Vamos ser sinceros, em certa parte, eu vir aqui dedicar um vídeo inteiro a falar mal sobre adaptações em live-action é praticamente chutar cachorro morto. Se você não é um daqueles estranhos que diz ter "lapis fobia" seja lá o que isso signifique. Você com certeza não tá curtindo muito a qualidade das últimas adaptações em live action de obras clássicas que vem saindo por aí.
isso quando as obras são clássicas né. As vezes o negócio nem terminou direito e já tá tendo adaptação a rodo. Enfim.
isso é ruim isso é ruim isso é ruim esse é legalzinho e esse aí é horripilante esse vídeo pra além de uma crítica, algo que eu preciso admitir que eu adoro, é também um estudo. Um estudo do porquê EU (tropia) acho que essas grandes empresas insistem tanto nessa tecla de adaptações em live action. Quanto do porquê eles dificilmente funcionam.
As vezes o projeto até é realizado por pessoas com boas intenções, mas nem sempre boa intenção basta. Até porque tem certas coisas. Certas histórias.
ou até mesmo, certas ideias. Que não foram feitas pra sair das suas mídias originais. E não porquê os estúdios impuseram uma limitação de orçamento, ou por burocracias da indústria.
E sim porquê fora delas, o resultado seria um lixo (A Grande Resposta ) ó, Eu não vou ficar criando drama desnecessário aqui, até porque vocês são bem crescidos e já sabem como as coisas funcionam. O motivo pelo qual existe tanta adaptação, necessária ou completamente desnecessária. É o dinheiro.
Obra antiga fez sucesso. Nostalgia é simplesmente a arma mais poderosa da indústria do entretenimento e você MESMO sabendo da bomba que tá por vir, vai querer dar uma olhadinha. E nesse caso, ironicamente eles nunca perdem.
Porque pensa ai. A Netflix ao lançar o novo live action do Avatar viu duas possibilidades. Ou a adaptação iria ser um sucesso absoluto.
Ou um grandissimo fracasso. Porém independente de qualquer uma dessas duas, eles ainda iriam ter o resultado que queriam. Que era reviver uma franquia e ainda por cima lucrar muito com ela.
Se a adaptação vai bem. Eles lucram com a chegada de novos fãs. O que implica em mais assinaturas e por aí vai.
A Propriedade Intelectual do Avatar se fortifica. agora, se ele vai mal. Olha só, eles também tem todo o seriado animado no catálogo.
E se tem uma coisa que os fãs de avatar fizeram questão de dizer nos últimos meses, foi que a adaptação não é boa. Seja em vídeos com milhares de views Tweets com muito engajamento Tiktoks e você entendeu Então mesmo que ninguém tenha ido assistir ao live action, geral voltou a lembrar do desenho de 2004 e decidiu voltar a ver. O que gerou novas assinaturas e claro, mais dinheiro.
a gente continua reclamando e eles continuam enchendo o bolso essa dinâmica do "antes malfeito que não feito" é tão clara que dos últimos anos pra cá, as próprias empresas fizeram questão de desistir de esconder isso das pessoas. É só ver filmes como Megamente 2 ou As aventuras de Buck que dá pra notar que esse lance de "honrar obras consolidadas" pouco existe. O importante é não sair no vermelho.
E ok, ESSE é o argumento mercadológico da coisa toda. Ele é importante, ele provavelmente rege tudo que a gente consome e vai consumir, mas ele, felizmente, não é tudo. Por trás de todo esse emaranhado de executivos tentando ganhar a maior quantidade de dinheiro possível, ainda tem algumas pessoas tentando fazer algo interessante.
E pra ser interessante precisa de um motivo pra existir. E por incrível que pareça, algumas adaptações tem. tirando a ideia financeira do argumento.
Existem outros 3 motivos principais pelo qual alguém faria uma adaptação em live action de algo. 1. atingir uma nova geração de pessoas.
2. atingir uma nova bolha de pessoas 3. atingir uma nova faixa etária de pessoas e por mais que o 1 e o 3 se pareçam bastante, eu vou dar o meu ponto.
Mas por via de regra eu acho que vocês já perceberam, a ideia central sempre vai ser atingir novas pessoas. O primeiro ponto é talvez o mais óbvio. Algumas obras como filmes clássicos da Disney por exemplo, já são bem velhas por mais que não pareça.
A animação da Branca de neve saiu em 1937. Então é normal que as crianças, principalmente da geração mais recente. 2008 pra cá.
Possam não saber o que é Branca de Neve, e uma readaptação pros dias atuais serviria. Faria bastante sentido. Além disso, é bom lembrar também que o contexto da primeira metade do século 20 eram bem diferentes dos nossos.
Nessa época desenhos sentiam uma liberdade muito maior pra serem racistas, xenofóbicos ou só extremamente preconceituosos com algumas pessoas. É só ver alguns cartoons antigos, seja do pica pau, ou da própria disney mesmo. E por conta disso, faria bastante sentido que essas obras fossem remodeladas.
Até porque nessa época, esse ódio muitas vezes era uma arma política. Como por exemplo a xenofobia recorrente que os Estados Unidos faziam contra os japoneses. Japoneses que eram literalmente seus inimigos de guerra.
Justifica? não. Mas ajuda a entender o porquê das coisas.
Claro que as vezes alguns produtores parecem nem entender direito o porquê disso. E acabam fazendo essas mudanças sem pensar. Um caso recente muito bom é justamente a famosa "falta de machismo no Avatar da netflix" Aonde os executivos que estavam tomando a frente nesse projeto provavelmente devem ter pensado que o machismo, principalmente presente no sokka durante o inicio do programa iria ofender as pessoas.
Mas a real é que era o contrário. O machismo presente em um personagem principal da série, servia justamente pra escancarar um problema estrutural, tanto da nossa quanto da sociedade deles. A ideia era criar um arco de evolução de personagem.
Aonde uma pessoa que faz atitudes abomináveis, no fim percebe isso. E assim vai trazer consigo essa mensagem de que as suas atitudes antigas eram repugnantes. Não dá pra comparar isso com isso.
Até porque no ninguém que deve ter visto esse curta na época deve ter saído com a impressão de que pessoas afrodescentes NÃO são assim. Pelo contrário, deve ter só espalhado mais os estigma falso. Então no papel, a ideia é ótima.
Mas TEM que saber fazer. Porque se não fica parecendo vazio. E fazer uma obra tão rica como avatar, perder boa parte da sua profundidade, definitivamente não é algo que as pessoas iriam querer assistir.
Uma coisa que talvez você não saiba, mas que é MUITO comum. É o vício que os Estados Unidos tem em criar versões americanizadas de obras não-americanas. Algumas vezes funciona muito bem.
O exemplo mais famoso é a sitcom The Office. Que na real era um show britânico, mas que foi feita uma versão norte americana que acabou sendo melhor e mais popular. Mas na grande maioria das vezes.
Fica uma porcaria. Um exemplo claro que eu tenho é de um clássico do terror psicológico chamado Funny Games. Esse filme aústrio, lançado originalmente em 97.
Tinha uma premissa muito interessante. Criticar a relação esquisita entre Violência e Mídia principalmente durante a guerra fria na Europa. A ideia é que dois jovens invadem uma casa e vão torturando uma familia durante o filme inteiro.
Só que a sacada genial, é que esses dois jovens SABEM que fazem parte de um filme. E por isso eles o tempo todo quebram a quarta parede. Meio que mostrando que a gente, o público que tá testemunhando tudo isso, também é cúmplice.
A gente é insensível a tudo que acontece, justamente porque e aquilo acabou se tornando algo normal em obras do gênero. É como se o criador zombasse da nossa cara pela falta de empatia. Assim como a gente pouco se importa com as notícias absurdas que recebmos nas redes sociais.
Pessoas morrendo diariamente em guerras ou só pela violência urbana. Isso tudo se tornou banal, apenas mais uma noticia pra tu clicar e depois voltar como se nada tivesse acontecido. Em 2007 os estados unidos lançou a SUA versão de funny games.
E o lance é que essa versão não é particularmente ruim. Ela foi dirigida pelo mesmo diretor da versão aústria. Só que, assim como não agrega nada negativo a obra original.
Também não agrega nada positivo. Em 2007 havia passado apenas 10 anos da obra original. Não é como se ela tivesse ficado datada ou inassistível.
há 10 anos atrás, em 2014 por exemplo. Saia filmes como As memórias de Marnie, Capitão america e o Soldado invernal e até mesmo Whiplash. E pra quem viu qualquer um desses aí, sabe.
Eles são ótimos. Então porquê essa remake estadunidense de Funny games foi criado? Pra ganhar mais dinheiro?
Sim. Mas tem um outro motivo. Os estadunidenses não costumam consumir coisas que não são estadunidenses.
Existe uma cultura muito forte dos norte americanos de só consumir o que é deles. E isso não é algo que EU to falando. Até eles próprios concordam com isso.
"Como regra geral, a maioria dos falante nativos de inglês não assistem filmes estrangeiros falados em outras línguas e ponto final. (. .
. ) A maioria dos falantes nativos de inglês costumam assistir o primeiro filme estrangeiro quando já são adultos. " Claro que isso não significa que ninguém lá em cima veja filmes estrangeiros.
Mas a grande maioria não vê. E isso faz com quem um dos mercados mais lucrativos do mundo fique fora da mira de muita gente. E se as pessoas não vão até a obra.
Então a obra vai até elas. Isso aconteceu com One Piece. O Eichiro Oda, criador de One piece deixou isso bem claro em entrevistas.
Ele inicialmente não queria fazer o live action. Até porque ele sabia. Obras japonesas que iam por esse caminho quase sempre fracassavam.
Mas foi por ver que a qualidade gráfica do CGI tava evoluída que ele topou fazer esse projeto acontecer. Nisso ele sempre se perguntava como ele poderia agradar o pessoal do ocidente sem irritar os fãs originais da obra. Sempre houve essa preocupação.
Justamente porque ele SABIA que muitas novas pessoas iriam ficar sabendo de One Piece. Pessoas que não viam conteúdos fora da sua bolha. Isso acontece demais com obras asiáticas.
Porque se o pessoal precisou adaptar uma obra Europeia porque ninguém via a original. Imagina algo de um lugar que eles foram culturalmente ensinados a ignorar. Por isso tem tanto live action de anime.
Porque em teoria essa é uma das poucas formas que o pessoal de cá tem pra consumir esse tipo de obra. No Oscar de 2023, Guillermo Del Toro havia ganhado o prêmio de melhor animação por sua adaptação de pinóquio. Quando ele foi discursar, ele disso isso aqui: A frase "animação é cinema, e não um gênero" não foi dita da boca pra fora.
Essa ideia de que animação não deveria se limitar a ser algo apenas para crianças e ser levado mais a sério sempre foi uma bandeira que não só o guillermo, como muitos outros artistas levantaram. A indústria desde que se conhece como tal, vive tentando separar as duas coisas. Na academia, existe o prêmio de melhor filme, E o de melhor animação.
As coisas nunca se juntam. Um sempre parece que é apenas uma brincadeirinha pro seu filho. Enquanto o outro é arte de verdade E assim, existem filmes de animação infantis.
O filme dos minions e até aquele do mario, são obras que se focam a atender esse público. E tá tudo bem. Existe filmes live action infantis também, não é como se fosse uma exclusividade.
Mas taxar qualquer obra que não seja feita em live action como "infantil" e logo "pouco importante" é um problema que afeta não só a visão da indústria, como a gente também. Muitas pessoas NÃO consomem animações por causa desse paradigma. Muitas pessoas tem medo de terem sua "masculinidade" ameaçada ou só parecerem "crianças demais".
Como se isso fosse algum problema. E um dos motivos pelo qual live actions são tão populares é justamente por essa ideia de que agora sim a obra poderá ser séria de verdade. Avatar era um desenho bobo de criança Avatar Live Action é uma crítica ao autoritarismo e o monopólio de poder One piece era um anime longo e besta One piece live action é uma crítica a corrupção e as relações internacionais mas não é assim.
A gente bem sabe que essas duas histórias são perfeitamente contadas na obra original. Não importa se tudo era mais colorido, já que pra hollywood quanto mais sério menos cor tem quer. E não importa se existiam brincadeiras, e descontrações.
O Luffy é um jovem besta, assim como o Aang também. E Esse aí não é o Aang. Por mais que tente muito ser.
E ó, tudo bem o live action decidir experimentar algumas coisas. Mudar acontecimentos de lugar, ou só criar histórias novas. A gente não tá obrigando que tudo seja 1 por 1 com a obra original.
Mas também não dá pra desonrar os personagens, porque isso deixa de ser escolha criativa e acaba se tornando só algo mal escrito mesmo. Como se quem adaptou não tivesse entendido a obra original Ou se entendeu, pouco se importou. E infelizmente enquanto a indústria tratar animação como coisa de criança, o público majoritário vai continuar aceitando essa visão.
Por mais que exista tantas e tantas obras com pontos de vistas únicos, com abordagens mais únicas ainda que nunca poderiam ser feitas e reproduzidas em cenários reais. Eles podem até tentar. Mas cê sabe que fica esquisito pra caralho Sendo bem sincero, pra mim, quanto mais besta for a adaptação melhor.
Eu não gosto dessa baboseira de deixar tudo exageradamente sério pra parecer mais importante. E eu sei que eu não o único também. As vezes, bem as vezes.
Algumas pessoas percebem que adaptações não precisam copiar maneirismos de filmes consolidados. Não, elas podem ser elas mesmas. E já é bom demais.
Scott Pilgrim por exemplo é uma adaptação em live action de um quadrinho famoso. E invés dos criadores tentarem realmente fazer aquela história ser um drama super adulto sobre responsabilidade emocional. Eles tacaram o foda-se e transformaram o live action num grande quadrinho ao vivo.
Tinha onomatopeia coisas escritas na tela e uma fantasia completamente fora da realidade. Eles abraçaram o não convencional, porque perceberam que era muito foda. Claro que na época o filme foi um fracasso comercial.
Era ridículo demais pra as pessoas levarem a sério. Mas hoje em dia se tornou um símbolo. Todo mundo AMA scott pilgrim.
O mesmo aconteceu com outra adaptação. Essa que na verdade se tornou a minha adaptação favorita de todos os tempos. Speed Racer foi um anime lançado lá em 1967.
Nos primórdios da animação japonesa. E em 2008 ele ganhou uma adaptação live action dirigida por ninguém menos que as irmãs Wachowski. As duas pessoas que simplesmente dirigiram a trilogia Matrix.
E esse filme demorou anos pra ser feito justamente porque ninguém chegava num acordo. Entrava roteirista e saia roteirista, entrava diretor e saia diretor. Até o johnny depp ia participar como protagonista mas foi embora também.
Eles tavam quase desistindo de fazer isso, mas a verba já havia sido liberada, algo teria de ser feito. E como Matrix era possivelmente a obra de ficção mais popular da época (talvez até hoje), eles só deixaram na mão das irmãs e rezaram. E elas que não eram bobas nem nada, fizeram o que tinham que fazer.
Um filme absurdo. Speed Racer é colorido, é caótico, é maluco e é simplesmente lindo. Elas poderiam ter ido por um caminho comercial e ter feito um "velozes e furiosos" alternativo.
Mas que graça teria? Se tu quisesse ver velozes e furiosos tu assistia velozes e furiosos. Aqui a ideia era só maluco.
Carros voam, pistas são surreais e tudo é mágico. Claro que o cgi da época não era perfeito. Dá pra notar algumas coisas feias no processo aqui e ali.
Mas fica nítido que esse filme foi feito com um carinho enorme. E mesmo todo esse carinho, também não o suficiente. Assim como Scott Pillgrim, o filme foi um fracasso na época.
Dando um prejuízo abismal pra Warner. Que tinha investido muito mais do que ela recebeu. E querendo ou não, não importa se o filme for feito com amor, for original ou for simplesmente muito legal de assistir.
Se ninguém der bola, os executivos não vão financiar projetos futuros. E obras esquisitas e divertidas como esses dois, vão ficar só nisso. Memórias de algo que não vai mais acontecer.
Claro que tem alguns bons live actions atualmente. Eu acho os filmes japoneses de Death note bem divertidos. Assim como eu também gostei do live action de One Piece, nada incrível mas teve seu saldo positivo.
Mas esses são exceções. A grande maioria vai ser feito com o único e exclusivo motivo de gerar um dinheiro mais rápido. Afinal o roteiro pode ser reutilizado, as músicas também.
Só precisa fazer uns ajustes pequenos e botar pra gravar. E assim, obras que nem fazem sentido ter um remake, vão ter. Como sei lá, Moana, que vai ter seu live action em 2026 ou mais uma dose de Rei leão em 2024.
E eu nem to fazendo juízo de valor e julgando quem assiste e dá dinheiro pra isso. Acho que é muito pouco produtivo culpar pessoas individualmente por algo que é muito maior. É o famoso "não gosta não assiste" quem quiser ainda vai ter as obras originais.
E como eu disse lá atrás, não faltarão pessoas pra te mostrar o melhor caminho possível (conclusão) Além dos live actions que eu citei anteriormente como boas opções. Uma saga que eu também acho muito daora são os filmes "shin" do Hideaki Anno. Shin kamen raider Shin Godzilla e o Shin ultraman.
São formas muito bem feitas e interessantes de se abordar personagens clássicos da televisão japonesa. Adaptdando pra um contexto mais atual mas sem perder a essência da obra original. Se eu pudesse indicar um pra você começar eu com certeza falaria do Kamen Raider.
É realmente muito divertido. Ainda mais se tu curte um tokusatsu da vida. Mas é isso.
Se vocês discordarem de mim, ou só tiverem outros live actions que eu não citei que vocês acham daora. Comenta ai. Eu entrei numa brisa forte de live actions pra fazer esse vídeo e gostaria sempre de tá conhecendo coisa nova.
No mais muito obrigado por ter assistido e o seu like e compartilhamento sempre é bem vindo, não esquece nunca disso. Valeu gente, até a próxima.