiro, geralmente é para criar uma certa independência deles, para eles soltarem mais, trabalhar criatividade, ao mesmo tempo se divertir, né?
Que aprender também pode ser uma diversão; não precisa ser uma coisa tão chata, né? Que às vezes eles falam: "Ai, é muito chato isso! " Então, eu vou mostrando de uma outra maneira que é gostoso aprender também.
E artisticamente, no sentido de que eles conheçam. . .
Porque, por exemplo, eles conhecem Monteiro Lobato, mas será que eles conhecem realmente todos os personagens? Sim, né? Porque ultimamente, com esse mercado digital, eles não ficam muito assim.
São poucos que gostam de ler, por exemplo, "Saltimbancos". Alguns nem conheciam, quando eu falei: "Ah, nós vamos fazer "Saltimbancos". Nossa, mas o que é isso?
" Entendeu? Então, mais a literatura brasileira mesmo, eu gosto de fazer coisas que são do nosso país. Entendeu?
Certo! Então, eu gosto muito da literatura brasileira por conta disso. Aí eu vou mostrando para eles, conhecendo novos ares, novos mundos, coisas que às vezes eles não têm acesso.
Aham, alguns não têm nem acesso a isso. Certo! Muito bom, viu?
E você, então, começou fazendo as montagens com poemas, né? Em teoria da literatura, depois você fez a primeira. .
. Ah, você fez três montagens, é isso? Fez a segunda peça teatral, que foi literatura brasileira, né?
Que você falou? Foi, foi! E depois a terceira foi em literaturas infantil e juvenil.
Isso. Foi. Foi!
Entendi, muito bom! Muito bom! E ainda, só para antes de nós terminarmos a nossa conversa e não ficar perturbando você demais, conte para mim como você se vê nesse contexto familiar hoje.
Ana Carolina, dentro da família Tortello, tão envolvida com essa questão de língua portuguesa, literatura, enfim, arte. . .
Eu tenho um orgulho muito grande da. . .
Minha família. . .
Meu pai foi um incentivador, principalmente da minha leitura. Ele sempre, desde pequena, me incentivou. Meus pais se separaram quando eu era muito pequena, mas ele nunca deixou de ter contato com a gente.
Então, assim, desde pequena, quando ele ligava pra gente, era sempre a pergunta: "Que livro você está lendo? " A gente tinha que estar lendo algo, e ele nos presenteava com livros. Assim, quando íamos visitá-lo, ele deixava a gente brincar com a máquina de escrever.
Às vezes, a gente criava poemas, versinhos. Eu cheguei a criar, um dia, um versinho sobre uma poça de água de um lugar que frequentemente frequentávamos, uma praça. Daí, comecei a criar junto com ele essa poesia.
Em relação às artes, tem também a minha tia Elsa, que pinta e tem um ateliê. Ela desenha, né? E então, assim, a família inteira tem veias artísticas.
Eu gosto muito, hoje em dia. Tenho muito orgulho de ter me formado professora de língua portuguesa, que também era um orgulho pro meu pai. Meu pai chegou a ser o meu padrinho da formatura.
Daí, infelizmente, após isso, ele faleceu, né? Já vão fazer 24 anos que ele faleceu, muito novo. Eu conversei com ele um pouquinho antes no hospital.
Então, porque, ó, eu tô com 47 anos e vou fazer 48. Meu pai faleceu exatamente aos 48 anos. Muito doido.
Na época, a gente não tinha tanta noção de quanto ele era novo. As pessoas até falam que, nossa, antigamente, quando você falava que alguém tinha 40 e poucos anos, era uma idosa. A gente falava assim, as crianças… Mas então, eu tenho muito orgulho.
Eu sei que ele ficou muito feliz, inclusive, no dia da minha formatura. Ele chegou a escrever uma crônica chamada "A Professorinha. " Ai, que legal!
É uma homenagem a mim. Quero conhecer! Vou mostrar para você.
E então, foi um orgulho para ele ter uma filha se formando em língua portuguesa e sendo professora, igual a ele, igual ao meu avô. E é isso, eu gosto muito do que eu faço, amo escrever, amo ler, criar, adoro criar. Professora, você não é só uma professora, você é uma educadora, né?
Quer dizer, vai além, né? Parabéns, viu? Parabéns!
Foi uma alegria esse reencontro com você lá, depois ir até a escola e estarmos aqui hoje. Sabe, Deus te abençoe! Eu queria que você falasse agora algo mais que você queira comentar e não falou hoje ainda, nesse nosso encontro aqui.
Ah, o que fica? Você sente assim, "Ah, eu gostaria de falar tal coisa ainda. " Ah, olha, eu gostaria de dizer que eu tenho um sonho de publicar meus contos.
Bem, queremos vê-los, né? Eu cheguei a publicar algumas poesias, mas os contos ainda não. Eu tenho alguns contos já escritos há alguns anos e confesso que eu fiquei um bom tempo sem escrever após o falecimento do meu pai.
Eu travei, assim, não consegui escrever mais. E voltei há uns três anos e meio atrás, somente para voltar a escrever, a ter vontade, a gostar. E esse sonho, quero um dia poder ter meus livros de contos e que alguém veja e fale: "Nossa, foi minha professora.
" Ai, que legal! Eu gosto de criar personagens. É muito bonito também você colocar seus filhos no contexto, né?
Muito bonito! Inclusive, tem uma história que eu criei que foi, inclusive, para um trabalho seu, que se chama "Uma Amizade Sem Fim," onde eu conto a história de alguns amigos, e uma delas acaba falecendo. Só que a menina que é a personagem principal se chamava Letícia, porque eu sempre dizia que, quando eu tivesse uma filha, ela ia se chamar Letícia, que significa alegria, né?
Vem do latim, significa alegria. Então, era meu sonho, e eu criei a Letícia mesmo antes da Letícia nascer. Olha que legal!
Então, eu coloquei ela como uma personagem, que era o meu sonho ter uma menina. E depois, agora eu tenho ela, que tá com 14 anos. Demais, de legal!
Muito bem! E é minha aluna desde o sexto ano. Você tá conseguindo essa alegria mais ainda!
Ela é minha aluna desde o sexto. Esse ano, tá no nono, vai se formar e não é muito fã de português. Ela gosta de matemática, normal, mas ela vai bem, e ela gosta muito de desenhar.
Então, ela tá inclusive na família Tortello, porque puxou a parte artística da minha tia. Ela cria também personagens, mas na forma do desenho. Ai, que legal!
Muito bom! E então, você me fez lembrar que Letícia também é. .
. Olha que incrível! Não sei, né?
Jung disse que não tem coincidências, né? Mas enfim, você está exatamente na nossa linha de tempo. Amanhã, vou fazer uma entrevista com a Letícia, que é uma professora do Getúlio Vargas, onde eu também estava dando aula.
E ela está montando fazendo montagens atrás lá, então eu estive lá assistindo a peça, e anteontem eu estive lá pela manhã dando uma aula pros alunos também, sobre poesia. Foram três turmas, né? Então, é uma delícia essas coisas, né?
Sim, esses reencontros maravilhosos que vão acontecendo não é porque a gente está saindo correndo atrás, não. Vão acontecendo pela própria energia que vocês têm, né? Que nós temos todos.
Meu anjo de Deus, abençoe você, viu? Parabéns por tudo isso que você está fazendo pela sua família, por tudo que você é, né? Obrigada!
Seus alunos, que a gente percebe que a amam muito, né? Lá na OIS, a recepção foi maravilhosa. A todos vocês, né?
Uma muita energia boa, então parabéns! Estamos juntos e vamos continuar juntos, se Deus quiser, né? Vamos sim!
Então, muito obrigado! Deus abençoe você, viu? Obrigado!
Amém por esse momento maravilhoso. Bem, tá bom! Obrigada e a vocês que estão nos assistindo, muito obrigado.
Até breve e continuamos juntos também. Muito obrigado a todos! Obrigada!
Tchau!