[Música] [Aplausos] Vamos então pra nossa quarta aula falando agora sobre padrão matricial nós passamos por queixa e uma formulação da queixa que vem através da análise funcional baseada em processos nós começamos a investigar um histórico dessa queixa que diz respeito não necessariamente é um histórico muito longo mas pode ser alguma coisa que diz respeito ao mês anterior a semana anterior etc mas agora a gente vai cambiar um pouquinho mais e e a gente vai tentar Observar se esses padrões que nós identificamos na análise funcional fazem parte de um repertório ainda mais amplo desse sujeito Quanto
Mais amplo for o repertório em questão maior dificuldade de uma mudança no repertório e maior o interesse do Terapeuta em estratégias que não digga ao respeito a mudar o repertório mas a mudar a forma como o sujeito se relaciona com eles frequentemente nossos pacientes nos procuram dizendo assim eu gostaria de sentir diferente eu gostaria de pensar diferente eu gostaria de agir diferente quando isso diz respeito a um padrão que é curto no sentido de que começou há pouco tempo de que é algo novo para o sujeito menos mal mas quando a gente identifica que essa
queixa do sujeito envolve repertórios mais amplos mais estáveis mais abrangentes as três coisas e então nós temos problemas para poder lidar com uma mudança de repertório é mais interessante pensar talvez em uma mudança de relacionamento com ele como eu disse então a gente vai agora para o nosso item três que é padrão matricial e para poder começar a tentar te mostrar o que é que isso significa eu vou recorrer a um sociólogo que eu gosto muito que é o lebreton e ele diz assim ah deixa eu abrir um parêntese aqui se você lida com adolescente
ou jovem Esse é um livro essencial vale muito a pena que você p não é sobre act não é nem sobre psicologia mas ele narra pra gente como os fenômenos clínicos que se apresentam com adolescentes e jovens principalmente mas não apenas acabam se instalando em nossa cultura isso faz com que os nossos olhos sejam muito mais treinados para isso então fica aí a dica para você se você lida ou com adolescentes ou com jovens Esse é um livro essencial desaparecer de si uma tentação contemporânea de lebreton mas Acompanha comigo esse trechinho aqui ele diz assim
a identidade social só é possível através da capacidade que o indivíduo tem de endossar uma sucessão de papéis diferentes ok ok papéis diferentes ninguém tá querendo dizer que nós somos os mesmos em todos os lugares pelo contrário eu posso ser extremamente est tiddo com minha família mas muito introvertido em outros contextos não é sobre isso então nós temos essa capacidade de endossar papéis diferentes mas acompanha o resto segundo os públicos segundo as pessoas estão próximas e os movimentos mas sempre preservando uma unidade que que isso quer dizer quer dizer que desde que nós somos crianças
nós somos ensinados a ter estabilidade e coerência em nossos repertórios a tal ponto em que nós conseguimos identificar quem nós somos e nós conseguimos também pertencer à nossa comunidade de uma forma que os outros saibam quem nós somos você já deve ter ouvido a expressão eu não me reconhecia ali isso não quer dizer que aquele repertório que você fez por exemplo brigando no trânsito é impossível mas quer dizer o seguinte em geral não é a maneira como você age ou em outros momentos você pode dizer Ali era puramente eu ali era totalmente eu ou uma
pessoa de Fora a terceira pessoa dizia a mesma coisa não mas ali Era você aquele era o seu jeito ão de agir então quando a gente fala de padrão matricial a gente tá falando dessa unidade que nós temos em meio a papéis diferentes que a gente assume Então sai comigo assim pensando o que que seria um conceito para padrão matricial abrindo outro parêntese a primeira vez que eu vi essa expressão contingências matriciais padrões matriciais Foi numa palestra do Hélio guilharde ele escreveu alguns artigos sobre isso vale a pena dar uma boa olhada a maneira como
eu vou tratar do tema aqui é diferente da maneira como o guilharde trata mas o conceito fica muito parecido Então acho que vale a pena dar uma lida também nos textos dele sobre esse mesmo tema aliás Vale a pena ler os textos do guilharde Independente de qualquer coisa porque é um clínico que tá há anos trabalhando na clínica e tem muita coisa a oferecer nessa área mas vamos lá então o que que é o padrão matricial é um padrão amplo de comportamento adquirido em nosso ambiente familiar parentes inho familiar aqui não quer dizer família tradicional
não quer dizer necessariamente que é Pai mãe filho etc você pode ter um paciente por exemplo que que o ambiente familiar dele ou o ambiente primeiro dele ou o ambiente matricial dele tenha sido instituição uma instituição de adoção por exemplo então entenda ambiente familiar como esse ambiente primeiro das figuras de relevância nesse começo de vida então um padrão amplo de comportamento adquirido em nosso ambiente familiar mantido e generalizado para outros contextos servindo de base para aprendizados futuros por isso que a gente chama de matricial porque ele acaba servindo de base para outros aprendizados a Gisele
Ferreira tem uma metáfora que ela usa muito na investigação do padrão matricial que é a metáfora das cadeiras ela diz assim quando a gente nasce em um certo contexto familiar algumas cadeiras já estão ocupadas e sobram alguns outros lugares para que a gente possa sentar nelas Eu por exemplo sou o quarto filho então eu tenho dois irmãos e uma irmã mais velhos do que eu e quando eu cheguei algumas cadeiras já estavam ocupadas então meu irmão mais velho era esportista era proativo ou que o irmão que veio depois dele era alguém que era assim muito
sociável brincalhão e etc mas gostava dessas coisas menores assim de montar e desmontar coisa a minha irmã já tinha outros repertórios quando eu cheguei o meu lugar de reconhecimento nessa família foi o lugar daquele que estuda o lugar daquele que reflete mais E isso estava prévio à minha chegada nessa família deixa eu te dizer uma coisa boa parte da nossa identidade é construída prévio ao nosso Nascimento quando você nasce você já nasce uma família que tem uma classe social específica uma família que está em uma cidade um contexto cultural específico uma família que tem um
uma lógica interna que já funciona e quando você chega não é uma tábula rasa que tu encontra já tem condições ali paraa formação da sua identidade Então se grande parte do que a gente formula sobre nós mesmos ao longo da vida depende da nossa ação direta pelo menos uma parte disso é prévio ao nosso Nascimento e responde a tanto condições sociais culturais econômicas quanto também a própria estrutura da família ou desse ambiente familiar que a gente nasce então quando a gente fala dessa metáfora das cadeiras a gente tá tentando Identificar qual esse jeitão que envolve
os pensamentos sentimentos e comportamentos de um sujeito que foram aprendidos nesse local e que o diferenciam das outras pessoas que ali estão e que em um certo ponto se tornam parte disso que é a sua identidade mas talvez a melhor maneira da gente entender isso seja a gente aplicar um caso prático para aplicar o caso prático eu vou tentar conversar com você sobre três coisas primeiro As Duas Faces do padrão matricial depois a narrativa funcional depois a coerência terap eu vou começar pelo meio vou começar aqui pela narrativa funcional E por que que eu tô
falando funcional quando a gente narra quer dizer contando a história para chegar até o padrão matricial nós podemos narrar a história de uma pessoa dizer assim essa é a história do Fernando da Joana da Marta que é o caso que a gente tem investigado mas quando a gente fala de uma narrativa que é funcional a gente tá buscando na verdade a história dos Pensamentos sentimentos e comportamentos dessa pessoa então os protagonistas são os comportamentos os sentimentos e pensamentos do paciente contextualizados em um sistema que é funcional Então vamos começar a buscar um pouco dessa narrativa
funcional ou seja falando os pensamentos sentimentos e comportamentos de um paciente nosso que na verdade esse é um caso que eu já apresentei em outros locais já apresentei em alguns congressos Mas vamos lá então dados gerais nosso paciente é um homem de 27 anos casado tem 2 anos que ele tá casado e ele trabalha em uma instituição confessional não é propriamente uma igreja mas é uma instituição filantrópica vinculada a uma religião específica ele não possui uma graduação acadêmica desde cedo ele já trabalhava ele começou desde adolescente ele já ganhava dinheiro e ele terminou a escola
ele não ingressou em nenhuma Universidade ou faculdade e sempre foi bem sucedido financeiramente inclusive ele é um vendedor Nato e ele tá nesse trabalho nessa instituição convencional há se meses é esse contexto de trabalho também um contexto familiar que vai gerar queixa com a qual ele nos procura cura Mas além disso eu preciso que tu saiba que ele tem um histórico de família com diversos diagnósticos psicopatológicos então a mãe dele tinha um diagnóstico Tinha alguns diagnósticos inclusive bipolar mas tinham outros lá também o irmão dele também veio com alguns diagnósticos o pai dele Nunca foi
diagnosticado mas todo mundo dizia que ele precisaria e é um psiquiatra ele nunca ia então a família dele tem uma relação muito próxima assim com questões de saúde mental mas e qual a queixa porque eu vou seguir com você para chegar até o padrão matricial o nosso caminho que nós V estamos trabalhando nessa nesse curso de formulação de caso então queixa histórico da queixa padrão matricial a queixa dele grosso modo é eu tenho problemas com raiva mas aí você já foi treinado aqui nesse curso para que quando a gente pega uma queixa que ela é
assim muito geral nós vamos transformar isso em eventos clinicamente relevantes então foi isso que eu fiz aqui ele começa a narrar eventos em minha última briga com a minha esposa eu fiquei com medo de ultrapassar uma linha física quando ele fala isso ele quer dizer que esses dois anos de casamento tiveram muitas situações de agressividade de quase chegar a agressividade física mas com certeza muita agressividade verbal tanto por parte dele quanto por parte da esposa Eles brigavam muito e ele já estava vendo assim a eminência de que esse casamento não pudesse mais funcionar e ele
disse que não era só o casamento mas eu estou quase sendo demitido do meu trabalho mas por que que tá quase sendo demitido do trabalho O que foi que aconteceu ele já brigou com quase todo mundo no trabalho ele já brigou com o chefe no trabalho e brigou com o chefe na frente dos outros colegas também e ele tem sempre uma postura que é assim eu ganho menos do que algumas pessoas que não tem a mesma capacidade que eu eu ganho menos do que pessoas que estão fazendo menos do que eu naquele lugar e ele
começa a falar com isso com o terapeuta e quando ele começa a falar com o terapeuta Só lembrando a raiva já transparece no rosto dele ele começa a falar o quanto que ele já fez isso e aquilo e as pessoas ficam lá conversando sem fazer nada e que ele fala pro chefe dele que não é estratégia correta etc e não adianta mas que isso ele disse eu também tenho uma questão que eu não consigo controlar meus pensamentos eu obviamente perguntei o que é que isso queria dizer em eventos e ele começa a narrar que durante
a semana às vezes ele tá no trabalho e ele tem que ir para uma reunião só que ele não consegue parar de pensar em como agredir aquelas pessoas ele diz que fica projetando cenários em que a pessoa vai falar isso e eu vou responder assim assim assim e ele começa a antecipar a maneira com a qual as pessoas podem vir a falar com ele e como é que ele responderia para colocar as pessoas nos seus lugares esse é o nosso paciente com 27 anos e que se sente na eminência tanto de perder esse trabalho que
tá H se meses quanto na eminência de perder o casamento um dado importante aí é que antes desse trabalho ele trabalhou um bom tempo vendendo carros de luxo e nessa concessionária que ele trabalhava ele era o melhor vendedor mas ele deci Di eu sair dessa concessionária porque segundo as as próprias palavras dele se eu continuasse ali o meu casamento ia terminar porque ele começou a se envolver com colegas de trabalho e ele sempre foi alguém que foi que é bom hábilmente assim ele é hábil verbalmente quero dizer e ele sempre foi bom em chegar perto
das pessoas e conversar mas ele também acabou tendo vários relacionamentos extraconjugais e isso levava ele não só relacionamentos extraconjugais eu me lembro que ele fala também de muita bebida de ter exagerado no álcool e ele disse se eu continuasse naquele contexto eu ia acabar ah perdendo minha família que eu tava construindo e por isso ele escolheu aceitar o convite de uma instituição confessional mas o que acabou acontecendo foi o seguinte na cabeça dele seria um ambiente mais favorável para que ele não tivesse aqueles padrões só que esse era um ambiente em que ele não podia
exercer o que ele tinha de melhor ele é um vendedor Nato e lá ele tava exercendo funções administrativas e essa é parte do contexto que a gente investiga nessa queixa ora deixa eu transformar isso em uma análise funcional a partir daquele diagrama que a gente ah pensou juntos em um contexto diferente porque a gente vai olhar o histórico da quea então a gente não vai ficar só no ambiente de trabalho que ele traz só no ambiente com a esposa eu vou tentar identificar outros contextos Esse é um contexto por exemplo em que ele vai para
um ensaio com a banda e ele é um baterista e ele gosta muito de tocar bateria ele vai para um ensaio com essa banda Só que nesse ensaio ele ele ensaia tudo direitinho ele em casa prepara tudo tem bateristas que não fazem isso mas ele era um baterista que escrevia as músicas e ele conseguia identificar cada parte ele chegava preparado pro ensaio mas olha o que aconteceu o contexto é o líder da banda muda o repertório na hora do ensaio quando o líder da banda mudou o repertório na hora do ensaio ele teve pensamentos lembra
que p é pensamento S sentimento C comportamento ele teve o pensamento que eu estou sendo idiota na frente de todos e ele sentiu muita raiva muita frustração muita insegurança você tá vendo aí que a seta é bidirecional porque um retroalimenta o outro Quanto mais eu penso que eu estou sendo idiota na frente dos os outros mais raiva eu tenho quanto mais raiva eu tenho mais eu começo a pensar que os outros estão me vendo nesse estado e que eu estou sendo feito de idiota na frente dos outros de novo e isso também está vinculado a
um padrão de ação que aí ele começa a falar agressivamente com o líder da banda na frente de todo mundo quanto mais agressivamente ele fala mais ele se sente como o idiota mais raiva ele tem mais insegurança ele tem aí ele agride mais ainda e a gente tem esse looping que a gente tá identificando a partir da análise funcional não só no texto original da queixa mas em outros contextos presentes também Então a partir daqui se a gente já tem queixa formulada em eventos se a gente já tem algum histórico da queixa Então a gente
vai começar a tentar investigar o padrão matricial eu vou fazer uma diferenciação com você entre ambiente matricial e padrão matricial quando a gente fala de ambiente matricial a gente quer falar desse contexto significativo desse contexto significativo nesses primeiros momentos de vida nesses primeiros anos de vida e quando a gente fala de padrão matricial a gente tá falando da maneira com a qual o sujeito lida com esses contextos então no caso desse paciente que a gente tá investigando o ambiente matricial descrito por ele era o meu pai afastava as pessoas o meu pai era muito crítico
veja ele tá falando do pai ele tá falando terceira pessoa é o ambiente matricial ninguém conseguia ficar perto dele perto do meu pai a minha mãe já a minha mãe recebeu muitos diagnósticos borderline bipolar depressão e o meu irmão Sempre foi introvertido Olha que ele não tá fazendo nenhuma referência ao padrão dele nesse sistema familiar ele tá descrevendo componentes do sistema familiar que nós vamos chamar de ambiente matricial Mas a nossa questão é e como é que você aprendeu a lidar com esse ambiente matricial e a resposta para isso em boa medida é o padrão
matricial no caso desse paciente específico ele narra assim pra gente eu não estudava muito mas eu conseguia me relacionar com todo mundo sempre fui falante todo mundo me achava bonito desde cedo comecei a trabalhar com vendas desde cedo comecei a me envolver com música na igreja Então vamos lá a maneira dele de lidar com esse ambiente que era um ambiente difícil de um pai extremamente crítico de uma mãe que tava sempre num papel mais de precisar de cuidados do que de cuidar de um irmão que meio que se isolava no canto ele poderia ter reagido
de de diversas formas mas a maneira como ele aprendeu a lidar com isso foi eu saio de casa e eu me defendo sim se o meu pai me criticar eu consigo argumentar com ele meu pai não tem coragem assim com meu irmão ele fala o que ele quer mas comigo ele não tem coragem de falar qualquer coisa porque eu sei me defender dele e eu já penso o que é que ele pode vir a falar e eu já sei como responder a ele e fora de casa eu dou meu jeito assim eu não sou aquele
cara que senta estuda e etc meu irmão até estuda mais do que eu mas fora de casa eu acabo dando meu jeito eu converso com o professor eu faço grupo de trabalho organizo o grupo E aí Alguns do grupo leem mais outros leem menos etc e ele quando continua ainda mais falando um pouco mais desse padrão matricial só que agora como eu falei que é um padrão amplo mas também é um padrão abrangente quer dizer se espalha para outros contexto da vida se generaliza para outros contextos ele diz para você assim na escola saiu de
casa escola na escola eu era visto como responsável note não é o estudioso é o responsável Mas eu sempre fui impaciente eu sempre Perdi a calma muito fácil eu tenho medo de ser tão crítico quanto meu pai era e eu também tenho medo de ficar igual a minha mãe com a doença mental Eu sempre me virei e eu sei planejar as minhas contas eu cuido do meu corpo eu sou organizado só que na minha casa assim não tinha diálogo tinha brigas e tinha loucuras Olha o que que ele tá dizendo pra gente então eu desde
cedo conseguia ter essa proatividade então eu era responsável bastante para organizar os grupos mas se o professor julgasse a gente de uma maneira que eu julgava que era injusta eu discutia com professor aí eu me irritava perd calma muito fácil Ok mas e esse padrãozinha tava em outros contextos aí ele começa Claro a dizer pra gente nas amizades ele era o justiceiro e o conselheiro ele era aquele que os amigos procuravam quando precisava organizar uma coisa da vida e ao mesmo tempo ele era aquele que ia lutar pelos direitos dos outros no trabalho lembra que
ele trabalhava antes como vendedor depois que ele começou nesse trabalho ele era proativo e combativo excelente para vendas péssimo para relacionamento colegas uma uma das coisas que ele mais gostava no trabalho anterior dele é que ele não precisava muito ter contato assim com os colegas porque as vendas eram muito individuais ele tinha obviamente os casos dele lá ele tinha alguns amigos mas ele não precisava lidar com reuniões de equipe em demasia porque boa parte do trabalho dele era ele e o cliente no trabalho ele sempre tinha uma razão lógica e prática quando a gente identificar
isso a gente tá vendo não a história desse paciente enquanto a pessoa mas a gente tá vendo a história dos Pensamentos que ele tem de projetar o futuro de se proteger contra o pai dos sentimentos que ele tem de raiva que vem junto com essa proatividade etc de uma certa agressividade dos comportamentos que ele tem de ser o cara responsável Justiceiro Conselheiro também de alguma forma só que agora você vai precisar de uma atençãozinha super especial quando a gente encontra esse padrão matricial os nossos pacientes em geral estão brigando contra ele então eu tenho que
parar de ser assim mais agressivo etc porque sen não vou perder meu casamento sen não vou perder meu trabalho etc só que a gente precisa migrar disso que é uma narrativa funcional para identificar as duas faes desse padrão matricial aí eu preciso da sua atenção Olha o que tá escrito aqui o padrão matricial no fenômeno clínico é tipo um modo sobrevivência essa é uma outra expressão da Gisele Ferreira também que está encontrando limitações no contexto atual Pense comigo o seguinte esse nosso paciente se ele não tivesse esse repertório se ele não conseguisse por exemplo prever
o que é que o pai poderia vir de agressividade para ele se defender o que que ia acabar acontecendo com ele provavelmente iria sofrer muito mais esse foi um repertório muito funcional num certo sentido ali na escola ele não era o cara que estudava tanto que sabia tanto assim as teorias e etc mas ele era o cara que conseguia se manter à frente dos outros tinha boas notas e tinha destaque ali destaque social inclusive por defender os outros esse mesmo padrão de defender os outros em alguns contextos é super valorizado e em outros contextos é
você vai ser suspenso porque você desafiou o diretor então é o mesmo padrão que em contextos diferentes ele às vezes é visto como sendo algo pernicioso e às vezes é visto como uma coisa muito bacana muito virtuosa a questão é a gente não tem como rasgar um repertório e rasgar só a parte que é complicada a gente teria que rasgar ele por inteiro isso não é viável Então o que eu quero dizer para você é sempre precisamos observar As Duas Faces um exercício Interessante é você traça essa linha que eu coloquei aqui e pode dar
um nome que é socialmente desejável e um nome que não é socialmente desejável note eu só estou mudando a nomenclatura mas o padrão é o mesmo então por um lado ele é pro ativo intenso em outros contextos essa mesma proatividade em intensidade é considerado como impossível inadequado por um lado ele é organizado cuidadoso por outro lado esse ser organizado e cuidadoso é também considerado como inflexível controlador ele é carinhoso empático por isso que ele é um vendedor Nato Mas por outro lado ele tem um self instável ele é acomodado a esse self instável o que
eu quero dizer com isso é quando o outro não está reconhecendo ele ele perde o chão e a maneira que ele reage a isso é ficando com raiva e com muita ansiedade quando ele tá em um contexto que ele não pode exercer essa performance a relação dele com ele mesmo é eu sou um idiota eu estou sendo feito de idiota lembra então a gente tá vendo As Duas Faces Mas como eu coloquei aqui o que é mais visível na queixa é esse lado B aí essa Face que essa Face que é difícil para o sujeito
lidar com ela no nosso caso a gente tenta fazer uma formulação de cas que mostre a funcionalidade do Repertório para uma redução porque a gente tá no contexto da terapia de aceitação e compromisso aponte para uma redução da luta contra a própria subjetividade E aí assim a gente não tá falando aqui de intervenção ainda a gente tá falando de formulação de caso mas você já deve notar que a medida em que a gente faz essa formulação o sujeito já consegue ver o próprio repertório com outras funções a perspectiva do sujeito sobre seu próprio repertório desde
a formulação de caso já vai ganhando mudanças então o impacto de uma formulação de casos baseados apenas em uma facee é o aumento da inflexibilidade psicológica daí o impacto de uma formulação de caso baseado nessa dupla face desse padrão matricial é frequentemente uma aceitação um acolhimento maior da própria subjetividade que acontece hoje porque eu consigo reconhecê-la e o papel dela ao longo da minha história então é formulação de caso ainda não é intervenção mas a formulação já exerce algum grau de interven invenção no contexto da terapia de aceitação e compromisso eu falei que eram três
coisas então narrativa funcional as duas fases e agora coerência terapêutica a investigação da formulação de caso porque agora a gente vai entrar naquelas dimensões psicológicas da ACT né E aí vê os processos de Esquiva experiencial fusão cognitiva etc a formulação de caso pode ser feita de uma maneira dissociada com cada elemento sendo investigado autonomamente ou você pode utilizar esse padrão matricial como uma forma de unificar a formulação de caso ou como tá escrito aí a investigação da formulação de caso pode ser um conjunto de retalhos ou unificada pela narrativa desse padrão matricial Então se agora
a gente consegue ver que a queixa está vinculada a um certo histórico e que além de um certo histórico mais próximo está vinculada a um padrão abrangente e amplo desde que o sujeito Ah começou a se construir enquanto sujeito dentro de um sistema familiar num sistema escolar e etc então nós Já conseguimos visualizar que a maneira de lidar com esse repertório não é nós temos que fazer parar de pensar e parar de sentir e parar de ter esse impulso de ação dessa forma mas em primeiro lugar é ajudar o sujeito a perceber o seu próprio
repertório como parte dessa história é por isso talvez que alguns autores Dizem que quando a gente pode contar uma história sobre o nosso sofrimento sobre os nossos componentes de subjetividade que envolve sofrimento fica mais fácil de lidar com esses componentes é mais ou menos esse o caminho que a gente tá seguindo aqui mas eu vou te dar um exemplo disso em sessão então acompanhe para mim o onde tem p é o paciente onde tem t é o terapeuta porque a gente vai tentar identificar o padrão matricial agora aparecendo na relação terapêutica e eu quero que
você tenha bem atenção a isso porque no Exercício da Marta eu vou pedir que você note também isso um pouquinho Olha só paciente diz assim eu sei o que você tá pensando porque a gente tá investigando padrão matricial né você vai dizer que eu tenho o mesmo que minha mãe lembra que ele tem muito medo de ter a doença mental que a mãe tinha o terapeuta diz na verdade eu tava pensando sobre Quando foi que a sua mente aprendeu a antecipar cenários futuros de reações possíveis porque às vezes eu sinto isso acontecendo aqui comigo Ou
seja você tá tentando identificar onde eu tô querendo chegar para poder já me dar uma resposta antes e eu tô vendo um pouco disso na sua história também ele disse ai de mim se não antecipasse meu pai era um mestre em me mostrar que eu era uma porcaria de pessoa mas a palavra que ele usou foi outra e o terapeuta diz e ele conseguia fazer você se sentir assim ou seja seu pai conseguia você fazer você sentir com você mesmo como uma porcaria de pessoa outra a palavra que ele queira usar o que o terapeuta
tá investigando é você consegue notar que é isso que você se queixa hoje de que você tá sempre dentro da sua cabeça precisou acontecer você precisou aprender isso ao longo da sua história e aí continua muitas vezes meu pai conseguia Mas eu sempre mostrava para ele que eu era mais bonito mais inteligente e que as pessoas gostavam de mim que ninguém gostava dele aí o terapeuta Responde se sua mente então aprendeu a te defender né E ela fez isso muito bem porque você sempre se destaca nos trabalhos e eles entendi mas hoje tá incomodando as
pessoas Esse é um superpoder e essa foi a expressão que ele trouxe é um superpoder que pode salvar ou pode acabar com tudo ou pode destruir tudo se você tiver uma atençãozinha Você tá vendo que ele já está narrando pra gente por exemplo sobre a dimensão da atenção quando a gente fala de contato com o momento presente ou então ficar sob o controle de um cenário futuro o que nós estamos fazendo é ajudar ele a notar o processo de inflexibilidade psicológica mas não só notar que ele tá fazendo como se fosse uma acusação terapeuta contra
ele mas pelo contrário mostrar que ele precisou aprender a estar sob controle de um futuro temido e menos sob controle do contato com o momento presente e que aquilo ajudou mas em alguns contextos também o atrapalha e que talvez a primeira competência que ele vai precisar aprender É anotar isso hoje como parte dessa história e não notar isso hoje brigando contra isso porque quanto mais ele tenta controlar isso pior fica se você quiser olhar com mais calma além dessa dimensão da atenção Nós também começamos a entrar na dimensão do selfie a gente tentou ver junto
com ele o quanto que as vezes essa história com o pai acabou montando uma forma dele de sentir-se sobre ele mesmo ele disse meu pai conseguia ele conseguia mas aí eu reagia a isso eu começava a brigar com Ele começava a mostrar que ele tava errado mas é claro que isso não tirava assim o sentimento de inadequação esse padrão matricial continua se repetindo hoje de tal forma que aí sim talvez até saindo um pouquinho de formulação de caso aqui se você Já identificou que esse selfie conceitual que esse conceito de si eu sou uma pessoa
eu sou inadequada eu sou impossível etc já vem sendo instalada há tantos anos é mais interessante clinicamente que você ajude o seu paciente a prever que vai acontecer e saber como agir quando esse self conceitual acontecer do que tentar de alguma forma fazer com que isso deixe de existir com que esse componente da subjetividade dele que vem sendo adquirido ao longo do dos anos deixe de existir é por isso que a gente propõe uma aceitação da experiência privada da experiência do self mas para assumir um compromisso isso com uma vida que seja interessante de ser
vivida que Enquanto essa aceitação não ocorre o espaço da vida é todo tomado na luta contra tenho que parar de pensar ISO sobre mim eu tenho que mudar minha cabeça sobre mim e a vida continua correndo e a vida que ele poderia estar se dedicando enquanto pensa que é inadequado para ser o mais adequado possível com as pessoas que ele gosta e que ele considera como significativas Então feito isso formular o caso através de uma narrativa funcional das contingências matriciais torna a própria formulação um ato terap significativo daí aquelas perguntas mas a formulação de casos
já tem alguma intervenção Mas é claro que sim uma formulação de caso desenhado dessa forma análise funcional da queixa histório da queixa agora identificação dos padrões matriciais junto com o paciente já é uma forma de mobilizar a flexibilidade psicológica mas eu quero ver você aplicando um pouco disso no nosso caso de exercício lembra do caso mata então você vai agora pegar o nosso Próximo exercício tenta ao máximo responder algumas daquelas questões Você tá vendo que a gente a gente tá avançando um pouquinho no nível das questões e eu já volto para comentar sobre elas com
vocês