Olá, moçada! Bom dia! Tudo bem?
Baita prazer encontrá-los aqui mais uma vez. Espero que estejam todos em paz. Espero que as meditações estoicas estejam valendo a pena para vocês.
Hoje, 23 de fevereiro, com mais uma meditação de Marco Aurélio. Mas eu preciso fazer uma coisa: já tem um bom tempo da minha vida que eu me dedico às coisas da filosofia e, se tem algo que me preocupa como professor, é ser didático e não deixar as pessoas compreenderem de forma errada, torta ou inadequada um determinado conceito. Na verdade, até a própria palavra professor, em grego, didaskalos, vai dar didática.
Então, o bom professor tem que ser didático; se ele falha nisso, ele tem que se ajustar. Eu reparei que, na meditação do dia 20 de fevereiro, eu percebi isso por causa de dois comentários. Então, imaginem vocês a importância de comentarem comigo lá nos vídeos e tal, sobre o que está rolando.
Eu percebi que pode ter havido uma incompreensão em relação àquilo que o Marco Aurélio disse nessa meditação separada para o dia 20 de fevereiro, pelos nossos autores, e eu não suporto esse tipo de coisa. Então, o que eu fiz? Estou jogando para hoje.
Hoje, nós vamos ter duas meditações: eu vou retomar a do dia 20 de fevereiro e vou avançar com a do dia 23 de fevereiro, de modo que a gente vai ficar aqui juntos hoje um tempo um pouquinho maior para esclarecer um ponto importantíssimo. Então, esqueçam a do dia 20 de fevereiro; lá eu simplesmente apaguei porque eu vi que a compreensão não foi a mais adequada, e que não daria para eu resolver isso na forma de um texto lá. Então, no dia 20 de fevereiro, nós vimos o Marco Aurélio dizendo o seguinte: "Ladrões, pervertidos, assassinos e tiranos reúnem para a tua inspeção seus supostos prazeres.
" E alguém comentou assim: "Puxa, eu entendi esse negócio como o Marco Aurélio falando a respeito dos prazeres que nós temos, os prazeres individuais que podem ser como ladrões, pervertidos, assassinos e tiranos", e não que ele estivesse fazendo um julgamento sobre ladrões, pervertidos, assassinos e tiranos indivíduos lá fora. Fato é, no entanto, que o Marco Aurélio tem uma posição que não é exatamente dúbia sobre esse ponto, mas ela pode ser de fato compreendida de maneira inadequada. Por isso, o comentário é um pouquinho mais estendido.
Em alguns momentos, pode ficar parecendo que o Marco Aurélio está dizendo: "Olha, não julgue, não avalie as pessoas; olhe só para dentro, avalie só o que você está fazendo. " E sim, em alguns momentos, e eu vou mostrar para vocês isso nas próprias meditações, ele vai dizer que não vale a pena você ficar lançando o olhar sobre o que os outros estão fazendo, avaliando o que os outros estão fazendo, quando você tem tantas coisas internas para resolver, tantas questões internas das quais você não dá conta. No entanto, algumas, não poucas, das meditações do Marco Aurélio parecem apontar no sentido contrário, ressaltando a importância de observarmos os outros, de avaliarmos os outros, exatamente para que eles se tornem também para nós uma baliza do que é bom e do que não é bom a respeito das opções que nós vamos fazer em nossas vidas.
Olha, para vocês terem uma ideia, ele abre as meditações falando: "De meu avô Vero, aprendi a boa moral e a como controlar meu temperamento; da reputação e da memória de meu pai, a modéstia e um caráter viril; do meu pai, observo a suavidade no temperamento e uma resolução imutável nas coisas que ele havia determinado, depois da devida deliberação. " Ele observava os homens que estavam ao seu redor. Essa observação, esse julgamento, é fundamental.
Sim, eu posso entender essa meditação do dia 20 numa perspectiva mais subjetiva, de entender como os meus sentidos podem ser tirânicos, podem ser ladrões tirando a minha paz; os meus sentimentos — eu quero dizer, as minhas emoções, os meus caprichos —, mas é preciso olhar para o comportamento do ladrão, do tirano, etc. Então, é sim um olhar para dentro e um olhar para fora. Dependendo da meditação sobre a qual você está, vai ficar parecendo uma coisa ou outra, mas o que eu quero dizer é que, do ponto de vista filosófico, elas não se excluem em Marco Aurélio.
Elas andam juntas. Eu separei aqui mais uma meditação na qual ele diz: "Quanto desgosto consegue evitar aquele que não tenta saber o que foi dito, feito ou pensado por seu vizinho, mas apenas aquilo que ele próprio faz ou pensa, para que essas coisas sejam justas e puras. " Ou, como diz Agatão: "Não olhe para trás para a moral depravada dos outros, mas continue seguindo reto sobre a linha, sem se desviar dela.
" Você vai dizer assim: "Olha, mas nessa meditação ele tá falando para eu não tentar saber o que foi dito, feito ou pensado pelo meu vizinho, mas jogar foco naquilo que eu mesmo faço ou penso, para que essas coisas sejam justas e puras. " Então, ele tá falando para eu não olhar, para eu não julgar. Só que como você vai conjugar isso com uma outra passagem: "Examine os princípios que guiam os homens, inclusive os dos sábios.
Que tipo de coisas eles evitam, e quais as coisas que almejam? " E por aí vai. Tem uma série de reflexões do imperador filósofo que talvez nos levem a uma compreensão inadequada do que ele de fato está querendo dizer.
Mas, quando você pega a visão de conjunto — na filosofia, a gente chama isso de uma visão sinóptica, aquela visão que vai, sim, junto — o prefixo "sim" em grego. S. Y.
Nium sim, que vai dar síntese, é aquilo que vai junto. Então, óptico de ver numa visão sinóptica o que eu tenho a partir desta meditação do dia 20, que ficou incompreendida para algumas pessoas. Que sim, eu preciso olhar cuidadosamente para os desvios das minhas emoções, dos meus caprichos, daquilo que me afasta da minha autonomia.
Nesse sentido, talvez nós pudéssemos ler essas coisas que roubam, que nos pervertem, que nos matam, que são tiranas de nós mesmos. Mas é preciso também olhar o outro para aprender com ele. Então, o que ele está dizendo é: não fique por conta daquele olhar julgador, baixo, vazio.
Aquele olhar com o qual você não aprende nada; você só julga. A avaliação, o julgamento com relação ao outro, tem que te trazer balizas boas, positivas. Então, há um movimento dialético aqui: você não vai ficar perdendo tempo com o que seu vizinho está dizendo, com o que seu vizinho está pensando, com a notícia do dia que é uma bobagem, etc.
, etc. Porque a vida pode ficar curta se você perde tempo com essas coisas. Mas observe as pessoas.
Observe as pessoas. Observe o sábio. Observe o homem que se perdeu.
Esses se tornam estacas de referências importantíssimas para a gente conduzir as nossas vidas. Como diz lá o comentário dos autores, no dia 20 de fevereiro, pare um segundo. Investigue como uma vida dedicada a entregar-se a cada capricho realmente funciona.
Olhe: uma vida dedicada a caprichos. Como ela está? Como é a vida dessa pessoa?
É essa a vida que eu quero? Uma vida na qual eu não consigo dizer não para mim mesmo? Essa é a vida.
Olhe para uma pessoa que come tudo o que ela quer, do jeito que ela quer, sem nenhum tipo de restrição ou cuidado. Olhe para a vida de uma pessoa que leva a sua vida de forma luxuriosa, sem nenhum tipo de limite, sem nenhum senso de proporção. Olhe para o cara que bebe o que quer, do jeito que quer, na hora que quer.
Para o cara que vai atrás de dinheiro, só atrás disso, o tempo inteiro. A vida dele é isso: rifando momentos importantes que ele deveria ter com os filhos, com a família. Que ele poderia ter um final de semana participando da formação das crianças.
Nada, nada disso é o que eu quero. Então, eu não podia avançar nessas meditações se eu não voltasse ao dia 20 de fevereiro com essa meditação aqui e dizer para vocês que Marco Aurélio aponta para os dois lados: não perca tempo com picuinhas, fofoquinhas relativas aos outros, mas observe o outro. Observe o outro como você deve observar a si mesmo, controle as suas emoções destrutivas e observe como essas emoções destrutivas agem no outro.
E é muito bonito porque Marco Aurélio, em determinado momento, tem uma visão muito, eu diria até carinhosa, com relação ao outro, que ele diz assim: "Olha, ajude na medida das possibilidades. Ajude na medida das possibilidades. Se houver abertura, tome pela mão.
E se a pessoa te destratar, entenda que isso é menor. " Tocou até o telefone aqui, que isso é menor, que isso é uma coisa menos importante. Então, esse é um ponto fundamental para a gente poder avançar aqui com mais tranquilidade, sem deixarmos de compreender adequadamente tudo aquilo que nós estamos fazendo aqui.
Pois bem, dia 23 de fevereiro, agora sim, uma meditação mais curta, mas também muito impactante: "As circunstâncias não se importam com os nossos sentimentos," diz o mesmo Marco Aurélio. "Não deverias dar às circunstâncias o poder de dar raiva em você, porque elas não se importam nem um pouco os nossos aores. " Comenta parte significativa das meditações de Marco Aurélio, são citações curtas de outros escritores.
Isso porque ele não estava necessariamente produzindo. Em vez disso, ele estava praticando: o estoicismo deve ser praticado; não é um exercício filosófico puro e simples de reflexão, é reflexão que vem para a vida, lembrando a si mesmo aqui e ali de lições importantes. E algumas vezes tais lições eram coisas que havia lido de outros autores.
Esta citação aqui é especial porque foi retirada de uma peça de Eurípides, um tragediógrafo grego dos mais importantes da história, numa obra, essa obra especificamente, que não chegou até nós. Mas olha como esses homens antigos já tinham uma visão muito cuidadosa sobre as coisas da vida: você não deve se irritar com questões circunstanciais que são indiferentes em relação a você. Eu já dei esse exemplo aqui: ah, o avião não decolou, especialmente agora, né, temporais para todos os lados, etc.
Tempos complexos do ponto de vista climático. Eu fico p da vida, eu explodo, eu xingo o cara da companhia aérea, como se isso fosse impedir alguma tempestade de se formar, de cair sobre o aeroporto. Não vai acontecer.
Ou se alguma doença se abate sobre mim, adianta eu me irritar, ficar nervoso? É uma questão circunstancial. Existem diversos órgãos dentro de mim trabalhando de uma forma absolutamente coordenada.
Em algum momento, um fio desencapado encosta no outro e algo dá errado. E eu digo: "Por que eu? " Você nem é assim tão importante.
Você nem é assim tão importante! Menos. São circunstâncias, são coisas que acontecem.
Às vezes acontecem com crianças, às vezes acontecem com adultos, com pessoas idosas. Coisas que acontecem. Às vezes você vai para a praia e venta o tempo inteiro, e você não tem paz.
E aí está tendo um show não sei onde, e você não consegue chegar em casa. Está tendo um jogo de futebol e o seu caminho passa pelo estádio, e você não consegue chegar. É circunstancial.
Se irritar com isso não é exatamente sinal de sabedoria, pelo que podemos depreender sobre a peça de Eurípides, no caso de onde Marco Aurélio. Extraiu esse trecho. Beleiro, fonte: o herói passa a duvidar da existência dos Deuses.
Mas nesta passagem, ele está dizendo por nos darmos ao trabalho de nos enfurecer com causas e forças muito maiores do que nós, por nos entregarmos a questões que são, ou a elementos da vida que são indiferentes a nós. Ou você acha que o mundo está se juntando para te fazer mal? É ser muito autocentrado, hein?
É se achar um pouco demais. Pô, tudo para mim dá errado! Basta eu querer, esse negócio tudo se volta contra mim.
Mas essa, você é o Batman! Então você é o cara! Você é o Superman!
Você veste a cueca por cima da calça! As coisas acontecem, elas estão lá fora, numa dinâmica, num balé cósmico que nem tá olhando para você, que nem tá te vendo. Então, menos!
Não se agaste com aquilo que você não pode controlar, porque tomamos essas coisas num nível pessoal. Afinal de contas, acontecimentos externos não são seres sensíveis, não reagem a nossos gritos e prantos. Tampouco são os Deuses indiferentes.
Os gregos, de modo geral, entendiam esses Deuses como deuses, não os deuses da mitologia, mas os deuses da filosofia, como deuses indiferentes ao homem. Você acha que um ser divino vai ficar descendo aqui lidando com essa porcaria? Para quê um ser divino, um Deus?
Eu não sei se eu falei "Deus Divino". . .
Deus Divino seria um pouco demais, né? Seria um pleonasmo. É disso que Marco Aurélio está lembrando a si mesmo aqui: circunstâncias são incapazes de considerar ou de se preocupar com seus sentimentos, sua ansiedade ou sua empolgação.
Não adianta você se espernear, não adianta você gritar, não adianta você se irritar e, pior, se dobrar a esses sentimentos. Essas coisas não são pessoas, por isso pare de agir como se a exaltação tivesse algum impacto sobre a situação. A situação não se importa nem um pouco com você.
Amanhã você sai, seu pneu tá furado. Você vai xingar, você vai brigar e o pneu não vai desfurar, não vai ser consertado sozinho. Ele não vai se inflar simplesmente porque você ficou todo irritadinho, achando que o mundo gira em torno da sua pessoa.
Um pouquinho extenso? Hoje teve telefone tocando, teve cachorro latindo, não teve o Thales. Vem cá, Thal.
Ah, bom dia, pessoal! Papai hoje abusou da paciência de vocês, né? Tchau!
Até amanhã! Amanhã, 24 de fevereiro, a gente volta às nossas meditações em ritmo normal. Falou, tchau!
Falou, tchau! Você não briga comigo, não! Vem cá, gordinho!
Deixa eu te mostrar. Também tem gordo querendo aparecer! Fala lá, Tom!
Eu sou bergo mesmo, eu sou gordo porque eu posso! Eu sou gordo porque eu posso! Na rua eu não comia, e aqui agora eu como!
Eu não sou estoico, eu como o que eu [Música] quiser! Gostoso da minha vida! Ele é muito nervoso.
Vai lá, doidinho! Beijo! Tenha um excelente dia, moçada!