[Música] [Música] Olá sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um under3 a jornada o podcast que a gente recebe destaques da lista forbs undert aqui da forbs Brasil eu sou Isadora tega e a nossa convidada de hoje é a tchai surui ativista indígena que foi destaque na categoria empreendedorismo social e terceiro setor e que Inclusive estampou a capa da Tima forbs under Chai muito obrigada pela presença seja muito bem-vinda Eu que agradeço é um prazer est aqui hoje fico muito feliz né de poder conhecer a Forbes de poder tá tendo essa oportunidade também a gente que
fica muito feliz eu acho que você percebeu né a tiai chegou aqui hoje aqui na redação e todo mundo ficou realmente muito feliz com a sua presença porque você é muito admirada por todos nós viu ah Obrigada fico emocionada também com isso começa contando pra gente sobre quem é você quem é a sua luta quem é tchai surui então eu sou liderança indígena né do povo pait estrui que fica no estado de Rondônia é minha meu território começa em Rondônia termina no Mato Grosso eh sou filha do da Neidinha do almi né nosso lábio RH
que significa Líder maior do nosso povo hoje atualmente Sou coordenadora da Canindé né uma organização que trabalha há mais de 30 anos com os povos indígenas no meu estado no sul do Amazonas e também no Noroeste do Mato Grosso colunista da Folha de São Paulo eh conselheira do pacto Global da ONU conselheira da Vina ã voluntária no engaja mundo então a gente tem vários chapéus né mas sou mulher indígena amazônida e estamos aí na luta né A minha luta é uma luta pela vida uma luta pela pelo planeta mesmo né pelo futuro que a gente
diz que o futuro é ancestral né então hoje a nossa luta não é só pelo meu povo não é só pela pelo meu território é uma luta pela Floresta né uma luta para que todos nós né Eh temos tem amos o direito de viver num mundo justo né com justiça climática com justiça social eh um futuro paraas nossas próximas gerações né nossa Realmente você faz muita coisa né e a gente tava até conversando aqui nos Bastidores sobre como que dá conta de tudo isso com apenas 27 anos e a gente vai chegar nessa parte ainda
mas falando sobre os seus pais eh o ativismo ele é enraizado na sua vida desde sempre né para você ter nascido nesse meio fez com que se tornasse natural você assumir essa luta como que foi isso então quando a gente nasce indígena na verdade né a gente não tem muita escolha né E principalmente desse momento que a gente tá vivendo de crise climática né e e de tantos ataques né Aos direit dos povos indígenas de tantos ataques aos territórios indígenas o nosso o que a gente tem é a luta né o que nós sobra é
a luta Hã Porque é é algo que atravessa as nossas vidas diariamente né a gente não tem o direito de escolher ou não lutar porque aquilo é algo que tá acontecendo né agora com as nossas vidas com as nossas famílias então Eh desde pequena né eu acompanho eh tô presente nos movimentos nos jun junto com meu pai junto com a minha mãe né minha mãe que fundou essa organização do qual Sou coordenadora hoje e o meu pai que é esse Líder indígena mundialmente reconhecido e respeitado né É com eles que eu aprendi a lutar né
mas a luta vem do lugar onde a gente tá né vem da nossa realidade então desde quando eu me lembro quando eu tinha 14 anos anos né Eh que a gente teve que ficar um ano sendo acompanhado pela força nacional por causa das ameaças né que a minha família tava recebendo que meus pais estavam recebendo por denunciar as invasões do nosso território Então isso é uma coisa que vem né Desde de quando a gente é muito pequeno mesmo né E que hoje eu dou continuidade eh para essa luta que foi iniciada não pelos meus pais
né mas muito antes deles pelos meus avós pelos ancestrais que vieram ainda antes né Eh então a gente é a continuação da Luta dos nossos ancestrais E como foi ser criança nessa nessa realidade você sente que você conseguiu ter uma infância ainda eh como uma criança que brinca que se diverte ou essas preocupações também eram muito afetavam muito a sua infância claro que afetam né a nossa vida porque é isso você imagina uma criança que quer brincar né que quer fazer coisas de criança ou um adolescente que quer fazer coisas de adolescente né Eh ter
que ser acompanhado pela força nacional pra escola ou para onde é que você vá aqueles caras todos Fardados com aquelas metralhadoras né Eh isso mexe com o nosso psicológico mesmo né e Mexe com acho que e Mexe com psicológico de qualquer um né Eh então você viver eh nessa nessa realidade com certeza também muda eh aquilo que a gente vive né a gente não não não não podia viver como uma pessoa que não não sofre esse tipo de ameaça mas eu acho que tem uma coisa que nós como povos indígenas nunca deixamos morrer é a
Nossa Alegria mesmo né Nós somos um povo de dança de canto você vai ver seja nos protestos ou quando você vai na aldeia no território a nossa forma de demonstrar Nossa cultura também é através da recepção é através do canto é através da dança então é através da alegria né através do amor e a eu sempre aprendi com com os meus pais sempre aprendi com o meu povo né o respeitar e o amar mesmo a gente fala de amar a floresta né Porque a floresta é Também quem nós somos de respeitar as outras vidas Então
quando você respeita né quando você conhece você ama também então de de ser uma luta não só de embate né mas uma luta de um reflorestar mesmo né a gente fala muito de um reflorestar das mentes e os corações né Então esse reflorestar é um reflorestar de amor né de lembrar as pessoas que assim como nós elas também são ser e natureza né que essa luta não é só nossa né mas é que essa luta é uma luta de todos então e eu também como eu falei a gente como a gente também Brinca a gente
também namora a gente também se diverte né Eh e eu acho que o que nos faz tão resistentes E resilientes é exatamente ã esse essa capacidade que a gente tem de diante de tantas dificuldades de tantas coisas né que são tão sérias que são tão pesadas e que muitas vezes são tão violentas a gente ainda eh nunca perder a nossa vontade de lutar nunca perder a nossa vontade de Resistir e de querer o melhor e de ser feliz mesmo né nunca deixar essa eh a felicidade nos abandonar mesmo nossa realmente é um exemplo de resiliência
E você já disse em algumas entrevistas que você cresceu em Três Mundos que mundos seriam esses é porque né Eh para nós os povos indígenas eles a gente tem a nossa própria forma de nos organizar a gente tem a nossa própria filosofia a nossa matemática né tudo que existe aqui né na cidade também existe lá dentro né a gente tem as nossas formas de tomar decisão então nós somos sociedades complexas né então por isso que é que eu digo que são são outros mundos mesmo porque não são não é simplesmente outra cultura mas é outra
forma de olhar para esse lugar né é um são outros modos de vida outras formas de ser estar nesse mundo né então são outros mundos e eu cresci não só no meu povo né no povo apit Suruí mas eu cresci junto com um outro povo indígena que é o povo jupa povo o do território uruu auau então por isso que eu digo que eu em Três Mundos né o do meu povo da minha cultura o do Povo jup pauro eau que também é minha família que também né Eh faz parte da minha história e no
mundo não indígena né que é que é esse mundo que que a gente vive hoje também que também faz parte né que é que é o mundo da cidade que e e hoje eu vivo em outro mundo também são quatro mundos que é o mundo do Povo Guarani junto com com meu namor que tá aqui comigo né então cada povo indígena é um mundo a se descobrir né porque se você começa a conhecer a nossa cultura você vai ver que realmente as pessoas não sabem nada sobre os povos indígenas no Brasil né somos 35 povos
falamos mais de 200 línguas e cada povo tem a sua a sua forma como eu falei de se auto-organizar tem a sua própria matemática tem tem a sua história né Nós não somos todos iguais Então são vários mundos que existem aí que a gente tá apresentando né com soluções com com com com realidades com formas de pensar né com formas de olhar esse mundo e de olhar as outras pessoas também e quando você é diz sobre o mundo não indígena ele apareceu bem cedo na sua vida foi logo na escola como que foi sim eh
desde cedo já Porque hoje o meu povo tem 56 anos de contato né E se você se a gente para para para pensar é muito pouco né sim bem recente É bem recente meu pai por exemplo ele tinha 5 anos quando aconteceu o contato com o não indígena né olha só então o meu vô ele já era velho né quando isso aconteceu então eu já venho de uma geração depois disso né pós contato então desde muito cedo querendo ou não a gente já tá em contato com esse mundo não indígena né seja através da comida
seja através da própria escola né É É um é um outro mundo que a gente tem que que já faz parte também né da nossa realidade Então acho que hoje já desde muito cedo a gente já já já convive né com com com o modo de vida vida do não indígena também e quando você frequentou a escola foi em Porto Velho é isso sim e como que foi para você aprender ter contato com a educação que é passada nas escolas que tem uma visão ocidental de tudo e que muitas vezes se conflita com a cultura
de vocês para mim foi foi um pouco difícil também né porque querendo ou não é isso quando a gente vai pro mundo do não indígena a gente v o como diferente né então e e o Brasil ainda é um país muito preconceituoso muito racista né e as escolas também você imagina que até hoje claro que isso vem aos poucos mudando por causa da nossa luta mesmo mas até hoje ainda é contado que o Brasil foi descoberto né sim mas não existe você não tem como descobrir um lugar onde já tinha gente vivendo onde já tinha
pessoas aqui né Então até quando a gente vai pra escola a gente tem que ouvir isso também né tem que houve uma história que não é verdadeira né E eles nunca contam o nosso lado da história é em pleno 2024 ainda é tratado assim né sim você não ouve nas escolas falando do massacre que a gente passou ou não ouve falando de como Realmente nós somos né de quem realmente são os povos indígenas o indígena que é mostrado ainda é aquele ou é aquela exoti zação né Ou aquele preconceito mesmo do do que era o
indígena no no no passado né E hoje nós todos eh vivemos a colonização ela alcançou a todos nós E isso não faz nos faz menos indígena né Eh pelo contrário a gente tá sempre reafirmando a nossa identidade reafirmando fortalecendo a nossa cultura então Eh para mim H na escola e não só na escola na faculdade também a gente vive em momentos muito difíceis às vezes né onde a gente tem que enfrentar eh esse racismo mesmo né e e que muitas vezes nos nos levam a querer negar aquilo que nós somos né mas enfim como eu
venho da essa família de grandes guerreiras né A minha mãe nunca deixou eu voltar chorando a escola não ela sempre fal não você vai lá e você vai falar então como é que é certo né você vai ensinar Então e e eu acho que é que só a nossa presença mesmo nos Espaços já transforma muita coisa né porque é isso muitas vezes a gente é invisível para as pessoas as eu eu eu lembro de que quando eu era pequena a as pessoas sequer sabiam que indígena existia né achavam que não tinha mais indígena no Brasil
né que tinha acabado e eu fala não nós estamos aqui né Nós estamos aqui e a gente tá em todos os espaços hoje em dia né a gente tá na academia a gente tá fazendo arte fazendo música eh somos advogados somos médicos e isso vem transformando Porque a partir do momento que a gente tá aqui as pessoas pensam eh olha existe uma outra forma de pensar né porque a gente pensa diferente mesmo a gente traz uma realidade diferente e quando a gente fala porque as pessoas elas querendo ou não a gente sempre parte da nossa
realidade do nosso Prisma né da onde a gente vem então se não tem outras pessoas naqueles espaços a as pessoas acabam esquecendo mesmo e recentemente você tem ficado muito em evidência você tá and um espaço gigantesco que um desses Momentos Assim de grande visibilidade para você foi na COP em 2021 certo você foi a primeira indígena brasileira a participar da Cúpula do clima conta pra gente como que foi segurar essa responsabilidade como que foi essa experiência então para mim participar da cop e eu não esperava né Essa visibilidade quando eles eu fui essa cópia do
qual eu falei na abertura eu foi é através do engajamundo mesmo né com a delegação deles que é uma organização de jovens né que trabalha com clima e política e E aí eles queriam uma indicação né de uma indígena ou de um indígena para falar lá e esse indígena precisava falar inglês hoje o meu inglês tá muito melhor mas antes foi foi terrível para mim Nosa sério Teve muita dificuldade porque para quem assistiu foi ótimo porque eu passei dois treinando para gravar mas precisava né de alguém que falasse inglês Entendi e eu não falava inglês
muito bem mas eu falei assim não eu vou né vou lá eh representando e foi uma grande honra para mim representar não somente o meu povo ou os povos indígenas do Brasil né mas todo o Brasil mesmo né Depois eu recebi muitas mensagens né de indígenas de outros povos e de não indígenas dizendo finalmente alguém foi e representou a gente bem principalmente naquele momento onde o Brasil tava internacionalmente muito mal visto né Por causa de toda a situação ambiental que a gente estava vivendo e que ainda acontece né então Aquilo me deixou feliz né de
saber que as pessoas estavam felizes com com que eu tinha representado bem o meu povo né Não só o povo indígena mas o povo brasileiro mesmo e não foi fácil fiquei muito nervosa né porque Ah mas não é para menos também porque você imagina que oiro de olho em você você imagina que eu tava lá de frente pro biden né e para todos os grandes Líder presidentes todos os grandes líderes e internacionais da Inglaterra de todos os países né então era uma responsabilidade muito grande né porque ali eu tava levando eh a nossa realidade pro
mundo mesmo né e eu tinha que fazer aquilo em dois minutos é imagina o tanto de coisa que a gente tem para falar ainda mais nós como como povos que sempre foram calados mesmo né você tentar resumir tudo isso em do minutos e primeiro que eu tive que ter isso esse poder de c aí depois a dificuldade de você tá falando numa língua que não é sua mesmo né Eh então me deu me deu uma dor de barriga na hora que eu tava para desmaiar mas eu uso óculos né eu tinha perdido meu óculos Ô
tava de óculos não aí foi bom que eu não consegui nem enxergar as pessoas eu acho que isso ajudou um pouco de não aquela teatro né que vem a luz forte na casa você não V quem tá ali na plateia funcionou então para você funcionou muito bom mas eu saí de lá super nervosa e aí depois veio aquele bom né hum que é isso naquele mês eh teve mais de quase 3.000 reportagens que a gente fez um levantamento né no mundo inteiro desde o Brasil já Pão e Mais de 3.000 reportagens falando sobre o meu
discurso citando me citando né e em sites do mundo inteiro então isso isso foi mostrou que eu realmente consegui levar um pouco da nossa realidade foi muito importante né Porque as pessoas não sabem o que tá acontecendo né e aquilo deixou muito claro que elas realmente não sabiam o que estava acontecendo né na Amazônia mas não só na Amazônia dentro dos territórios indígenas e trouxe uma visibilidade muito grande né de poder também chamar as pessoas paraa luta né de também poder levar a importância né do que a gente tá fazendo e a importância né da
nossa presença quando se fala em Floresta né Os territórios indígenas eles protegem mais que as unidades de conservação né a própria ono já falou que nós somos os melhores Guardiões da Floresta né porque nós temos eh esse olhar de ser natureza mesmo então eh a partir dali eu também consegui né alcançar outros espaços que são muito importantes né para denunciar mesmo o que tava acontecendo né para poder chamar mais apoio né das pessoas é e você diz que a as pessoas realmente não sabiam o que tava acontecendo de lá para cá você sente que houve
alguma Melhora para onde que a gente caminhou desde 2021 sim as pessoas realmente elas não sabiam né Eh elas pensavam em Amazônia e achavam que a amazônia ainda era aquele grande grande Floresta ocada né mas não é a verdade hoje e a gente tá muito perto né e os próprios cientistas estão falando que a gente tá muito perto do chamado tip tip Point que é o ponto de não retorno né que é quando a floresta Amazônia ela vai não vai perder já tá perdendo a capacidade dela né de capturar o carbono mesmo né então ela
já não consegue capturar tanto carbono que quanto é eh jogado na atmosfera e E hoje é claro que existe uma mudança né de de perspectiva do próprio governo né hoje a gente tem um ministério dos povos indígenas e isso significa muito né representativamente mesmo né você ter uma ministra indígena eh valoriza todo o nosso trabalho né mostra a importância dos povos indígenas mas acho que é importante dizer que esse caminho ainda tá é muito longo né da proteção dos nossos territórios da proteção das nossas vidas né o ministério dos povos indígenas ele não tem o
poder de demarcar Os territórios indígenas né então o que a gente tá vendo hoje ainda são as demarcações paradas paralisadas né E quando a gente fala de demarcação dos territórios indígenas é uma das principais soluções que o Brasil pode tomar né para combater crise climática é a proteção desses territórios é a demarcação deles que hoje estão paralisadas então a gente precisa né Eh de uma mudança de perspectiva mesmo que entenda isso mas a gente tem uma briga muito grande hoje também com o Congresso Nacional né que é contra eh a demarcação dos territórios eh mas
é isso a gente com certeza tem um um olhar diferente né mas a gente ainda Precisa melhor melhorar muito né O Brasil é o país que mais mata ativistas de direitos humanos e ambientais eh no mundo inteiro hoje né enquanto a gente tá aqui e E por que que eu também demorei um pouco para chegar aqui né É porque hoje tá acontecendo o julgamento do assassinato do Ari Uru auau né que é o meu amigo que eu citei no discurso da cop que foi assassinado por ser um Guardião da Floresta né por defender o seu
povo por def endeu o seu território né E já faz 3 anos do assassinato doari e até hoje a gente não tem uma resposta né do que que aconteceu e mas a gente sabe que é porque ele tava protegendo né a terren de nuro a gente sabe que era porque das denúncias que ele tava fazendo né mas ainda assim o que a gente vê ainda no Brasil principalmente no caso de assassinat de Defensores de direitos humanos é um idade né Eh eu falei para você infelizmente isso é uma coisa que que acontece na minha vida
desde que eu sou muito nova né e até hoje segue né até hoje a nossa vida segue ameaçada e a gente não se preocupa pela gente né mas a gente se preocupa pela por quem tá com a gente né pelos nossos filhos pela pela nossa família né pelos nossos amigos e e o e o Brasil ainda não ratificou o acordo de escazu que fala da proteção né desses defensores a gente ainda tá vendo que existe uma impunidade Sim né e da dificuldade de se condenar essas pessoas é só ver o próprio caso da Maria el
Franco né que apesar de toda eh que se não fosse toda essa essa e a a mídia mesmo né se não fosse toda essa comoção a gente sequer sabe se seria julgamento e a mesma coisa com caso do Ari hoje a gente só tá tendo julgamento porque nós fizemos uma pressão enorme colocamos e e eu acho que esse né É É a a importância por exemplo e eu fico muito honrada e agradecida né de de est na Forbes né porque essa visibilidade nos dá ã a força para poder denunciar mesmo para poder chegar em mais
pessoas e poder cobrar Justiça né então a gente tem muita coisa ainda a melhorar a trabalhar e principalmente quando a gente fala da proteção de quem protege a floresta quando a gente fala da proteção desses territórios que são sagrados para nós e acho que é isso essa realidade né de o Brasil ser um dos países que mais mata ativistas é uma realidade que para uma jovem de 27 anos desperta muitas outras preocupações do que eu tinha quando tinha 27 anos por exemplo Como que você lida com o seu medo com as angústias relacionadas a isso
ah tem dias que é isso e tem dias que é mais difícil né mas a gente nunca deixa se perder a esperança também porque eu acho que também a nossa esperança vem da nossa luta vem da Floresta né vem da nossa fé nos espíritos da floresta vem na nossa fé no nosso povo Mas não é fácil né Tem dias que a gente fica mais tristinho né todo mundo já chorou no transporte público Eu também então mas eu e eu acho que a minha sorte é que eu também tenho pessoas muito fortes ao meu lado né
que nunca deixam eu eu desistir mesmo né muitas vezes quando eu estive tão tristinha né o meu companheiro falou para mim né Eh que a gente pode até desistir deles né Mas a gente nunca pode desistir da gente mesmo porque enfim a gente sabe a luta que a gente faz então eu sempre tento também lembrar isso à pessoas né que a gente pode pode até desistir deles mas a gente nunca pode desistir da da gente mesmo né e e da força que o nosso povo tem da força que que nós tem temos se a gente
tiver junto né Eh mas eu acho que é importante falar disso porque uma coisa que pouco se fala também no Brasil é a questão da saúde mental dos povos indígenas né os povos a principalmente a juventude indígena é a que mais se mata no Brasil mas que os pretos mais que os brancos três vezes mais isso é por causa da realidade que a gente vive né Isso é muito pouco falado né É muito pouco discutido tem muito pouco projeto voltado paraa saúde mental dos povos indígenas né e a gente precisa falar disso né imagina Ainda
mais hoje já tem é com ansiedade né eh e e no nosso mundo mesmo hoje no nosso na nossa atualmente né você vê que as pessoas estão com muito mais problemas de ansiedade de depressão sim né então isso também é uma realidade que que que alcançou a gente né e a gente precisa cuidar da cabeça dos nossos jovens precisa cuidar da cabeça né Eh e da saúde mental dos povos indígenas é e eu imagino também que Deva ser meio uma montanha russa para você porque ao mesmo tempo que existem todas essas inseguranças todas essas angústias
você tem tido a sua luta reconhecida o seu trabalho valorizado recentemente você foi Eleita pela time uma das 100 lideranças da nova geração como que é esse esse contraponto tão grande assim entre as duas coisas falando muito em Saúde Mental mesmo como você estava dizendo eu fico muito feliz né com com reconhecimentos como esses porque mostra que as pessoas estão vendo a nossa luta né e reconhecendo a nossa luta e isso também é uma forma de lutar com a gente né quando quando eh revistas grandes revistas né grandes meios de comunicação reconhecem isso mais pessoas
vem pessoas importantes vemo também então é claro que isso alegra né a nossa vida porque você imagina que a gente não faz esse trabalho de hoje como eu falei essa não é luta nem que eu comecei essa é uma luta que vem de mais muito antes né mas durante muito tempo a gente só lutou e ninguém nunca olhou para isso então poder eh ver que a luta que a gente tá fazendo Tá sendo reconhecida né dá mais esperança pra gente fortalece a nós também e eu acho que eu fico mais feliz né nem de aparecer
dessas coisas porque eh isso também é uma coisa que vai surgindo na nossa realidade né no nosso mundo isso não não não tinha tanto peso né mas hoje com como a gente faz parte desses tantos mundos eh o que me deixa mais feliz é é isso é ver que isso passa esperança para outros jovens né Então muitos jovens vem e falam comigo e admirados mesmo né tipo assim nossa ti eu te admiro muito né eu te admiro muito porque muitas vezes esses lugares são lugares onde a gente nunca se viu onde a gente nunca teve
lá principalmente como mulheres indígenas e jovens né então eu converso muito com com jovens né e eu fundei um movimento da de indígena de Rondônia lá no meu estado né e e isso abre portas também né porque eu acho que o nosso objetivo é esse é ser porta mesmo para que mais pessoas possam também estar nesse lugar junto com a gente né mais indígenas mais jovens mulheres e eu acho que isso que me deixa mais feliz né poder também ser esse ponto de esperança pros meus e para todos os jovens né E tem inclusive as
pessoas mais Vel linhas também sempre vem falar comigo né porque eu acho que elas olham e sent tem esperança também e acho que isso que me deixa mais feliz ai que legal e Como que é o seu trabalho no movimento da Juventude indígena então eu fundei o movimento né junto com outros jovens durante a pandemia né Por causa do momento que não só a gente estava vivendo mais que o Brasil inteiro viveu que o mundo inteiro viveu né de fortalecer essas juventudes de fortalecer as nossas comunidades então a gente começou eh na pandemia entregando cesta
básica mesmo porque ninguém podia sair né de dentro das Comunidades porque nós como indígenas temos a o sistema imunológico mais fraco né para doenças respiratórias tanto que quando houve o contato né A maioria das mortes não eram só pelo conflito mas eram pelas doenças né como tuberculose gripe Teve muita gente que morria de gripe né E então a gente era muito vulnerável né na covid e como populações já vulneráveis a gente ficava mais vulnerável ainda então a gente criou movimento da Juventude e hoje a gente faz esse trabalho de Formação política com jovens mesmo deles
saberem Qual que é o direito deles né olha o seu direito é esse o seu direito é é o direito do seu território é esse e de de poder proporcionar né que mais jovens como eu falei eh possam também estar nesses espaços de decisão que o nosso objetivo é realmente ser porta é ser ponte para esses jovens também né que que que muitas vezes não tem oportunidade né então levar eles para est participando de cópias também levar os jovens para tá participando né dos próprios movimentos indígenas indo na busca por seus direitos né como por
exemplo agora a gente vai ter do dia 22 a 26 o acampamento Terra livre que acontece em Brasília que é o maior maior né movimento indígena a nível de Brasil onde se reúnem eh povos indígenas do mundo inteiro né no último acampamento Terra livre por exemplo a gente teve eh mais de 7.000 indígenas presentes lá em Brasília acampando pedindo por demarcação pedindo por melhorias né falando sobre crise climática e e e chamando a sociedade no geral né todos os parceiros Aliados e quem quiser para essa luta também então dentro do movimento a gente né trabalha
com mais de 21 povos indígenas de diferentes lugares Rondônia sul do Amazonas e Noroeste do Mato Grosso com a Canindé né a gente vem trabalhando com monitoramento territorial né aquela ideia que você coordena da sua mãe isso com a proteção do dos territórios indígenas né A gente trabalha com agrofloresta né com o reflorestamento porque a gente entende que também a gente tem que devolver pra Floresta aquilo que a gente tirou dela né então a gente trabalha a gente fala muito de sócio bi economia por isso que a gente fala também das agroflorestas né de plantar
comida de qual sem agrotóxico para botar na mesa das pessoas né porque é é da Agricultura Familiar que vem a comida que alimenta as pessoas mesmo então a gente fortalece né Eh esses esses trabalhos que já existem dentro dos territórios faz um trabalho de fortalecimento das organizações indígenas dos jovens né das organizações de mulheres e você nesse contexto muito em contato com os jovens indígenas mesmo como que é a sua relação com as pessoas mais velhas do seu povo então para nós né Eh os amãe que a gente fala né são muito são muito importantes
né porque eles são não só os mais velhos né mas eles são aqueles que sabem mais aqueles que vieram Antes de nós que já conhecem a luta então quando a gente vai fazer fazer alguma coisa a gente se orienta com eles né quando eu fui falar na na COP esse Fi fazer a abertura da cop antes de eu ir pra cop eu nem sabia que eu ia fazer esse discurso mas antes de eu ir né Eu sentei com com as lideranças né da da minha Aldeia sentei com meus labio ais sentei com os amãe com
os mais velhos e e conversei com eles né e perguntei o que que era importante eu est levando ali né porque eu tava ali não para me representar né mas para mim para representar o meu povo não dava para ser um discurso vindo só da sua cabeça exatamente Então a gente tem a gente se orienta através deles né até hoje eh os os mais velhos são muito importantes na nossa Cultura né porque são eles que que também vão transmitir o conhecimento né todo o conhecimento que a gente tem a gente aprendeu deles então dentro da
cultura indígena né os mais velhos Eles são muito importantes você é uma defensora da bioeconomia né conta pra gente como que funciona isso então eu acho muito importante falar né dessa bioeconomia o sócio bioeconomia Porque existe uma uma narrativa né de que nós povos indígenas somos um somos contra o progresso né mas hoje a gente tá falando que Progresso de verdade é aquele onde a gente vê um futuro né E que existem sim outros caminhos e outras soluções né inclusive econômicas né Para que e e onde a gente vive em harmonia com a natureza né
Eh não dá para achar que desmatar e destruir é progresso né Isso é um pensamento do passado já hoje o mundo inteiro Já já tá falando de bioeconomia já fala de crédito de biodiversidade né e mais do que falar sobre isso a gente tá colocando isso em prática como por exemplo né como eu falei das próprias agroflorestas da onde a gente planta refloresta e da onde sai a comida né pra gente comer de qualidade de onde vai sair os frutos né como por exemplo imagina quanto de remédios mesmo a gente não conhece e que a
gente tá queimando e destruindo na Floresta né quanto de conhecimento que a gente não tá queimando e destruindo da floresta e que pod e que hoje a gente tem pesquisa já que dizem né E que mostram que a floresta vale muito mais em pé do que derrubada e não só desses produtos né que a gente pode fazer virar shampoo pode fazer virar remédio né ou pode fazer eh virar comida mas o simples fato de uma árvore em pé né e d proteção dessa árvore como por exemplo a questão do crédito de carbono são muito mais
lucrativas do que você derrubar a floresta né então muitas eh vezes as pessoas acham que ah a gente não quer o progresso né a gente quer viver eh a gente é contra o progresso mas pelo contrário o que a gente tá mostrando é que isso não é progresso né você condenar o próprio futuro você condenar o futuro dos seus filhos das próximas gerações É é burr na verdade né É É justamente o contrário e que existem soluções sim né esses essas pessoas que que que tão nessa Contramão né do que a gente está falando podem
começar a fazer o que a gente tá fazendo podem começar a plantar árvore podem começar a fazer agrofloresta né Podem eh podem apostar nos próprios povos indígenas e comunidades tradicionais e não vão deixar de lucrar com isso né mas também existe esse uma narrativa do medo de colocar nós um contra o outro né Ah tá vendo ele é contra o seu Progresso ele quer que ele não quer que que o Brasil cresça né quando na verdade o que o que vem mais chamando tanto investimento internacional quanto olhar pro Brasil é a questão ambiental é a
questão dos povos indígenas né hoje a gente tem por quê Porque o mundo tá apostando Nisso porque hoje a gente não só fala na questão das mudanças climáticas numa perspectiva de futuro a gente tá vivendo isso já dentro das nossas comunidades que tá mais quente que afeta a nossa plantação que seca os nossos rios a gente teve uma das maiores secas na Amazônia né agora mas que também afeta as cidades né e a gente tá aqui em São Paulo eu tava vindo para cá e começou a chover né Aí você imagina aí já fica todo
mundo preocupado que acha que vai alagar tudo não vai conseguir mais chegar em casa isso é também uma consequência né do que a gente tá vivendo e do que e um reflexo do que a gente vive no nosso território também né então existe uma tecnologia maior do que a árvore pra gente ter o futuro não né exe uma tecnologia maior do que o cuidado do que o proteger a floresta hoje não então a gente vem colocando isso né ó inclusive economicamente porque as pessoas gostam de falar muito de Economia elas ainda não estão falando de
Justiça climática de crise do clima numa perspectiva de vida ou de pessoas que coloca as pessoas no centro Apesar de nós sermos os maiores atingidos né mas elas falam numa perspectiva Econômica então é por isso que hoje a gente também tem que falar nessa perspectiva econômica e hoje os dados mostram né a as estatísticas mostram as Pesquisas mostram né a ciência mostra que a floresta vale muito mais em pé do que derrubada e nesse contexto dessas mudanças climáticas tudo esse é um debate que ele é muito complexo envolve muitas camadas e por mais que as
mudanças estejam afetando todo mundo não é todo mundo que ainda tem acesso a a a esse tipo de discussão e até a informação como que bom você tá fazendo a sua parte né tentando conscientizar as pessoas mas a gente como sociedade O que que a gente faz para tornar esse debate das mundanças climáticas mais democrático então Eh vai afetar todo mundo mas afeta a gente primeiro né e eu acho que uma ótima coisa da da gente mudar essa perspectiva e trazer mais as mudanças climáticas é isso que a gente tá fazendo também discutir mais sobre
isso falar mais sobre isso mas entender eh de falar isso de forma acessível né você imagina eu eu venho do território indígena se eu chego lá na minha Aldeia falando de ndc falando de acordo de Paris falando né de efeito estufa meus parentes vão me olhar e falar tipo que amiga tá falando tá falando é outra língua mesmo entendeu então mas se eu chego e falo ó o rio Tá secando né tá esquentando o clima tá mudando a parte prática ali eles vão entender entendeu porque aquilo que eles vivem né então muitas vezes a gente
não vai chegar por exemplo na própria favela e vai falar assim ó então ndc acordo de Paris efeito Mas você fala ó alagamentos ou trazer isso pra realidade das pessoas elas vão entender Ah isso aqui é uma coisa que atravessa o meu dia a dia isso aqui é uma coisa que atravessa né Eh a vida toda a nossa vida e não só as pessoas mais vulneráveis da favela ou dos territórios indígenas mas todas as pessoas mesmo né as pessoas que também tem mais condições não estão falando sobre isso né não tão inseridas nesse debate né
então também levar para essas pessoas ó é importante a gente tá falando disso e como é que a gente aumenta esse debate falando mais sobre ele trazendo isso e acho que trazendo pro nosso cotidiano também né Eh quando acontece uma coisa dessa a gente começa a falar pro nosso amigo tu sabia que isso é mudança climática né sabia que isso aí eh tem a ver com com o nosso planeta com a nossa floresta e começar a tentar a a debater com as pessoas mesmo sobre isso e levar para cada vez mais lugares né Eh eu
acho que trazer as pessoas para debater as coisas também né Hoje em Dia com toda essa separação e dicotomia que a gente vem vivendo as pessoas não querem mais dialogar umas com as outras não querem mais conversar né mas eu não acredito nisso eu eu converso e dialogo com todo tipo de pessoa entendeu aquela que concorda ou não comigo mas eu tô ali não eu vou conversar com você né porque talvez ela muda minha cabeça ou talvez eu também consigo mudar a cabeça dela né E se ninguém mudar a cabeça pelo menos a gente tá
agindo de forma democrática né pelo menos a gente eh tá respeitando um ao outro né da da sua opinião né mas hoje em dia não hoje em dia as pessoas não não não tem não conversam mais não dialogam mais e isso afasta elas inclusive da vida política mesmo e todos nós somos políticos todos os nossos atos são políticos então o momento que a gente decide não falar e se afastar disso a gente tá deixando outra pessoa decidir por nós né E é isso que a gente não pode deixar porque quando a gente deixa o outro
decidir por nós a gente também vai reclamar do quê né então trazer as pessoas para voltar a debater né porque é isso a nossa vida é política nós como mulheres temos a nossa vida política de eh o machismo né o o que a gente vive quando a gente tá andando na rua e as pessoas que mexeram com a gente isso é política também porque através das políticas que vão vir as políticas públicas para mudar essa realidade vamos trazer essa essa realidade aí da gente das opiniões divergentes e tudo para um contexto de rede social você
é bem ativa n suas redes sociais né você tenta trazer esse jeito que você tá falando agora também pra maneira como você se comunica com os seguidores porque eu acredito que é rede social Hoje em dia a gente não consegue pensar numa rede social sem os haters né sem o pessoal que vai ali para para criticar enfim você tenta eh manter essa sua postura conciliadora de de conversar mesmo e na Esfera da rede social também sim né Eu acho que na verdade eu acho que o maior papel meu nas sociais É exatamente esse de produzir
o diálogo de produzir o debate né E por do que que adianta ficar falando pra minha bolha né minha bolha já sabe o que eu vou falar já sabe o que eu tô falando então ali é é para eu alcançar mais pessoas mesmo mas aí eu acho que existem dois tipos de debate também quando as pessoas vem e existe muito né com falas racistas né com fala misógina com fala conceituosa para mim isso não é debate para mim é exatamente isso que eu falei É racismo é crime então e com esse tipo de pessoa você
não dialoga né porque ela não quer dialogar Sim agora tem muitas pessoas que vê na minha rede social e querem debater comigo mesmo e falam Ó mas eu vi isso aqui isso é verdade aí eu eu falo não isso não é verdade eu falo é isso é verdade Ah mas por que isso pessoas tê opiniões diferentes Ah mas eh eu não concordo com o que você tá falando tiai porque eh por exemplo isso os indígenas deveriam poder explorar os seus territórios aí eu vou lá e debato ó primeiro que isso é uma falácia né que
nós podemos sim fazer o que a gente quiser com o nosso território se a gente quiser plantar a gente pode ISO não é proibido por lei né Mas se a gente não tá fazendo isso é porque a gente não quer o que eles querem não é que a gente tenha o direito de explorar o nosso território o que eles querem é que eles tenham o direito de explorar o nosso território não nós né porque nós podemos plantar nós podemos fazer isso né Eh então eh só que é muito difícil às vezes eu demorei muito também
para principalmente depois da cop porque enfim foram são muitos seguidores não se eu imagino que depois da cop tenha sido difícil de assimilar sim primeiro que é isso você tem que se acostumar né porque querendo ou não você vira uma pessoa pública então aquilo que você fala também tem um peso muito grande a gente tem que ter cuidado e quando nós somos indígenas né uma coisa que você faz errado não é a tch errou tá vendo todos os indígenas é ruim tá vendo todos eles faz e e todo eles são assim então existe muito esse
peso né Eh para cima da gente então primeiro que eu tive que aprender é muito lidar com esses comentários eh preconceituosos mesmo de e de bloquear de entender de mandar eh pra Polícia mesmo quando é necessário né porque a gente recebe ameaça pela rede social também mas de nunca também deixar de dialogar com quem quer conversar com a gente com quem quer dialogar até porque é isso né Eh se a gente não debate com essas pessoas não dialoga com essas pessoas elas também vão Ach que elas estão certas né então a gente tem que saber
discutir e eu tento fazer muito isso né levar informação né mas mostrar que eu sou uma pessoa aberta eu sou uma pessoa democrática né que quer realmente que quer construir que é isso que a gente quer a gente quer construir junto com as pessoas né Mas eh e e hoje eu uso muito também a minha coluna na folha para fazer isso né para discutir levar e aquilo que não mostram e para debater com as pessoas as opiniões Diferentes né Eh e pra gente construir junto né num num num num consenso ali do pô isso aqui
a gente quer o melhor para todo mundo foi isso que eu sempre ouvido né dos meus pais essa luta não é uma luta só para mim é uma luta para todo para todos né mas enfim internet é muito difícil eu acho que tem que legislar esse negócio mesmo porque enfim não dá para é aquela coisa não é terra de ninguém não dá para ser né não é e e e e na internet as pessoas têm muito coragem né mas na hora da do cara a cara não tem aí só minha coragem é porque eu sou
uma pessoa que eu falo na internet mas se você quiser eu falo na sua cara também que eu não tenho medo de falar na cara de ninguém não e eu acho melhor ainda falar na cara das pessoas né porque é exatamente nessa hora que a gente vê que porque é muito fácil falar na internet né fácil de se esconder né ali atrás fácil de se esconder então então assim a gente usa as redes sociais para para fazer tudo isso e para levar a nossa cultura também né para para mostrar ó dentro dentro da Aldeia é
sim né e contar nossas histórias fortalecer Nossa cultura fortalecer quem nós somos né eai além de tudo isso que a gente já conversou hoje você você aí com como ativista como colunista tantas coisas que você faz você também ganhou um m né com o documentário o território em que você atuou como produtora executiva fala pra gente desse prêmio então Eh eu nem a gente nem esperava imagina ganhar um m o território a gente foi para mais de 100 festivais no mundo inteiro né ganhou um m quando cheguei lá no no m eh conheci o Spike
Lee imagina olha muito chique muito chique muito chique os me os meus amigos que fazem cinema ficaram tudo com inveja de mim não acredito Isso foi em Los Angeles em Los Angeles Então e o território é é um documentário né que foi coproduzido e pelo povo de UPA por mim né que fui produtora executiva E que conta a história exatamente dessa luta que a gente traz né dentro do território Uru auau pela proteção eh desse território contra as mudanças climáticas né E que conta a história do Ari também né Então significa muito pra gente né
e através dele a gente conseguiu também e atingir muitas pessoas né porque eu acho que a arte ela tem um poder que talvez outras frentes não tenham que é o de tocar os corações S das pessoas mesmo né você v que a arte ela consegue isso sensibilizar e eu acho que a gente PR como a gente tava falando que as pessoas não discutem mais né não dialogam mais eu acho que isso que a gente também precisa fazer começar a sensibilizar as pessoas né tocar elas de alguma maneira e lembrar somos todo nós ser humano cara
entendeu som todo seres vivos Então vamos vamos vamos pro amor mesmo vamos e a arte ela tem esse poder de sensibilizar as pessoas então o em foi assim foi uma coisa que a gente nem esperava mesmo e que foi um uma grande felicidade para todos nós né conta a história da minha mãe também o território né dessa grande Guerreira que é minha inspiração eh e ah poder tocar as pessoas através da arte eu acho que é que é a maneira mais bonita de sensibilizar pessoas Então para mim foi foi um foi nem sei explicar Foi
uma foi é uma coisa tão louca que é uma coisa que a gente nunca nem a gente tem sonho né mas é uma coisa tão fora da nossa realidade um m né É É tão fora da nossa realidade que a gente nem conseguia imaginar para sonhar um negócio desse então é é tipo viver um sonho mesmo um negócio é é um filme dentro de um filme cas t real isso e me chamou atenção também que vocês colocaram os próprios indígenas mesmo para para fazer rodar o filme né Sim a gente gravou o filme o filme
foi filmado né Toda a parte que é dentro do território indígena foi filmada pelo povo de de jupa foi filmado por nós eu sou produtora executiva lá na na Austrália e Nova Zelândia Quem fez a distribuição do filme foi uma distribuidora indígena olha só né então para mostrar que isso também que a gente a gente pode estar onde a gente quiser né E aí a gente visitou vários festivais eh fomos fomos ganhamos sundance né que é um dos festivais de cinema mais importante dos Estados Unidos né fomos para canes fomos para para vários países né
e e quando eu chegava lá ia no nos q&a né nos per e respostas eu eu vou pintada assim vou comer o cocar né e muitas vezes as pessoas eh olhavam e pensavam ó tá no filme Ela só que elas nunca imaginavam que eu estaria atrás das câmeras né Ah sim então isso mostra ainda também isso como são espaços que a gente tem que cada vez mais alcançar e como que a gente vem alcançando com a nossa luta mesmo né com o nosso olhar né porque é isso é um filme feito através do nosso nosso
olhar né também através da nossa narrativa e eu acho que é que isso é muito importante também né Não só a gente tá do outro lado das câmeras mas as trás das câmeras também né a verdadeira representatividade ali em todas as esferas da produção né Isso mesmo T eu quero agradecer demais pela sua presença Nossa uma verdadeira aula aqui que a gente teve hoje vou te pedir para você assinar a revista que você realmente a não t acostumada autógrafos Ô você ganhou um M ó é você é bom ir treinando um autógrafo aí onde aqui
mesmo onde você quiser ir perto do seu do seu espacinho mas eu que agradeço gente eu fico muito feliz mesmo de vir aqui conversar com vocês é muito bom a gente agradece demais e e quem agradece também é Johnny Walker nosso patrocinador que deu um presentinho pra você obrigada obrigada demais muito bom muito obrigada gente feliz e tchai te desejo muita força para você continuar aí na sua luta e que você continue com esse brilho no olho também porque é muito lindo ver você falando então realmente foi maravilhoso conversar com você hoje obrigada demais viu
ah obrigada gente não pode falar muito essas coisas que eu choro tão Saada Obrigada fico muito feliz de estar aqui com vocês mesmo e agradeço a Forbes né Por esse reconhecimento E como eu falei isso também é lutar com a gente né porque é com essa visibilidade com essa força a nossa voz chega mais longe e a gente tá aqui para levar a voz da Floresta né A Voz do nosso povo então Agradeço todo mundo você toda equipe fic muitoo feliz disso viu e obrigada você que ficou com a gente até agora e até o
próximo under 30 a jornada [Música]